A. Posição Pós-milenista.
1- Significado:
A segunda vinda de Cristo se dará depois do milênio.
2- Ordem dos acontecimentos:
A parte final da Era da Igreja (i.e.. Os seus últimos mil anos) é o Milênio, que será uma época de paz e abundância promovida pelos esforços da igreja. Depois disso, Cristo virá. Seguir-se-á então uma ressurreição generalizada, e depois desta um juízo geral e a eternidade.
3- Método de interpretação:
A interpretação pós-milenista é amplamente espiritualizada no que tange a profecia. Apocalipse 20, todavia, será cumprido num reino terreno, estabelecido pelos esforços da igreja.
B. Posição Amilenista
1- Significado:
A Segunda vinda de Cristo se dará no fim da época da igreja e não existe um Milênio na Terra. Estritamente falando, os amilenistas crêem que a presente condição dos justos no céu é o Milênio, e que não há ou haverá um Milênio terrestre. Alguns amilenistas tratam a soberania de Cristo sobre os corações dos crentes como se fosse o Milênio.
2- Ordem dos acontecimentos:
A Era da Igreja terminará num tempo de convulsão, Cristo voltará, haverá ressurreição e juízo gerais e, depois, a eternidade.
3- Método de interpretação:
A interpretação amilenista espiritualiza as promessas feitas a Israel como nação, dizendo que são cumpridas na Igreja. De acordo com esse ponto de vista, Apocalipse 20 descreve a cena das almas nos céus durante o período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo.
C. Posição Pré-milenista.
1- Significado:
A segunda vinda de Cristo acontecerá antes do Milênio.
2- Ordem dos acontecimentos:
A Era da Igreja termina no tempo da Tribulação, Cristo volta à Terra, estabelece e dirige seu reino por 1.000 anos, ocorrem a ressurreição e o juízo dos não-salvos, e depois vem a eternidade.
3- Método de interpretação:
O pré-milenismo segue o método de interpretação normal, literal, histórico-gramatical. Apocalipse 20 é entendido literalmente.
4- A questão do arrebatamento:
Entre os pré-milenistas não há unanimidade quanto ao tempo em que vai ocorrer o arrebatamento.
II. O ARREBATAMENTO
A- A Ocasião do Arrebatamento:
Pós-milenistas e amilenistas vêem o arrebatamento da igreja no final desta era e simultâneo com a segunda vinda de Cristo. Entre os pré-milenistas, há vários pontos de vista.
1. Arrebatamento pré-tribulacional:
A- Significado:
O arrebatamento da Igreja (i.e., a vinda do Senhor nos ares para os Seus santos) ocorrerá antes que comece o período de sete anos da tribulação. Por isso, a Igreja não passará pela Tribulação, segundo este ponto de vista.
B- Provas citadas:
-A promessa de ser guardada (fora) da hora da provação. (Ap 3.10)
-A remoção do aspecto de habitação no ministério do Espírito Santo exige necessariamente a remoção dos crentes. (2Ts 2)
-A tribulação é um período de derramamento da ira de Deus, da qual a Igreja já está isenta. (Ap 6.17, cf. 1Ts 1.10; 5.9)
-O arrebatamento só pode ser iminente se for pré-tribulacional. (1Ts 5.6)
2. Arrebatamento mesotribulacional:
A- Significado:
O arrebatamento ocorrerá depois de transcorridos três anos e meio do período da tribulação.
B- Provas citadas:
-A última trombeta de 1Co 15.52 é a sétima trombeta de Apocalipse 11.15, que soa na metade da tribulação.
-A Grande Tribulação é composta apenas dos últimos três anos e meio da septuagésima semana da profecia de Daniel 9.24-27, e a promessa de libertação da Igreja só se aplica a esse período. (Ap 11.2; 12.6)
-A ressurreição das duas testemunhas retrata o arrebatamento da Igreja, e sua ressurreição ocorre na metade da tribulação. (Ap 11.3,11)
3. Arrebatamento pós-tribulacional:
A- Significado:
O arrebatamento acontecerá ao final da Tribulação. O arrebatamento é distinto da segunda vinda, embora seja separado dela por um pequeno intervalo de tempo. A igreja permanecerá na terra durante todo o período da tribulação.
B- Provas citadas:
-O arrebatamento e a segunda vinda são descritos pelas mesmas palavras.
-Preservação da ira significa proteção sobrenatural para os crentes durante a tribulação, não libertação por ausência (assim como Israel permaneceu no Egito durante as pragas, mas protegido de seus efeitos).
-Há santos na terra durante a tribulação. (Mt 24.22)
4. Arrebatamento parcial:
A- Significado:
Somente os crentes considerados dignos serão arrebatados antes de a ira de Deus ser derramada sobre a terra; os que não tiverem sido fiéis permanecerão na terra durante a tribulação.
B- Provas citadas:
-Versículos como Hebreus 9.28, que exigem vigilância e preparo.
B- A Descrição do Arrebatamento:
1- Os textos:
1Ts 4.13-18; 1Co 15.51-57; Jo 14.1-3
2- Os acontecimentos:
-Descida de Cristo.
-A Ressurreição dos mortos em Cristo.
-A Transformação de corpos mortais para imortais dos crentes vivos na ocasião.
-O encontro com Cristo nos ares para a subida ao céu.
III. A TRIBULAÇÃO
A- Sua Duração:
É a 70ª semana de Daniel e, portanto, durará sete anos (Dn 9.27). A metade desse período é apresentada pelas expressões “42 meses” e “1.260 dias” (Ap 11.2,3)
B- Sua Distinção:
(Mt 24.21; Ap 6.15-17)
C- Sua Descrição:
-Julgamento sobre o mundo. As três séries de juízos descrevem esse julgamento (selos, Ap 6; trombeta, Ap 8-9; taças, Ap 16)
-Perseguição contra Israel. (Mt 24.9,22; Ap 12.17)
-Salvação de multidões (ap 7).
-Ascensão e domínio do anticristo (2Ts 2; Ap 13).
D- Seu Desfecho:
A tribulação terminará com a reunião das nações para a batalha de Armagedom e com o retorno de Cristo à terra (Ap 19).
IV. O MILÊNIO:
A- Definição:
O Milênio é o período de 1000 anos em que Cristo reinará sobre a terra, dando cumprimento às alianças abraâmica e davídica, bem como à nova aliança.
B- Suas Designações:
O Milênio é chamado de “reino dos céus” (Mt 6.10), “reino de Deus” (Lc 19.11), “reino de Cristo” (Ap 11.15), a “regeneração” (Mt 19.28), “tempos de refrigério” (At 3.19) e o “mundo por vir” (Hb 2.5).
C- Seu Governo:
-Seu cabeça será Cristo (Ap 19.16)
-Seu caráter. Um reino espiritual que produzirá paz, equidade, justiça, prosperidade e glória (Is 11.2-5).
-Sua capital será Jerusalém (2.3).
D- Sua Relação com satanás:
Durante este período satanás estará acorrentado, sendo liberto ao seu final, para liderar uma revolta final contra Cristo (Ap 20). Satanás será derrotado e lançado definitivamente no lago de fogo.
V. OS JUÍZOS FUTUROS
A- O Julgamento das Obras dos Crentes:
Tempo: Depois do arrebatamento da Igreja.
Lugar: No céu.
Juiz: Cristo.
Participantes: Todos os membros do Corpo de Cristo.
Base: Obras posteriores à salvação.
Resultado: Galardões ou perda de galardões.
Textos: 1Co 3.11-15; 2Co 15.10
B- O Julgamento das Nações (ou gentios):
Tempo: Na segunda vinda de Cristo.
Lugar: Vale de Josafá.
Juiz: Cristo.
Participantes: Os gentios vivos na época da volta de Cristo.
Base: Tratamento dos “irmãos” de Cristo, i.e., Israel.
Resultado: Os salvos entram no reino; os perdidos são lançados no lago de fogo.
Textos: Mt 25.31-46; Jl 3.2
C- O Julgamento de Israel:
Tempo: Na segunda vinda de Cristo.
Lugar: Na terra, no “deserto dos povos” (Ez 20.35).
Juiz: Cristo.
Participantes: Judeus vivos ao tempo da segunda vinda de Cristo.
Base: Aceitação do Messias.
Resultado: Os salvos entrarão no reino; os perdidos serão lançados no lago de fogo.
Textos: Ez 20.33-38
D- O Julgamento dos Anjos Caídos:
Tempo: Provavelmente depois do milênio.
Lugar: Não especificado.
Juiz: Cristo e os crentes.
Participantes: Anjos caídos.
Base: Desobediência a Deus ao seguirem a satanás em sua revolta.
Resultado: Lançados no lago de fogo.
Textos: Jd 6; 1Co 6.3
E- O Julgamento dos Mortos Não-Redimidos:
Tempo: Depois do Milênio.
Lugar: Perante o Grande Trono Branco.
Juiz: Cristo.
Participantes: Todos os não-salvos desde o principio da humanidade.
Base: O que faz serem julgados é a rejeição da salvação em Cristo, mas o fogo do juízo é a demonstração de que pelas próprias más obras merecem a punição eterna.
Resultados: O lago de fogo.
Textos: Ap 20.11-15
VI. AS RESSURREIÇÕES
A- A Ressurreição dos Justos:
(Lc 14.14; Jo 5.28,29)
-Inclui os mortos em Cristo, que são ressuscitados no arrebatamento da igreja (1Ts 4.16).
-Inclui os salvos durante os período da tribulação (Ap 20.4).
-Inclui os santos do A. T. (Dn 12.2 - Alguns crêem que serão ressuscitados no arrebatamento; outros pensam que isso se dará na segunda vinda). Todos estes são incluídos na primeira ressurreição.
B- A Ressurreição dos Ímpios:
Todos os não-salvos serão ressuscitados depois do milênio para comparecerem perante o Grande Trono Branco e serem julgados (Ap 20.11-15). Esta segunda ressurreição resulta na segunda morte para todos os envolvidos.
Extraído de “A Bíblia Anotada” Pg 1642-1644
1. Amilenismo: (definição: Wayne Grudem)
A primeira posição aqui explicada, o amilenismo, é realmente a mais simples.
Segundo essa posição, a passagem de Apocalipse 20.1-10 descreve a presente era da igreja. Trata-se de uma era em que a influência de Satanás sobre as nações sofre grande redução de modo que o evangelho pode ser pregado por todo o mundo. Aqueles que reinam com Cristo por mil anos são os cristãos que morreram e já estão reinando com Cristo no céu. O reino de Cristo no milênio, segundo esse ponto de vista, não é um reino físico aqui na terra, mas sim o reino celestial sobre o qual ele falou ao declarar: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18).
Esse ponto de vista é chamado “amilenista” por sustentar que não existe nenhum milênio que ainda esteja por vir. Como os amilenistas crêem que Apocalipse 20 está-se cumprindo agora na era da igreja, sustentam que o “milênio” aqui descrito já está em curso no presente. A duração exata da era da igreja não pode ser conhecida, e a expressão “mil anos” é simplesmente uma figura de linguagem par um longo período em que os propósitos perfeitos de Deus vão se realizar.
De acordo com essa posição, a presente era da igreja continuará até o tempo da volta de Cristo. Quando Cristo voltar, haverá ressurreição tanto de crentes como de incrédulos. Os crentes terão o corpo ressuscitado e unido novamente com o espírito e entrarão no pleno gozo do céu para sempre. Os incrédulos serão ressuscitados para enfrentar o julgamento final e a condenação eterna. Os crentes também comparecerão diante do tribunal de Cristo (2 Co 5.10), mas esse julgamento irá apenas determinar os graus de recompensa no céu, pois só os incrédulos serão condenados eternamente. Por esse tempo também começarão o novo céu e a nova terra. Imediatamente após o juízo final, o estado eterno terá início e permanecerá para sempre.
Esse esquema é bem simples porque nele todos os eventos dos tempos do fim ocorrem de uma só vez, imediatamente após a volta de Cristo. Alguns amilenistas dizem que Cristo pode voltar a qualquer momento, enquanto outros (como Berkhof) alegam que alguns sinais ainda não se cumpriram.
2. Pós-milenismo: (definição: Wayne Grudem)
O prefixo pós significa “depois”. Segundo esse ponto de vista, Cristo voltará após o milênio.
Segundo esse ponto de vista, o avanço do evangelho e o crescimento da igreja se acentuarão de forma gradativa, de tal modo que uma proporção cada vez maior da população mundial se tornará cristã. Como conseqüência, haverá influências cristãs significativas na sociedade, esta funcionará mais e mais de acordo com os padrões de Deus e gradualmente virá uma “era milenar” de paz e justiça sobre a terra. Esse “milênio” durará um longo período (não necessariamente de mil anos literais) e, por fim, ao final desse período, Cristo voltará à terra, crentes e incrédulos será ressuscitados, ocorrerá o juízo final e haverá um novo céu e uma nova terra. Entraremos então no estado eterno.
A característica principal do pós-milenismo é ser muito otimista acerca do poder do evangelho par mudar vidas e estabelecer o bem no mundo. A crença no pós-milenismo tende a aumentar em época em que a igreja experimenta grande avivamento, há ausência de guerras e conflitos internacionais e aparentemente se obtêm grandes avanços na vitória sobre o mal e sobre o sofrimento no mundo. Mas o pós0milenismo em sua forma mais responsável não se baseia simplesmente na observação dos eventos do mundo em nossa volta, mas em argumentos extraídos de várias passagens da Escrituras, as quais examinaremos abaixo.
3.Pré-milenismo: (defininção: Wayne Grudem)
a) Pré-milenismo clássico ou histórico:
O prefixo “pré” significa “antes” e a posição pré-milenista diz que Cristo irá voltar antes do milênio. Esse ponto de vista é defendido desde os primeiros séculos do cristianismo.
Segundo esse ponto de vista, a presente era da igreja continuará até que, com a proximidade do fim, venha sobre a terra um período de grande tribulação e sofrimento. Depois desse período de tribulação no final da era da igreja, Cristo voltará à terra estabelecer um reino milenar. Quando ele voltar, os crentes que tiverem morrido serão ressuscitados, terão o corpo reunido ao espírito, e esses crentes reinarão com Cristo sobre a terra por mil anos. (Alguns pré-milenistas o consideram mil anos literais, enquanto outros o entendem como expressão simbólica para um período longo.) Durante esse tempo, Cristo estará fisicamente presente sobre a terra em seu corpo ressurreto e dominará como Rei sobre toda a terra. Os crentes ressuscitados e os que estiverem sobre a terra quando Cristo voltar receberão o corpo glorificado da ressurreição, que nunca morrerá, e nesse corpo da ressurreição viverão sobre a terra e reinarão com Cristo. Quanto aos incrédulos que restarem sobre a terra, muitos (mas não todos) se converterão a Cristo e serão salvos. Jesus reinará em perfeita justiça e haverá paz por toda a terra. Muitos pré-milenistas sustentam que a terra será renovada e veremos de fato o novo céu e a nova terra durante esse período (mas a fidelidade a esse ponto não é essencial ao pré-milenismo, pois é possível ser pré-milenista e sustentar que o novo céu e a nova terra virão só depois do juízo final). No início desse tempo, Satanás será preso e lançado no abismo, de modo que não terá influência sobre a terra durante o milênio no abismo, de modo que não terá influência sobre a terra durante o milênio (Ap 20.1-3).
De acordo com o ponto de vista pré-milenista, no final dos mil anos Satanás será solto do abismo e unirá as forças com muitos incrédulos que se submeteram externamente ao reinado de Cristo, mas por dentro revolvem-se em revolta contra ele. Satanás reunirá esse povo rebelde para batalhar contra Cristo, mas serão derrotados definitivamente. Cristo então ressuscitará todos os incrédulos que tiverem morrido ao longo da história, e esses comparecerão diante dele para o julgamento final. Uma vez realizado o juízo final, os crentes entrarão no estrado eterno.
Parece que o pré-milenismo tende a crescer em popularidade à medida que a igreja experimenta perseguição e o sofrimento e o mal aumentam sobre a terra. Mas, assim como no caso do pós-milenismo, os argumentos a favor do pré-milenismo não se baseiam em observação de eventos correntes, mas em passagens específicas das Escrituras, especialmente (mas não exclusivamente) Apocalipse 20.1-10.
b) Pré-milenismo pré-tribulacionista (ou pré-milenismo dispensacionalista):
Outra variedade de pré-milenismo conquistou ampla popularidade nos séculos XIX e XX, em especial no Reino Unido e nos Estado Unidos. Segundo essa posição, Cristo voltará não só antes do milênio (a volta de Cristo é pré-milenar), mas também ocorrerá antes da grande tribulação (a volta de Cristo é pré-tribulacional). Esse ponto de visa é semelhante à posição pré-milenista clássica mencionada acima, mas com uma importante diferença: acrescenta outra volta de Cristo antes de sua vinda para reinar sobre a terra no milênio. Essa volta é vista como um retorno secreto de Cristo para tirar os crentes do mundo.
Segundo esse ponto de vista, a era da igreja continuará até que, de repente, de maneira inesperada e secreta, Cristo chegará a meio caminho da terra e chamará para si os crentes: “...os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares” (1Ts 4.16-17). Cristo então retornará ao céu com os crentes arrebatados da terra. Quando isso acontecer, haverá uma grande tribulação sobre a terra por um período de sete anos.
Durante esse período de sete anos de tribulação, cumprir-se-ão muitos dos sinais que, segundo predições, precederiam a volta de Cristo. O grande ajuntamento da plenitude dos judeus ocorrerá à medida que eles aceitarem Cristo como o Messias. Em meio ao grande sofrimento haverá também muita evangelização eficaz, realizada em especial pelos novos cristãos judeus. Ao final da tribulação, Cristo voltará com os seus santos para reinar sobre a terra por mil anos. Depois desse período milenar haverá uma rebelião que resultará na derrota final de Satanás e suas forças, e então virá a ressurreição dos incrédulos, o último julgamento e o começo do estado eterno.
Deve-se mencionar outra característica do pré-milenismo pré-tribulacionista: essa postura se encontra quase exclusivamente entre os dispensacionalistas que desejam fazer distinção clara entre a igreja a Israel. Essa posição pré-tribulacionista permite que a distinção seja mantida, uma vez que a igreja é retirada do mundo antes da conversão geral do povo judeu. Esse povo judeu, portanto, permanecerá um grupo distinto da igreja. Outra característica do pré-milenismo pré-tribulacionista é sua insistência em interpretar as profecias bíblicas “literalmente sempre que possível”. Isso se aplica em especial a profecias do Antigo testamento acerca de Israel. Os que defendem essa posição argumentam que essas profecias da futura bênção de Deus a Israel ainda irão se cumprir entre o próprio povo judeu; elas não devem ser “espiritualizadas”, tentando-se ver o seu cumprimento na igreja. Por fim, uma característica atraente do pré-milenismo pré-tribulacionista é que ele permite às pessoas insistir em dizer que a volta de Cristo pode ocorrer “a qualquer momento” e, por essa razão, fazem justiça ao significado pleno das passagens que nos incentivam a estarmos prontos para a volta de Cristo, ao mesmo tempo que ainda admite um cumprimento bem literal dos sinais que precedem a sua volta, pois diz que lês se darão durante a tribulação.
Doutrina Bíblica sobre Divórcio
No relato de Mateus (Mt 19:3-12), perguntaram a Jesus: “por que Moisés ordenou dar carta de divórcio, e permitir repudiá-la? Ele lhes disse: por causa da dureza do vosso coração, foi que Moisés lhes permitiu repudiar as vossas mulheres; mas, no princípio não foi assim. Eu, porém, vos digo que qualquer um que repudiar a sua mulher, a não ser que seja por motivo de adultério, e se casar com outra, também comete adultério” (Mt 19:7-9). Observe como ele corrigiu a palavra “ordenou”, e a substituiu por “permitiu”. O relato de Marcos (10:2-12) é o mesmo em essência, mas ele acrescenta no final: “e, se a mulher repudiar o seu marido e se casar com outro, comete adultério” (Mc 10:12).
Em ensino semelhante, mas em contexto diferente, se encontra em Lc 16:18 “todo aquele que repudiar a sua mulher, e se casar com outra, comete adultério; e, o que se casar com a repudiada do marido, também adultera.” No Sermão do Monte (Mt 5:32) há o mesmo ensino: “mas, eu vos digo que aquele que repudiar a sua mulher, a não ser por causa de adultério, faz com que ela adultere; e o que se casar com a repudiada, também comete adultério.”
Princípios de interpretação
É um princípio de interpretação bíblica que ao expor qualquer doutrina é necessário considerar todas as porções da Escritura relacionadas com o mesmo tema. Em geral, nenhuma passagem isolada da Escritura oferece uma doutrina completa com todas as suas qualificações e implicações. Isto é especialmente verdadeiro quanto à doutrina do divórcio. As palavras de Cristo em Mc 10:11 e 12 e em Lc 16:18 não incluem a exceção que permite o divórcio por razão do adultério ainda que esta exceção esteja declarada em Mt 5:32 e em Mt 19:19. Além do mais, as palavras de Cristo não mencionadas nos evangelhos sinópticos não incluem a exceção sobre a base do abandono irremediável, mas isto está explícito em 1 Co 7:15.
Antecedentes: a lei mosaica
Está claro que Cristo recebeu por certo não somente a lei mosaica conforme aparece em Dt 24:1-4, mas também os abusos da lei mosaica prevalecentes em seu tempo. Assim, a lei mosaica era uma regulamentação humanitária que impedia o divórcio fácil, por razões fúteis e, que requeria pelo menos um documento legal para proteção da pessoa divorciada. Nada existe na lei mosaica que seja contrário ao ensino de Cristo. A lei teve todo o alcance que era possível na regulamentação de um mal que prevalecia no tempo de Moisés.
É um fato bem conhecido que a lei do Antigo Testamento inclui a lei civil, a lei criminal e diferentes tipos da lei secular, bem como a lei religiosa. O estado do Antigo Testamento era uma teocracia e, as leis seculares e religiosas não eram completamente separadas. Em nosso estudo do Antigo Testamento com a nossa doutrina da separação da Igreja do Estado, é necessário que tratemos de entender quais leis eram civis ou seculares, e quais eram religiosas.[1] A minha sugestão é que a lei mosaica do divórcio deve ser considerada como uma norma mínima da lei civil. Cristo a descreveu como uma regra prática para o povo pecaminoso e duro de coração. A Bíblia tem muitas regras e princípios para a sociedade secular, e é necessária a regra de que, se há de existir divórcio entre as pessoas do mundo, pelo menos que seja regulamentado pela lei para a proteção das pessoas envolvidas.
Em minha opinião é um erro tratar de fazer o mandamento de Cristo uma lei civil obrigatória para todo o mundo, tanto para cristãos como para não cristãos. Certamente, o mandamento de Cristo é obrigatório para todos os cristãos e deve ser exigido na disciplina da Igreja Visível. A pergunta que trago à consideração não é se o mandamento de Cristo é uma norma correta para toda a humanidade. A pergunta é se esta norma deve ser um assunto da lei secular e exigida pela autoridade civil, ou não. Sugiro que a lei mosaica é o mínimo para os tribunais seculares, e que em cada cultura particular as leis seculares deveriam fazer o possível para fazer permanente o matrimônio e salvaguardar a estabilidade da família. Por outro lado, a Igreja tem a obrigação de manter as normas que Cristo deu aos seus discípulos.
O direito das mulheres
As palavras de Cristo em Mc 10:12 nos dão uma das poucas referências nas Escrituras que ensinam o direito da mulher de se divorciar de seu marido. Alford em seu comentário sobre esta passagem indica que a mulher teria tal direito sob a lei romana, mas que este direito não era reconhecido entre os hebreus. Em 1 Co 7:13 Paulo reconhece que em Corinto a mulher às vezes tinha poder de divorciar-se de seu marido. Também creio que este é o contexto de 1 Co 7:11. Em nossa atual civilização[2] uma mulher tem direitos iguais neste assunto, e o relato de Marcos destas palavras de Cristo somado ao ensino de Paulo nos oferecem suficiente base para colocar o homem e a mulher em tais casos, no mesmo nível enquanto disciplina da Igreja.
As palavras de Cristo sobre a pessoa divorciada
Pode-se presumir que a proibição de Cristo de se contrair um segundo casamento para a mulher que se divorciou de seu marido (Mc 10:12) e, a semelhante proibição de Paulo (1 Co 7:11) com referência a uma mulher separada de seu esposo tem ambas a ver com casos em que a causa do divórcio, ou separação não foi o adultério, ou o abandono irremediável. Em tal caso a mulher deve reconhecer o seu pecado ao causar a separação e, se é possível, deve retornar a sua relação matrimonial original. Ela não pode contrair um segundo casamento a não ser que o seu marido tenha rompido o matrimônio por outra união.
A regra em Mt 5:32 e em Lc 16:18 que ensina que um homem que se casa com uma mulher divorciada deve ser considerado como adúltero, parece ser muito raro à luz da estipulação mosaica de que a mulher divorciada que “saiu da sua casa [de seu primeiro esposo], poderá ir e se casar com outro homem” (Dt 24:2). Não é possível pensar que Cristo contradiria a lei mosaica ou que instruiria em contraste sem oferecer algum comentário quanto a isto. Recordando o princípio de que não temos o ensino bíblico sobre qualquer assunto até que examinemos todas as passagens pertinentes, devemos observar que o contexto mosaico disse que se o segundo marido se divorcia da mulher envolvida, o seu primeiro marido não tem liberdade de recebê-la de volta como esposa. O propósito óbvio desta lei é de proibir um promíscuo intercâmbio de esposas. Sendo que Cristo se referia diretamente à lei mosaica pode-se supor que as suas observações sobre o casamento de uma mulher divorciada sejam tomadas como uma alusão a Dt 24:3-4, e não como uma contradição de Dt 24:2. Isto seria perfeitamente claro nas circunstâncias em que ocorreram os diálogos de Cristo sobre o tema.
O ensino de Paulo sobre o divórcio
É óbvio que o ensino de Cristo acerca da preservação do matrimônio e sobre o mal do divórcio são de importância central. É igualmente óbvio que estas palavras não contenham explicitamente todos os fatores no ensino bíblico sobre este tema, mas que aceitam por estabelecidos vários elementos que aparecem em outras passagens da Escritura. Encontra-se em 1 Co 7 um importante texto acerca deste tema. Após declarar que é melhor casar do que viver abrasado e solteiro (vs. 9) Paulo continua dizendo que “mas, aos que estão unidos pelo matrimônio, ordeno, não eu, mas o Senhor [quando Paulo usa palavras como estas, quer dizer que está citando diretamente algo que Cristo havia declarado]: que a mulher não se separe do marido; e se separar [supondo ser por iniciativa própria], que permaneça sem casar novamente, ou reconcilie-se com o seu marido; e que o marido não abandone a sua mulher.”
Em outro lugar ele diz “e, eu declaro aos demais, não o Senhor [ou seja, não é uma citação direta]: se algum irmão tem mulher que seja incrédula, e ela consente em viver com ele, que não a abandone. E, se uma mulher tem marido que não seja crente, e ele consente em viver com ela, não a abandone” (vs. 10-13).
Aqui, como em Mc 10:12, temos um reflexo da lei romana que deu a mulher o direito sob certas circunstâncias de divorciar-se de seu esposo. Isto também nos oferece base para considerar que o homem e a mulher têm direitos iguais em tais casos.
O pacto da família
O ensino claro de que não se deve romper um matrimônio por causa de uma diferença de fé religiosa está relacionada com uma das enfáticas declarações nas Escrituras sobre o tema da aliança de Deus com a família: “o marido incrédulo é santificado no convívio da mulher, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido; pois, de outra maneira os seus filhos seriam impuros, todavia, eles são santos” (vs. 14). A santidade aqui atribuída é uma santidade de uma relação pactual. Embora Paulo não mencione a palavra aliança, está claro que tem em mente os princípios implícitos em Gn 17:7: “estabelecerei a minha aliança entre mim e ti, e a tua descendência após de ti, em suas gerações, por aliança perpétua, para ser o teu Deus, e o de tua descendência após de ti.” O fato de que Deus não se limita a ser somente o nosso Deus, mas o Deus de nossos filhos, o Deus das nossas famílias é ensinado enfaticamente nas Escrituras, e deve ser considerado como uma fonte de consolação para os pais cristãos em todas as idades e, sob todas as circunstâncias. Os pais piedosos podem com toda a confiança reclamar a promessa para os seus filhos: “serei o Deus deles” (Gn 17:8). É sobre este fundamento que Paulo declara que se um dos pais é um crente, os outros membros da família são santificados por relação da aliança com Deus.
Estas palavras não declaram que os indivíduos “santificados” sejam todos regenerados. Paulo disse algo mais adiante no mesmo contexto: “como saberás, ó mulher, se salvarás a teu marido? Ou, como poderás saber, ó marido, se salvarás a tua esposa?” (vs. 16). O crente deve continuar constante na fé e em oração esforçando-se pela salvação do membro ainda não convertido de sua família. Há mais duas passagens no Novo Testamento onde se declara que os incrédulos são santificados por que estão numa relação santa. Em Rm 11:16 diz que os judeus incrédulos, a quem se compara com os ramos cortados da oliveira cultivada, são “santos”, e em Hb 10:29 lemos: “quanto maior o castigo pensais que mereceria o que pisoteou ao Filho de Deus, e teve por imundo o sangue da aliança no qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?”
Deus é o Deus dos que, fazendo nascer numa família da aliança, desprezam-no. Os que desta santa relação pactual rejeitam a graça de Deus, merecem um castigo muito mais severo. Vemos algumas referências que a santa relação na aliança familiar é um assunto sagrado, um assunto de que não se deve fazer descaso. Esta aliança é a base espiritual para a permanência do matrimônio cristão.
O abandono
Retornando ao tema divórcio, após analisar a declaração de 1 Co 7:14 quanto a aliança familiar Paulo continua: “se o incrédulo quiser se separar, que se separe; pois, não está o irmão ou a irmã sujeito à servidão em tal caso, pois Deus tem nos chamado à paz” (vs. 15).
As palavras “não está o irmão, ou a irmã sujeito a servidão em tal caso” podem se referir somente a um vínculo matrimonial. Resulta claro o ensino de que o abandono destrói o vínculo matrimonial. Em Rm 7:2 o apóstolo Paulo descreve a pessoa casada como “livre” do vínculo conjugal quando morre o marido ou a esposa; e, diz explicitamente que é “livre para casar-se com outro homem”. Este é o único significado que se encaixa com 1 Co 7:15.
Assim, supõe-se que não contempla aqui nenhum abandono passageiro. A Confissão de Fé de Westminster resume a lei bíblica do divórcio nestas palavras: “nada, senão o adultério, é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio, a não ser que haja deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil” (CFW XXIV.6).
Um cristão abandonado por outro cristão
O prof. John Murray[3] faz uma distinção clara entre abandono de um crente por um incrédulo, como é o caso de 1 Co 7:15, e o abandono (ou o divórcio sobre uma base não bíblica) de um crente por alguém que professa ser cristão. Mantém, creio que corretamente, o que a Confissão de Fé de Westminster tem razão em interpretar 1 Co 7:15 como uma permissão para que o crente, quando abandonado por um incrédulo, de casar-se de novo, como se estivesse morta a pessoa culpada de tal abandono. Mas, se o entendi corretamente, ele não crê que um cristão divorciado ou abandonado por um cristão professo por razões não bíblicas esteja livre para casar novamente. Se um cristão recebe o divórcio de alguém que professa ser cristão, e esta pessoa se une após segundas núpcias, então biblicamente a pessoa causadora do divórcio comete adultério, e a pessoa inocente está livre para casar pela segunda vez; mas, não está livre de fazê-lo se a pessoa que professa ser cristã e que causou o divórcio, ou o abandono, não se casa de novo, ou não é culpada de adultério.
Acredita-se que esta posição é sustentada em 1 Co 7:11 e que desaprova o divórcio ou o abandono e acrescenta: “se alguém se separar, permaneça sem se casar, ou reconcilie-se com o seu marido”. Todavia, sugeri que as palavras de 1 Co 7:11 não se referem à pessoa abandonada, mas a uma pessoa que abandonou a relação matrimonial sem razão. Por exemplo, se algum cristão pensar que uma diferença de religião justifique a deserção da relação matrimonial e assim o fizer. Como eu entendo, a resposta de Paulo requer que se diga que isto é um equívoco, e que a pessoa que abandonou deve se reconciliar ao matrimônio existente se ainda for possível. Em todo caso, não há liberdade de casar em segundas núpcias por carecer de base bíblica a causa da separação. Em minha opinião, não há base nas Escrituras que proíba um cristão que foi abandonado ou divorciado por razões não bíblicas por um marido ou uma esposa que professe ser cristã, de contrair segundas núpcias sempre que a relação não possa ser remediada; tal como um cristão abandonado ou divorciado por um incrédulo tem liberdade de unir-se em segundas núpcias conforme 1 Co 7:15.
Mas, sucede que a idéia de divórcio ou abandono irremediável por um cristão é em si mesma absurda agora que temos as Escrituras do Novo Testamento. Bem que poderíamos entender que um crente em Corinto pudesse por ignorância ter cometido o pecado de abandono ou de divórcio por razões não bíblicas. Mas, hoje temos palavras claras e explícitas de Cristo contra o divórcio e, as palavras claras e explícitas de Paulo contra o abandono do matrimônio por parte de um cristão, pareceria que os tribunais eclesiásticos devessem excluir um indivíduo que seja culpado de abandono ou de causar um divórcio por razões que não sejam bíblicas. Tal pessoa deve ser julgada como sendo um incrédulo prima facie.
Divórcio por causa de homossexualidade
É minha opinião que a homossexualidade justifica o divórcio para um cristão. O meu argumento é muito simples: se Cristo permitiu o divórcio baseado no adultério e, o apóstolo Paulo considerou a homossexualidade como pior do que o adultério, por que é ainda “...contra a natureza” (Rm 1:26-27), com maior motivo o divórcio se justifica no caso de homossexualidade.
É permitido que a pessoa culpada de divórcio se case pela segunda vez?
O professor John Murray[4] acredita, e creio que corretamente, que a Escritura não proíbe que a pessoa culpada contraia segundas núpcias, desde que tenha se divorciado por razões bíblicas. Todavia, considera que o silêncio das Escrituras sobre este ponto não justifica que a igreja declare que se aprove tal matrimônio. A igreja deve guardar silêncio onde a Escritura guarda silêncio.
Mas se Cristo não contradiz Dt 24:2, eu diria que a Escritura não guarda silêncio. É fato que Cristo proíbe que se case com uma mulher divorciada (Mt 5:32; Lc 16:18). Sugeri acima que a lei mosaica de Dt 24:1-4 se subtende claramente como o contexto destas palavras de Cristo e, sendo que estas observações são fragmentárias, no sentido de que não temos todo o conteúdo do seu ensino em nenhuma destas passagens, assim estas palavras de Cristo que proíbem o casamento de segundas núpcias de uma mulher divorciada devem ser tomadas como uma aprovação de Dt 24:3-4, e não como uma contradição de Dt 24:2. Esta interpretação seria entendida naturalmente pelos seus contemporâneos que ouviram toda a discussão.
Devo acrescentar que, como coisa natural, alguém que professa ser cristão divorciado como culpado por razões bíblicas tem que ser disciplinado, ou por exclusão, ou pelo menos afastamento da comunhão da igreja; e, que tal pessoa, seja casada ou não, não pode ser recebida outra vez na comunhão da igreja a menos que demonstre clara evidência de um arrependimento genuíno e evidência de uma vida santa. Sei de grupos de cristãos que negaram o direito de casarem pela segunda vez com uma pessoa anteriormente divorciada como culpada por razões bíblicas e depois de convertida; e, que ao mesmo tempo reconheceram o direito de um indivíduo que era notoriamente culpado de fornicação, ainda que não casado, após a sua conversão, de casar-se. Tal ponto de vista em minha opinião não se justifica nas Escrituras e, aos olhos do mundo parece ser uma recompensa para a imoralidade de pessoas não casadas. No caso de um incrédulo, anteriormente divorciado por razões bíblicas, seja casado em segundas núpcias, ou não, a igreja como coisa natural teria que assegurar que foi verdadeiramente convertido e viveu uma vida sem mancha antes de admiti-lo na comunhão da igreja.
A atitude do coração
Antes de concluir a discussão do ensino bíblico sobre o divórcio, devo enfatizar que as forças mais perigosas que ameaçam destruir a integridade da vida familiar estão dentro do coração dos indivíduos. A lei moral defende a família não somente pelo sétimo mandamento que proíbe o adultério, mas também pelo décimo mandamento que proíbe os desejos ilícitos. Estas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo pronunciadas no Sermão do Monte são de suma importância: “ouvistes o que vos foi dito: não cometerás adultério. Porém, eu vos digo, que qualquer um que olhar para uma mulher com intenção impura já adulterou com ela em seu coração. Portanto, se o teu olho direito te faz tropeçar, corta-o e arranca-o de ti; pois é melhor que perca um de seus membros e, não seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mt 5:27-29).
Para os pastores e os que tratam com vidas e lares destruídos, é uma observação comum que o princípio das ações pecaminosas está no alento deliberado das imaginações luxuriosas. Não somente os inclinados a diversões que estimulam os desejos ilícitos, mas também os que também alimentam as suas mentes com literatura sensual, se conduzem e ainda influenciam a outros para o desastroso pecado. O cristão cujo coração está cheio de amor ao seu Senhor adotará como regra da sua vida o não abrigar os impulsos sensuais que não crê cabem honrosamente dentro dos limites do puro amor monógamo. O lar cristão pode se manter em sua integridade se os cristãos preservarem esta regra em seu coração, em suas volições e, em suas imaginações. Há alguns anos ouvi um homem muito consagrado dar esta regra para o auto-exame no crescimento espiritual: “aonde dirige os teus pensamentos habitualmente num período de ociosidade?”
“Cada um é tentado quando de sua própria cobiça o atraí e o seduz. Então a cobiça após ter concebido, dá a luz ao pecado; e, o pecado uma vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados” (Tg 1:14-16). É impossível que os descendentes da queda mantenham perfeita pureza de pensamentos, palavra e atos; mas, é possível ocupar as nossas mentes com as coisas do Senhor, a fim de não cair numa vida de pecado.
Notas:
[1] Também é necessário que separemos em nossas mentes aquelas leis que a Igreja Visível pode exigir no processo de disciplina e, quais não devem ser sujeitas às disciplinas de uma maneira prática (por exemplo, os pecados das atitudes mentais).
[2] O autor escreveu este texto em 1962 (nota do tradutor).
[3] John Murray, Divorce (Comissão de Educação Cristã da Orthodox Presbyterian Church, 1953), pág. 69ss.
[4] John Murray, Divorce, págs. 100ss.
Extraído de James O. Buswell Jr., A Systematic Theology of the Christian Religion, vol. 1, parte II, págs. 387-397
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Em ensino semelhante, mas em contexto diferente, se encontra em Lc 16:18 “todo aquele que repudiar a sua mulher, e se casar com outra, comete adultério; e, o que se casar com a repudiada do marido, também adultera.” No Sermão do Monte (Mt 5:32) há o mesmo ensino: “mas, eu vos digo que aquele que repudiar a sua mulher, a não ser por causa de adultério, faz com que ela adultere; e o que se casar com a repudiada, também comete adultério.”
Princípios de interpretação
É um princípio de interpretação bíblica que ao expor qualquer doutrina é necessário considerar todas as porções da Escritura relacionadas com o mesmo tema. Em geral, nenhuma passagem isolada da Escritura oferece uma doutrina completa com todas as suas qualificações e implicações. Isto é especialmente verdadeiro quanto à doutrina do divórcio. As palavras de Cristo em Mc 10:11 e 12 e em Lc 16:18 não incluem a exceção que permite o divórcio por razão do adultério ainda que esta exceção esteja declarada em Mt 5:32 e em Mt 19:19. Além do mais, as palavras de Cristo não mencionadas nos evangelhos sinópticos não incluem a exceção sobre a base do abandono irremediável, mas isto está explícito em 1 Co 7:15.
Antecedentes: a lei mosaica
Está claro que Cristo recebeu por certo não somente a lei mosaica conforme aparece em Dt 24:1-4, mas também os abusos da lei mosaica prevalecentes em seu tempo. Assim, a lei mosaica era uma regulamentação humanitária que impedia o divórcio fácil, por razões fúteis e, que requeria pelo menos um documento legal para proteção da pessoa divorciada. Nada existe na lei mosaica que seja contrário ao ensino de Cristo. A lei teve todo o alcance que era possível na regulamentação de um mal que prevalecia no tempo de Moisés.
É um fato bem conhecido que a lei do Antigo Testamento inclui a lei civil, a lei criminal e diferentes tipos da lei secular, bem como a lei religiosa. O estado do Antigo Testamento era uma teocracia e, as leis seculares e religiosas não eram completamente separadas. Em nosso estudo do Antigo Testamento com a nossa doutrina da separação da Igreja do Estado, é necessário que tratemos de entender quais leis eram civis ou seculares, e quais eram religiosas.[1] A minha sugestão é que a lei mosaica do divórcio deve ser considerada como uma norma mínima da lei civil. Cristo a descreveu como uma regra prática para o povo pecaminoso e duro de coração. A Bíblia tem muitas regras e princípios para a sociedade secular, e é necessária a regra de que, se há de existir divórcio entre as pessoas do mundo, pelo menos que seja regulamentado pela lei para a proteção das pessoas envolvidas.
Em minha opinião é um erro tratar de fazer o mandamento de Cristo uma lei civil obrigatória para todo o mundo, tanto para cristãos como para não cristãos. Certamente, o mandamento de Cristo é obrigatório para todos os cristãos e deve ser exigido na disciplina da Igreja Visível. A pergunta que trago à consideração não é se o mandamento de Cristo é uma norma correta para toda a humanidade. A pergunta é se esta norma deve ser um assunto da lei secular e exigida pela autoridade civil, ou não. Sugiro que a lei mosaica é o mínimo para os tribunais seculares, e que em cada cultura particular as leis seculares deveriam fazer o possível para fazer permanente o matrimônio e salvaguardar a estabilidade da família. Por outro lado, a Igreja tem a obrigação de manter as normas que Cristo deu aos seus discípulos.
O direito das mulheres
As palavras de Cristo em Mc 10:12 nos dão uma das poucas referências nas Escrituras que ensinam o direito da mulher de se divorciar de seu marido. Alford em seu comentário sobre esta passagem indica que a mulher teria tal direito sob a lei romana, mas que este direito não era reconhecido entre os hebreus. Em 1 Co 7:13 Paulo reconhece que em Corinto a mulher às vezes tinha poder de divorciar-se de seu marido. Também creio que este é o contexto de 1 Co 7:11. Em nossa atual civilização[2] uma mulher tem direitos iguais neste assunto, e o relato de Marcos destas palavras de Cristo somado ao ensino de Paulo nos oferecem suficiente base para colocar o homem e a mulher em tais casos, no mesmo nível enquanto disciplina da Igreja.
As palavras de Cristo sobre a pessoa divorciada
Pode-se presumir que a proibição de Cristo de se contrair um segundo casamento para a mulher que se divorciou de seu marido (Mc 10:12) e, a semelhante proibição de Paulo (1 Co 7:11) com referência a uma mulher separada de seu esposo tem ambas a ver com casos em que a causa do divórcio, ou separação não foi o adultério, ou o abandono irremediável. Em tal caso a mulher deve reconhecer o seu pecado ao causar a separação e, se é possível, deve retornar a sua relação matrimonial original. Ela não pode contrair um segundo casamento a não ser que o seu marido tenha rompido o matrimônio por outra união.
A regra em Mt 5:32 e em Lc 16:18 que ensina que um homem que se casa com uma mulher divorciada deve ser considerado como adúltero, parece ser muito raro à luz da estipulação mosaica de que a mulher divorciada que “saiu da sua casa [de seu primeiro esposo], poderá ir e se casar com outro homem” (Dt 24:2). Não é possível pensar que Cristo contradiria a lei mosaica ou que instruiria em contraste sem oferecer algum comentário quanto a isto. Recordando o princípio de que não temos o ensino bíblico sobre qualquer assunto até que examinemos todas as passagens pertinentes, devemos observar que o contexto mosaico disse que se o segundo marido se divorcia da mulher envolvida, o seu primeiro marido não tem liberdade de recebê-la de volta como esposa. O propósito óbvio desta lei é de proibir um promíscuo intercâmbio de esposas. Sendo que Cristo se referia diretamente à lei mosaica pode-se supor que as suas observações sobre o casamento de uma mulher divorciada sejam tomadas como uma alusão a Dt 24:3-4, e não como uma contradição de Dt 24:2. Isto seria perfeitamente claro nas circunstâncias em que ocorreram os diálogos de Cristo sobre o tema.
O ensino de Paulo sobre o divórcio
É óbvio que o ensino de Cristo acerca da preservação do matrimônio e sobre o mal do divórcio são de importância central. É igualmente óbvio que estas palavras não contenham explicitamente todos os fatores no ensino bíblico sobre este tema, mas que aceitam por estabelecidos vários elementos que aparecem em outras passagens da Escritura. Encontra-se em 1 Co 7 um importante texto acerca deste tema. Após declarar que é melhor casar do que viver abrasado e solteiro (vs. 9) Paulo continua dizendo que “mas, aos que estão unidos pelo matrimônio, ordeno, não eu, mas o Senhor [quando Paulo usa palavras como estas, quer dizer que está citando diretamente algo que Cristo havia declarado]: que a mulher não se separe do marido; e se separar [supondo ser por iniciativa própria], que permaneça sem casar novamente, ou reconcilie-se com o seu marido; e que o marido não abandone a sua mulher.”
Em outro lugar ele diz “e, eu declaro aos demais, não o Senhor [ou seja, não é uma citação direta]: se algum irmão tem mulher que seja incrédula, e ela consente em viver com ele, que não a abandone. E, se uma mulher tem marido que não seja crente, e ele consente em viver com ela, não a abandone” (vs. 10-13).
Aqui, como em Mc 10:12, temos um reflexo da lei romana que deu a mulher o direito sob certas circunstâncias de divorciar-se de seu esposo. Isto também nos oferece base para considerar que o homem e a mulher têm direitos iguais em tais casos.
O pacto da família
O ensino claro de que não se deve romper um matrimônio por causa de uma diferença de fé religiosa está relacionada com uma das enfáticas declarações nas Escrituras sobre o tema da aliança de Deus com a família: “o marido incrédulo é santificado no convívio da mulher, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido; pois, de outra maneira os seus filhos seriam impuros, todavia, eles são santos” (vs. 14). A santidade aqui atribuída é uma santidade de uma relação pactual. Embora Paulo não mencione a palavra aliança, está claro que tem em mente os princípios implícitos em Gn 17:7: “estabelecerei a minha aliança entre mim e ti, e a tua descendência após de ti, em suas gerações, por aliança perpétua, para ser o teu Deus, e o de tua descendência após de ti.” O fato de que Deus não se limita a ser somente o nosso Deus, mas o Deus de nossos filhos, o Deus das nossas famílias é ensinado enfaticamente nas Escrituras, e deve ser considerado como uma fonte de consolação para os pais cristãos em todas as idades e, sob todas as circunstâncias. Os pais piedosos podem com toda a confiança reclamar a promessa para os seus filhos: “serei o Deus deles” (Gn 17:8). É sobre este fundamento que Paulo declara que se um dos pais é um crente, os outros membros da família são santificados por relação da aliança com Deus.
Estas palavras não declaram que os indivíduos “santificados” sejam todos regenerados. Paulo disse algo mais adiante no mesmo contexto: “como saberás, ó mulher, se salvarás a teu marido? Ou, como poderás saber, ó marido, se salvarás a tua esposa?” (vs. 16). O crente deve continuar constante na fé e em oração esforçando-se pela salvação do membro ainda não convertido de sua família. Há mais duas passagens no Novo Testamento onde se declara que os incrédulos são santificados por que estão numa relação santa. Em Rm 11:16 diz que os judeus incrédulos, a quem se compara com os ramos cortados da oliveira cultivada, são “santos”, e em Hb 10:29 lemos: “quanto maior o castigo pensais que mereceria o que pisoteou ao Filho de Deus, e teve por imundo o sangue da aliança no qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?”
Deus é o Deus dos que, fazendo nascer numa família da aliança, desprezam-no. Os que desta santa relação pactual rejeitam a graça de Deus, merecem um castigo muito mais severo. Vemos algumas referências que a santa relação na aliança familiar é um assunto sagrado, um assunto de que não se deve fazer descaso. Esta aliança é a base espiritual para a permanência do matrimônio cristão.
O abandono
Retornando ao tema divórcio, após analisar a declaração de 1 Co 7:14 quanto a aliança familiar Paulo continua: “se o incrédulo quiser se separar, que se separe; pois, não está o irmão ou a irmã sujeito à servidão em tal caso, pois Deus tem nos chamado à paz” (vs. 15).
As palavras “não está o irmão, ou a irmã sujeito a servidão em tal caso” podem se referir somente a um vínculo matrimonial. Resulta claro o ensino de que o abandono destrói o vínculo matrimonial. Em Rm 7:2 o apóstolo Paulo descreve a pessoa casada como “livre” do vínculo conjugal quando morre o marido ou a esposa; e, diz explicitamente que é “livre para casar-se com outro homem”. Este é o único significado que se encaixa com 1 Co 7:15.
Assim, supõe-se que não contempla aqui nenhum abandono passageiro. A Confissão de Fé de Westminster resume a lei bíblica do divórcio nestas palavras: “nada, senão o adultério, é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio, a não ser que haja deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil” (CFW XXIV.6).
Um cristão abandonado por outro cristão
O prof. John Murray[3] faz uma distinção clara entre abandono de um crente por um incrédulo, como é o caso de 1 Co 7:15, e o abandono (ou o divórcio sobre uma base não bíblica) de um crente por alguém que professa ser cristão. Mantém, creio que corretamente, o que a Confissão de Fé de Westminster tem razão em interpretar 1 Co 7:15 como uma permissão para que o crente, quando abandonado por um incrédulo, de casar-se de novo, como se estivesse morta a pessoa culpada de tal abandono. Mas, se o entendi corretamente, ele não crê que um cristão divorciado ou abandonado por um cristão professo por razões não bíblicas esteja livre para casar novamente. Se um cristão recebe o divórcio de alguém que professa ser cristão, e esta pessoa se une após segundas núpcias, então biblicamente a pessoa causadora do divórcio comete adultério, e a pessoa inocente está livre para casar pela segunda vez; mas, não está livre de fazê-lo se a pessoa que professa ser cristã e que causou o divórcio, ou o abandono, não se casa de novo, ou não é culpada de adultério.
Acredita-se que esta posição é sustentada em 1 Co 7:11 e que desaprova o divórcio ou o abandono e acrescenta: “se alguém se separar, permaneça sem se casar, ou reconcilie-se com o seu marido”. Todavia, sugeri que as palavras de 1 Co 7:11 não se referem à pessoa abandonada, mas a uma pessoa que abandonou a relação matrimonial sem razão. Por exemplo, se algum cristão pensar que uma diferença de religião justifique a deserção da relação matrimonial e assim o fizer. Como eu entendo, a resposta de Paulo requer que se diga que isto é um equívoco, e que a pessoa que abandonou deve se reconciliar ao matrimônio existente se ainda for possível. Em todo caso, não há liberdade de casar em segundas núpcias por carecer de base bíblica a causa da separação. Em minha opinião, não há base nas Escrituras que proíba um cristão que foi abandonado ou divorciado por razões não bíblicas por um marido ou uma esposa que professe ser cristã, de contrair segundas núpcias sempre que a relação não possa ser remediada; tal como um cristão abandonado ou divorciado por um incrédulo tem liberdade de unir-se em segundas núpcias conforme 1 Co 7:15.
Mas, sucede que a idéia de divórcio ou abandono irremediável por um cristão é em si mesma absurda agora que temos as Escrituras do Novo Testamento. Bem que poderíamos entender que um crente em Corinto pudesse por ignorância ter cometido o pecado de abandono ou de divórcio por razões não bíblicas. Mas, hoje temos palavras claras e explícitas de Cristo contra o divórcio e, as palavras claras e explícitas de Paulo contra o abandono do matrimônio por parte de um cristão, pareceria que os tribunais eclesiásticos devessem excluir um indivíduo que seja culpado de abandono ou de causar um divórcio por razões que não sejam bíblicas. Tal pessoa deve ser julgada como sendo um incrédulo prima facie.
Divórcio por causa de homossexualidade
É minha opinião que a homossexualidade justifica o divórcio para um cristão. O meu argumento é muito simples: se Cristo permitiu o divórcio baseado no adultério e, o apóstolo Paulo considerou a homossexualidade como pior do que o adultério, por que é ainda “...contra a natureza” (Rm 1:26-27), com maior motivo o divórcio se justifica no caso de homossexualidade.
É permitido que a pessoa culpada de divórcio se case pela segunda vez?
O professor John Murray[4] acredita, e creio que corretamente, que a Escritura não proíbe que a pessoa culpada contraia segundas núpcias, desde que tenha se divorciado por razões bíblicas. Todavia, considera que o silêncio das Escrituras sobre este ponto não justifica que a igreja declare que se aprove tal matrimônio. A igreja deve guardar silêncio onde a Escritura guarda silêncio.
Mas se Cristo não contradiz Dt 24:2, eu diria que a Escritura não guarda silêncio. É fato que Cristo proíbe que se case com uma mulher divorciada (Mt 5:32; Lc 16:18). Sugeri acima que a lei mosaica de Dt 24:1-4 se subtende claramente como o contexto destas palavras de Cristo e, sendo que estas observações são fragmentárias, no sentido de que não temos todo o conteúdo do seu ensino em nenhuma destas passagens, assim estas palavras de Cristo que proíbem o casamento de segundas núpcias de uma mulher divorciada devem ser tomadas como uma aprovação de Dt 24:3-4, e não como uma contradição de Dt 24:2. Esta interpretação seria entendida naturalmente pelos seus contemporâneos que ouviram toda a discussão.
Devo acrescentar que, como coisa natural, alguém que professa ser cristão divorciado como culpado por razões bíblicas tem que ser disciplinado, ou por exclusão, ou pelo menos afastamento da comunhão da igreja; e, que tal pessoa, seja casada ou não, não pode ser recebida outra vez na comunhão da igreja a menos que demonstre clara evidência de um arrependimento genuíno e evidência de uma vida santa. Sei de grupos de cristãos que negaram o direito de casarem pela segunda vez com uma pessoa anteriormente divorciada como culpada por razões bíblicas e depois de convertida; e, que ao mesmo tempo reconheceram o direito de um indivíduo que era notoriamente culpado de fornicação, ainda que não casado, após a sua conversão, de casar-se. Tal ponto de vista em minha opinião não se justifica nas Escrituras e, aos olhos do mundo parece ser uma recompensa para a imoralidade de pessoas não casadas. No caso de um incrédulo, anteriormente divorciado por razões bíblicas, seja casado em segundas núpcias, ou não, a igreja como coisa natural teria que assegurar que foi verdadeiramente convertido e viveu uma vida sem mancha antes de admiti-lo na comunhão da igreja.
A atitude do coração
Antes de concluir a discussão do ensino bíblico sobre o divórcio, devo enfatizar que as forças mais perigosas que ameaçam destruir a integridade da vida familiar estão dentro do coração dos indivíduos. A lei moral defende a família não somente pelo sétimo mandamento que proíbe o adultério, mas também pelo décimo mandamento que proíbe os desejos ilícitos. Estas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo pronunciadas no Sermão do Monte são de suma importância: “ouvistes o que vos foi dito: não cometerás adultério. Porém, eu vos digo, que qualquer um que olhar para uma mulher com intenção impura já adulterou com ela em seu coração. Portanto, se o teu olho direito te faz tropeçar, corta-o e arranca-o de ti; pois é melhor que perca um de seus membros e, não seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mt 5:27-29).
Para os pastores e os que tratam com vidas e lares destruídos, é uma observação comum que o princípio das ações pecaminosas está no alento deliberado das imaginações luxuriosas. Não somente os inclinados a diversões que estimulam os desejos ilícitos, mas também os que também alimentam as suas mentes com literatura sensual, se conduzem e ainda influenciam a outros para o desastroso pecado. O cristão cujo coração está cheio de amor ao seu Senhor adotará como regra da sua vida o não abrigar os impulsos sensuais que não crê cabem honrosamente dentro dos limites do puro amor monógamo. O lar cristão pode se manter em sua integridade se os cristãos preservarem esta regra em seu coração, em suas volições e, em suas imaginações. Há alguns anos ouvi um homem muito consagrado dar esta regra para o auto-exame no crescimento espiritual: “aonde dirige os teus pensamentos habitualmente num período de ociosidade?”
“Cada um é tentado quando de sua própria cobiça o atraí e o seduz. Então a cobiça após ter concebido, dá a luz ao pecado; e, o pecado uma vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados” (Tg 1:14-16). É impossível que os descendentes da queda mantenham perfeita pureza de pensamentos, palavra e atos; mas, é possível ocupar as nossas mentes com as coisas do Senhor, a fim de não cair numa vida de pecado.
Notas:
[1] Também é necessário que separemos em nossas mentes aquelas leis que a Igreja Visível pode exigir no processo de disciplina e, quais não devem ser sujeitas às disciplinas de uma maneira prática (por exemplo, os pecados das atitudes mentais).
[2] O autor escreveu este texto em 1962 (nota do tradutor).
[3] John Murray, Divorce (Comissão de Educação Cristã da Orthodox Presbyterian Church, 1953), pág. 69ss.
[4] John Murray, Divorce, págs. 100ss.
Extraído de James O. Buswell Jr., A Systematic Theology of the Christian Religion, vol. 1, parte II, págs. 387-397
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Ofício de Diácono
O substantivo diácono procede da palavra grega diakonós. Esta palavra ocorre 29 vezes no Novo Testamento, podendo significar:[1]
a)servo Mt 20:26; 22:13; Mc 9:35
b)garçom Jo 2:5,9
c)ministro Rm 13:4
d)auxiliar 2 Co 6:4; Ef 6:21; Cl 1:23,25; 1 Tm 4:6
e)oficial Fp 1:1; 1 Tm 3:8,12
O lexicógrafo J.H. Thayer define esta palavra como “aquele que executa as ordens de outro como um servo, atendente, ou ministro.”[2] Noutro lugar ele nos fornece outra definição mais completa como sendo “aquele que em virtude do ofício designado pela igreja, auxilia aos pobres, recebendo e distribuindo o dinheiro, que para este fim é coletado.”[3] Todavia, esta definição segue a prática da Igreja em seus primeiros séculos. A estrutura da nossa denominação embora não negue a responsabilidade do diaconato de exercer a assistência social, não recomenda nem estimula o seu manuseio financeiro deixando este para o Conselho. A definição de Thayer demonstra alguma deficiência e limitação do ofício do diácono.
Notemos ainda que, segundo William D. Mounce o verbo grego diakonéw significa “atender, cuidar, servir Mt 8:15; Mc 1:31; Lc 4:39; [...] ministrar, ajudar, dar assistência ou suplicar pelo indispensável à vida, providenciar os meios para se viver Mt 4:11; Mt 27:55; Mc 1:13; Mc 15:41; Lc 8:3.”[4] Esta definição é preferível por mostrar-se mais satisfatória as necessidades da Igreja.
A origem dos diáconos no Novo Testamento
Encontramos a narrativa histórica da origem do diaconato em At 6:1-6. Alguns estudiosos, entretanto, negam que esta passagem se refira à origem do ofício, alegando o fato de não haver menção da palavra “diácono” no texto. Todavia, podemos crer que esta passagem seja a narrativa da instituição do diaconato levando em consideração os seguintes argumentos que Louis Berkhof apresenta:
1. O nome diakonoi que, antes do evento narrado em Atos 6, era sempre empregado no sentido geral de servo ou servidor, subseqüentemente começou a ser empregado como designativo daqueles que se dedicavam às obras de misericórdia e caridade, e, com o tempo, veio a ser usado exclusivamente neste sentido. A única razão que se pode atribuir a isto acha-se em Atos 6.
2. Os sete homens ali mencionados foram encarregados da tarefa de distribuir bem as dádivas trazidas para as agapae (festas de amor cristão), ministério que noutras partes é particularmente descrito pela palavra diakonia, At 11:29; m 12:7; 2 Co 8:4; 9:1,12-13; Ap 2:19.
3. Os requisitos para o ofício, como são mencionados em Atos 6, são muitos exigentes, e nesse aspecto, concordam com as exigências mencionadas em 1 Tm 3:8-10. (4) Muito pouco se pode dizer em favor da acariciada idéia de alguns críticos de que o diaconato só foi desenvolvido mais tarde, mais ou menos na época do aparecimento do ofício episcopal.[5]
A tradição cristã reconheceu nesta decisão apostólica a origem do diaconato:
1. Irineu de Lião (130-200 d.C.) em seu livro “Contra as Heresias” 1:26; 3:12; 4:15.
2. Cipriano (200-258 d.C.) em suas “Epístolas” 3:3.
3. Eusébio de Cesaréia (260-340 d.C.) declara em sua “História Eclesiástica” que ali “foram igualmente destacados pelos apóstolos, com oração e imposição de mãos, homens aprovados para o ofício de diáconos, para o serviço público”.[6]
Mesmo numa leitura artificial da passagem de At 6:1-6 é possível verificar um problema de omissão na “mesa das viúvas dos gentios”. Esta omissão certamente não era proposital, pois os apóstolos sendo apenas “os doze” não podiam suprir todos os novos convertidos no ministério de ensino da Palavra de Deus, e ao mesmo tempo “servindo as mesas”. Há pelo menos quatro motivos que podemos enumerar para a instituição do diaconato:
1. Para evitar a desordem nos relacionamentos da Igreja. Surgia o grave problema da murmuração.
2. Para evitar que houvesse partidos dentro da Igreja. A omissão às mesas das viúvas enfatizava as diferenças entre o grupo dos judeus helênicos e judeus palestinos.
3. Para evitar a injustiça na distribuição de alimentos e donativos aos necessitados.
4. Para que os mestres da Palavra sejam dedicados no ensino da mesma. É importante observarmos que os apóstolos não estavam rejeitando o “servir às mesas das viúvas”. John R. W. Stott faz uma importante contribuição ao entendimento deste assunto ao dizer que “não há aqui nenhuma sugestão de que os apóstolos considerassem a obra social inferior à obra pastoral, ou de que a achassem pouco digna para eles. Era apenas uma questão de chamado. Eles não poderiam ser desviados de sua tarefa prioritária”.[7]
Charles R. Erdman sugere algumas idéias sobre a necessidade do diaconato na Igreja Cristã. Vejamos que:
(1) É dever óbvio da Igreja, em toda parte, provar às necessidades dos seus membros.
(2) Essa provisão exige clarividência e cautela, para que os que mais precisam não sejam omitidos.
(3) A administração de tais socorros precisa incluir contato e simpatia pessoais. Não é coisa que se deva fazer mecanicamente, ou porque seja praxe. São socorros que devem resultar em conforto espiritual e, se possível, devem levar as pessoas a ficar em condições de poder dispensá-los mais adiante.
(4) Esse trabalho requer a designação de oficiais especializados. “O ministro” deve ser desembaraçado das particularidades que cercam o levantamento e a aplicação de dinheiro entre os membros de sua Igreja.
(5) Ao ministro se deve permitir que se empregue seu tempo no estudo, na prédica e na oração.
(6) O socorro dos pobres, ou seja a assistência social, de qualquer que seja a natureza, jamais deve tomar o lugar do esforço evangelístico.
(7) Na Igreja todos os seus oficiais são “ministros” ou “servos”, na verdadeira acepção do termo; não são dominadores. E qualquer que seja a forma do serviço, devem procurar fazer dele um meio de testemunhar de Cristo, o que aliás vem sugerido nos episódios de Estevão e Filipe, dois diáconos cujo testemunho constitui uma parte significativa da história que se segue imediatamente.[8]
Notas:
[1] F.W. Gingrich & F.W. Danker, Léxico do N.T. Grego/Português (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1993), p. 53
[2] J.H. Thayer, Thayer’s Greek-English Lexicon of the New Testament (Grand Rapids, Associeted Publishers and Authors Inc., 1889), p. 138
[3] Ibidem.
[4] William D. Mounce, The Analytical Lexicon to the Greek New Testament (Grand Rapids, Zondervam Publishing House, 1992), p. 138
[5] Louis Berkhof, Teologia Sistemática (Campinas, LPC, 1990), p. 591.
[6] Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica (Rio de Janeiro, CPAD, 1999), Livro 2. Cap. 1, p. 47
[7] John W.R. Stott, A Mensagem de Atos (São Paulo, Ed. ABU, 1994), p. 134
[8] Charles R. Erdman, Atos dos Apóstolos (São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, 1960), pp. 58-59
Rev Ewerton B. Tokashiki
a)servo Mt 20:26; 22:13; Mc 9:35
b)garçom Jo 2:5,9
c)ministro Rm 13:4
d)auxiliar 2 Co 6:4; Ef 6:21; Cl 1:23,25; 1 Tm 4:6
e)oficial Fp 1:1; 1 Tm 3:8,12
O lexicógrafo J.H. Thayer define esta palavra como “aquele que executa as ordens de outro como um servo, atendente, ou ministro.”[2] Noutro lugar ele nos fornece outra definição mais completa como sendo “aquele que em virtude do ofício designado pela igreja, auxilia aos pobres, recebendo e distribuindo o dinheiro, que para este fim é coletado.”[3] Todavia, esta definição segue a prática da Igreja em seus primeiros séculos. A estrutura da nossa denominação embora não negue a responsabilidade do diaconato de exercer a assistência social, não recomenda nem estimula o seu manuseio financeiro deixando este para o Conselho. A definição de Thayer demonstra alguma deficiência e limitação do ofício do diácono.
Notemos ainda que, segundo William D. Mounce o verbo grego diakonéw significa “atender, cuidar, servir Mt 8:15; Mc 1:31; Lc 4:39; [...] ministrar, ajudar, dar assistência ou suplicar pelo indispensável à vida, providenciar os meios para se viver Mt 4:11; Mt 27:55; Mc 1:13; Mc 15:41; Lc 8:3.”[4] Esta definição é preferível por mostrar-se mais satisfatória as necessidades da Igreja.
A origem dos diáconos no Novo Testamento
Encontramos a narrativa histórica da origem do diaconato em At 6:1-6. Alguns estudiosos, entretanto, negam que esta passagem se refira à origem do ofício, alegando o fato de não haver menção da palavra “diácono” no texto. Todavia, podemos crer que esta passagem seja a narrativa da instituição do diaconato levando em consideração os seguintes argumentos que Louis Berkhof apresenta:
1. O nome diakonoi que, antes do evento narrado em Atos 6, era sempre empregado no sentido geral de servo ou servidor, subseqüentemente começou a ser empregado como designativo daqueles que se dedicavam às obras de misericórdia e caridade, e, com o tempo, veio a ser usado exclusivamente neste sentido. A única razão que se pode atribuir a isto acha-se em Atos 6.
2. Os sete homens ali mencionados foram encarregados da tarefa de distribuir bem as dádivas trazidas para as agapae (festas de amor cristão), ministério que noutras partes é particularmente descrito pela palavra diakonia, At 11:29; m 12:7; 2 Co 8:4; 9:1,12-13; Ap 2:19.
3. Os requisitos para o ofício, como são mencionados em Atos 6, são muitos exigentes, e nesse aspecto, concordam com as exigências mencionadas em 1 Tm 3:8-10. (4) Muito pouco se pode dizer em favor da acariciada idéia de alguns críticos de que o diaconato só foi desenvolvido mais tarde, mais ou menos na época do aparecimento do ofício episcopal.[5]
A tradição cristã reconheceu nesta decisão apostólica a origem do diaconato:
1. Irineu de Lião (130-200 d.C.) em seu livro “Contra as Heresias” 1:26; 3:12; 4:15.
2. Cipriano (200-258 d.C.) em suas “Epístolas” 3:3.
3. Eusébio de Cesaréia (260-340 d.C.) declara em sua “História Eclesiástica” que ali “foram igualmente destacados pelos apóstolos, com oração e imposição de mãos, homens aprovados para o ofício de diáconos, para o serviço público”.[6]
Mesmo numa leitura artificial da passagem de At 6:1-6 é possível verificar um problema de omissão na “mesa das viúvas dos gentios”. Esta omissão certamente não era proposital, pois os apóstolos sendo apenas “os doze” não podiam suprir todos os novos convertidos no ministério de ensino da Palavra de Deus, e ao mesmo tempo “servindo as mesas”. Há pelo menos quatro motivos que podemos enumerar para a instituição do diaconato:
1. Para evitar a desordem nos relacionamentos da Igreja. Surgia o grave problema da murmuração.
2. Para evitar que houvesse partidos dentro da Igreja. A omissão às mesas das viúvas enfatizava as diferenças entre o grupo dos judeus helênicos e judeus palestinos.
3. Para evitar a injustiça na distribuição de alimentos e donativos aos necessitados.
4. Para que os mestres da Palavra sejam dedicados no ensino da mesma. É importante observarmos que os apóstolos não estavam rejeitando o “servir às mesas das viúvas”. John R. W. Stott faz uma importante contribuição ao entendimento deste assunto ao dizer que “não há aqui nenhuma sugestão de que os apóstolos considerassem a obra social inferior à obra pastoral, ou de que a achassem pouco digna para eles. Era apenas uma questão de chamado. Eles não poderiam ser desviados de sua tarefa prioritária”.[7]
Charles R. Erdman sugere algumas idéias sobre a necessidade do diaconato na Igreja Cristã. Vejamos que:
(1) É dever óbvio da Igreja, em toda parte, provar às necessidades dos seus membros.
(2) Essa provisão exige clarividência e cautela, para que os que mais precisam não sejam omitidos.
(3) A administração de tais socorros precisa incluir contato e simpatia pessoais. Não é coisa que se deva fazer mecanicamente, ou porque seja praxe. São socorros que devem resultar em conforto espiritual e, se possível, devem levar as pessoas a ficar em condições de poder dispensá-los mais adiante.
(4) Esse trabalho requer a designação de oficiais especializados. “O ministro” deve ser desembaraçado das particularidades que cercam o levantamento e a aplicação de dinheiro entre os membros de sua Igreja.
(5) Ao ministro se deve permitir que se empregue seu tempo no estudo, na prédica e na oração.
(6) O socorro dos pobres, ou seja a assistência social, de qualquer que seja a natureza, jamais deve tomar o lugar do esforço evangelístico.
(7) Na Igreja todos os seus oficiais são “ministros” ou “servos”, na verdadeira acepção do termo; não são dominadores. E qualquer que seja a forma do serviço, devem procurar fazer dele um meio de testemunhar de Cristo, o que aliás vem sugerido nos episódios de Estevão e Filipe, dois diáconos cujo testemunho constitui uma parte significativa da história que se segue imediatamente.[8]
Notas:
[1] F.W. Gingrich & F.W. Danker, Léxico do N.T. Grego/Português (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1993), p. 53
[2] J.H. Thayer, Thayer’s Greek-English Lexicon of the New Testament (Grand Rapids, Associeted Publishers and Authors Inc., 1889), p. 138
[3] Ibidem.
[4] William D. Mounce, The Analytical Lexicon to the Greek New Testament (Grand Rapids, Zondervam Publishing House, 1992), p. 138
[5] Louis Berkhof, Teologia Sistemática (Campinas, LPC, 1990), p. 591.
[6] Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica (Rio de Janeiro, CPAD, 1999), Livro 2. Cap. 1, p. 47
[7] John W.R. Stott, A Mensagem de Atos (São Paulo, Ed. ABU, 1994), p. 134
[8] Charles R. Erdman, Atos dos Apóstolos (São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, 1960), pp. 58-59
Rev Ewerton B. Tokashiki
Participação Política e Ética Cristã
Rev. Eliabe Gouveia de Deus
É bíblico que o cristão tenha participação política ATIVA na sociedade em que vive? Claro que sim. A partir desta afirmação vamos atentar para uma série de textos bíblicos, tanto no AT quanto no NT, que nos mostrarão a vontade de Deus para as nossas vidas, bem como, o Seu interesse, respeito e participação na vida dos homens. Iniciaremos com o apóstolo Paulo falando da relação de submissão às autoridades com a fidelidade das mesmas autoridades aos princípios de Deus. São ministros de Deus. Portanto a participação do servo de Deus é de suma importância, tanto no que respeita à sua atuação direta na vida pública, quanto no que respeita a sua participação na escolha dos representantes do povo, ministros de Deus, segundo o texto. A conivência com as más autoridades é tão pecado quanto à corrupção ou a neutralidade.
O pessimismo do povo de Israel, aliado as falsas predições de profetas interesseiros, levou-os a adotarem uma postura de não participação nas coisas da vida pública em Babilônia, nos moldes do que, muitas vezes, temos testemunhado no meio cristão do nosso tempo. Há muito, se tem até dito nas igrejas evangélicas que política não combina com a Fé. Creio que é tempo de mudarmos esta visão. Primeiro, porque a atuação íntegra de vários políticos evangélicos tem desmistificado a idéia de que todo político é necessariamente um corrupto.
Segundo, porque é compromisso inerente da Fé, a transformação das estruturas, na inspiração do Reino de Deus, para o estabelecimento da justiça e do direito. Na palavra dada por Deus ao povo do exílio, a esperança da redenção futura ao contrário de desestimular a participação nas questões da sociedade, faz uma apologia deste envolvimento.
O que autoriza a igreja a intervir de forma benéfica em favor de um mundo cada vez mais honesto e justo, são, exatamente, seus fundamentos e conceitos éticos e morais, que dão conta de que, a lisura a honestidade e a integridade ética são mais do que compromissos da fé, são princípios de vida.
Nossa lisura e integridade são fruto de uma disciplina coerente com os valores que sustentamos como normativa de vida, o que, por si só, é argumento suficiente para defendermos que os servos de Cristo estão autorizados, pela sua vocação, opção ética e visão, a intervir positivamente na vida da sociedade, de formas a contribuir com a construção de um mundo cada vez melhor.
Tal postura, fundamentada nos ditames e propósitos do Deus Eterno, nos autoriza como profetas dos tempos modernos a denunciar as estruturas rotas de uma máquina política enodoada e engendrada de interesses escusos.
Não podemos correr o risco de, como agentes do Reino de Deus e seus valores, nos prestarmos ao papel de coniventes com os agentes da maldade e do dolo, enquanto não nos interessamos pelas questões da administração pública somos governados pelos que, nem sempre, o fazem em nome do bem-estar coletivo, ao passo que esquecemo-nos do Senhor e da sua Verdade a nós revelada.
Deus quer abençoar políticos, sim, governantes que não se aliem a perversidade de homens fraudulentos e truculentos, servos do lucro e do poder. Homens e mulheres que orem ao Senhor.
Deus quer suscitar, para um mundo melhor, homens e mulheres que pela fé tenham a vida pública por missão. Chegou a hora dos verdadeiros sevos de Deus, dizerem ao mundo, que o Deus eterno toma, aqui, as rédeas da história. Que o seu propósito e soberania, reclamam o trato da justiça como premissa de vida.
Deus, do céu, não está alheio ao que se passa entre nós. No controle absoluto da história, Deus fará triunfar os princípios pelos quais lutamos. A igreja militante de Cristo precisa Ter a coragem de se insurgir contra o reino da morte que impera neste mundo, onde seres humanos, criados a imagem e semelhança de Deus, figuram como meros números em estatísticas, sendo-lhes tirada a dignidade de um criador.
O político que merece o voto do cristão precisa antes de qualquer coisa, afirmar os valores pelos quais lutamos neste mundo, como leais preservadores dos propósitos de Deus para o mundo que Ele criou, sustenta e governa.
Não sejamos, amados irmãos em Cristo, dúbios no nosso comportamento, se somos de Cristo, são pelos Seus valores que precisamos viver e lutar.
O nosso compromisso é, acima de tudo, com o bem de Deus para o mundo, o nosso candidato é todo aquele que no lugar de eleitores enxerga seres humanos, no lugar de números, enxerga semelhantes. Não vendemos voto, nem tampouco compramos. Somos livres em Cristo para preferir servir antes de servirmo-nos dos outros, esse é o modelo do mestre.
É bíblico que o cristão tenha participação política ATIVA na sociedade em que vive? Claro que sim. A partir desta afirmação vamos atentar para uma série de textos bíblicos, tanto no AT quanto no NT, que nos mostrarão a vontade de Deus para as nossas vidas, bem como, o Seu interesse, respeito e participação na vida dos homens. Iniciaremos com o apóstolo Paulo falando da relação de submissão às autoridades com a fidelidade das mesmas autoridades aos princípios de Deus. São ministros de Deus. Portanto a participação do servo de Deus é de suma importância, tanto no que respeita à sua atuação direta na vida pública, quanto no que respeita a sua participação na escolha dos representantes do povo, ministros de Deus, segundo o texto. A conivência com as más autoridades é tão pecado quanto à corrupção ou a neutralidade.
O pessimismo do povo de Israel, aliado as falsas predições de profetas interesseiros, levou-os a adotarem uma postura de não participação nas coisas da vida pública em Babilônia, nos moldes do que, muitas vezes, temos testemunhado no meio cristão do nosso tempo. Há muito, se tem até dito nas igrejas evangélicas que política não combina com a Fé. Creio que é tempo de mudarmos esta visão. Primeiro, porque a atuação íntegra de vários políticos evangélicos tem desmistificado a idéia de que todo político é necessariamente um corrupto.
Segundo, porque é compromisso inerente da Fé, a transformação das estruturas, na inspiração do Reino de Deus, para o estabelecimento da justiça e do direito. Na palavra dada por Deus ao povo do exílio, a esperança da redenção futura ao contrário de desestimular a participação nas questões da sociedade, faz uma apologia deste envolvimento.
O que autoriza a igreja a intervir de forma benéfica em favor de um mundo cada vez mais honesto e justo, são, exatamente, seus fundamentos e conceitos éticos e morais, que dão conta de que, a lisura a honestidade e a integridade ética são mais do que compromissos da fé, são princípios de vida.
Nossa lisura e integridade são fruto de uma disciplina coerente com os valores que sustentamos como normativa de vida, o que, por si só, é argumento suficiente para defendermos que os servos de Cristo estão autorizados, pela sua vocação, opção ética e visão, a intervir positivamente na vida da sociedade, de formas a contribuir com a construção de um mundo cada vez melhor.
Tal postura, fundamentada nos ditames e propósitos do Deus Eterno, nos autoriza como profetas dos tempos modernos a denunciar as estruturas rotas de uma máquina política enodoada e engendrada de interesses escusos.
Não podemos correr o risco de, como agentes do Reino de Deus e seus valores, nos prestarmos ao papel de coniventes com os agentes da maldade e do dolo, enquanto não nos interessamos pelas questões da administração pública somos governados pelos que, nem sempre, o fazem em nome do bem-estar coletivo, ao passo que esquecemo-nos do Senhor e da sua Verdade a nós revelada.
Deus quer abençoar políticos, sim, governantes que não se aliem a perversidade de homens fraudulentos e truculentos, servos do lucro e do poder. Homens e mulheres que orem ao Senhor.
Deus quer suscitar, para um mundo melhor, homens e mulheres que pela fé tenham a vida pública por missão. Chegou a hora dos verdadeiros sevos de Deus, dizerem ao mundo, que o Deus eterno toma, aqui, as rédeas da história. Que o seu propósito e soberania, reclamam o trato da justiça como premissa de vida.
Deus, do céu, não está alheio ao que se passa entre nós. No controle absoluto da história, Deus fará triunfar os princípios pelos quais lutamos. A igreja militante de Cristo precisa Ter a coragem de se insurgir contra o reino da morte que impera neste mundo, onde seres humanos, criados a imagem e semelhança de Deus, figuram como meros números em estatísticas, sendo-lhes tirada a dignidade de um criador.
O político que merece o voto do cristão precisa antes de qualquer coisa, afirmar os valores pelos quais lutamos neste mundo, como leais preservadores dos propósitos de Deus para o mundo que Ele criou, sustenta e governa.
Não sejamos, amados irmãos em Cristo, dúbios no nosso comportamento, se somos de Cristo, são pelos Seus valores que precisamos viver e lutar.
O nosso compromisso é, acima de tudo, com o bem de Deus para o mundo, o nosso candidato é todo aquele que no lugar de eleitores enxerga seres humanos, no lugar de números, enxerga semelhantes. Não vendemos voto, nem tampouco compramos. Somos livres em Cristo para preferir servir antes de servirmo-nos dos outros, esse é o modelo do mestre.
NOVO TESTAMENTO
I. INTRODUÇÃO
O cristianismo, em sua fase inicial, considerou o Antigo Testamento como a sua única Bíblia, Jesus, como os seus discípulos e apóstolos e o resto do povo judeu, citou-o como “as Escrituras”, “a Lei” ou “a Lei e os profetas”. Com o passar do tempo, a Igreja, tendo entendido que em Cristo “as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5:17), produziu muitos escritos acerca da vida e da obra do Senhor, estabeleceu e transmitiu a sua doutrina estendeu a mensagem evangélica a regiões cada vez mais distantes da Palestina. Dentre estes escritos foi-se destacando aos poucos um grupo de vinte e sete, que pelos fins do séc.II começou a ser conhecido como Novo Testamento. Eram textos redigidos na língua grega, desiguais tanto em extensão como em natureza e gênero literário. Todos, porém foram considerados com especial reverência como procedentes dos apóstolos de Jesus ou de pessoas muito próximas a eles. O uso cada vez mais freqüente que o crentes faziam daqueles 27 escritos (convencionalmente chamados livros) conduziu a uma geral aceitação da sua autoridade. A fé descobriu sem demora, nas sua páginas a inspiração do Espírito Santo e o testemunho fidedigno de que em Jesus Cristo, o Filho de Deus, cumpriam-se às antigas profecias e se convertiam em realidade às esperanças messiânicas do povo de Israel. Conseqüentemente, a Igreja entendeu que os escritos hebraicos, que chamou de Antigo Testamento, requeriam uma segunda parte que viesse a documentar o cumprimento das promessas de Deus. E, enfim, através de um longo processo já bem entrado no séc.V, ficou oficialmente reconhecido o cânon geral da Bíblia como a soma de ambos os Testamentos.
Estes 27 livros, que, mesmo em diferentes formas literárias e autores, apresenta o Pacto de Deus para com a humanidade, consumando a revelação de Deus por diversos meios, usando homens inspirados pelo Espírito Santo, e em transmitir essa revelação de modo a perpetuar-se como o único e autorizado padrão de fé e de comportamento. O Novo Testamento é a consumação do Antigo Testamento.
O termo grego “diathéke” envolve tanto a idéia de testamento quanto a idéia de pacto. De fato, o Novo Testamento representa ambas essas noções. O Novo testamento é uma nova aliança de Deus como os homens. Podemos afirmar que o primeiro pacto veio através de Moisés, e que o segundo veio através de Jesus, o Cristo (Jo 1:17). O primeiro caracterizava-se pela lei, mas o segundo pela graça e verdade. Essas duas alianças também representam duas distintas dispensações religiosas por determinadas condições históricas e espirituais, O grande elo entre esses dois pactos é a pessoa de Jesus Cristo: predito no Antigo Testamento; revelado no Novo Testamento.
Havia uma urgente necessidade de explicar como Jesus viveu a vida que viveu. Uma pessoa extremamente incomum entrou na história, e os evangelhos procuram explicar como isso sucedeu, e por quê. Naturalmente antes da produção cronológica desses livros, temos a considerar a porção maior das obras paulinas, escritas. Poderíamos descrever os escritos de Paulo como literatura “ ocasional”, ou seja, foram escritos para enfrentar situações especiais.Nesse caso, a motivação era as necessidades da primitiva Igreja Cristã. A narrativa de Lucas em Atos, preparada após as epístolas paulinas, também pode ser considerada como ocasionada pela esperança que seu autor tinha de obter para o cristianismo uma posição legal dentro do império romano. Lucas não estava interessado somente em ser um apologista, mas também em ser um historiador. O tratado que chamamos de epístolas aos Hebreus é um estudo teológico sobre como Cristo e seu pacto, por serem superiores, substituíram ao Antigo Testamento. As epístolas pastorais procuram satisfazer ás necessidades de jovens ministros cristãos, As chamadas epístolas gerais, foram escritas tendo em vista ocasiões especiais, embora também sejam didáticas. O livro de Apocalipse tem uma profecia para atender a uma necessidade de um momento (a da Igreja do tempo de João), mas também um esboço profético acerca do fim da dispensação.
A catalogação dos livros do Novo Testamento não corresponde à ordem cronológica da sua redação ou publicação; é antes um agrupamento temático e por autores, há razões lógicas para a arrumação em que eles aparecem nessa coletânea. Assim, primeiramente temos os evangelhos, que lançam os fundamentos do cristianismo, em seguida, o livro de Atos, encontramos a história da fase inicial da Igreja cristã; depois, as epístolas que abordam problemas coletivos e pessoais dos cristãos, e onde também são descortinadas as esperanças cristãs quanto ao seu destino; e finalmente, temos o Apocalipse, o único livro acentuadamente profético do Novo Testamento, que fala sobre como se desenrolará al última (septuagésima) semana de Daniel, isto é, no “tempo de Fim”, imediatamente antes da parousia da Cristo, o que haverá depois, e, daí até ser inaugurada o estado eterno, quando o plano de Deus para os séculos ter-se-á cumprido cabalmente, e haverá uma nova criação, fazendo com que todo o passado seja lançado no esquecimento.
Este trabalho tem como objetivo a explanação geral de cada livro que o compõe o cânon do Novo Testamento.
II. A LÍNGUA DO NOVO TESTAMENTO
O Antigo Testamento foi escrito em hebraico e o Novo Testamento, em grego koinê – uma modalidade de grego comum do povo, além desse havia o grego clássico.
Devido à expansão do Império Grego (cerca de 325 a.C), promovida por Alexandre, O Grande, a língua grega tornou-se dominante nas nações conquistadas (por volta do ano 250 a.C., o Antigo Testamento começou a ser traduzido para o grego a Septuaginta). Na Palestina, nos tempos de Jesus, o grego era falado amplamente, e a tradução Septuaginta era lida e citada freqüentemente pelos judeus mais liberais. Nesses dias, a língua sagrada dos judeus era o hebraico, a falada era o aramaico, a oficial era o latim e a língua universal, falada pelo povo, era a grega.
O fato de a língua grega ter-se tornado universal na época do advento de Cristo fez parte do processo de preparação do mundo por Deus para que o evangelho pudesse ser espalhado pelo mundo em tempo relativamente curto. O grego foi a língua apropriada para que a salvação fosse anunciada entre todas as nações (ver Lc 24:46-47), porque era o idioma comum a todas as nações. Os pregadores podiam viajar e imediatamente pregar o evangelho de Cristo em qualquer lugar; os apóstolos puderam escrever cartas a todas as igrejas, tanto as da Ásia como as da Europa, sem precisar traduzi-las.
O grego koinê por ser popular não significa que fosse um grego “caipira”, rude, cheio de erros. Era uma língua gramaticalmente correta, notável pela sua elegância, variabilidade de estilo e precisão em suas afirmações.
A qualidade do grego koinê, apresentada nos diversos livros do NT, de forma alguma é idêntica da primeira à última página. Quase todos os livros do NT forma escritos por judeus, pelo que não se pode esperar o mesmo tipo de grego que se poderia esperar de escritores não judaicos. Em menor ou maior extensão, quase todos os livros do NT exibem alguma influência semita no vocabulário, na sintaxe ou no estilo. Parte dessa influência pode ser atribuída diretamente ao Antigo Testamento, e em parte ao fato de que o aramaico era falado na palestina ao tempo em que foi escrito o Novo Testamento.
III. COMO SURGIRAM OS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO
No início, todos os fatos relativos à pessoa de Jesus e todos seus ensinamentos eram transmitidos oralmente. Os discípulos se encarregaram de ensinar fazendo relatos de memória. O conteúdo do ensino moral deles foi chamado de “Doutrina dos Apóstolos (At.2:24). Essa doutrina era transmitida pela narrativa que os apóstolos faziam como testemunhas de Jesus.
Com o crescimento em número da Igreja, e sua dispersão, começaram a surgir problemas de ordem doutrinária e de comportamento ético. Foi então que os líderes do cristianismo sentiram necessidade de escrever para instrução dos crentes. À medida que escreviam estavam dando origem aos livros que, ao longo dos tempos, por direção do Espírito Santo, seriam reunidos, aceitos como autêntico e transformados no que hoje é o Novo Testamento.
As circunstância que levaram os líderes do cristianismo a escreverem foram:
Rápido crescimento do número de crentes;
A dispersão dos que criam (Ásia e Europa);
Surgimento de problemas comportamentais devido às confrontações com os costumes do paganismo;
Choques das esperanças cristãs com a hostilidade e crueldade do mundo que os crentes tinha que enfrentar;
Choque entre a mentalidade judaica e gentílica.
É realmente extraordinário o número de manuscritos do Novo Testamento que chegou a nós depois de tantos séculos desde que foram escritos. Ao todo, são mais de 5.000. Alguns são apenas pequenos fragmentos, tão deteriorados pelo tempo e pelas más condições ambientais, que a sua utilidade é praticamente nula. Mas são muito mais numerosos os manuscritos que, no todo ou em parte, se conservaram num estado suficientemente satisfatório para transmitir até o presente a sua mensagem e testificar assim a fidelidade dos cristãos que os escreveram.
Assim sendo, os manuscritos que conhecemos não são autógrafos, isto é, nenhum provém da mão do próprio autor. Todos, sem exceção, são cópias de cópias dos textos originais gregos ou de traduções para outros idiomas. Copistas especializados pacientemente consagrados a esse labor de muitos anos de duração, os produziram nos lugares mais diversos e no decorrer de séculos. As cópias mais antigas até agora conhecidas são papiros que datam do século III, procedentes do Egito.
O prólogo do evangelho de Lucas diz-nos claramente que ele usou outros livros em sua produção, além de relatos de testemunhas oculares, retrocedendo até os começos do ministério de Jesus. Isto significa que os livros ainda mais antigos relacionados ao Novo Testamento se perderam, mas isso não quer dizer que houve qualquer perda real no terreno da historicidade. Mediante declarações do próprio Paulo, sabemos que ele escreveu epístolas de que não dispomos (Col. 4:16). Contudo não há razão para supormos que as coletâneas de suas epístolas que temos não represente o seu pensamento essencial, até com alguns detalhes. A coletânea do Novo Testamento conforme ela atualmente se encontra, não foi escrita durante um período longo demais, e representa bem a era apostólica até mesmo nos casos em que apóstolos não foram os autores. Vale ressaltar que um estudo aprofundado sobre cânon do Novo Testamento e como ele chegou até nós não é o objeto de estudo neste trabalho.
IV. CONTEXTO HISTÓRICO e POLÍTICO das NARRATIVAS DO NT
Jesus nasceu em fins do reinado de Herodes, o Grande (47 a 4 a.C.). Homem cruel (cf. Mt. 2.1-16) e, sem dúvida, inteligente, distinguiu-se pela grande quantidade de terras e cidades que conquistou e pelas numerosas e colossais construções com que as dotou. Entre estas, o templo de Jerusalém, do qual apenas se conservaram uns poucos restos pertencentes à muralha ocidental (o Muro das Lamentações).
Após a morte de Herodes (Mt. 2:15-10), o seu reino foi dividido entre os seus filhos Arquelau, Herodes Antipas e Filipe. Arquelau (Mt. 2:22), etnarca da Judéia e Samaria, foi deposto pelo imperador Augusto no ano 6 d.C. A partir de então, o governo esteve em mãos de procuradores romanos, entre eles Pôncio Pilatos, que manteve o cargo desde o ano 26 até 36. Herodes antipas (Lc 3:1) foi tetrarca da Galiléia e Peréia até o ano 39; e Filipe (Lc 3:1) até 24 o foi da Ituréia, Traconites e outras regiões orientais do Norte.
No ano 37, o imperador Calígula nomeou rei a Herodes Agripa e o colocou sobre a tetrarquia de Filipe, à qual logo acrescentou a de Herodes Antipas. Com a morte de Calígula (assassinado no ano 41), o seu sucessor, Cláudio, ampliou ainda mais os territórios de agripa com a anexação da Judéia e Samaria. Desse modo, agripa reinou até a sua morte (44 d.C.), praticamente sobre toda a Palestina.
Antipas foi aquele que mandou prender e matar a João Batista (Mc. 6:16-29); e Herodes Agripa foi quem perseguiu a igreja de Jerusalém e mandou matar a Tiago e prender a Pedro (At.12:1-19). O novo Testamento fala também de outros Herodes agripa, filho do anterior: o rei que, acompanhado da sua irmã e mulher Berenice, escutou o discurso pronunciado por Paulo em sua própria defesa, em Cesaréia (At.25:13-26:32).
Por detrás de todos esses personagens se manteve, sempre vigilante, o poder romano. Roma era quem empossava ou demitia governantes nos países submetidos ao seu domínio, conforme lhe convinha. Durante a vida de Jesus e até à destruição de Jerusalém no ano 70, sucederam-se em Roma sete imperadores (ou césares). Três deles são mencionados no NT: Augusto (Lc.2:1), Tibério (Lc.3:1) e Cláudio (At.11:28; 18:2). E há um quarto, Nero, cujo nome não é mencionado, a quem Paulo faz tácita referência ao apelar ao tribunal de César (At.25:10-12; 28:19).
A Palestina fazia parte do império romano desde o ano 63 a.C. Essa circunstancia significara a perda definitiva de sua independência nacional. Dois longos séculos de agitação política a tinham levado a um estado de irreparável prostração moral, de que Roma, pela mão do general Pompeu, aproveitou-se se apoderando do país e integrando-o na província da Síria.
A fim de manter a paz e a tranqüilidade nos seus territórios, Roma atuava geralmente com muita cautela, sem pressionar excessivamente a população submetida e sem forçá-la a mudar os seus próprios modelos da sociedade, nem os seus costumes, cultos e crenças religiosas. Inclusive, às vezes, a fim de pôr uma nota de tolerância e boa vontade, consentia a existência de certos governos nacionais, como os de Herodes, o Grande e dos seus sucessores. O que Roma não permitiu foi a agitação política e muito menos a rebelião aberta dentro das suas fronteiras. Quanto isso ocorria, o exército se encarregava de restabelecer a ordem, atuando com presteza e com o máximo de rigor. Foi isso que aconteceu no ano 70 d.C., quando Tito, filho do imperador Vespasiano, arrasou Jerusalém e provocou a “diáspora” (ou dispersão) de grande parte da população, a fim de acabar de uma vez por todas com as revoltas judaicas iniciadas uns quatro anos antes.
V. TIPOS DE LITERATURAS NO NOVO TESTAMENTO
A coletânea – os 27 livros - intitulada Novo Testamento incorpora, essencialmente, quatro tipos de literatura:
OS EVANGELHOS – o registros sobre a vida e os ensinamentos de Jesus, o Cristo. Os evangelhos são quatro: Mateus, Marcos, Lucas (são essencialmente históricos, embora não sejam biografias de Jesus) e João (que contém uma exposição mais teológica).
HISTÓRIA ECLESIÁSTICAS – a narrativa de Lucas em Atos, fornece-nos o mais completo registro histórico sobre a Igreja apostólica, cobrindo o de 29 a 61 a.C.
AS EPÍSTOLAS – Há ali os escritos paulinos (de Paulo) e as epístolas gerais.
LIVRO PROFÉTICO ou APOCALÍPTICO. O apocalipse é o único livro realmente profético do Novo Testamento
Desde o séc.V, o índice do Novo Testamento agrupa os livros da seguinte maneira:
1. Evangelhos (4)
a. Sinópticos (3) Mateus Marcos
Lucas
b. João
2. Histórico (1)
Atos dos Apóstolos
3. Epístolas (21)
a. Paulinas (13)
Romanos
1Coríntios
2Coríntios
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
1Tessalonicenses
2Tessalonicenses
1Timóteo
2Timóteo
Tito
Filemon
b. Gerais (8)
Hebreus
Tiago
1Pedro
2Pedro
1João
2João
3João
Judas
Escatológico (1)
Apocalipse
A partir de agora, oferecemos breves descrições sobre cada livro que compõe o Novo Testamento:
VI. OS EVANGELHOS
EVANGELHO – BOAS NOVAS
A palavra evangelho não foi criada por Jesus nem por seus discípulos. Era uma palavra de uso comum nas comunidades antigas. As guerras entre os povos eram constantes. As dificuldades de comunicação entre os guerreiros e suas cidades de origem eram muito grandes. As famílias, principalmente, aguardavam ansiosamente por notícias de seus filhos nos campos de batalha. O meio utilizado para isso era o envio de mensageiros, os quais traziam notícias sobre o sucesso ou fracasso dos soldados. A chegada do mensageiro era muito esperada. Quando ele chegava com boas notícias, então recebia uma recompensa por seu esforço. Esse presente era chamado "evangelho". Era também realizada uma festa comemorativa, que também passou a ser chamada "evangelho".
Jesus é o mensageiro de Deus que veio anunciar sua própria vitória sobre as forças das trevas e a libertação do homem. Assim, no Novo Testamento, a palavra evangelho adquire o significado de mensagem da salvação através da obra de Cristo a favor do homem (Mt.4.23; 24.14). A tradição cristã estende esse significado, usando a palavra evangelho para identificar cada um dos quatro primeiros livros do Novo Testamento, os quais apresentam relatos sobre a vida de Cristo. Assim, surge o uso plural da palavra. Nos tempos da igreja primitiva, isso seria considerado absurdo, uma vez que, para os primeiros cristãos, o evangelho era único. Outro evangelho seria considerado anátema. Como então poderia haver evangelhos? Entretanto, tal designação para os quatro evangelhos se firmou e se tornou definitiva.
Da perspectiva da fé cristã, a palavra “evangelho” contém uma tríplice referência: em primeiro lugar, a Jesus Cristo, cuja vinda é o acontecimento definitivo da revelação de Deus ao ser humano; em segundo lugar, à pregação oral e á comunicação escrita da boa notícia da salvação pela fé; e, por último, aos quatro livros do NT que desde o século II se conhecem pela designação genérica de “os Evangelhos”.
Os Evangelhos contêm um conjunto de narrações centradas na pessoa de Jesus de Nazaré e escritas com um propósito testemunhal, para a edificação da Igreja e para a comunicação da fé. A obra dos evangelistas nutriu-se especialmente das memórias que, em relação ao Senhor, eram guardadas no seio da Igreja como um depósito precioso. Essas memórias transmitiram-se no culto, no ensinamento e na atividade missionário, isto é, na pregação oral, que, durante longos anos e com perspectiva escatológica, foi o meio idôneo para reviver, desde a fé e em benefício da fé, o acontecimento fundamental do Cristo ressuscitado.
Para a comunidade cristã, o valor dos Evangelhos é insubstituível e permanente; ocupam um lugar único, tanto no âmbito geral da Igreja como no particular da devoção privada. Os Evangelhos são o único canal que conduz ao conhecimento da vida do nosso Senhor Jesus Cristo, pois não existe nenhum outro documento que o torne realmente presente.
ASPECTOS GERAIS DOS QUATRO EVANGELHOS
Nos tempos apostólicos havia quatro classes representativas do povo – judeus, romanos, gregos e um corpo tomado das três classes – a Igreja. Cada um dos evangelistas escreveu para uma dessas classes, adaptando-se ao seu caráter, às suas necessidades e ideais, a vida, a mensagem, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Este princípio de adaptação foi mencionado por Paulo em 1 Coríntios 9:19-21, e foi ilustrado em seu ministério entre os judeus e gentios.
A mensagem dos Evangelhos se dirige á humanidade em geral, sendo os homens os mesmos em todas as épocas. O fato de ter sido escrito 4 evangelhos revela que um Evangelho só não teria sido suficiente para apresentar os vários aspectos da personalidade de Cristo. Cada um dos evangelistas o vê sob um aspecto diferente: Mateus apresenta-O como Rei; Marcos como Conquistador e Servo; Lucas como Filho do Homem e João como Filho de Deus. Também neles são relatados quatro tipos de realidades relativas a Jesus Cristo:
1. A realidade da própria pessoa de Jesus Cristo, como homem histórico, real – Ele não é um mito
2. A realidade dos fatos que ocorreram com Jesus em cumprimento às Escrituras.
3. A realidade dos feitos praticados por Jesus Cristo.
4. A realidade dos ensinos proferidos por Jesus ao longo de seu ministério
O fato de os evangelistas terem escrito os seus relatos sob diferentes pontos de vista explicará as diferenças entre eles, as suas omissões e adições, a sua aparente contradição ocasional, e a sua falta de ordem cronológica. Os escritores não procuraram produzir uma biografia completa de Cristo, mas levando em consideração as necessidades e o caráter do povo para o qual escreviam, escolheram exatamente os acontecimentos e discursos que acentuaram a sua mensagem especial.
Pluralidade – Poderíamos ter 1 evangelho nas Escrituras e isso poderia ser satisfatório. Contudo, Deus quis que fossem quatro. Esta pluralidade tem sua razão de ser e seu objetivo. Um dos motivos nos parece ser o valor do número de testemunhas. A lei mosaica determinava que o testemunho contra alguém deveria ser dado por duas ou três pessoas e nunca por uma só (Dt.17.6). O mesmo princípio é utilizado por Cristo em Mt.18.16. O número de testemunhas é importante na determinação da veracidade de um fato. Assim, era importante que duas ou três testemunhas dessem testemunho sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Nos processos jurídicos as testemunhas continuam sendo muito importantes até hoje. Todo testemunho deve ser registrado por escrito. Assim também aconteceu com os relatos sobre Cristo. Alguns escritores dos evangelhos podem não ter sido testemunhas oculares dos fatos ali narrados. Entretanto, escreveram o que as testemunhas disseram. A pluralidade dos evangelhos é também valiosa por nos apresentar a mesma história vista sob ângulos diferentes.
Objetividade – Os evangelhos foram escritos tendo-se em vista um objetivo definido: anunciar as boas novas de salvação. Por esta causa, os escritores não se dedicaram a registrar pormenores da vida de Cristo, sua infância, seus hábitos diários, seu trabalho na carpintaria, etc. Eles se limitaram a mencionar a origem de Cristo (humana e divina), seu ministério (ensinamentos, milagres), sua morte, ressurreição e ascensão. Uma grande parte de cada evangelho se dedica a narrar os fatos da última semana do ministério de Cristo. (Veja João 21.25).
Unidade - Apesar de serem quatro os evangelhos, eles são harmônicos entre si. É possível se construir um relato coerente reunindo os 4 evangelhos. Eles se completam.
Ordem - Os livros não se encontram dispostos em nossas Bíblias na mesma ordem em que foram escritos. Além disso, os próprios fatos narrados não seguem ordem cronológica, principalmente no livro de Mateus.
Motivos – Os evangelhos foram escritos para responder aos questionamentos da comunidade do primeiro século e também para combater as mentiras dos inimigos a respeito de Jesus. Os apóstolos começavam a morrer e tornava-se então imperioso que se registrassem suas memórias sobre o Salvador. Além disso, existiram também os motivos particulares de cada escritor, conforme veremos no estudo de cada livro.
Sinóticos - Os primeiros três Evangelhos são chamados sinóticos, porque fornecem uma “sinopse” (vista geral) dos mesmos acontecimentos e têm um plano comum. O Evangelho de João foi escrito em base inteiramente diferente dos demais.
1. Evangelho de MATEUS
Mateus, escrevendo aos judeus e conhecendo as suas grandes esperanças, apresenta Jesus como o único que cumpre as Escrituras do Antigo Testamento com relação ao Messias, prova que ele era mesmo o Messias. A repetição freqüente das palavras “reino” e “reino dos céus”, revela outro tema importante. Expõe o reino dos céus prometido no Antigo Testamento (11:13), proclamado por João Batista e Jesus (3:2 e 4:17), representado agora pela Igreja (16:18-19), e triunfante na segunda vinda de Jesus (25:31,34).
Apesar de ser o primeiro livro apresentado no Novo Testamento, cronologicamente ele ocupa o décimo novo lugar.
Mateus é o mais judaico dos quatro evangelhos: a genealogia de Jesus retrocede até Abraão, e Jesus é apresentado como verdadeiro filho e herdeiro espiritual de Abraão, tendo sido Ele aquele que nos trouxe o novo pacto.
Esse livro é rico quanto à história e às declarações de Jesus.
Tema Central: Jesus, o Rei Messias.
Autor: Conforme tradição digna de confiança atribui a Mateus, também conhecido pelo nome de Levi, a autoria deste livro. Pouco se diz acerca dele no NT. Sabemos, entretanto, que um judeu cristão, discípulo e apóstolo de Jesus Cristo. Antes de ser chamado pelo Mestre, exercia a função de publicano, isto é, coletor de impostos para o Império Romano. Os publicanos eram tão desprezados pelos judeus que não podiam falar nos tribunais, nem se aceitava seu dízimo no templo.
Fonte : Ao que parece, seu autor valeu-se de fontes informativas que não foram usadas nem por Marcos e nem por Lucas. Mas quanto a ordem de apresentação, segue essencialmente o esboço de Marcos, que os eruditos chamam de fonte M.
Data: Evidências externas, como citações na literatura cristã do Século I, testemunham desde cedo a existência e o uso de Mateus. Líderes da igreja do Séc. II e III geralmente concordavam que Mt foi o primeiro Evangelho a ser escrito, e várias declarações em seus escritos indicam uma data entre 60 e 65 dC.
Local : Antioquia da Síria.
Idioma e característica literária: escrito em um grego koinê inferior a Lucas, porém, superior a Marcos. O estilo de Mateus é menos individualista do que o deles. È mais suave que o de Marcos, porém mais monótono que o de Lucas. Seu vocabulário é mais rico que o de Marcos, mas menos variado que o de Lucas. O autor gostava de seguir o arranjo rabínico, como o de enfileirar coisas de três: três divisões na genealogia ((1:1-17), três tentações (4:1-11), etc.Isso também pode ser visto em relação o número sete.
De forma geral o grego koinê desse evangelho nem é muito deficiente nem muito polido e literário. Não obstante, o documento produzido, desde os tempos antigos, tem sido favorito de muitos.
Para que foi escrito: Para toda a humanidade em geral, mas para os judeus em particular. Apesar desse direcionamento aos judeus, Mateus não se apresenta como um bajulador de seus compatriotas. Ele demonstra claramente que os judeus tinham prioridade no ministério de Cristo (Mt.15.24 10.6), mas mostra também a perda do espaço para os gentios, que vão dominando a cena. Mateus começa mencionando os magos no capítulo 2. Eles eram gentios e foram presentear o menino Jesus, enquanto que os judeus que serviam a Herodes não se dirigiram a Belém, embora estivessem bem informados sobre o local onde o Messias haveria de nascer. Finalmente, Mateus cita a ordem de Cristo de se pregar o evangelho e se fazer discípulos em todas as nações. (Mt.4.15; 8.10-12; 12.18-21; 21.42-34; 28.18-20.).
Vê-se esse direcionamento pelos seguintes fatos.
O grande número de citações do Antigo Testamento (cerca de 60) – alguém que prega aos judeus deve provar a sua doutrina pelas Escrituras antigas.
As primeiras palavras do livro sugerem imediatamente ao judeu os dois pactos que contêm promessas do Messias – o davídico e o abraâmico (2 Sm.7:8-16; Gn 12:1-3). Os judeus davam muita importância ás genealogias. Antes de uma pessoa ser ordenada para o sacerdócio, requeria-se que provasse descender de Arão. Mateus, expondo Jesus como Messias, vê-se obrigado a provar pelo Antigo Testamento que Jesus é filho de Davi – aquele que tem direito de ser rei de Israel. Fez isto na genealogia de José (1:1-17).
A ausência geral de explicações dos costumes judaicos demonstra que o evangelista escreveu a um povo familiarizado como esses costumes.
Características :
Apologético - apresenta defesa do evangelho diante do judaísmo.
Doutrinal - com destaque para os ensinamentos de Cristo.
Narrações breves – Os fatos narrados são poucos e sucintos, já que a doutrina tem prioridade.
Sem ordem cronológica – O livro não apresenta fatos e ensinos na ordem em que ocorreram ou foram ditos. A ordem só é seguida em parte: no início do livro (nascimento, batismo, tentação) e no final (última semana, morte, ressurreição e ascensão). No meio, as parábolas, milagres e ensinamentos não se encontram ordenados cronologicamente.
Organização temática – Mateus faz apresenta um arranjo temático em seu conteúdo. Os ensinamentos são reunidos em cinco grandes blocos. As parábolas e os milagres também são organizados convenientemente.
Escrito para um público religioso: os judeus.
Mateus é o único evangelho a apresentar a palavra igreja (3x) (16.18 e 18.17).
O evangelho de Mateus contém 6 discursos de Cristo: Mt.5-7; 10; 13; 18; 23; 24-25.
Contém 15 parábolas (10 exclusivas). Um dos efeitos das parábolas é a fixação do ensinamento. Isto quando o mesmo é compreendido. Trata-se então de um recurso didático. Aliás, tal propósito encontra-se subjacente a muitos elementos e práticas do judaísmo e do cristianismo. As festas judaicas continham propósito didático. O mesmo acontece com a ceia e o batismo, embora seu sentido e objetivo não esteja restrito a esse propósito.
Mateus narra 20 milagres (3 exclusivos). Embora o número seja grande, as narrativas são resumidas.
Mateus apresenta Jesus como Rei - Tal propósito já se nota na apresentação da genealogia. A expressão "Filho de Davi" ocorre 9 vezes no livro. A palavra reino aparece 55 vezes.
Apresenta Jesus como o Novo Moisés , o Novo Legislador – nos capítulos quinto a sétimo temos não somente matéria nova, mas também novas interpretações de material antigo, da lei mosaica, que assinalam Jesus Cristo como um intérprete sem-par.
Conteúdo / Esboço:
O conteúdo do Evangelho de Mateus pode ser resumido da seguinte forma:
1. A vinda do Messias (1:1 – 4:11).
2. O ministério do Messias (4:12 – 16:12).
3. A reivindicação do Messias (16:13 – 23:39).
4. O sacrifício do Messias (caps. 24 – 27).
5. O triunfo do Messias (cap.28).
Seguindo o seguinte esboço:
Genealogia e nascimento
A fuga
O batismo
A tentação
O sermão da montanha
Os milagres
Os Doze enviados
Discursos
Parábolas
Alimentando a multidão
Confissão de Pedro
A transfiguração
Discursos
A entrada triunfal
As conspirações dos inimigos
Os ais
A segunda vinda
A traição
A crucificação
A ressurreição.
Ou ainda:
MACRO DIVISÃO DO LIVRO
I - genealogia, nascimento e infância - 1 - 2
II - Ministério na Galiléia - 3 - 18
III - Ministério na Judéia - 19-28
ESBOÇO DO LIVRO (adaptado do esboço de Scroggie)
I - A preparação do rei 1.1 a 4.11
1 - a descendência do Rei 1.1-17
2 - O advento do Rei - 1.18 a 2.13
3 - O embaixador do Rei - 3.1-17
4 – A prova do Rei – 4.1-11
II - O programa do rei - 4.12 a 16.12
1 - O começo do reino 4.12-25
2 - O manifesto do reino - 5-7
3 - Os sinais do Reino 8-9
4 - Os mensageiros do Reino - 10-11
5 - Os princípios do reino - 12
6 - Os mistérios do reino 13.1-52
7 - A ofensa do reino 13.53 a 16.12
III - A paixão do Rei - 16.13 a 28.20
1 - A revelação do rei 16.21 - 17.27
2 - A doutrina do rei 18-20
3 - A rejeição do rei 21-22
4 - As censuras do rei 23
5 - As predições do rei 24-25
6 - Os sofrimentos do rei - 26-27
7 - O triunfo do rei 28
2. Evangelho de MARCOS
Esse é o mais breve dos quatro evangelhos, embora, cronologicamente falando, foi o primeiro deles a ser composto, aparece em segundo lugar, na arrumação dos livros do Novo Testamento, ainda que, em ordem cronológica deva ocupar o terceiro ou quarto lugar .
Escreveu para um povo militar (os romanos), um povo este cujo ideal era o poder e o serviço, e ele descreveu Cristo como o Conquistador Poderoso. Fornece uma breve narrativa da campanha de três anos do Capitão da nossa salvação, dirigida e terminada em prol da libertação de nossas almas e a derrota de Satanás, pelas obras de Cristo e seus sofrimento, morte, ressurreição e triunfo final.
Sobre um outro aspecto, o evangelho de Marcos enfatiza Jesus também como o Servo de Deus – Jesus veio para buscar e salvar os perdidos. O fato de que Jesus é o Servo de deus não elimina e nem contradiz o fato de que Ele é o Filho de Deus. O poder das obras de Jesus representa esse ensino. A idéia de Servo transparece, com freqüência conforme ode ser visto em 8:31,38; 9:31; 10:45; 13:26; 14:62, etc. A idéia de Filho de Deus se vê em 3:11; 5:7; 15:39, etc.
Tema Central: apresenta Cristo como o Conquistador Poderoso
Autor: Mesmo que o Evangelho de Marcos seja anônimo, a antiga tradição é unânime em dizer que o autor foi João Marcos, um judeu, filho de Maria, uma mulher de Jerusalém, cuja casa estava aberta para os cristãos primitivos (At.12:12). Seguidor próximo de Pedro (1Pe 5.13), Marcos foi companheiro de Paulo e Barnabé na sua primeira viagem missionária. O testemunho abundante dos chamados Pais da Igreja torna bastante claro que Marcos acompanhou Pedro a Roma como seu intérprete e que compilou este Evangelho, aproveitando as pregações de Pedro. Seu nome romano – Marcos – parece indicar que foi educado nos círculos romanos, tornando-o particularmente ideal para escrever um Evangelho aos romanos.
Fonte – Suas informações se originaram principalmente da pessoa de Pedro. Hipótese não comprovada: existência de uma fonte complementar em aramaico.
Data: Os fundadores da Igreja declaram que o Evangelho de Marcos foi escrito depois da morte de Pedro, que aconteceu durante as perseguições do Imperador Nero por volta de 67 dC. O Evangelho em si, especialmente o cap. 13, indica ter sido escrito antes da destruição do Templo em 70 dC. Foi o primeiro evangelho a ser escrito. Data provável: ano 55. As datações dos comentaristas oscilam entre os anos 50 e 70.
Local: Marcos escreveu em Roma numa época de grande perseguição à igreja e conflitos violentos. Tudo isso parece interferir nas características do livro.
Idioma e característica literária: grego koinê. A falta de polimento do grego de Marcos é obscurecida pela tradução, posto que poucos tradutores imitariam propositalmente aos erros gramaticais somente para serem mais fieis ao original. Todavia, o que falta a Marcos em estilo e em graça é contrabalançado em novidade e vigor. Em algumas seções Marcos é mais emocional e comovente dos escritores evangélicos. O seu idioma se caracteriza pela simplicidade, mas mesmo assim ele conseguiu certa grandeza. Embora o grego koinê de Marcos possa ser classificado entre os exemplos mais deficientes do NT, e que sem dúvida ele se sentia mais à vontade com o aramaico do que com o grego (seu evangelho é o que contém o maior número de aramaísmo), contudo ele demonstra que dominava bem o grego coloquial.
Para que foi escrito: Os seguintes fatos indicam que este Evangelho é adaptado aos romanos.
O estilo resumido, a descrição viva de cenas animadas e movimentadas revelam que é destinada a um povo ativo e enérgico como os romanos. Um característica deste livro é a repetição constante das palavras “logo” ou “imediatamente” e “em seguida”, proporcionando a idéia de atividade e prontidão militar.
O dinheiro é mencionado em moeda romana.
Explica-se os costumes hebraicos. Isto demonstra, pelo menos, que foi escrito par aos gentios.
Praticamente não há referências às profecias do AT depois do capítulo 1, pois com certeza os romanos, não familiarizados com esses Escrituras, não teriam compreendido.
Conteúdo:
Marcos descreve a vinda do grande Conquistador registrando:
Seu nome e proclamação (1:1-8)
Sua vitória inicial sobre Satanás (1:9-13).
A primeira proclamação de seu reino (1:14-20)
O alistamento de seus súditos para o seu reino (2:13 – 3:35).
O desenvolvimento do seu reino (4:1-34).
Conquistando a natureza, os demônios, a enfermidade e a morte (4:35 – 5:43)
Sofrendo a oposição do povo 96:1-6),de Herodes (6:14-29) e dos escribas e fariseus (7:1-23; 8:10-21).
Ensinando aos seus seguidores como se ganha a vitória no seu reino, por meio do sofrimento e morte (8:31-38; 10:28-45).
Reivindicando o seu direto ao reino, em Jerusalém, com sua entrada triunfal (11:1-11); pela purificação do templo (11:15-19); pela derrota dos chefes que não criam em sua autoridade (11:27-12:44) e pela profecia da sua segunda vinda em glória (13:1-37).
Marcos demonstra como Cristo prepara o estabelecimento do Seu reino por meio de:
Preparando-se para a morte (14:1-72).
Entregando-se à morte (15:1-47)
Pela conquista da morte (16:1-14).
Pelo envio dos seus seguidores a proclamar Seu triunfo (16:15-20).
EPÍLOGO DE MARCOS.
O texto de Marcos 16.9-20 é apontado por alguns críticos como adição posterior. Tal trecho é encontrado em alguns manuscritos e não em outros. Contudo, verificou-se a presença desse versículos no manuscrito mais antigo entre os que foram comparados. Sua ausência em alguns manuscritos pode ter sido causada pelo próprio desgaste daqueles escritos devido ao uso excessivo e à má conservação. Nessas condições é compreensível que se perca a última página ou um pedaço final de uma obra.
Sem o texto citado, o livro de Marcos terminaria de forma brusca em 16.8, o que não seria natural. Verifica-se em 16.20 um término mais convincente. O versículo dá idéia de conclusão em que o autor termina falando sobre a pregação do evangelho em toda parte.
3. Evangelho de LUCAS
Escrevendo para um povo culto, os gregos, cujo ideal era o homem perfeito, fez com que o seu livro focalizasse a pessoa de Cristo como a expressão desse ideal. A educação era para os gregos o que a Lei era para os judeus. Percebendo sua incapacidade de salvar a humanidade por meio da educação, muitos filósofos gregos viram que sua única esperança de salvação era a vinda de um homem divino. Lucas, para satisfazer a necessidade dos gregos, apresenta Jesus como o perfeito Homem Divino, o representante, o Salvador da humanidade.
Sendo o terceiro livro que aparece no Novo Testamento, talvez só tenha sido escrito depois de dezesseis outros livros do mesmo. Esse é o único evangelho a ser dirigido a um indivíduo específico.
O relato de Lucas é uma apologia do cristianismo, que procurava condição legal para o mesmo, do que o judaísmo já desfrutava.
Também é um relato mais completo que o de Mateus e de Marcos. Ele inclui o relado sobre a ascensão de Jesus por duas vezes, uma no evangelho e outra no livro de Atos. Ele traça a genealogia de Jesus de volta a Adão, e não somente até Abraão, porque ele se mostrou fiel à sua tese: Jesus é o Homem ideal, um autêntico descendente de Adão, e não apenas um descendente de Abraão. Ele deixa claro que o Evangelho de vê ser universalmente pregado.
No Evangelho de Lucas, Jesus aparece como o Salvador dos homens, o que também aparece em todos os evangelhos. Jesus é ali retratado como uma figura altamente humanitária, protetor dos desprotegidos e das mulheres, isso transparece nas várias narrativas onde aparecem mulheres como personagens.
Tema Central: apresenta uma narrativa histórica que expões Jesus Cristo como o perfeito Homem Divino
Autor: Tanto o estilo quanto a linguagem oferecem evidências convincentes de que a mesma pessoa escreveu Lucas e Atos. E o fato de o escrito dedicar ambos os livros a Teófilo também demonstra solidamente uma autoria comum. Visto que a tradição de igreja atribui com unanimidade essas duas obras a Lucas, o médico, um companheiro próximo de Paulo (Cl. 4.14; Fm 24; 2Tm 4.11), e, como as evidências internas sustentam esse ponto de vista, não há motivos para contestar sua autoria. Lucas, nome grego que significa "aquele que traz a luz", era médico, nascido em Antioquia da Síria, e é o único escritor bíblico do qual podemos afirmar que era gentio.
Destinatário: O livro foi destinado a Teófilo. Seu nome significa "amigo de Deus". O tratamento que Lucas lhe dispensa: "excelente", "excelentíssimo" ou "digníssimo", conforme a versão que se utilize, tem levado a crer que Teófilo era uma autoridade pública, um oficial romano. Tem-se deduzido que Lucas viu naquele homem a pessoa adequada para publicar sua obra entre os gentios, o que ocorreu com pleno êxito.
Fonte: Empregou o esboço histórico de Marcos, mas adicionou muito material (chamado L pelos eruditos), que não aparece nem em Mateus e nem em Marcos. Também há uma boa quantidade de material compartilhada com Mateus, mas não com Marcos, que os eruditos chamam de fonte Q.
Data: Eruditos que admitem que Lucas usou o Evangelho de Marcos como fonte para escrever seu próprio relato datam Lc por volta do ano 70 dC. Outros, entretanto, salientam que Lucas o escreveu antes de At, que ele escreveu durante o primeiro encarceramento de Paulo pelos romanos, cerca de 63 dC. Como Lucas estava em Cesaréia de Filipe durante os dois anos em que Paulo ficou preso lá (At 27.1), ele teria uma grande oportunidade durante aquele tempo para conduzir investigações que ele menciona em 1.1-4. Se for este o caso, então o Evangelho de Lc pode ser datado por volta de 59-60 dC, mas no máximo até 75 dC.
Idioma e característica literária: Lucas demonstrou considerável aptidão como escritor na língua grega. Suas peças literárias exibem maior versatilidade do que qualquer outra obra literária do NT. Ele demonstra possuir sólida cultura ao usar um grande e bem escolhido vocabulário. Seu emprego do idioma grego não é muito diferente do grego de Políbio, Josefo. Os autores dotados de boa cultura não apreciavam palavras estrangeiras de som estranho, e Lucas exibiu essa aversão, assim palavras distintivamente aramaicas, como hosana, Getsêmani, abba, Gólgota e Eloi, Eloi, lama sabachthani. Em lugar do vocábulo rabi ele usa a palavra grega mestre.
Para que foi escrito: Este Evangelho é dirigido aos gregos em particular, por vários motivos.
Pelas qualificações do autor: Lucas foi um grego de grande instrução, como indica o seu estilo e o fato de ser ele médico.
Pelo arranjo da obra: é mais metódica. A leitura cuidadosa revela passagens escritas por um pensador a um povo filosófico.
Pelo estilo: grande eloqüência poética.
Pelas omissões: partes distintamente judaica foram omitidas.
Conteúdo:
Introdução (1:1-4).
Advento do Homem Divino (1:5-4:13).
O ministério de Jesus na Galiléia (4:14-9:50).
Seu ministério na Peréia (9:51-19:28).
Sua crucificação e ressurreição (19:29-24:53)
4. Evangelho de JOÃO
O Evangelho de João é um acervo de testemunhos que provam que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. João tinha em mente as necessidades dos cristãos de todas as nações e assim apresenta as verdades mais profundas do Evangelho, entre as quais, mencionamos os ensinos acerca da divindade de Cristo e do Espírito Santo. Foi escrito com a finalidade de promover a vida espiritual da Igreja. Este Evangelho foi publicado em um tempo em que a Igreja primitiva estava começando a formular a sua cristologia.
Em vez de palavras, há discursos, em vez de localizar o ministério de Jesus principalmente na Galiléia, (como o fazem os demais evangelhos), destaca mais o que Jesus ministrou em Jerusalém e cercanias.
O elemento miraculoso é conspícuo, destacando incidentes com um propósito nitidamente polêmico, demonstrando tanto a deidade quanto o messiado de Jesus. João em contraste com os evangelhos sinópticos ensina claramente a salvação como filiação (1:12),um tema que Paulo aproveitou e desenvolveu. O terceiro capítulo do evangelho de João é um escrito imortal, que ressalta a absoluta universalidade do evangelho e seu intuito salvatício. Talvez o trecho de João 3:16 seja o versículo melhor conhecido, mais memorizado e mais pregado da fé cristã.
Dos quatro evangelhos, João é o que tem menos importância como fonte histórica, o que não significa que não contenha crônicas válidas sobre Jesus e suas atividades. Por outro lado é o mais teologicamente expressivo (Jesus como o bom pastor, a porta, a água da vida, o pão da vida, etc). Acresça-se a isso a sua ênfase sem igual sobre o Espírito Santo. E o ensino sobre a morte de Jesus Cristo é apresentado com maior precisão teológica. Assim, ele era o Cordeiro de Deus (1:29); na qualidade de o Bom Pastor, deu a sua vida pelas suas ovelhas (10:14); foi o grão de trigo que caiu no solo e morreu, mas reviveu para produzir fruto (12:24). As cenas que envolvem vários dos apóstolos de Jesus, como Tomé, Pedro e João, nos capítulos finais não têm paralelo nos outros evangelhos é exatamente dentro desse contexto que encontramos a difícil e profunda declaração de Jesus sobre a autoridade e a missão apostólica, em João 20:23.
Tema Central: apresentar Cristo a todos os cristãos como o Verbo (Logos) encarnado de Deus.
Autor: A antiga tradição da igreja atribui o quarto evangelho a João “o discípulo a quem Jesus amava” (13.23; 19.26; 20.2; 21.7,20), que pertencia ao “círculo íntimo” dos seguidores de Jesus (Mt 17.1; Mc. 13.3). . Esta intimidade com o Senhor, juntamente com meio século de experiências, como pastor e evangelista, qualificaram-no muito bem para escrever este Evangelho que contém as doutrinas mais espirituais e sublimes concernentes à pessoa de Cristo. De acordo com escritores cristãos do séc. I, João mudou-se para Éfeso, provavelmente durante a guerra Judaica de 66-70dC, onde continuou seu ministério.
João era judeu, pescador (Mt.4.21), irmão de Tiago, filho de Zebedeu e Salomé (Compare Mt.27.56 e Mc. 15.40). Foi chamado de discípulo amado – Jo.13.23; 19.26; 21.20. Enquanto Lucas precisou fazer uma pesquisa para escrever seu evangelho, João foi testemunha ocular da maior parte dos fatos que escreveu (1.14; 19.35; 21.24) O registro da hora de alguns acontecimentos destaca a presença do relator ou, em alguns casos, uma relação bem próxima com os protagonistas (1.39; 4.6,52; 19.14). Até no momento da crucificação João estava presente. Isso mostra sua disposição de correr risco de vida para ficar ao lado do Mestre. Apesar de ter fugido no momento da prisão de Cristo, João voltou pouco tempo depois.
Fonte: Não usou Marcos como fonte informativa, e nem segue o seu esboço histórico, embora haja alguma material paralelo.
Data: O evangelho de João foi escrito, provavelmente no ano 95. As datações têm variado entre 90 e 95. Nesse tempo, o autor já era idoso. Seus escritos trazem a marca da maturidade e demonstram profundo entendimento dos assuntos tratados. Foi escrito somente antes de I, II e II João, Judas e o Apocalipse.
Idioma e característica literária: o estilo literário desse evangelho se caracteriza pela extrema simplicidade. Certamente qualquer menino de escola daqueles tempos poderia ler o grego ali apresentado, mas essa simplicidade faz parte de sua grandiosidade, no que não encontra rival em qualquer livro do N.T. João emprega um vocabulário ainda menor que Marcos. Fala de modo simples, porém eloqüente. Sua construção sintática é tão simples que quase chega a ser infantil. O grego de João é relativamente puro, tanto nas palavras como na gramática, mas encontram-se ali algumas expressões que são tipicamente semitas, e não gregas. João escreveu com sentenças curtas mas cheias de significado. Apesar de suas falhas literárias o evangelho de João destaca-se numa modalidade de grandeza sem-par nos escritos do Novo Testamento.
Para que foi escrito: Para a Igreja em geral. Os primeiros Evangelhos (sinóticos), em termos gerais, contêm uma mensagem evangélicas para os homens não espirituais; eram Evangelhos missionários. Depois de terem sido estabelecidas igrejas por meio das obras dos apóstolos, veio a petição dos cristãos que se lhes dessa uma declaração das verdades mais profundas do evangelho.
O Evangelho de João foi, primeiramente, escrito para os cristãos pelos seguintes fatos:
As doutrinas que contém, concernentes a alguns dos temas mais profundos do evangelho – a pré-existência de Cristo, sua encarnação, sua relação com o Pai, a pessoa e a ob ra do Espírito Santo – indicam que foi escrito para um povo espiritual.
Os escrituro presume que aqueles a quem escreve, estão familiarizados com os outros três Evangelhos, porque omite a maioria dos acontecimentos bem conhecidos da vida no nosso Senhor, exceto os que relacionam com a paixão e ressurreição, sem os quais, nenhum Evangelho poderia ser completo.
Características
Estilo simples – pensamento profundo.
Mais íntimo – pessoal.
Fatos exclusivos – 14 a 17 – discurso no cenáculo.
Sem parábolas, sem profecias escatológicas.
Discursos diferentes dos sinóticos. Vinculados aos milagres, explicando-lhes o sentido espiritual.
Os milagres: São relatados 8, inclusive o 1o. 6 são exclusivos.
Conteúdo:
A manifestação de Cristo na Eternidade (1:1-5).
A manifestação de Cristo no tempo (1:6:18)
A manifestação de Cristo ao mundo (1:19-6:71).
Rejeição das reivindicações de Cristo (7:1-12:50).
A manifestação de Cristo a seus discípulos (caps. 13-17).
A humilhação e glorificação de Cristo (caps. 18-21).
VII. LIVRO HISTÓRICO
1. ATOS DOS APÓSTOLOS
Este livro histórico forma uma unidade com o evangelho de Lucas, tendo sito escrito imediatamente após o mesmo. Seu tom é polêmico, procurando ganhar para o cristianismo posição legal dentro do império romano. Até então, ser cristão era tido como um ato de traição, o eu provocou as perseguições gerais contra o cristianismo. No livro, os romanos sempre são visto sob uma luz favorável, como protetores dos cristãos, no começo da Igreja; e os judeus incrédulos são vistos sob uma luz desfavorável. A execução de Paulo, em Roma não foi mencionada, embora o autor sagrado certamente tivesse conhecimento do fato. O autor evitou antagonismos e polêmicas desnecessárias, pelo que não tentou mostrar como essa execução tivera lugar. Além disso, o livro expõe um relato histórico veraz de cerca de trinta anos, retratando os primeiros passos da Igreja cristã. De fato, esse é o único relato histórico formal que possuímos acerca desse estágio inicial do cristianismo. A narrativa do livro de Atos relata como a Igreja cristã ganhou para si mesma um lugar debaixo do sol, dentro do cada vez mais caótico império romano.
A primeira porção do livro repete a história da ascensão de Cristo, e fornece uma outra versão da Grande Comissão. Ao longo do livro é descrita a propagação do cristianismo em consonância com aquela comissão: primeiro em Jerusalém, então na Judéia e na Samaria, e, então, a todas as partes do mundo (Atos 1:8). O relato é seletivo e jamais pretendeu ser completo.
A posição de Lucas como contemporâneo dos personagens principais do livro garantiu uma exatidão essencial. Há muitas coisas, dentro da exposição de Lucas, que não têm sido confirmadas pela história secular ou pela arqueologia; porém existem paralelos onde a exatidão histórica de Lucas tem sido confirmada, o que nos permite confiar que todo o material do livro é historicamente preciso.
Considerações Gerais
- Atos dos Apóstolos - nome dado no fim do 2o século.
- Livro eixo do NT.
- Provê fundo histórico para todo o NT. (Reforço para os evangelhos).
- Elo entre os evangelhos e as epístolas.
- Documento histórico do início do cristianismo.
- Cobre período de 29 a 61 d.C.
Tema Central: a história do estabelecimento e desenvolvimento da igreja cristã, e da proclamação do evangelho ao mundo. É o relado do ministério de Cristo continuado por seus servos.
Palavras-Chaves: Ascensão, Descida e Expansão.
Autor: O livro de Atos não menciona especificamente seu autor, mas muitos apontam para Lucas, “o médico amado” (Cl 4.14). Considerando a dedicatória do livro a Teófilo (1:1, compare com Lc 1:3), a referência a um tratado anterior, seu estilo, o fato de o autor ter sido companheiro de Paulo, o que é patente por estarem certas partes do livro escritas na primeira pessoa, e ter acompanhado Paulo a Roma, chegamos à conclusão de que o livro de Atos foi escrito por Lucas.
Data: Lucas conta a história da igreja antiga dentro da estrutura de detalhes geográficos, políticos e históricos que podiam encaixar-se apenas no séc. I, portanto , por causa desses fatos e porque o livro não registra a morte de Paulo, apesar de deixá-lo prisioneiro em Roma, pode-se datar a redação de At como próxima à prisão do apóstolo naquela cidade por volta de 62 dC. As datações têm variado entre os anos 61 e 96. O ano 61 corresponde ao período final da prisão de Paulo em Roma descrita no último capítulo de Atos. O livro parece ter sido escrito antes do ano 70, já que não menciona a destruição de Jerusalém ocorrida naquele ano. Isso, porém, não constitui prova concreta para determinação de data.
Destinatário: Teófilo. (ver mesmo item no Evangelho de Lucas)
Conteúdo:
O conteúdo de Atos começa onde o evangelho de Lucas termina: com o período pós-ressurreição e a ascensão do Senhor Jesus. Este livro narra a origem da Igreja, com a descida do Espírito Santo, as primeiras pregações e a dispersão dos discípulos, a expansão do evangelho pelos cristãos dispersos, o início da obra missionária de Paulo, suas viagens, a implantação de igrejas na Ásia Menor e na Europa, a prisão de Paulo, sempre mostrando o roteiro da expansão do Evangelho no mundo. Além de história, também registra muitos ensinamentos teológicos.
O livro de Atos apresenta um novo tempo para o povo de Deus. O Velho Testamento se refere ao tempo antigo. Os evangelhos mostram um curto período de transição. O primeiro capítulo já nos mostra o confronto final desses dois tempos, dessas duas realidades: o tempo dos evangelhos e o tempo de Atos. No tempo dos evangelhos os discípulos iam a Cristo para receber suas bênçãos e ensinos. Agora, no tempo de Atos, período pós-ressurreição, é hora dos discípulos darem algo ao mundo. Eles é que devem fazer a obra de Deus. Eles são agora o corpo de Cristo na terra. Nos evangelhos, o Filho glorifica o Pai. Em Atos, o Espírito Santo glorifica o Filho.
Destaques do conteúdo
Ação - Pregação do evangelho. Atividade missionária da igreja. Uma igreja voltada para fora e não para dentro de si mesma.
Agentes – Os apóstolos e demais cristãos. Destaque ao valor dos apóstolos. O livro de Atos atesta o caráter apostólico de quase todos os autores do NT.
Poder - do Espírito Santo.
Propósito (da ação) - Exaltação de Jesus e salvação das almas.
Resultado - Aceitação e rejeição - (At.2.) - Perseguição e julgamento. Os perseguidores são judeus e romanos - como nos evangelhos. Observa-se a crescente aceitação do evangelho pelos gentios e a crescente perseguição por parte dos judeus.
Ressurreição – Principal tema da mensagem apostólica. Eram testemunhas da ressurreição (At.1.22; 2.24,31; 3.15,26; 4.2,10,33), a qual se constitui até hoje como sinal da supremacia do cristianismo e da divindade de Cristo (I Cor.15.17). O diabo faz muitos sinais e prodígios mas não tem o poder de dar vida, seja pelo nascimento, seja pela ressurreição.
24 sermões (ou resumos) - 9 de Pedro, 9 de Paulo, e outros.
5 visitas de Paulo a Jerusalém.
Mais de 100 nomes pessoais citados (destaca o valor do indivíduo).
Características
Eclesiástico – Início da igreja, organização básica e acompanhamento aos fiéis nas igrejas (não um manual mas exemplo histórico). A igreja para os judeus - começa com Pedro - Cap.2 – A igreja para os gentios começa com Pedro - Cap. 10.
Apologético (Ex. cap.15)- Basicamente, ao escrever o livro de Atos, Lucas tem o mesmo propósito que possuía ao escrever o evangelho: informar a Teófilo acerca da verdade sobre Jesus e a igreja. Analisando mais profundamente, alguns comentaristas sugerem que Lucas também pretendia apresentar um tipo de defesa do evangelho perante as autoridades romanas, mostrando que o cristianismo não constituía ameaça às leis e ao Império.
Teológico (Ex. cap.17- os deuses e o Deus desconhecido) - Atividade do Espírito Santo (Atos do Espírito Santo) - 1.4,8 Cap.2 Cap.10. O livro de Atos faz referências à atuação do Espírito Santo no VT: 1.16; 28.25; 20.28; 5.32. Umas das maiores verdades teológicas reveladas no livro de Atos é que o evangelho de Cristo não pode ser limitado pelo racionalismo judaico, a uma única nação, mas se dirige a todo o mundo, e Jesus Cristo é o Senhor de todas as nações.
Caráter histórico. O livro cita reis, magistrados, governadores, contextualizando historicamente o início da igreja cristã. Possui também muitas citações geográficas.
Autoridades mencionadas em atos:
- Antipas - Anos 4 a.C. - 39 - Atos 4.27 13.1
- Cláudio Nero - anos 41 a 54 - Atos 11.28; 28.2 - Expulsa judeus de Roma.
- Nero - anos 54 a 68 - Atos 25.21-25; 27.1; 28.19 - Paulo apela para Nero.
- Agripa I - anos 37 a 44 - At.12 - Decapita Tiago. Prende Paulo.
- Félix Antônio - anos 52 a 58 - Atos 23 e 24 - Procurador na Judéia e Samaria. Prendeu Paulo.
- Pórcio Festo - anos 58 a 62 - Atos 24.27; At.25; At.26 - Mantém Paulo preso e o envia a Roma.
- Agripa II - anos 52 a 70 - Atos 25 e 26 - Galiléia, Peréia e Ituréia - Ouviu defesa de Paulo.
Esboço:
A Igreja em Jerusalém (1:1-8:4)
O período de transição: a igreja da Palestina e da Síria (8:5-12:23)
A igreja dos gentios (12:24-21:17).
Cenas finais da vida de Paulo (21:18-28:31).
Ênfase sobre o ministério de Paulo.
Cap. 9 - Sua conversão
13-14 - Paulo com Barnabé em Antioquia e depois em viagem para ilha de Chipre e Galácia.
15 - Paulo no concílio em Jerusalém.
16-18 - Paulo em viagem com Silas e Timóteo - Filipos, Tessalônica, Macedônia, Grécia e Corinto.
19 - Paulo na Ásia (Éfeso).
20-26 - Paulo na Palestina (2 anos)
27-28 - Paulo preso em Roma (provavelmente nos anos 60 e 61).
Obs.: Paulo teria sido solto em 64, ido a Creta (Tt.1.5) e talvez à Espanha (Rm.15.28). Foi preso em Nicópolis e morto em Roma por ordem de Nero (ano 67?), o mesmo imperador a quem Paulo havia apelado tentando se livrar da condenação.
VIII. AS EPÍSTOLAS
Vinte e um dos vinte e sete livros que formam o Novo Testamento pertencem ao gênero epistolar. São cartas escritas com a finalidade de dirigir, aconselhar e instruir nos seus primeiros desenvolvimentos as igrejas recém-formadas ou para ajudar os responsáveis por pastoreá-las e administrá-las. As epístolas formam uma literatura de ocasião, ou seja, escrita para equacionar certas necessidades específicas que foram sugerindo entre os primitivos cristãos. Naturalmente, também é forte ali o elemento didático, envolvendo conceitos teológicos, éticos e práticos, ainda que isso não forme uma teologia sistemática.
A rapidez da expansão da fé cristã, descrita no livro de Atos dos Apóstolos, veio a revelar que o trabalho missionário não se reduzia a promover pequenos grupos de crentes em diversos lugares, mas exigia, também, manter com as novas comunidades um relacionamento vital que contribuísse para edificá-las espiritualmente e para orientar a sua conduta de acordo com os preceitos da sua fé em Cristo. Como conseqüência de tal necessidade, o anúncio do evangelho, basicamente oral no princípio, teve de ser suplementado pela comunicação por carta. Isto tornou possível aos pregadores continuar o seu labor de extensão missionária sem por isso abandonar a atenção às igrejas já estabelecidas.
As 21 epístolas do N.T. são classificadas da seguinte forma;
1. Epístolas Paulinas (escritas por Paulo):
a) Primeiras epístolas: é uma epígrafe que faz referência à época em que foram compostas. Não somente se considera que são os escritos mais antigos do apóstolo Paulo, mas também de todo o Novo Testamento. São elas: 1ª e 2ª Tessalonicenses.
b) Grandes epístolas: entre elas está incluída a de Gálatas apesar de pequena extensão do texto. A razão está no seu estreito parentesco com Romanos, o que requer considerá-las juntamente. São elas: Romanos, 1ª e 2ª Coríntios e Gálatas.
c) Epístolas da prisão: quando Paulo redigia estas cartas, se encontrava preso em algum lugar que não se conseguiu determinar. Muitos pensam que se tratava de Roma; outros sugerem Éfeso; entretanto, na realidade, nem sequer se pode afirmar com certeza que as quatro epístolas tenham sido escritas desde uma mesma prisão. São elas: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon.
d) Epístolas pastorais: correspondem a um tempo em que o Cristianismo, tendo já progredido na fixação da doutrina e na elaboração da estrutura eclesiástica, precisava ordenar administrativa e pastoralmente a sua vida e o seu trabalho. São elas: 1ª e 2ª Timóteo e Tito.
2. Epístola aos Hebreus.
3. Epístolas universais (ou gerais): começou a se aplicar este título no século II, quando ainda estava se formando o cânon dos livros do N.T. Significa que as sete cartas do grupo (exceto 2Jo e 3Jo) não são dirigidas a um destinatário determinando, mas aos crentes em geral. São elas: Tiago, 1ª e 2ª Pedro, 1ª, 2ª e 3ª João e Judas.
Idioma e característica literária: As epístolas, como os demais livros do N.T., estão escritas em grego, o que não significa que o estilo literário epistolar estivesse especialmente difundido no mundo grego da época. Estava entre os romanos, que fizeram uso normal do correio como instrumento idôneo para vincular a metrópole com as legações políticas e militares de serviços nas províncias do império.
As estrutura literária das epístolas apostólicas não é uniforme, umas parecem mais como sermões ou tratados doutrinais (Hebreus e Tiago). As cartas que, com maior propriedade podem assim chamar-se, respondem em termos globais ao modelo clássico romano, que consistia em:
a) Uma saudação inicial, precedida de apresentação do autor e a indicação do destinatário;
b) O texto ou o corpo da carta propriamente dito;
c) A despedida, que incluía, saudações de pessoas conhecidas do autor e do receptor e saudações para essas pessoas.
Na época em que surgiram as epístolas neotestamentárias era prática habitual que o autor ditasse o texto a um assistente ou amanuense (veja Rm.16:22). Em certas ocasiões, o autor não se valia de um escrevente, mas de um autêntico secretário, que, uma vez informado dos assuntos a tratar, se encarregava de compor e redigir a carta do princípio ao fim. Em qualquer caso, também era comum que, ao término do escrito, o próprio autor acrescentasse, do próprio punho, o seu nome e umas poucas palavras de saudação.
1. CARTAS PAULINAS
Idioma e característica literária: Paulo era Judeu, mas nasceu e foi criado em um centro intelectual gentílico, a cidade de Tarso. Por conseguinte, era um judeu helenista. Evidentemente falava tanto o aramaico como o grego. Seu treinamento aos pés de Gamaliel certamente lhe garantiu um perfeito conhecimento do idioma e da cultura hebraicos e do A.T. Não há evidências de que Paulo era versado nos escritores clássicos, mas transparece, em suas alusões, que ele deve ter estudado consideravelmente a filosofia. Entretanto, de maneira geral, o vocabulário de Paulo não se deriva de fontes literárias gregas, mas do grego comumente falado. É muito provável que o fato de que ele ditava as suas cartas tivesse exercido influência no tipo de grego coloquial que se encontra nelas. A linguagem de Paulo se assemelha ao próprio homem, isto é, variegado, dinâmico mas, algumas vezes interrompido.
1.1. ROMANOS
A epístola de Paulo aos Romanos é uma obra prima da teologia cristã, destacando-se entre os livros do Novo Testamento. É um tratado teológico sobre a salvação. Esta epístola tem enriquecido o testemunho de gerações de crentes ao longo da história. A profundidade de pensamentos do autor põe em destaque a sua confiança na graça de Deus e manifesta a sua vocação e fervor que o anima.
Esta carta nos apresenta um resumo da bíblia e da história humana sob o ponto de vista teológico. O autor menciona Adão (5.14), Abraão (4.13), Moisés (5.14), Israel (11.25), o Velho Testamento (1.2), Jesus (10.9), a salvação (10.9), a igreja (16.1), o juízo (2.16) e a glorificação dos salvos (8.30). Esses versículos são apenas alguns exemplos dentre tantos que mencionam tais temas e pessoas.
Quando Paulo redigiu esta carta, a mais extensa de todas as suas, ainda não tivera oportunidade de visitar os crentes residentes em Roma. Contudo, a extensa lista de saudações do cap.16 parece prova que já naquela época contava com não poucos relacionamentos e afetos entre aquele grupo.
Tema: O evangelho de Cristo
Escritor: Tércio – Rom.16.22.
Ocasião e Data: Entre 53 e 58 (3ª viagem missionária). É mais provável que Paulo tenha escrito Romanos enquanto estava em Corinto, em 56 dC, fazendo uma coleta para ajudar os cristãos necessitados de Jerusalém (15.25-28,31; 2Co 8-9). Ele planejou ir a Jerusalém com essa coleta, depois visitar a igreja em Roma (1.10-11; 15.22-24). Depois de ser revigorado e apoiado pelos cristãos de Roma, planejou viajar para a Espanha para pregar o evangelho (15.24). Ele escreveu para dizer aos romanos sobre sua visita iminente. A carta, provavelmente tenha sido entregue por Febe (16.1-2)
Local: Corinto.
Portadora: Na sua última visita em Corinto, Paulo encontrou uma irmã cristã, chamada Febe que ia a Roma (Rm.16.1-2). Aproveitou o ensejo para enviar, por meio dela, uma carta à igreja naquele lugar.
Classificação: soterologia (doutrina da salvação).
Contexto Histórico: Quando Paulo escreveu Rm, por volta de 56 dC, ele ainda não tinha estado em Roma, mas vinha pregando o evangelho desde sua conversão em 35 dC. Durante os dez anos anteriores, ele tinha fundado igreja através de todo o mundo mediterrâneo. Agora, estava chegando ao fim de sua terceira viagem missionária. Esta epístola é, portanto , uma declaração madura de sua compreensão do evangelho. Em Roma, a igreja havia sido fundada por outros cristãos; e Paulo, através de suas viagens, conheceu muito a respeito dos crentes de lá (16.3-15).
Propósito - Paulo queria expor aos romanos seu entendimento a respeito do evangelho e prepará-los para sua futura visita, quando estivesse a caminho da Espanha. (Rm.15.22-24).
Conteúdo: Deve-se observar a organização de Paulo. A carta apresenta um desenvolvimento em uma seqüência bem ordenada. Temos: Introdução, histórico, ilustração (Abraão), teoria e exemplos de aplicação prática.
Quanto a estrutura literária, Romanos se divide em duas parte principais: a primeira é propriamente doutrinária (1:16-11:36) e a segunda, de exortação (12:1-15:13). Contém uma introdução rica em conceitos teológicos (1:1-15) e uma conclusão que completa o texto com um grande número de notas de caráter pessoal.
Os temas tratados em Romanos são teologicamente densos, mas Paulo os expõe de um modo ameno e torna fácil a sua leitura introduzindo vários recursos estilísticos: diálogos, perguntas e respostas, citações do A.T., exemplos e alegorias. A seção doutrinária é a mais extensa. Paulo reflete sobre o ser humano, dominado pelo pecado e incapaz de salvar-se pelo seu próprio esforço.Afirma que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (3:23); que somente Deus pode salvar os pecadores o que o faz por pura graça, “mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (3:24).
O tema fé e a sua importância para a reconciliação do pecador com Deus se estende de 3:21 a 4:25. Em uma linguagem jurídica magistralmente utilizada, o apóstolo introduz termos como “lei”, “mandamento”, “transgressão”, “justificação”, “graça” e “adoção”. Mas os apresenta sob a nova luz da liberdade e paz oferecidas em Cristo ao pecador que se arrepende.
A seguir apresentaremos o resumo dos capítulos de Romanos:
1. A culpa dos pagãos.
2. A culpa dos judeus.
3. Condenação universal.
4. Justificação pela fé.
5. Resultados da justificação.
6. Libertação do pecado.
7. Libertação da Lei.
8. Libertação da Condenação.
9. A eleição de Israel.
10. A rejeição de Israel.
11. A restauração de Israel.
12. Consagração.
13. Deveres para com o Estado.
14. Deveres para com os irmãos fracos.
15. A obra de Paulo e a visita futura.
16. Saudações.
MACRO DIVISÃO
Doutrina (para o conhecimento e a fé)
Capítulos 1 a 8 – Salvação.
Capítulos 9 a 11 – Israel – Eleição, rejeição e salvação.
Instruções práticas (para a experiência e boas obras).
Capítulos 12 a 15.13 – Vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações pessoais.
Assuntos pessoais e saudações
Capítulo 15.13 a 16.27.
Esboço teológico:
Condenação (1:1-3:20)
Justificação (3:21-5:21)
Santificação (caps. 6-8)
Dispensação (caps. 9:11)
Exortação (caps. 12-16)
Esboço Geral:
I – Introdução – 1.1-17
Apresentação pessoal, saudação, tema (16-17).
II – O problema humano – 1.18 a 3.20.
O pecado, sua universalidade e suas conseqüências.
III – A solução divina – A salvação: 3.21 a 5.21.
A origem do pecado e a origem do perdão.
O método da salvação: justificação pela fé no sacrifício de Cristo.
IV – A santificação – 6 a 8.
Ação do Espírito Santo na vida do salvo.
V - A soberania divina – 9 a 11.
Judeus e gentios no plano de Deus.
VI – O cristianismo prático – 12 a 15.13.
A vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações pessoais.
O serviço cristão.
VII – Conclusão – 15.14 a 16.27.
Assuntos pessoais, admoestações e saudações finais.
1.2. Epístolas aos CORÍNTIOS
Em nossas bíblias, temos duas epístolas de Paulo aos Coríntios. Entretanto, sabemos que elas seriam pelo menos três. Em I Cor.5.9, Paulo se refere a uma carta anterior, a qual não chegou às nossas mãos. Em II Cor. 7.8 existe referência a outra carta que pode ser I Coríntios. Alguns comentaristas sugerem que a carta mencionada em II Cor.7.8 seja uma outra epístola. Nesse caso, teríamos quatro epístolas. Trabalhando ainda com hipóteses, sugere-se que essa epístola corresponda aos capítulos 10 a 13 de II Coríntios, os quais poderiam ter sido ali agrupados posteriormente.
Temos então o seguinte esquema:
1a carta - desaparecida - existência garantida por I Cor.5.9
2a carta - é a que chamamos I Coríntios.
3a carta - desaparecida – existência hipotética.
4a carta – é a que chamamos II Coríntios.
Contexto Histórico, Geográfico e Político de Corinto:
A península de Peloponeso (sul da Grécia) é um território montanhoso unido ao resto do país por um istmo curto e estreito. Na época do N.T. estava sob a administração romana, como parte da província da Acaia, cuja capital, Corinto, estava situada a poucos quilômetros a sudoeste do istmo.
Ao longo da sua existência, Corinto conheceu o esplendor e a miséria. No ano 146 a.C., esteve a pondo de desaparecer, arrasada pelos romanos; mas um século depois, no ano 44 c.C., Roma mesmo cuidou para que fosse reconstruída e constituída como a residência do governador da província. Esse último dado ficou registrado em At.18:12-18, onde se diz que o procônsul Lúcio Júnio Gálio governava a Acaia quando Paulo chegou ali na sua 2ª viagem missionária.
Corinto tinha uma dupla saída para o mar: para o Adriático e para o Egeu. Essa privilegiada situação geográfica trazia muitos benefícios à cidade. A população de Corinto, estimada naquela época em cerca de 600.000 pessoas, incluía mercadores, marinheiros, soldados romanos aposentados e uma elevadíssima proporção de escravos (por volta de 400.000). A cidade era também um centro de incessante afluência de peregrinos, que vinha de lugares distantes para adorar ás diversas divindades que tinham um santuário nela.
A cidade, famosa pela sua riqueza e cultura, era conhecida também pela corrupção moral do seus habitantes e pela libertinagem que dominava os costumes da sociedade. A má reputação de Corinto, fomentada por causas tão conhecidas como a prostituição sagrada no templo de Afrodite, era notória em toda a bacia do Mediterrâneo.
A igreja de Corinto
Naquele ambiente, a existência de uma pequena comunidade cristã, composta na sua maior parte por pessoas simples, de origem gentia (1Co.1:26; 12:2) e de recente conversão, se via submetida a fortes tensões espirituais e morais.
O anúncio do evangelho havia sido bem acolhido desde o princípio, quando Paulo, provavelmente no início da década de 50, chegou a Corinto vindo de Atenas. Durante “um ano e seis meses” (At.18:11), permaneceu na cidade, dedicado à proclamação da fé em Jesus Cristo. As primeiras atuações do apóstolo, segundo o seu costume, visavam travar relacionamento com os judeus residentes (At.18:2,4,6,8); mas a oposição de muitos deles logo o levou a dedicar os maiores esforços à população gentia (At.18:6). Parece que o trabalho de Paulo, durante o tempo em que permaneceu na capital de Acaia, visava acima de tudo lançar os fundamentos para que outros depois dele, como Apolo (1Co.1:12), pudessem continuar anunciando o evangelho na região do Peloponeso (1Co 3:6-15).
1.2.1. 1ª Epístola aos CORÍNTIOS
Tema: o comportamento do cristão. A conduta cristã na igreja, no lar e no mundo.
Autor: Paulo (1.1) . A autenticidade de 1Co nunca foi seriamente desafiada. Em estilo e filosofia, a epístola pertence a Paulo.
Escritor: Sóstenes (1.1)
Data: 56 d.C. Paulo estabeleceu a Igreja em Corinto por volta de 50-51 dC, quando passou dezoito meses lá em sua segunda viagem missionária (At 17.1-17). Ele continuou a levar a correspondência adiante e a cuidar da igreja depois de sua partida (5.9; 2Co 12.14). Durante esse ministério de três anos em Éfeso, em sua terceira viagem missionária (At 19), ele recebeu relatórios perturbadores sobre a complacência moral existente entre os crentes de Corinto. Para remediar a situação, ele enviou uma carta à igreja ( 5.9-11), que depois se perdeu. Pouco depois, uma delegação enviada por Cloe, membro da igreja em Corinto fez um relato a Paulo sobre a existência de facções divisórias na igreja. Antes que pudesse escrever uma carta corretiva, chegou outra delegação de Corinto com uma carta fazendo-lhe certas perguntas(7.1; 16.17). Paulo enviou imediatamente Timóteo a Corinto (4.17). Então, ele escreveu a carta que conhecemos como 1 Co, esperando que a mesma chegasse a Corinto antes de Timóteo (16.10). Visto que Paulo, aparentemente, escreveu a carta próximo ao fim do seu ministério em Éfeso (16.8) ela pode ser datada cerca de 56 dC.
Local: Éfeso (16.8)
Texto chave: 5.7
Classificação: eclesiologia (Estudos referentes à igreja).
Propósito: Os problemas dos coríntios eram muitos, em destaque estavam a divisão e a imoralidade. Nessa epístola, Paulo não expõe os fundamentos do evangelho, como fez na carta aos Romanos. Afinal, ele já estivera doutrinando os coríntios pessoalmente durante um ano e meio. Paulo escreveu àquela igreja depois de receber uma carta com perguntas dos coríntios (I Cor. 7.1; 8.1-13) e a visita de pessoas “da casa de Cloe”,que informaram sobre a difícil situação que estavam atravessando os crentes de Corinto, impelidos pela fanática adesão pessoal de uns a Paulo e de outros a Pedro ou a Apolo (1:12;3:4). Além disso, os antecedentes pagãos da maioria daqueles irmãos continuavam pesando na conduta de alguns, e a corrupção geral, característica da cidade, era influente também na congregação, de modo que, inclusive no seu seio, se davam casos de imoralidade que exigiam ser imediatamente corrigidos.
Esta epístola foi escrita com o propósito corrigir as seguintes desordens na Igreja de Corinto:
1. Divisões
2. Imoralidade.
3. Disputas entre os crentes.
4. Desordens durante a Ceia do Senhor.
5. Desordens durante o culto.
Para responder as seguintes perguntas dos crentes de Corinto:
1. Concernente ao matrimônio.
2. Concernente ao comer carne oferecida a ídolos.
3. Concernentes aos dons do Espírito Santo.
Conteúdo: Paulo começa esta carta abordando o problema das divisões internas, ameaça que caía sobre a comunidade cristão como um sinal da incompreensão e esquecimentos de determinadas afirmações básicas da fé. Em seguida trata de orientar os seus leitores sobre outros males que já estavam presentes na igreja, mas cujo progresso devia ser impedido sem perda de tempo: uma situação incestuosa (5:1-13), questões judiciais (6:1-11), comportamentos sexuais condenáveis (6:12-20) e atitudes indignas entre os participantes do culto, especialmente na Ceia do Senhor (11:17-22). Além dessas instruções, a carta contém as respostas do apóstolo ás perguntas dos coríntios relacionadas com o matrimônio cristão e o celibato (7:1-40), com o consumo de alimentos antes consagrados a ídolos (8:1-13) ou com a diversidade e o exercício dos dons outorgados pelo Espírito Santo (12:1-14-40). Outras questões doutrinárias e de testemunho cristão são levantadas como: admoestações contra a idolatria (10:1-11:1), instituição da Ceia do Senhor (11:23-26). Notáveis pela sua beleza e a sua profundidade de pensamento são o poema de exaltação do amor ao próximo (12:31b-13:13) e a extensa declaração sobre a ressurreição dos mortos (15:1-58).
Correção de desordens morais e sociais (caps. 1-8).
Autoridade apostólica (cap.9).
Ordem na Igreja (caps.10-14).
A ressurreição (cap.15).
Conclusão.
Macro divisão da carta
- Purificação da igreja (1.1 a 11.34);
- Orientação doutrinária (12.1 a 16.24).
Esboço
Saudação – 1.1-9
Necessidade de purificação da igreja – 1.10-31.
Divisões.
Culto ao homem.
Glória pela sabedoria humana.
III. Exemplo de Paulo – 2.1-16.
§ Sabedoria humana x sabedoria divina.
IV. Divisão: imaturidade e carnalidade – 3.1-4.
V. Os ministros na igreja – 3.5 a 4.21.
Quem são? 3.5
Como agricultores – 3.6-8.
Colaboradores – 3.10.
Edificadores – 3.10.
Despenseiros – 4.1.
Ministros (servos) – 4.1.
Sofredores! – 4.9-13 (Paulo se refere aos ministros como: últimos, condenados, espetáculo, loucos, fracos, desprezíveis. Esta seria a visão do mundo a respeito deles).
Exemplo para a igreja – 4.16.
VI. O dever de purificar a igreja – 5.1 a 6.20.
Da imoralidade – 5.1-13; 6.9-20.
Dos litígios entre irmãos – 6.1-8.
VII. O casamento e a vida cristã – 7.1-40.
VIII. A liberdade e o amor (liberdade com responsabilidade) – 8.1-13.
IX. O exemplo de renúncia de Paulo – 9.1-27.
X. Exemplos da história de Israel. Riscos para a igreja. 10.1-15.
XI. A mesa do Senhor e a mesa dos demônios. 10.16-21.
A idolatria e as relações sociais.
XII. A liberdade e o amor – 10.23-33.
Os alimentos sacrificados aos ídolos.
XIII. Observação dos costumes sociais – 11.1-16.
O risco dos escândalos (obs.: 10.32).
XIV. A ceia do Senhor – 11.17-34.
XV. Os dons espirituais e o corpo de Cristo – 12.1-31.
XVI. A supremacia do amor – 13.1-13.
XVII. O dom de línguas, as profecias e a ordem no culto – 14.1-40.
XVIII. A doutrina da ressurreição – 15.1-58.
XIX. Instruções finais. As ofertas para Jerusalém. Saudações. – 16.1-24.
1.2.2. 2ª Epístola aos CORÍNTIOS
Histórico entre as Epístolas aos Coríntios.
Ao escrever a primeira epístola, Paulo se encontrava em Éfeso. Ali ocorreu grande tumulto porque os comerciantes de imagens estavam perdendo seus lucros após as pregações de Paulo. Diante da perseguição, o apóstolo vai para Trôade. Por esse tempo, ele se sentia angustiado pela expectativa em relação à igreja de Corinto. Eram "combates por fora e temores por dentro". Paulo aguardava a chegada de Tito. De Trôade, Paulo vai à Macedônia. Pouco depois, Tito chega com notícias de Corinto. (At.19.30 a 20.1 II Cor.2.12-13; 7.5-10,13).
De acordo com as informações de Tito, a epístola enviada recentemente, havia provocado tristeza e arrependimento em alguns e rebeldia em outros. O pecador de I Cor. 5 estava arrependido e acerca dele Paulo dá instruções em II Cor.2 para que a igreja o receba e o perdoe.
Havia falsos apóstolos agindo entre os coríntios (II Cor.11.3,13; 12.11), os quais procuravam desmoralizar a pessoa e a mensagem de Paulo (I Cor.1.17; 10.9-10; 11.1,6,16).
A Hipótese da Carta Desaparecida
Normalmente, se considera que as reações relatadas por Tito se refiram à epístola que conhecemos como I Coríntios. Entretanto, existe a hipótese de que, após o envio da primeira epístola, Paulo tenha visitado Corinto. Nessa oportunidade, ele teria sido gravemente ofendido por alguém (II Cor.2.5-11; 7.12). Logo depois, teria enviado uma epístola muito emocionada, a qual não teria chegado ao nosso conhecimento ou então seria correspondente aos capítulos 10 a 13 de II Coríntios. De acordo com essa hipótese, as reações mencionadas em II Cor.7.8-12 seriam referentes a essa suposta epístola e o homem de II Cor.2.5 seria aquele que ofendeu pessoalmente o apóstolo. Contudo, essa suposição não foi comprovada.
Informações Gerais
De todas as epístolas de Paulo, 2ª aos Coríntios é a mais pessoal. É uma revelação de seu coração, de seus sentimentos mais íntimos e de seus motivos mais profundos. A presença de mestres falsos em Corinto, que punham em dúvida sua autoridade, impugnando os seus motivos e menosprezando a sua autoridade, tornou necessária uma defesa do seu ministério. Ao fazer essa defesa, foi obrigado a relatar experiências a respeito das quais ele preferia ficar calado. Através da epístola, ele tem cuidado de informar aos seus leitores este fato.
Tema: Defesa do apostolado de Paulo – seu ministério, seus motivos, sacrifícios, responsabilidades e eficiência.
Autor: Paulo (e Timóteo)
Contexto Histórico e Data: Cerca de 55 - 57 dC .
2Co reflete, de várias maneiras, o tratamento de Paulo com a Igreja de Corinto durante o período da fundação, por volta de 50 dC, até a redação desta epístola, em 55 ou 56 dC. Os vários episódios nas interações entre Paulo e os coríntios podem ser resumidos conforme a seguir:
- A visita de Fundação a Corinto durou cerca de dezoito meses. At 18
- Paulo escreveu um epístola anterior a 1Co . (1Co 5.9)
- Paulo escreveu 1Co em Éfeso por volta de 55 dC
- Uma breve porém dolorosa visita a Corinto causou “tristeza” a Paulo e à igreja (2Co 2.1; 13.2)
- Depois dessa dolorosa visita, Paulo escreveu um epístola severa, entregue por Tito (2Co 2.4; 7.6-8)
- A visita final de Paulo a Corinto (At 20), provavelmente, tenha ocorrido quando ele escreveu Rm, pouco antes de voltar a Jerusalém. A visita dolorosa, que Atos não registra, e a carta severa fornecem pano de fundo imediato para a redação de 2Co.
Local: Macedônia ou Filipos.
Classificação: eclesiologia
Características: Bastante pessoal e emocionada. Mistura amor, censura e indignação. Fala a dois grupos na igreja: os obedientes e os rebeldes.
Propósito:
- consolar os membros arrependidos da Igreja.
- para admoestar a minoria rebelde.
- para admoestar contra os falsos mestres.
- para resistir aos ataques feitos contra o seu ministério por estes falsos mestres.
Conteúdo:
É muito difícil analisar esta carta, que é o menos sistemático dos escritos de Paulo. Assemelha-se a um rio africano, ás vezes corre calmamente e espera-se uma análise satisfatória, mas repentinamente aparece uma grande catarata e uma agitação, quando se fendem as grandes profundezas do seu coração. A carta pode ser dividida em quatro seções:
1. Uma visão retrospectiva (1:1-2:13).
2. A dignidade e eficiência do ministério de Paulo (:14-7:1-16).
3. A oferta para o judeus crentes (caps. 8,9).
4. A defesa que Paulo faz de seu apostolado (10:1-13:14)
Esboço
Saudações – 1.1-2.
Tribulações antes da volta de Tito – 1.3-14.
Primeiro plano de visita. Defesa de Paulo. 1.15-24
Mudança de planos. Arrependimento e perdão. – 2.1-11.
Credenciais do ministério – 2.12-17.
Contrastes entre a velha e a nova aliança. – 3.1-18.
A responsabilidade de Paulo. Sua idoneidade e dependência de Cristo – 4.1-18.
O juízo e a urgência da mensagem de salvação.
O ministério da reconciliação – 5.10-21.
Os sofrimentos de Paulo e exortação à santidade. 6.1 a 7.1.
Recomendações diversas. Os efeitos da primeira carta – 7.2-16.
A coleta para os irmãos de Jerusalém – 8.1 a 9.15.
Defesa da autoridade apostólica de Paulo – 10.1-18.
Defesa diante dos judaizantes. Os falsos apóstolos. Os sofrimentos de Paulo – 11.1-29.
Os sofrimentos de Paulo. Suas revelações, sinais e receios – 11.30 a 12.18.
A próxima visita. Saudações – 12.19 a 13.13.
1.3. GÁLATAS
A questão se os gentios deviam guardar a Lei de Moisés foi resolvida no concílio de Jerusalém. A decisão foi que os gentios eram justificados pela fé sem as obras da Lei. Esta decisão, no entanto, não parecia satisfazer ao partido judaizante, o qual insistia em que, apesar de serem salvos os gentios pela fé, esta seria aperfeiçoada pela observância da Lei de Moisés. Ao pregar a mensagem da mistura da Lei e da graça, faziam todo o possível para insurgir aos seus convertidos contra Paulo e contra a mensagem que pregava. Conseguiram seu objetivo a ponto de trazerem sob a observância da Lei toda a igreja dos gálatas – uma igreja gentílica. Para restaurar esta igreja ao seu estado anterior de graça, Paulo escreveu esta epístola, cujo tema é: a justificação e a santificação, não pelas obras da Lei, mas sim, pela fé.
Contexto Histórico e Geográfico da Galácia e a Igreja da região: Seu nome originou-se no Séc. III aC, quando antigas tribos celtas, de pessoas da Gália migrou do centro da Europa. para o local. No séc. I dC, o termo “Galácia” era usado geograficamente pra indicar a região centro-norte da Ásia Menor, onde os gálios tinha se estabelecido e, aos poucos, logo se espalharam pelos amplos territórios compreendidos nos limites da atual Turquia; politicamente, designava a província romana na parte centro-sul da Ásia Menor. Paulo enviou esta carta para as igrejas na província da Galácia, uma área que incluía as cidades de Antioquia, Icônia, Listra e Derbe.
Fora da epístola, a Galácia é mencionada apenas cinco vezes no N.T. No entanto, apesar dessa escassez de notícias, é evidente a importância que teve para a história da igreja. Sabemos pelo testemunho pessoal de Paulo, que ele ali anunciou Jesus Cristo, e não há dúvida de que também fundou um certo número de pequenas comunidades cristãs dispersas por toda a província. Para essas igrejas redigiu a epístola. Mas não para uma comunidade me particular, mas para as da Galácia em geral, formadas por crentes que, na sua maioria, ou possivelmente, na sua totalidade procediam do paganismo. (4:8)
Tema: A justificação pela fé sem as obras da Lei. Não há mais nenhum evangelho além do de Jesus Cristo.
Autor: Paulo
Local e Data: Cerca de 55 - 60 dC. Paulo provavelmente tenha escrito a carta por volta de 55 ou 56 dC, quando estava na Macedônia ou em Corinto, em sua terceira viagem missionária.
Destinatários: Gálatas é a única carta que Paulo endereçou especialmente a uma grupo de Igrejas. A Galácia não era uma cidade, mas uma região da Ásia Menor, que incluía várias cidades.
Propósito: Os judeus estavam presentes em todo o Império Romano, principalmente nas cidades mais importantes. Muitos deles se converteram ao cristianismo e, dentre os convertidos, havia aqueles que queriam impor a lei mosaica sobre os cristãos gentios. São os já mencionados "judaizantes". Assim como os fariseus e saduceus perseguiram Jesus durante o período mencionado pelos evangelhos, os judaizantes pareciam estar sempre acompanhando os passos de Paulo a fim de influenciar as igrejas por ele estabelecidas. Essa questão entre judaísmo e cristianismo percorre o Novo Testamento, tornando-se até um elemento que testifica a favor da unicidade e autenticidade histórica dessas escrituras. Os judaizantes estavam também na Galácia, onde se tornaram forte ameaça contra a sã doutrina das igrejas.
Esta epístola foi escrita para:
1. Opor-se á influência dos mestres judaizantes que procuravam destruir a autoridade de Paulo.
2. Pra refutar os seguintes erros, que eles ensinavam:
I. que a obediência à Lei misturada com a fé é necessária à salvação;
II. que o crente é aperfeiçoado guardando a Lei.
3. Para restaurar os gálatas que haviam caído da graça.
Conteúdo:
A epístola aos Gálatas está tematicamente relacionada com a de Romanos. Está dividida em três seções:
1ª Seção:
a) Paulo defende a autenticidade da mensagem do evangelho que havia pregado nas igrejas da Galácia (1:11-12), reivindicando a legitimidade do seu trabalho como apóstolo chamado e enviado por Deus para anunciar Jesus Cristo entre os gentios (1:15-16).
b) Refere-se a alguns aspectos da sua vida e conduta: o seu anterior fanatismo judaico, que o levou a perseguir a Igreja de Deus; o reconhecimento do seu ministério por parte dos apóstolos de Jerusalém (2:1-9) oposição a Pedro na Antioquia da Síria (2:11-14).
c) Põe em destaque o valor da fé, pela qual Deus justifica o pecador (2:15-21)
2ª Seção:
a) Começa com uma admoestação aos que haviam sido enganados com o cumprimento externo da lei e menosprezavam assim a graça de Deus. (3:1-5);
b) Faz considerações sobre a fé de Abraão,d e como Deus fez com que as bênçãos e as promessas que havia feito a ele alcançassem os gentios e qual a vigência atual da lei mosaica (3:19-24;4:1-7).
c) Convite ao permanecerem firmes na liberdade que Cristo nos concedeu (5:1).
3ª Seção:
a) Exortação a fazer o bom uso dessa liberdade, a qual deve configurar a vida do cristão.
b) Catálogo de vícios e virtudes – conhecido como “as obras da carne e o fruto do Espírito”.
Macro divisão:
O apóstolo da liberdade (caps. 1, 2).
A doutrina da liberdade (caps. 3, 4).
A vida de liberdade (caps. 5, 6).
Esboço
Introdução 1.1-9
1 – Saudação – 1.1-5.
2 – A inconstância dos gálatas – 1.6-9.
2 - Paulo defende o seu apostolado - 1.10 a 2.10.
2.1 – As viagens de Paulo após a conversão e a origem do seu evangelho
3 - Paulo defende o seu evangelho - 2.11-21.
3.1 – O conflito com Pedro
4 - A salvação pela fé e os seus benefícios - 3.1 - 4.31.
4.1 – O evangelho e a lei.
4.2 – O exemplo de Abraão.
4.3 – A lei e a graça nas figuras de Hagar e Sara.
5 - A liberdade que Cristo nos dá - 5.1 a 6.18.
5.1 – As obras da carne.
5.2 – O fruto do Espírito.
5.3 - Conselhos práticos e saudações.
1.4. EFÉSIOS
Mais que uma carta, a Epístola aos Efésios é um escrito doutrinário e exortatório, que revela no seu autor fundamentais interesses pedagógicos e pastorais. É uma reflexão sobre a Igreja, vista como Corpo de Cristo, e um sólido ensinamento sobre a salvação que Deus oferece aos pecadores.
Quanto à profundidade e sublimidade da doutrina, Efésios supera todas as demais epístolas de Paulo. Tem sido chamada de “epístola do terceiro céu” de Paulo, porque ele se eleva das profundezas da ruína até as alturas da redenção – e os “Alpes do Novo Testamento”, porque aqui nos ordena Deus que subamos passo a passo até alcançarmos o ponto mais elevado possível para o homem alcanças, a própria presença de Deus. A epístola aos Efésios é uma grande exposição d]e uma doutrina fundamental da pregação de Paulo, a saber, a unidade de todo o universos em Cristo, a unidade do judeu e gentio em seu corpo, a Igreja, e o propósito de deus nesse corpo para o tempo presente e para a eternidade
A carta que hoje conhecemos como "Epístola de Paulo aos Efésios", parece ter sido uma correspondência circular destinada às diversas igrejas da Ásia Menor. Seu conteúdo não é pessoal nem trata de questões ou problemas específicos de uma comunidade em particular. Não possui saudações pessoais, como seria natural em uma carta dirigida a um grupo determinado. De acordo com os estudiosos dos manuscritos do Novo Testamento, a expressão "que vivem em Éfeso" (1.1) não aparece em todas as cópias antigas. Supõe-se então que poderia se tratar de uma carta circular e que, eventualmente, alguém tenha acrescentado essas palavras quando endereçou uma cópia para os efésios. Alguns comentaristas sugerem que essa epístola possa ser a mesma que Paulo menciona em Colossenses 4.16, quando fala da carta enviada aos Laodicenses e que deveria ser lida também em Colossos.
Contexto Histórico e Geográfico de Éfeso:
Desde o ano 133 a.C., com uma população próxima a meio milhão de pessoas, Éfeso era a capital da província romana da Ásia e residência oficial do governador. Estava situada em um lugar privilegiado da costa do Mediterrâneo, com um porto de muito tráfego e uma importante via de comunicação com o interior da Ásia Menor. Contribuía para aumentar o prestígio da cidade o culto à deusa Diana, em cuja honra se havia erigido um templo em Éfeso, ao qual, devotos de “toda Ásia e o mundo” (At.19:23-41) acudiam em peregrinação.
Éfeso era um importante porto da Ásia Menor, localizado perto da atual Izmir. Tratava-se de uma das sete igrejas a quem Jesus endereçou suas cartas em Ap 2-3, um fato relevante para estudar esta epístola , uma vez que ela circulou
originalmente para quase o mesmo grupo de igrejas. Embora Paulo já tivesse estado em Éfeso antes (At 18.21), ele foi ministrar lá pela primeira vez no inverno de 55 dC. Lá ele ministrou por dois anos inteiros (At 19.8-10), desenvolvendo um relacionamento tão profundo com os efésios que sua mensagem de despedida a eles é uma das passagens mais emocionantes da Bíblia (At 20.17-38).
Tema: A unidade da igreja. Privilégios espirituais e responsabilidades da Igreja. Concentra sua atenção sobre a Igreja, em seu aspecto de organismo espiritual.
Ocasião e Data: Cerca de 60—61 dC. Enquanto estava preso em Roma, Paulo escreveu Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Confinado e aguardando julgamento (3.1; 4.1; 6.20), o apóstolo escreve esta carta encíclica - para se lida por várias congregações. Efésios e, provavelmente, a mesma carta mencionada em Cl 4.16 como estando presente em Laodicéia ao mesmo tempo em que circulava.
Local de origem: Roma.
Portador: Tíquico (Ef.6.21-22).
Texto chave – Ef.4.13.
Palavras e expressões em destaque: Mistério; "em Cristo"; graça; salvação; riqueza; igreja; unidade; vida; armadura.
Propósito
As igrejas cristãs estavam se estabelecendo em diversas cidades do Império Romano, começando dos principais centros, onde Paulo procurava concentrar suas atividades evangelísticas. Assim, apesar dos protestos e perseguições, alguns se convertiam. Logo estava estabelecida a igreja e sua formação incluía gentios e judeus. Percebe-se então uma dicotomia imediata na comunidade. Além disso, como era natural, a igreja era formada por homens e mulheres, servos e senhores, escravos e livres, ricos e pobres. Bem sabemos que esse cenário não era uma particularidade de Éfeso, mas característica comum a diversas igrejas. Essa diversidade de componentes da igreja, faz com que ela seja um organismo bastante eclético. Essa variedade se tornava, muitas vezes, causa de divisão, partidarismo, dentro das igrejas. Por isso, Paulo escreve aos efésios, tendo como principal tema a unidade da igreja. Seu foco está principalmente sobre a questão entre judeus e gentios.
Esses dois perigos ameaçavam a Igreja em Éfeso: a tentação de descer ao nível pagão; e a falta de unidade entre o judeu e o gentio. Para enfrentar o primeiro perigo, Paulo contrasta a santidade da vocação cristã deles com a sua condição anterior pecaminosa e pagã. Para guardar-se contra o segundo perigo, Paulo apresenta o Senhor Jesus fazendo a paz entre o judeu e o gentio pelo sangue da cruz, e dos dois criando um novo corpo.
Paulo insiste na doutrina da unidade da igreja e da criação sob o governo de Cristo ressuscitado. Afinal, Cristo chamou pessoas tão diferentes e as uniu em um corpo para que aprendessem o amor que supera todas as desigualdades e até mesmo ajuda a minimizá-las ou eliminá-las quando possível.
Conteúdo
A Igreja é escolhida, redimida e unida em Cristo; de sorte que a Igreja deve andar em unidade, em novidade de vida, na força do Senhor e com a armadura de Deus.
Ele apela para os seus leitores a fim de que se elevem à mais alta dignidade da sua missão. Fazendo assim, apresenta o quadro da Igreja como um só corpo, predestinado desde a eternidade a unir o universo a plenitude da vida divina, vivendo a vida de Deus, imitando o caráter de Deus, perdoando como Deus perdoa, educando como Deus educa, e tudo isto, para que se cumpra a obra mais ampla pela qual Cristo há de ser o centro do universo.
O texto da carta é formado por duas seções principais:
1ª Seção: A vocação da Igreja - de caráter doutrinário (caps. 1-3) – Paulo expõe a grandeza e glória da vocação cristão. Então ensina que uma vocação santa exige uma conduta santa (2ª seção).
A tríplice fonte da nossa salvação (1:1-18)
A tríplice manifestação do poder de Deus (1:19-2:22).
Uma declaração tríplice referente a Paulo (cap.3).
2ª Seção: A conduta da Igreja - de caráter prático - contém uma série de exortações para se viver de acordo com a vocação e a fé cristã. (caps. 4-6).
Uma exortação tríplice à Igreja (4:1-5:21).
Uma exortação tríplice à família (5:22-6:9)
Uma expressão tríplice da vida espiritual (6:10-24).
Esboço
1 – A igreja e o plano de salvação – 1.1-23
Saudação – 1.1-2
A origem divina da igreja – 1.3-6.
O plano de salvação – 1.7-23.
2 – A ressurreição espiritual e a exaltação do salvo – 2.1-6.
Salvação pela fé e não por obras – 2.7-10.
Os gentios estão incluídos no propósito de Deus – 2.11-13.
Não há barreiras entre judeus e gentios – 2-14-22.
3 – Os mistérios e as revelações divinas – 3.1-13.
A oração de Paulo e o amor de Cristo – 3.14-21.
4 – A unidade dos cristãos – 4.1-16.
A vida cristã prática – 4.17-21.
Velha vida x Nova vida – 4.22-32.
5 – Valores da vida cristã – 5.1-21
Amor, pureza, luz, zelo, plenitude do Espírito.
Deveres da vida cristã – 5.22 a 6.9.
6 – A luta espiritual – 6.10-18.
7 – Palavras finais e bênção – 6.19-24.
1.5. FILIPENSES
A epístola aos Filipenses foi chamada “o mais doce dos escritos de Paulo”. Por toda a epístola respira-se o espírito do amor de Paulo para com os filipenses; e a atitude deles para com ele prova que este amor era mútuo. Não se discutem questões nem se apresentam controvérsias. Na há, da parte de Paulo, severas repreensões nem um coração magoado devido a desordens sérias. Havia algumas divisões, é verdade, mas não parece que fossem sérias. Ao tratar delas, Paulo usa de muito tato e juízo. Um lugar de pronunciar severas denúncias contra os partidos implicados, cria uma atmosfera de união e amor pelo uso freqüente de palavras que sugerem comunhão e cooperação, tais como “colaboradores”, “companheiros nos combates” e palavras semelhantes, sugerindo a idéia de união e camaradagem. Cria uma atmosfera de fé e adoração pela repetição do nome do Senhor, e faz que se esqueçam das suas diferenças insignificantes aos apresentar-lhes um quadro admirável daquele que, embora subsistisse em forma de Deus, esvaziou-se e humilhou-se para a salvação de outros.
A carta é cheia de alegria. Em cada capítulo, como o som de campainhas de prata, soam as palavras “gozo”, “regozijo”, “alegria”. Apesar da prisão e apesar do fato de se encontrar à sombra do cadafalso, o apóstolo sente alegria.
Ao escrever a epístola aos filipenses, Paulo se encontrava preso, correndo risco de vida, distante de muitos irmãos e amigos e em dificuldade financeira. Na carta, ele fala da morte várias vezes: 1.20; 2.8; 2.27; 2.30; 3.10. Entretanto, a mesma epístola enfatiza a alegria, a gratidão (1.3; 4.6), e ainda admoesta contra a murmuração (2.14).
Isso é testemunho (2.15). Alegria e gratidão no meio do sofrimento é tão contrastante quanto a luz no meio da escuridão, como uma estrela refulgente no meio do negro céu. Não dá para ignorar. Paulo compara os cristãos aos luzeiros, aos astros, e não a uma vela ou a um pavio de lamparina (2.15). O luzeiro produz abundante luz, a qual não se apaga com o vento nem com a tempestade. Normalmente, se existe luz, existe fogo. Algo está se consumindo. Algo está queimando. Não seremos luz gratuitamente. Não seremos luz sem sacrifício, sem dor, sem renúncia, sem sofrimento ou sem tribulações. Até a sua própria morte é vista por Paulo como um meio pelo qual o Senhor Jesus seria glorificado (1.20). Segundo a visão do apóstolo, sofrer pelo evangelho é um privilégio (1.29).
Tema: Alegria no Senhor – a alegria da vida e do serviço cristão, manifestada em todas as circunstâncias
Contexto Histórico e Geográfico da cidade e da igreja em Filipos:
A CIDADE DE FILIPOS
Filipos era a capital da província romana chamada Macedônia, localizada em território que hoje pertence à Grécia. Seu nome significa "pertencente a Filipe". A cidade foi fundada por Filipe, pai de Alexandre Magno, em 358 a.C. Era importante devido à sua localização junto à principal estrada que cortava a Macedônia no sentido leste-oeste, servindo de caminho entre a Ásia e Roma. Além disso, a cidade possuía minas de ouro e prata. Elevava-se a uns 12 km da costa norte do mar Egeu, junto ao limite da região macedônica com a da Trácia. Submetida a Roma desde o ano 167 a.C., a partir de 31 a.C., com a categoria de colônia e por regulamentação do César Otávio Augusto, gozou dos privilégios e direitos que as leis do império outorgavam às cidades romanas.
A IGREJA EM FILIPOS
Foi a 1a igreja cristã na Europa. Foi fundada por Paulo durante a segunda viagem missionária - At.16.11-40. Ali chegando, o apóstolo foi bem recebido juntamente com Silas. Os primeiros convertidos foram Lídia, vendedora de púrpura, e uma jovem que adivinhava, da qual foi expulso um espírito imundo. Sendo liberta, cessaram os seus prognósticos. Diante disso, cessou também o lucro dos seus senhores, os quais se enfureceram contra Paulo e Silas, incitando contra eles as autoridades locais. Como resultado, aqueles irmãos foram espancados e lançados na prisão (I Ts.2.2). Estando orando e louvando à meia-noite, Deus os libertou por meio de um terremoto que abriu as cadeias. Diante de tão grande acontecimento, o carcereiro se converteu e também a sua família. Algum tempo depois, os irmãos filipenses enviaram ajuda financeira para Paulo - II Cor.8.2 Fil. 4.10,15.
Essa comunidade cristã era formada, na sua maior parte, por pessoas que haviam passado do paganismo ao Judaísmo, as quais se reuniam para o culto fora da cidade, junto ao rio, onde estava o seu “lugar de oração” (At.16:13).
Autor: Paulo (e Timóteo)
Portador: Epafrodito
Data: 60 ou 61. É mais provável que Paulo tenha escrito esta carta durante sua primeira prisão romana, por volta de 61 dC, para agradecê-los pela contribuição que tinha recebido deles. Ele também elogiou calorosamente Epafrodito, que tinha trazido a doação de Filipos e quem Paulo estava enviando de volta. Há aqueles que opinam que a enviou de uma prisão em Éfeso, o que permitiria apontar como data provável os anos 54 e 55.
Local: prisão em Roma.
Versos chave: 1.21 e 4.4
Propósito: gratidão pelo auxílio enviado pelos filipenses.
Epafrodito, o mensageiro da Igreja dos filipenses, ao qual foi confiado uma oferta para o apóstolo, ficou doente, quando chegou a Roma. Restabelecido, voltou a Filipos e Paulo aproveitou a sua volta para enviar uma carta de agradecimento e exortação à igreja acerca de cujas condições Epafrodito tinha notificado a Paulo.
Conteúdo:
A situação e o trabalho de Paulo em Roma (cap.1).
Três exemplos de abnegação (cap.2).
Admoestações contra o erro (cap.3).
Exortações finais (cap.4).
A epístola não tem uma clara estrutura doutrinária. Mais parece responder a fortes sentimentos pessoais do que ao propósito de oferecer um texto bem planejado e teologicamente articulado. Não obstante, há nela profundos pensamentos junto a conselhos e ensinamentos práticos para a vida dos cristãos e para a marcha da igreja em conjunto.
Desde a ação de graças inicial, duas notas predominam na epístola: a alegria que caracteriza uma fé madura e o amor de Paulo pela igreja de Filipos.Essas notas são uma bela lição de esperança, repartida pelo autor em meio às penalidades físicas e morais da sua prisão.
O corpo principal da carta (1:12-4:20) transcorre entre um prólogo cheio de expressões entranháveis e um epílogo revelador da generosidade dos filipenses. O texto desenvolve em uma variada sucessão de temas e motivos de reflexão.
Alguns supõem que originalmente forma duas as cartas de Paulo à igreja de Filipos, depois reunidas em uma, porque na estrutura atual da carta tem-se observado, em certas passagens, uma brusca ruptura da conclusão de idéias (2:19; 3:1b-21; 4:2 e 4:10). O certo é que o texto da carta é caracteristicamente Paulino, tanto do ponto de vista estilístico como de vocabulário.
Esboço:
Introdução e saudação - 1.1-2.
Conceito que Paulo tem sobre os filipenses e sua oração por eles - 1.3-11.
A prisão de Paulo contribui para o progresso do evangelho. - 1.12-26.
Exortação à perseverança, unidade, humildade e santidade conforme o exemplo de Cristo - 1.27 a 2.18.
Elogio a Timóteo e Epafrodito - 2.19-30.
Confiança em Cristo e não na carne - 3.1-21.
Exortação à vida santa - 4.1-9.
Gratidão de Paulo pelo auxílio dos filipenses - 4.10-20.
Saudações finais - 4.21-23.
1.6. COLOSSENSES
Tema: A supremacia de Cristo – Ele é o primeiro na natureza, na Igreja, na ressurreição, na ascensão e na glorificação. Ele é o único Mediador, Salvador e Fonte da Vida.
Contexto Histórico e Geográfico da cidade e da igreja em Colossos:
A CIDADE DE COLOSSOS
Colossos ficava a sudoeste da Frígia, na Ásia Menor, às margens do rio Lico, afluente do Meandro, a uns 175 km a leste de Éfeso. Do ponto de vista administrativo, pertencia à província romana da Ásia. A cidade foi importante no século V a.C. , gozando de prestígio comercial.Depois foi perdendo sua importância diante do crescimento de Laodicéia, a 18 km, e Hierápolis (Col.4.13). O livro de Apocalipse confirma que Laodicéia era uma cidade rica (Ap.3.18).
Colossos perdeu sua importância devido à mudança no sistema de estradas. Isso passou a beneficiar Laodicéia.
A partir do ano 61 d.C., depois de um violento terremoto, entrou em processo de tanta decadência, que logo chegou ao desaparecimento total. A cidade dos colossenses foi destruída no século 12 d.C. Escavações arqueológicas realizadas em 1835 descobriram um teatro e um cemitério da cidade.
FUNDAÇÃO DA IGREJA
A igreja foi uma conseqüência do ministério de Paulo de três anos em Éfeso, por volta de 52 –55 dC (At 19.10; 20.31). Epafras, um nativo da cidade e provavelmente convertido pelo apóstolo, talvez tenha sido o fundador e líder da igreja ( 1.7-8; 4.12-13). A igreja aparentemente se reunia na casa de Filemom (Fm 2).
A igreja em Colossos deve ter sido fundada por Epafras. Isso não está claro no Novo Testamento, mas parece ser uma dedução coerente com as palavras de Paulo (Col. 1.7,8). É provável que Paulo nunca tenha estado em Colossos. Isso é deduzido de Col. 2.1. Apesar de tantas questões incertas sobre a fundação da igreja, o que sabemos com certeza é que a mesma estava sob a liderança de Epafras, como também ocorria com as igrejas de Laodicéia e Hierápolis (Col. 4.12-13). O texto de Colossenses 4 e também o de Filemom 23 nos dão a entender que Epafras estava preso juntamente com Paulo, quando este escreve as chamadas "epístolas da prisão": Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Essa circunstância comum às quatro cartas faz com que haja algumas semelhanças entre elas, principalmente entre Efésios e Colossenses (Exemplo: Ef.6.21-22 e Col. 4.7,9 e Fm.10,23,24.)
Os crentes que se reuniam em Colossos constituíam um grupo principalmente de procedência gentílica, composto por pessoas por pessoas que , na sua maioria, se não a totalidade, haviam antes professado algumas forma de culto pagão.
Ocasião e Data: 60 ou 61 d.C.
Estudiosos conservadores acreditam que esta carta foi escrita em sua primeira prisão romana, por volta de 61 dC.
Em algum momento da prisão de Paulo, Epafras solicitou sua ajuda para lidar com a falsa doutrina que ameaçava a igreja em Colossos (2.8-9). Aparentemente, essa heresia era um mistura de paganismo e ocultismo, legalismo judaico e Cristianismo. O erro parece com uma antiga forma de gnosticismo, que ensinava que Jesus não era nem completamente Deus e nem completamente homem, mas apenas um dos seres semidivinos que ligavam o abismo entre Deus e o mundo.
Há um paralelismo notável entre Colossenses e Efésios, sendo provável que ambos pertençam à mesma época, o que explicaria a semelhança dos temas expostos, a forma semelhante de tratá-los e os paralelos de estilo e vocabulário.
Autor: Paulo (e Timóteo). 1.1; 4.18.
Local: Prisão em Roma (4.3; 4.18).
Classificação: cristologia (doutrina de Cristo).
Texto chave:- 3.11.
Propósito:
Apesar da sua curta existência, a igreja já havia começado a acusar a infiltração de doutrinas que se desviavam do evangelho. Parece que apareceu no seu meio um mestre que propagou um sistema doutrinário que era um mistura do legalismo judaico com a filosófica pagã. Era o elemento pagão no sistema – conhecido depois do temo de Paulo como gnosticismo – que constituía o maior perigo para a fé da Igreja. Os gnósticos vangloriavam-se de possuírem uma sabedoria muito mais profunda do que aquela revelada nas Sagradas Escrituras, uma sabedoria que era propriedade de alguns favorecidos (“Gnósticos” vem de uma palavra grega que significa conhecimento). A heresia dos gnósticos destruía a soberania, a divindade e o estado de mediador de Jesus, colocando-o na classe de anjos mediadores.
Essa notícia, recebida por meio de Epafras, alarmou a Paulo, que se achava preso, possivelmente em Roma. Ao compreender os perigos que espreitavam a fé ainda recente dos colossenses (1:23; 2:4-8,16-23), lhes escreveu para alertá-los. Depois, encarregou “Tíquico, irmão amado, e fiel ministro, e conservo do Senhor”, de levar a carta ao seu destino. Sua carta teve o propósito de corrigir este erro, demonstrando que Jesus é o Criador do Universo, e o Criador dos próprios anjos. Eleva o Senhor Jesus ao lugar designado por Deus como cabeça de todo universo e o único mediador, reconciliador da criação inteira com Deus.
Neste documento se revela a influência que alguns hábitos residuais das suas antigas crenças religiosas e costumes pagãos exerciam entre os crentes de Colossos. Eram formas de vida e de cultura difíceis de desarraigar, as quais, unidas á permanente pressão do meio social de Colossos e á incessante insistência dos judaizantes acerca da sujeição à lei mosaica (2:11-13,16), causavam confusão e inquietude na igreja.
Conteúdo:
O corpo central da epístola aos Colossenses está estruturado em três grandes seções:
1ª Seção: Paulo dá graças ao Senhor pela fé dos crentes de Colossos, aos quais dá garantias a respeito da ação salvadora de Deus. Com um hino de elevada inspiração e beleza, proclama a soberania de Cristo sobre toda a criação (1:15-20).
2ª Seção: se refere ao ministério de Paulo, à sua pregação do evangelho entre os gentios, aos que ele dá a conhecer os desígnios de deus, antes secretos mas agora revelados em Jesus Cristo que é a esperança gloriosa para todos os que crêem nEle (1:25-27; 2:2-3).
3ª e 4ª Seções: instruem sobre os valores do evangelho sobre a graça. Em Jesus Cristo habita corporalmente, toda a plenitude da Divindade (2:9), e nele os crentes alcançam a sua própria plenitude; em conseqüência, devem abandonar atitudes e preceitos que não estão de acordo com a nova vida em Cristo e buscar “as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado á direita de Deus (3:1).
O epílogo inclui uma relação de saudações na qual são mencionados vários colaboradores de Paulo. Entre outros, Tíquico, Onésimo, Lucas.
Prefácio e saudação (1:1-12)
Explicação: a verdadeira doutrina declarada (1:13-2:3)
Refutação: desmascarada a falsa doutrina (2:4-23).
Exortação: conduta santa requerida (3:1-4:6).
Conclusão e saudações (4:7-28)
Esboço
Introdução - 1.1-8
Oração pelos colossenses - 1.9-12. (por riquezas espirituais)
A excelência da pessoa e da obra de Cristo. - 1.13-23
Trabalhos, sofrimentos e cuidado de Paulo pelos colossenses - 1.24 a 2.7.
Exortação contra filosofias e heresias - 2.8-23.
Exortação à santidade e ao amor fraternal - 3.1-17.
Exortação quanto aos deveres domésticos, à oração, e às relações sociais - 3.18 a 4.6
Conclusão e saudações - 4.7-18.
1.7. TESSALONICENSES
A igreja dos tessalonicenses foi fundada por Paulo em sua 2ª viagem missionária e teve como fruto a conversão de alguns judeus, “uma generosa multidão de gregos piedosos e muitas distintas mulheres” (At.17:4). Mas também provocou inveja de judeus que não criam, os quais “alvoroçavam a cidade” até a ponto de obrigar o apóstolo a abandoná-la precipitadamente, este fugiu para Corinto. Depois Timóteo voltou a Tessalônica para saber a situação da igreja a fim de informar ao apóstolo. Alguns irmãos haviam morrido e isso preocupava a igreja. Será que os irmãos mortos ficariam para trás quando Jesus voltasse? Para esclarecer o assunto, Paulo escreveu a primeira epístola aos tessalonicenses.
1 e 2Ts são bastante semelhantes em linguagem, sugerindo que Paulo escreveu a segunda carta algumas semanas após a primeira. A volta do Senhor é de importância central em ambas as cartas. 1Ts revela que alguns tessalonicenses estavam perplexos com a morte de pessoas amadas e temendo perder a volta do Senhor Jesus. Em 2Ts, surge um problema diferente, relacionado à volta do Senhor.
Tanto em 1Ts como em 2Ts (1.4-7), está claro que os crentes sofreram algumas perseguições e opressão— da mesma forma que Paulo e Silas. A preocupação de Paulo com a estabilidade espiritual da igreja o levou a enviar Timóteo e a expressar, escrevendo a primeira carta, uma alegre satisfação por conhecer sua saúde espiritual (1Ts 2.17-3.10). A estabilidade e persistência e paciência em meio às adversidades, atraíam o louvor e a gratidão freqüentes do apóstolo (1Ts 1.3; 2Ts 1.4). Ainda assim, havia preocupações evidentes sobre as atitudes desequilibradas relacionadas com a volta do Senhor.
Contexto Histórico e Geográfico da cidade e da igreja em Tessalônica:
Durante a vida do apóstolo Paulo. Tessalônica (a atual Salônica) era a capital da província romana da Macedônia. Gozava de um economia florescente, devida em grande parte á sua magnífica localização, com um porto que se abria ao mar Egeu e dava entrada e sida a grande parte do importante tráfego comercial entre Roma e a Ásia Menor.
1.7.1. PRIMEIRA EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES
A primeira leitura desta epístola revelará a existência de um tema que supera todos os demais: a segunda vinda do Senhor. Verificar-se que cada capítulo termina com uma referência a esse acontecimento. Paulo trata desta verdade mais no aspecto prático do que doutrinário, aplicando-se diretamente à atitude e à vida do crente.
Autor: Paulo
Data : 50 ou 51 d.C. Dos cálculos baseados na inscrição de Gálio— uma cópia pública de uma carta do imperador romano ao procônsul de Acaia— Pode-se afirma que 1 Ts foi escrito em 50 ou 51 dC.
É a carta mais antiga que conhecemos do apóstolo e, provavelmente, o documento mais antigo do Novo Testamento.
Local de origem: Corinto, pouco depois de Paulo partir de Tessalônica.
Tema principal: segunda vinda de Cristo – com relação ao ânimo, consolo, vigilância e santificação do crente.
Textos-chave (no final de cada capítulo): 1.10; 2.19-20; 3.13; 4.13-18; 5.23.
Classificação: escatologia.
Propósito: Esta epístola foi escrita com os seguintes propósitos:
1. Pra consolar os crentes durante a perseguição (3:1-5).
2. Para consolá-los acerca de alguns dos seus queridos que morreram na fé (4:13). Os tessalonicenses temiam que aqueles que morriam, perderiam o prazer de serem testemunhas da vinda do Senhor.
3. Parede que alguns, na expectativa da próxima vinda do Senhor, haviam caído no erro de supor que não fosse necessário trabalhar (4:11,12).
Conteúdo:
1. Uma esperança inspiradora para o recém-convertido (cap.1).
2. Uma esperança animadora para o servo fiel (3:1-4:12).
3. Uma esperança consoladora para os enlutados (4:13-18).
4. Uma esperança despertadora para o cristão que dorme (cap.5).
Esboço
1 - Saudações, elogios e exortações - 1.1-10.
2 - O ministério de Paulo em Tessalônica – 2.1-20
3 - Alegria de Paulo com as notícias de Timóteo. 3.1-13
4 - Admoestações sobre questões morais - 4.1-12.
5 - A volta de Cristo, a ressurreição, o arrebatamento,
e a necessidade de vigilância. 4.13 a 5.24.
6 - Saudações finais - 5.25 -28.
1.7.2. SEGUNDA EPÍSTOLA DE PAULO AOS TESSALONICENSES
A Segunda Epístola aos Tessalonicenses desenvolve com maior amplitude o tema do retorno de Cristo, já tratado em 1 Tessalonicenses. No entanto, o motivo imediato da sua redação foi a parição na cidade de algumas pessoas que estavam semeando inquietações entre os membros daquela igreja fundada por Paulo.
Tratava-se de gente exaltada, de certos convertidos ao Cristianismo que insistiam tanto na iminência do retorno de Cristo e do juízo final, a ponto de causar intranqüilidade entre os crentes tessalonicenses. Eram pessoas que, para dar maior peso aos seus próprios ensinamentos os atribuíam a Paulo ou então utilizavam algum texto do apóstolo interpretando mal e explicando-o erroneamente (2.2).
Autor: Paulo
Data : 51 d.C.
Local: Corinto.
Tema: A segunda vinda de Cristo, com relação aos crentes perseguidos, aos pecadores que não se arrependeram e a igreja apóstata.
Propósito:
Paulo escreveu a segunda epístola pouco tempo depois da primeira. Os tessalonicenses ainda estavam confusos e perturbados sobre os fatos dos últimos dias, "como se o dia de Cristo já tivesse chegado." (2.2). Talvez tenham recebido uma falsa carta com o nome de Paulo. Por isso, o apóstolo coloca sua assinatura em 3.17. Talvez tenha havido um erro de interpretação dos ensinos da primeira epístola. Observe que nela, o próprio Paulo se incluía no arrebatamento da igreja: "Nós, os que ficarmos vivos..."(I Ts.4.17).
Alguns membros da igreja parecem ter deixado o trabalho, considerando que a 2a vinda era iminente (3.6-12). Esse problema pode ocorrer ainda hoje, e até de forma mais intensa. O cristão não pode usar a segunda vinda de Cristo como uma desculpa para a preguiça. Espere a sua vinda, mas espere trabalhando, afim de que ele nos ache servindo bem (Lc.12.43).
Na primeira epístola, Paulo falou sobre a segunda vinda de Cristo. Depois, escreveu a segunda para avisar que antes deveriam ocorrer a manifestação do iníquo e a apostasia.
Esta epístola foi escrita com os seguintes propostos:
1. Para consolar os crentes durante o novo surto de perseguições (1:4).
2. Para corrigir uma falsa doutrina de que o dia do Senhor já tinha vindo (2:1). As severas perseguições ocasionaram em alguns a idéia de já ter começado a grande tribulação.
3. Para censurar aqueles que se comportavam desordenadamente (3:6)
Conteúdo: A situação de igreja de Tessalônica não era fácil. Segundo se conclui das expressões “em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais (1:4) e “e a vós outros, que sois atribulados”(1:7). Mas o apóstolo dá graças a Deus porque, apesar de tudo, os crentes progridem na fé e no amor e na paciência com que suportam os padecimentos (1-3-4). A sua firmeza será recompensada, e aqueles que os perseguem receberão o justo castigo “quando do céu se manifestar o Senhor Jesus” (1:3-12) e 6-10).
Quanto à segunda vinda de Cristo, o apóstolo afirma que não é um acontecimento imediato, mas que antes, deve aparecer o “iníquo” (2:9). É certo que este ministério da iniqüidade já está atuando (2:7) e que um dia chegará a ser plenamente manifesto; mas o Senhor o destruirá (2:8), quando trouxer o seu juízo e a sua vitória sobre “todos quantos não derem crédito à verdade...”(2:12). Esta exposição é seguida por uma ação de graças e algumas breves exortações (2:13-3:5). E o corpo central da carta termina com um chamado a se manter a disciplina e o trabalho honrado, para a melhor convivência de todos na congregação (3:6-15).
O conteúdo se centraliza em redor da segunda vinda do Senhor em relação a:
Os crentes perseguidos (1:1-7).
Os que não se arrependeram (1:8-12).
A apostasia (2:1-12)
O serviço (2:13-3:18)
Esboço
Introdução e saudações - 1.1-2.
A igreja dos tessalonicenses e a 2a vinda de Cristo - 1.3-12.
Os eventos que devem preceder a 2a vinda - 2.1-17.
Exortações éticas e práticas à luz da 2a vinda - 3.1-15.
Saudação final - 3.16-18.
1.8. TIMÓTEO
Seu nome significa: "que adora (ou honra) a Deus". Seu pai era grego. Sua mãe (Eunice) e avó (Lóide) eram judias cristãs, e seu pai pagão. Elas foram o exemplo e a origem dos primeiros conhecimentos que Timóteo recebeu a respeito de Deus. Quando Paulo esteve em Listra, encontrou Timóteo, um jovem de aproximadamente vinte anos, o qual passou a acompanhá-lo em suas viagens (At.16.1; II Tm.1.5; 3.14-15).
Timóteo foi circuncidado por Paulo. Sua condição de filho de grego não favorecia seu livre curso na comunidade judaica. Paulo então o circuncidou. Tal ato faria com que ele fosse tratado como se fosse um prosélito judaico (At.16.3).
A leal companhia e fiel colaboração de Timóteo forma uma ajuda constante e essencial no trabalho missionário do apóstolo Paulo. Desde o primeiro momento se estabeleceu entre eles um relacionamento, nunca quebrado, de confiança e amizade. Desse relacionamento são testemunho fidedigno as repetidas menções a Timóteo no livro de Atos e o fato de que, além disso, lhe dirigia duas epístolas nas quais o chama de “verdadeiro filho na fé” (1tm1:2) e “amado filho”(2Tm 1:2).
Além de ter sido companheiro de viagens de Paulo (2a e 3a viagens missionárias), Timóteo foi enviado pelo apóstolo a vários lugares. Por fim, foi encarregado de cuidar da igreja em Éfeso – I Tm.3.2. Em alguma ocasião esteve preso e depois foi solto – Hb.13.23. A tradição informa que Timóteo foi o 1o bispo de Éfeso. Se for verdadeira a informação, então podemos vislumbrar a progressão daquele ministro, que começando como evangelista, tornou-se pastor da igreja de Éfeso e acabou chegando ao bispado (I Tm.4.14; I Tm.1.3; II Tm.1.6; 4.5). Ainda, segundo a tradição, Timóteo foi martirizado em Éfeso.
O jovem discípulo recebeu o encargo de zelar pela “boa doutrina” na Ásia menor e de impedir possíveis desvios em direção a outros ensinamentos falsos e destrutivos que haviam começado a penetrar em comunidades cristão de formação recente. A alusão de “mestres de lei”, assim como a ênfase colocada nos valores autênticos da lei de Moisés denunciam a atividade que o judaizantes estavam desenvolvendo nas igrejas asiáticas.
Essas epístolas pastorais de Paulo (I Tm,II Tm.), foram escritas com o objetivo de animar, estimular e instruir o jovem Timóteo a respeito de questões bastante práticas. Com Paulo surgiu o que poderíamos chamar de uma "escola ministerial". Paulo ensinou a Timóteo que, por sua vez, deveria ensinar a outros e estes continuariam a transmissão do ensinamento.
1.8.1. PRIMEIRA EPÍSTOLA A TIMÓTEO
Trata-se da primeira das “Epístolas Pastorais”, assim chamadas por serem dirigidas a ministros com o propósito de instruí-los no governo da Igreja. A 1ª carta a Timóteo foi escrita depois do apóstolo Paulo ter sido posto em liberdade, após a sua primeira prisão.
Tema: Instrução a Timóteo sobre os deveres do seu cargo, para animá-lo e para admoestá-lo contra os falsos mestres.
Autor: Paulo
Data: 64 d.C. (datas prováveis variam entre 64 e 67) (entre as duas prisões em Roma). Paulo visitou Éfeso por volta de 63 dC, após ser libertado de usa primeira prisão romana. Logo em seguida, ele partiu, deixando Timóteo responsável pela igreja de lá. Ele provavelmente tenha escrito a carta em 64 dC.
Pode-se pensar, no entanto, que Paulo já estivesse próximo ao fina da sua vida quando redigiu esta carta, na qual se descobre uma estrutura eclesiástica que parece ser posterior aos primeiros esforços de organização na história do Cristianismo.
Local: Provavelmente em Macedônia.
Texto chave – 3.15-16.
Propósito:
Esta epístola revela uma série preocupação do seu autor pela organização da igreja. Isso é evidente nos seu interesse em dotá-la de normas de vida e de conduta, válidas tanto para cada membro individualmente como para a edificação e o crescimento espiritual das congregações cristãs em conjunto. Por isso, a carta contém instruções sobre diversos temas: a necessidade da oração e a boa ordem na comunidade (2:1-15), as bases para se chegar a uma eficiente organização da igreja (3:1-13), a vigilância frente ao erro doutrinário (4:1-5-6:2) e a atenção à administração congregacional e ao exercício do ministério pastoral (3:14-15; 5:1-6:2).
Menção especial deve ser feita ao texto de 3:16. É um breve poema formado por três partes de versos, que parecem apontar o caminho da exaltação de Jesus Cristo, desde a sua manifestação humana até a sua ascensão e glorificação nos céus. O autor chama “grande ministério da piedade” a esta bela afirmação de fé que vem a ser o centro de gravidade da teologia de 1 Timóteo.
Conteúdo:
I. A sã doutrina (cap.1)
II. Oração pública (cap.2)
III. Qualidades ministeriais (3:1-13)
IV. Doutrina falsa (3:14-4:11)
V. Instruções pastorais (4:12-6:2)
VI. Exortações finais (6:3-21).
Esboço
1 – Saudação – 1.1-2.
2 – A incumbência de opor-se aos falsos mestres – 1.3-11.
3 – O testemunho de Paulo – 1.12-17.
4 – Exortação a que se milite a boa milícia – 1.18-20.
5 – A oração – 2.1-8.
6 – Os deveres das mulheres cristãs – 2.9-15
7 – Oficiais da igreja – bispos e diáconos – 3.1-13.
8 – Admoestações contra a apostasia e as doutrinas de demônios – 3.14 a 4.5.
9 – Instruções sobre a conduta do ministro – 4.6 a 6.19.
10 – O tratamento com os transgressores, as viúvas, os anciãos, os escravos e os ricos. 5.1 a 6.19.
11 – Conclusão – 6.20-21.
1.8.2. SEGUNDA EPÍSTOLA DE PAULO A TIMÓTEO
Anteriormente Paulo havia passado dois anos na prisão de Roma, mas foram dois anos de prisão atenuada, de um regime aberto que, inclusive, lhe permitia dispor de casa independente (At.28:30). Depois disso, foi posto em liberdade, e durante algum tempo, pôde dedicar-se novamente ao seu trabalho de apostolado na Macedônia, Creta, Ásia Menor e outros lugares.
Mais tarde se levantou uma perseguição contra os cristãos, instigada pelo imperador Nero, que os acusou de terem incendiado Roma. Paulo, o chefe reconhecido dos cristãos foi preso novamente, provavelmente em Trôade, e a sua prisão deve ter sido repentina. Ao chegar em Roma foi encarcerado; mas desta vez, conforme é referido em 2 Timóteo, a situação era bastante diferente. Ele mesmo diz que as condições do seu cativeiro eram agora tão duras, que , inclusive, lhe tratavam “como malfeitor” (2:9),o que significa, entre outros males, que estava sujeito a algemas. E o término previsível das suas expectativas para si era o de uma execução em breve (4:6-8).
É provável, além do mais, que a sua saúde estivesse debilitada na prisão e que necessitasse da indispensável roupa de frio (4:13). Tudo isso lhe ocorria quando somente tinha Lucas ao seu lado (4:11), pois os seus outros colaboradores se achavam ausentes de Roma, dedicados ao cumprimento das suas respectivas tarefas e ministérios. Esse desfavorável acúmulo de circunstâncias explica a insistência com que Paulo roga a Timóteo: “Procura vir ter comigo depressa” (4:9), “Apressa-te a vir antes do inverno”(4:11).
Esta carta tem uma entonação especialmente dramática. Paulo se encontrava preso novamente em Roma. Dessa vez, seria morto. Essa foi sua última epístola, embora não esteja em último lugar na ordem adotada para o Novo Testamento. O apóstolo demonstra coragem, mesmo estando consciente do seu destino (4.6-8). Ele não se entrega a murmurações. Apenas relata que foi abandonado por todos, exceto por Lucas (1.15; 4.11). Encontra-se velho e teme pelo inverno que se aproxima. Pede que Timóteo vá ter com ele levando sua capa e seus livros (4.13,21).
Tema: Lealdade ao Senhor e à verdade em vista da perseguição e apostasia.
Autor: Paulo
Data: Cerca de 64 - 67 Dc. Pouco antes do martírio de Paulo em Roma.
A carta originou-se devido à preocupação de Paulo com as necessidades de Timóteo, bem como suas próprias. Ele lembrou Timóteo de suas responsabilidade e o advertiu a se entregar de corpo e alma à sua tarefa. Em relação a si mesmo, Paulo necessitava de algumas coisas pessoais (4.13) e, em sua solidão, desejava ver Timóteo e Marcos (4.9-11). Há pouca dúvida sobre Paulo ter escrito esta carta pouco antes de sua morte. Portanto, como é provável que ele tenha sido executado antes da morte de Nero em 68 dC, a carta deve ser datada de 66/67.
Propósito:
A segunda epístola tem muita semelhança com a primeira. Paulo se aplica a encorajar Timóteo, orientado-o no que diz respeito à vida cristã e ao ministério. Lembrando os ensinamentos que o jovem pastor recebera na infância, bem como as profecias a respeito de seu ministério e também sua consagração mediante a imposição de mãos, o apóstolo o encoraja a assumir seu papel de obreiro de Deus. A epístola fala dos desafios e da postura determinada do obreiro. Timóteo deveria despertar o dom ministerial (1.6) e defender a sã doutrina contra o erro (1.13).
Esta epístola foi escrita pelas seguintes razões:
Pedir a presença de Timóteo em Roma;
Para admoestá-lo contra falsos mestres;
Para animá-lo em seus deveres;
Para fortalecê-lo contra as perseguições vindouras
Conteúdo:
Introdução (1:1-5)
Exortações em vista dos sofrimentos e perseguições futuras (1:6-2:13).
Exortações em vista da apostasia futura (3:1-4:8).
Conclusão (4:9-22).
Esboço
Saudações – 1.1-5
Incumbência para Timóteo: desperte o dom – 1.6-18.
2a incumbência – seja forte – 2.1-19.
3a incumbência – seja vigilante – 2.20 a 3.17.
4a incumbência – pregue a palavra – 4.1-8.
Saudações finais – 4.9-22.
1.9. TITO
Na ordem de composição, a epístola a Tito segue à primeira a Timóteo. Depois de ter escrito esta última, Paulo navegou com Tito para Creta, onde o deixou a fim de pôr em ordem as igrejas não organizadas.
É estranho que uma pessoa cujo nome esteja listado entre os livros do NT seja tão pouco conhecida. Mesmo que Tito fosse companheiro e um valioso colaborador de Paulo, não existe nenhuma menção a seu respeito em Atos.
Tito era grego e evidentemente um convertido de Paulo. O fato de Tito não ser circuncidado (Gl. 2.3) indica que ele não foi criado no judaísmo, nem se tornou um prosélito. Paulo tinha muita estima por Tito e o apostolo se inquietava quando havia pouco ou nenhuma notícia sobre as atividades e o paradeiro do jovem.
Sabendo que o caráter indigno e imoral dos cretenses e a presença de mestres falsos tornariam difícil a sua tarefa, Paulo escreveu a Tito uma carta para o instruir e animar em seus deveres. A epístola é curta, contendo apenas três capítulos, mas reúne num espaço limitado grande quantidade de instruções, abrangendo doutrina, moral e disciplina. Martinho Lutero disse dessa epístola: “Esta é uma epístola curta, mas contém todo o necessário para o conhecimento e a vida cristã”.
Essa é uma das epístolas pastorais. (Em ordem cronológica: I Tm. Tito e II Tm.) Paulo parece apressado ao escrever essa epístola. Não especifica nomes na saudação e abrevia a benção final (3.15).
Tema: Organização da igreja e comportamento cristão.
Autor: Paulo
Data: Entre 64 e 66 d.C. Após a libertação de Paulo de sua primeira prisão em Roma.
Embora o NT não registre um ministério de Paulo em Creta, passagens como 1.5 indicam claramente que ele e Tito conduziram uma missão lá. Essa campanha provavelmente tenha acontecido em alguns momentos durante 63-64 dC, após a libertação de Paulo de sua primeira prisão em Roma. Como tinha pouco tempo, Paulo deixou Tito em Creta para cuidar de novas igrejas. Então o apóstolo partiu para outras áreas de trabalho. Em algum momento a caminho de Nicópolis, na Grécia (3.12), ele escreveu para Tito. A carta dá indicações de ter sido escrita durante o outono, provavelmente por volta de 64 dC (3.12).
Local de origem: Em algum ponto da Ásia Menor, provavelmente Macedônia.
Texto chave: 1.5
Classificação: eclesiologia.
Propósito: Instruir Tito acerca da organização da igreja cretense e para dirigi-lo no método de tratar com o povo.
Conteúdo:
I. A ordem e doutrina da Igreja (cap.1)
II. A conduta da Igreja (caps. 2,3).
Esboço Comentado
1-Introdução – 1.1-4.
2. Deveres e qualificações dos ministros – 1.5-9. - Apresenta requisitos para os obreiros da igreja. Tito recebeu a incumbência de constituir ministros. Observamos nisso a capacidade de Tito e confiança de Paulo em sua pessoa.
3. Os falsos mestres – 1.10-16. - Paulo demonstra novamente sua constante preocupação com os falsos mestres e a saúde doutrinária das igrejas.
4. Instruções em relação ao comportamento cristão – 2.1-10. - Assim como ocorre em várias epístolas, Paulo apresenta instruções práticas para a vida cristã. Ele se refere a várias classes de pessoas que faziam parte da igreja. Sabendo que o povo de Creta era imoral e preguiçoso, os convertidos deveriam ter um padrão de comportamento diferente.
5. A salvação – 2.11-15. - Paulo dedica parte de sua epístola para reforçar o ensinamento a respeito dos fundamentos da fé cristã.
6. A vida cristã na sociedade – 3.1-11. - A epístola fala das relações na igreja, na família, no trabalho e na sociedade. Em todos esses lugares existe o conceito de autoridade e governo. O evangelho afetará todas as áreas da vida do convertido.
7. Conclusão – 3.12-15 - Paulo parece apressado ao escrever essa epístola. Não especifica nomes na saudação e abrevia a benção final (3.15).
1.10. FILEMOM
É a carta paulina mais breve de a única de caráter absolutamente de caráter pessoal.
Filemom - Era um cristão generoso, de boa posição social e dono de escravos. Parece que Filemom tinha se convertido sob o ministério de Paulo (v.10), que morava em Colossos, e que a igreja colossense se reunião em sua casa (v.2). Onésimo, um de seus escravos tinha fugido para Roma, aparentemente depois de danificar ou roubar a propriedade do mestre (vs. 11,18). Em Roma, Onésimo entrou em contato com o preso Paulo, que o levou a Cristo (10). Seu nome grego significa "amável".
Paulo escreveu para a igreja em Colossos e evidentemente incluiu esta carta a favor de Onésimo. Tíquico e Onésimo aparentemente entregaram as duas cartas (Cl 4.7-9; Fm 12). O relacionamento próximo de Paulo e Filemom é evidenciado através de suas orações mútuas (vs 4 e 22) e de uma hospitalidade de “portas abertas” (v.22). Amor, confiança e respeito caracterizavam a amizade deles (vs. 1, 14,21)
A escravidão era uma realidade econômica e social aceita no mundo romano. Um escravo era propriedade de seu mestre, e não tinha direitos. De acordo com a lei romana, os escravos fugitivos poderiam ser severamente punidos e mesmo condenados à morte. Às revoltas dos escravos no séc. I resultaram em proprietários temerosos e suspeitos. Mesmo a igreja Primitiva não tendo atacado diretamente a instituição da escravidão, ela reorganizou o relacionamento entre o mestre e o escravo. Ambos eram iguais perante Deus (Gl. 3.28), e ambos eram responsáveis por seu comportamento (Ef 6.5-9).
Trata-se da única amostra da correspondência particular de Paulo que nos foi preservada. Pela impressão de cortesia, prudência e técnica de estilo que Paulo nos apresenta, ela tornou-se conhecida como a “epístola da cortesia”. Não contém instrução alguma direta referente à doutrina ou conduta cristãs. O seu valor principal encontra-se no quadro que nos oferece do funcionamento prático da doutrina cristã na vida diária e da relação do Cristianismo com os problemas sociais.
O tema da história contada pela epístola trata de um escravo fugitivo chamado Onésimo. Mais afortunado do que alguns de seus companheiros, tem por amo um cristão, Filemom, convertido de Paulo. Por causas não mencionadas, Onésimo fugiu de seu amo. Foi a Roma, onde se converteu sob a pregação de Paulo. O apóstolo encontrou nele um convertido sincero e amigo devotado.
Onésimo chegou a ser tão querido por Paulo, que este quis retê-lo para lhe ministrar na prisão. Mas o apóstolo teve de abrir mão desse privilégio. Embora Onésimo tenha-se arrependido de seu pecado, havia necessidade de restituição, o que somente podia ser cumprido pelo regresso do escravo e a sua submissão ao amo. Este dever implicava em sacrifício não somente de Paulo, mas em outro ainda maior de Onésimo que, voltando ao seu amo, estarei exposto a severo castigo – a crucificação, punição geralmente aplicada aos escravos fugitivos.
O senso de justiça requeria de Paulo que devolvesse o escravo, mas a força do amor fê-lo intervir por ele e salvar-lhe a vida. Escreveu uma carta gentil e delicada de súplica afetuosa, identificando-se com Onésimo.
Tema: Intercessão por Onésimo, um escravo fugitivo convertido ao Evangelho, ao seu amo.
Autor: Paulo
Data: Paulo escreveu esta carta durante sua prisão romana por volta de 61 dC. E pela delicadeza do assunto que vai tratar nesta, prefere escrever a próprio punho (v.19), ao invés de ditar a carta a algum amanuense. Foi enviada por Tíquico com as cartas aos Colossenses e Efésios.
Local: Roma. Epístolas da prisão: Ef. Col. Fm. Fp.
Valor da Epístola:
O seu valor pessoal encontra-se no fato de proporcionar conhecimento do caráter de Paulo, revelando seu amor, humildade, cortesia, altruísmo e tato.
Seu valor providencial. Aprendemos aqui que Deus pode estar presente nas circunstâncias mais adversas (v.15).
Seu valor prático. Somos animados a buscar e redimir o mais baixo e degradado. Onésimo não tinha nada que o recomendasse, porque era um escravo fugitivo, e pior ainda, um escravo da Frigia, uma região notória pelo vício e estupidez de seus habitantes. Mas Paulo ganho-o para Cristo.
Seu valor social. A epístola demonstra a relação entre o Cristianismo à escravidão. Na época de Paulo, havia cerca de 6 milhões de escravos no império romano e a sua sorte, em geral, era de miséria. Considerados como propriedades de seus amos, estavam completamente a mercê deles. Não tinham direitos legais. Pela mínima ofensa podiam ser açoitados, mutilados, crucificados ou entregues as feras. Não lhes era permitido matrimônio permanente, mas somente uniões temporais que podiam ser rompidas segundo a vontade do amo. Pode-se perguntar porque o Cristianismo não procurou destruir este sistema? Isto exigiria uma tremenda revolução e a religião de Cristo reforma pelo amor e não pela força. Ela ensina princípios que destroem e derrubam sistemas maus. Este método de reforma é bem ilustrado pelo caso de Filemom e Onésimo. Amo e escravo foram unidos no Espírito de Cristo, e nesta união ficaram extintas todas as distinções sociais (Gal.13:28). Embora Paulo não tenha ordenado diretamente Filemom a libertação de Onésimo, as palavras dos versículos 16-21 implicam o total desejo do apóstolo.
Seu valor espiritual. Proporciona-nos alguns símbolos notáveis da nossa salvação. Os seguintes acontecimentos sugerem tais símbolos: Onésimo abandonando o seu amo; Paulo encontrando-o; Paulo intercedendo em seu favor; a identificação de Paulo com o escravo; o seu oferecimento de pagar a dívida; a recepção de Onésimo por Filemom por causa de Paulo; a restauração do escravo a favor do seu amo.
Conteúdo
Epístola de caráter pessoal.
Paulo desejava uma verdadeira reconciliação cristã entre o proprietário de escravos lesado e o escravo perdoado. Paulo, com delicadeza, mas com urgência, intercedeu por Onésimo e expressou total confiança de que a fé e amor de Filemom resultariam na restauração (vs 5,21).
Introdução (vv 1-3)
Elogio (vv 4-7)
Intercessão por Onésimo (vv 8-21)
Conclusão: saudação (vv 22-25)
Esboço Comentado
v.1,9,10,13 – Paulo estava velho e preso em Roma.
v.2 – Na casa de Filemom se reunia uma igreja. De acordo com os comentaristas, Áfia seria o nome da esposa de Filemom e Arquipo, seu filho.
v.8-20 – Retorno do escravo Onésimo.
Onésimo havia fugido para Roma. Era um escravo esperto e visionário. Foi logo para a capital do Império. Talvez tenha furtado de Filemom antes de fugir. Em Roma, encontra-se com o apóstolo Paulo e se converte ao evangelho. Em seguida retorna a Colossos junto com Tíquico, levando a carta a Filemom e também a epístola aos Colossenses - Col.4.9.
O nome Onésimo significa "útil", exatamente o que não tinha sido para Filemom, mas passaria a ser (v.11).
A carta enfatiza a transformação de uma vida. O convertido precisa reparar o erro cometido, se isso for possível. Para Onésimo, era possível voltar à casa do seu senhor. Portanto, devia fazê-lo. Restituir o dinheiro furtado, entretanto, não era possível (v.18).
Nessa carta, chama-nos a atenção a questão da escravidão. Paulo não condenou tal prática. Afinal, estava mandando o escravo de volta ao seu dono. Temos uma idéia de escravidão muito vinculada à prática portuguesa no Brasil. Entretanto, podemos amenizar esse conceito quando estudamos a respeito da servidão entre os judeus. Um judeu poderia se tornar escravo do outro como forma de pagar uma dívida. O contexto de Onésimo não era judaico, mas devemos observar que Paulo aconselhou Filemom a tratar o escravo como um irmão amado. Então, o texto não está endossando a prática de crueldades contra os escravos. Mesmo assim, a questão parece não estar ainda resolvida. Talvez esperássemos que Paulo "proclamasse a liberdade" de Onésimo. Contudo, não o fez. O fato é que o evangelho não é uma metodologia de revolução social, mas de revolução pessoal. Paulo não poderia simplesmente dizer que Onésimo estava livre. Onde ele iria morar? Quem garantiria o seu sustento. Então, o melhor a fazer era retornar à casa de Filemom.
Manter Onésimo como escravo é totalmente contrário à "teologia da prosperidade" e a "teologia da libertação". Entretanto, o cristão só não pode ser escravo do pecado nem do Diabo. (I Cor.7.20-21). Escrevendo aos Coríntios, Paulo mostra que não importa se o cristão é servo ou senhor. Contudo, se tiver oportunidade de se libertar, não deve perdê-la. A libertação dos escravos era ideal e desejável. Contudo, isso não poderia ocorrer de modo temerário, mas dependeria da situação de cada um. Do mesmo modo, muitos empregados hoje vivem em situação semelhante à de escravos. É verdade que ganham o seu salário mensal, mas este é tão "mínimo" que talvez fosse melhor morar na casa do patrão e ter roupa, comida e um teto. Proclamar a libertação de Onésimo seria como dizer a um empregado de hoje: "Saia desse serviço. Deus tem algo melhor para você." Poderíamos fazer isso sem ter algo a oferecer para a pessoa? Tal questão não pode ser definida através de uma regra, pois trata-se de algo pertencente ao plano de Deus para cada cristão individualmente. Acima de todas essas considerações, Deus tem todo controle sobre a história e pode permitir ou encerrar os períodos de escravidão de acordo com os seus soberanos e inescrutáveis propósitos. Lembremo-nos de Israel, o povo de Deus, que foi escravizado no Egito durante 430 anos, mas, no tempo certo foi liberto pelo Senhor. Nada disso acontece sem um propósito e sem uma razão, embora nem sempre a conheçamos.
v.17-19 – A epístola a Filemom mostra o empenho de Paulo a favor de um escravo, a fim de que seu senhor o recebesse pacificamente. O escravo convertido passa a ser chamado de irmão amado (v.16), filho (v.10) e fiel (Col.4.9). É fácil ver alguém se empenhando a favor dos abastados. Entretanto, o amor de Cristo deve nos fazer agir a favor dos menos favorecidos.
Esboço
1 – Saudações e ações de graças – 1-7.
2 – Apelo de Paulo a favor de Onésimo – 8-21.
3 – Saudações finais – 22-25.
2. CARTAS GERAIS
2.1. HEBREUS
O nome da epístola - "Hebreu" era o nome dados aos israelitas pelas nações vizinhas. Talvez tenha derivado de Éber ou Héber, que significa "homem vindo do outro lado do rio" (Jordão ou Eufrates) (Gn.10.21,24; 11.14-26; 14.13 Js.24.2). Abraão foi chamado de "hebreu".
Temos então várias designações para o mesmo povo:
- Hebreu: designa descendência.
- Israel: destaca o aspecto religioso.
- Judeu: da tribo de Judá ou habitante do reino de Judá.
Alguns desses termos foram mudando um pouco de sentido com o passar do tempo. O "judeu" do Velho Testamento estava estritamente ligado à tribo de Judá. Depois do cativeiro, a maior parte dos que regressaram a Canaã eram da tribo de Judá. Então, "judeu" tornou-se quase um sinônimo de israelita, já que quase todos os israelitas eram judeus. O termo tem esse mesmo sentido genérico até hoje.
O "hebreu" do Velho Testamento era todo indivíduo israelita. No Novo Testamento, esse termo passa a designar mais especificamente aquele israelita que fala aramaico e é mais apegado ao judaísmo ortodoxo, em contraposição ao "helenista", que é o israelita que fala grego e está mais influenciado pela cultura grega. Nesse sentido, veja Filipenses 3.5 e II Coríntios 11.22, nos quais o apóstolo Paulo cita com orgulho o fato de ser "hebreu" , assim como eram seus pais.
Propósito:
Foi escrita para reprimir a apostasia dos judeus cristãos que tinham a intenção de voltar ao judaísmo.
A leitura desta epístola revela que a maior parte dos hebreus cristãos, a quem o autor se dirige, estava em perigo de afastar-se da fé. Comparado com a nação inteira, era um pequeno grupo de pouca importância, considerado pelos seus patrícios como traidores e objeto de suspeita e ódio. Sentiam a sua isolação, separados do resto da nação. Uma grande perseguição os ameaçava. Oprimidos pelas tribulações presentes e pelo pensamento de adversidades futuras, cederam ao desânimo. Eles ficavam atrás no progresso espiritual (5:11-14); muitos negligenciavam o culto (10:24-25); muitos, cansados de andar pela fé, olhavam para o magnífico templo de Jerusalém, com os seus sacrifícios e ritos imponentes. Havia uma tentação de abandonar o Cristianismo e voltar ao Judaísmo. Para impedir tal apostasia, foi escrita esta epístola, cujo propósito principal é mostrar a relação do sistema de Moisés com o Cristianismo, e o caráter simbólico e transitório do primeiro. O escritor, antes de tudo, expões a superioridade de Jesus Cristo sobre todos os mediadores do Antigo Testamento e mostra a superioridade da Nova Aliança sobre a Antiga, como a superioridade da substância sobre a sombra. Estes crentes encontravam-se perplexos e desanimados pelas múltiplas tentações e pelo fato de terem de andar pela fé no meio de adversidades, pela mera Palavra de deus sem nenhum apoio e consolo visíveis. O autor da epístola prova-lhes que os heróis do Antigo Testamento passaram por experiências semelhantes, andando pela fé, confiando na palavra de Deus, apesar de todas as circunstâncias adversas e até enfrentando a morte. Assim, os crentes, como os seus antepassados, hão de sofrer como vendo aquele que é invisível.
Tema – A religião de Jesus Cristo é superior ao Judaísmo, porque tem um pacto melhor, um sumo sacerdote melhor, um sacrifício e um tabernáculo melhores. A superioridade de Cristo sobre os profetas, os anjos, a lei, sobre Moisés, Josué, Aarão e sobre os sacerdotes (Hb.1.4; 6.9; 7.7,19,22; 8.6; 9.23; 10.34; 11.16,35,40; 12.24).
Autor: desconhecido. Não há outro livro no Novo Testamento cuja autoria seja mais disputada, nem cuja inspiração seja mais incontestável. Hebreus não designa seu autor, e não existe unanimidade de tradição em relação à sua identidade. Alguns sábios destacam algumas evidências que podem indicar uma autoria paulina, enquanto outros sugerem que um dos colaboradores de Paulo, como Barnabé ou Apolo, podem ter escrito o livro. A especulação provou-se infrutífera, e a melhor conclusão pode ser a de Orígenes, no séc. III, que declarava que só Deus sabe ao certo quem o escreveu.
Data: A referência a Timóteo e o fato de sua prisão fazem a datação do livro se projetar para o final dos anos 60 do primeiro século. Já que as epístolas paulinas não dizem que Timóteo tenha sido preso, então é possível que a carta aos Hebreus tenha sido produzida depois daquelas identificadas paulinas. O livro fala de um sacerdócio em funcionamento no templo de Jerusalém (10.1,11; 9.6-8). Isso nos faz concluir que o livro não pode ter sido escrito depois do ano 70, data da destruição do templo. Portanto, a datação, embora indefinida, fica entre 60 e 70 d.C. (10.11; 13.11).
Localização: A única evidência em relação ao local em que o livro foi escrito é a saudação enviada pelos “da Itália” (13.24), indicando talvez que o autor estivessem em Roma ou escrevendo para os cristãos de Roma.
Palavra-chave: melhor (ou superior, ou mais excelente).
Texto-chave: Hb 1:1-2
Classificação: cristologia
Destinatários: judeus cristãos que talvez residissem em Jerusalém.
A epístola aos hebreus nos mostra que seus destinatários eram judeus cristãos. Ao mesmo tempo em que o autor está se dirigindo a pessoas convertidas a Cristo (Hb.10.19), ele dá a entender que elas tinham um passado de vínculo com o judaísmo. Tais irmãos pertenciam a uma igreja, cujos líderes são anonimamente referenciados no capítulo 13 (versos 7, 17 e 24). A localização de tal igreja é objeto de especulação por parte dos estudiosos e comentaristas. As sugestões mais comuns são: Roma, Jerusalém, Antioquia, Cesaréia e Alexandria. Como se vê, as possíveis cidades eram grandes centros. Jerusalém e Cesaréia eram cidades da Judéia. Nas outras localizavam-se grandes colônias judaicas. Naturalmente, em todas elas havia igrejas locais que contavam com a presença de muitos judeus cristãos.
Características
O livro tem teor cristológico, ou seja, apresenta um verdadeiro tratado sobre a pessoa de Cristo, principalmente no que tange à sua obra vicária.
O livro é apologético. Seu discurso é um forte pronunciamento em defesa da fé cristã contra recuos ou desvios.
A carta aos Hebreus liga o Velho e o Novo Testamento de modo brilhante. Temos na obra os seguintes confrontos:
- Valores da lei X valores da graça
- Símbolos X realidade
- Antiga aliança X nova aliança
- Passado X futuro (Hb.2.5).
Teologia:o discurso teológico de Hebreus se desenvolve através de uma constante valorização do sentido do Antigo Testamento à luz da pessoa e da obra de Jesus, o qual, mediante o seu sacrifício na cruz, traz a salvação ao mundo. Em Cristo, Deus culmina a sua revelação, a qual já aténs havia iniciado ao falar “de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas” (1:1); porque Cristo é a Palavra eterna, a mesma Palavra dita por Deus aos antepassados.
Pões em destaque o caráter único de Jesus, o Filho de Deus, e a sua categoria superior a qualquer outra.
Um grande espaço de hebreus está dedicado à descrição do sistema de culto e a instituição sacerdotal de Israel, para assinalar as suas limitações e a sua caducidade e para contrapô-los com à pessoa de Jesus Cristo, cuja morte profética de se deu para resgatar do pecado; somente nela é que o sacerdócio levíticos, as ofertas e os sacrifícios rituais prescritos pela lei mosaica alcançam a plenitude do seu sentido.
Esboço
1 - A glória e a superioridade de Cristo - 1.1 a 4.13.
2 - O novo sacerdócio de Cristo - 4.14 a 8.13.
3 - Contraste entre o velho e o novo - 9.1 a 10.39.
4 - A glória da fé - 11.1-40.
5 - A vida de fé - 12.1 a 13.25.
2.2. TIAGO
A epístola de Tiago é o livro prático do Novo Testamento, como Provérbios o é do Antigo. De fato, suas declarações francas e concisas de verdades morais têm semelhança notável com Provérbios. Ela contém muito poucas instruções doutrinárias; o seu propósito principal é pôr em relevo o aspecto religioso da verdade. Tiago escreveu a certa classe de judeus cristãos na qual se manifestava uma tendência de separar a fé das obras. Pretendiam ter a fé, mas existia entre eles impaciência sob provação, contendas, acepção de pessoas, difamações e mundanismo. Tiago explica que uma fé que não produz santidade de vida é coisa morta, um mero consentimento a uma doutrina, que não vai além do intelecto. Salienta a necessidade de uma fé viva e eficaz para obter a perfeição cristã, e refere-se ao simples Sermão da Montanha que exige verdadeiros atos de vida cristã.
“Há aqueles que falam de santidade e são hipócritas; os que professam o amor perfeito, mas que não vivem em paz com os irmãos; aqueles que ostentam muita fraseologia religiosa, mas fracassam na filantropia prática. Esta epístola foi escrita para eles. Talvez não lhes dê muito consolo, mas deve ser-lhes muito útil. O misticismo que se contenta com sistema e frases religiosas, mas negligencia o sacrifício real e o serviço devotado, encontrará aqui o seu antídoto. O que não reconhece a necessidade de uma vida pura correspondente deve estudar a sabedoria prática da epístola de Tiago. Os “quietistas” que se contentam em sentar-se e cantar para conseguir a felicidade eterna, devem ler esta epístola até sentirem a sua inspiração a fim de apresentarem ativamente aos boas obras; todos aqueles que são fortes na teoria e fracos na prática, devem mergulhar no espírito de Tiago; e como há gente desse gênero em cada comunidade, em todas as épocas, a mensagem da epístola nunca envelhecerá” – D.A. Hayes.
Tema principal : Cristianismo prático.
Autor: O autor identifica-se somente como Tiago. O nome era bastante comum; e o NT enumera pelo menos cinco homens com este nome, dois dos quais eram discípulos de Jesus e um era seu irmão. A tradição atribui o livro ao irmão do Senhor, e não há motivos para questionamentos. Evidentemente, o escritor era bastante conhecido, e Tiago, o irmão de Jesus, logo tornou-se líder da igreja em Jerusalém. A linguagem da carta é semelhante à da fala de Jesus em At 15. Aparentemente, Tiago era um descrente durante o ministério de Jesus (Jo 7.3-5). Uma aparição de Cristo a ele após sua ressurreição (1Co 15.7) provavelmente o tenha levado a essa conversão; pois ele é enumerado com os crentes de At 1.14.
Data: O historiador Judeu Josefo indica que Tiago foi apedrejado até a morte por volta de 62 dC; então, se ele é o autor, a carta foi escrita antes dessa data. O conteúdo do livro sugere que pode ter sido escrita um pouco antes do concílio da Igreja relatado em At 15, que se reunião por volta de 49 dC. Não podemos ser dogmáticos, e só se pode concluir que a carta provavelmente tenha sido escrita entre 45 e 62 dC. Alguns comentaristas sugerem um período ulterior às epístolas paulinas, na segunda metade do primeiro século. Acredita-se que foi a primeira epístola escrita à Igreja.
Local: Jerusalém
Textos chave: 1.27 e 2.26.
Características: O livro tem teor prático, rigoroso, impessoal, usa muitas ilustrações, é direto, tem estilo semelhante ao sermão da montanha. Apresenta diversos preceitos morais. A carta contém 108 versículos, entre os quais temos 54 mandamentos.
Características literárias: O escrito da epístola dominava a língua grega com incomum maestria. Como obra literária, este texto é um dos mais destacados no Novo Testamento, pela sua correção gramatical, pela amplitude do seu léxico e pela riqueza das suas metáforas, exemplos, analogias e diálogos retóricos. A redação, por outro lado, contém sinais evidentes de uma mentalidade semítica. É evidente que Tiago foi um hebreu palestino, possuidor de uma ampla formação helenística e que escreveu, sobretudo, para cristãos de origem judaica.
Destinatários: A carta é destinada às 12 tribos da diáspora (dispersão). São judeus cristãos que se encontravam dispersos entre várias nações. (Tg. 1.1; 2.2). O tom da epístola revela o fato de ter sido escrita para os judeus.
Propósito:
Esta epístola foi escrita pelas razões que se seguem:
Para consolar os judeus cristãos, que estavam passando por provas severas;
Para corrigir desordens em suas assembléias;
Para combater a tendência de separar a fé das obras.
Esboço
1 - Prefácio e saudações - 1.1
2 - As provas e tentações - 1.2-18.
3 - A prática da palavra de Deus - 1.19-27.
4 - A acepção de pessoas - 2.1-13.
5 - A fé e as obras - 2.14-26.
6 - Os males da língua - 3.1-18.
7 - Várias exortações práticas - a oração e a paciência - 4.1 - 5.20.
2.3.1. 1ª PEDRO
Esta epístola nos oferece uma ilustração esplêndida de como Pedro cumpriu a missão que lhe foi dada pelo Senhor (Lc 22:32). Purificado e confirmado por meio do sofrimento e amadurecido pela experiência, Pedro podia pronunciar palavras de encorajamento a grupos de cristãos que estavam por duras provas. Muitas das lições que ele aprendeu do Senhor, ele fez saber aos seus leitores. Aqueles a quem ela se dirigia estavam passando por tempos de prova. Assim, Pedro os anima demonstrando-lhes que tudo quanto era necessário para ter força, caráter e coragem, havia sido provido na graça de Deus. “Ele é o Deus de toda a graça” (5:10). Cuja mensagem ao seu povo é “a minha graça é suficiente”.
No ano 63 a.C., o general romano Pompeu conquistou Jerusalém. Desde então, os judeus, levados pelo profundo ódio e desprezo que Roma lhes inspirava, começaram a chamá-la de “Babilônia”, o nome da antiga cidade que evocava neles a imagem de um mundo pagão, blasfemo e corrupto. A Igreja, como os judeus, também utilizou o nome de Babilônia para simbolizar a poderosa Roma imperial. E assim Pedro se refere a ela quando transmite aos destinatários da sua carta a saudação da igreja “que se encontra em Babilônia” (5:13).
Tema: A suficiência da graça divina e a sua aplicação prática com relação à vida cristã e para suportar a prova e o sofrimento.
Autor: A autoria da primeira epístola de Pedro não está envolta em dúvidas e questionamentos como acontece com outros escritos bíblicos. O autor começa o texto se apresentando: "Pedro, apóstolo de Jesus Cristo" (I Pd.1.1). A seu respeito, o Novo Testamento nos fornece muitas informações. Seu nome original era Simão, abreviatura de Simeão, nome hebraico que significa "famoso". Silvano, que acompanhou Paulo em segunda viagem missionária provavelmente tenha sido secretário de Pedro na composição de 1 Pe (5.12), o que talvez explique o estilo polido do grego da carta.
A autoridade do autor fica evidente. Além de ser apóstolo (I Pd.1.1), Pedro foi "testemunha das aflições de Cristo" (I Pd. 5.1). Seu ensino estava, portanto, bem fundamentado, sendo digno de aceitação.
Além de Silvano, também Marcos estava na companhia de Pedro quando escreveu a primeira epístola (I Pd.5.13).
A tradição antiga sugere que Pedro foi martirizado em Roma junto com a severa perseguição de Nero aos cristãos depois do incêndio de Roma em 64 dC. Esta carta foi escrita provavelmente perto do fim da vida de Pedro, mas enquanto ele ainda poderia dizer: “honrai ao rei” (2.17). O início dos anos 60 é uma boa estimativa para a composição de 1 Pedro.
Data: Os comentaristas sugerem datas entre 60 e 68 d.C. O ano mais indicado é 64. A carta foi escrita numa época de grande perseguição imperial contra a igreja após o incêndio em Roma. No livro de Atos, os principais perseguidores eram os judeus. No período em que Pedro escreveu, os perseguidores passaram a ser os gentios (4.3,4,12).
Texto chave: 4.1
Palavra chave : sofrimento (1.11; 2.20; 3.17; 4.19; 5.1,9,10)
Destinatários:- cristãos dispersos na Ásia Menor (judeus e gentios) - 1.1; 2.10. A primeira epístola de Pedro não oferece dados que permitam identificar os seus leitores imediatos. Somente diz que viviam como “forasteiros” nos territórios de “Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1:1), cinco regiões do centro e Norte da Ásia menor (atualmente Turquia). Provavelmente, se tratava de pequenos grupos cristãos, compostos por convertidos de origem gentílica e que faziam parte da diáspora.
Durante algum tempo, Pedro foi contrário à evangelização dos gentios. Vemos, portanto que, por ocasião do envio dessa epístola, tal problema já tinha sido superado. Agora Pedro já aceita os gentios e os considera tão dignos do evangelho e do reino de Deus quanto os judeus.
O apóstolo chega a tomar palavras ditas a Israel no Velho Testamento, aplicando-as aos gentios que fazem parte da igreja. "...Antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus...". (I Pd.2.9-10). Outros textos desenvolvem esse paralelismo entre a igreja e Israel, citando o sacrifício e o templo numa nova perspectiva (I Pd.1.19; 2.4-5).
A epístola foi dirigida aos irmãos que moravam em regiões por onde Paulo passou e fundou igrejas. Por quê Pedro escreveria para eles? Isso faz com que alguns entendam que, quando essa epístola foi produzida, Paulo já teria morrido. O fato Silvano e Marcos, antigos companheiros de Paulo, estarem com Pedro também é usado como argumento a favor dessa hipótese.
Características: O livro é exortativo, consolador, cristológico, "cristocêntrico". Observamos que Tiago quase não cita Jesus em sua carta. Pedro, porém, cita-o a todo o momento. Aquele que o havia negado, agora tem no seu nome a base de sua doutrina.
Características literárias: O texto está redigido em um grego de notável nível literário. Em 5:12, aparece um dado interessante; “Por meio de Silvano...vos escrevo”. Isso pode significar que, mesmo que Pedro seja o autor e assinante do texto, para a sua redação contou com um secretário erudito. E, visto que Silvano é a forma latina do nome aramaico Silas, é possível supor que aqui se trata daquele que foi companheiro de viagem e colaborador de Paulo.
Propósito:
O objetivo principal desta epistola é animar os seus leitores a manterem, em meio às aflições e perseguições, uma conduta pura, digna daqueles que professam a fé em Jesus Cristo. Junto a esse objetivo primordial, os ensinamentos que a carta contém aparecem, antes de mais nada, como o indispensável suporte de uma exortação pastoral.
Conteúdo:
Regozijo no sofrimento por causa da salvação (1:1-12)
Sofrendo por causa da justiça (1:13-3:22)
Sofrendo com Cristo (cap.40)
Esboço:
1 - Natureza da salvação - 1.1-21
2 - Crescimento do cristão - 1.22 - 2.10.
3 - Vida cristã prática - 2.11 - 3.22.
4 - Exortações diversas - 4.1-19
5 - Admoestações aos líderes - 5.1-14.
2.3.2. 2ª PEDRO
A primeira epístola de Pedro trata do perigo fora da Igreja (perseguições). A segunda de Pedro, do perigo dentro dela: a falsa doutrina. A primeira foi escrita para animar, a segunda, para advertir. Nesta o autor dá uma viva descrição dos falsos mestres que ameaçam a fé da Igreja, e como um antídoto à vida pecaminosa deles, exorta os cristãos a servirem-se de todos os meios para crescer na graça e no conhecimento experimental de Jesus Cristo.
Enquanto 1Pe estimula os cristãos a encararem a oposição do mundo, 2Pe adverte os cristão contra os falsos mestre dentro de sua comunhão que os levaria a apostasia. A fidelidade à doutrina apostólica é a principal preocupação (1.12-16; 3.1-2,15-16). Os mestres heréticos aparecerão (2.1-2) e, na verdade, já estão em cena (2.12-22). Eles negam o senhor, exibem um estilo de vida sensual e estão destinados à destruição. Eles ridicularizam a idéia da volta do Senhor. Essas características se enquadram na heresia gnóstica, que se desenvolveu mais completamente no séc. II, mas cujas raízes foram fixadas no séc. I. Pedro evidentemente tem um comunidade especifica em mente (3.15), e se essa comunidade for a mesma referida em 1Pe 3.1, então esta carta era direcionada aos cristão em algum lugar da Ásia Menor
Tema: O conhecimento completo de Cristo é uma fortaleza contra a falsa doutrina e uma vida impura.
Autoria - Esta carta fornece as instruções e exortação do apóstolo Pedro à medida que ele se aproxima do final de sua vida (1.1,12-15).De acordo com a antiga tradição da igreja, Pedro foi martirizado em Roma durante o governo de Nero. Se a tradição é confiável, então sua morte ocorreu antes de 68 dC, quando Nero morreu.
Os estudiosos conservadores normalmente sustentam que Pedro escreveu ambas as epístola que lhe são atribuídas. As referências em 2Pe indicam a autoria de Pedro: o autor se identifica como Simão Pedro (1.1); ele alega ter estado com Cristo no monte da transfiguração (1.16-18); ele tinha escrito uma carta anterior às pessoas a quem 2Pe é dirigida (3.1); e ele usa várias palavras e frases semelhantes às encontradas em 1Pe. Esses fatores apontam Pedro como o autor genuíno de 2 Pedro
Data – Cerca de 65—68 dC.
Idioma e característica literária: O grego da II epístola dá a impressão de que o autor não falava grego como sua língua nativa, ou mesmo como sua segunda língua falada, e, sim, que aprendera em livros. O autor se esforça, por produzir uma elegante peça literária, mas a construção de suas sentenças, algumas vezes arrastada e desajeitada, arruína esse propósito. A divergência do estilo literário das duas epístolas são explicadas pelo uso de diferentes amanuenses.
Destinatários – por 3.1 entendemos que os destinatários são os mesmos da sua primeira carta: cristãos dispersos na Ásia Menor. O primeiro versículo do livro parece sugerir que o autor pretendia que seu escrito tivesse um alcance maior: ele se dirige "aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa..."
Textos chave – 2.1 e 3.1-4.
Propósito: Animar os irmãos (cap.1); Denunciar os falsos mestres (cap.2); Falar sobre a segunda vinda de Cristo.
Esta epístola foi escrita para dar uma ilustração profética da apostasia dos últimos dias, e para exortar os cristãos à preparação do coração e da vida que unicamente pode habilitá-los a enfrentar os seus perigos.
Conteúdo:
A segunda epístola de Pedro nos fala de dois caminhos. O primeiro, apresentado no capítulo 1, é chamado de "caminho da verdade" (2.2), "caminho direito" (2.15) e "caminho da justiça" (2.21). Embora essas expressões estejam no capítulo 2, é no início da carta que o autor fala sobre o procedimento do cristão. O outro caminho, o dos falsos mestres, é apresentado no capítulo 2 e chamado "caminho de Balaão" (2.15). É interessante notarmos que, ao falar do caminho de Balaão, Pedro não está se referindo àqueles que nunca conheceram o Senhor, mas ele fala de pessoas que foram resgatadas (2.1), mas desviaram-se das veredas da justiça (2.15,20,21,22). O próprio Balaão era um profeta verdadeiro até que, pelo interesse financeiro, desviou-se da verdade. Em cada um desses caminhos temos: ponto de partida, modo de caminhar e ponto de chegada, conforme fica evidente na epístola.
Exortação a crescer na graça e no conhecimento divino (cap.1).
Advertência contra os falsos mestres (cap.2).
Promessa da vinda do Senhor (cap.3)
Esboço
A vida cristã - uma palavra de estímulo – 1.1-21.
Os falsos mestres – denúncia - 2.1-22.
A segunda vinda de Cristo e o juízo – 3.1-18.
2.4.1. 1º JOÃO
O Evangelho de João expõe os atos e palavras que provam que Jesus é o Cristo,o Filho de Deus; a primeira epístola de João expõe os atos e palavras obrigatórios àqueles que crêem nesta verdade. O Evangelho trata do fundamento da fé; a epístola dos fundamentos da vida cristã.
A epístola é uma carta afetuosa de um pai espiritual a seus filhos na fé, na qual ele exorta a cultivar a piedade prática que produz a união perfeita com Deus, e a evitar a forma de religião em que a vida não corresponde à profissão. Para alcançar o seu propósito, o autor estabelece certas regras, pelas quais pode ser provada a verdadeira espiritualidade – regras que formam a linha rígida de demarcação entre aqueles que apenas professam andar em amor e santidade, e aqueles que verdadeiramente o fazem. Embora João fale de uma maneira clara e severa, ao tratar da doutrina errônea e da vida incompatível, o seu tom, contudo, em geral é afetuoso e mostra que ele merece o título de “apóstolo do amor”.
Tema: Os fundamentos da segurança cristã e da comunhão com o Pai.
Autor : João, o apóstolo. Seu nome não é mencionado em suas três epístolas.Embora esta carta seja anônima, seu estilo e vocabulário indicam claramente que foi escrita pelo autor do Evangelho de João. Evidências internas também apontam João como o autor, e o antigo testemunho atribui, com unanimidade, a carta a ele.
Foi chamado de discípulo amado – Jo.13.23; 19.26; 21.20. Foi o discípulo mais íntimo do Mestre. Até no momento da crucificação, João estava presente. Isso mostra sua disposição de correr risco de vida para ficar ao lado de Jesus. Apesar de ter fugido no momento da prisão de Cristo, João voltou pouco tempo depois.
Data: Final do primeiro século, entre os anos 90 e 100. O peso de uma tradição antiga e forte sobre João ter passado seus últimos anos em Éfeso, junto com o fato do tom dos escritos sugerirem que se trata de um produto de um homem maduro que passou por experiência espiritual profunda, apontam uma data próxima ao final do séc. I. Além disso, o caráter da heresia combatida na carta aponta para a mesma época, cerca de 90 dC.
Palavras chave: Conhecimento (ou saber) , amor e comunhão.
Local de origem: Provavelmente em Éfeso, onde João viviam e ministrava depois de sair de Jerusalém.
Destinatários : A falta de especial dedicação, saudação ou menção de nomes indicam que a carta foi circular, destinada à igreja em geral, provavelmente enviada à igrejas perto e Éfeso, onde João passou seus últimos dias.
O apóstolo trata carinhosamente os destinatários como "meus filhinhos" (2.1,18,28; 3.7,18; 4.4; 5.21) e "amados" (3.2,21; 4.1,7,11). Isso parece indicar que, embora não tenha vinculado a epístola a uma comunidade específica, o autor tem em mente pessoas conhecidas, as quais seriam as primeiras a receberem aquela mensagem.
Características: A carta apresenta denúncia contra os falsos e incentivo aos verdadeiros cristãos. O autor é incisivo, direto, totalmente convicto. Suas afirmações são muito fortes no sentido de apontar o erro e a verdade.
Propósito: O propósito da carta está bem definido com também vimos no evangelho (João 20.31). A epístola foi escrita:
1 - "Para que a nossa alegria seja completa" - 1.4
2 - "Para que não pequeis" - 2.1.
3 - Para advertir contra os enganadores - 2.26.
4 - "Para que saibais que tendes a vida eterna" - 5.13.
Entendemos que o autor estava bastante preocupado com a igreja, em seu estado presente e futuro. Os demais apóstolos já haviam morrido e falsos mestres apareciam por toda parte. Alertando os irmãos, o apóstolo ficaria mais tranqüilo e sua alegria seria completa (1.4). Seu alerta é contra o pecado (2.1) e contra as heresias (2.26). São duas portas para o diabo entrar nas vidas e nas igrejas. Embora as duas coisas estejam intrinsecamente ligadas, as heresias apresentam um elemento muito perigoso. Todo tipo de pecado deve ser evitado, mas se, eventualmente, cometermos algum, confessaremos e seremos perdoados (1.7,9; 2.1). A heresia entretanto, constitui-se num caminho de afastamento de Deus. A heresia, do tipo mencionado por João, leva à apostasia. Então, tem-se uma situação muito perniciosa em que a pessoa está errada mas pensa que está certa. Trata-se de um estado de pecado sem reconhecimento, sem confissão, sem arrependimento e, conseqüentemente, sem perdão. Aquele que passa a crer numa doutrina contrária à cruz, como pode ser perdoado? Não é que Deus se recuse a perdoá-lo, mas a própria pessoa não acredita na única solução divina, que é o sacrifício de Cristo. A reversão desse quadro é possível, mas muito difícil. O melhor é a prevenção contra as heresias e isso se faz através do conhecimento e apego à Palavra de Deus.
2.4.2. 2º JOÃO
A segunda epístola de João é uma carta a um membro particular da família cristã, escrita com propósito de instruí-lo quanto a atitude correta para com os falsos mestres. Não devia dar-lhes hospitalidade. Tal mandamento parece ser duro; mas é justificado pelo fato de estas doutrinas atacarem os próprios fundamentos do Cristianismo, e em muitos casos, ameaçarem a pureza da conduta. A receber tais mestres em sua casa, a crente, a quem João escrevia, identificar-se-ia com os seus erros. João não ensinava os maus tratos aos cristãos que doutrinariamente diferem de nós ou que se encontram nos laços do erro. João escrevia em época em que os antinômios e gnósticos, errados, procuravam minar a fé e a pureza. Sob tais condições era imperativo que os cristãos denunciassem as suas doutrinas errada, tanto por palavras como pela atitude.
Todas as epístolas de João foram escritas na mesma época. Nota-se na segunda, que os assuntos da primeira ainda persistem na mente no apóstolo. Ele ainda se mostra combativo em relação aos enganadores. Seu esforço é a favor da verdadeira doutrina de Cristo.
Tema: É dever obedecer a verdade e evitar comunhão com os seus inimigos.
Autor: Apóstolo João.
O autor não menciona seu próprio nome. Apresenta-se como "presbítero", que significa "ancião", conforme já consta em algumas versões bíblicas. Os anciãos, desde os tempos do Velho Testamento, eram os homens mais velhos, mais experientes, e, por conseqüência, líderes do povo (Êx.3.16,18; 4.29; 12.21 etc.). Ao escrever seu evangelho e epístolas, o apóstolo João já era idoso.
Estando já familiarizados com os escritos do apóstolo, logo reconhecemos sinais de sua autoria na segunda epístola. Por exemplo, a ênfase sobre os temas: "verdade", "amor", "mandamento", "permanecer", e o combate às falsas doutrinas. Tudo isso constitui marca de João em seu evangelho, na primeira epístola, e também na segunda. Afinal, dos 13 versos da segunda epístola, 8 se encontram quase idênticos na primeira.
Data: entre 90 e 95 d.C.
Palavra-chave: verdade
Destinatário: A segunda epístola é dirigida a uma senhora e seus filhos. Tal mulher não é identificada pelas escrituras. Há quem defenda a tese de que a "senhora eleita" seja Maria, irmã de Marta, a qual estaria mencionada no versículo 13. Há quem tome o termo "senhora" em grego, kuria (kuria), considerando-o como nome próprio. Outras hipóteses sugerem que João estivesse chamando de "senhora eleita" a uma igreja específica ou à igreja em geral. Nada disso se comprova. Seguindo a mais rigorosa interpretação, não podemos afirmar qual tenha sido essa mulher. Apenas entendemos tratar-se de uma senhora que, provavelmente era viúva. Caso tivesse marido, não seria natural que o apóstolo lhe dirigisse diretamente uma carta. O texto parece indicar que em sua casa aconteciam reuniões da igreja (vs.10). De qualquer forma, trata-se de uma mulher amada e respeitada por todos os irmãos que a conheciam (vs.1).
Características literárias: A segunda epístola de João responde, quanto à sua forma, às características do gênero epistolar usuais no mundo greco-romano da época: indicação, na introdução do escrito, de quem é o seu remetente e quem é o seu destinatário e inclusão de saudações pessoais no começo e no final do texto.
Propósito: Alertar contra os enganadores; combater a mentira. Foi escrito com o propósito de alertar uma senhora cristã e hospitaleira a não hospedar falsos mestres.
Esboço
1 – Saudações – 1-3.
2 – O caminho da verdade e do amor – 4-6.
3 – Os enganadores e como tratá-los – 7-11.
4 – Saudações – 12-13.
2.4.3. 3º JOÃO
Esta curta epístola de João dá uma idéia de certas condições que existiam numa igreja local no tempo de João. A história que pode ser colhida da epístola, parece ser a seguinte; João tinha enviado um grupo de mestres itinerantes, com cartas e recomendações, a diferentes igrejas, uma das quais, era a assembléia a que pertenciam Gaio e Diótrefes.
Diótrefes, dominado pelo ciúme dos direitos da igreja local, ou por alguma razão pessoal, recusou-se a dar hospitalidade a estes mestres e expulsou os membros da igreja que os recebiam. Gaio, um dos membros da igreja, não se deixou intimidar pelo ditador espiritual e hospedava os missionários e obreiros, os quais mais tarde, constaram a sua bondade ao apóstolo. Parece que João estava para enviar estes mestres pela segunda vez (v.6) e exortou a Gaio a continuar no ministério do amor para com eles. João mesmo escreveu uma carta de advertência a Diótrefes, que foi desprezada. Por isso o apóstolo expressou a sua intenção de fazer uma visita pessoal à igreja e a destituir esse tirano eclesiástico.
Tema: Caráter cristão. O dever da hospitalidade para com o ministério e o perigo de uma direção ditatorial.
Autor: Apóstolo João. Tanto em 2Jo quanto em 3Jo, o escritor se autodenomina “o ancião”, sugerindo que era mais velho do que os outros cristãos e que seu conhecimento pessoal da fé foi muito além do deles. A evidência mais forte é que todas as três epístolas de João foram escritas por um mesmo autor.
Data: entre 90 e 95 d.C. João era madura tanto em anos quanto em experiências quando escreveu esta carta junto com 2 Jo perto do fim de sua vida por volta de 90 dC.
Destinatários: A terceira epístola de João é uma correspondência particular dirigida a um irmão chamado Gaio. Este nome era bastante comum naquela época, no mundo romano. Temos sua ocorrência em At.19.29, At.20.4, Rm.16.23, I Cor.1.14, além de III João. Contudo, tais passagens não se referem sempre à mesma pessoa.
Não temos muitas informações sobre Gaio, a quem João escreve. Entendemos que ele não era o líder de sua igreja local. O versículo 9 indica que o líder é outro.
Esboço
Saudações – 1-4.
O bom exemplo de Gaio - 5-8.
Diótrefes - o ambicioso - 9 - 11.
Demétrio - o cristão fiel - 12.
Considerações finais e saudações – 13-15.
2.5. JUDAS
Esta epístola, ainda que breve, tem um forte caráter polêmico. Revela no autor um ânimo resoluto de fazer frente a “certos indivíduos” indesejáveis, que dissimuladamente infiltravam na igreja ensinamentos contrários ao evangelho. Não sabemos de que pessoas se tratavam nem se estavam relacionadas com alguma doutrina conhecida do pensamento religioso da época. Mas está claro que Judas se refere a algo que havia começado a danificar interiormente a igreja.
Há certa semelhança entre a segunda epístola de Pedro e a de Judas; ambas tratam da apostasia na Igreja e descrevem os líderes dessa apostasia. Parece que Judas, a respeito desse tema, cita Pedro. Ambos têm em mente a mesma classe de desviados – homens de moral relaxada e de excessos vergonhosos. Pedro descreve a apostasia como futura; Judas, como presente. Pedro expõe os falsos mestres como ímpios e extremamente perigosos, mas não no seu estado pior; Judas descreve-os em extrema depravação e na maior desordem. Foi a presença destes homens na Igreja, e a sua atividade em propagar as suas doutrinas, o que fez Judas escrever esta epístola cujo tema é o dever que têm os cristãos de guardarem-se sem mancha, e de lutarem sinceramente pela fé, no meio da apostasia.
A dureza de linguagem, característica deste texto, revela a preocupação do autor. Este adverte sobre as conseqüências da confusão espiritual e da depravação moral que podiam arrastar pessoas ingênuas aos ensinamentos e ao comportamento dos falsos mestres contra os quais escreve.
Tema: Defesa da fé cristã. Exortação contra falsos mestres e profetas
Autor: Judas, irmão de Jesus. O autor se identifica como Judas, “irmão de Tiago”, provavelmente o Tiago que era irmão de nosso Senhor e Líder da igreja de Jerusalém (At 15.13; 21.18; Gl 1.19; 2.12). Mc 6.3 menciona Judas como um irmão do Senhor.
Data: Cerca de 64—80 dC.
As considerações estabelecendo a data desta carta incluem se Judas é dependente de 2Pe, ou se 2Pe é dependente de Judas, ou se ambas as cartas foram tiradas de um terceiro documento, que circulou como uma advertência contra os falsos mestres. Como a maior parte de Judas tem paralelos com 2Pe, é provável que tenha sido antes de 65 dC. Se foi escrita depois de 2Pe, como muitos estudiosos acreditam, pode ter sido em 80 dC.
Idioma e característica literária: o autor desta epístola dominava o grego koinê muito melhor que o autor de II Pedro. Selecionou os seus vocábulos com gosto literário, empregando-o devidamente. A epístola de Judas é representativa de um grego koinê idiomático de estilo moderadamente bom.
Palavra-chave: guardar.
Texto chave: 3,4.
Esboço
1 – Saudações – 1-2.
2 – Defesa da fé cristã - 3-4.
3 – Os deturpadores do evangelho - 5-16.
4 - Instruções práticas - 17-23.
5 – Doxologia - 24-25.
IX. LIVRO PROFÉTICO
1. APOCALIPSE
Apocalipse é o livro da vinda de Cristo em glória.
O livro do Apocalipse é o apogeu da revelação da verdade divina ao homem, o remate do edifício das Escrituras, do qual o Gênesis é a pedra fundamental. A Bíblia não estaria completa sem estes livros. Se a omissão de Gênesis nos teria deixado na ignorância do princípio de muitas coisas a falta do Apocalipse nos teria privado de muitos ensinos acerca da consumação de todas as coisas. Entre “Gênesis” e “Apocalipse”, podemos ver a seguinte correspondência notável:
GÊNESIS
APOCALIPSE
O paraíso perdido
O paraíso recuperado
A primeira cidade, um fracasso
A cidade dos redimidos, um sucesso
O princípio da maldição
Não haverá mais maldição
Matrimônio do primeiro Adão
Matrimônio do segundo Adão
As primeiras lágrimas
Enxugadas as lágrimas
A entrada de Satanás
O julgamento de Satanás
A criação antiga
A nova criação
A comunhão rompida
A comunhão restaurada
O livro de Apocalipse é a consumação das profecias do Antigo Testamento. Está repleto de símbolos e expressões tomadas emprestadas dos escritos dos profetas que foram favorecidos por revelações gloriosas concernentes ao fim do tempo – Isaías, Ezequiel, Daniel e Zacarias. É o grande “Amém” e o alegre “Aleluia” pelo cumprimento das predições dos profetas – a feliz resposta ao seu desejo ardente e à sua oração para que viesse o reino de Deus e que a vontade de Deus fosse feita na terra como no céu. “Como o remate de todas as Escrituras proféticas, o Apocalipse reúne os fios de todos os livros anteriores, tecendo-os numa só corda forte que liga toda a história ao trono de Deus”.
Acima de tudo, este livro é uma revelação – a manifestação visível – do Senhor Jesus Cristo. No seu Evangelho, João descreveu a vida e o ministério terrestres de Jesus. Antes de escrever o livro de Apocalipse, o apóstolo é arrebatado ao trono de deus, onde vê Jesus vestido da glória que ele tem com o Pai desde a fundação do mundo; onde vê aquele que foi rejeitado pelos homens, tomando posse de todos os reinos do mundo, como Rei dos reis e Senhor dos senhores.
De todos os livros do cânon, o livro é conhecido como o mais difícil de interpretar. Depois de ter encontrado alguns trechos cujo significado não é claro, é melhor dizer: “Não entendo”, e esperar pacientemente uma explicação em vez de buscar interpretações forçadas e fantásticas.
É provável que a interpretação do livro se torne mais clara quando chegar o tempo do cumprimento das suas profecias. Na época do Antigo Testamento, o fato da vinda do Messias era um acontecimento sobre o qual todos os fíeis da nação estavam de acordo. Mas, para eles, a profecia messiânica deve ter apresentado muitas dificuldades de interpretação, como o livro de Apocalipse apresenta dificuldades para nós. Nem os profetas compreenderam sempre as suas próprias profecias (1Pe 1:10,11).
À parte da interpretação do livro, há muitas lições valiosas a aprender, muitos avisos a atender, muitas promessas animadoras, que fazem com que o livro de Apocalipse seja de grande valor prático para o cristão.
Sendo que o livro do Apocalipse é um mosaico de profecias e símbolos extraídos do Antigo Testamento, o estudo de certos profetas – Isaías, Ezequiel, Daniel e Zacarias – fornecerá a chave de muitas portas fechadas à sua interpretação.
Tema: Conflito entre o bem e o mal. A vitória de Cristo e a implantação do seu Reino. A vinda de Cristo em glória, como o apogeu supremo da presente dispensação.
Autor: Foi escrito pelo apóstolo João, por ordem direta de Jesus. O autor se refere a si mesmo quatro vezes como João (1.1,4,9; 22.8). Ele era tão bem conhecido por seus leitores e sua autoridade espiritual era tão amplamente reconhecida que ele não precisou estabelecer suas credenciais. A Antiga tradição eclesiásticas atribui unanimemente este livro ao apóstolo João.
Data: Cerca de 79—96 dC .
As evidências em Apocalipse indicam que foi escrito durante um período de extrema perseguição aos cristãos, que possivelmente tenha começado com Nero depois do grande fogo que quase destruiu Roma, em Julho de 64 dC, e continuou até seu suicídio, em junho de 68 dC. Segundo esta visão, portanto, o livro foi escrito antes da destruição de Jerusalém em setembro de 70 dC, e é uma profecia autêntica sobre o sofrimento continuo e a perseguição dos cristãos, que tornou-se bem mais intensa e severa nos anos seguintes. Com base em declarações isoladas pelos patriarcas da igreja primitiva, alguns intérpretes datam o livro perto do final do reino de Domiciano (81-96 dC), depois de João ter fugido para Éfeso.
Destinatários: As 7 igrejas da Ásia (em geral, fundadas por Paulo).
As igrejas mencionadas neste livro existiram no tempo de João e as condições prevalecentes proveram a ocasião da mensagem do Senhor a elas. Essas igreja locais, porém, são evidentemente o símbolo da igreja inteira, de modo que as mensagens podem ser aplicadas às igrejas de todas as épocas, como se demonstra pelos seguintes fatos: o número sete é claramente típico, porque havia no período de João mais de sete igrejas na Ásia Menor.
Local: Patmos - ilha vulcânica, rochosa e estéril, localizada a 56 km da costa da Ásia Menor (Turquia). Para lá eram enviados os prisioneiros na época do imperador romano Domiciano (81 a 96). Outra hipótese defendida por alguns é a de que João tenha estado lá em algum momento do governo de Nero (54-68).
Idioma e característica literária: Grego não gramatical. Seu texto demonstra freqüentes violações da sintaxe grega, falta de harmonia e concordância. Com freqüência usa expressões não gregas, imitando o uso semita. Usa construções pleonásticas. A despeito da falta de adornos literários e gramaticais, não há falta de grandeza e poder no livro.
Versículo-chave:- Ap.1.7.
Contexto histórico:
A literatura apocalíptica judaica surge em circunstâncias especialmente angustiantes, como quando o povo se acha submetido ao poder político e militar de alguma nação estrangeira. Esta era a situação no séc.I d.C. quando a Palestina estava dominada pelo Império Romano. Naquele momento, as leituras apocalípticas alentavam as pessoas e renovavam as duas esperanças com descrições de um futuro próximo, em que a vitória gloriosa de Deus sobre todos os seus inimigos haveria de inaugurar par Israel uma era de paz e bem-estar sem fim.
Apocalipse de João aparece em uma época crítica para os cristãos, os quais se opunham ao paganismo de Roma e à religião estatal, expressa no culto ao imperador divinizado. Este era um culto que, com caráter oficial e obrigatório, se celebrava em altares e templos erigidos tanto na capital do Império como nas suas províncias mais distantes. Os cristãos, ao se recusarem a tomar parte naquelas cerimônias, foram considerados inimigos de Roma e foram perseguidos até a morte.
Características e conteúdo: O Livro de apocalipse registra as visões dadas por Jesus a João, o apóstolo, quando ele estava prisioneiro na ilha de Patmos, visões estas pelas quais Jesus revelou as “coisas que são e as que hão de acontecer”. É o livro profético, escrito em linguagem simbólica, para encorajamento dos cristãos que se viam às voltas com as sangrentas perseguições de que eram vítimas, robustecendo-lhes a certeza do triunfo final de Jesus Cristo e da implantação da cidade celestial no final dos tempos.
Contém mensagem de esperança, escatologia, intervenção divina, visões, símbolos, criaturas estranhas, mensagem oculta, uso de pseudônimos, profecias e apelo à imaginação. Único livro bíblico com bênção e maldição relacionadas ao seu uso (1.3 e 22.18-19).
Classificação: livro profético. (único do NT embora haja blocos proféticos em outros livros como em Mt.24, Mc.13, Lc.21, etc.).
Personagem central: O Cordeiro.
Esboço:
Concernente a Cristo: “As coisas que viste” – cap.1
a. Introdução (vv. 1-3).
O título do livro “Apocalipse” ou “Revelação”;
Os meios de comunicação;
A bênção ao que lê, ouve e observa os dizeres do livro.
b. A saudação (4,5).
Do Pai
Dos sete Espíritos, isto é, o Espírito Santo, nas suas diversidades, poder e operação;
De Jesus Cristo
c. O louvor (vv. 5,6).
d. A proclamação – a vinda de Cristo (vv. 7-8).
e. O profeta (vv. 9-20).
O seu estado, no “Espírito”;
O lugar, a ilha de Patmos;
A sua visão.
Concernente à Igreja: “As coisas que são” – caps. 2, 3
a. Mensagem à igreja em Éfeso (2:1-7)
Louvor: obra, paciência e aversão aos falsos mestres;
Repreensão: declínio espiritual;
Título de Cristo: o que anda no meio dos castiçais (examinando);
Promessa ao vencedor: a árvore da vida.
b. Mensagem à igreja em Esmirna (2:8-11)
Louvor: paciência na perseguição;
Não há mensagem de repreensão
Título de Cristo: aquele que sofreu morreu e ressuscitou;
Promessa ao vencedor: libertação da segunda morte;
Referência histórica: “Dar-te-ei a coroa da vida” – A “coroa de Esmirna” era uma rua circular consistindo de um anel de magníficos edifícios.
c. Mensagem à igreja em Pérgamo (2:12-17)
Louvor: fidelidade no testemunho;
Repreensão: o predomínio da vida libertina e idólatra;
Título de Cristo: lutará contra ela com sua espada de dois gumes;
Promessa ao vencedor: o maná escondido
Referência histórica: Pérgamo era o centro de idolatria e tinha um grande altar erigido para a adoração de um deus-serpente. Isto talvez explica as palavras “onde Satanás habita”.
d. Mensagem à igreja em Tiatira (2:18-29).
Louvor: caridade, serviço e fé;
Repreensão: tolerância de mestres corruptos;
Título de Cristo: o que tem olhos como chamas de fogo, e o que tem os pés como latão (simbólico de juízo);
Promessa ao vencedor: autoridade sobre as nações;
Referência histórica: Tiatira era uma cidade próspera, célebre por seus grêmios comerciais. Talvez haja uma admoestação aos comerciantes cristãos a não se unirem com sociedades pagãs que participam de costumes idólatras.
e. Mensagem à igreja em Sardes (3:1-6).
Louvor: obras (embora imperfeitas);
Repreensão: morte espiritual;
Título de Cristo: o que tem as sete estrelas – igrejas – em suas mãos, também os sete Espíritos de Deus cujo poder pode avivar esses igrejas.
Promessa ao vencedor: será vestido com roupas brancas e Jesus confessará seu nome diante do Pai.
Referência histórica: “Virei como ladrão”. Sardes foi a cena da derrota final de Creso, o grande rei da Lídia, quando os persas atacaram a cidade. No ano 546 a.C., pensando que estava absolutamente seguro em sua cidade, que era considerada inexpugnável, o rei descuidou-se de pôr uma guarda. Encontrando um lugar não guardado, os persas subiram e tomaram a cidade. Assim caiu o grande império lídio numa única noite de negligência.
f. Mensagem à igreja em Filadélfia (3:7-13)
Louvor: obediência aos mandamentos de Cristo e firmeza no testemunho;
Repreensão: não há repreensão direta, embora o “louvor fraco” da “pouca força”, contenha uma sombra de censura;
Título de Cristo: quem tem as chaves que abrem as portas que ninguém pode fechar;
Promessa ao vencedor: colunas no templo de Deus; um novo nome.
Referência histórica: Em certa ocasião Filadélfia foi destruída por um terremoto; os sobreviventes ficaram tão assustados que viviam fora da cidade, choupanas. “Ao vencedor, fa-lo-ei coluna no santuário dos meus Deus, e daí jamais sairá”.
g. Mensagem à igreja em Laodicéia (3:14-22).
Louvor: não há elogios para esta igreja;
Repreensão: mornidão espiritual;
Título de Cristo: o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira;
Promessa ao vencedor: participar do trono de Cristo;
Referência histórica: Laodicéia era uma cidade rica e próspera. Era célebre em todo o império romano por sua escola de medicina e por um “pó frígio”, do qual se fazia um colírio bem conhecido (v.18).
Concernente ao Reino: “As que hão de acontecer – caps. 4-22”.
A visão do Trono de Deus (cap.4);
Uma visão do Cordeiro (cap.5);
Os selos (6:1-8) – paralelo com Evangelho de Mateus
Sexto selo: Falsos Cristos (Mt. 24:5)
Quinto selo: Guerra (Mt. 25:6,7)
Sétimo selo: Fome (Mt. 25:7)
Quarto selo: Pestilência, morte (Mt. 25:7)
Terceiro selo: Tribulação (Mt. 25:21)
Segundo selo: Convulsão nos céus (Mt. 25:29).
Primeiro selo: Segunda vinda (Mt. 25:30).
Dois grupos: um de judeus, outro de gentios (cap.7);
O anjo e o Livro (cap.10);
As duas testemunhas (cap. 11)
Os dois sinais (cap.12)
As duas bestas (cap.13)
Dois quadros de Cristo – o Cordeiro e o Ceifeiro (cap.14);
Babilônia (caps.17,18)
A segunda vinda (cap.19);
O milênio (cap.20);
O novo céu e a nova terra (caps.21,22).
X. BIBLIOGRAFIA
PEARLMAN, Myer – Através da Bíblia, Livro por Livro, Editora Vida, 1991.
LIMA, Delcyr de Souza - Capacitação Cristã, Introdução à Bíblia – Rio de Janeiro, Juerp, 2001.
CHAMPLIN, R.N., Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, volume 5, Editora Hagnos, 5ª edição, 2001.
Bíblia de Estudo Almeida, revista e atualizada, Barueri – SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
O cristianismo, em sua fase inicial, considerou o Antigo Testamento como a sua única Bíblia, Jesus, como os seus discípulos e apóstolos e o resto do povo judeu, citou-o como “as Escrituras”, “a Lei” ou “a Lei e os profetas”. Com o passar do tempo, a Igreja, tendo entendido que em Cristo “as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5:17), produziu muitos escritos acerca da vida e da obra do Senhor, estabeleceu e transmitiu a sua doutrina estendeu a mensagem evangélica a regiões cada vez mais distantes da Palestina. Dentre estes escritos foi-se destacando aos poucos um grupo de vinte e sete, que pelos fins do séc.II começou a ser conhecido como Novo Testamento. Eram textos redigidos na língua grega, desiguais tanto em extensão como em natureza e gênero literário. Todos, porém foram considerados com especial reverência como procedentes dos apóstolos de Jesus ou de pessoas muito próximas a eles. O uso cada vez mais freqüente que o crentes faziam daqueles 27 escritos (convencionalmente chamados livros) conduziu a uma geral aceitação da sua autoridade. A fé descobriu sem demora, nas sua páginas a inspiração do Espírito Santo e o testemunho fidedigno de que em Jesus Cristo, o Filho de Deus, cumpriam-se às antigas profecias e se convertiam em realidade às esperanças messiânicas do povo de Israel. Conseqüentemente, a Igreja entendeu que os escritos hebraicos, que chamou de Antigo Testamento, requeriam uma segunda parte que viesse a documentar o cumprimento das promessas de Deus. E, enfim, através de um longo processo já bem entrado no séc.V, ficou oficialmente reconhecido o cânon geral da Bíblia como a soma de ambos os Testamentos.
Estes 27 livros, que, mesmo em diferentes formas literárias e autores, apresenta o Pacto de Deus para com a humanidade, consumando a revelação de Deus por diversos meios, usando homens inspirados pelo Espírito Santo, e em transmitir essa revelação de modo a perpetuar-se como o único e autorizado padrão de fé e de comportamento. O Novo Testamento é a consumação do Antigo Testamento.
O termo grego “diathéke” envolve tanto a idéia de testamento quanto a idéia de pacto. De fato, o Novo Testamento representa ambas essas noções. O Novo testamento é uma nova aliança de Deus como os homens. Podemos afirmar que o primeiro pacto veio através de Moisés, e que o segundo veio através de Jesus, o Cristo (Jo 1:17). O primeiro caracterizava-se pela lei, mas o segundo pela graça e verdade. Essas duas alianças também representam duas distintas dispensações religiosas por determinadas condições históricas e espirituais, O grande elo entre esses dois pactos é a pessoa de Jesus Cristo: predito no Antigo Testamento; revelado no Novo Testamento.
Havia uma urgente necessidade de explicar como Jesus viveu a vida que viveu. Uma pessoa extremamente incomum entrou na história, e os evangelhos procuram explicar como isso sucedeu, e por quê. Naturalmente antes da produção cronológica desses livros, temos a considerar a porção maior das obras paulinas, escritas. Poderíamos descrever os escritos de Paulo como literatura “ ocasional”, ou seja, foram escritos para enfrentar situações especiais.Nesse caso, a motivação era as necessidades da primitiva Igreja Cristã. A narrativa de Lucas em Atos, preparada após as epístolas paulinas, também pode ser considerada como ocasionada pela esperança que seu autor tinha de obter para o cristianismo uma posição legal dentro do império romano. Lucas não estava interessado somente em ser um apologista, mas também em ser um historiador. O tratado que chamamos de epístolas aos Hebreus é um estudo teológico sobre como Cristo e seu pacto, por serem superiores, substituíram ao Antigo Testamento. As epístolas pastorais procuram satisfazer ás necessidades de jovens ministros cristãos, As chamadas epístolas gerais, foram escritas tendo em vista ocasiões especiais, embora também sejam didáticas. O livro de Apocalipse tem uma profecia para atender a uma necessidade de um momento (a da Igreja do tempo de João), mas também um esboço profético acerca do fim da dispensação.
A catalogação dos livros do Novo Testamento não corresponde à ordem cronológica da sua redação ou publicação; é antes um agrupamento temático e por autores, há razões lógicas para a arrumação em que eles aparecem nessa coletânea. Assim, primeiramente temos os evangelhos, que lançam os fundamentos do cristianismo, em seguida, o livro de Atos, encontramos a história da fase inicial da Igreja cristã; depois, as epístolas que abordam problemas coletivos e pessoais dos cristãos, e onde também são descortinadas as esperanças cristãs quanto ao seu destino; e finalmente, temos o Apocalipse, o único livro acentuadamente profético do Novo Testamento, que fala sobre como se desenrolará al última (septuagésima) semana de Daniel, isto é, no “tempo de Fim”, imediatamente antes da parousia da Cristo, o que haverá depois, e, daí até ser inaugurada o estado eterno, quando o plano de Deus para os séculos ter-se-á cumprido cabalmente, e haverá uma nova criação, fazendo com que todo o passado seja lançado no esquecimento.
Este trabalho tem como objetivo a explanação geral de cada livro que o compõe o cânon do Novo Testamento.
II. A LÍNGUA DO NOVO TESTAMENTO
O Antigo Testamento foi escrito em hebraico e o Novo Testamento, em grego koinê – uma modalidade de grego comum do povo, além desse havia o grego clássico.
Devido à expansão do Império Grego (cerca de 325 a.C), promovida por Alexandre, O Grande, a língua grega tornou-se dominante nas nações conquistadas (por volta do ano 250 a.C., o Antigo Testamento começou a ser traduzido para o grego a Septuaginta). Na Palestina, nos tempos de Jesus, o grego era falado amplamente, e a tradução Septuaginta era lida e citada freqüentemente pelos judeus mais liberais. Nesses dias, a língua sagrada dos judeus era o hebraico, a falada era o aramaico, a oficial era o latim e a língua universal, falada pelo povo, era a grega.
O fato de a língua grega ter-se tornado universal na época do advento de Cristo fez parte do processo de preparação do mundo por Deus para que o evangelho pudesse ser espalhado pelo mundo em tempo relativamente curto. O grego foi a língua apropriada para que a salvação fosse anunciada entre todas as nações (ver Lc 24:46-47), porque era o idioma comum a todas as nações. Os pregadores podiam viajar e imediatamente pregar o evangelho de Cristo em qualquer lugar; os apóstolos puderam escrever cartas a todas as igrejas, tanto as da Ásia como as da Europa, sem precisar traduzi-las.
O grego koinê por ser popular não significa que fosse um grego “caipira”, rude, cheio de erros. Era uma língua gramaticalmente correta, notável pela sua elegância, variabilidade de estilo e precisão em suas afirmações.
A qualidade do grego koinê, apresentada nos diversos livros do NT, de forma alguma é idêntica da primeira à última página. Quase todos os livros do NT forma escritos por judeus, pelo que não se pode esperar o mesmo tipo de grego que se poderia esperar de escritores não judaicos. Em menor ou maior extensão, quase todos os livros do NT exibem alguma influência semita no vocabulário, na sintaxe ou no estilo. Parte dessa influência pode ser atribuída diretamente ao Antigo Testamento, e em parte ao fato de que o aramaico era falado na palestina ao tempo em que foi escrito o Novo Testamento.
III. COMO SURGIRAM OS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO
No início, todos os fatos relativos à pessoa de Jesus e todos seus ensinamentos eram transmitidos oralmente. Os discípulos se encarregaram de ensinar fazendo relatos de memória. O conteúdo do ensino moral deles foi chamado de “Doutrina dos Apóstolos (At.2:24). Essa doutrina era transmitida pela narrativa que os apóstolos faziam como testemunhas de Jesus.
Com o crescimento em número da Igreja, e sua dispersão, começaram a surgir problemas de ordem doutrinária e de comportamento ético. Foi então que os líderes do cristianismo sentiram necessidade de escrever para instrução dos crentes. À medida que escreviam estavam dando origem aos livros que, ao longo dos tempos, por direção do Espírito Santo, seriam reunidos, aceitos como autêntico e transformados no que hoje é o Novo Testamento.
As circunstância que levaram os líderes do cristianismo a escreverem foram:
Rápido crescimento do número de crentes;
A dispersão dos que criam (Ásia e Europa);
Surgimento de problemas comportamentais devido às confrontações com os costumes do paganismo;
Choques das esperanças cristãs com a hostilidade e crueldade do mundo que os crentes tinha que enfrentar;
Choque entre a mentalidade judaica e gentílica.
É realmente extraordinário o número de manuscritos do Novo Testamento que chegou a nós depois de tantos séculos desde que foram escritos. Ao todo, são mais de 5.000. Alguns são apenas pequenos fragmentos, tão deteriorados pelo tempo e pelas más condições ambientais, que a sua utilidade é praticamente nula. Mas são muito mais numerosos os manuscritos que, no todo ou em parte, se conservaram num estado suficientemente satisfatório para transmitir até o presente a sua mensagem e testificar assim a fidelidade dos cristãos que os escreveram.
Assim sendo, os manuscritos que conhecemos não são autógrafos, isto é, nenhum provém da mão do próprio autor. Todos, sem exceção, são cópias de cópias dos textos originais gregos ou de traduções para outros idiomas. Copistas especializados pacientemente consagrados a esse labor de muitos anos de duração, os produziram nos lugares mais diversos e no decorrer de séculos. As cópias mais antigas até agora conhecidas são papiros que datam do século III, procedentes do Egito.
O prólogo do evangelho de Lucas diz-nos claramente que ele usou outros livros em sua produção, além de relatos de testemunhas oculares, retrocedendo até os começos do ministério de Jesus. Isto significa que os livros ainda mais antigos relacionados ao Novo Testamento se perderam, mas isso não quer dizer que houve qualquer perda real no terreno da historicidade. Mediante declarações do próprio Paulo, sabemos que ele escreveu epístolas de que não dispomos (Col. 4:16). Contudo não há razão para supormos que as coletâneas de suas epístolas que temos não represente o seu pensamento essencial, até com alguns detalhes. A coletânea do Novo Testamento conforme ela atualmente se encontra, não foi escrita durante um período longo demais, e representa bem a era apostólica até mesmo nos casos em que apóstolos não foram os autores. Vale ressaltar que um estudo aprofundado sobre cânon do Novo Testamento e como ele chegou até nós não é o objeto de estudo neste trabalho.
IV. CONTEXTO HISTÓRICO e POLÍTICO das NARRATIVAS DO NT
Jesus nasceu em fins do reinado de Herodes, o Grande (47 a 4 a.C.). Homem cruel (cf. Mt. 2.1-16) e, sem dúvida, inteligente, distinguiu-se pela grande quantidade de terras e cidades que conquistou e pelas numerosas e colossais construções com que as dotou. Entre estas, o templo de Jerusalém, do qual apenas se conservaram uns poucos restos pertencentes à muralha ocidental (o Muro das Lamentações).
Após a morte de Herodes (Mt. 2:15-10), o seu reino foi dividido entre os seus filhos Arquelau, Herodes Antipas e Filipe. Arquelau (Mt. 2:22), etnarca da Judéia e Samaria, foi deposto pelo imperador Augusto no ano 6 d.C. A partir de então, o governo esteve em mãos de procuradores romanos, entre eles Pôncio Pilatos, que manteve o cargo desde o ano 26 até 36. Herodes antipas (Lc 3:1) foi tetrarca da Galiléia e Peréia até o ano 39; e Filipe (Lc 3:1) até 24 o foi da Ituréia, Traconites e outras regiões orientais do Norte.
No ano 37, o imperador Calígula nomeou rei a Herodes Agripa e o colocou sobre a tetrarquia de Filipe, à qual logo acrescentou a de Herodes Antipas. Com a morte de Calígula (assassinado no ano 41), o seu sucessor, Cláudio, ampliou ainda mais os territórios de agripa com a anexação da Judéia e Samaria. Desse modo, agripa reinou até a sua morte (44 d.C.), praticamente sobre toda a Palestina.
Antipas foi aquele que mandou prender e matar a João Batista (Mc. 6:16-29); e Herodes Agripa foi quem perseguiu a igreja de Jerusalém e mandou matar a Tiago e prender a Pedro (At.12:1-19). O novo Testamento fala também de outros Herodes agripa, filho do anterior: o rei que, acompanhado da sua irmã e mulher Berenice, escutou o discurso pronunciado por Paulo em sua própria defesa, em Cesaréia (At.25:13-26:32).
Por detrás de todos esses personagens se manteve, sempre vigilante, o poder romano. Roma era quem empossava ou demitia governantes nos países submetidos ao seu domínio, conforme lhe convinha. Durante a vida de Jesus e até à destruição de Jerusalém no ano 70, sucederam-se em Roma sete imperadores (ou césares). Três deles são mencionados no NT: Augusto (Lc.2:1), Tibério (Lc.3:1) e Cláudio (At.11:28; 18:2). E há um quarto, Nero, cujo nome não é mencionado, a quem Paulo faz tácita referência ao apelar ao tribunal de César (At.25:10-12; 28:19).
A Palestina fazia parte do império romano desde o ano 63 a.C. Essa circunstancia significara a perda definitiva de sua independência nacional. Dois longos séculos de agitação política a tinham levado a um estado de irreparável prostração moral, de que Roma, pela mão do general Pompeu, aproveitou-se se apoderando do país e integrando-o na província da Síria.
A fim de manter a paz e a tranqüilidade nos seus territórios, Roma atuava geralmente com muita cautela, sem pressionar excessivamente a população submetida e sem forçá-la a mudar os seus próprios modelos da sociedade, nem os seus costumes, cultos e crenças religiosas. Inclusive, às vezes, a fim de pôr uma nota de tolerância e boa vontade, consentia a existência de certos governos nacionais, como os de Herodes, o Grande e dos seus sucessores. O que Roma não permitiu foi a agitação política e muito menos a rebelião aberta dentro das suas fronteiras. Quanto isso ocorria, o exército se encarregava de restabelecer a ordem, atuando com presteza e com o máximo de rigor. Foi isso que aconteceu no ano 70 d.C., quando Tito, filho do imperador Vespasiano, arrasou Jerusalém e provocou a “diáspora” (ou dispersão) de grande parte da população, a fim de acabar de uma vez por todas com as revoltas judaicas iniciadas uns quatro anos antes.
V. TIPOS DE LITERATURAS NO NOVO TESTAMENTO
A coletânea – os 27 livros - intitulada Novo Testamento incorpora, essencialmente, quatro tipos de literatura:
OS EVANGELHOS – o registros sobre a vida e os ensinamentos de Jesus, o Cristo. Os evangelhos são quatro: Mateus, Marcos, Lucas (são essencialmente históricos, embora não sejam biografias de Jesus) e João (que contém uma exposição mais teológica).
HISTÓRIA ECLESIÁSTICAS – a narrativa de Lucas em Atos, fornece-nos o mais completo registro histórico sobre a Igreja apostólica, cobrindo o de 29 a 61 a.C.
AS EPÍSTOLAS – Há ali os escritos paulinos (de Paulo) e as epístolas gerais.
LIVRO PROFÉTICO ou APOCALÍPTICO. O apocalipse é o único livro realmente profético do Novo Testamento
Desde o séc.V, o índice do Novo Testamento agrupa os livros da seguinte maneira:
1. Evangelhos (4)
a. Sinópticos (3) Mateus Marcos
Lucas
b. João
2. Histórico (1)
Atos dos Apóstolos
3. Epístolas (21)
a. Paulinas (13)
Romanos
1Coríntios
2Coríntios
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
1Tessalonicenses
2Tessalonicenses
1Timóteo
2Timóteo
Tito
Filemon
b. Gerais (8)
Hebreus
Tiago
1Pedro
2Pedro
1João
2João
3João
Judas
Escatológico (1)
Apocalipse
A partir de agora, oferecemos breves descrições sobre cada livro que compõe o Novo Testamento:
VI. OS EVANGELHOS
EVANGELHO – BOAS NOVAS
A palavra evangelho não foi criada por Jesus nem por seus discípulos. Era uma palavra de uso comum nas comunidades antigas. As guerras entre os povos eram constantes. As dificuldades de comunicação entre os guerreiros e suas cidades de origem eram muito grandes. As famílias, principalmente, aguardavam ansiosamente por notícias de seus filhos nos campos de batalha. O meio utilizado para isso era o envio de mensageiros, os quais traziam notícias sobre o sucesso ou fracasso dos soldados. A chegada do mensageiro era muito esperada. Quando ele chegava com boas notícias, então recebia uma recompensa por seu esforço. Esse presente era chamado "evangelho". Era também realizada uma festa comemorativa, que também passou a ser chamada "evangelho".
Jesus é o mensageiro de Deus que veio anunciar sua própria vitória sobre as forças das trevas e a libertação do homem. Assim, no Novo Testamento, a palavra evangelho adquire o significado de mensagem da salvação através da obra de Cristo a favor do homem (Mt.4.23; 24.14). A tradição cristã estende esse significado, usando a palavra evangelho para identificar cada um dos quatro primeiros livros do Novo Testamento, os quais apresentam relatos sobre a vida de Cristo. Assim, surge o uso plural da palavra. Nos tempos da igreja primitiva, isso seria considerado absurdo, uma vez que, para os primeiros cristãos, o evangelho era único. Outro evangelho seria considerado anátema. Como então poderia haver evangelhos? Entretanto, tal designação para os quatro evangelhos se firmou e se tornou definitiva.
Da perspectiva da fé cristã, a palavra “evangelho” contém uma tríplice referência: em primeiro lugar, a Jesus Cristo, cuja vinda é o acontecimento definitivo da revelação de Deus ao ser humano; em segundo lugar, à pregação oral e á comunicação escrita da boa notícia da salvação pela fé; e, por último, aos quatro livros do NT que desde o século II se conhecem pela designação genérica de “os Evangelhos”.
Os Evangelhos contêm um conjunto de narrações centradas na pessoa de Jesus de Nazaré e escritas com um propósito testemunhal, para a edificação da Igreja e para a comunicação da fé. A obra dos evangelistas nutriu-se especialmente das memórias que, em relação ao Senhor, eram guardadas no seio da Igreja como um depósito precioso. Essas memórias transmitiram-se no culto, no ensinamento e na atividade missionário, isto é, na pregação oral, que, durante longos anos e com perspectiva escatológica, foi o meio idôneo para reviver, desde a fé e em benefício da fé, o acontecimento fundamental do Cristo ressuscitado.
Para a comunidade cristã, o valor dos Evangelhos é insubstituível e permanente; ocupam um lugar único, tanto no âmbito geral da Igreja como no particular da devoção privada. Os Evangelhos são o único canal que conduz ao conhecimento da vida do nosso Senhor Jesus Cristo, pois não existe nenhum outro documento que o torne realmente presente.
ASPECTOS GERAIS DOS QUATRO EVANGELHOS
Nos tempos apostólicos havia quatro classes representativas do povo – judeus, romanos, gregos e um corpo tomado das três classes – a Igreja. Cada um dos evangelistas escreveu para uma dessas classes, adaptando-se ao seu caráter, às suas necessidades e ideais, a vida, a mensagem, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Este princípio de adaptação foi mencionado por Paulo em 1 Coríntios 9:19-21, e foi ilustrado em seu ministério entre os judeus e gentios.
A mensagem dos Evangelhos se dirige á humanidade em geral, sendo os homens os mesmos em todas as épocas. O fato de ter sido escrito 4 evangelhos revela que um Evangelho só não teria sido suficiente para apresentar os vários aspectos da personalidade de Cristo. Cada um dos evangelistas o vê sob um aspecto diferente: Mateus apresenta-O como Rei; Marcos como Conquistador e Servo; Lucas como Filho do Homem e João como Filho de Deus. Também neles são relatados quatro tipos de realidades relativas a Jesus Cristo:
1. A realidade da própria pessoa de Jesus Cristo, como homem histórico, real – Ele não é um mito
2. A realidade dos fatos que ocorreram com Jesus em cumprimento às Escrituras.
3. A realidade dos feitos praticados por Jesus Cristo.
4. A realidade dos ensinos proferidos por Jesus ao longo de seu ministério
O fato de os evangelistas terem escrito os seus relatos sob diferentes pontos de vista explicará as diferenças entre eles, as suas omissões e adições, a sua aparente contradição ocasional, e a sua falta de ordem cronológica. Os escritores não procuraram produzir uma biografia completa de Cristo, mas levando em consideração as necessidades e o caráter do povo para o qual escreviam, escolheram exatamente os acontecimentos e discursos que acentuaram a sua mensagem especial.
Pluralidade – Poderíamos ter 1 evangelho nas Escrituras e isso poderia ser satisfatório. Contudo, Deus quis que fossem quatro. Esta pluralidade tem sua razão de ser e seu objetivo. Um dos motivos nos parece ser o valor do número de testemunhas. A lei mosaica determinava que o testemunho contra alguém deveria ser dado por duas ou três pessoas e nunca por uma só (Dt.17.6). O mesmo princípio é utilizado por Cristo em Mt.18.16. O número de testemunhas é importante na determinação da veracidade de um fato. Assim, era importante que duas ou três testemunhas dessem testemunho sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Nos processos jurídicos as testemunhas continuam sendo muito importantes até hoje. Todo testemunho deve ser registrado por escrito. Assim também aconteceu com os relatos sobre Cristo. Alguns escritores dos evangelhos podem não ter sido testemunhas oculares dos fatos ali narrados. Entretanto, escreveram o que as testemunhas disseram. A pluralidade dos evangelhos é também valiosa por nos apresentar a mesma história vista sob ângulos diferentes.
Objetividade – Os evangelhos foram escritos tendo-se em vista um objetivo definido: anunciar as boas novas de salvação. Por esta causa, os escritores não se dedicaram a registrar pormenores da vida de Cristo, sua infância, seus hábitos diários, seu trabalho na carpintaria, etc. Eles se limitaram a mencionar a origem de Cristo (humana e divina), seu ministério (ensinamentos, milagres), sua morte, ressurreição e ascensão. Uma grande parte de cada evangelho se dedica a narrar os fatos da última semana do ministério de Cristo. (Veja João 21.25).
Unidade - Apesar de serem quatro os evangelhos, eles são harmônicos entre si. É possível se construir um relato coerente reunindo os 4 evangelhos. Eles se completam.
Ordem - Os livros não se encontram dispostos em nossas Bíblias na mesma ordem em que foram escritos. Além disso, os próprios fatos narrados não seguem ordem cronológica, principalmente no livro de Mateus.
Motivos – Os evangelhos foram escritos para responder aos questionamentos da comunidade do primeiro século e também para combater as mentiras dos inimigos a respeito de Jesus. Os apóstolos começavam a morrer e tornava-se então imperioso que se registrassem suas memórias sobre o Salvador. Além disso, existiram também os motivos particulares de cada escritor, conforme veremos no estudo de cada livro.
Sinóticos - Os primeiros três Evangelhos são chamados sinóticos, porque fornecem uma “sinopse” (vista geral) dos mesmos acontecimentos e têm um plano comum. O Evangelho de João foi escrito em base inteiramente diferente dos demais.
1. Evangelho de MATEUS
Mateus, escrevendo aos judeus e conhecendo as suas grandes esperanças, apresenta Jesus como o único que cumpre as Escrituras do Antigo Testamento com relação ao Messias, prova que ele era mesmo o Messias. A repetição freqüente das palavras “reino” e “reino dos céus”, revela outro tema importante. Expõe o reino dos céus prometido no Antigo Testamento (11:13), proclamado por João Batista e Jesus (3:2 e 4:17), representado agora pela Igreja (16:18-19), e triunfante na segunda vinda de Jesus (25:31,34).
Apesar de ser o primeiro livro apresentado no Novo Testamento, cronologicamente ele ocupa o décimo novo lugar.
Mateus é o mais judaico dos quatro evangelhos: a genealogia de Jesus retrocede até Abraão, e Jesus é apresentado como verdadeiro filho e herdeiro espiritual de Abraão, tendo sido Ele aquele que nos trouxe o novo pacto.
Esse livro é rico quanto à história e às declarações de Jesus.
Tema Central: Jesus, o Rei Messias.
Autor: Conforme tradição digna de confiança atribui a Mateus, também conhecido pelo nome de Levi, a autoria deste livro. Pouco se diz acerca dele no NT. Sabemos, entretanto, que um judeu cristão, discípulo e apóstolo de Jesus Cristo. Antes de ser chamado pelo Mestre, exercia a função de publicano, isto é, coletor de impostos para o Império Romano. Os publicanos eram tão desprezados pelos judeus que não podiam falar nos tribunais, nem se aceitava seu dízimo no templo.
Fonte : Ao que parece, seu autor valeu-se de fontes informativas que não foram usadas nem por Marcos e nem por Lucas. Mas quanto a ordem de apresentação, segue essencialmente o esboço de Marcos, que os eruditos chamam de fonte M.
Data: Evidências externas, como citações na literatura cristã do Século I, testemunham desde cedo a existência e o uso de Mateus. Líderes da igreja do Séc. II e III geralmente concordavam que Mt foi o primeiro Evangelho a ser escrito, e várias declarações em seus escritos indicam uma data entre 60 e 65 dC.
Local : Antioquia da Síria.
Idioma e característica literária: escrito em um grego koinê inferior a Lucas, porém, superior a Marcos. O estilo de Mateus é menos individualista do que o deles. È mais suave que o de Marcos, porém mais monótono que o de Lucas. Seu vocabulário é mais rico que o de Marcos, mas menos variado que o de Lucas. O autor gostava de seguir o arranjo rabínico, como o de enfileirar coisas de três: três divisões na genealogia ((1:1-17), três tentações (4:1-11), etc.Isso também pode ser visto em relação o número sete.
De forma geral o grego koinê desse evangelho nem é muito deficiente nem muito polido e literário. Não obstante, o documento produzido, desde os tempos antigos, tem sido favorito de muitos.
Para que foi escrito: Para toda a humanidade em geral, mas para os judeus em particular. Apesar desse direcionamento aos judeus, Mateus não se apresenta como um bajulador de seus compatriotas. Ele demonstra claramente que os judeus tinham prioridade no ministério de Cristo (Mt.15.24 10.6), mas mostra também a perda do espaço para os gentios, que vão dominando a cena. Mateus começa mencionando os magos no capítulo 2. Eles eram gentios e foram presentear o menino Jesus, enquanto que os judeus que serviam a Herodes não se dirigiram a Belém, embora estivessem bem informados sobre o local onde o Messias haveria de nascer. Finalmente, Mateus cita a ordem de Cristo de se pregar o evangelho e se fazer discípulos em todas as nações. (Mt.4.15; 8.10-12; 12.18-21; 21.42-34; 28.18-20.).
Vê-se esse direcionamento pelos seguintes fatos.
O grande número de citações do Antigo Testamento (cerca de 60) – alguém que prega aos judeus deve provar a sua doutrina pelas Escrituras antigas.
As primeiras palavras do livro sugerem imediatamente ao judeu os dois pactos que contêm promessas do Messias – o davídico e o abraâmico (2 Sm.7:8-16; Gn 12:1-3). Os judeus davam muita importância ás genealogias. Antes de uma pessoa ser ordenada para o sacerdócio, requeria-se que provasse descender de Arão. Mateus, expondo Jesus como Messias, vê-se obrigado a provar pelo Antigo Testamento que Jesus é filho de Davi – aquele que tem direito de ser rei de Israel. Fez isto na genealogia de José (1:1-17).
A ausência geral de explicações dos costumes judaicos demonstra que o evangelista escreveu a um povo familiarizado como esses costumes.
Características :
Apologético - apresenta defesa do evangelho diante do judaísmo.
Doutrinal - com destaque para os ensinamentos de Cristo.
Narrações breves – Os fatos narrados são poucos e sucintos, já que a doutrina tem prioridade.
Sem ordem cronológica – O livro não apresenta fatos e ensinos na ordem em que ocorreram ou foram ditos. A ordem só é seguida em parte: no início do livro (nascimento, batismo, tentação) e no final (última semana, morte, ressurreição e ascensão). No meio, as parábolas, milagres e ensinamentos não se encontram ordenados cronologicamente.
Organização temática – Mateus faz apresenta um arranjo temático em seu conteúdo. Os ensinamentos são reunidos em cinco grandes blocos. As parábolas e os milagres também são organizados convenientemente.
Escrito para um público religioso: os judeus.
Mateus é o único evangelho a apresentar a palavra igreja (3x) (16.18 e 18.17).
O evangelho de Mateus contém 6 discursos de Cristo: Mt.5-7; 10; 13; 18; 23; 24-25.
Contém 15 parábolas (10 exclusivas). Um dos efeitos das parábolas é a fixação do ensinamento. Isto quando o mesmo é compreendido. Trata-se então de um recurso didático. Aliás, tal propósito encontra-se subjacente a muitos elementos e práticas do judaísmo e do cristianismo. As festas judaicas continham propósito didático. O mesmo acontece com a ceia e o batismo, embora seu sentido e objetivo não esteja restrito a esse propósito.
Mateus narra 20 milagres (3 exclusivos). Embora o número seja grande, as narrativas são resumidas.
Mateus apresenta Jesus como Rei - Tal propósito já se nota na apresentação da genealogia. A expressão "Filho de Davi" ocorre 9 vezes no livro. A palavra reino aparece 55 vezes.
Apresenta Jesus como o Novo Moisés , o Novo Legislador – nos capítulos quinto a sétimo temos não somente matéria nova, mas também novas interpretações de material antigo, da lei mosaica, que assinalam Jesus Cristo como um intérprete sem-par.
Conteúdo / Esboço:
O conteúdo do Evangelho de Mateus pode ser resumido da seguinte forma:
1. A vinda do Messias (1:1 – 4:11).
2. O ministério do Messias (4:12 – 16:12).
3. A reivindicação do Messias (16:13 – 23:39).
4. O sacrifício do Messias (caps. 24 – 27).
5. O triunfo do Messias (cap.28).
Seguindo o seguinte esboço:
Genealogia e nascimento
A fuga
O batismo
A tentação
O sermão da montanha
Os milagres
Os Doze enviados
Discursos
Parábolas
Alimentando a multidão
Confissão de Pedro
A transfiguração
Discursos
A entrada triunfal
As conspirações dos inimigos
Os ais
A segunda vinda
A traição
A crucificação
A ressurreição.
Ou ainda:
MACRO DIVISÃO DO LIVRO
I - genealogia, nascimento e infância - 1 - 2
II - Ministério na Galiléia - 3 - 18
III - Ministério na Judéia - 19-28
ESBOÇO DO LIVRO (adaptado do esboço de Scroggie)
I - A preparação do rei 1.1 a 4.11
1 - a descendência do Rei 1.1-17
2 - O advento do Rei - 1.18 a 2.13
3 - O embaixador do Rei - 3.1-17
4 – A prova do Rei – 4.1-11
II - O programa do rei - 4.12 a 16.12
1 - O começo do reino 4.12-25
2 - O manifesto do reino - 5-7
3 - Os sinais do Reino 8-9
4 - Os mensageiros do Reino - 10-11
5 - Os princípios do reino - 12
6 - Os mistérios do reino 13.1-52
7 - A ofensa do reino 13.53 a 16.12
III - A paixão do Rei - 16.13 a 28.20
1 - A revelação do rei 16.21 - 17.27
2 - A doutrina do rei 18-20
3 - A rejeição do rei 21-22
4 - As censuras do rei 23
5 - As predições do rei 24-25
6 - Os sofrimentos do rei - 26-27
7 - O triunfo do rei 28
2. Evangelho de MARCOS
Esse é o mais breve dos quatro evangelhos, embora, cronologicamente falando, foi o primeiro deles a ser composto, aparece em segundo lugar, na arrumação dos livros do Novo Testamento, ainda que, em ordem cronológica deva ocupar o terceiro ou quarto lugar .
Escreveu para um povo militar (os romanos), um povo este cujo ideal era o poder e o serviço, e ele descreveu Cristo como o Conquistador Poderoso. Fornece uma breve narrativa da campanha de três anos do Capitão da nossa salvação, dirigida e terminada em prol da libertação de nossas almas e a derrota de Satanás, pelas obras de Cristo e seus sofrimento, morte, ressurreição e triunfo final.
Sobre um outro aspecto, o evangelho de Marcos enfatiza Jesus também como o Servo de Deus – Jesus veio para buscar e salvar os perdidos. O fato de que Jesus é o Servo de deus não elimina e nem contradiz o fato de que Ele é o Filho de Deus. O poder das obras de Jesus representa esse ensino. A idéia de Servo transparece, com freqüência conforme ode ser visto em 8:31,38; 9:31; 10:45; 13:26; 14:62, etc. A idéia de Filho de Deus se vê em 3:11; 5:7; 15:39, etc.
Tema Central: apresenta Cristo como o Conquistador Poderoso
Autor: Mesmo que o Evangelho de Marcos seja anônimo, a antiga tradição é unânime em dizer que o autor foi João Marcos, um judeu, filho de Maria, uma mulher de Jerusalém, cuja casa estava aberta para os cristãos primitivos (At.12:12). Seguidor próximo de Pedro (1Pe 5.13), Marcos foi companheiro de Paulo e Barnabé na sua primeira viagem missionária. O testemunho abundante dos chamados Pais da Igreja torna bastante claro que Marcos acompanhou Pedro a Roma como seu intérprete e que compilou este Evangelho, aproveitando as pregações de Pedro. Seu nome romano – Marcos – parece indicar que foi educado nos círculos romanos, tornando-o particularmente ideal para escrever um Evangelho aos romanos.
Fonte – Suas informações se originaram principalmente da pessoa de Pedro. Hipótese não comprovada: existência de uma fonte complementar em aramaico.
Data: Os fundadores da Igreja declaram que o Evangelho de Marcos foi escrito depois da morte de Pedro, que aconteceu durante as perseguições do Imperador Nero por volta de 67 dC. O Evangelho em si, especialmente o cap. 13, indica ter sido escrito antes da destruição do Templo em 70 dC. Foi o primeiro evangelho a ser escrito. Data provável: ano 55. As datações dos comentaristas oscilam entre os anos 50 e 70.
Local: Marcos escreveu em Roma numa época de grande perseguição à igreja e conflitos violentos. Tudo isso parece interferir nas características do livro.
Idioma e característica literária: grego koinê. A falta de polimento do grego de Marcos é obscurecida pela tradução, posto que poucos tradutores imitariam propositalmente aos erros gramaticais somente para serem mais fieis ao original. Todavia, o que falta a Marcos em estilo e em graça é contrabalançado em novidade e vigor. Em algumas seções Marcos é mais emocional e comovente dos escritores evangélicos. O seu idioma se caracteriza pela simplicidade, mas mesmo assim ele conseguiu certa grandeza. Embora o grego koinê de Marcos possa ser classificado entre os exemplos mais deficientes do NT, e que sem dúvida ele se sentia mais à vontade com o aramaico do que com o grego (seu evangelho é o que contém o maior número de aramaísmo), contudo ele demonstra que dominava bem o grego coloquial.
Para que foi escrito: Os seguintes fatos indicam que este Evangelho é adaptado aos romanos.
O estilo resumido, a descrição viva de cenas animadas e movimentadas revelam que é destinada a um povo ativo e enérgico como os romanos. Um característica deste livro é a repetição constante das palavras “logo” ou “imediatamente” e “em seguida”, proporcionando a idéia de atividade e prontidão militar.
O dinheiro é mencionado em moeda romana.
Explica-se os costumes hebraicos. Isto demonstra, pelo menos, que foi escrito par aos gentios.
Praticamente não há referências às profecias do AT depois do capítulo 1, pois com certeza os romanos, não familiarizados com esses Escrituras, não teriam compreendido.
Conteúdo:
Marcos descreve a vinda do grande Conquistador registrando:
Seu nome e proclamação (1:1-8)
Sua vitória inicial sobre Satanás (1:9-13).
A primeira proclamação de seu reino (1:14-20)
O alistamento de seus súditos para o seu reino (2:13 – 3:35).
O desenvolvimento do seu reino (4:1-34).
Conquistando a natureza, os demônios, a enfermidade e a morte (4:35 – 5:43)
Sofrendo a oposição do povo 96:1-6),de Herodes (6:14-29) e dos escribas e fariseus (7:1-23; 8:10-21).
Ensinando aos seus seguidores como se ganha a vitória no seu reino, por meio do sofrimento e morte (8:31-38; 10:28-45).
Reivindicando o seu direto ao reino, em Jerusalém, com sua entrada triunfal (11:1-11); pela purificação do templo (11:15-19); pela derrota dos chefes que não criam em sua autoridade (11:27-12:44) e pela profecia da sua segunda vinda em glória (13:1-37).
Marcos demonstra como Cristo prepara o estabelecimento do Seu reino por meio de:
Preparando-se para a morte (14:1-72).
Entregando-se à morte (15:1-47)
Pela conquista da morte (16:1-14).
Pelo envio dos seus seguidores a proclamar Seu triunfo (16:15-20).
EPÍLOGO DE MARCOS.
O texto de Marcos 16.9-20 é apontado por alguns críticos como adição posterior. Tal trecho é encontrado em alguns manuscritos e não em outros. Contudo, verificou-se a presença desse versículos no manuscrito mais antigo entre os que foram comparados. Sua ausência em alguns manuscritos pode ter sido causada pelo próprio desgaste daqueles escritos devido ao uso excessivo e à má conservação. Nessas condições é compreensível que se perca a última página ou um pedaço final de uma obra.
Sem o texto citado, o livro de Marcos terminaria de forma brusca em 16.8, o que não seria natural. Verifica-se em 16.20 um término mais convincente. O versículo dá idéia de conclusão em que o autor termina falando sobre a pregação do evangelho em toda parte.
3. Evangelho de LUCAS
Escrevendo para um povo culto, os gregos, cujo ideal era o homem perfeito, fez com que o seu livro focalizasse a pessoa de Cristo como a expressão desse ideal. A educação era para os gregos o que a Lei era para os judeus. Percebendo sua incapacidade de salvar a humanidade por meio da educação, muitos filósofos gregos viram que sua única esperança de salvação era a vinda de um homem divino. Lucas, para satisfazer a necessidade dos gregos, apresenta Jesus como o perfeito Homem Divino, o representante, o Salvador da humanidade.
Sendo o terceiro livro que aparece no Novo Testamento, talvez só tenha sido escrito depois de dezesseis outros livros do mesmo. Esse é o único evangelho a ser dirigido a um indivíduo específico.
O relato de Lucas é uma apologia do cristianismo, que procurava condição legal para o mesmo, do que o judaísmo já desfrutava.
Também é um relato mais completo que o de Mateus e de Marcos. Ele inclui o relado sobre a ascensão de Jesus por duas vezes, uma no evangelho e outra no livro de Atos. Ele traça a genealogia de Jesus de volta a Adão, e não somente até Abraão, porque ele se mostrou fiel à sua tese: Jesus é o Homem ideal, um autêntico descendente de Adão, e não apenas um descendente de Abraão. Ele deixa claro que o Evangelho de vê ser universalmente pregado.
No Evangelho de Lucas, Jesus aparece como o Salvador dos homens, o que também aparece em todos os evangelhos. Jesus é ali retratado como uma figura altamente humanitária, protetor dos desprotegidos e das mulheres, isso transparece nas várias narrativas onde aparecem mulheres como personagens.
Tema Central: apresenta uma narrativa histórica que expões Jesus Cristo como o perfeito Homem Divino
Autor: Tanto o estilo quanto a linguagem oferecem evidências convincentes de que a mesma pessoa escreveu Lucas e Atos. E o fato de o escrito dedicar ambos os livros a Teófilo também demonstra solidamente uma autoria comum. Visto que a tradição de igreja atribui com unanimidade essas duas obras a Lucas, o médico, um companheiro próximo de Paulo (Cl. 4.14; Fm 24; 2Tm 4.11), e, como as evidências internas sustentam esse ponto de vista, não há motivos para contestar sua autoria. Lucas, nome grego que significa "aquele que traz a luz", era médico, nascido em Antioquia da Síria, e é o único escritor bíblico do qual podemos afirmar que era gentio.
Destinatário: O livro foi destinado a Teófilo. Seu nome significa "amigo de Deus". O tratamento que Lucas lhe dispensa: "excelente", "excelentíssimo" ou "digníssimo", conforme a versão que se utilize, tem levado a crer que Teófilo era uma autoridade pública, um oficial romano. Tem-se deduzido que Lucas viu naquele homem a pessoa adequada para publicar sua obra entre os gentios, o que ocorreu com pleno êxito.
Fonte: Empregou o esboço histórico de Marcos, mas adicionou muito material (chamado L pelos eruditos), que não aparece nem em Mateus e nem em Marcos. Também há uma boa quantidade de material compartilhada com Mateus, mas não com Marcos, que os eruditos chamam de fonte Q.
Data: Eruditos que admitem que Lucas usou o Evangelho de Marcos como fonte para escrever seu próprio relato datam Lc por volta do ano 70 dC. Outros, entretanto, salientam que Lucas o escreveu antes de At, que ele escreveu durante o primeiro encarceramento de Paulo pelos romanos, cerca de 63 dC. Como Lucas estava em Cesaréia de Filipe durante os dois anos em que Paulo ficou preso lá (At 27.1), ele teria uma grande oportunidade durante aquele tempo para conduzir investigações que ele menciona em 1.1-4. Se for este o caso, então o Evangelho de Lc pode ser datado por volta de 59-60 dC, mas no máximo até 75 dC.
Idioma e característica literária: Lucas demonstrou considerável aptidão como escritor na língua grega. Suas peças literárias exibem maior versatilidade do que qualquer outra obra literária do NT. Ele demonstra possuir sólida cultura ao usar um grande e bem escolhido vocabulário. Seu emprego do idioma grego não é muito diferente do grego de Políbio, Josefo. Os autores dotados de boa cultura não apreciavam palavras estrangeiras de som estranho, e Lucas exibiu essa aversão, assim palavras distintivamente aramaicas, como hosana, Getsêmani, abba, Gólgota e Eloi, Eloi, lama sabachthani. Em lugar do vocábulo rabi ele usa a palavra grega mestre.
Para que foi escrito: Este Evangelho é dirigido aos gregos em particular, por vários motivos.
Pelas qualificações do autor: Lucas foi um grego de grande instrução, como indica o seu estilo e o fato de ser ele médico.
Pelo arranjo da obra: é mais metódica. A leitura cuidadosa revela passagens escritas por um pensador a um povo filosófico.
Pelo estilo: grande eloqüência poética.
Pelas omissões: partes distintamente judaica foram omitidas.
Conteúdo:
Introdução (1:1-4).
Advento do Homem Divino (1:5-4:13).
O ministério de Jesus na Galiléia (4:14-9:50).
Seu ministério na Peréia (9:51-19:28).
Sua crucificação e ressurreição (19:29-24:53)
4. Evangelho de JOÃO
O Evangelho de João é um acervo de testemunhos que provam que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. João tinha em mente as necessidades dos cristãos de todas as nações e assim apresenta as verdades mais profundas do Evangelho, entre as quais, mencionamos os ensinos acerca da divindade de Cristo e do Espírito Santo. Foi escrito com a finalidade de promover a vida espiritual da Igreja. Este Evangelho foi publicado em um tempo em que a Igreja primitiva estava começando a formular a sua cristologia.
Em vez de palavras, há discursos, em vez de localizar o ministério de Jesus principalmente na Galiléia, (como o fazem os demais evangelhos), destaca mais o que Jesus ministrou em Jerusalém e cercanias.
O elemento miraculoso é conspícuo, destacando incidentes com um propósito nitidamente polêmico, demonstrando tanto a deidade quanto o messiado de Jesus. João em contraste com os evangelhos sinópticos ensina claramente a salvação como filiação (1:12),um tema que Paulo aproveitou e desenvolveu. O terceiro capítulo do evangelho de João é um escrito imortal, que ressalta a absoluta universalidade do evangelho e seu intuito salvatício. Talvez o trecho de João 3:16 seja o versículo melhor conhecido, mais memorizado e mais pregado da fé cristã.
Dos quatro evangelhos, João é o que tem menos importância como fonte histórica, o que não significa que não contenha crônicas válidas sobre Jesus e suas atividades. Por outro lado é o mais teologicamente expressivo (Jesus como o bom pastor, a porta, a água da vida, o pão da vida, etc). Acresça-se a isso a sua ênfase sem igual sobre o Espírito Santo. E o ensino sobre a morte de Jesus Cristo é apresentado com maior precisão teológica. Assim, ele era o Cordeiro de Deus (1:29); na qualidade de o Bom Pastor, deu a sua vida pelas suas ovelhas (10:14); foi o grão de trigo que caiu no solo e morreu, mas reviveu para produzir fruto (12:24). As cenas que envolvem vários dos apóstolos de Jesus, como Tomé, Pedro e João, nos capítulos finais não têm paralelo nos outros evangelhos é exatamente dentro desse contexto que encontramos a difícil e profunda declaração de Jesus sobre a autoridade e a missão apostólica, em João 20:23.
Tema Central: apresentar Cristo a todos os cristãos como o Verbo (Logos) encarnado de Deus.
Autor: A antiga tradição da igreja atribui o quarto evangelho a João “o discípulo a quem Jesus amava” (13.23; 19.26; 20.2; 21.7,20), que pertencia ao “círculo íntimo” dos seguidores de Jesus (Mt 17.1; Mc. 13.3). . Esta intimidade com o Senhor, juntamente com meio século de experiências, como pastor e evangelista, qualificaram-no muito bem para escrever este Evangelho que contém as doutrinas mais espirituais e sublimes concernentes à pessoa de Cristo. De acordo com escritores cristãos do séc. I, João mudou-se para Éfeso, provavelmente durante a guerra Judaica de 66-70dC, onde continuou seu ministério.
João era judeu, pescador (Mt.4.21), irmão de Tiago, filho de Zebedeu e Salomé (Compare Mt.27.56 e Mc. 15.40). Foi chamado de discípulo amado – Jo.13.23; 19.26; 21.20. Enquanto Lucas precisou fazer uma pesquisa para escrever seu evangelho, João foi testemunha ocular da maior parte dos fatos que escreveu (1.14; 19.35; 21.24) O registro da hora de alguns acontecimentos destaca a presença do relator ou, em alguns casos, uma relação bem próxima com os protagonistas (1.39; 4.6,52; 19.14). Até no momento da crucificação João estava presente. Isso mostra sua disposição de correr risco de vida para ficar ao lado do Mestre. Apesar de ter fugido no momento da prisão de Cristo, João voltou pouco tempo depois.
Fonte: Não usou Marcos como fonte informativa, e nem segue o seu esboço histórico, embora haja alguma material paralelo.
Data: O evangelho de João foi escrito, provavelmente no ano 95. As datações têm variado entre 90 e 95. Nesse tempo, o autor já era idoso. Seus escritos trazem a marca da maturidade e demonstram profundo entendimento dos assuntos tratados. Foi escrito somente antes de I, II e II João, Judas e o Apocalipse.
Idioma e característica literária: o estilo literário desse evangelho se caracteriza pela extrema simplicidade. Certamente qualquer menino de escola daqueles tempos poderia ler o grego ali apresentado, mas essa simplicidade faz parte de sua grandiosidade, no que não encontra rival em qualquer livro do N.T. João emprega um vocabulário ainda menor que Marcos. Fala de modo simples, porém eloqüente. Sua construção sintática é tão simples que quase chega a ser infantil. O grego de João é relativamente puro, tanto nas palavras como na gramática, mas encontram-se ali algumas expressões que são tipicamente semitas, e não gregas. João escreveu com sentenças curtas mas cheias de significado. Apesar de suas falhas literárias o evangelho de João destaca-se numa modalidade de grandeza sem-par nos escritos do Novo Testamento.
Para que foi escrito: Para a Igreja em geral. Os primeiros Evangelhos (sinóticos), em termos gerais, contêm uma mensagem evangélicas para os homens não espirituais; eram Evangelhos missionários. Depois de terem sido estabelecidas igrejas por meio das obras dos apóstolos, veio a petição dos cristãos que se lhes dessa uma declaração das verdades mais profundas do evangelho.
O Evangelho de João foi, primeiramente, escrito para os cristãos pelos seguintes fatos:
As doutrinas que contém, concernentes a alguns dos temas mais profundos do evangelho – a pré-existência de Cristo, sua encarnação, sua relação com o Pai, a pessoa e a ob ra do Espírito Santo – indicam que foi escrito para um povo espiritual.
Os escrituro presume que aqueles a quem escreve, estão familiarizados com os outros três Evangelhos, porque omite a maioria dos acontecimentos bem conhecidos da vida no nosso Senhor, exceto os que relacionam com a paixão e ressurreição, sem os quais, nenhum Evangelho poderia ser completo.
Características
Estilo simples – pensamento profundo.
Mais íntimo – pessoal.
Fatos exclusivos – 14 a 17 – discurso no cenáculo.
Sem parábolas, sem profecias escatológicas.
Discursos diferentes dos sinóticos. Vinculados aos milagres, explicando-lhes o sentido espiritual.
Os milagres: São relatados 8, inclusive o 1o. 6 são exclusivos.
Conteúdo:
A manifestação de Cristo na Eternidade (1:1-5).
A manifestação de Cristo no tempo (1:6:18)
A manifestação de Cristo ao mundo (1:19-6:71).
Rejeição das reivindicações de Cristo (7:1-12:50).
A manifestação de Cristo a seus discípulos (caps. 13-17).
A humilhação e glorificação de Cristo (caps. 18-21).
VII. LIVRO HISTÓRICO
1. ATOS DOS APÓSTOLOS
Este livro histórico forma uma unidade com o evangelho de Lucas, tendo sito escrito imediatamente após o mesmo. Seu tom é polêmico, procurando ganhar para o cristianismo posição legal dentro do império romano. Até então, ser cristão era tido como um ato de traição, o eu provocou as perseguições gerais contra o cristianismo. No livro, os romanos sempre são visto sob uma luz favorável, como protetores dos cristãos, no começo da Igreja; e os judeus incrédulos são vistos sob uma luz desfavorável. A execução de Paulo, em Roma não foi mencionada, embora o autor sagrado certamente tivesse conhecimento do fato. O autor evitou antagonismos e polêmicas desnecessárias, pelo que não tentou mostrar como essa execução tivera lugar. Além disso, o livro expõe um relato histórico veraz de cerca de trinta anos, retratando os primeiros passos da Igreja cristã. De fato, esse é o único relato histórico formal que possuímos acerca desse estágio inicial do cristianismo. A narrativa do livro de Atos relata como a Igreja cristã ganhou para si mesma um lugar debaixo do sol, dentro do cada vez mais caótico império romano.
A primeira porção do livro repete a história da ascensão de Cristo, e fornece uma outra versão da Grande Comissão. Ao longo do livro é descrita a propagação do cristianismo em consonância com aquela comissão: primeiro em Jerusalém, então na Judéia e na Samaria, e, então, a todas as partes do mundo (Atos 1:8). O relato é seletivo e jamais pretendeu ser completo.
A posição de Lucas como contemporâneo dos personagens principais do livro garantiu uma exatidão essencial. Há muitas coisas, dentro da exposição de Lucas, que não têm sido confirmadas pela história secular ou pela arqueologia; porém existem paralelos onde a exatidão histórica de Lucas tem sido confirmada, o que nos permite confiar que todo o material do livro é historicamente preciso.
Considerações Gerais
- Atos dos Apóstolos - nome dado no fim do 2o século.
- Livro eixo do NT.
- Provê fundo histórico para todo o NT. (Reforço para os evangelhos).
- Elo entre os evangelhos e as epístolas.
- Documento histórico do início do cristianismo.
- Cobre período de 29 a 61 d.C.
Tema Central: a história do estabelecimento e desenvolvimento da igreja cristã, e da proclamação do evangelho ao mundo. É o relado do ministério de Cristo continuado por seus servos.
Palavras-Chaves: Ascensão, Descida e Expansão.
Autor: O livro de Atos não menciona especificamente seu autor, mas muitos apontam para Lucas, “o médico amado” (Cl 4.14). Considerando a dedicatória do livro a Teófilo (1:1, compare com Lc 1:3), a referência a um tratado anterior, seu estilo, o fato de o autor ter sido companheiro de Paulo, o que é patente por estarem certas partes do livro escritas na primeira pessoa, e ter acompanhado Paulo a Roma, chegamos à conclusão de que o livro de Atos foi escrito por Lucas.
Data: Lucas conta a história da igreja antiga dentro da estrutura de detalhes geográficos, políticos e históricos que podiam encaixar-se apenas no séc. I, portanto , por causa desses fatos e porque o livro não registra a morte de Paulo, apesar de deixá-lo prisioneiro em Roma, pode-se datar a redação de At como próxima à prisão do apóstolo naquela cidade por volta de 62 dC. As datações têm variado entre os anos 61 e 96. O ano 61 corresponde ao período final da prisão de Paulo em Roma descrita no último capítulo de Atos. O livro parece ter sido escrito antes do ano 70, já que não menciona a destruição de Jerusalém ocorrida naquele ano. Isso, porém, não constitui prova concreta para determinação de data.
Destinatário: Teófilo. (ver mesmo item no Evangelho de Lucas)
Conteúdo:
O conteúdo de Atos começa onde o evangelho de Lucas termina: com o período pós-ressurreição e a ascensão do Senhor Jesus. Este livro narra a origem da Igreja, com a descida do Espírito Santo, as primeiras pregações e a dispersão dos discípulos, a expansão do evangelho pelos cristãos dispersos, o início da obra missionária de Paulo, suas viagens, a implantação de igrejas na Ásia Menor e na Europa, a prisão de Paulo, sempre mostrando o roteiro da expansão do Evangelho no mundo. Além de história, também registra muitos ensinamentos teológicos.
O livro de Atos apresenta um novo tempo para o povo de Deus. O Velho Testamento se refere ao tempo antigo. Os evangelhos mostram um curto período de transição. O primeiro capítulo já nos mostra o confronto final desses dois tempos, dessas duas realidades: o tempo dos evangelhos e o tempo de Atos. No tempo dos evangelhos os discípulos iam a Cristo para receber suas bênçãos e ensinos. Agora, no tempo de Atos, período pós-ressurreição, é hora dos discípulos darem algo ao mundo. Eles é que devem fazer a obra de Deus. Eles são agora o corpo de Cristo na terra. Nos evangelhos, o Filho glorifica o Pai. Em Atos, o Espírito Santo glorifica o Filho.
Destaques do conteúdo
Ação - Pregação do evangelho. Atividade missionária da igreja. Uma igreja voltada para fora e não para dentro de si mesma.
Agentes – Os apóstolos e demais cristãos. Destaque ao valor dos apóstolos. O livro de Atos atesta o caráter apostólico de quase todos os autores do NT.
Poder - do Espírito Santo.
Propósito (da ação) - Exaltação de Jesus e salvação das almas.
Resultado - Aceitação e rejeição - (At.2.) - Perseguição e julgamento. Os perseguidores são judeus e romanos - como nos evangelhos. Observa-se a crescente aceitação do evangelho pelos gentios e a crescente perseguição por parte dos judeus.
Ressurreição – Principal tema da mensagem apostólica. Eram testemunhas da ressurreição (At.1.22; 2.24,31; 3.15,26; 4.2,10,33), a qual se constitui até hoje como sinal da supremacia do cristianismo e da divindade de Cristo (I Cor.15.17). O diabo faz muitos sinais e prodígios mas não tem o poder de dar vida, seja pelo nascimento, seja pela ressurreição.
24 sermões (ou resumos) - 9 de Pedro, 9 de Paulo, e outros.
5 visitas de Paulo a Jerusalém.
Mais de 100 nomes pessoais citados (destaca o valor do indivíduo).
Características
Eclesiástico – Início da igreja, organização básica e acompanhamento aos fiéis nas igrejas (não um manual mas exemplo histórico). A igreja para os judeus - começa com Pedro - Cap.2 – A igreja para os gentios começa com Pedro - Cap. 10.
Apologético (Ex. cap.15)- Basicamente, ao escrever o livro de Atos, Lucas tem o mesmo propósito que possuía ao escrever o evangelho: informar a Teófilo acerca da verdade sobre Jesus e a igreja. Analisando mais profundamente, alguns comentaristas sugerem que Lucas também pretendia apresentar um tipo de defesa do evangelho perante as autoridades romanas, mostrando que o cristianismo não constituía ameaça às leis e ao Império.
Teológico (Ex. cap.17- os deuses e o Deus desconhecido) - Atividade do Espírito Santo (Atos do Espírito Santo) - 1.4,8 Cap.2 Cap.10. O livro de Atos faz referências à atuação do Espírito Santo no VT: 1.16; 28.25; 20.28; 5.32. Umas das maiores verdades teológicas reveladas no livro de Atos é que o evangelho de Cristo não pode ser limitado pelo racionalismo judaico, a uma única nação, mas se dirige a todo o mundo, e Jesus Cristo é o Senhor de todas as nações.
Caráter histórico. O livro cita reis, magistrados, governadores, contextualizando historicamente o início da igreja cristã. Possui também muitas citações geográficas.
Autoridades mencionadas em atos:
- Antipas - Anos 4 a.C. - 39 - Atos 4.27 13.1
- Cláudio Nero - anos 41 a 54 - Atos 11.28; 28.2 - Expulsa judeus de Roma.
- Nero - anos 54 a 68 - Atos 25.21-25; 27.1; 28.19 - Paulo apela para Nero.
- Agripa I - anos 37 a 44 - At.12 - Decapita Tiago. Prende Paulo.
- Félix Antônio - anos 52 a 58 - Atos 23 e 24 - Procurador na Judéia e Samaria. Prendeu Paulo.
- Pórcio Festo - anos 58 a 62 - Atos 24.27; At.25; At.26 - Mantém Paulo preso e o envia a Roma.
- Agripa II - anos 52 a 70 - Atos 25 e 26 - Galiléia, Peréia e Ituréia - Ouviu defesa de Paulo.
Esboço:
A Igreja em Jerusalém (1:1-8:4)
O período de transição: a igreja da Palestina e da Síria (8:5-12:23)
A igreja dos gentios (12:24-21:17).
Cenas finais da vida de Paulo (21:18-28:31).
Ênfase sobre o ministério de Paulo.
Cap. 9 - Sua conversão
13-14 - Paulo com Barnabé em Antioquia e depois em viagem para ilha de Chipre e Galácia.
15 - Paulo no concílio em Jerusalém.
16-18 - Paulo em viagem com Silas e Timóteo - Filipos, Tessalônica, Macedônia, Grécia e Corinto.
19 - Paulo na Ásia (Éfeso).
20-26 - Paulo na Palestina (2 anos)
27-28 - Paulo preso em Roma (provavelmente nos anos 60 e 61).
Obs.: Paulo teria sido solto em 64, ido a Creta (Tt.1.5) e talvez à Espanha (Rm.15.28). Foi preso em Nicópolis e morto em Roma por ordem de Nero (ano 67?), o mesmo imperador a quem Paulo havia apelado tentando se livrar da condenação.
VIII. AS EPÍSTOLAS
Vinte e um dos vinte e sete livros que formam o Novo Testamento pertencem ao gênero epistolar. São cartas escritas com a finalidade de dirigir, aconselhar e instruir nos seus primeiros desenvolvimentos as igrejas recém-formadas ou para ajudar os responsáveis por pastoreá-las e administrá-las. As epístolas formam uma literatura de ocasião, ou seja, escrita para equacionar certas necessidades específicas que foram sugerindo entre os primitivos cristãos. Naturalmente, também é forte ali o elemento didático, envolvendo conceitos teológicos, éticos e práticos, ainda que isso não forme uma teologia sistemática.
A rapidez da expansão da fé cristã, descrita no livro de Atos dos Apóstolos, veio a revelar que o trabalho missionário não se reduzia a promover pequenos grupos de crentes em diversos lugares, mas exigia, também, manter com as novas comunidades um relacionamento vital que contribuísse para edificá-las espiritualmente e para orientar a sua conduta de acordo com os preceitos da sua fé em Cristo. Como conseqüência de tal necessidade, o anúncio do evangelho, basicamente oral no princípio, teve de ser suplementado pela comunicação por carta. Isto tornou possível aos pregadores continuar o seu labor de extensão missionária sem por isso abandonar a atenção às igrejas já estabelecidas.
As 21 epístolas do N.T. são classificadas da seguinte forma;
1. Epístolas Paulinas (escritas por Paulo):
a) Primeiras epístolas: é uma epígrafe que faz referência à época em que foram compostas. Não somente se considera que são os escritos mais antigos do apóstolo Paulo, mas também de todo o Novo Testamento. São elas: 1ª e 2ª Tessalonicenses.
b) Grandes epístolas: entre elas está incluída a de Gálatas apesar de pequena extensão do texto. A razão está no seu estreito parentesco com Romanos, o que requer considerá-las juntamente. São elas: Romanos, 1ª e 2ª Coríntios e Gálatas.
c) Epístolas da prisão: quando Paulo redigia estas cartas, se encontrava preso em algum lugar que não se conseguiu determinar. Muitos pensam que se tratava de Roma; outros sugerem Éfeso; entretanto, na realidade, nem sequer se pode afirmar com certeza que as quatro epístolas tenham sido escritas desde uma mesma prisão. São elas: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon.
d) Epístolas pastorais: correspondem a um tempo em que o Cristianismo, tendo já progredido na fixação da doutrina e na elaboração da estrutura eclesiástica, precisava ordenar administrativa e pastoralmente a sua vida e o seu trabalho. São elas: 1ª e 2ª Timóteo e Tito.
2. Epístola aos Hebreus.
3. Epístolas universais (ou gerais): começou a se aplicar este título no século II, quando ainda estava se formando o cânon dos livros do N.T. Significa que as sete cartas do grupo (exceto 2Jo e 3Jo) não são dirigidas a um destinatário determinando, mas aos crentes em geral. São elas: Tiago, 1ª e 2ª Pedro, 1ª, 2ª e 3ª João e Judas.
Idioma e característica literária: As epístolas, como os demais livros do N.T., estão escritas em grego, o que não significa que o estilo literário epistolar estivesse especialmente difundido no mundo grego da época. Estava entre os romanos, que fizeram uso normal do correio como instrumento idôneo para vincular a metrópole com as legações políticas e militares de serviços nas províncias do império.
As estrutura literária das epístolas apostólicas não é uniforme, umas parecem mais como sermões ou tratados doutrinais (Hebreus e Tiago). As cartas que, com maior propriedade podem assim chamar-se, respondem em termos globais ao modelo clássico romano, que consistia em:
a) Uma saudação inicial, precedida de apresentação do autor e a indicação do destinatário;
b) O texto ou o corpo da carta propriamente dito;
c) A despedida, que incluía, saudações de pessoas conhecidas do autor e do receptor e saudações para essas pessoas.
Na época em que surgiram as epístolas neotestamentárias era prática habitual que o autor ditasse o texto a um assistente ou amanuense (veja Rm.16:22). Em certas ocasiões, o autor não se valia de um escrevente, mas de um autêntico secretário, que, uma vez informado dos assuntos a tratar, se encarregava de compor e redigir a carta do princípio ao fim. Em qualquer caso, também era comum que, ao término do escrito, o próprio autor acrescentasse, do próprio punho, o seu nome e umas poucas palavras de saudação.
1. CARTAS PAULINAS
Idioma e característica literária: Paulo era Judeu, mas nasceu e foi criado em um centro intelectual gentílico, a cidade de Tarso. Por conseguinte, era um judeu helenista. Evidentemente falava tanto o aramaico como o grego. Seu treinamento aos pés de Gamaliel certamente lhe garantiu um perfeito conhecimento do idioma e da cultura hebraicos e do A.T. Não há evidências de que Paulo era versado nos escritores clássicos, mas transparece, em suas alusões, que ele deve ter estudado consideravelmente a filosofia. Entretanto, de maneira geral, o vocabulário de Paulo não se deriva de fontes literárias gregas, mas do grego comumente falado. É muito provável que o fato de que ele ditava as suas cartas tivesse exercido influência no tipo de grego coloquial que se encontra nelas. A linguagem de Paulo se assemelha ao próprio homem, isto é, variegado, dinâmico mas, algumas vezes interrompido.
1.1. ROMANOS
A epístola de Paulo aos Romanos é uma obra prima da teologia cristã, destacando-se entre os livros do Novo Testamento. É um tratado teológico sobre a salvação. Esta epístola tem enriquecido o testemunho de gerações de crentes ao longo da história. A profundidade de pensamentos do autor põe em destaque a sua confiança na graça de Deus e manifesta a sua vocação e fervor que o anima.
Esta carta nos apresenta um resumo da bíblia e da história humana sob o ponto de vista teológico. O autor menciona Adão (5.14), Abraão (4.13), Moisés (5.14), Israel (11.25), o Velho Testamento (1.2), Jesus (10.9), a salvação (10.9), a igreja (16.1), o juízo (2.16) e a glorificação dos salvos (8.30). Esses versículos são apenas alguns exemplos dentre tantos que mencionam tais temas e pessoas.
Quando Paulo redigiu esta carta, a mais extensa de todas as suas, ainda não tivera oportunidade de visitar os crentes residentes em Roma. Contudo, a extensa lista de saudações do cap.16 parece prova que já naquela época contava com não poucos relacionamentos e afetos entre aquele grupo.
Tema: O evangelho de Cristo
Escritor: Tércio – Rom.16.22.
Ocasião e Data: Entre 53 e 58 (3ª viagem missionária). É mais provável que Paulo tenha escrito Romanos enquanto estava em Corinto, em 56 dC, fazendo uma coleta para ajudar os cristãos necessitados de Jerusalém (15.25-28,31; 2Co 8-9). Ele planejou ir a Jerusalém com essa coleta, depois visitar a igreja em Roma (1.10-11; 15.22-24). Depois de ser revigorado e apoiado pelos cristãos de Roma, planejou viajar para a Espanha para pregar o evangelho (15.24). Ele escreveu para dizer aos romanos sobre sua visita iminente. A carta, provavelmente tenha sido entregue por Febe (16.1-2)
Local: Corinto.
Portadora: Na sua última visita em Corinto, Paulo encontrou uma irmã cristã, chamada Febe que ia a Roma (Rm.16.1-2). Aproveitou o ensejo para enviar, por meio dela, uma carta à igreja naquele lugar.
Classificação: soterologia (doutrina da salvação).
Contexto Histórico: Quando Paulo escreveu Rm, por volta de 56 dC, ele ainda não tinha estado em Roma, mas vinha pregando o evangelho desde sua conversão em 35 dC. Durante os dez anos anteriores, ele tinha fundado igreja através de todo o mundo mediterrâneo. Agora, estava chegando ao fim de sua terceira viagem missionária. Esta epístola é, portanto , uma declaração madura de sua compreensão do evangelho. Em Roma, a igreja havia sido fundada por outros cristãos; e Paulo, através de suas viagens, conheceu muito a respeito dos crentes de lá (16.3-15).
Propósito - Paulo queria expor aos romanos seu entendimento a respeito do evangelho e prepará-los para sua futura visita, quando estivesse a caminho da Espanha. (Rm.15.22-24).
Conteúdo: Deve-se observar a organização de Paulo. A carta apresenta um desenvolvimento em uma seqüência bem ordenada. Temos: Introdução, histórico, ilustração (Abraão), teoria e exemplos de aplicação prática.
Quanto a estrutura literária, Romanos se divide em duas parte principais: a primeira é propriamente doutrinária (1:16-11:36) e a segunda, de exortação (12:1-15:13). Contém uma introdução rica em conceitos teológicos (1:1-15) e uma conclusão que completa o texto com um grande número de notas de caráter pessoal.
Os temas tratados em Romanos são teologicamente densos, mas Paulo os expõe de um modo ameno e torna fácil a sua leitura introduzindo vários recursos estilísticos: diálogos, perguntas e respostas, citações do A.T., exemplos e alegorias. A seção doutrinária é a mais extensa. Paulo reflete sobre o ser humano, dominado pelo pecado e incapaz de salvar-se pelo seu próprio esforço.Afirma que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (3:23); que somente Deus pode salvar os pecadores o que o faz por pura graça, “mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (3:24).
O tema fé e a sua importância para a reconciliação do pecador com Deus se estende de 3:21 a 4:25. Em uma linguagem jurídica magistralmente utilizada, o apóstolo introduz termos como “lei”, “mandamento”, “transgressão”, “justificação”, “graça” e “adoção”. Mas os apresenta sob a nova luz da liberdade e paz oferecidas em Cristo ao pecador que se arrepende.
A seguir apresentaremos o resumo dos capítulos de Romanos:
1. A culpa dos pagãos.
2. A culpa dos judeus.
3. Condenação universal.
4. Justificação pela fé.
5. Resultados da justificação.
6. Libertação do pecado.
7. Libertação da Lei.
8. Libertação da Condenação.
9. A eleição de Israel.
10. A rejeição de Israel.
11. A restauração de Israel.
12. Consagração.
13. Deveres para com o Estado.
14. Deveres para com os irmãos fracos.
15. A obra de Paulo e a visita futura.
16. Saudações.
MACRO DIVISÃO
Doutrina (para o conhecimento e a fé)
Capítulos 1 a 8 – Salvação.
Capítulos 9 a 11 – Israel – Eleição, rejeição e salvação.
Instruções práticas (para a experiência e boas obras).
Capítulos 12 a 15.13 – Vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações pessoais.
Assuntos pessoais e saudações
Capítulo 15.13 a 16.27.
Esboço teológico:
Condenação (1:1-3:20)
Justificação (3:21-5:21)
Santificação (caps. 6-8)
Dispensação (caps. 9:11)
Exortação (caps. 12-16)
Esboço Geral:
I – Introdução – 1.1-17
Apresentação pessoal, saudação, tema (16-17).
II – O problema humano – 1.18 a 3.20.
O pecado, sua universalidade e suas conseqüências.
III – A solução divina – A salvação: 3.21 a 5.21.
A origem do pecado e a origem do perdão.
O método da salvação: justificação pela fé no sacrifício de Cristo.
IV – A santificação – 6 a 8.
Ação do Espírito Santo na vida do salvo.
V - A soberania divina – 9 a 11.
Judeus e gentios no plano de Deus.
VI – O cristianismo prático – 12 a 15.13.
A vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações pessoais.
O serviço cristão.
VII – Conclusão – 15.14 a 16.27.
Assuntos pessoais, admoestações e saudações finais.
1.2. Epístolas aos CORÍNTIOS
Em nossas bíblias, temos duas epístolas de Paulo aos Coríntios. Entretanto, sabemos que elas seriam pelo menos três. Em I Cor.5.9, Paulo se refere a uma carta anterior, a qual não chegou às nossas mãos. Em II Cor. 7.8 existe referência a outra carta que pode ser I Coríntios. Alguns comentaristas sugerem que a carta mencionada em II Cor.7.8 seja uma outra epístola. Nesse caso, teríamos quatro epístolas. Trabalhando ainda com hipóteses, sugere-se que essa epístola corresponda aos capítulos 10 a 13 de II Coríntios, os quais poderiam ter sido ali agrupados posteriormente.
Temos então o seguinte esquema:
1a carta - desaparecida - existência garantida por I Cor.5.9
2a carta - é a que chamamos I Coríntios.
3a carta - desaparecida – existência hipotética.
4a carta – é a que chamamos II Coríntios.
Contexto Histórico, Geográfico e Político de Corinto:
A península de Peloponeso (sul da Grécia) é um território montanhoso unido ao resto do país por um istmo curto e estreito. Na época do N.T. estava sob a administração romana, como parte da província da Acaia, cuja capital, Corinto, estava situada a poucos quilômetros a sudoeste do istmo.
Ao longo da sua existência, Corinto conheceu o esplendor e a miséria. No ano 146 a.C., esteve a pondo de desaparecer, arrasada pelos romanos; mas um século depois, no ano 44 c.C., Roma mesmo cuidou para que fosse reconstruída e constituída como a residência do governador da província. Esse último dado ficou registrado em At.18:12-18, onde se diz que o procônsul Lúcio Júnio Gálio governava a Acaia quando Paulo chegou ali na sua 2ª viagem missionária.
Corinto tinha uma dupla saída para o mar: para o Adriático e para o Egeu. Essa privilegiada situação geográfica trazia muitos benefícios à cidade. A população de Corinto, estimada naquela época em cerca de 600.000 pessoas, incluía mercadores, marinheiros, soldados romanos aposentados e uma elevadíssima proporção de escravos (por volta de 400.000). A cidade era também um centro de incessante afluência de peregrinos, que vinha de lugares distantes para adorar ás diversas divindades que tinham um santuário nela.
A cidade, famosa pela sua riqueza e cultura, era conhecida também pela corrupção moral do seus habitantes e pela libertinagem que dominava os costumes da sociedade. A má reputação de Corinto, fomentada por causas tão conhecidas como a prostituição sagrada no templo de Afrodite, era notória em toda a bacia do Mediterrâneo.
A igreja de Corinto
Naquele ambiente, a existência de uma pequena comunidade cristã, composta na sua maior parte por pessoas simples, de origem gentia (1Co.1:26; 12:2) e de recente conversão, se via submetida a fortes tensões espirituais e morais.
O anúncio do evangelho havia sido bem acolhido desde o princípio, quando Paulo, provavelmente no início da década de 50, chegou a Corinto vindo de Atenas. Durante “um ano e seis meses” (At.18:11), permaneceu na cidade, dedicado à proclamação da fé em Jesus Cristo. As primeiras atuações do apóstolo, segundo o seu costume, visavam travar relacionamento com os judeus residentes (At.18:2,4,6,8); mas a oposição de muitos deles logo o levou a dedicar os maiores esforços à população gentia (At.18:6). Parece que o trabalho de Paulo, durante o tempo em que permaneceu na capital de Acaia, visava acima de tudo lançar os fundamentos para que outros depois dele, como Apolo (1Co.1:12), pudessem continuar anunciando o evangelho na região do Peloponeso (1Co 3:6-15).
1.2.1. 1ª Epístola aos CORÍNTIOS
Tema: o comportamento do cristão. A conduta cristã na igreja, no lar e no mundo.
Autor: Paulo (1.1) . A autenticidade de 1Co nunca foi seriamente desafiada. Em estilo e filosofia, a epístola pertence a Paulo.
Escritor: Sóstenes (1.1)
Data: 56 d.C. Paulo estabeleceu a Igreja em Corinto por volta de 50-51 dC, quando passou dezoito meses lá em sua segunda viagem missionária (At 17.1-17). Ele continuou a levar a correspondência adiante e a cuidar da igreja depois de sua partida (5.9; 2Co 12.14). Durante esse ministério de três anos em Éfeso, em sua terceira viagem missionária (At 19), ele recebeu relatórios perturbadores sobre a complacência moral existente entre os crentes de Corinto. Para remediar a situação, ele enviou uma carta à igreja ( 5.9-11), que depois se perdeu. Pouco depois, uma delegação enviada por Cloe, membro da igreja em Corinto fez um relato a Paulo sobre a existência de facções divisórias na igreja. Antes que pudesse escrever uma carta corretiva, chegou outra delegação de Corinto com uma carta fazendo-lhe certas perguntas(7.1; 16.17). Paulo enviou imediatamente Timóteo a Corinto (4.17). Então, ele escreveu a carta que conhecemos como 1 Co, esperando que a mesma chegasse a Corinto antes de Timóteo (16.10). Visto que Paulo, aparentemente, escreveu a carta próximo ao fim do seu ministério em Éfeso (16.8) ela pode ser datada cerca de 56 dC.
Local: Éfeso (16.8)
Texto chave: 5.7
Classificação: eclesiologia (Estudos referentes à igreja).
Propósito: Os problemas dos coríntios eram muitos, em destaque estavam a divisão e a imoralidade. Nessa epístola, Paulo não expõe os fundamentos do evangelho, como fez na carta aos Romanos. Afinal, ele já estivera doutrinando os coríntios pessoalmente durante um ano e meio. Paulo escreveu àquela igreja depois de receber uma carta com perguntas dos coríntios (I Cor. 7.1; 8.1-13) e a visita de pessoas “da casa de Cloe”,que informaram sobre a difícil situação que estavam atravessando os crentes de Corinto, impelidos pela fanática adesão pessoal de uns a Paulo e de outros a Pedro ou a Apolo (1:12;3:4). Além disso, os antecedentes pagãos da maioria daqueles irmãos continuavam pesando na conduta de alguns, e a corrupção geral, característica da cidade, era influente também na congregação, de modo que, inclusive no seu seio, se davam casos de imoralidade que exigiam ser imediatamente corrigidos.
Esta epístola foi escrita com o propósito corrigir as seguintes desordens na Igreja de Corinto:
1. Divisões
2. Imoralidade.
3. Disputas entre os crentes.
4. Desordens durante a Ceia do Senhor.
5. Desordens durante o culto.
Para responder as seguintes perguntas dos crentes de Corinto:
1. Concernente ao matrimônio.
2. Concernente ao comer carne oferecida a ídolos.
3. Concernentes aos dons do Espírito Santo.
Conteúdo: Paulo começa esta carta abordando o problema das divisões internas, ameaça que caía sobre a comunidade cristão como um sinal da incompreensão e esquecimentos de determinadas afirmações básicas da fé. Em seguida trata de orientar os seus leitores sobre outros males que já estavam presentes na igreja, mas cujo progresso devia ser impedido sem perda de tempo: uma situação incestuosa (5:1-13), questões judiciais (6:1-11), comportamentos sexuais condenáveis (6:12-20) e atitudes indignas entre os participantes do culto, especialmente na Ceia do Senhor (11:17-22). Além dessas instruções, a carta contém as respostas do apóstolo ás perguntas dos coríntios relacionadas com o matrimônio cristão e o celibato (7:1-40), com o consumo de alimentos antes consagrados a ídolos (8:1-13) ou com a diversidade e o exercício dos dons outorgados pelo Espírito Santo (12:1-14-40). Outras questões doutrinárias e de testemunho cristão são levantadas como: admoestações contra a idolatria (10:1-11:1), instituição da Ceia do Senhor (11:23-26). Notáveis pela sua beleza e a sua profundidade de pensamento são o poema de exaltação do amor ao próximo (12:31b-13:13) e a extensa declaração sobre a ressurreição dos mortos (15:1-58).
Correção de desordens morais e sociais (caps. 1-8).
Autoridade apostólica (cap.9).
Ordem na Igreja (caps.10-14).
A ressurreição (cap.15).
Conclusão.
Macro divisão da carta
- Purificação da igreja (1.1 a 11.34);
- Orientação doutrinária (12.1 a 16.24).
Esboço
Saudação – 1.1-9
Necessidade de purificação da igreja – 1.10-31.
Divisões.
Culto ao homem.
Glória pela sabedoria humana.
III. Exemplo de Paulo – 2.1-16.
§ Sabedoria humana x sabedoria divina.
IV. Divisão: imaturidade e carnalidade – 3.1-4.
V. Os ministros na igreja – 3.5 a 4.21.
Quem são? 3.5
Como agricultores – 3.6-8.
Colaboradores – 3.10.
Edificadores – 3.10.
Despenseiros – 4.1.
Ministros (servos) – 4.1.
Sofredores! – 4.9-13 (Paulo se refere aos ministros como: últimos, condenados, espetáculo, loucos, fracos, desprezíveis. Esta seria a visão do mundo a respeito deles).
Exemplo para a igreja – 4.16.
VI. O dever de purificar a igreja – 5.1 a 6.20.
Da imoralidade – 5.1-13; 6.9-20.
Dos litígios entre irmãos – 6.1-8.
VII. O casamento e a vida cristã – 7.1-40.
VIII. A liberdade e o amor (liberdade com responsabilidade) – 8.1-13.
IX. O exemplo de renúncia de Paulo – 9.1-27.
X. Exemplos da história de Israel. Riscos para a igreja. 10.1-15.
XI. A mesa do Senhor e a mesa dos demônios. 10.16-21.
A idolatria e as relações sociais.
XII. A liberdade e o amor – 10.23-33.
Os alimentos sacrificados aos ídolos.
XIII. Observação dos costumes sociais – 11.1-16.
O risco dos escândalos (obs.: 10.32).
XIV. A ceia do Senhor – 11.17-34.
XV. Os dons espirituais e o corpo de Cristo – 12.1-31.
XVI. A supremacia do amor – 13.1-13.
XVII. O dom de línguas, as profecias e a ordem no culto – 14.1-40.
XVIII. A doutrina da ressurreição – 15.1-58.
XIX. Instruções finais. As ofertas para Jerusalém. Saudações. – 16.1-24.
1.2.2. 2ª Epístola aos CORÍNTIOS
Histórico entre as Epístolas aos Coríntios.
Ao escrever a primeira epístola, Paulo se encontrava em Éfeso. Ali ocorreu grande tumulto porque os comerciantes de imagens estavam perdendo seus lucros após as pregações de Paulo. Diante da perseguição, o apóstolo vai para Trôade. Por esse tempo, ele se sentia angustiado pela expectativa em relação à igreja de Corinto. Eram "combates por fora e temores por dentro". Paulo aguardava a chegada de Tito. De Trôade, Paulo vai à Macedônia. Pouco depois, Tito chega com notícias de Corinto. (At.19.30 a 20.1 II Cor.2.12-13; 7.5-10,13).
De acordo com as informações de Tito, a epístola enviada recentemente, havia provocado tristeza e arrependimento em alguns e rebeldia em outros. O pecador de I Cor. 5 estava arrependido e acerca dele Paulo dá instruções em II Cor.2 para que a igreja o receba e o perdoe.
Havia falsos apóstolos agindo entre os coríntios (II Cor.11.3,13; 12.11), os quais procuravam desmoralizar a pessoa e a mensagem de Paulo (I Cor.1.17; 10.9-10; 11.1,6,16).
A Hipótese da Carta Desaparecida
Normalmente, se considera que as reações relatadas por Tito se refiram à epístola que conhecemos como I Coríntios. Entretanto, existe a hipótese de que, após o envio da primeira epístola, Paulo tenha visitado Corinto. Nessa oportunidade, ele teria sido gravemente ofendido por alguém (II Cor.2.5-11; 7.12). Logo depois, teria enviado uma epístola muito emocionada, a qual não teria chegado ao nosso conhecimento ou então seria correspondente aos capítulos 10 a 13 de II Coríntios. De acordo com essa hipótese, as reações mencionadas em II Cor.7.8-12 seriam referentes a essa suposta epístola e o homem de II Cor.2.5 seria aquele que ofendeu pessoalmente o apóstolo. Contudo, essa suposição não foi comprovada.
Informações Gerais
De todas as epístolas de Paulo, 2ª aos Coríntios é a mais pessoal. É uma revelação de seu coração, de seus sentimentos mais íntimos e de seus motivos mais profundos. A presença de mestres falsos em Corinto, que punham em dúvida sua autoridade, impugnando os seus motivos e menosprezando a sua autoridade, tornou necessária uma defesa do seu ministério. Ao fazer essa defesa, foi obrigado a relatar experiências a respeito das quais ele preferia ficar calado. Através da epístola, ele tem cuidado de informar aos seus leitores este fato.
Tema: Defesa do apostolado de Paulo – seu ministério, seus motivos, sacrifícios, responsabilidades e eficiência.
Autor: Paulo (e Timóteo)
Contexto Histórico e Data: Cerca de 55 - 57 dC .
2Co reflete, de várias maneiras, o tratamento de Paulo com a Igreja de Corinto durante o período da fundação, por volta de 50 dC, até a redação desta epístola, em 55 ou 56 dC. Os vários episódios nas interações entre Paulo e os coríntios podem ser resumidos conforme a seguir:
- A visita de Fundação a Corinto durou cerca de dezoito meses. At 18
- Paulo escreveu um epístola anterior a 1Co . (1Co 5.9)
- Paulo escreveu 1Co em Éfeso por volta de 55 dC
- Uma breve porém dolorosa visita a Corinto causou “tristeza” a Paulo e à igreja (2Co 2.1; 13.2)
- Depois dessa dolorosa visita, Paulo escreveu um epístola severa, entregue por Tito (2Co 2.4; 7.6-8)
- A visita final de Paulo a Corinto (At 20), provavelmente, tenha ocorrido quando ele escreveu Rm, pouco antes de voltar a Jerusalém. A visita dolorosa, que Atos não registra, e a carta severa fornecem pano de fundo imediato para a redação de 2Co.
Local: Macedônia ou Filipos.
Classificação: eclesiologia
Características: Bastante pessoal e emocionada. Mistura amor, censura e indignação. Fala a dois grupos na igreja: os obedientes e os rebeldes.
Propósito:
- consolar os membros arrependidos da Igreja.
- para admoestar a minoria rebelde.
- para admoestar contra os falsos mestres.
- para resistir aos ataques feitos contra o seu ministério por estes falsos mestres.
Conteúdo:
É muito difícil analisar esta carta, que é o menos sistemático dos escritos de Paulo. Assemelha-se a um rio africano, ás vezes corre calmamente e espera-se uma análise satisfatória, mas repentinamente aparece uma grande catarata e uma agitação, quando se fendem as grandes profundezas do seu coração. A carta pode ser dividida em quatro seções:
1. Uma visão retrospectiva (1:1-2:13).
2. A dignidade e eficiência do ministério de Paulo (:14-7:1-16).
3. A oferta para o judeus crentes (caps. 8,9).
4. A defesa que Paulo faz de seu apostolado (10:1-13:14)
Esboço
Saudações – 1.1-2.
Tribulações antes da volta de Tito – 1.3-14.
Primeiro plano de visita. Defesa de Paulo. 1.15-24
Mudança de planos. Arrependimento e perdão. – 2.1-11.
Credenciais do ministério – 2.12-17.
Contrastes entre a velha e a nova aliança. – 3.1-18.
A responsabilidade de Paulo. Sua idoneidade e dependência de Cristo – 4.1-18.
O juízo e a urgência da mensagem de salvação.
O ministério da reconciliação – 5.10-21.
Os sofrimentos de Paulo e exortação à santidade. 6.1 a 7.1.
Recomendações diversas. Os efeitos da primeira carta – 7.2-16.
A coleta para os irmãos de Jerusalém – 8.1 a 9.15.
Defesa da autoridade apostólica de Paulo – 10.1-18.
Defesa diante dos judaizantes. Os falsos apóstolos. Os sofrimentos de Paulo – 11.1-29.
Os sofrimentos de Paulo. Suas revelações, sinais e receios – 11.30 a 12.18.
A próxima visita. Saudações – 12.19 a 13.13.
1.3. GÁLATAS
A questão se os gentios deviam guardar a Lei de Moisés foi resolvida no concílio de Jerusalém. A decisão foi que os gentios eram justificados pela fé sem as obras da Lei. Esta decisão, no entanto, não parecia satisfazer ao partido judaizante, o qual insistia em que, apesar de serem salvos os gentios pela fé, esta seria aperfeiçoada pela observância da Lei de Moisés. Ao pregar a mensagem da mistura da Lei e da graça, faziam todo o possível para insurgir aos seus convertidos contra Paulo e contra a mensagem que pregava. Conseguiram seu objetivo a ponto de trazerem sob a observância da Lei toda a igreja dos gálatas – uma igreja gentílica. Para restaurar esta igreja ao seu estado anterior de graça, Paulo escreveu esta epístola, cujo tema é: a justificação e a santificação, não pelas obras da Lei, mas sim, pela fé.
Contexto Histórico e Geográfico da Galácia e a Igreja da região: Seu nome originou-se no Séc. III aC, quando antigas tribos celtas, de pessoas da Gália migrou do centro da Europa. para o local. No séc. I dC, o termo “Galácia” era usado geograficamente pra indicar a região centro-norte da Ásia Menor, onde os gálios tinha se estabelecido e, aos poucos, logo se espalharam pelos amplos territórios compreendidos nos limites da atual Turquia; politicamente, designava a província romana na parte centro-sul da Ásia Menor. Paulo enviou esta carta para as igrejas na província da Galácia, uma área que incluía as cidades de Antioquia, Icônia, Listra e Derbe.
Fora da epístola, a Galácia é mencionada apenas cinco vezes no N.T. No entanto, apesar dessa escassez de notícias, é evidente a importância que teve para a história da igreja. Sabemos pelo testemunho pessoal de Paulo, que ele ali anunciou Jesus Cristo, e não há dúvida de que também fundou um certo número de pequenas comunidades cristãs dispersas por toda a província. Para essas igrejas redigiu a epístola. Mas não para uma comunidade me particular, mas para as da Galácia em geral, formadas por crentes que, na sua maioria, ou possivelmente, na sua totalidade procediam do paganismo. (4:8)
Tema: A justificação pela fé sem as obras da Lei. Não há mais nenhum evangelho além do de Jesus Cristo.
Autor: Paulo
Local e Data: Cerca de 55 - 60 dC. Paulo provavelmente tenha escrito a carta por volta de 55 ou 56 dC, quando estava na Macedônia ou em Corinto, em sua terceira viagem missionária.
Destinatários: Gálatas é a única carta que Paulo endereçou especialmente a uma grupo de Igrejas. A Galácia não era uma cidade, mas uma região da Ásia Menor, que incluía várias cidades.
Propósito: Os judeus estavam presentes em todo o Império Romano, principalmente nas cidades mais importantes. Muitos deles se converteram ao cristianismo e, dentre os convertidos, havia aqueles que queriam impor a lei mosaica sobre os cristãos gentios. São os já mencionados "judaizantes". Assim como os fariseus e saduceus perseguiram Jesus durante o período mencionado pelos evangelhos, os judaizantes pareciam estar sempre acompanhando os passos de Paulo a fim de influenciar as igrejas por ele estabelecidas. Essa questão entre judaísmo e cristianismo percorre o Novo Testamento, tornando-se até um elemento que testifica a favor da unicidade e autenticidade histórica dessas escrituras. Os judaizantes estavam também na Galácia, onde se tornaram forte ameaça contra a sã doutrina das igrejas.
Esta epístola foi escrita para:
1. Opor-se á influência dos mestres judaizantes que procuravam destruir a autoridade de Paulo.
2. Pra refutar os seguintes erros, que eles ensinavam:
I. que a obediência à Lei misturada com a fé é necessária à salvação;
II. que o crente é aperfeiçoado guardando a Lei.
3. Para restaurar os gálatas que haviam caído da graça.
Conteúdo:
A epístola aos Gálatas está tematicamente relacionada com a de Romanos. Está dividida em três seções:
1ª Seção:
a) Paulo defende a autenticidade da mensagem do evangelho que havia pregado nas igrejas da Galácia (1:11-12), reivindicando a legitimidade do seu trabalho como apóstolo chamado e enviado por Deus para anunciar Jesus Cristo entre os gentios (1:15-16).
b) Refere-se a alguns aspectos da sua vida e conduta: o seu anterior fanatismo judaico, que o levou a perseguir a Igreja de Deus; o reconhecimento do seu ministério por parte dos apóstolos de Jerusalém (2:1-9) oposição a Pedro na Antioquia da Síria (2:11-14).
c) Põe em destaque o valor da fé, pela qual Deus justifica o pecador (2:15-21)
2ª Seção:
a) Começa com uma admoestação aos que haviam sido enganados com o cumprimento externo da lei e menosprezavam assim a graça de Deus. (3:1-5);
b) Faz considerações sobre a fé de Abraão,d e como Deus fez com que as bênçãos e as promessas que havia feito a ele alcançassem os gentios e qual a vigência atual da lei mosaica (3:19-24;4:1-7).
c) Convite ao permanecerem firmes na liberdade que Cristo nos concedeu (5:1).
3ª Seção:
a) Exortação a fazer o bom uso dessa liberdade, a qual deve configurar a vida do cristão.
b) Catálogo de vícios e virtudes – conhecido como “as obras da carne e o fruto do Espírito”.
Macro divisão:
O apóstolo da liberdade (caps. 1, 2).
A doutrina da liberdade (caps. 3, 4).
A vida de liberdade (caps. 5, 6).
Esboço
Introdução 1.1-9
1 – Saudação – 1.1-5.
2 – A inconstância dos gálatas – 1.6-9.
2 - Paulo defende o seu apostolado - 1.10 a 2.10.
2.1 – As viagens de Paulo após a conversão e a origem do seu evangelho
3 - Paulo defende o seu evangelho - 2.11-21.
3.1 – O conflito com Pedro
4 - A salvação pela fé e os seus benefícios - 3.1 - 4.31.
4.1 – O evangelho e a lei.
4.2 – O exemplo de Abraão.
4.3 – A lei e a graça nas figuras de Hagar e Sara.
5 - A liberdade que Cristo nos dá - 5.1 a 6.18.
5.1 – As obras da carne.
5.2 – O fruto do Espírito.
5.3 - Conselhos práticos e saudações.
1.4. EFÉSIOS
Mais que uma carta, a Epístola aos Efésios é um escrito doutrinário e exortatório, que revela no seu autor fundamentais interesses pedagógicos e pastorais. É uma reflexão sobre a Igreja, vista como Corpo de Cristo, e um sólido ensinamento sobre a salvação que Deus oferece aos pecadores.
Quanto à profundidade e sublimidade da doutrina, Efésios supera todas as demais epístolas de Paulo. Tem sido chamada de “epístola do terceiro céu” de Paulo, porque ele se eleva das profundezas da ruína até as alturas da redenção – e os “Alpes do Novo Testamento”, porque aqui nos ordena Deus que subamos passo a passo até alcançarmos o ponto mais elevado possível para o homem alcanças, a própria presença de Deus. A epístola aos Efésios é uma grande exposição d]e uma doutrina fundamental da pregação de Paulo, a saber, a unidade de todo o universos em Cristo, a unidade do judeu e gentio em seu corpo, a Igreja, e o propósito de deus nesse corpo para o tempo presente e para a eternidade
A carta que hoje conhecemos como "Epístola de Paulo aos Efésios", parece ter sido uma correspondência circular destinada às diversas igrejas da Ásia Menor. Seu conteúdo não é pessoal nem trata de questões ou problemas específicos de uma comunidade em particular. Não possui saudações pessoais, como seria natural em uma carta dirigida a um grupo determinado. De acordo com os estudiosos dos manuscritos do Novo Testamento, a expressão "que vivem em Éfeso" (1.1) não aparece em todas as cópias antigas. Supõe-se então que poderia se tratar de uma carta circular e que, eventualmente, alguém tenha acrescentado essas palavras quando endereçou uma cópia para os efésios. Alguns comentaristas sugerem que essa epístola possa ser a mesma que Paulo menciona em Colossenses 4.16, quando fala da carta enviada aos Laodicenses e que deveria ser lida também em Colossos.
Contexto Histórico e Geográfico de Éfeso:
Desde o ano 133 a.C., com uma população próxima a meio milhão de pessoas, Éfeso era a capital da província romana da Ásia e residência oficial do governador. Estava situada em um lugar privilegiado da costa do Mediterrâneo, com um porto de muito tráfego e uma importante via de comunicação com o interior da Ásia Menor. Contribuía para aumentar o prestígio da cidade o culto à deusa Diana, em cuja honra se havia erigido um templo em Éfeso, ao qual, devotos de “toda Ásia e o mundo” (At.19:23-41) acudiam em peregrinação.
Éfeso era um importante porto da Ásia Menor, localizado perto da atual Izmir. Tratava-se de uma das sete igrejas a quem Jesus endereçou suas cartas em Ap 2-3, um fato relevante para estudar esta epístola , uma vez que ela circulou
originalmente para quase o mesmo grupo de igrejas. Embora Paulo já tivesse estado em Éfeso antes (At 18.21), ele foi ministrar lá pela primeira vez no inverno de 55 dC. Lá ele ministrou por dois anos inteiros (At 19.8-10), desenvolvendo um relacionamento tão profundo com os efésios que sua mensagem de despedida a eles é uma das passagens mais emocionantes da Bíblia (At 20.17-38).
Tema: A unidade da igreja. Privilégios espirituais e responsabilidades da Igreja. Concentra sua atenção sobre a Igreja, em seu aspecto de organismo espiritual.
Ocasião e Data: Cerca de 60—61 dC. Enquanto estava preso em Roma, Paulo escreveu Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Confinado e aguardando julgamento (3.1; 4.1; 6.20), o apóstolo escreve esta carta encíclica - para se lida por várias congregações. Efésios e, provavelmente, a mesma carta mencionada em Cl 4.16 como estando presente em Laodicéia ao mesmo tempo em que circulava.
Local de origem: Roma.
Portador: Tíquico (Ef.6.21-22).
Texto chave – Ef.4.13.
Palavras e expressões em destaque: Mistério; "em Cristo"; graça; salvação; riqueza; igreja; unidade; vida; armadura.
Propósito
As igrejas cristãs estavam se estabelecendo em diversas cidades do Império Romano, começando dos principais centros, onde Paulo procurava concentrar suas atividades evangelísticas. Assim, apesar dos protestos e perseguições, alguns se convertiam. Logo estava estabelecida a igreja e sua formação incluía gentios e judeus. Percebe-se então uma dicotomia imediata na comunidade. Além disso, como era natural, a igreja era formada por homens e mulheres, servos e senhores, escravos e livres, ricos e pobres. Bem sabemos que esse cenário não era uma particularidade de Éfeso, mas característica comum a diversas igrejas. Essa diversidade de componentes da igreja, faz com que ela seja um organismo bastante eclético. Essa variedade se tornava, muitas vezes, causa de divisão, partidarismo, dentro das igrejas. Por isso, Paulo escreve aos efésios, tendo como principal tema a unidade da igreja. Seu foco está principalmente sobre a questão entre judeus e gentios.
Esses dois perigos ameaçavam a Igreja em Éfeso: a tentação de descer ao nível pagão; e a falta de unidade entre o judeu e o gentio. Para enfrentar o primeiro perigo, Paulo contrasta a santidade da vocação cristã deles com a sua condição anterior pecaminosa e pagã. Para guardar-se contra o segundo perigo, Paulo apresenta o Senhor Jesus fazendo a paz entre o judeu e o gentio pelo sangue da cruz, e dos dois criando um novo corpo.
Paulo insiste na doutrina da unidade da igreja e da criação sob o governo de Cristo ressuscitado. Afinal, Cristo chamou pessoas tão diferentes e as uniu em um corpo para que aprendessem o amor que supera todas as desigualdades e até mesmo ajuda a minimizá-las ou eliminá-las quando possível.
Conteúdo
A Igreja é escolhida, redimida e unida em Cristo; de sorte que a Igreja deve andar em unidade, em novidade de vida, na força do Senhor e com a armadura de Deus.
Ele apela para os seus leitores a fim de que se elevem à mais alta dignidade da sua missão. Fazendo assim, apresenta o quadro da Igreja como um só corpo, predestinado desde a eternidade a unir o universo a plenitude da vida divina, vivendo a vida de Deus, imitando o caráter de Deus, perdoando como Deus perdoa, educando como Deus educa, e tudo isto, para que se cumpra a obra mais ampla pela qual Cristo há de ser o centro do universo.
O texto da carta é formado por duas seções principais:
1ª Seção: A vocação da Igreja - de caráter doutrinário (caps. 1-3) – Paulo expõe a grandeza e glória da vocação cristão. Então ensina que uma vocação santa exige uma conduta santa (2ª seção).
A tríplice fonte da nossa salvação (1:1-18)
A tríplice manifestação do poder de Deus (1:19-2:22).
Uma declaração tríplice referente a Paulo (cap.3).
2ª Seção: A conduta da Igreja - de caráter prático - contém uma série de exortações para se viver de acordo com a vocação e a fé cristã. (caps. 4-6).
Uma exortação tríplice à Igreja (4:1-5:21).
Uma exortação tríplice à família (5:22-6:9)
Uma expressão tríplice da vida espiritual (6:10-24).
Esboço
1 – A igreja e o plano de salvação – 1.1-23
Saudação – 1.1-2
A origem divina da igreja – 1.3-6.
O plano de salvação – 1.7-23.
2 – A ressurreição espiritual e a exaltação do salvo – 2.1-6.
Salvação pela fé e não por obras – 2.7-10.
Os gentios estão incluídos no propósito de Deus – 2.11-13.
Não há barreiras entre judeus e gentios – 2-14-22.
3 – Os mistérios e as revelações divinas – 3.1-13.
A oração de Paulo e o amor de Cristo – 3.14-21.
4 – A unidade dos cristãos – 4.1-16.
A vida cristã prática – 4.17-21.
Velha vida x Nova vida – 4.22-32.
5 – Valores da vida cristã – 5.1-21
Amor, pureza, luz, zelo, plenitude do Espírito.
Deveres da vida cristã – 5.22 a 6.9.
6 – A luta espiritual – 6.10-18.
7 – Palavras finais e bênção – 6.19-24.
1.5. FILIPENSES
A epístola aos Filipenses foi chamada “o mais doce dos escritos de Paulo”. Por toda a epístola respira-se o espírito do amor de Paulo para com os filipenses; e a atitude deles para com ele prova que este amor era mútuo. Não se discutem questões nem se apresentam controvérsias. Na há, da parte de Paulo, severas repreensões nem um coração magoado devido a desordens sérias. Havia algumas divisões, é verdade, mas não parece que fossem sérias. Ao tratar delas, Paulo usa de muito tato e juízo. Um lugar de pronunciar severas denúncias contra os partidos implicados, cria uma atmosfera de união e amor pelo uso freqüente de palavras que sugerem comunhão e cooperação, tais como “colaboradores”, “companheiros nos combates” e palavras semelhantes, sugerindo a idéia de união e camaradagem. Cria uma atmosfera de fé e adoração pela repetição do nome do Senhor, e faz que se esqueçam das suas diferenças insignificantes aos apresentar-lhes um quadro admirável daquele que, embora subsistisse em forma de Deus, esvaziou-se e humilhou-se para a salvação de outros.
A carta é cheia de alegria. Em cada capítulo, como o som de campainhas de prata, soam as palavras “gozo”, “regozijo”, “alegria”. Apesar da prisão e apesar do fato de se encontrar à sombra do cadafalso, o apóstolo sente alegria.
Ao escrever a epístola aos filipenses, Paulo se encontrava preso, correndo risco de vida, distante de muitos irmãos e amigos e em dificuldade financeira. Na carta, ele fala da morte várias vezes: 1.20; 2.8; 2.27; 2.30; 3.10. Entretanto, a mesma epístola enfatiza a alegria, a gratidão (1.3; 4.6), e ainda admoesta contra a murmuração (2.14).
Isso é testemunho (2.15). Alegria e gratidão no meio do sofrimento é tão contrastante quanto a luz no meio da escuridão, como uma estrela refulgente no meio do negro céu. Não dá para ignorar. Paulo compara os cristãos aos luzeiros, aos astros, e não a uma vela ou a um pavio de lamparina (2.15). O luzeiro produz abundante luz, a qual não se apaga com o vento nem com a tempestade. Normalmente, se existe luz, existe fogo. Algo está se consumindo. Algo está queimando. Não seremos luz gratuitamente. Não seremos luz sem sacrifício, sem dor, sem renúncia, sem sofrimento ou sem tribulações. Até a sua própria morte é vista por Paulo como um meio pelo qual o Senhor Jesus seria glorificado (1.20). Segundo a visão do apóstolo, sofrer pelo evangelho é um privilégio (1.29).
Tema: Alegria no Senhor – a alegria da vida e do serviço cristão, manifestada em todas as circunstâncias
Contexto Histórico e Geográfico da cidade e da igreja em Filipos:
A CIDADE DE FILIPOS
Filipos era a capital da província romana chamada Macedônia, localizada em território que hoje pertence à Grécia. Seu nome significa "pertencente a Filipe". A cidade foi fundada por Filipe, pai de Alexandre Magno, em 358 a.C. Era importante devido à sua localização junto à principal estrada que cortava a Macedônia no sentido leste-oeste, servindo de caminho entre a Ásia e Roma. Além disso, a cidade possuía minas de ouro e prata. Elevava-se a uns 12 km da costa norte do mar Egeu, junto ao limite da região macedônica com a da Trácia. Submetida a Roma desde o ano 167 a.C., a partir de 31 a.C., com a categoria de colônia e por regulamentação do César Otávio Augusto, gozou dos privilégios e direitos que as leis do império outorgavam às cidades romanas.
A IGREJA EM FILIPOS
Foi a 1a igreja cristã na Europa. Foi fundada por Paulo durante a segunda viagem missionária - At.16.11-40. Ali chegando, o apóstolo foi bem recebido juntamente com Silas. Os primeiros convertidos foram Lídia, vendedora de púrpura, e uma jovem que adivinhava, da qual foi expulso um espírito imundo. Sendo liberta, cessaram os seus prognósticos. Diante disso, cessou também o lucro dos seus senhores, os quais se enfureceram contra Paulo e Silas, incitando contra eles as autoridades locais. Como resultado, aqueles irmãos foram espancados e lançados na prisão (I Ts.2.2). Estando orando e louvando à meia-noite, Deus os libertou por meio de um terremoto que abriu as cadeias. Diante de tão grande acontecimento, o carcereiro se converteu e também a sua família. Algum tempo depois, os irmãos filipenses enviaram ajuda financeira para Paulo - II Cor.8.2 Fil. 4.10,15.
Essa comunidade cristã era formada, na sua maior parte, por pessoas que haviam passado do paganismo ao Judaísmo, as quais se reuniam para o culto fora da cidade, junto ao rio, onde estava o seu “lugar de oração” (At.16:13).
Autor: Paulo (e Timóteo)
Portador: Epafrodito
Data: 60 ou 61. É mais provável que Paulo tenha escrito esta carta durante sua primeira prisão romana, por volta de 61 dC, para agradecê-los pela contribuição que tinha recebido deles. Ele também elogiou calorosamente Epafrodito, que tinha trazido a doação de Filipos e quem Paulo estava enviando de volta. Há aqueles que opinam que a enviou de uma prisão em Éfeso, o que permitiria apontar como data provável os anos 54 e 55.
Local: prisão em Roma.
Versos chave: 1.21 e 4.4
Propósito: gratidão pelo auxílio enviado pelos filipenses.
Epafrodito, o mensageiro da Igreja dos filipenses, ao qual foi confiado uma oferta para o apóstolo, ficou doente, quando chegou a Roma. Restabelecido, voltou a Filipos e Paulo aproveitou a sua volta para enviar uma carta de agradecimento e exortação à igreja acerca de cujas condições Epafrodito tinha notificado a Paulo.
Conteúdo:
A situação e o trabalho de Paulo em Roma (cap.1).
Três exemplos de abnegação (cap.2).
Admoestações contra o erro (cap.3).
Exortações finais (cap.4).
A epístola não tem uma clara estrutura doutrinária. Mais parece responder a fortes sentimentos pessoais do que ao propósito de oferecer um texto bem planejado e teologicamente articulado. Não obstante, há nela profundos pensamentos junto a conselhos e ensinamentos práticos para a vida dos cristãos e para a marcha da igreja em conjunto.
Desde a ação de graças inicial, duas notas predominam na epístola: a alegria que caracteriza uma fé madura e o amor de Paulo pela igreja de Filipos.Essas notas são uma bela lição de esperança, repartida pelo autor em meio às penalidades físicas e morais da sua prisão.
O corpo principal da carta (1:12-4:20) transcorre entre um prólogo cheio de expressões entranháveis e um epílogo revelador da generosidade dos filipenses. O texto desenvolve em uma variada sucessão de temas e motivos de reflexão.
Alguns supõem que originalmente forma duas as cartas de Paulo à igreja de Filipos, depois reunidas em uma, porque na estrutura atual da carta tem-se observado, em certas passagens, uma brusca ruptura da conclusão de idéias (2:19; 3:1b-21; 4:2 e 4:10). O certo é que o texto da carta é caracteristicamente Paulino, tanto do ponto de vista estilístico como de vocabulário.
Esboço:
Introdução e saudação - 1.1-2.
Conceito que Paulo tem sobre os filipenses e sua oração por eles - 1.3-11.
A prisão de Paulo contribui para o progresso do evangelho. - 1.12-26.
Exortação à perseverança, unidade, humildade e santidade conforme o exemplo de Cristo - 1.27 a 2.18.
Elogio a Timóteo e Epafrodito - 2.19-30.
Confiança em Cristo e não na carne - 3.1-21.
Exortação à vida santa - 4.1-9.
Gratidão de Paulo pelo auxílio dos filipenses - 4.10-20.
Saudações finais - 4.21-23.
1.6. COLOSSENSES
Tema: A supremacia de Cristo – Ele é o primeiro na natureza, na Igreja, na ressurreição, na ascensão e na glorificação. Ele é o único Mediador, Salvador e Fonte da Vida.
Contexto Histórico e Geográfico da cidade e da igreja em Colossos:
A CIDADE DE COLOSSOS
Colossos ficava a sudoeste da Frígia, na Ásia Menor, às margens do rio Lico, afluente do Meandro, a uns 175 km a leste de Éfeso. Do ponto de vista administrativo, pertencia à província romana da Ásia. A cidade foi importante no século V a.C. , gozando de prestígio comercial.Depois foi perdendo sua importância diante do crescimento de Laodicéia, a 18 km, e Hierápolis (Col.4.13). O livro de Apocalipse confirma que Laodicéia era uma cidade rica (Ap.3.18).
Colossos perdeu sua importância devido à mudança no sistema de estradas. Isso passou a beneficiar Laodicéia.
A partir do ano 61 d.C., depois de um violento terremoto, entrou em processo de tanta decadência, que logo chegou ao desaparecimento total. A cidade dos colossenses foi destruída no século 12 d.C. Escavações arqueológicas realizadas em 1835 descobriram um teatro e um cemitério da cidade.
FUNDAÇÃO DA IGREJA
A igreja foi uma conseqüência do ministério de Paulo de três anos em Éfeso, por volta de 52 –55 dC (At 19.10; 20.31). Epafras, um nativo da cidade e provavelmente convertido pelo apóstolo, talvez tenha sido o fundador e líder da igreja ( 1.7-8; 4.12-13). A igreja aparentemente se reunia na casa de Filemom (Fm 2).
A igreja em Colossos deve ter sido fundada por Epafras. Isso não está claro no Novo Testamento, mas parece ser uma dedução coerente com as palavras de Paulo (Col. 1.7,8). É provável que Paulo nunca tenha estado em Colossos. Isso é deduzido de Col. 2.1. Apesar de tantas questões incertas sobre a fundação da igreja, o que sabemos com certeza é que a mesma estava sob a liderança de Epafras, como também ocorria com as igrejas de Laodicéia e Hierápolis (Col. 4.12-13). O texto de Colossenses 4 e também o de Filemom 23 nos dão a entender que Epafras estava preso juntamente com Paulo, quando este escreve as chamadas "epístolas da prisão": Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Essa circunstância comum às quatro cartas faz com que haja algumas semelhanças entre elas, principalmente entre Efésios e Colossenses (Exemplo: Ef.6.21-22 e Col. 4.7,9 e Fm.10,23,24.)
Os crentes que se reuniam em Colossos constituíam um grupo principalmente de procedência gentílica, composto por pessoas por pessoas que , na sua maioria, se não a totalidade, haviam antes professado algumas forma de culto pagão.
Ocasião e Data: 60 ou 61 d.C.
Estudiosos conservadores acreditam que esta carta foi escrita em sua primeira prisão romana, por volta de 61 dC.
Em algum momento da prisão de Paulo, Epafras solicitou sua ajuda para lidar com a falsa doutrina que ameaçava a igreja em Colossos (2.8-9). Aparentemente, essa heresia era um mistura de paganismo e ocultismo, legalismo judaico e Cristianismo. O erro parece com uma antiga forma de gnosticismo, que ensinava que Jesus não era nem completamente Deus e nem completamente homem, mas apenas um dos seres semidivinos que ligavam o abismo entre Deus e o mundo.
Há um paralelismo notável entre Colossenses e Efésios, sendo provável que ambos pertençam à mesma época, o que explicaria a semelhança dos temas expostos, a forma semelhante de tratá-los e os paralelos de estilo e vocabulário.
Autor: Paulo (e Timóteo). 1.1; 4.18.
Local: Prisão em Roma (4.3; 4.18).
Classificação: cristologia (doutrina de Cristo).
Texto chave:- 3.11.
Propósito:
Apesar da sua curta existência, a igreja já havia começado a acusar a infiltração de doutrinas que se desviavam do evangelho. Parece que apareceu no seu meio um mestre que propagou um sistema doutrinário que era um mistura do legalismo judaico com a filosófica pagã. Era o elemento pagão no sistema – conhecido depois do temo de Paulo como gnosticismo – que constituía o maior perigo para a fé da Igreja. Os gnósticos vangloriavam-se de possuírem uma sabedoria muito mais profunda do que aquela revelada nas Sagradas Escrituras, uma sabedoria que era propriedade de alguns favorecidos (“Gnósticos” vem de uma palavra grega que significa conhecimento). A heresia dos gnósticos destruía a soberania, a divindade e o estado de mediador de Jesus, colocando-o na classe de anjos mediadores.
Essa notícia, recebida por meio de Epafras, alarmou a Paulo, que se achava preso, possivelmente em Roma. Ao compreender os perigos que espreitavam a fé ainda recente dos colossenses (1:23; 2:4-8,16-23), lhes escreveu para alertá-los. Depois, encarregou “Tíquico, irmão amado, e fiel ministro, e conservo do Senhor”, de levar a carta ao seu destino. Sua carta teve o propósito de corrigir este erro, demonstrando que Jesus é o Criador do Universo, e o Criador dos próprios anjos. Eleva o Senhor Jesus ao lugar designado por Deus como cabeça de todo universo e o único mediador, reconciliador da criação inteira com Deus.
Neste documento se revela a influência que alguns hábitos residuais das suas antigas crenças religiosas e costumes pagãos exerciam entre os crentes de Colossos. Eram formas de vida e de cultura difíceis de desarraigar, as quais, unidas á permanente pressão do meio social de Colossos e á incessante insistência dos judaizantes acerca da sujeição à lei mosaica (2:11-13,16), causavam confusão e inquietude na igreja.
Conteúdo:
O corpo central da epístola aos Colossenses está estruturado em três grandes seções:
1ª Seção: Paulo dá graças ao Senhor pela fé dos crentes de Colossos, aos quais dá garantias a respeito da ação salvadora de Deus. Com um hino de elevada inspiração e beleza, proclama a soberania de Cristo sobre toda a criação (1:15-20).
2ª Seção: se refere ao ministério de Paulo, à sua pregação do evangelho entre os gentios, aos que ele dá a conhecer os desígnios de deus, antes secretos mas agora revelados em Jesus Cristo que é a esperança gloriosa para todos os que crêem nEle (1:25-27; 2:2-3).
3ª e 4ª Seções: instruem sobre os valores do evangelho sobre a graça. Em Jesus Cristo habita corporalmente, toda a plenitude da Divindade (2:9), e nele os crentes alcançam a sua própria plenitude; em conseqüência, devem abandonar atitudes e preceitos que não estão de acordo com a nova vida em Cristo e buscar “as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado á direita de Deus (3:1).
O epílogo inclui uma relação de saudações na qual são mencionados vários colaboradores de Paulo. Entre outros, Tíquico, Onésimo, Lucas.
Prefácio e saudação (1:1-12)
Explicação: a verdadeira doutrina declarada (1:13-2:3)
Refutação: desmascarada a falsa doutrina (2:4-23).
Exortação: conduta santa requerida (3:1-4:6).
Conclusão e saudações (4:7-28)
Esboço
Introdução - 1.1-8
Oração pelos colossenses - 1.9-12. (por riquezas espirituais)
A excelência da pessoa e da obra de Cristo. - 1.13-23
Trabalhos, sofrimentos e cuidado de Paulo pelos colossenses - 1.24 a 2.7.
Exortação contra filosofias e heresias - 2.8-23.
Exortação à santidade e ao amor fraternal - 3.1-17.
Exortação quanto aos deveres domésticos, à oração, e às relações sociais - 3.18 a 4.6
Conclusão e saudações - 4.7-18.
1.7. TESSALONICENSES
A igreja dos tessalonicenses foi fundada por Paulo em sua 2ª viagem missionária e teve como fruto a conversão de alguns judeus, “uma generosa multidão de gregos piedosos e muitas distintas mulheres” (At.17:4). Mas também provocou inveja de judeus que não criam, os quais “alvoroçavam a cidade” até a ponto de obrigar o apóstolo a abandoná-la precipitadamente, este fugiu para Corinto. Depois Timóteo voltou a Tessalônica para saber a situação da igreja a fim de informar ao apóstolo. Alguns irmãos haviam morrido e isso preocupava a igreja. Será que os irmãos mortos ficariam para trás quando Jesus voltasse? Para esclarecer o assunto, Paulo escreveu a primeira epístola aos tessalonicenses.
1 e 2Ts são bastante semelhantes em linguagem, sugerindo que Paulo escreveu a segunda carta algumas semanas após a primeira. A volta do Senhor é de importância central em ambas as cartas. 1Ts revela que alguns tessalonicenses estavam perplexos com a morte de pessoas amadas e temendo perder a volta do Senhor Jesus. Em 2Ts, surge um problema diferente, relacionado à volta do Senhor.
Tanto em 1Ts como em 2Ts (1.4-7), está claro que os crentes sofreram algumas perseguições e opressão— da mesma forma que Paulo e Silas. A preocupação de Paulo com a estabilidade espiritual da igreja o levou a enviar Timóteo e a expressar, escrevendo a primeira carta, uma alegre satisfação por conhecer sua saúde espiritual (1Ts 2.17-3.10). A estabilidade e persistência e paciência em meio às adversidades, atraíam o louvor e a gratidão freqüentes do apóstolo (1Ts 1.3; 2Ts 1.4). Ainda assim, havia preocupações evidentes sobre as atitudes desequilibradas relacionadas com a volta do Senhor.
Contexto Histórico e Geográfico da cidade e da igreja em Tessalônica:
Durante a vida do apóstolo Paulo. Tessalônica (a atual Salônica) era a capital da província romana da Macedônia. Gozava de um economia florescente, devida em grande parte á sua magnífica localização, com um porto que se abria ao mar Egeu e dava entrada e sida a grande parte do importante tráfego comercial entre Roma e a Ásia Menor.
1.7.1. PRIMEIRA EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES
A primeira leitura desta epístola revelará a existência de um tema que supera todos os demais: a segunda vinda do Senhor. Verificar-se que cada capítulo termina com uma referência a esse acontecimento. Paulo trata desta verdade mais no aspecto prático do que doutrinário, aplicando-se diretamente à atitude e à vida do crente.
Autor: Paulo
Data : 50 ou 51 d.C. Dos cálculos baseados na inscrição de Gálio— uma cópia pública de uma carta do imperador romano ao procônsul de Acaia— Pode-se afirma que 1 Ts foi escrito em 50 ou 51 dC.
É a carta mais antiga que conhecemos do apóstolo e, provavelmente, o documento mais antigo do Novo Testamento.
Local de origem: Corinto, pouco depois de Paulo partir de Tessalônica.
Tema principal: segunda vinda de Cristo – com relação ao ânimo, consolo, vigilância e santificação do crente.
Textos-chave (no final de cada capítulo): 1.10; 2.19-20; 3.13; 4.13-18; 5.23.
Classificação: escatologia.
Propósito: Esta epístola foi escrita com os seguintes propósitos:
1. Pra consolar os crentes durante a perseguição (3:1-5).
2. Para consolá-los acerca de alguns dos seus queridos que morreram na fé (4:13). Os tessalonicenses temiam que aqueles que morriam, perderiam o prazer de serem testemunhas da vinda do Senhor.
3. Parede que alguns, na expectativa da próxima vinda do Senhor, haviam caído no erro de supor que não fosse necessário trabalhar (4:11,12).
Conteúdo:
1. Uma esperança inspiradora para o recém-convertido (cap.1).
2. Uma esperança animadora para o servo fiel (3:1-4:12).
3. Uma esperança consoladora para os enlutados (4:13-18).
4. Uma esperança despertadora para o cristão que dorme (cap.5).
Esboço
1 - Saudações, elogios e exortações - 1.1-10.
2 - O ministério de Paulo em Tessalônica – 2.1-20
3 - Alegria de Paulo com as notícias de Timóteo. 3.1-13
4 - Admoestações sobre questões morais - 4.1-12.
5 - A volta de Cristo, a ressurreição, o arrebatamento,
e a necessidade de vigilância. 4.13 a 5.24.
6 - Saudações finais - 5.25 -28.
1.7.2. SEGUNDA EPÍSTOLA DE PAULO AOS TESSALONICENSES
A Segunda Epístola aos Tessalonicenses desenvolve com maior amplitude o tema do retorno de Cristo, já tratado em 1 Tessalonicenses. No entanto, o motivo imediato da sua redação foi a parição na cidade de algumas pessoas que estavam semeando inquietações entre os membros daquela igreja fundada por Paulo.
Tratava-se de gente exaltada, de certos convertidos ao Cristianismo que insistiam tanto na iminência do retorno de Cristo e do juízo final, a ponto de causar intranqüilidade entre os crentes tessalonicenses. Eram pessoas que, para dar maior peso aos seus próprios ensinamentos os atribuíam a Paulo ou então utilizavam algum texto do apóstolo interpretando mal e explicando-o erroneamente (2.2).
Autor: Paulo
Data : 51 d.C.
Local: Corinto.
Tema: A segunda vinda de Cristo, com relação aos crentes perseguidos, aos pecadores que não se arrependeram e a igreja apóstata.
Propósito:
Paulo escreveu a segunda epístola pouco tempo depois da primeira. Os tessalonicenses ainda estavam confusos e perturbados sobre os fatos dos últimos dias, "como se o dia de Cristo já tivesse chegado." (2.2). Talvez tenham recebido uma falsa carta com o nome de Paulo. Por isso, o apóstolo coloca sua assinatura em 3.17. Talvez tenha havido um erro de interpretação dos ensinos da primeira epístola. Observe que nela, o próprio Paulo se incluía no arrebatamento da igreja: "Nós, os que ficarmos vivos..."(I Ts.4.17).
Alguns membros da igreja parecem ter deixado o trabalho, considerando que a 2a vinda era iminente (3.6-12). Esse problema pode ocorrer ainda hoje, e até de forma mais intensa. O cristão não pode usar a segunda vinda de Cristo como uma desculpa para a preguiça. Espere a sua vinda, mas espere trabalhando, afim de que ele nos ache servindo bem (Lc.12.43).
Na primeira epístola, Paulo falou sobre a segunda vinda de Cristo. Depois, escreveu a segunda para avisar que antes deveriam ocorrer a manifestação do iníquo e a apostasia.
Esta epístola foi escrita com os seguintes propostos:
1. Para consolar os crentes durante o novo surto de perseguições (1:4).
2. Para corrigir uma falsa doutrina de que o dia do Senhor já tinha vindo (2:1). As severas perseguições ocasionaram em alguns a idéia de já ter começado a grande tribulação.
3. Para censurar aqueles que se comportavam desordenadamente (3:6)
Conteúdo: A situação de igreja de Tessalônica não era fácil. Segundo se conclui das expressões “em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais (1:4) e “e a vós outros, que sois atribulados”(1:7). Mas o apóstolo dá graças a Deus porque, apesar de tudo, os crentes progridem na fé e no amor e na paciência com que suportam os padecimentos (1-3-4). A sua firmeza será recompensada, e aqueles que os perseguem receberão o justo castigo “quando do céu se manifestar o Senhor Jesus” (1:3-12) e 6-10).
Quanto à segunda vinda de Cristo, o apóstolo afirma que não é um acontecimento imediato, mas que antes, deve aparecer o “iníquo” (2:9). É certo que este ministério da iniqüidade já está atuando (2:7) e que um dia chegará a ser plenamente manifesto; mas o Senhor o destruirá (2:8), quando trouxer o seu juízo e a sua vitória sobre “todos quantos não derem crédito à verdade...”(2:12). Esta exposição é seguida por uma ação de graças e algumas breves exortações (2:13-3:5). E o corpo central da carta termina com um chamado a se manter a disciplina e o trabalho honrado, para a melhor convivência de todos na congregação (3:6-15).
O conteúdo se centraliza em redor da segunda vinda do Senhor em relação a:
Os crentes perseguidos (1:1-7).
Os que não se arrependeram (1:8-12).
A apostasia (2:1-12)
O serviço (2:13-3:18)
Esboço
Introdução e saudações - 1.1-2.
A igreja dos tessalonicenses e a 2a vinda de Cristo - 1.3-12.
Os eventos que devem preceder a 2a vinda - 2.1-17.
Exortações éticas e práticas à luz da 2a vinda - 3.1-15.
Saudação final - 3.16-18.
1.8. TIMÓTEO
Seu nome significa: "que adora (ou honra) a Deus". Seu pai era grego. Sua mãe (Eunice) e avó (Lóide) eram judias cristãs, e seu pai pagão. Elas foram o exemplo e a origem dos primeiros conhecimentos que Timóteo recebeu a respeito de Deus. Quando Paulo esteve em Listra, encontrou Timóteo, um jovem de aproximadamente vinte anos, o qual passou a acompanhá-lo em suas viagens (At.16.1; II Tm.1.5; 3.14-15).
Timóteo foi circuncidado por Paulo. Sua condição de filho de grego não favorecia seu livre curso na comunidade judaica. Paulo então o circuncidou. Tal ato faria com que ele fosse tratado como se fosse um prosélito judaico (At.16.3).
A leal companhia e fiel colaboração de Timóteo forma uma ajuda constante e essencial no trabalho missionário do apóstolo Paulo. Desde o primeiro momento se estabeleceu entre eles um relacionamento, nunca quebrado, de confiança e amizade. Desse relacionamento são testemunho fidedigno as repetidas menções a Timóteo no livro de Atos e o fato de que, além disso, lhe dirigia duas epístolas nas quais o chama de “verdadeiro filho na fé” (1tm1:2) e “amado filho”(2Tm 1:2).
Além de ter sido companheiro de viagens de Paulo (2a e 3a viagens missionárias), Timóteo foi enviado pelo apóstolo a vários lugares. Por fim, foi encarregado de cuidar da igreja em Éfeso – I Tm.3.2. Em alguma ocasião esteve preso e depois foi solto – Hb.13.23. A tradição informa que Timóteo foi o 1o bispo de Éfeso. Se for verdadeira a informação, então podemos vislumbrar a progressão daquele ministro, que começando como evangelista, tornou-se pastor da igreja de Éfeso e acabou chegando ao bispado (I Tm.4.14; I Tm.1.3; II Tm.1.6; 4.5). Ainda, segundo a tradição, Timóteo foi martirizado em Éfeso.
O jovem discípulo recebeu o encargo de zelar pela “boa doutrina” na Ásia menor e de impedir possíveis desvios em direção a outros ensinamentos falsos e destrutivos que haviam começado a penetrar em comunidades cristão de formação recente. A alusão de “mestres de lei”, assim como a ênfase colocada nos valores autênticos da lei de Moisés denunciam a atividade que o judaizantes estavam desenvolvendo nas igrejas asiáticas.
Essas epístolas pastorais de Paulo (I Tm,II Tm.), foram escritas com o objetivo de animar, estimular e instruir o jovem Timóteo a respeito de questões bastante práticas. Com Paulo surgiu o que poderíamos chamar de uma "escola ministerial". Paulo ensinou a Timóteo que, por sua vez, deveria ensinar a outros e estes continuariam a transmissão do ensinamento.
1.8.1. PRIMEIRA EPÍSTOLA A TIMÓTEO
Trata-se da primeira das “Epístolas Pastorais”, assim chamadas por serem dirigidas a ministros com o propósito de instruí-los no governo da Igreja. A 1ª carta a Timóteo foi escrita depois do apóstolo Paulo ter sido posto em liberdade, após a sua primeira prisão.
Tema: Instrução a Timóteo sobre os deveres do seu cargo, para animá-lo e para admoestá-lo contra os falsos mestres.
Autor: Paulo
Data: 64 d.C. (datas prováveis variam entre 64 e 67) (entre as duas prisões em Roma). Paulo visitou Éfeso por volta de 63 dC, após ser libertado de usa primeira prisão romana. Logo em seguida, ele partiu, deixando Timóteo responsável pela igreja de lá. Ele provavelmente tenha escrito a carta em 64 dC.
Pode-se pensar, no entanto, que Paulo já estivesse próximo ao fina da sua vida quando redigiu esta carta, na qual se descobre uma estrutura eclesiástica que parece ser posterior aos primeiros esforços de organização na história do Cristianismo.
Local: Provavelmente em Macedônia.
Texto chave – 3.15-16.
Propósito:
Esta epístola revela uma série preocupação do seu autor pela organização da igreja. Isso é evidente nos seu interesse em dotá-la de normas de vida e de conduta, válidas tanto para cada membro individualmente como para a edificação e o crescimento espiritual das congregações cristãs em conjunto. Por isso, a carta contém instruções sobre diversos temas: a necessidade da oração e a boa ordem na comunidade (2:1-15), as bases para se chegar a uma eficiente organização da igreja (3:1-13), a vigilância frente ao erro doutrinário (4:1-5-6:2) e a atenção à administração congregacional e ao exercício do ministério pastoral (3:14-15; 5:1-6:2).
Menção especial deve ser feita ao texto de 3:16. É um breve poema formado por três partes de versos, que parecem apontar o caminho da exaltação de Jesus Cristo, desde a sua manifestação humana até a sua ascensão e glorificação nos céus. O autor chama “grande ministério da piedade” a esta bela afirmação de fé que vem a ser o centro de gravidade da teologia de 1 Timóteo.
Conteúdo:
I. A sã doutrina (cap.1)
II. Oração pública (cap.2)
III. Qualidades ministeriais (3:1-13)
IV. Doutrina falsa (3:14-4:11)
V. Instruções pastorais (4:12-6:2)
VI. Exortações finais (6:3-21).
Esboço
1 – Saudação – 1.1-2.
2 – A incumbência de opor-se aos falsos mestres – 1.3-11.
3 – O testemunho de Paulo – 1.12-17.
4 – Exortação a que se milite a boa milícia – 1.18-20.
5 – A oração – 2.1-8.
6 – Os deveres das mulheres cristãs – 2.9-15
7 – Oficiais da igreja – bispos e diáconos – 3.1-13.
8 – Admoestações contra a apostasia e as doutrinas de demônios – 3.14 a 4.5.
9 – Instruções sobre a conduta do ministro – 4.6 a 6.19.
10 – O tratamento com os transgressores, as viúvas, os anciãos, os escravos e os ricos. 5.1 a 6.19.
11 – Conclusão – 6.20-21.
1.8.2. SEGUNDA EPÍSTOLA DE PAULO A TIMÓTEO
Anteriormente Paulo havia passado dois anos na prisão de Roma, mas foram dois anos de prisão atenuada, de um regime aberto que, inclusive, lhe permitia dispor de casa independente (At.28:30). Depois disso, foi posto em liberdade, e durante algum tempo, pôde dedicar-se novamente ao seu trabalho de apostolado na Macedônia, Creta, Ásia Menor e outros lugares.
Mais tarde se levantou uma perseguição contra os cristãos, instigada pelo imperador Nero, que os acusou de terem incendiado Roma. Paulo, o chefe reconhecido dos cristãos foi preso novamente, provavelmente em Trôade, e a sua prisão deve ter sido repentina. Ao chegar em Roma foi encarcerado; mas desta vez, conforme é referido em 2 Timóteo, a situação era bastante diferente. Ele mesmo diz que as condições do seu cativeiro eram agora tão duras, que , inclusive, lhe tratavam “como malfeitor” (2:9),o que significa, entre outros males, que estava sujeito a algemas. E o término previsível das suas expectativas para si era o de uma execução em breve (4:6-8).
É provável, além do mais, que a sua saúde estivesse debilitada na prisão e que necessitasse da indispensável roupa de frio (4:13). Tudo isso lhe ocorria quando somente tinha Lucas ao seu lado (4:11), pois os seus outros colaboradores se achavam ausentes de Roma, dedicados ao cumprimento das suas respectivas tarefas e ministérios. Esse desfavorável acúmulo de circunstâncias explica a insistência com que Paulo roga a Timóteo: “Procura vir ter comigo depressa” (4:9), “Apressa-te a vir antes do inverno”(4:11).
Esta carta tem uma entonação especialmente dramática. Paulo se encontrava preso novamente em Roma. Dessa vez, seria morto. Essa foi sua última epístola, embora não esteja em último lugar na ordem adotada para o Novo Testamento. O apóstolo demonstra coragem, mesmo estando consciente do seu destino (4.6-8). Ele não se entrega a murmurações. Apenas relata que foi abandonado por todos, exceto por Lucas (1.15; 4.11). Encontra-se velho e teme pelo inverno que se aproxima. Pede que Timóteo vá ter com ele levando sua capa e seus livros (4.13,21).
Tema: Lealdade ao Senhor e à verdade em vista da perseguição e apostasia.
Autor: Paulo
Data: Cerca de 64 - 67 Dc. Pouco antes do martírio de Paulo em Roma.
A carta originou-se devido à preocupação de Paulo com as necessidades de Timóteo, bem como suas próprias. Ele lembrou Timóteo de suas responsabilidade e o advertiu a se entregar de corpo e alma à sua tarefa. Em relação a si mesmo, Paulo necessitava de algumas coisas pessoais (4.13) e, em sua solidão, desejava ver Timóteo e Marcos (4.9-11). Há pouca dúvida sobre Paulo ter escrito esta carta pouco antes de sua morte. Portanto, como é provável que ele tenha sido executado antes da morte de Nero em 68 dC, a carta deve ser datada de 66/67.
Propósito:
A segunda epístola tem muita semelhança com a primeira. Paulo se aplica a encorajar Timóteo, orientado-o no que diz respeito à vida cristã e ao ministério. Lembrando os ensinamentos que o jovem pastor recebera na infância, bem como as profecias a respeito de seu ministério e também sua consagração mediante a imposição de mãos, o apóstolo o encoraja a assumir seu papel de obreiro de Deus. A epístola fala dos desafios e da postura determinada do obreiro. Timóteo deveria despertar o dom ministerial (1.6) e defender a sã doutrina contra o erro (1.13).
Esta epístola foi escrita pelas seguintes razões:
Pedir a presença de Timóteo em Roma;
Para admoestá-lo contra falsos mestres;
Para animá-lo em seus deveres;
Para fortalecê-lo contra as perseguições vindouras
Conteúdo:
Introdução (1:1-5)
Exortações em vista dos sofrimentos e perseguições futuras (1:6-2:13).
Exortações em vista da apostasia futura (3:1-4:8).
Conclusão (4:9-22).
Esboço
Saudações – 1.1-5
Incumbência para Timóteo: desperte o dom – 1.6-18.
2a incumbência – seja forte – 2.1-19.
3a incumbência – seja vigilante – 2.20 a 3.17.
4a incumbência – pregue a palavra – 4.1-8.
Saudações finais – 4.9-22.
1.9. TITO
Na ordem de composição, a epístola a Tito segue à primeira a Timóteo. Depois de ter escrito esta última, Paulo navegou com Tito para Creta, onde o deixou a fim de pôr em ordem as igrejas não organizadas.
É estranho que uma pessoa cujo nome esteja listado entre os livros do NT seja tão pouco conhecida. Mesmo que Tito fosse companheiro e um valioso colaborador de Paulo, não existe nenhuma menção a seu respeito em Atos.
Tito era grego e evidentemente um convertido de Paulo. O fato de Tito não ser circuncidado (Gl. 2.3) indica que ele não foi criado no judaísmo, nem se tornou um prosélito. Paulo tinha muita estima por Tito e o apostolo se inquietava quando havia pouco ou nenhuma notícia sobre as atividades e o paradeiro do jovem.
Sabendo que o caráter indigno e imoral dos cretenses e a presença de mestres falsos tornariam difícil a sua tarefa, Paulo escreveu a Tito uma carta para o instruir e animar em seus deveres. A epístola é curta, contendo apenas três capítulos, mas reúne num espaço limitado grande quantidade de instruções, abrangendo doutrina, moral e disciplina. Martinho Lutero disse dessa epístola: “Esta é uma epístola curta, mas contém todo o necessário para o conhecimento e a vida cristã”.
Essa é uma das epístolas pastorais. (Em ordem cronológica: I Tm. Tito e II Tm.) Paulo parece apressado ao escrever essa epístola. Não especifica nomes na saudação e abrevia a benção final (3.15).
Tema: Organização da igreja e comportamento cristão.
Autor: Paulo
Data: Entre 64 e 66 d.C. Após a libertação de Paulo de sua primeira prisão em Roma.
Embora o NT não registre um ministério de Paulo em Creta, passagens como 1.5 indicam claramente que ele e Tito conduziram uma missão lá. Essa campanha provavelmente tenha acontecido em alguns momentos durante 63-64 dC, após a libertação de Paulo de sua primeira prisão em Roma. Como tinha pouco tempo, Paulo deixou Tito em Creta para cuidar de novas igrejas. Então o apóstolo partiu para outras áreas de trabalho. Em algum momento a caminho de Nicópolis, na Grécia (3.12), ele escreveu para Tito. A carta dá indicações de ter sido escrita durante o outono, provavelmente por volta de 64 dC (3.12).
Local de origem: Em algum ponto da Ásia Menor, provavelmente Macedônia.
Texto chave: 1.5
Classificação: eclesiologia.
Propósito: Instruir Tito acerca da organização da igreja cretense e para dirigi-lo no método de tratar com o povo.
Conteúdo:
I. A ordem e doutrina da Igreja (cap.1)
II. A conduta da Igreja (caps. 2,3).
Esboço Comentado
1-Introdução – 1.1-4.
2. Deveres e qualificações dos ministros – 1.5-9. - Apresenta requisitos para os obreiros da igreja. Tito recebeu a incumbência de constituir ministros. Observamos nisso a capacidade de Tito e confiança de Paulo em sua pessoa.
3. Os falsos mestres – 1.10-16. - Paulo demonstra novamente sua constante preocupação com os falsos mestres e a saúde doutrinária das igrejas.
4. Instruções em relação ao comportamento cristão – 2.1-10. - Assim como ocorre em várias epístolas, Paulo apresenta instruções práticas para a vida cristã. Ele se refere a várias classes de pessoas que faziam parte da igreja. Sabendo que o povo de Creta era imoral e preguiçoso, os convertidos deveriam ter um padrão de comportamento diferente.
5. A salvação – 2.11-15. - Paulo dedica parte de sua epístola para reforçar o ensinamento a respeito dos fundamentos da fé cristã.
6. A vida cristã na sociedade – 3.1-11. - A epístola fala das relações na igreja, na família, no trabalho e na sociedade. Em todos esses lugares existe o conceito de autoridade e governo. O evangelho afetará todas as áreas da vida do convertido.
7. Conclusão – 3.12-15 - Paulo parece apressado ao escrever essa epístola. Não especifica nomes na saudação e abrevia a benção final (3.15).
1.10. FILEMOM
É a carta paulina mais breve de a única de caráter absolutamente de caráter pessoal.
Filemom - Era um cristão generoso, de boa posição social e dono de escravos. Parece que Filemom tinha se convertido sob o ministério de Paulo (v.10), que morava em Colossos, e que a igreja colossense se reunião em sua casa (v.2). Onésimo, um de seus escravos tinha fugido para Roma, aparentemente depois de danificar ou roubar a propriedade do mestre (vs. 11,18). Em Roma, Onésimo entrou em contato com o preso Paulo, que o levou a Cristo (10). Seu nome grego significa "amável".
Paulo escreveu para a igreja em Colossos e evidentemente incluiu esta carta a favor de Onésimo. Tíquico e Onésimo aparentemente entregaram as duas cartas (Cl 4.7-9; Fm 12). O relacionamento próximo de Paulo e Filemom é evidenciado através de suas orações mútuas (vs 4 e 22) e de uma hospitalidade de “portas abertas” (v.22). Amor, confiança e respeito caracterizavam a amizade deles (vs. 1, 14,21)
A escravidão era uma realidade econômica e social aceita no mundo romano. Um escravo era propriedade de seu mestre, e não tinha direitos. De acordo com a lei romana, os escravos fugitivos poderiam ser severamente punidos e mesmo condenados à morte. Às revoltas dos escravos no séc. I resultaram em proprietários temerosos e suspeitos. Mesmo a igreja Primitiva não tendo atacado diretamente a instituição da escravidão, ela reorganizou o relacionamento entre o mestre e o escravo. Ambos eram iguais perante Deus (Gl. 3.28), e ambos eram responsáveis por seu comportamento (Ef 6.5-9).
Trata-se da única amostra da correspondência particular de Paulo que nos foi preservada. Pela impressão de cortesia, prudência e técnica de estilo que Paulo nos apresenta, ela tornou-se conhecida como a “epístola da cortesia”. Não contém instrução alguma direta referente à doutrina ou conduta cristãs. O seu valor principal encontra-se no quadro que nos oferece do funcionamento prático da doutrina cristã na vida diária e da relação do Cristianismo com os problemas sociais.
O tema da história contada pela epístola trata de um escravo fugitivo chamado Onésimo. Mais afortunado do que alguns de seus companheiros, tem por amo um cristão, Filemom, convertido de Paulo. Por causas não mencionadas, Onésimo fugiu de seu amo. Foi a Roma, onde se converteu sob a pregação de Paulo. O apóstolo encontrou nele um convertido sincero e amigo devotado.
Onésimo chegou a ser tão querido por Paulo, que este quis retê-lo para lhe ministrar na prisão. Mas o apóstolo teve de abrir mão desse privilégio. Embora Onésimo tenha-se arrependido de seu pecado, havia necessidade de restituição, o que somente podia ser cumprido pelo regresso do escravo e a sua submissão ao amo. Este dever implicava em sacrifício não somente de Paulo, mas em outro ainda maior de Onésimo que, voltando ao seu amo, estarei exposto a severo castigo – a crucificação, punição geralmente aplicada aos escravos fugitivos.
O senso de justiça requeria de Paulo que devolvesse o escravo, mas a força do amor fê-lo intervir por ele e salvar-lhe a vida. Escreveu uma carta gentil e delicada de súplica afetuosa, identificando-se com Onésimo.
Tema: Intercessão por Onésimo, um escravo fugitivo convertido ao Evangelho, ao seu amo.
Autor: Paulo
Data: Paulo escreveu esta carta durante sua prisão romana por volta de 61 dC. E pela delicadeza do assunto que vai tratar nesta, prefere escrever a próprio punho (v.19), ao invés de ditar a carta a algum amanuense. Foi enviada por Tíquico com as cartas aos Colossenses e Efésios.
Local: Roma. Epístolas da prisão: Ef. Col. Fm. Fp.
Valor da Epístola:
O seu valor pessoal encontra-se no fato de proporcionar conhecimento do caráter de Paulo, revelando seu amor, humildade, cortesia, altruísmo e tato.
Seu valor providencial. Aprendemos aqui que Deus pode estar presente nas circunstâncias mais adversas (v.15).
Seu valor prático. Somos animados a buscar e redimir o mais baixo e degradado. Onésimo não tinha nada que o recomendasse, porque era um escravo fugitivo, e pior ainda, um escravo da Frigia, uma região notória pelo vício e estupidez de seus habitantes. Mas Paulo ganho-o para Cristo.
Seu valor social. A epístola demonstra a relação entre o Cristianismo à escravidão. Na época de Paulo, havia cerca de 6 milhões de escravos no império romano e a sua sorte, em geral, era de miséria. Considerados como propriedades de seus amos, estavam completamente a mercê deles. Não tinham direitos legais. Pela mínima ofensa podiam ser açoitados, mutilados, crucificados ou entregues as feras. Não lhes era permitido matrimônio permanente, mas somente uniões temporais que podiam ser rompidas segundo a vontade do amo. Pode-se perguntar porque o Cristianismo não procurou destruir este sistema? Isto exigiria uma tremenda revolução e a religião de Cristo reforma pelo amor e não pela força. Ela ensina princípios que destroem e derrubam sistemas maus. Este método de reforma é bem ilustrado pelo caso de Filemom e Onésimo. Amo e escravo foram unidos no Espírito de Cristo, e nesta união ficaram extintas todas as distinções sociais (Gal.13:28). Embora Paulo não tenha ordenado diretamente Filemom a libertação de Onésimo, as palavras dos versículos 16-21 implicam o total desejo do apóstolo.
Seu valor espiritual. Proporciona-nos alguns símbolos notáveis da nossa salvação. Os seguintes acontecimentos sugerem tais símbolos: Onésimo abandonando o seu amo; Paulo encontrando-o; Paulo intercedendo em seu favor; a identificação de Paulo com o escravo; o seu oferecimento de pagar a dívida; a recepção de Onésimo por Filemom por causa de Paulo; a restauração do escravo a favor do seu amo.
Conteúdo
Epístola de caráter pessoal.
Paulo desejava uma verdadeira reconciliação cristã entre o proprietário de escravos lesado e o escravo perdoado. Paulo, com delicadeza, mas com urgência, intercedeu por Onésimo e expressou total confiança de que a fé e amor de Filemom resultariam na restauração (vs 5,21).
Introdução (vv 1-3)
Elogio (vv 4-7)
Intercessão por Onésimo (vv 8-21)
Conclusão: saudação (vv 22-25)
Esboço Comentado
v.1,9,10,13 – Paulo estava velho e preso em Roma.
v.2 – Na casa de Filemom se reunia uma igreja. De acordo com os comentaristas, Áfia seria o nome da esposa de Filemom e Arquipo, seu filho.
v.8-20 – Retorno do escravo Onésimo.
Onésimo havia fugido para Roma. Era um escravo esperto e visionário. Foi logo para a capital do Império. Talvez tenha furtado de Filemom antes de fugir. Em Roma, encontra-se com o apóstolo Paulo e se converte ao evangelho. Em seguida retorna a Colossos junto com Tíquico, levando a carta a Filemom e também a epístola aos Colossenses - Col.4.9.
O nome Onésimo significa "útil", exatamente o que não tinha sido para Filemom, mas passaria a ser (v.11).
A carta enfatiza a transformação de uma vida. O convertido precisa reparar o erro cometido, se isso for possível. Para Onésimo, era possível voltar à casa do seu senhor. Portanto, devia fazê-lo. Restituir o dinheiro furtado, entretanto, não era possível (v.18).
Nessa carta, chama-nos a atenção a questão da escravidão. Paulo não condenou tal prática. Afinal, estava mandando o escravo de volta ao seu dono. Temos uma idéia de escravidão muito vinculada à prática portuguesa no Brasil. Entretanto, podemos amenizar esse conceito quando estudamos a respeito da servidão entre os judeus. Um judeu poderia se tornar escravo do outro como forma de pagar uma dívida. O contexto de Onésimo não era judaico, mas devemos observar que Paulo aconselhou Filemom a tratar o escravo como um irmão amado. Então, o texto não está endossando a prática de crueldades contra os escravos. Mesmo assim, a questão parece não estar ainda resolvida. Talvez esperássemos que Paulo "proclamasse a liberdade" de Onésimo. Contudo, não o fez. O fato é que o evangelho não é uma metodologia de revolução social, mas de revolução pessoal. Paulo não poderia simplesmente dizer que Onésimo estava livre. Onde ele iria morar? Quem garantiria o seu sustento. Então, o melhor a fazer era retornar à casa de Filemom.
Manter Onésimo como escravo é totalmente contrário à "teologia da prosperidade" e a "teologia da libertação". Entretanto, o cristão só não pode ser escravo do pecado nem do Diabo. (I Cor.7.20-21). Escrevendo aos Coríntios, Paulo mostra que não importa se o cristão é servo ou senhor. Contudo, se tiver oportunidade de se libertar, não deve perdê-la. A libertação dos escravos era ideal e desejável. Contudo, isso não poderia ocorrer de modo temerário, mas dependeria da situação de cada um. Do mesmo modo, muitos empregados hoje vivem em situação semelhante à de escravos. É verdade que ganham o seu salário mensal, mas este é tão "mínimo" que talvez fosse melhor morar na casa do patrão e ter roupa, comida e um teto. Proclamar a libertação de Onésimo seria como dizer a um empregado de hoje: "Saia desse serviço. Deus tem algo melhor para você." Poderíamos fazer isso sem ter algo a oferecer para a pessoa? Tal questão não pode ser definida através de uma regra, pois trata-se de algo pertencente ao plano de Deus para cada cristão individualmente. Acima de todas essas considerações, Deus tem todo controle sobre a história e pode permitir ou encerrar os períodos de escravidão de acordo com os seus soberanos e inescrutáveis propósitos. Lembremo-nos de Israel, o povo de Deus, que foi escravizado no Egito durante 430 anos, mas, no tempo certo foi liberto pelo Senhor. Nada disso acontece sem um propósito e sem uma razão, embora nem sempre a conheçamos.
v.17-19 – A epístola a Filemom mostra o empenho de Paulo a favor de um escravo, a fim de que seu senhor o recebesse pacificamente. O escravo convertido passa a ser chamado de irmão amado (v.16), filho (v.10) e fiel (Col.4.9). É fácil ver alguém se empenhando a favor dos abastados. Entretanto, o amor de Cristo deve nos fazer agir a favor dos menos favorecidos.
Esboço
1 – Saudações e ações de graças – 1-7.
2 – Apelo de Paulo a favor de Onésimo – 8-21.
3 – Saudações finais – 22-25.
2. CARTAS GERAIS
2.1. HEBREUS
O nome da epístola - "Hebreu" era o nome dados aos israelitas pelas nações vizinhas. Talvez tenha derivado de Éber ou Héber, que significa "homem vindo do outro lado do rio" (Jordão ou Eufrates) (Gn.10.21,24; 11.14-26; 14.13 Js.24.2). Abraão foi chamado de "hebreu".
Temos então várias designações para o mesmo povo:
- Hebreu: designa descendência.
- Israel: destaca o aspecto religioso.
- Judeu: da tribo de Judá ou habitante do reino de Judá.
Alguns desses termos foram mudando um pouco de sentido com o passar do tempo. O "judeu" do Velho Testamento estava estritamente ligado à tribo de Judá. Depois do cativeiro, a maior parte dos que regressaram a Canaã eram da tribo de Judá. Então, "judeu" tornou-se quase um sinônimo de israelita, já que quase todos os israelitas eram judeus. O termo tem esse mesmo sentido genérico até hoje.
O "hebreu" do Velho Testamento era todo indivíduo israelita. No Novo Testamento, esse termo passa a designar mais especificamente aquele israelita que fala aramaico e é mais apegado ao judaísmo ortodoxo, em contraposição ao "helenista", que é o israelita que fala grego e está mais influenciado pela cultura grega. Nesse sentido, veja Filipenses 3.5 e II Coríntios 11.22, nos quais o apóstolo Paulo cita com orgulho o fato de ser "hebreu" , assim como eram seus pais.
Propósito:
Foi escrita para reprimir a apostasia dos judeus cristãos que tinham a intenção de voltar ao judaísmo.
A leitura desta epístola revela que a maior parte dos hebreus cristãos, a quem o autor se dirige, estava em perigo de afastar-se da fé. Comparado com a nação inteira, era um pequeno grupo de pouca importância, considerado pelos seus patrícios como traidores e objeto de suspeita e ódio. Sentiam a sua isolação, separados do resto da nação. Uma grande perseguição os ameaçava. Oprimidos pelas tribulações presentes e pelo pensamento de adversidades futuras, cederam ao desânimo. Eles ficavam atrás no progresso espiritual (5:11-14); muitos negligenciavam o culto (10:24-25); muitos, cansados de andar pela fé, olhavam para o magnífico templo de Jerusalém, com os seus sacrifícios e ritos imponentes. Havia uma tentação de abandonar o Cristianismo e voltar ao Judaísmo. Para impedir tal apostasia, foi escrita esta epístola, cujo propósito principal é mostrar a relação do sistema de Moisés com o Cristianismo, e o caráter simbólico e transitório do primeiro. O escritor, antes de tudo, expões a superioridade de Jesus Cristo sobre todos os mediadores do Antigo Testamento e mostra a superioridade da Nova Aliança sobre a Antiga, como a superioridade da substância sobre a sombra. Estes crentes encontravam-se perplexos e desanimados pelas múltiplas tentações e pelo fato de terem de andar pela fé no meio de adversidades, pela mera Palavra de deus sem nenhum apoio e consolo visíveis. O autor da epístola prova-lhes que os heróis do Antigo Testamento passaram por experiências semelhantes, andando pela fé, confiando na palavra de Deus, apesar de todas as circunstâncias adversas e até enfrentando a morte. Assim, os crentes, como os seus antepassados, hão de sofrer como vendo aquele que é invisível.
Tema – A religião de Jesus Cristo é superior ao Judaísmo, porque tem um pacto melhor, um sumo sacerdote melhor, um sacrifício e um tabernáculo melhores. A superioridade de Cristo sobre os profetas, os anjos, a lei, sobre Moisés, Josué, Aarão e sobre os sacerdotes (Hb.1.4; 6.9; 7.7,19,22; 8.6; 9.23; 10.34; 11.16,35,40; 12.24).
Autor: desconhecido. Não há outro livro no Novo Testamento cuja autoria seja mais disputada, nem cuja inspiração seja mais incontestável. Hebreus não designa seu autor, e não existe unanimidade de tradição em relação à sua identidade. Alguns sábios destacam algumas evidências que podem indicar uma autoria paulina, enquanto outros sugerem que um dos colaboradores de Paulo, como Barnabé ou Apolo, podem ter escrito o livro. A especulação provou-se infrutífera, e a melhor conclusão pode ser a de Orígenes, no séc. III, que declarava que só Deus sabe ao certo quem o escreveu.
Data: A referência a Timóteo e o fato de sua prisão fazem a datação do livro se projetar para o final dos anos 60 do primeiro século. Já que as epístolas paulinas não dizem que Timóteo tenha sido preso, então é possível que a carta aos Hebreus tenha sido produzida depois daquelas identificadas paulinas. O livro fala de um sacerdócio em funcionamento no templo de Jerusalém (10.1,11; 9.6-8). Isso nos faz concluir que o livro não pode ter sido escrito depois do ano 70, data da destruição do templo. Portanto, a datação, embora indefinida, fica entre 60 e 70 d.C. (10.11; 13.11).
Localização: A única evidência em relação ao local em que o livro foi escrito é a saudação enviada pelos “da Itália” (13.24), indicando talvez que o autor estivessem em Roma ou escrevendo para os cristãos de Roma.
Palavra-chave: melhor (ou superior, ou mais excelente).
Texto-chave: Hb 1:1-2
Classificação: cristologia
Destinatários: judeus cristãos que talvez residissem em Jerusalém.
A epístola aos hebreus nos mostra que seus destinatários eram judeus cristãos. Ao mesmo tempo em que o autor está se dirigindo a pessoas convertidas a Cristo (Hb.10.19), ele dá a entender que elas tinham um passado de vínculo com o judaísmo. Tais irmãos pertenciam a uma igreja, cujos líderes são anonimamente referenciados no capítulo 13 (versos 7, 17 e 24). A localização de tal igreja é objeto de especulação por parte dos estudiosos e comentaristas. As sugestões mais comuns são: Roma, Jerusalém, Antioquia, Cesaréia e Alexandria. Como se vê, as possíveis cidades eram grandes centros. Jerusalém e Cesaréia eram cidades da Judéia. Nas outras localizavam-se grandes colônias judaicas. Naturalmente, em todas elas havia igrejas locais que contavam com a presença de muitos judeus cristãos.
Características
O livro tem teor cristológico, ou seja, apresenta um verdadeiro tratado sobre a pessoa de Cristo, principalmente no que tange à sua obra vicária.
O livro é apologético. Seu discurso é um forte pronunciamento em defesa da fé cristã contra recuos ou desvios.
A carta aos Hebreus liga o Velho e o Novo Testamento de modo brilhante. Temos na obra os seguintes confrontos:
- Valores da lei X valores da graça
- Símbolos X realidade
- Antiga aliança X nova aliança
- Passado X futuro (Hb.2.5).
Teologia:o discurso teológico de Hebreus se desenvolve através de uma constante valorização do sentido do Antigo Testamento à luz da pessoa e da obra de Jesus, o qual, mediante o seu sacrifício na cruz, traz a salvação ao mundo. Em Cristo, Deus culmina a sua revelação, a qual já aténs havia iniciado ao falar “de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas” (1:1); porque Cristo é a Palavra eterna, a mesma Palavra dita por Deus aos antepassados.
Pões em destaque o caráter único de Jesus, o Filho de Deus, e a sua categoria superior a qualquer outra.
Um grande espaço de hebreus está dedicado à descrição do sistema de culto e a instituição sacerdotal de Israel, para assinalar as suas limitações e a sua caducidade e para contrapô-los com à pessoa de Jesus Cristo, cuja morte profética de se deu para resgatar do pecado; somente nela é que o sacerdócio levíticos, as ofertas e os sacrifícios rituais prescritos pela lei mosaica alcançam a plenitude do seu sentido.
Esboço
1 - A glória e a superioridade de Cristo - 1.1 a 4.13.
2 - O novo sacerdócio de Cristo - 4.14 a 8.13.
3 - Contraste entre o velho e o novo - 9.1 a 10.39.
4 - A glória da fé - 11.1-40.
5 - A vida de fé - 12.1 a 13.25.
2.2. TIAGO
A epístola de Tiago é o livro prático do Novo Testamento, como Provérbios o é do Antigo. De fato, suas declarações francas e concisas de verdades morais têm semelhança notável com Provérbios. Ela contém muito poucas instruções doutrinárias; o seu propósito principal é pôr em relevo o aspecto religioso da verdade. Tiago escreveu a certa classe de judeus cristãos na qual se manifestava uma tendência de separar a fé das obras. Pretendiam ter a fé, mas existia entre eles impaciência sob provação, contendas, acepção de pessoas, difamações e mundanismo. Tiago explica que uma fé que não produz santidade de vida é coisa morta, um mero consentimento a uma doutrina, que não vai além do intelecto. Salienta a necessidade de uma fé viva e eficaz para obter a perfeição cristã, e refere-se ao simples Sermão da Montanha que exige verdadeiros atos de vida cristã.
“Há aqueles que falam de santidade e são hipócritas; os que professam o amor perfeito, mas que não vivem em paz com os irmãos; aqueles que ostentam muita fraseologia religiosa, mas fracassam na filantropia prática. Esta epístola foi escrita para eles. Talvez não lhes dê muito consolo, mas deve ser-lhes muito útil. O misticismo que se contenta com sistema e frases religiosas, mas negligencia o sacrifício real e o serviço devotado, encontrará aqui o seu antídoto. O que não reconhece a necessidade de uma vida pura correspondente deve estudar a sabedoria prática da epístola de Tiago. Os “quietistas” que se contentam em sentar-se e cantar para conseguir a felicidade eterna, devem ler esta epístola até sentirem a sua inspiração a fim de apresentarem ativamente aos boas obras; todos aqueles que são fortes na teoria e fracos na prática, devem mergulhar no espírito de Tiago; e como há gente desse gênero em cada comunidade, em todas as épocas, a mensagem da epístola nunca envelhecerá” – D.A. Hayes.
Tema principal : Cristianismo prático.
Autor: O autor identifica-se somente como Tiago. O nome era bastante comum; e o NT enumera pelo menos cinco homens com este nome, dois dos quais eram discípulos de Jesus e um era seu irmão. A tradição atribui o livro ao irmão do Senhor, e não há motivos para questionamentos. Evidentemente, o escritor era bastante conhecido, e Tiago, o irmão de Jesus, logo tornou-se líder da igreja em Jerusalém. A linguagem da carta é semelhante à da fala de Jesus em At 15. Aparentemente, Tiago era um descrente durante o ministério de Jesus (Jo 7.3-5). Uma aparição de Cristo a ele após sua ressurreição (1Co 15.7) provavelmente o tenha levado a essa conversão; pois ele é enumerado com os crentes de At 1.14.
Data: O historiador Judeu Josefo indica que Tiago foi apedrejado até a morte por volta de 62 dC; então, se ele é o autor, a carta foi escrita antes dessa data. O conteúdo do livro sugere que pode ter sido escrita um pouco antes do concílio da Igreja relatado em At 15, que se reunião por volta de 49 dC. Não podemos ser dogmáticos, e só se pode concluir que a carta provavelmente tenha sido escrita entre 45 e 62 dC. Alguns comentaristas sugerem um período ulterior às epístolas paulinas, na segunda metade do primeiro século. Acredita-se que foi a primeira epístola escrita à Igreja.
Local: Jerusalém
Textos chave: 1.27 e 2.26.
Características: O livro tem teor prático, rigoroso, impessoal, usa muitas ilustrações, é direto, tem estilo semelhante ao sermão da montanha. Apresenta diversos preceitos morais. A carta contém 108 versículos, entre os quais temos 54 mandamentos.
Características literárias: O escrito da epístola dominava a língua grega com incomum maestria. Como obra literária, este texto é um dos mais destacados no Novo Testamento, pela sua correção gramatical, pela amplitude do seu léxico e pela riqueza das suas metáforas, exemplos, analogias e diálogos retóricos. A redação, por outro lado, contém sinais evidentes de uma mentalidade semítica. É evidente que Tiago foi um hebreu palestino, possuidor de uma ampla formação helenística e que escreveu, sobretudo, para cristãos de origem judaica.
Destinatários: A carta é destinada às 12 tribos da diáspora (dispersão). São judeus cristãos que se encontravam dispersos entre várias nações. (Tg. 1.1; 2.2). O tom da epístola revela o fato de ter sido escrita para os judeus.
Propósito:
Esta epístola foi escrita pelas razões que se seguem:
Para consolar os judeus cristãos, que estavam passando por provas severas;
Para corrigir desordens em suas assembléias;
Para combater a tendência de separar a fé das obras.
Esboço
1 - Prefácio e saudações - 1.1
2 - As provas e tentações - 1.2-18.
3 - A prática da palavra de Deus - 1.19-27.
4 - A acepção de pessoas - 2.1-13.
5 - A fé e as obras - 2.14-26.
6 - Os males da língua - 3.1-18.
7 - Várias exortações práticas - a oração e a paciência - 4.1 - 5.20.
2.3.1. 1ª PEDRO
Esta epístola nos oferece uma ilustração esplêndida de como Pedro cumpriu a missão que lhe foi dada pelo Senhor (Lc 22:32). Purificado e confirmado por meio do sofrimento e amadurecido pela experiência, Pedro podia pronunciar palavras de encorajamento a grupos de cristãos que estavam por duras provas. Muitas das lições que ele aprendeu do Senhor, ele fez saber aos seus leitores. Aqueles a quem ela se dirigia estavam passando por tempos de prova. Assim, Pedro os anima demonstrando-lhes que tudo quanto era necessário para ter força, caráter e coragem, havia sido provido na graça de Deus. “Ele é o Deus de toda a graça” (5:10). Cuja mensagem ao seu povo é “a minha graça é suficiente”.
No ano 63 a.C., o general romano Pompeu conquistou Jerusalém. Desde então, os judeus, levados pelo profundo ódio e desprezo que Roma lhes inspirava, começaram a chamá-la de “Babilônia”, o nome da antiga cidade que evocava neles a imagem de um mundo pagão, blasfemo e corrupto. A Igreja, como os judeus, também utilizou o nome de Babilônia para simbolizar a poderosa Roma imperial. E assim Pedro se refere a ela quando transmite aos destinatários da sua carta a saudação da igreja “que se encontra em Babilônia” (5:13).
Tema: A suficiência da graça divina e a sua aplicação prática com relação à vida cristã e para suportar a prova e o sofrimento.
Autor: A autoria da primeira epístola de Pedro não está envolta em dúvidas e questionamentos como acontece com outros escritos bíblicos. O autor começa o texto se apresentando: "Pedro, apóstolo de Jesus Cristo" (I Pd.1.1). A seu respeito, o Novo Testamento nos fornece muitas informações. Seu nome original era Simão, abreviatura de Simeão, nome hebraico que significa "famoso". Silvano, que acompanhou Paulo em segunda viagem missionária provavelmente tenha sido secretário de Pedro na composição de 1 Pe (5.12), o que talvez explique o estilo polido do grego da carta.
A autoridade do autor fica evidente. Além de ser apóstolo (I Pd.1.1), Pedro foi "testemunha das aflições de Cristo" (I Pd. 5.1). Seu ensino estava, portanto, bem fundamentado, sendo digno de aceitação.
Além de Silvano, também Marcos estava na companhia de Pedro quando escreveu a primeira epístola (I Pd.5.13).
A tradição antiga sugere que Pedro foi martirizado em Roma junto com a severa perseguição de Nero aos cristãos depois do incêndio de Roma em 64 dC. Esta carta foi escrita provavelmente perto do fim da vida de Pedro, mas enquanto ele ainda poderia dizer: “honrai ao rei” (2.17). O início dos anos 60 é uma boa estimativa para a composição de 1 Pedro.
Data: Os comentaristas sugerem datas entre 60 e 68 d.C. O ano mais indicado é 64. A carta foi escrita numa época de grande perseguição imperial contra a igreja após o incêndio em Roma. No livro de Atos, os principais perseguidores eram os judeus. No período em que Pedro escreveu, os perseguidores passaram a ser os gentios (4.3,4,12).
Texto chave: 4.1
Palavra chave : sofrimento (1.11; 2.20; 3.17; 4.19; 5.1,9,10)
Destinatários:- cristãos dispersos na Ásia Menor (judeus e gentios) - 1.1; 2.10. A primeira epístola de Pedro não oferece dados que permitam identificar os seus leitores imediatos. Somente diz que viviam como “forasteiros” nos territórios de “Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1:1), cinco regiões do centro e Norte da Ásia menor (atualmente Turquia). Provavelmente, se tratava de pequenos grupos cristãos, compostos por convertidos de origem gentílica e que faziam parte da diáspora.
Durante algum tempo, Pedro foi contrário à evangelização dos gentios. Vemos, portanto que, por ocasião do envio dessa epístola, tal problema já tinha sido superado. Agora Pedro já aceita os gentios e os considera tão dignos do evangelho e do reino de Deus quanto os judeus.
O apóstolo chega a tomar palavras ditas a Israel no Velho Testamento, aplicando-as aos gentios que fazem parte da igreja. "...Antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus...". (I Pd.2.9-10). Outros textos desenvolvem esse paralelismo entre a igreja e Israel, citando o sacrifício e o templo numa nova perspectiva (I Pd.1.19; 2.4-5).
A epístola foi dirigida aos irmãos que moravam em regiões por onde Paulo passou e fundou igrejas. Por quê Pedro escreveria para eles? Isso faz com que alguns entendam que, quando essa epístola foi produzida, Paulo já teria morrido. O fato Silvano e Marcos, antigos companheiros de Paulo, estarem com Pedro também é usado como argumento a favor dessa hipótese.
Características: O livro é exortativo, consolador, cristológico, "cristocêntrico". Observamos que Tiago quase não cita Jesus em sua carta. Pedro, porém, cita-o a todo o momento. Aquele que o havia negado, agora tem no seu nome a base de sua doutrina.
Características literárias: O texto está redigido em um grego de notável nível literário. Em 5:12, aparece um dado interessante; “Por meio de Silvano...vos escrevo”. Isso pode significar que, mesmo que Pedro seja o autor e assinante do texto, para a sua redação contou com um secretário erudito. E, visto que Silvano é a forma latina do nome aramaico Silas, é possível supor que aqui se trata daquele que foi companheiro de viagem e colaborador de Paulo.
Propósito:
O objetivo principal desta epistola é animar os seus leitores a manterem, em meio às aflições e perseguições, uma conduta pura, digna daqueles que professam a fé em Jesus Cristo. Junto a esse objetivo primordial, os ensinamentos que a carta contém aparecem, antes de mais nada, como o indispensável suporte de uma exortação pastoral.
Conteúdo:
Regozijo no sofrimento por causa da salvação (1:1-12)
Sofrendo por causa da justiça (1:13-3:22)
Sofrendo com Cristo (cap.40)
Esboço:
1 - Natureza da salvação - 1.1-21
2 - Crescimento do cristão - 1.22 - 2.10.
3 - Vida cristã prática - 2.11 - 3.22.
4 - Exortações diversas - 4.1-19
5 - Admoestações aos líderes - 5.1-14.
2.3.2. 2ª PEDRO
A primeira epístola de Pedro trata do perigo fora da Igreja (perseguições). A segunda de Pedro, do perigo dentro dela: a falsa doutrina. A primeira foi escrita para animar, a segunda, para advertir. Nesta o autor dá uma viva descrição dos falsos mestres que ameaçam a fé da Igreja, e como um antídoto à vida pecaminosa deles, exorta os cristãos a servirem-se de todos os meios para crescer na graça e no conhecimento experimental de Jesus Cristo.
Enquanto 1Pe estimula os cristãos a encararem a oposição do mundo, 2Pe adverte os cristão contra os falsos mestre dentro de sua comunhão que os levaria a apostasia. A fidelidade à doutrina apostólica é a principal preocupação (1.12-16; 3.1-2,15-16). Os mestres heréticos aparecerão (2.1-2) e, na verdade, já estão em cena (2.12-22). Eles negam o senhor, exibem um estilo de vida sensual e estão destinados à destruição. Eles ridicularizam a idéia da volta do Senhor. Essas características se enquadram na heresia gnóstica, que se desenvolveu mais completamente no séc. II, mas cujas raízes foram fixadas no séc. I. Pedro evidentemente tem um comunidade especifica em mente (3.15), e se essa comunidade for a mesma referida em 1Pe 3.1, então esta carta era direcionada aos cristão em algum lugar da Ásia Menor
Tema: O conhecimento completo de Cristo é uma fortaleza contra a falsa doutrina e uma vida impura.
Autoria - Esta carta fornece as instruções e exortação do apóstolo Pedro à medida que ele se aproxima do final de sua vida (1.1,12-15).De acordo com a antiga tradição da igreja, Pedro foi martirizado em Roma durante o governo de Nero. Se a tradição é confiável, então sua morte ocorreu antes de 68 dC, quando Nero morreu.
Os estudiosos conservadores normalmente sustentam que Pedro escreveu ambas as epístola que lhe são atribuídas. As referências em 2Pe indicam a autoria de Pedro: o autor se identifica como Simão Pedro (1.1); ele alega ter estado com Cristo no monte da transfiguração (1.16-18); ele tinha escrito uma carta anterior às pessoas a quem 2Pe é dirigida (3.1); e ele usa várias palavras e frases semelhantes às encontradas em 1Pe. Esses fatores apontam Pedro como o autor genuíno de 2 Pedro
Data – Cerca de 65—68 dC.
Idioma e característica literária: O grego da II epístola dá a impressão de que o autor não falava grego como sua língua nativa, ou mesmo como sua segunda língua falada, e, sim, que aprendera em livros. O autor se esforça, por produzir uma elegante peça literária, mas a construção de suas sentenças, algumas vezes arrastada e desajeitada, arruína esse propósito. A divergência do estilo literário das duas epístolas são explicadas pelo uso de diferentes amanuenses.
Destinatários – por 3.1 entendemos que os destinatários são os mesmos da sua primeira carta: cristãos dispersos na Ásia Menor. O primeiro versículo do livro parece sugerir que o autor pretendia que seu escrito tivesse um alcance maior: ele se dirige "aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa..."
Textos chave – 2.1 e 3.1-4.
Propósito: Animar os irmãos (cap.1); Denunciar os falsos mestres (cap.2); Falar sobre a segunda vinda de Cristo.
Esta epístola foi escrita para dar uma ilustração profética da apostasia dos últimos dias, e para exortar os cristãos à preparação do coração e da vida que unicamente pode habilitá-los a enfrentar os seus perigos.
Conteúdo:
A segunda epístola de Pedro nos fala de dois caminhos. O primeiro, apresentado no capítulo 1, é chamado de "caminho da verdade" (2.2), "caminho direito" (2.15) e "caminho da justiça" (2.21). Embora essas expressões estejam no capítulo 2, é no início da carta que o autor fala sobre o procedimento do cristão. O outro caminho, o dos falsos mestres, é apresentado no capítulo 2 e chamado "caminho de Balaão" (2.15). É interessante notarmos que, ao falar do caminho de Balaão, Pedro não está se referindo àqueles que nunca conheceram o Senhor, mas ele fala de pessoas que foram resgatadas (2.1), mas desviaram-se das veredas da justiça (2.15,20,21,22). O próprio Balaão era um profeta verdadeiro até que, pelo interesse financeiro, desviou-se da verdade. Em cada um desses caminhos temos: ponto de partida, modo de caminhar e ponto de chegada, conforme fica evidente na epístola.
Exortação a crescer na graça e no conhecimento divino (cap.1).
Advertência contra os falsos mestres (cap.2).
Promessa da vinda do Senhor (cap.3)
Esboço
A vida cristã - uma palavra de estímulo – 1.1-21.
Os falsos mestres – denúncia - 2.1-22.
A segunda vinda de Cristo e o juízo – 3.1-18.
2.4.1. 1º JOÃO
O Evangelho de João expõe os atos e palavras que provam que Jesus é o Cristo,o Filho de Deus; a primeira epístola de João expõe os atos e palavras obrigatórios àqueles que crêem nesta verdade. O Evangelho trata do fundamento da fé; a epístola dos fundamentos da vida cristã.
A epístola é uma carta afetuosa de um pai espiritual a seus filhos na fé, na qual ele exorta a cultivar a piedade prática que produz a união perfeita com Deus, e a evitar a forma de religião em que a vida não corresponde à profissão. Para alcançar o seu propósito, o autor estabelece certas regras, pelas quais pode ser provada a verdadeira espiritualidade – regras que formam a linha rígida de demarcação entre aqueles que apenas professam andar em amor e santidade, e aqueles que verdadeiramente o fazem. Embora João fale de uma maneira clara e severa, ao tratar da doutrina errônea e da vida incompatível, o seu tom, contudo, em geral é afetuoso e mostra que ele merece o título de “apóstolo do amor”.
Tema: Os fundamentos da segurança cristã e da comunhão com o Pai.
Autor : João, o apóstolo. Seu nome não é mencionado em suas três epístolas.Embora esta carta seja anônima, seu estilo e vocabulário indicam claramente que foi escrita pelo autor do Evangelho de João. Evidências internas também apontam João como o autor, e o antigo testemunho atribui, com unanimidade, a carta a ele.
Foi chamado de discípulo amado – Jo.13.23; 19.26; 21.20. Foi o discípulo mais íntimo do Mestre. Até no momento da crucificação, João estava presente. Isso mostra sua disposição de correr risco de vida para ficar ao lado de Jesus. Apesar de ter fugido no momento da prisão de Cristo, João voltou pouco tempo depois.
Data: Final do primeiro século, entre os anos 90 e 100. O peso de uma tradição antiga e forte sobre João ter passado seus últimos anos em Éfeso, junto com o fato do tom dos escritos sugerirem que se trata de um produto de um homem maduro que passou por experiência espiritual profunda, apontam uma data próxima ao final do séc. I. Além disso, o caráter da heresia combatida na carta aponta para a mesma época, cerca de 90 dC.
Palavras chave: Conhecimento (ou saber) , amor e comunhão.
Local de origem: Provavelmente em Éfeso, onde João viviam e ministrava depois de sair de Jerusalém.
Destinatários : A falta de especial dedicação, saudação ou menção de nomes indicam que a carta foi circular, destinada à igreja em geral, provavelmente enviada à igrejas perto e Éfeso, onde João passou seus últimos dias.
O apóstolo trata carinhosamente os destinatários como "meus filhinhos" (2.1,18,28; 3.7,18; 4.4; 5.21) e "amados" (3.2,21; 4.1,7,11). Isso parece indicar que, embora não tenha vinculado a epístola a uma comunidade específica, o autor tem em mente pessoas conhecidas, as quais seriam as primeiras a receberem aquela mensagem.
Características: A carta apresenta denúncia contra os falsos e incentivo aos verdadeiros cristãos. O autor é incisivo, direto, totalmente convicto. Suas afirmações são muito fortes no sentido de apontar o erro e a verdade.
Propósito: O propósito da carta está bem definido com também vimos no evangelho (João 20.31). A epístola foi escrita:
1 - "Para que a nossa alegria seja completa" - 1.4
2 - "Para que não pequeis" - 2.1.
3 - Para advertir contra os enganadores - 2.26.
4 - "Para que saibais que tendes a vida eterna" - 5.13.
Entendemos que o autor estava bastante preocupado com a igreja, em seu estado presente e futuro. Os demais apóstolos já haviam morrido e falsos mestres apareciam por toda parte. Alertando os irmãos, o apóstolo ficaria mais tranqüilo e sua alegria seria completa (1.4). Seu alerta é contra o pecado (2.1) e contra as heresias (2.26). São duas portas para o diabo entrar nas vidas e nas igrejas. Embora as duas coisas estejam intrinsecamente ligadas, as heresias apresentam um elemento muito perigoso. Todo tipo de pecado deve ser evitado, mas se, eventualmente, cometermos algum, confessaremos e seremos perdoados (1.7,9; 2.1). A heresia entretanto, constitui-se num caminho de afastamento de Deus. A heresia, do tipo mencionado por João, leva à apostasia. Então, tem-se uma situação muito perniciosa em que a pessoa está errada mas pensa que está certa. Trata-se de um estado de pecado sem reconhecimento, sem confissão, sem arrependimento e, conseqüentemente, sem perdão. Aquele que passa a crer numa doutrina contrária à cruz, como pode ser perdoado? Não é que Deus se recuse a perdoá-lo, mas a própria pessoa não acredita na única solução divina, que é o sacrifício de Cristo. A reversão desse quadro é possível, mas muito difícil. O melhor é a prevenção contra as heresias e isso se faz através do conhecimento e apego à Palavra de Deus.
2.4.2. 2º JOÃO
A segunda epístola de João é uma carta a um membro particular da família cristã, escrita com propósito de instruí-lo quanto a atitude correta para com os falsos mestres. Não devia dar-lhes hospitalidade. Tal mandamento parece ser duro; mas é justificado pelo fato de estas doutrinas atacarem os próprios fundamentos do Cristianismo, e em muitos casos, ameaçarem a pureza da conduta. A receber tais mestres em sua casa, a crente, a quem João escrevia, identificar-se-ia com os seus erros. João não ensinava os maus tratos aos cristãos que doutrinariamente diferem de nós ou que se encontram nos laços do erro. João escrevia em época em que os antinômios e gnósticos, errados, procuravam minar a fé e a pureza. Sob tais condições era imperativo que os cristãos denunciassem as suas doutrinas errada, tanto por palavras como pela atitude.
Todas as epístolas de João foram escritas na mesma época. Nota-se na segunda, que os assuntos da primeira ainda persistem na mente no apóstolo. Ele ainda se mostra combativo em relação aos enganadores. Seu esforço é a favor da verdadeira doutrina de Cristo.
Tema: É dever obedecer a verdade e evitar comunhão com os seus inimigos.
Autor: Apóstolo João.
O autor não menciona seu próprio nome. Apresenta-se como "presbítero", que significa "ancião", conforme já consta em algumas versões bíblicas. Os anciãos, desde os tempos do Velho Testamento, eram os homens mais velhos, mais experientes, e, por conseqüência, líderes do povo (Êx.3.16,18; 4.29; 12.21 etc.). Ao escrever seu evangelho e epístolas, o apóstolo João já era idoso.
Estando já familiarizados com os escritos do apóstolo, logo reconhecemos sinais de sua autoria na segunda epístola. Por exemplo, a ênfase sobre os temas: "verdade", "amor", "mandamento", "permanecer", e o combate às falsas doutrinas. Tudo isso constitui marca de João em seu evangelho, na primeira epístola, e também na segunda. Afinal, dos 13 versos da segunda epístola, 8 se encontram quase idênticos na primeira.
Data: entre 90 e 95 d.C.
Palavra-chave: verdade
Destinatário: A segunda epístola é dirigida a uma senhora e seus filhos. Tal mulher não é identificada pelas escrituras. Há quem defenda a tese de que a "senhora eleita" seja Maria, irmã de Marta, a qual estaria mencionada no versículo 13. Há quem tome o termo "senhora" em grego, kuria (kuria), considerando-o como nome próprio. Outras hipóteses sugerem que João estivesse chamando de "senhora eleita" a uma igreja específica ou à igreja em geral. Nada disso se comprova. Seguindo a mais rigorosa interpretação, não podemos afirmar qual tenha sido essa mulher. Apenas entendemos tratar-se de uma senhora que, provavelmente era viúva. Caso tivesse marido, não seria natural que o apóstolo lhe dirigisse diretamente uma carta. O texto parece indicar que em sua casa aconteciam reuniões da igreja (vs.10). De qualquer forma, trata-se de uma mulher amada e respeitada por todos os irmãos que a conheciam (vs.1).
Características literárias: A segunda epístola de João responde, quanto à sua forma, às características do gênero epistolar usuais no mundo greco-romano da época: indicação, na introdução do escrito, de quem é o seu remetente e quem é o seu destinatário e inclusão de saudações pessoais no começo e no final do texto.
Propósito: Alertar contra os enganadores; combater a mentira. Foi escrito com o propósito de alertar uma senhora cristã e hospitaleira a não hospedar falsos mestres.
Esboço
1 – Saudações – 1-3.
2 – O caminho da verdade e do amor – 4-6.
3 – Os enganadores e como tratá-los – 7-11.
4 – Saudações – 12-13.
2.4.3. 3º JOÃO
Esta curta epístola de João dá uma idéia de certas condições que existiam numa igreja local no tempo de João. A história que pode ser colhida da epístola, parece ser a seguinte; João tinha enviado um grupo de mestres itinerantes, com cartas e recomendações, a diferentes igrejas, uma das quais, era a assembléia a que pertenciam Gaio e Diótrefes.
Diótrefes, dominado pelo ciúme dos direitos da igreja local, ou por alguma razão pessoal, recusou-se a dar hospitalidade a estes mestres e expulsou os membros da igreja que os recebiam. Gaio, um dos membros da igreja, não se deixou intimidar pelo ditador espiritual e hospedava os missionários e obreiros, os quais mais tarde, constaram a sua bondade ao apóstolo. Parece que João estava para enviar estes mestres pela segunda vez (v.6) e exortou a Gaio a continuar no ministério do amor para com eles. João mesmo escreveu uma carta de advertência a Diótrefes, que foi desprezada. Por isso o apóstolo expressou a sua intenção de fazer uma visita pessoal à igreja e a destituir esse tirano eclesiástico.
Tema: Caráter cristão. O dever da hospitalidade para com o ministério e o perigo de uma direção ditatorial.
Autor: Apóstolo João. Tanto em 2Jo quanto em 3Jo, o escritor se autodenomina “o ancião”, sugerindo que era mais velho do que os outros cristãos e que seu conhecimento pessoal da fé foi muito além do deles. A evidência mais forte é que todas as três epístolas de João foram escritas por um mesmo autor.
Data: entre 90 e 95 d.C. João era madura tanto em anos quanto em experiências quando escreveu esta carta junto com 2 Jo perto do fim de sua vida por volta de 90 dC.
Destinatários: A terceira epístola de João é uma correspondência particular dirigida a um irmão chamado Gaio. Este nome era bastante comum naquela época, no mundo romano. Temos sua ocorrência em At.19.29, At.20.4, Rm.16.23, I Cor.1.14, além de III João. Contudo, tais passagens não se referem sempre à mesma pessoa.
Não temos muitas informações sobre Gaio, a quem João escreve. Entendemos que ele não era o líder de sua igreja local. O versículo 9 indica que o líder é outro.
Esboço
Saudações – 1-4.
O bom exemplo de Gaio - 5-8.
Diótrefes - o ambicioso - 9 - 11.
Demétrio - o cristão fiel - 12.
Considerações finais e saudações – 13-15.
2.5. JUDAS
Esta epístola, ainda que breve, tem um forte caráter polêmico. Revela no autor um ânimo resoluto de fazer frente a “certos indivíduos” indesejáveis, que dissimuladamente infiltravam na igreja ensinamentos contrários ao evangelho. Não sabemos de que pessoas se tratavam nem se estavam relacionadas com alguma doutrina conhecida do pensamento religioso da época. Mas está claro que Judas se refere a algo que havia começado a danificar interiormente a igreja.
Há certa semelhança entre a segunda epístola de Pedro e a de Judas; ambas tratam da apostasia na Igreja e descrevem os líderes dessa apostasia. Parece que Judas, a respeito desse tema, cita Pedro. Ambos têm em mente a mesma classe de desviados – homens de moral relaxada e de excessos vergonhosos. Pedro descreve a apostasia como futura; Judas, como presente. Pedro expõe os falsos mestres como ímpios e extremamente perigosos, mas não no seu estado pior; Judas descreve-os em extrema depravação e na maior desordem. Foi a presença destes homens na Igreja, e a sua atividade em propagar as suas doutrinas, o que fez Judas escrever esta epístola cujo tema é o dever que têm os cristãos de guardarem-se sem mancha, e de lutarem sinceramente pela fé, no meio da apostasia.
A dureza de linguagem, característica deste texto, revela a preocupação do autor. Este adverte sobre as conseqüências da confusão espiritual e da depravação moral que podiam arrastar pessoas ingênuas aos ensinamentos e ao comportamento dos falsos mestres contra os quais escreve.
Tema: Defesa da fé cristã. Exortação contra falsos mestres e profetas
Autor: Judas, irmão de Jesus. O autor se identifica como Judas, “irmão de Tiago”, provavelmente o Tiago que era irmão de nosso Senhor e Líder da igreja de Jerusalém (At 15.13; 21.18; Gl 1.19; 2.12). Mc 6.3 menciona Judas como um irmão do Senhor.
Data: Cerca de 64—80 dC.
As considerações estabelecendo a data desta carta incluem se Judas é dependente de 2Pe, ou se 2Pe é dependente de Judas, ou se ambas as cartas foram tiradas de um terceiro documento, que circulou como uma advertência contra os falsos mestres. Como a maior parte de Judas tem paralelos com 2Pe, é provável que tenha sido antes de 65 dC. Se foi escrita depois de 2Pe, como muitos estudiosos acreditam, pode ter sido em 80 dC.
Idioma e característica literária: o autor desta epístola dominava o grego koinê muito melhor que o autor de II Pedro. Selecionou os seus vocábulos com gosto literário, empregando-o devidamente. A epístola de Judas é representativa de um grego koinê idiomático de estilo moderadamente bom.
Palavra-chave: guardar.
Texto chave: 3,4.
Esboço
1 – Saudações – 1-2.
2 – Defesa da fé cristã - 3-4.
3 – Os deturpadores do evangelho - 5-16.
4 - Instruções práticas - 17-23.
5 – Doxologia - 24-25.
IX. LIVRO PROFÉTICO
1. APOCALIPSE
Apocalipse é o livro da vinda de Cristo em glória.
O livro do Apocalipse é o apogeu da revelação da verdade divina ao homem, o remate do edifício das Escrituras, do qual o Gênesis é a pedra fundamental. A Bíblia não estaria completa sem estes livros. Se a omissão de Gênesis nos teria deixado na ignorância do princípio de muitas coisas a falta do Apocalipse nos teria privado de muitos ensinos acerca da consumação de todas as coisas. Entre “Gênesis” e “Apocalipse”, podemos ver a seguinte correspondência notável:
GÊNESIS
APOCALIPSE
O paraíso perdido
O paraíso recuperado
A primeira cidade, um fracasso
A cidade dos redimidos, um sucesso
O princípio da maldição
Não haverá mais maldição
Matrimônio do primeiro Adão
Matrimônio do segundo Adão
As primeiras lágrimas
Enxugadas as lágrimas
A entrada de Satanás
O julgamento de Satanás
A criação antiga
A nova criação
A comunhão rompida
A comunhão restaurada
O livro de Apocalipse é a consumação das profecias do Antigo Testamento. Está repleto de símbolos e expressões tomadas emprestadas dos escritos dos profetas que foram favorecidos por revelações gloriosas concernentes ao fim do tempo – Isaías, Ezequiel, Daniel e Zacarias. É o grande “Amém” e o alegre “Aleluia” pelo cumprimento das predições dos profetas – a feliz resposta ao seu desejo ardente e à sua oração para que viesse o reino de Deus e que a vontade de Deus fosse feita na terra como no céu. “Como o remate de todas as Escrituras proféticas, o Apocalipse reúne os fios de todos os livros anteriores, tecendo-os numa só corda forte que liga toda a história ao trono de Deus”.
Acima de tudo, este livro é uma revelação – a manifestação visível – do Senhor Jesus Cristo. No seu Evangelho, João descreveu a vida e o ministério terrestres de Jesus. Antes de escrever o livro de Apocalipse, o apóstolo é arrebatado ao trono de deus, onde vê Jesus vestido da glória que ele tem com o Pai desde a fundação do mundo; onde vê aquele que foi rejeitado pelos homens, tomando posse de todos os reinos do mundo, como Rei dos reis e Senhor dos senhores.
De todos os livros do cânon, o livro é conhecido como o mais difícil de interpretar. Depois de ter encontrado alguns trechos cujo significado não é claro, é melhor dizer: “Não entendo”, e esperar pacientemente uma explicação em vez de buscar interpretações forçadas e fantásticas.
É provável que a interpretação do livro se torne mais clara quando chegar o tempo do cumprimento das suas profecias. Na época do Antigo Testamento, o fato da vinda do Messias era um acontecimento sobre o qual todos os fíeis da nação estavam de acordo. Mas, para eles, a profecia messiânica deve ter apresentado muitas dificuldades de interpretação, como o livro de Apocalipse apresenta dificuldades para nós. Nem os profetas compreenderam sempre as suas próprias profecias (1Pe 1:10,11).
À parte da interpretação do livro, há muitas lições valiosas a aprender, muitos avisos a atender, muitas promessas animadoras, que fazem com que o livro de Apocalipse seja de grande valor prático para o cristão.
Sendo que o livro do Apocalipse é um mosaico de profecias e símbolos extraídos do Antigo Testamento, o estudo de certos profetas – Isaías, Ezequiel, Daniel e Zacarias – fornecerá a chave de muitas portas fechadas à sua interpretação.
Tema: Conflito entre o bem e o mal. A vitória de Cristo e a implantação do seu Reino. A vinda de Cristo em glória, como o apogeu supremo da presente dispensação.
Autor: Foi escrito pelo apóstolo João, por ordem direta de Jesus. O autor se refere a si mesmo quatro vezes como João (1.1,4,9; 22.8). Ele era tão bem conhecido por seus leitores e sua autoridade espiritual era tão amplamente reconhecida que ele não precisou estabelecer suas credenciais. A Antiga tradição eclesiásticas atribui unanimemente este livro ao apóstolo João.
Data: Cerca de 79—96 dC .
As evidências em Apocalipse indicam que foi escrito durante um período de extrema perseguição aos cristãos, que possivelmente tenha começado com Nero depois do grande fogo que quase destruiu Roma, em Julho de 64 dC, e continuou até seu suicídio, em junho de 68 dC. Segundo esta visão, portanto, o livro foi escrito antes da destruição de Jerusalém em setembro de 70 dC, e é uma profecia autêntica sobre o sofrimento continuo e a perseguição dos cristãos, que tornou-se bem mais intensa e severa nos anos seguintes. Com base em declarações isoladas pelos patriarcas da igreja primitiva, alguns intérpretes datam o livro perto do final do reino de Domiciano (81-96 dC), depois de João ter fugido para Éfeso.
Destinatários: As 7 igrejas da Ásia (em geral, fundadas por Paulo).
As igrejas mencionadas neste livro existiram no tempo de João e as condições prevalecentes proveram a ocasião da mensagem do Senhor a elas. Essas igreja locais, porém, são evidentemente o símbolo da igreja inteira, de modo que as mensagens podem ser aplicadas às igrejas de todas as épocas, como se demonstra pelos seguintes fatos: o número sete é claramente típico, porque havia no período de João mais de sete igrejas na Ásia Menor.
Local: Patmos - ilha vulcânica, rochosa e estéril, localizada a 56 km da costa da Ásia Menor (Turquia). Para lá eram enviados os prisioneiros na época do imperador romano Domiciano (81 a 96). Outra hipótese defendida por alguns é a de que João tenha estado lá em algum momento do governo de Nero (54-68).
Idioma e característica literária: Grego não gramatical. Seu texto demonstra freqüentes violações da sintaxe grega, falta de harmonia e concordância. Com freqüência usa expressões não gregas, imitando o uso semita. Usa construções pleonásticas. A despeito da falta de adornos literários e gramaticais, não há falta de grandeza e poder no livro.
Versículo-chave:- Ap.1.7.
Contexto histórico:
A literatura apocalíptica judaica surge em circunstâncias especialmente angustiantes, como quando o povo se acha submetido ao poder político e militar de alguma nação estrangeira. Esta era a situação no séc.I d.C. quando a Palestina estava dominada pelo Império Romano. Naquele momento, as leituras apocalípticas alentavam as pessoas e renovavam as duas esperanças com descrições de um futuro próximo, em que a vitória gloriosa de Deus sobre todos os seus inimigos haveria de inaugurar par Israel uma era de paz e bem-estar sem fim.
Apocalipse de João aparece em uma época crítica para os cristãos, os quais se opunham ao paganismo de Roma e à religião estatal, expressa no culto ao imperador divinizado. Este era um culto que, com caráter oficial e obrigatório, se celebrava em altares e templos erigidos tanto na capital do Império como nas suas províncias mais distantes. Os cristãos, ao se recusarem a tomar parte naquelas cerimônias, foram considerados inimigos de Roma e foram perseguidos até a morte.
Características e conteúdo: O Livro de apocalipse registra as visões dadas por Jesus a João, o apóstolo, quando ele estava prisioneiro na ilha de Patmos, visões estas pelas quais Jesus revelou as “coisas que são e as que hão de acontecer”. É o livro profético, escrito em linguagem simbólica, para encorajamento dos cristãos que se viam às voltas com as sangrentas perseguições de que eram vítimas, robustecendo-lhes a certeza do triunfo final de Jesus Cristo e da implantação da cidade celestial no final dos tempos.
Contém mensagem de esperança, escatologia, intervenção divina, visões, símbolos, criaturas estranhas, mensagem oculta, uso de pseudônimos, profecias e apelo à imaginação. Único livro bíblico com bênção e maldição relacionadas ao seu uso (1.3 e 22.18-19).
Classificação: livro profético. (único do NT embora haja blocos proféticos em outros livros como em Mt.24, Mc.13, Lc.21, etc.).
Personagem central: O Cordeiro.
Esboço:
Concernente a Cristo: “As coisas que viste” – cap.1
a. Introdução (vv. 1-3).
O título do livro “Apocalipse” ou “Revelação”;
Os meios de comunicação;
A bênção ao que lê, ouve e observa os dizeres do livro.
b. A saudação (4,5).
Do Pai
Dos sete Espíritos, isto é, o Espírito Santo, nas suas diversidades, poder e operação;
De Jesus Cristo
c. O louvor (vv. 5,6).
d. A proclamação – a vinda de Cristo (vv. 7-8).
e. O profeta (vv. 9-20).
O seu estado, no “Espírito”;
O lugar, a ilha de Patmos;
A sua visão.
Concernente à Igreja: “As coisas que são” – caps. 2, 3
a. Mensagem à igreja em Éfeso (2:1-7)
Louvor: obra, paciência e aversão aos falsos mestres;
Repreensão: declínio espiritual;
Título de Cristo: o que anda no meio dos castiçais (examinando);
Promessa ao vencedor: a árvore da vida.
b. Mensagem à igreja em Esmirna (2:8-11)
Louvor: paciência na perseguição;
Não há mensagem de repreensão
Título de Cristo: aquele que sofreu morreu e ressuscitou;
Promessa ao vencedor: libertação da segunda morte;
Referência histórica: “Dar-te-ei a coroa da vida” – A “coroa de Esmirna” era uma rua circular consistindo de um anel de magníficos edifícios.
c. Mensagem à igreja em Pérgamo (2:12-17)
Louvor: fidelidade no testemunho;
Repreensão: o predomínio da vida libertina e idólatra;
Título de Cristo: lutará contra ela com sua espada de dois gumes;
Promessa ao vencedor: o maná escondido
Referência histórica: Pérgamo era o centro de idolatria e tinha um grande altar erigido para a adoração de um deus-serpente. Isto talvez explica as palavras “onde Satanás habita”.
d. Mensagem à igreja em Tiatira (2:18-29).
Louvor: caridade, serviço e fé;
Repreensão: tolerância de mestres corruptos;
Título de Cristo: o que tem olhos como chamas de fogo, e o que tem os pés como latão (simbólico de juízo);
Promessa ao vencedor: autoridade sobre as nações;
Referência histórica: Tiatira era uma cidade próspera, célebre por seus grêmios comerciais. Talvez haja uma admoestação aos comerciantes cristãos a não se unirem com sociedades pagãs que participam de costumes idólatras.
e. Mensagem à igreja em Sardes (3:1-6).
Louvor: obras (embora imperfeitas);
Repreensão: morte espiritual;
Título de Cristo: o que tem as sete estrelas – igrejas – em suas mãos, também os sete Espíritos de Deus cujo poder pode avivar esses igrejas.
Promessa ao vencedor: será vestido com roupas brancas e Jesus confessará seu nome diante do Pai.
Referência histórica: “Virei como ladrão”. Sardes foi a cena da derrota final de Creso, o grande rei da Lídia, quando os persas atacaram a cidade. No ano 546 a.C., pensando que estava absolutamente seguro em sua cidade, que era considerada inexpugnável, o rei descuidou-se de pôr uma guarda. Encontrando um lugar não guardado, os persas subiram e tomaram a cidade. Assim caiu o grande império lídio numa única noite de negligência.
f. Mensagem à igreja em Filadélfia (3:7-13)
Louvor: obediência aos mandamentos de Cristo e firmeza no testemunho;
Repreensão: não há repreensão direta, embora o “louvor fraco” da “pouca força”, contenha uma sombra de censura;
Título de Cristo: quem tem as chaves que abrem as portas que ninguém pode fechar;
Promessa ao vencedor: colunas no templo de Deus; um novo nome.
Referência histórica: Em certa ocasião Filadélfia foi destruída por um terremoto; os sobreviventes ficaram tão assustados que viviam fora da cidade, choupanas. “Ao vencedor, fa-lo-ei coluna no santuário dos meus Deus, e daí jamais sairá”.
g. Mensagem à igreja em Laodicéia (3:14-22).
Louvor: não há elogios para esta igreja;
Repreensão: mornidão espiritual;
Título de Cristo: o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira;
Promessa ao vencedor: participar do trono de Cristo;
Referência histórica: Laodicéia era uma cidade rica e próspera. Era célebre em todo o império romano por sua escola de medicina e por um “pó frígio”, do qual se fazia um colírio bem conhecido (v.18).
Concernente ao Reino: “As que hão de acontecer – caps. 4-22”.
A visão do Trono de Deus (cap.4);
Uma visão do Cordeiro (cap.5);
Os selos (6:1-8) – paralelo com Evangelho de Mateus
Sexto selo: Falsos Cristos (Mt. 24:5)
Quinto selo: Guerra (Mt. 25:6,7)
Sétimo selo: Fome (Mt. 25:7)
Quarto selo: Pestilência, morte (Mt. 25:7)
Terceiro selo: Tribulação (Mt. 25:21)
Segundo selo: Convulsão nos céus (Mt. 25:29).
Primeiro selo: Segunda vinda (Mt. 25:30).
Dois grupos: um de judeus, outro de gentios (cap.7);
O anjo e o Livro (cap.10);
As duas testemunhas (cap. 11)
Os dois sinais (cap.12)
As duas bestas (cap.13)
Dois quadros de Cristo – o Cordeiro e o Ceifeiro (cap.14);
Babilônia (caps.17,18)
A segunda vinda (cap.19);
O milênio (cap.20);
O novo céu e a nova terra (caps.21,22).
X. BIBLIOGRAFIA
PEARLMAN, Myer – Através da Bíblia, Livro por Livro, Editora Vida, 1991.
LIMA, Delcyr de Souza - Capacitação Cristã, Introdução à Bíblia – Rio de Janeiro, Juerp, 2001.
CHAMPLIN, R.N., Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, volume 5, Editora Hagnos, 5ª edição, 2001.
Bíblia de Estudo Almeida, revista e atualizada, Barueri – SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.