Teologia da Prosperidade - 3
O que é a teologia da prosperidade?É um conceito religioso, no cenário evangélico mundial, que defende a ideia de que Deus tem intenções definidas, para fazer com que as pessoas fiquem ricas, em suas várias facetas materiais, físicas e emocionais. No geral, pensa-se que Deus tem um compromisso, e assim uma obrigação consigo mesmo, e com os Seus filhos, ou por quem fez algo para Deus, em sentido material – uma oferta, dízimo, um sacrifício, uma campanha, etc – e esse compromisso é de recompensa imediata.
As vertentes dessa teologia ainda caminham em uma postura de “tomar posse da benção”, em um suposto exercício da fé, para se apoderarem daquilo, que segundo creem, “já nos foi dado”. Essa também é chamada de “confissão positiva”. Kenneth E. Hagin escreveu um livreto chamado “Pensamento Certo ou Errado”, que nada mais é que uma postura psicológica, com linguagem bíblica, que se assemelha bem ao positivismo que o mundo defende quando falam em “dar sorte”. Não muito tempo atrás, percebemos que um grande sucesso literário mundial foi O Segredo, onde essa força positivista é levada às suas perspectivas de posse.
Morris Cerullo, expoente da teologia da prosperidade, escreve:
“Cristo já conquistou a vitória e dividiu os “despojos” conosco. A escravidão da doença foi anulada! A escravidão das dívidas foi anulada! A escravidão da pobreza foi anulada. Para tomar os “despojos” do Inimigo – os recursos financeiros que roubou de nós -, precisamos receber uma revelação nova sobre a batalha que Cristo venceu, na qual destruiu as obras do Diabo.”1
Quais as bases bíblicas apresentadas pelos promotores dessa escola teológica?(1) as promessas de Deus aos patriarcas, (2) as promessas de bênçãos ao povo de Israel, (3) passagens bíblicas a respeito de dízimos e ofertas, e (4)algumas porções do Novo Testamento, são apresentadas como indicativos de que Deus promete e tem que fazer seus servos prosperarem materialmente. Faremos uma avaliação dessas supostas bases bíblicas, examinando tais porções das Escrituras dentro do seu contexto imediato e no progresso da revelação bíblica.
Onde nasceu a teologia da prosperidade? Segundo alguns
“Foi durante os avivamentos de cura (healing revivals) dos anos 1950 que a teologia da prosperidade ganhou proeminência nos Estados Unidos, apesar de especialistas terem ligado suas origens ao Movimento Novo Pensamento. Os ensinamentos da teologia da prosperidade mais tarde ganharam proeminência no Movimento Palavra de Fé e no televangelismo dos anos 1980. Nos anos 1990 e 2000, foi adotada por líderes influentes do Movimento Carismático e promovida por missionários cristãos em todo o mundo, levando à construção de megaigrejas. Líderes proeminentes no desenvolvimento da teologia da prosperidade incluem E. W. Kenyon, Oral Roberts, T. L. Osborn e Kenneth Hagin.”2
Outros como Benny Hinn, Morris Cerulo e Mike Murdock também são os proponentes referenciais.
Quais igrejas são as principais promotoras dessa teologia aqui no Brasil?Sabemos que as igrejas neopentecostais2, como a Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça, Igreja Mundial do Poder de Deus, são as mais conhecidas. Porém, em várias regiões do Brasil, apesar de não serem expressivas, muitos ensinam tão veementemente essa doutrina, que podemos ver em qualquer lugar igrejas seguindo essa teoria.
A teologia da prosperidade é vista apenas em igrejas neopentecostais? Não, infelizmente não. Hoje, não é mais novidade dizer que essa teologia está penetrando em igrejas tradicionais, pentecostais e comunidades evangélicas independentes, e vestígios claros dessa teologia, são também percebidos especialmente em movimentos evangélicos, cantores gospels, pregadores de renomes, enfim. Não existe mais uma barreira que impeça o avanço desta influência. E até mesmo pastores fieis, sem perceberem, acabam fazendo a vez dessa teologia quando fazem uma má interpretação do texto de Malaquias 3.10.
Por que essa teoria é tão facilmente aceita?Ela está ligada aos interesses materialistas do ser humano, e onde houver pessoas, que sofrem pressão da mídia, e de suas necessidades, assim entram nas igrejas que estimulam isso. Nossos desejos e necessidadesserão sempre uma locomotiva psicológica para nos levar a aceitar essa oferta teológica. Ainda mais, se ela for recebida como vindo de Deus, por meio de nossos esforços, ‘ou melhor ainda’, como recompensa de nosso labor sacrificial. Além do mais, é isso que queremos sempre – estar financeiramente melhores, pois vemos nisso segurança.
Quais são os recursos mais usados pelos pregadores da teologia da prosperidade e confissão positiva?Em primeiro lugar percebemos, ao acompanhar programas de TV, que carnês (boletos bancários para dar as ofertas estipuladas) são usados em muitas igrejas da prosperidade, e são exibidos como que um troféu, ou uma garantia da benção divina. Geralmente a multiplicação do que é doada, é exorbitante. Outro meio muito comum são os objetos ungidos, uma versão neopentecostal da prática católica de benzer. Tais objetos assim ‘ungidos’, são vistos como um detentor simbólico, visível, de um poder específico para deixar a pessoa rica, ou livre de doenças, problemas e demônios. E a criatividade vai desde uma rosa ungida, uma palmilha, tijolinhos, fronhas, toalhinhas e até balas para crianças desobedientes.
O que a Bíblia diz sobre a teologia da Prosperidade?
Veremos agora em três partes assuntos pertinentes ao ensino da Bíblia:
Como os promotores da prosperidade usam a Escritura?
O que a bíblia diz nesses textos à luz de todo contexto bíblico?
O que a bíblia diz da prosperidade, pobreza, saúde e doença?
O uso da Escritura por parte dos pregadores da prosperidade:
As bênçãos prometidas, e adquiridas, aos patriarcas, são nossas também?
Antes de responder, uma breve perspectiva da história bíblica a respeito deles se faz necessária: No livro bíblico de Gênesis, a história de Abraão, Isaque e Jacó, são exemplos de como Deus pode fazer que pessoas que não tem nada, em peregrinações, em grandes homens de negócio. Especialmente do capítulo 12 em diante do livro, percebemos como receberam posses materiais, e vitórias sobre grandes problemas, dos mais variados possíveis. Deus prometeu aos patriarcas, e aos seus descendentes, bênçãos materiais que seriam adquiridas, em especial, na terra de Canaã, onde manava leite e mel. Como era de interesse nacional, as guerras literais eram um dos mecanismos usados para se apoderarem dessas bênçãos no período especialmente posterior. A execução dos inimigos nacionais de Israel fazia parte desse avanço de domínio material e territorial, prometido por Deus.
Com esse pano de fundo histórico, retornemos à pergunta: As bênçãos prometidas, e adquiridas, pelos patriarcas, são nossas também?Nossa resposta inicia-se com as seguintes elucidações –
Como cristãos na dispensação da Nova Aliança, não recebemos de Deus promessa para adquirir algum território, terreno, especifico. Nem estamos em território estrangeiro, rumo à outra terra física:
“Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” (Hb 11.16 [grifo acrescentado]).
“Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos;” (Hb 12.22).
Perceba que o argumento do autor dessa carta bíblica, no capítulo 11º, mostra a história de todo povo de Deus que viveu pela fé no VT e alcançaram alguns feitos, porém, não era a promessa final e essencial que estava por detrás de todas as coisas que avistavam. Ele demonstra que a fé foi o instrumento que Deus usou para eles adquirirem algumas amostras do que de fato era o alvo – a pátria, os bens, celestiais! E ainda aponta que eles, como quem não havia alcançado. E no primeiro texto a advertência foi que isso não mais deveria ser esperado! Ideia repetida aqui:
“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,” (Fl 3.20).
Não estamos adquirindo essas bênçãos por meio de batalhas/guerras literais, em nossas conquistas em nível de riquezas materiais:
“Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;” (2 Coríntios 10:3-5).
“Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.” (Mateus 8:11,12).
A as bênçãos da nação de Israel, no período bíblico, são as mesmas da Igreja? Em Deuteronômio capítulos 27, 28, 29 temos um compêndio de bênçãos e maldições físicas ao povo de Deus na antiga aliança. Houve uma promessa divina de que os descendentesde Abraão possuiriam a Terra da Promessa, mas para que tais bênçãos fossem efetivadas no decorrer da história, na vida de cada geração subsequente, foram apresentados os termos da aliança feita no Sinai. Eles receberam tais promessas materiais, ao mesmo tempo que foram abundantemente abençoados com a Teocracia, onde Deus governava por meio da Lei ‘mosaica’, ao se instalarem na Terra Prometida, e na subsequente organização da nação em monarquia. Porém, esse povo quebrou os termos da aliança, várias vezes, e foram amaldiçoados consequentemente, deixaram de ser Israel de 12 tribos, foram deportados para Babilônia, o Templo destruído, a arca da aliança desapareceu, e com o tempo, até o ponto de não mais serem um Reino independente, no período de Jesus – e para piorar, ainda rejeitaram a Jesus como o Messias (Jo 1.11).
As bênçãos que recebemos agora em vida não são as mesmas. Elas são em um mesmo nível, mas em uma maior intensidade, na vida espiritual, com uma percepção e profundidade que o servos fieis de Deus não recebiam no período do Velho Testamento:
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;” (Ef 1.3).
Que bênçãos são essas?
– O Batismo com o Espírito Santo: “De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.”(At 2.33).
– O testemunho do perdão imediato por confessar: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (I Jo 1.9)
– A consciência intima da bendita reconciliação com Deus: “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.”(Rm 5.10).
– A superlativa, soberana e santa justificação:“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.”(Rm 5.1,2).
– A desejável adoção: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.16).
– A árdua e necessária santificação: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.”(Hb 12.14).
– A inegociável presença e habitação de Deus produzindo Seu fruto em nós: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.”(Gl 5.22-25).
– E promessa imutável da glorificação: “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” (Rm 8.30).
Prezado leitor, SE tais bênçãos e promessas não encher o nosso coração de alegria, mui provavelmente, precisamos de conversão genuína!
“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.”(1 Coríntios 2:14,15).
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Notas
Bíblia de Estudo – Batalha Espiritual e Vitória Financeira(2000) – Editora Central Gospel, p. 1301.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_da_prosperidade
Esse termo “novos pentecostais” – neopentecostais é usado pelas igrejas tradicionais protestantes para fazer uma distinção entre as igrejas da confissão positiva e os antigos pentecostais que surgiram entre os anos de 1910 e 1914. Na chamada primeira onda.
Luciano Sena do Blog http://mcapologetico.blogspot.com/
Teologia da Prosperidade - 2
Chega-nos dos Estados Unidos da América a notícia de que Jim Bakker, um dos mais influentes mestres da Teologia da Prosperidade (daqui para a frente indicada pela sigla TP) renunciou publicamente essa teologia como errônea, com a publicação do livro I WAS WRONG (Eu Estava Errado) – Revista A Seara, fev/1997, p.30.
Enquanto isso, na outra América, os líderes das igrejas pentecostais no Brasil se mostram empolgados com os ensinos da TP, afixando em seus templos faixas com dizeres bombásticos, para atrair pessoas com a promessa de se tornarem ricas. É verdade que os cultos realizados com essa finalidade superlotam os templos, com a presença de crentes e interessados no assunto. E o ensino é levado a sério a tal ponto, que alguns pregadores recomendam aos crentes que possuem veículos usados, como fuscas velhos, estacionarem seus veículos bem distantes do local dos cultos. Os que possuem carros modernos, do ano, devem estacionar seus carros mais próximos, a fim de estimular a fé daqueles que estão se orientando pelos ensinos da TP.
E assim, o povo pentecostal do Brasil se sente motivado a buscar em primeiro lugar as riquezas, e depois o reino de Deus, invertendo a ordem de Jesus em Mateus 6.33: “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.
COMO CHEGOU AO BRASIL
“Se a morte física de Jesus fosse suficiente para cobrar a dívida dos nossos pecados, então todo o cristão poderia pagar a pena dos seus pecados com a sua morte” (Essek William Kenyon, considerado o pai da Teologia da Prosperidade).
KENNETH HAGIN
São poucos os brasileiros que sabem ler o inglês. Com isso, os pregadores da TP, da outra América, eram praticamente ignorados no Brasil. Com a tradução dos livros de Kenneth Hagin para o português, pela Editora Betânia [1], os crentes passaram a ter conhecimento dos conceitos da chamada TP, e esses conceitos são realmente fabulosos quanto ao incentivo pela busca da riqueza material.
Conta Hagin que Deus lhe disse: “não ore mais sobre dinheiro… peça o que precisar”. O Senhor continuou “você diz: Satanás, tire as mãos do meu dinheiro! Diga ordeno …nomeando o que quer ou deseja”. Eu disse ao Senhor: “Senhor, não creio que queiras que as nossas necessidades sejam satisfeitas, mas sim os nossos desejos”. Ele replicou: “No Salmo 23 está escrito: O Senhor é o meu pastor, nada me faltará!”. Portanto Deus continua: “Peça o que precisas ou deseja. Diga: Satanás, tire as mãos das minhas finanças. Depois diga: Ide, espíritos ministradores, e façam o dinheiro chegar” – How God Taught Me, 16-19, citado no livro “Os Fatos Sobre o Movimento da Fé”, editora Obra Missionária Chamada da Meia-Noite.
Com tais ensinos, os pregadores brasileiros logo descobriram o “jeito brasileiro” de tornar os cultos diferentes. Convida-se um pregador que adotou a TP e ele começa com formas de culto estranhas, nunca vistas em igrejas tradicionalmente pentecostais. Diz ele: “Ponha a mão no bolso e retire da carteira a nota de maior valor”. Os crentes, sem saber do logro em que vão cair, inocentemente tiram sua nota. “Agora – diz ele – troquem a sua nota com a do seu irmão ao lado”. Isso é feito e ele prossegue: “Jogue a nota da sua mão no chão e pise sobre ela, amaldiçoando-a em nome do Senhor Jesus”. Depois ele pergunta: “Vocês vão querer ficar com essa nota amaldiçoada? Certamente que não. Vamos passar a sacola para recolhê-las”.
Os diáconos passam as sacolas e recolhem o dinheiro. O pregador passa as saolas para o pastor local, que para não ficar com a maldição na sua igreja devolve ao pregador visitante. Quem lucrou com toda essa forma de culto estranho? O eloquente pregador da TP. Se não funciona para os ouvintes, para ele é funcionai. Não falha. Logo, logo, estará rico.
O DINHEIRO É REALMENTE UMA MALDIÇÃO?
À luz da Bíblia não. Foi ordem divina que o homem com o suor do seu rosto comesse o seu pão (Gênesis 3.19). O que a Bíblia condena é o amor ao dinheiro, afirmando que tal sentimento pode levar à idolatria: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviarem da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Timóteo 6.10). Dessa forma, como meio eficaz de enriquecer – não os crentes, mas os próprios teólogos da prosperidade – é que se vão conduzindo algumas igrejas pentecostais do Brasil. E a moda está pegando. Aquele pregador que não aderir é incrédulo, vive fora do contexto bíblico.
BENNY HINN
Benny Hinn veio ao Brasil. Na primeira vez esteve em São Paulo, onde pregou no auditório do Memorial da América Latina. Foi um acontecimento notável no meio dos pentecostais. Formaram-se caravanas de várias cidades no interior e litoral de São Paulo com destino à Capital. Ônibus lotados. Ninguém queria perder a oportunidade de ouvir e presenciar milagres. A fama dos milagres já tinha chegado ao Brasil. Além disso, ele também foi convidado para pregar para uma assistência seleta de pastores do Conselho dos Pastores da Capital de São Paulo.
Logo após a sua retirada, começaram as novidades por ele deixadas a serem copiadas pelos líderes presentes: os pastores começaram a assoprar no microfone para derrubar as pessoas. Quando não funcionava o assopro no microfone, o paletó era jogado. Quando ainda o paletó não derrubava, eram então aplicados empurrões na testa. E pessoas já adredemente preparadas para segurar os que caiam para trás. Não caiam com o rosto no chão, em humildade diante da augusta presença de Deus, como se observa em algumas partes da Bíblia. Sempre caiam para trás, para não se machucarem ao cair.
Ninguém pergunta se os ensinos de Benny Hinn são ortodoxos. Querem novidade que atraia os crentes. Que encham os templos. E Hinn – sabemos – tem ensinos estranhos:
Que a pobreza vem do diabo e que Deus quer que todos os cristãos prosperem;
Que cada pessoa da Divindade tem seu próprio espírito, alma e corpo espiritual, passando as três pessoas da Trindade a ser nove pessoas;
Que o homem é divino e que se conscientiza disso ao repetir seguidamente ser um homem de Deus;
Que nunca se deve dizer na oração “Se for da tua vontade”, pois tais palavras são destruidoras da fé;
Que o Espírito Santo lhe revelara que as mulheres haviam sido originalmente criadas para dar à luz pelo lado de seus corpos;
Que o primeiro super-homem a existir foi Adão, dado que Deus lhe dera autoridade sobre os peixes do mar, logo ele podia viver debaixo da água como o homem submarino das histórias de quadrinhos; que podia também voar, pois Deus lhe dera poder sobre as aves do céu.
Mas, de todos os ensinos errôneos de Hinn, o mais contundente é ele afirmar: “Eu sou um ‘pequeno messias’, caminhando sobre a terra” – Praise-o-Thon, 6 de novembro de 1990, citado em Cristianismo em Crise, p. 119.
MODELO DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS (IURD)
Dentre as chamadas igrejas neopentecostais, a que mais cresceu e se tornou a vedete das denominações pentecostais é a IURD. Até poucos anos atrás, quando alguém queria referir-se a uma igreja pentecostal equilibrada e progressiva se referia às Assembleias de Deus. Hoje, o modelo de igreja pentecostal próspera, igreja que serve de modelo de avanço no meio do povo brasileiro, é a lURD. Qual é o ensino fundamental da IURD? É a prosperidade material.
Todo o povo brasileiro, através da TV Record, está vendo e ouvindo diariamente os testemunhos eloquentes de como certas pessoas enriqueceram frequentando a lURD. Relatos emocionantes de alguém chegar arrasado financeiramente na IURD, e que agora fala de ter dois, três carros do ano, apartamentos, casas de praia e de campo, lojas, dinheiro no banco e por aí adiante: uma prosperidade alcançada em curto espaço de tempo frequentando a IURD. Será tudo verdade?
As correntes milagrosas para alcançar esse derrame de bênçãos materiais são incontáveis. Cada semana se inventa um título pomposo, novo. E os pentecostais tradicionais não querem ficar atrás. Por incrível que pareça, enviam “espiões”, ou seja, obreiros disfarçados de crentes para aprenderem como se maneja com o povo (2Pedro 2.3), como se faz propaganda espalhafatosa, a fim de aplicarem os mesmos métodos em suas igrejas. São bíblicos tais métodos? Não importa. O que importa é que funciona: templos sempre lotados, dinheiro entrando com facilidade.
E, como afirma o Pastor Joaquim de Andrade “Edir Macedo construiu um império às custas dos dízimos, ofertas e do ensino da Teologia da Prosperidade. Daí as correntes de oração de Jericó, do trabalhador, do desafio, da prosperidade, dos dizimistas, dos empresários etc.” – Os Fatos Sobre o Movimento da Fé, p. 90.
IDENTIFICAÇÃO DO MOVIMENTO
Teologia da Prosperidade é o título pelo qual se identifica o ensino segundo o qual o cristão autêntico é conhecido por possuir ótima saúde física e boa situação financeira. Cristão que vive choramingando com doenças e problemas financeiros, é porque não está bem espiritualmente: ou está em pecado ou tem falta de fé. Não se deve ser pobre nem estar doente. Pobreza e doença são as marcas de pessoas dominadas pelo diabo.
Ridicularizando a situação da maioria dos evangélicos, quesão notadamente da classe pobre, inclusive os membros da IURD, o Pastor Jorge Tadeu declara: “Pobreza é uma maldição, e não uma bênção” – Finanças – Princípios Bíblicos Para a Vida de Sucesso, p. 9, 1ª Edição, junho de 1993, Igreja Maná, Portugal.
Os títulos dos grupos que se baseiam na TP são: Evangelho da Saúde e Prosperidade, Movimento da Fé, Palavrá da Fé, Confissão Positiva e Avivamento da Verdade.
O QUE DIZ A BÍBLIA SOBRE SER POBRRE?
“Bem aventurados, vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lucas 6.20).
“O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lucas 4.18).
“Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me” (Marcos 10.21).
“Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem” (Marcos 14.7).
“Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento” (Marcos 12.44).
AS ADVERTÊNCIAS DE DEUS AOS RICOS
“Mas ai de vós ricos, porque já tendes a vossa consolação” (Lucas 6.24).
“Não ajunteis tesouros na terra… mas ajuntai tesouros no céu… Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” (Mateus 6.19-21).
“É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus” (Marcos 10.25).
Como mencionou o Jornal Mensageiro da Paz (Junho de 1991, p. 15): “A TP é um insulto aos cristãos do Terceiro Mundo. Milhões de crentes zelosos no Terceiro Mundo nada têm de posses materiais. Estão eles enganados ou fracos na fé? Eles entendem mais sobre a cruz do que de carro do ano, e a única riqueza de que se ufanam é a vida eterna”.
É FALTA DE FÉ FICAR DOENTE OU SOFRER?
Os mais fervorosos servos de Deus do passado e do presente não ficaram imunes às doenças e sofrimentos. Isso se vê na vida de José, de Jeremias e de Paulo. Paulo fala de prisões, açoites sem medida, perigos de morte, varadas ou chibatadas, apedrejamento, naufrágios, fome, sede etc. (2Coríntios 11.23-29). Paulo orou pela saúde de Trófimo, mas não obteve resposta (2Timóteo 4.20).
OUTROS ENSINOS ESTRANHOS
Os crentes não devem morrer antes dos 70 anos. “A maneira como o cristão deve morrer depende da sua fé. O mínimo que você deveria viver são 70 anos. Você deveria viver até os 120 anos. É o que a Bíblia afirma. Deus pronunciou com a sua própria boca o número de seus dias para 120 anos. Não fui eu que escrevi isso. Deus disse isso. O mínimo a ser atingido são 70 anos e esses anos não devem ser acompanhados de doenças e dores” – Fred Price, “Is Healing for All?”, p. 104, citado no livro “A Different Gospel, p. 157.
Resposta bíblica: É verdade que a Bíblia afirma que há tempo de nascer e tempo de morrer (Eclesiastes 3.1-2), mas conhecer o nosso tempo de nascer, e ocasião de morrer, só pertence a Deus (Jó 14.5; Salmos 39.4-6).
Crianças que nascem mortas ou que morrem na infância
“As crianças que nascem mortas, que não têm controle sobre suas vidas, esse controle passa para os pais. Entretanto, se os pais não conhecem a Palavra de Deus, e não clamam por seus direitos em Cristo, as crianças morrem prematuramente” – Ibidem, Ever Increasing Faith Messenger, citado no livro “A Different Gospel”, p. 158.
Resposta bíblica: Davi orou por seu filho recém nascido, usando sua condição de servo de Deus, e não obteve resposta favorável. A criança morreu (2 Samuel 12.16-23).
Confissão negativa produz enfermidades
“Uma confissão negativa dá a Satanás o direito de infringir a doença. Falar sobre a doença é um modo de adorar o Diabo e deve ser expressamente proibido” – E. W. Kenyon, em “Jesus The Healer”, p. 44.
Kenneth Hagin afirma: “Nunca falo de doença… Nunca falo no fracasso… Nunca falo sobre o que o diabo fez”. E continua: “Mas, se eu tivesse dor de cabeça, não contaria a ninguém. E se alguém me perguntasse como estava me sentindo, eu diria: Estou ótimo, obrigado” – Words, p. 21, citado em “Os Fatos Sobre o Movimento da Fé”, p. 75.
Resposta bíblica: Daqui para frente, leitor, cuidado com as suas palavras. Por exemplo, se você disser: “Eu vou morrer de rir” ou “Isso me intriga até a morte” e outros ditados parecidos, isso levará à morte mesmo. Paulo confessou: “Temo, pois, que indo ter convosco, não vos encontre na forma em que vos quero… que haja entre vós contendas, invejas, iras…” (2 Coríntios 12.20-21). Paulo continua: “em nós opera a morte… mesmo que a nosso homem exterior se corrompa…” (2 Coríntios 4.12-16).
Os crentes não devem procurar a medicina
“O mundo tem um sistema de cura que é um fracasso miserável” – Kenneth Hagin, God‘s Medicine, p. 17-18, citado no livro “A Different Gospel”, p.154.
“Eu não uso remédio… Tenho a minha fé operando de tal modo que não necessito dele” – Faith, Foolishness or Presumption?, p. 65.
Resposta bíblica: A Bíblia recomenda: “orai uns pelos outros para que sareis” (Tiago 5.16), mas não proíbe o recurso médico ou a medicina. Paulo recomendou a Timóteo, que sofria de frequentes enfermidades, o uso de vinho como remédio: “Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do estômago e das tuas frequentes enfermidades” (1Timóteo 5.23).
Ser pobre é pecado
“Não só a preocupação é pecado, mas também ser pobre é pecado, porque a promessa de Deus é a prosperidade” – Robert Tilton, Success in Life, programa de TV em 27/12/1990.
“Se a Máfia roda sobre um Lincoln Continental, por que não pode usar um bom carro um filho do Rei? Os filhos do Rei devem rodar com um Rolls Royce” – Fred Price, Faith Foolishness or Presumption?, p. 23, citado em “A Different Gospel, p. 175.
Quando lemos acerca de Pedro e João responderem ao coxo junto à Porta Formosa do Templo não terem prata nem ouro, estariam eles em pecado? Tinham mais do que riqueza material: tinham o nome excelso de Jesus operando com poder em suas vidas, e assim puderam ordenar ao coxo que se levantasse no nome de Jesus (Atos 3.6). Esse negócio de filho do Rei usando Rolls Royce mais parece uma justificativa dos pregadores da TP para usarem tais veículos como prova da bênção mateiial de Deus sobre suas vidas: um ministério aprovado medido por ostentação de riqueza.
CONCLUSÃO
Jesus justificou a necessidade da sua partida para o céu, a fim de que o Espírito Santo viesse a habitar com os seus seguidores (João 14.16,20).
A missão do Espírito Santo aqui na terra, dentre outras, seria promover o convencimento do pecado. O homem está endurecido pelo pecado. O deus deste século tem cegado a mente dos homens, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo (2Coríntios 4.4). Sem a ação do Espírito Santo no coração do perdido sem perdão de Deus é impossível alguém se converter. Paulo falou que o evangelho de Cristo é poder de Deus para a salvação de todo o que crer (Romanos 1.16-17). Mas como crer, se não há quem pregue contra o pecado? O pecado faz separação entre o homem e Deus e impede a entrada do pecador no céu (Isaías 59.1-2). Ora, se nos tornamos agradáveis aos homens, pregando que o evahgeiho traz prosperidade material e saúde física, atraímos, com certeza, grandes multidões, mas não estamos sendo fieis a Bíblia (Marcos 15.15-16). Estamos dando paliativos, estamos esquecendo o principal e a razão precípua a da existência da Igreja na terra. As multidões precisam de Jesus: o Senhor e Salvador, sem o qual ninguém se salva do pecado (Atos 4.12; 16.30-31) e não se salvando doa pecado se perderá eternanente. Paulo alertou contra outro evangelho (2Corintios 11.4). O evangelho de saúde e prosperidade da TP é outro evangelho. É apostasia (1Timóteo 4.1).
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Pr. Natanael Rinaldi
Teologia da Prosperidade
Estudo Bíblico A Teologia da Prosperidade à Luz da Bíblia
Introdução
Nos últimos anos, tem sido apregoada aos quatro cantos do mundo um ensino exagerado sobre a prosperidade cristã. Segundo este ensinamento, todo crente tem que ser rico, não morar em casa alugada, ganhar bem, além de ter saúde plena, sem nunca adoecer. Caso não seja assim, é porque está em pecado ou não tem fé. Neste estudo, procuraremos examinar o assunto à luz da Bíblia, buscando entender a verdadeira doutrina da prosperidade.
I - O Que é Prosperidade.
No Dic. Aurélio, encontramos vários significados em torno da palavra prosperidade.:
1. PROSPERIDADE (do lat., prosperitate). Qualidade ou estado de próspero; situação próspera.
2. PROSPERAR. Tornar-se próspero ou afortunado; enriquecer; ser favorável; progredir; desenvolver.
3. PRÓSPERO. Propício, favorável, ditoso, feliz, venturoso.
4. BIBLICAMENTE, prosperidade é mais que isso. É o que diz o Salmo 1. 1-3.
II - A Moderna Teologia da Prosperidade em Confronto Com a Bíblia.
1. Nomes Influentes.
1.1. KENYON. Nasceu em 24.04.1867, Saratoga, Nova York, EUA, falecendo aos 19.03.48. Nos anos 30 a 40, desenvolveram-se os ensinos de Essek William Kenyon. Segundo Pieratt (p. 27), ele tinha pouco conhecimento teológico formal. "Kenyon nutria uma simpatia por Mary Baker Eddy" (Gondim, p. 44), fundadora do movimento herético "Ciência Cristã", que afirma que a matéria, a doença não existem. Tudo depende da mente. Pastoreou igrejas batistas, metodistas e pentecostais. Depois, ficou sem ligar-se a qualquer igreja. De acordo com Hanegraaff, Kenyon sofreu influência das seitas metafísicas como Ciência da Mente, Ciência Cristã e Novo Pensamento, que é o pai do chamado "Movimento da Fé". Esses ensinos afirmam que tudo o que você pensar e disser transformará em realidade. Enfatizam o "Poder da Mente".
1.2. Kenneth Hagin.
Discípulo de Kenyon. Nasceu em 20.08.1918, em McKinney, Estado do Texas, EUA. sofreu várias enfermidades e pobreza; diz que se converteu após ter ido três vezes ao inferno (Romeiro, p. 10). Aos 16 anos diz ter recebido uma revelação de Mc 11.23,24, entendendo que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário. Isso é a essência da "Confissão Positiva".
Foi pastor de uma igreja batista (1934-1937); depois ligou-se à Assembléia de Deus (1937-1949), em seguida passou por várias igrejas pentecostais, e , finalmente, fundou seu próprio ministério, aos 30 anos, fundando o Instituto Bíblico Rhema. Foi criticado por ter escrito livros com total semelhança aos de Kenyon, mas defendeu-se , dizendo que não era plágio, que os recebera diretamente de Deus.
Outros
Kenneth Copeland, seguidor de Haggin, diz que "Satanás venceu Jesus na cruz" (Hanegraaff, p. 36). Benny Hinn. Tem feito muito sucesso. Diz que teve a revelação de que as mulheres originalmente deveriam dar à luz pelo lado de seus corpos (id., p. 36). Há muitos outros nomes, mas este espaço do estudo não permite registrá-los.
III - Os Ensinos do Evangelho da Prosperidade em Confronto com a Bíblia.
Os defensores da "teologia ou do evangelho da prosperidade" baseiam-se em três pontos a serem considerados:
1. Autoridade Espiritual
1.1. Profetas, hoje.
Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos dias atuais, como seus porta-vozes. Ele diz que "recebe revelações diretamente do Senhor"; "...Dou graças a Deus pela unção de profeta...Reconheço que se trata de uma unção diferente...é a mesma unção, multiplicada cerca de cem vezes" (Hagin, Compreendendo a Unção, p. 7).
O Que Diz a Bíblia:
O ministério profético, nos termos do AT, duraram até João (Mt 11.13). Os profetas de hoje são os ministros da Palavra (Ef 4.11). O dom de profecia (1 Co 12.10) não confere autoridade profética.
1.2. "Autoridade das Revelções".
Essa autoridade deriva das "visões, profecias, entrevistas com Jesus, curas, palavras de conhecimento, nuvens de glória, rostos que brilham, ser abatido (cair) no Espírito", rejeição às doenças, ordenando-lhes que saiam, etc. Ele diz que quem rejeitar seus ensinos "serão atingidos de morte, como Ananias e Safira" (Pieratt, p. 48). è
O Que Diz a Bíblia.
A Palavra de Deus garante autoridade aos servos do Senhor (cf. Lc 24.49; At 1.8; Mc 16.17,18). Mas essa autoridade ou poder deriva da fé no Nome de Jesus e da Sua Palavra, e não das experiências pessoais, de visões e revelações atuais. Não pode existir qualquer "nova revelação" da vontade de Deus. Tudo está na Bíblia (Ver At 20.20; Ap 22.18,19).
Se um homem diz que lhe foi revelado que a mulher deveria ter filhos pelos lados do corpo, isso não tem base bíblica, carecendo tal pessoa de autoridade espiritual. Deveria seguir o exemplo de Paulo, que recebeu revelação extraordinária, mas não a escreveu (cf. 2 Co 12.1-6).
1.3. Homens São Deuses!
Diz Hagin: "Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi..." (Hagin, Word of Faith, 1980, p. 14). "Você não tem um deus dentro de você. Você é um Deus" (Kenneth Copeland, fita cassete The Force of Love, BBC-56). "Eis quem somos: somos Cristo!" (Hagin, Zoe: A Própria Vida de Deus, p.57). Baseiam-se, erroneamente, no Sl 82.6, citado por Jesus em Jo 10.31-39. "Eu sou um pequeno Messias" (Hagin, citado por Hanegraaff, p. 119).
O Que Diz a Bíblia.
Satanás, no Éden, incluiu no seu engodo, que o homem seria "como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gn 3.5). Isso é doutrina de demônio. Em Jo 10.34, Jesus citou o Sl 82.6, mostrando a fragilidade do homem e não sua deificação: "...Todavia, como homem morrereis e caireis, como qualquer dos príncipes" (v. 7). "Deus não é homem" (Nm 23.19; 1 Sm 15.29; Os 11.9 Ex 9.14). Fomos feitos semelhantes a Deus, mas não somos iguais a Ele, que é Onipotente (Jó 42.2;...); o homem é frágil (1 Co 1.25); Deus é Onisciente (Is 40.13, 14; Sl 147.5); o homem é limitado no conhecimento (Is 55.8,9). Deus é Onipresente (Jr 23.23,24). O homem só pode estar num lugar (Sl 139.1-12). Diante desse ensino, pode-se entender porque os adeptos da doutrina da prosperidade pregam que podem obter o que quiserem, nunca sendo pobres, nunca adoecendo. É que se consideram deuses!
2. Saúde e Prosperidade.
Esse tema insere-se no âmbito das "promessas da doutrina da prosperidade". Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza; diante disso, doença e pobreza são maldições da lei.
2.1. Bênção e Maldição da Lei.
Com base em Gl 3.13,14, K.Hagin diz que fomos libertos da maldição da lei, que são: 1) Pobreza; 2) doença e 3) morte espiritual. Ele toma emprestadas as maldições de Dt 28 contra os israelitas que pecassem. Hagin diz que os cristão sofrem doenças por causa da lei de Moisés.
O Que Diz a Bíblia.
Paulo refere-se, no texto de Gl 3 à maldição da lei a todos os homens, que permanecem nos seus pecados. A igreja não se encontra debaixo da maldição da lei de Moisés. (cf. Rm 3.19; Ef 2.14). Hagin diz que ficamos debaixo da bênção de Abraão (Gl 3.7-9), que inclui não ter doenças e ser rico. Ora, Abraão foi abençoado por causa da fé e não das riquezas. Aliás, estas lhe causaram grandes problemas. Muitos cristãos fiéis ficaram doentes e foram martirizados, vivendo na pobreza, mas herdeiros das riquezas celestiais (1 Pe 3.7).
Os teólogos da prosperidade dizem que Cristo, na Cruz, "removeu não somente a culpa do pecado, mas os efeitos do pecado" (Pieratt, p. 132). Mas isso não é verdade, pois Paulo diz que "toda a criação geme", inclusive os crentes, aguardando a completa redenção.
2.2. O Cristão Não Deve Adoecer.
Eles ensinam que "todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças" e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções (Pieratt, p. 135). Pregam que Is. 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe mais doença para o crente.
O Que Diz a Bíblia.
"No mundo, tereis aflições" (Jo 16.33). São Paulo viveu doente (Ver 1 Co 4.11; Gl 4.13), passou fome, sede, nudez, agressões, etc. Seus companheiros adoeceram (Fp 2.30). Timóteo tinha uma doença crônica (1 Tm 5.23). Trófimo ficou doente (2 Tm 4.20). Essas pessoas não tinham fé? Jesus curou enfermos, e citou Is 53.4,5 (cf. Mt 8.16,17).
No tanque de Betesda, havia muitos doentes, mas Jesus só curou um (cf. Jo 5.3,8,9). Deus cura, sim. Mas não cura todos as pessoas. Se assim fosse, não haveria nenhum crente doente. Deve-se considerar os desígnios e a soberania divina. Conhecemos homens e mulheres de Deus, gigantes na fé, que têm adoecido e passado para o Senhor.
2.3. O Cristão Não Deve Ser Pobre.
Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo, casa nova (jamais morar em casa alugada!), as melhores roupas, uma vida de luxo. Dizem que Jesus andou no "cadillac" da época, o jumentinho. Isso é ingênuo, pois o "cadillac" da época de Cristo seria a carruagem de luxo, e não o simples jumentinho.
O Que Diz a Bíblia.
A Palavra de Deus não incentiva a riqueza (também não a proíbe, desde que adquirida com honestidade, nem santifica a pobreza); S. Paulo diz que aprendeu a contentar-se com o que tinha (cf. Fp 4.11,12; 1 Tm 6.8);
Jesus enfatizou que só uma coisa era necessária: ouvir sua palavra (Lc 10.42); Ele disse que é difícil um rico entrar no céu (Mt 19.23); disse, também, que a vida não se constitui de riquezas (Lc 12.15). Os apóstolos não foram ricaços, mas homens simples, sem a posse de riquezas materiais. S. Paulo advertiu para o perigo das riquezas (1 Tm 6.7-10)
3. Confissão Positiva.
É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na "fórmula da fé", que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandou escrever de 1 a 4, a "fórmula".
Se alguém deseja receber algo de Jesus, basta segui-la:
1) "Diga a coisa" positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. De acordo com o que o indivíduo quiser, ele receberá". Essa é a essência da confissão positiva.
2) " Faça a coisa". "Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com sua ação, você será impedido ou receberá".
3) "Receba a coisa". Compete a nós a conexão com o dínamo do céu". A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo.
4) "Conte a coisa" a fim de que outros também possam crer". Para fazer a "confissão positiva", o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de dizer : peço, rogo, suplico; jamais dizer: "se for da tua vontade", segundo Benny Hinn, pois isto destrói a fé.
Mas Jesus orou ao Pai, dizendo: "Se é da tua vontade...faça-se a tua vontade..." (Mt 26.39,42). "Confissão positiva" se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão" (Romeiro, p. 6).
IV - A Verdadeira Prosperidade.
A Palavra de Deus tem promessas de prosperidade para seus filhos. Ao refutar a "Teologia da Prosperidade", não devemos aceitar nem pregar a "Teologia da Miserabilidade".
1. A Prosperidade Espiritual.
Esta deve vir em primeiro lugar. Sl 112.3; Sl 73.23-28. É ser salvo em Cristo Jesus; batizado com o Espírito Santo; é ter o nome escrito no Livro da Vida; é ser herdeiro com Cristo (Rm 8.17); Deus escolheu os pobres deste mundo para serem herdeiros do reino (Tg 2.5); somos co-herdeiros da graça (1 Pe 3.7); devemos ser ricos de boas obras (1 Tm 6.18,19); tudo isso nos é concedido pela graça de Deus.
2. Prosperidade em Tudo.
Deus promete bênçãos materiais a seus servos, condicionando-as à obediência à sua Palavra e não à "Confissão Positiva".
2.1. Bênçãos e Obediência. Dt 28.1-14. São bênçãos prometidas a Israel, que podem ser aplicadas aos crentes, hoje.
2.2. Prosperidade em Tudo (Sl 1.1-3; Dt 29.29; ). As promessas de Deus para o justo são perfeitamente válidas para hoje. Mas isso não significa que o crente que não tiver todos os bens, casa própria, carro novo, etc, não seja fiel.
2.3. Crendo Nos Seus Profetas (2 Cr 20.20;). Deus promete prosperidada para quem crê na Sua palavra, transmitida pelos seus profetas, ou seja, homens e mulheres de Deus, que falam verdadeiramente pela direção do Espírito Santo, em acordo com a Bíblia, e não por entendimento pessoal.
2.4. Prosperidade e Saúde (3 Jo 2). A saúde é uma bênção de Deus para seu povo em todos os tempos. Mas não se deve exagerar, dizendo que quem ficar doente é porque está em pecado ou porque não tem fé.
2.5. Bênçãos Decorrentes da Fidelidade no Dízimo (Ml 3.10,11). As janelas do céu são abertas para aqueles que entregam seus dízimos fielmente, pela fé e obediência à Palavra de Deus.
2.6. O Justo Não Deve Ser Miserável. (Sl 37.25). O servo de Deus não deve ser miserável, ainda que possa ser pobre, pois a pobreza nunca foi maldição, de acordo com a Bíblia.
Conclusão
O crente em Jesus tem o direito de ser próspero espiritual e materialmente, segundo a bênção de Deus sobre sua vida, sua família, seu trabalho. Mas isso não significa que todos tenham de ser ricos materialmente, no luxo e na ostentação. Ser pobre não é pecado nem ser rico é sinônimo de santidade. Não devemos aceitar os exageros da "Teologia da Prosperidade", nem aceitar a "Teologia da Miserabilidade". Deus é fiel em suas promessa. Na vida material, a promessa de bênçãos decorrentes da fidelidade nos dízimos aplicam-se á igreja. A saúde é bênção de Deus. Contudo, servos de Deus, humildes e fiéis, adoecem e muitos são chamados á glória, não por pecado ou falta de fé, mas por desígnio de Deus. Que o Senhor nos ajude a entender melhor essas verdades.
BIBLIOGRAFIA.
- Bíblia Sagrada, ERC. Ed. Vida, S. Paulo, 1982.
- GONDIM, Ricardo. O Evangelho da Nova Era. Abba, S. Paulo, 1993.
- HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. CPAD, Rio, 1996.
- ROMEIRO, Paulo. Super Crentes. Mundo Cristão, S. Paulo, 1993.
Autor: Pr. Elinaldo Renovato de Lima