Na qualidade de Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, diante do momento atual em que as forças organizadas da sociedade manifestam sua preocupação com a possibilidade da aprovação de leis que venham labutar contra a santidade da vida e a cercear a liberdade constitucional de expressão das igrejas brasileiras de todas as orientações, venho a público me MANIFESTAR quanto à prática do aborto e a criminalização da homofobia.
I – Quanto à prática do aborto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reconhece que muitos problemas são causados pela prática clandestina de abortos, causando a morte de muitas mulheres jovens e adultas. Todavia, entende que a legalização do aborto não solucionará o problema, pois o mesmo é causado basicamente pela falta de educação adequada na área sexual, a exploração do turismo sexual, a falta de controle da natalidade, a banalização da vida, a decadência dos valores morais e a desvalorização do casamento e da família.
Visto que: (1) Deus é o Criador de todas as coisas e, como tal, somente Ele tem direito sobre as nossas vidas; (2) ao ser formado o ovo (novo ser), este já está com todos os caracteres de um ser humano e que existem diferenças marcantes entre a mulher e o feto; (3) os direitos da mulher não podem ser exercidos em detrimento dos direitos do novo ser; (4) o nascituro tem direitos assegurados pela Lei Civil brasileira e sua morte não irá corrigir os males já causados no estupro e nem solucionará a maternidade ilegítima.
Por sua doutrina, regra de fé e prática, a Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a legalização do aborto, com exceção do aborto terapêutico, quando não houver outro meio de salvar a vida da gestante.
II – Quanto à chamada Lei da Homofobia, que parte do princípio que toda manifestação contrária à homossexualidade é homofóbica e caracteriza como crime essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre a homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.
Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna, em 1988, já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “(...). desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1 Coríntios 6.9-11).
Ante ao exposto, por sua doutrina, regra de fé e prática, a Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada Lei da Homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática da homossexualidade não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas as orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.
Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil não pode abrir mão do seu legítimo direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo.
Rev. Roberto Brasileiro
Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil
Bíblia e pós-modernidade
Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Meu alvo nesse pequeno artigo é mostrar como alguns elementos filosóficos e religiosos da pós-modernidade afetam a interpretação bíblica dos evangélicos, e em especial, dos reformados. Os reformados calvinistas têm tradicionalmente interpretado as Escrituras partindo de alguns pressupostos. Primeiro, que as Escrituras são divinas, em sua origem, infalíveis e inerrantes no que ensinam, seguras e certas no seu ensino. A Bíblia é a revelação da verdade. Só existe uma religião certa, a que se encontra revelada na Bíblia. Tudo o que é necessário à salvação e à vida cristã estão claramente reveladas na Escritura. Não há salvação fora do Cristianismo. Esta salvação é claramente exposta na Bíblia.
Existem alguns aspectos da pós-modernidade que ameaçam a interpretação reformada das Escrituras. Primeiro, o conceito de tolerância. Eu me refiro à idéia contemporânea de total complacência para com o pensamento de outros quanto à política, sexo, religião, raça, gênero, valores morais e atitudes pessoais, ao ponto de nunca se externar seu próprio ponto de vista de forma a contradizer o ponto de vista dos outros. Esse tipo de tolerância não deve ser confundida com a tolerância cristã, pois resulta da falta de convicções em questões filosóficas, morais e religiosas: "A tolerância é a virtude do homem sem convicções" (G. K. Chesterton). É fortalecida pela queda na confiança na verdade, causada pelo avanço da pós-modernidade.
É aqui que entra o conceito de "politicamente correto". Significa aquilo que é aceitável como correto na sociedade onde se vive. É o que se faz em um grupo sem que ninguém seja ofendido. Por exemplo, não é "politicamente correto" tomar atitudes ou afirmar coisas que venham a desagradar pessoas, como por exemplo, emitir valores morais sobre o comportamento sexual das pessoas.
É "politicamente correto" ouvir o que os outros dizem sem qualquer crítica, reparo ou discordância explícita. Aqui devemos também notar em especial a preocupação em não ofender as minorias ou grupos oprimidos: negros, mulheres, pobres, pessoas do 3º mundo.
É preciso observar que existe uma tolerância exigida do cristão. Devemos tolerar as pessoas, mas não suas crenças, quando estas contrariam a verdade de Deus revelada nas Escrituras. Temos o dever de ouvir o que elas tem a dizer, e aprender delas naquilo em que se conformam com a verdade bíblica. Porém, tolerância ao erro, quando a verdade bíblica está em jogo, é omissão pecaminosa.
A tolerância tão característica da pós-modernidade pode afetar a interpretação da Bíblia levando as pessoas a interpretá-la a partir do conceito de "politicamente correto." Evita-se qualquer leitura, interpretação ou posicionamento que venha a ser ofensivo à sociedade ou comunidade a que se ministra. Textos bíblicos que denunciam claramente determinados comportamentos morais, como o homossexualismo, são domesticados com uma leitura crítica que os reduz a expressões retrógradas típicas dos machistas do século I. Textos que anunciam a Cristo como o único caminho para Deus são interpretados de tal forma a não excluir a salvação em outras religiões.
Um outro aspecto da pós-modernidade que afeta a leitura da Bíblia é o inclusivismo. Num certo sentido, é o resultado do multiculturalismo do mundo pós-moderno. Não há mais no mundo ocidental um país com uma cultura única e uma raça homogênea. Países ocidentais são multiculturais e tem uma mescla de diversas raças. Para que não se seja ofensivo, e para que se possa conviver harmoniosamente, é necessário ser inclusivista. Isso significa dar vez e voz a todas as culturas e raças representadas.
Na sociedade pós-moderna, o conceito ser estende para incluir os grupos moralmente orientados. Significa especialmente repartir o poder com as minorias anteriormente oprimidas pelas estruturas de poder, como negros, "gays", mulheres, e raças minoritárias.
Existem coisas boas do inclusivismo multiculturalista, como por exemplo, estudos nos meios acadêmicos sobre a cultura de raças minoritárias e oprimidas no ocidente, como africanos, hispânicos e orientais. Também a criação de bolsas de estudos e empregos para membros destas minorias raciais, bem como de grupos oprimidos, como as mulheres. Ainda digno de nota é a luta contra discriminação baseada tão somente em raça, religião, postura política e gênero.
Mas existem coisas que nos preocupam no inclusivismo. A maior de todas é que o inclusivismo exclui qualquer juízo de valor em termos morais, religiosos, e de justiça. Tem que ser assim para que o relacionamento multicultural e multi-moral funcione.
O inclusivismo acaba também influenciando na interpretação bíblica. Sua mensagem é abordada do ponto de vista do programa das minorias. Por exemplo, a chamada "teologia negra," a teologia da libertação, teologias feministas. Outra coisa é a tendência cada vez mais forte de se publicarem traduções da Bíblia sem linguagem genérica ofensiva, isto é, tirando todas as referências a Deus como sendo homem, etc.
Um terceiro aspecto da pós-modernidade que influencia a leitura da Bíblia hoje é o relativismo. O relativismo, no que tange ao campo dos valores e dos conceitos morais e religiosos, é a idéia de que todos os valores morais e as crenças religiosas são igualmente válidos e que não se pode julgar entre eles. A verdade depende das lentes que alguém usa para ler a vida. O importante é que as pessoas tenham crenças, e não provar que uma delas é certa e a outra errada. Não há meio de se arbitrar sobre a verdade porque não há parâmetros absolutos. Desta forma, alguém pode crer em coisas mutuamente excludentes sem qualquer inconsistência. Ninguém pode tentar mudar a opinião de outrem em questões morais e religiosas.
Existem alguns perigos no relativismo quanto à leitura da Bíblia. Primeiro, o relativismo acaba por minar a credibilidade em qualquer forma de interpretação que se proponha como a correta. Segundo, acaba por individualizar a verdade. Cada pessoa tem sua verdade e ninguém pode alegar que a sua é superior à dos outros. Portanto, ninguém pode ter a pretensão de converter outros à sua fé.
Muitos evangelistas tentam suavizar a sua interpretação da mensagem do Evangelho, excluindo os elementos que não são "politicamente corretos" como: pecado, culpa, condenação, ira de Deus, arrependimento, mudança de vida. Acaba sendo uma tentação de escapar pela forma mais fácil do dilema entre falar todo o conselho de Deus ou ofender as pessoas.
Esses são alguns dos perigos que a pós-modernidade traz à leitura e interpretação das Escrituras. Reconhecemos a contribuição da pós-modernidade em destacar a participação do contexto e do leitor na produção de significado, quando se lê um texto. Porém, discordamos que isso invalide a possibilidade de uma leitura das Escrituras que nos permita alcançar a mensagem de Deus para nós e de ouvir a voz de Cristo, como Ele gostaria que ouvíssemos.
Meu alvo nesse pequeno artigo é mostrar como alguns elementos filosóficos e religiosos da pós-modernidade afetam a interpretação bíblica dos evangélicos, e em especial, dos reformados. Os reformados calvinistas têm tradicionalmente interpretado as Escrituras partindo de alguns pressupostos. Primeiro, que as Escrituras são divinas, em sua origem, infalíveis e inerrantes no que ensinam, seguras e certas no seu ensino. A Bíblia é a revelação da verdade. Só existe uma religião certa, a que se encontra revelada na Bíblia. Tudo o que é necessário à salvação e à vida cristã estão claramente reveladas na Escritura. Não há salvação fora do Cristianismo. Esta salvação é claramente exposta na Bíblia.
Existem alguns aspectos da pós-modernidade que ameaçam a interpretação reformada das Escrituras. Primeiro, o conceito de tolerância. Eu me refiro à idéia contemporânea de total complacência para com o pensamento de outros quanto à política, sexo, religião, raça, gênero, valores morais e atitudes pessoais, ao ponto de nunca se externar seu próprio ponto de vista de forma a contradizer o ponto de vista dos outros. Esse tipo de tolerância não deve ser confundida com a tolerância cristã, pois resulta da falta de convicções em questões filosóficas, morais e religiosas: "A tolerância é a virtude do homem sem convicções" (G. K. Chesterton). É fortalecida pela queda na confiança na verdade, causada pelo avanço da pós-modernidade.
É aqui que entra o conceito de "politicamente correto". Significa aquilo que é aceitável como correto na sociedade onde se vive. É o que se faz em um grupo sem que ninguém seja ofendido. Por exemplo, não é "politicamente correto" tomar atitudes ou afirmar coisas que venham a desagradar pessoas, como por exemplo, emitir valores morais sobre o comportamento sexual das pessoas.
É "politicamente correto" ouvir o que os outros dizem sem qualquer crítica, reparo ou discordância explícita. Aqui devemos também notar em especial a preocupação em não ofender as minorias ou grupos oprimidos: negros, mulheres, pobres, pessoas do 3º mundo.
É preciso observar que existe uma tolerância exigida do cristão. Devemos tolerar as pessoas, mas não suas crenças, quando estas contrariam a verdade de Deus revelada nas Escrituras. Temos o dever de ouvir o que elas tem a dizer, e aprender delas naquilo em que se conformam com a verdade bíblica. Porém, tolerância ao erro, quando a verdade bíblica está em jogo, é omissão pecaminosa.
A tolerância tão característica da pós-modernidade pode afetar a interpretação da Bíblia levando as pessoas a interpretá-la a partir do conceito de "politicamente correto." Evita-se qualquer leitura, interpretação ou posicionamento que venha a ser ofensivo à sociedade ou comunidade a que se ministra. Textos bíblicos que denunciam claramente determinados comportamentos morais, como o homossexualismo, são domesticados com uma leitura crítica que os reduz a expressões retrógradas típicas dos machistas do século I. Textos que anunciam a Cristo como o único caminho para Deus são interpretados de tal forma a não excluir a salvação em outras religiões.
Um outro aspecto da pós-modernidade que afeta a leitura da Bíblia é o inclusivismo. Num certo sentido, é o resultado do multiculturalismo do mundo pós-moderno. Não há mais no mundo ocidental um país com uma cultura única e uma raça homogênea. Países ocidentais são multiculturais e tem uma mescla de diversas raças. Para que não se seja ofensivo, e para que se possa conviver harmoniosamente, é necessário ser inclusivista. Isso significa dar vez e voz a todas as culturas e raças representadas.
Na sociedade pós-moderna, o conceito ser estende para incluir os grupos moralmente orientados. Significa especialmente repartir o poder com as minorias anteriormente oprimidas pelas estruturas de poder, como negros, "gays", mulheres, e raças minoritárias.
Existem coisas boas do inclusivismo multiculturalista, como por exemplo, estudos nos meios acadêmicos sobre a cultura de raças minoritárias e oprimidas no ocidente, como africanos, hispânicos e orientais. Também a criação de bolsas de estudos e empregos para membros destas minorias raciais, bem como de grupos oprimidos, como as mulheres. Ainda digno de nota é a luta contra discriminação baseada tão somente em raça, religião, postura política e gênero.
Mas existem coisas que nos preocupam no inclusivismo. A maior de todas é que o inclusivismo exclui qualquer juízo de valor em termos morais, religiosos, e de justiça. Tem que ser assim para que o relacionamento multicultural e multi-moral funcione.
O inclusivismo acaba também influenciando na interpretação bíblica. Sua mensagem é abordada do ponto de vista do programa das minorias. Por exemplo, a chamada "teologia negra," a teologia da libertação, teologias feministas. Outra coisa é a tendência cada vez mais forte de se publicarem traduções da Bíblia sem linguagem genérica ofensiva, isto é, tirando todas as referências a Deus como sendo homem, etc.
Um terceiro aspecto da pós-modernidade que influencia a leitura da Bíblia hoje é o relativismo. O relativismo, no que tange ao campo dos valores e dos conceitos morais e religiosos, é a idéia de que todos os valores morais e as crenças religiosas são igualmente válidos e que não se pode julgar entre eles. A verdade depende das lentes que alguém usa para ler a vida. O importante é que as pessoas tenham crenças, e não provar que uma delas é certa e a outra errada. Não há meio de se arbitrar sobre a verdade porque não há parâmetros absolutos. Desta forma, alguém pode crer em coisas mutuamente excludentes sem qualquer inconsistência. Ninguém pode tentar mudar a opinião de outrem em questões morais e religiosas.
Existem alguns perigos no relativismo quanto à leitura da Bíblia. Primeiro, o relativismo acaba por minar a credibilidade em qualquer forma de interpretação que se proponha como a correta. Segundo, acaba por individualizar a verdade. Cada pessoa tem sua verdade e ninguém pode alegar que a sua é superior à dos outros. Portanto, ninguém pode ter a pretensão de converter outros à sua fé.
Muitos evangelistas tentam suavizar a sua interpretação da mensagem do Evangelho, excluindo os elementos que não são "politicamente corretos" como: pecado, culpa, condenação, ira de Deus, arrependimento, mudança de vida. Acaba sendo uma tentação de escapar pela forma mais fácil do dilema entre falar todo o conselho de Deus ou ofender as pessoas.
Esses são alguns dos perigos que a pós-modernidade traz à leitura e interpretação das Escrituras. Reconhecemos a contribuição da pós-modernidade em destacar a participação do contexto e do leitor na produção de significado, quando se lê um texto. Porém, discordamos que isso invalide a possibilidade de uma leitura das Escrituras que nos permita alcançar a mensagem de Deus para nós e de ouvir a voz de Cristo, como Ele gostaria que ouvíssemos.
Santificação
A Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira dedica o item V à doutrina da salvação. Divide-o em quatro tópicos, a saber: regeneração, justificação, santificação e glorificação. Sobre este último aspecto, diz a Declaração:
A santificação é o processo que, principiando na regeneração, leva o homem à realização dos propósitos de Deus para a sua vida e o habilita a progredir em busca da perfeição moral e espiritual de Jesus Cristo, mediante a presença e o poder do Espírito Santo que nele habita (Jo 17.17, 1Ts 4.3, 5.23 e 4.7). Ele ocorre na medida da dedicação do crente e se manifesta através de um caráter marcado pela presença e pelo fruto do Espírito, bem como por uma vida de testemunho fiel e serviço consagrado a Deus e ao próximo (Pv 4.18, Rm 12.1-2, Fp 2.12-13, 2Co 7.1 e 3.18, Hb 12.14, Rm 6.19, Gl 5.22 e Fp 1.9-11)
Bem sucinta, a Declaração (um documento muito bem elaborado e teologicamente correto) tem ainda o mérito de definir santificação acertadamente, em termos éticos e relacionais e não em termos místicos, internalizados, sem qualquer objetividade nos relacionamentos. Em muitas vezes a santificação foi descrita como um comportamento esquisito ou atitudes estereotipadas. Para muitos, ser santo é manifestar um espírito crítico sobre a vida alheia ou manter uma atitude espiritual arrogante, depreciando os demais. Assim, com as palavras da Declaração Doutrinária, caminhamos no rumo certo.
OS TERMOS BÍBLICOS
Todo estudo bíblico tem que mostrar o que a Bíblia diz sobre determinado assunto. Este caso não é diferente. Comecemos pelo significado dos termos bíblicos.
O Antigo Testamento usa três termos que nos ajudarão a entender o assunto: qadosh (santo), qadash (santificar) e qodesh (santidade). Estes termos aparecem quase mil vezes no Antigo Testamento, sendo que a maior parte está no Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia). Qadash tem a idéia de “cortar”, “tirar de algum lugar”. Os usos mais antigos, registrados em papiros, se ligam ao serviço dos operários cortando blocos de pedra nas pedreiras. Por isto muitos definem santidade como sendo “separação”. Mas ninguém corta bloco de pedras apenas para separá-los da pedreira. Eles são cortados para terem uma utilidade. Esta compreensão de apenas separar faria da santidade um conceito negativo, isolacionista. Mas se seguirmos o significado da palavra veremos que santidade não é se isolar de outras pessoas, mas estar em outra esfera de vida. O bloco de pedra não deixa de ser bloco de pedra, mas está em outro lugar. Saiu de onde estava e tem um propósito, agora.
O próprio Deus declara que ele é santo (Lv 19.2). Isto não significa que ele seja isolado. Ele é diferente, mas não isolado. Ele se envolve com as pessoas. Sua santidade está relacionada com seu caráter e não com seu isolamento ou solidão. Deus não é solitário, tanto que busca a companhia dos homens. Assim como ele é santo, seu povo deve ser santo, mostra-nos o texto, mas o povo não deveria se isolar e sim viver de maneira que se ajustasse ao caráter de Deus.
A idéia de qadosh aplicado a Deus é significativa. O conceito é dinâmico, e não passivo, como se Deus tivesse que se separar para não ser contaminado por qualquer coisa. Dá a idéia da transcendência (ser de outra esfera) de Deus. Mostra que há uma distância entre ele e o homem pecador. Neste sentido, a santidade é a própria divindade de Deus, o que o distingue de nossa humanidade.
A santidade humana pode ser contaminada, mas a divina é absoluta e por isso não pode ser contaminada. Sua principal linha não é a preocupação de não ser contaminada e sim a de influenciar. Por exemplo: Deus é santo e a terra onde ele habita é terra santa (Êx 3.5). O monte Sião, onde ele habitava (Sião é um símbolo da igreja) é santo (Sl 99.9) por causa dele. Tudo que promana de Deus é santo. A lei é santa (Rm 7.12). Tudo que é dado ao Senhor passa a ser santo. A santidade passa a ser um dos atributos mais enaltecidos de Deus. Não significa que ele seja algo de utilidade, mas que ele é ativo, não apenas separado do mundo; que ele é distinto, acima dos demais. Quando o termo santo é aplicado a Deus é neste sentido: ele é distinto dos demais, absolutamente cortado do nosso ambiente moral, mas nunca isolado. Santidade não é um atributo negativo, mas positivo. A começar pela santidade de Deus. Quando digo que ela não é negativa mas positiva não é apenas na questão de não poder ser maculada pelo homem, mas que ela é a base da bondade de Deus. O mal é uma impossibilidade moral e dinâmica em Deus por causa de sua santidade absoluta. Ele é a fonte de todo bem. O texto de Tiago 1.17 expressa esta verdade muito bem. Deus é tão santo que o mal não tem poder sobre ele.
O Novo Testamento emprega, costumeiramente, entre outros termos, hágios (santo) e hagiádzo (santificar) como os termos mais comuns para a idéia mostrada no Antigo Testamento. A idéia é de algo ligado à divindade, já sendo usado no grego comum para os deuses do paganismo. A idéia é de respeito, solenidade, mas também o temor de alguma maldição. Usava-se para algo acima da esfera humana. Ser santo é estar acima da esfera do mundo. 1João 2.15-16 ilustra bem esta verdade. O filho de Deus não deve viver no mundo (um sistema moral corrompido e dominado pelo Maligno, como se lê em 1João 5.19).
Assim vemos que os termos hebraico e grego apontam para algo superior, incomum, acima do homem. Diferente dele, mas que pode vir até ele.
AINDA SOBRE A SANTIDADE DE DEUS
Andemos mais um pouco na questão da santidade vendo o caráter de Deus. É que o caráter de Deus é a base para toda a discussão sobre santidade.
(1) Ele é incomparável em sua santidade: Êxodo 15.11 e 1Samuel 2.2
(2) Ela é tão grande nele, que faz parte de seu caráter: Salmo 22.3, Isaías 57.15 e João 17.11
(3) Ela se mostra em suas palavras: Salmo 12.6
(4) Ela é reconhecida por quem entra em comunhão com ele: Isaías 6.3-5
Mas pode se perguntar: se estamos estudando santificação, por que estamos usando tempo para falar sobre a santidade de Deus? Porque a santidade de Deus é a base para a santificação dos fiéis: Levítico 11.44-45, 19.2 e 20.26. Estas passagens em Levítico são importantes. Elas mostram o início do relacionamento de Deus com Israel, depois que o tomou como seu povo. Aqui Iahweh mostra como seu povo deve ser. Mas isto não se restringiu a Israel e à época do Antigo Testamento, porque a mesma exigência é feita à Igreja: 1Pedro 1.16. Porque a Igreja substituiu Israel e recebe, no Novo Testamento, os títulos que eram de Israel, inclusive o de ser a nação santa: 1Pedro 2.9. Por isto tem a responsabilidade também de ser santa.
Vemos, então, que a santidade de Deus é a base para a santidade dos fiéis, particularmente da Igreja. O povo de Deus deve ter o mesmo caráter moral de Deus.
COMO ACONTECE A SANTIFICAÇÃO?
O Novo Testamento descreve a santificação, primeiro, por um ângulo negativo, ou seja, romper com o erro, fugindo do mal: 2Coríntios 6.14 a 7.1 e 1Tessalonicenses 4.3-7. Isto não quer dizer que ser santo seja ser do contra. Muitas pessoas confundem ser santo com ser emburrado ou ser uma pessoa sempre sisuda. Significa que certas atitudes e determinados comportamentos não são compatíveis com o caráter cristão. É que a conversão nos transporta de um nível de vida para outro, mudando nosso interior e, consequentemente, nossas atitudes. Veja-se isto em Efésios 2.1-3. A santificação é o progresso na vida cristã. É seguir na caminhada com Cristo.
Após o rompimento com o erro e com o pecado, o fiel deve entender e buscar a santificação pelo seu ângulo positivo. Deve ele nutrir a compreensão de que ela é a vontade de Deus para sua vida (1Ts 4.3). Não é uma opção, mas é o propósito divino para cada um de nós. Ser cristão é estar em Cristo e estar em Cristo é ter uma qualidade de vida diferente (2Co 5.17). Depois do aspecto negativo, vem o positivo. Em Efésios 5.1-18 temos uma boa descrição disto que está sendo dito. Ser santo é buscar o caráter de Deus, é procurar ser como ele (v. 1), é não ter mais em sua vida os resquícios do passado (vv. 3-8). O fiel, agora, anda na luz, e deve produzir o fruto da luz: bondade, justiça e verdade (v. 9). Deve encher –se do Espírito e não de vinho (v. 18). Esta palavra de Paulo é bem significativa e deve ser entendida no contexto cultural da época. A embriaguez era uma constante nos tempos antigos (ainda é comum hoje). Estar embriagado significa que a pessoa está controlada pelo álcool. Mas quem deve controlar o fiel que busca santidade é o Espírito Santo e não o álcool. A frase final do versículo 18 é o clímax da argumentação: ser santo é ser controlado pelo Espírito.
É óbvio que esta busca de santificação não deixará de trazer muitas lutas para o fiel. Se o Maligno não conseguiu impedir sua conversão, tentará impedir sua santificação. Um membro de Igreja que tenha uma vida mundanizada é uma vitória do Maligno. E uma derrota para o reino de Deus. A maior parte do tempo de um pastor é gasta com crentes mundanos, com problemas de mundanismo na Igreja, mais do que com busca de alimentação espiritual ao rebanho. Crentes mundanos ocupam a maior parte dos esforços da Igreja. Além de requererem visitação, aconselhamento e trato com luvas de pelica (como são melindrosos os crentes mundanos!), dão mau testemunho e contaminam os demais. São uma lástima!
Como superar esta luta e estas dificuldades? Mais uma vez vamos a Efésios. Em 6.10-18 temos uma excelente exortação. Para esta batalha espiritual, precisamos nos armar. Não com espada ou com um fuzil AR-15. A verdade e a justiça protegem o peito (v. 14), os pés têm no evangelho um excelente par de botas (v. 15), a fé protege das armas do Maligno (v. 16), a certeza da salvação e de que somos filhos de Deus protege nossa cabeça, que simboliza a nossa mente (v. 17a) e para atacar, temos a Palavra de Deus que deve ser internalizada na vida (v. 17b). Lembremos que foi a Palavra de Deus que Jesus utilizou para resistir a Satanás e fazê-lo retirar-se dele (Mt 4.4, 7 e 10). É a Palavra de Deus internalizada na vida, assumida como fonte de vida, que nos ajuda a vencer Satanás e caminhar na direção da vontade de Deus, que é nossa santificação. Veja os textos de 1Samuel 15.22, Salmo 119.9, 11 e João 17.17. É a exposição da Palavra de Deus que dá entendimento: Salmo 119.130. Este entendimento é espiritual, não acúmulo de informações ou de experiências. Ele nos ajuda na luta contra Satanás: 1Pedro 5.8-9 e Tiago 4.7. Observe neste último texto que há duas orientações para nós. A primeira é submeter-se a Deus, e a segunda é resistir ao Diabo. Toda luta espiritual sem uma submissão a Deus será frustrada. Seremos derrotados. Santificação é, também, luta contra o pecado, que só pode ser bem sucedida se antecedida por uma submissão a Deus.
MAS, O QUE FAZER COM A SANTIFICAÇÃO?
Não conseguindo impedir a conversão da pessoa, Satanás tenta impedir sua santificação. Não conseguindo impedir sua santificação, tenta impedir sua utilização prática. Impressiona ver algumas pessoas que alegam ter passado por uma experiência com Deus e se tornam insuportáveis no relacionamento com os demais. As pessoas mais difíceis de se lidar, numa Igreja, não são os mundanos. São os santos aos seus próprios olhos, aqueles que se vêem como superiores aos demais, do ponto de vista espiritual, e se tornam críticas da vida alheia, e não raro, fofoqueiros de plantão. Santidade não deve ser confundida com soberba espiritual.
Se o conceito de qodesh é ser cortado para ter alguma utilidade, qual é a utilidade da santidade, em termos práticos, na vida do crente e de sua Igreja? Cortava-se um bloco para construir alguma coisa. Uma casa, um palácio, um templo. O santo, o qadosh, é alguém separado para construir, e não para destruir. Sua vida deve ser positiva, no relacionamento com os demais. A santificação leva o crente a ser um instrumento para o serviço do Senhor (2Tm 2.21). Ela nunca é uma finalidade para o crente, mas um meio de se preparar para o serviço de Deus. No Antigo Testamento, todos os objetos do culto eram santificados ao Senhor para poderem ser usados. A santificação é para se ser usado por Deus. É triste ver alguém fazendo a obra de Deus no poder da carne. O resultado sempre é frustrante. A derrota é inevitável. A santidade é necessária para o desempenho do serviço cristão.
Quando Paulo diz que Cristo vive nele (Gl 2.20) está nos dando o maior exemplo do que é santificação. Santificação é cada vez mais Cristo em nós e cada vez menos nós em nós mesmos. Quanto mais de Deus houver na nossa vida, quanto mais de Cristo, mais santos seremos. Por isso, a santificação pode ser definida como “cristificação”. Veja como Paulo definiu bem isto em 1Coríntios 11.1.
O PAPEL DE DEUS E O NOSSO PAPEL NA SANTIFICAÇÃO
A Bíblia ensina que é Deus quem nos santifica (1Ts 5.23). Para isto, ele se vale do processo de nos educar como filhos (Hb 12.5-11). Desejar a santificação e tê-la em nossa vida é obra de Deus (Fp 2.13). Assim ele nos aperfeiçoa cada dia, para fazermos sua vontade e lhe sermos agradáveis (Hb 13.20-21). Esta é a vontade e a obra do Pai.
O Filho conquistou a santificação para nós. É isto que Paulo diz em 1Coríntios 1.30. No processo de santificação, ele é o alvo para o qual devemos caminhar (Hb 12.2). Aqui temos, novamente, o conceito de cristificação. Ser santo significa caminhar sempre na direção de Cristo. Ele é nosso modelo (1Pe 2.21). Ser santo é procurar viver como ele viveu: 1João 2.6.
O Espírito atua em nós para nos transformar e modificar, cada dia. A santificação é obra do Espírito Santo em nós (1Pe 1.12, 2Ts 2.13). É o Espírito quem produz em nós o seu fruto (Gl 5.22), que melhor evidencia nossa santificação. Ser santificado é deixar-se guiar pelo Espírito e andar nele (Gl 5.16-18 e Rm 8.14).
Mas nós temos parte na santificação. Não somos passivos. Nossa parte começa com o fato de que devemos oferecer-nos a Deus para que ela aconteça (Rm 6.13 e 19). O texto de Romanos 12.1-2 vem corroborar isto, lembrando que “corpos” é o grego sôma, que é mais que o corpo físico, designando toda a personalidade da pessoa. A santificação significa dar toda a nossa personalidade a Deus: pensamentos, bens, talentos, jeito de ser, a vida, enfim. Quando deixamos o Espírito agir em nossa vida e mortificamos as obras do corpo, então temos a vida abundante (Rm 8.13). Neste sentido, a santificação é a parte da salvação que nós desenvolvemos (Fp 2.12-13).
COMO ALCANÇAR A SANTIFICAÇÃO?
Se falhou em impedir a conversão do fiel, se falhou em impedir sua santificação, Satanás tentará impedi-lo de seguir o caminho certo e lhe mostrará atalhos pelos quais enveredar. Há hoje uma oferta incrível de atalhos: liturgia barulhenta, novos modelos de igreja, doutrinas novas, etc. Mas há algo que deve ser dito: não há atalhos para a santificação. O caminho correto passa pelas seguintes atitudes:
(1) A vontade, colocada pelo Espírito Santo, na medida em que nos entregamos mais e mais a Deus, como já se comentou anteriormente. É preciso querer. Ninguém é salvo contra sua vontade. Da mesma forma, ninguém é santificado contra sua vontade.
(2) A leitura da Bíblia e a meditação em seu ensino, não a mera leitura, como quem lê um romance. Não se preocupe em ler a Bíblia toda em um ano. Preocupe-se em ler todos os dias, e aplicar cada dia o que leu. Você não pode comer por um ano e parar. Precisa comer cada dia. Alimente-se espiritualmente da Palavra, todos os dias, medite nela todos os dias, aproprie-se dela todos os dias. Veja os textos de Salmo 1.2, Mateus 4.4 e João 17.17. A Bíblia é a Palavra de Deus e ninguém pode descobrir a vontade de Deus sem lê-la com fome, e aplicá-la na sua vida.
(3) A oração é indispensável ao crescimento espiritual e à santificação. Veja Efésios 6.18 e Filipenses 4.6-7. Na leitura da Bíblia, Deus fala conosco e através da oração podemos abrir o coração com Deus e falar com ele. A oração é a janela da nossa alma que se abre para Deus.
(4) A adoração a Deus, no culto público, é indispensável. Veja e reflita bem sobre Efésios 5.18-21. A atitude de adoração ali prescrita implica em relacionamento com os demais. Participar dos cultos é um elemento poderoso na santificação. É como a história do carvão e da brasa. Tire uma brasa da fogueira e ela se apagará, virará um carvão. Ponha um carvão junto às brasas e ele se acenderá. Um dos primeiros sintomas de frieza espiritual e de queda no relacionamento com Deus é a fuga dos cultos. Poucas desculpas são mais descoradas do que aquela de “estou sem ir à Igreja, mas mantenho minha relação com Deus no mesmo nível”. Só se for no nível baixo de sempre. A Bíblia nos exorta a não deixarmos de participar dos cultos: Hebreus 10.19-25. Preste atenção que entrar na presença de Deus leva a pessoa a considerar os irmãos e dar e receber admoestação deles, sem deixar as reuniões de culto.
(5) O testemunho nos ajuda a fortalecer a fé. Quando Jesus nos exortou a testemunharmos (Mt 28.19-20) não foi apenas para que as pessoas se convertessem. Testemunhar é o exercício da fé. Se a Palavra, a oração e o culto nos alimentam, o testemunho nos faz exercitar-nos. Evita a má saúde. Quem só come e não se exercita pode ter problemas.
(6) A autodisciplina ou o domínio de si mesmo é algo indispensável na busca da santidade. É mortificar-se cada vez mais e procurar ser como Cristo. Leiamos Gálatas 5.23-24 e Tito 1.8 (na palavra “temperante”). Este último versículo alude às virtudes do bispo, mas deve-se notar que, no Novo Testamento, o que se pede da liderança é o que se pede de todos os crentes, pois não há um clero e um laicato. Todos somos iguais diante de Deus, no Novo Testamento.
(7) O companheirismo cristão é um outro elemento muito forte. Veja 1Tessalonicenses 5.12-23. Alguém disse que “a Igreja é o único exército que atira em seus próprios soldados”. É verdade! Como os crentes falam mal uns dos outros! Como se criticam! A mutualidade é um elemento muito forte no processo de santificação. Faz com que aprendamos de nossos irmãos e faz com que nos exercitemos. Somos fortalecidos na fé pelo companheirismo. Veja o porquê do desejo de Paulo em conhecer os crentes de Roma: Romanos 1.11-12.
CONCLUSÃO
Santificação não é exotismo, nem barulho, nem ser contra tudo e contra todos. É antes uma atitude espiritual positiva. É um desejo inabalável de querer ser do Senhor e agradá-lo em tudo, na vida. Para isto é preciso deixar certas atitudes, incompatíveis com a natureza de um filho de Deus, e assumir outras, que evidenciam nossa filiação espiritual. Isto requer, da parte do crente, vontade e submissão a Deus. Da parte de Deus, esta é sua vontade para nós, e ele age em nós, na medida em que permitimos que isso aconteça. Não é algo sacrificial, no sentido de nos tornar infelizes. Se for custoso e duro, será por termos que deixar atitudes às quais nos acostumamos, mas das quais podemos nos livrar. Santificando-nos, estaremos no centro da vontade de Deus para nossa vida. Estando no centro da vontade de Deus, nunca estaremos infelizes ou frustrados.
Terminemos nosso estudo com 1Tessalonicenses 4.3-7: “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade”.
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Igreja Batista do Cambuí – Campinas/SP
A santificação é o processo que, principiando na regeneração, leva o homem à realização dos propósitos de Deus para a sua vida e o habilita a progredir em busca da perfeição moral e espiritual de Jesus Cristo, mediante a presença e o poder do Espírito Santo que nele habita (Jo 17.17, 1Ts 4.3, 5.23 e 4.7). Ele ocorre na medida da dedicação do crente e se manifesta através de um caráter marcado pela presença e pelo fruto do Espírito, bem como por uma vida de testemunho fiel e serviço consagrado a Deus e ao próximo (Pv 4.18, Rm 12.1-2, Fp 2.12-13, 2Co 7.1 e 3.18, Hb 12.14, Rm 6.19, Gl 5.22 e Fp 1.9-11)
Bem sucinta, a Declaração (um documento muito bem elaborado e teologicamente correto) tem ainda o mérito de definir santificação acertadamente, em termos éticos e relacionais e não em termos místicos, internalizados, sem qualquer objetividade nos relacionamentos. Em muitas vezes a santificação foi descrita como um comportamento esquisito ou atitudes estereotipadas. Para muitos, ser santo é manifestar um espírito crítico sobre a vida alheia ou manter uma atitude espiritual arrogante, depreciando os demais. Assim, com as palavras da Declaração Doutrinária, caminhamos no rumo certo.
OS TERMOS BÍBLICOS
Todo estudo bíblico tem que mostrar o que a Bíblia diz sobre determinado assunto. Este caso não é diferente. Comecemos pelo significado dos termos bíblicos.
O Antigo Testamento usa três termos que nos ajudarão a entender o assunto: qadosh (santo), qadash (santificar) e qodesh (santidade). Estes termos aparecem quase mil vezes no Antigo Testamento, sendo que a maior parte está no Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia). Qadash tem a idéia de “cortar”, “tirar de algum lugar”. Os usos mais antigos, registrados em papiros, se ligam ao serviço dos operários cortando blocos de pedra nas pedreiras. Por isto muitos definem santidade como sendo “separação”. Mas ninguém corta bloco de pedras apenas para separá-los da pedreira. Eles são cortados para terem uma utilidade. Esta compreensão de apenas separar faria da santidade um conceito negativo, isolacionista. Mas se seguirmos o significado da palavra veremos que santidade não é se isolar de outras pessoas, mas estar em outra esfera de vida. O bloco de pedra não deixa de ser bloco de pedra, mas está em outro lugar. Saiu de onde estava e tem um propósito, agora.
O próprio Deus declara que ele é santo (Lv 19.2). Isto não significa que ele seja isolado. Ele é diferente, mas não isolado. Ele se envolve com as pessoas. Sua santidade está relacionada com seu caráter e não com seu isolamento ou solidão. Deus não é solitário, tanto que busca a companhia dos homens. Assim como ele é santo, seu povo deve ser santo, mostra-nos o texto, mas o povo não deveria se isolar e sim viver de maneira que se ajustasse ao caráter de Deus.
A idéia de qadosh aplicado a Deus é significativa. O conceito é dinâmico, e não passivo, como se Deus tivesse que se separar para não ser contaminado por qualquer coisa. Dá a idéia da transcendência (ser de outra esfera) de Deus. Mostra que há uma distância entre ele e o homem pecador. Neste sentido, a santidade é a própria divindade de Deus, o que o distingue de nossa humanidade.
A santidade humana pode ser contaminada, mas a divina é absoluta e por isso não pode ser contaminada. Sua principal linha não é a preocupação de não ser contaminada e sim a de influenciar. Por exemplo: Deus é santo e a terra onde ele habita é terra santa (Êx 3.5). O monte Sião, onde ele habitava (Sião é um símbolo da igreja) é santo (Sl 99.9) por causa dele. Tudo que promana de Deus é santo. A lei é santa (Rm 7.12). Tudo que é dado ao Senhor passa a ser santo. A santidade passa a ser um dos atributos mais enaltecidos de Deus. Não significa que ele seja algo de utilidade, mas que ele é ativo, não apenas separado do mundo; que ele é distinto, acima dos demais. Quando o termo santo é aplicado a Deus é neste sentido: ele é distinto dos demais, absolutamente cortado do nosso ambiente moral, mas nunca isolado. Santidade não é um atributo negativo, mas positivo. A começar pela santidade de Deus. Quando digo que ela não é negativa mas positiva não é apenas na questão de não poder ser maculada pelo homem, mas que ela é a base da bondade de Deus. O mal é uma impossibilidade moral e dinâmica em Deus por causa de sua santidade absoluta. Ele é a fonte de todo bem. O texto de Tiago 1.17 expressa esta verdade muito bem. Deus é tão santo que o mal não tem poder sobre ele.
O Novo Testamento emprega, costumeiramente, entre outros termos, hágios (santo) e hagiádzo (santificar) como os termos mais comuns para a idéia mostrada no Antigo Testamento. A idéia é de algo ligado à divindade, já sendo usado no grego comum para os deuses do paganismo. A idéia é de respeito, solenidade, mas também o temor de alguma maldição. Usava-se para algo acima da esfera humana. Ser santo é estar acima da esfera do mundo. 1João 2.15-16 ilustra bem esta verdade. O filho de Deus não deve viver no mundo (um sistema moral corrompido e dominado pelo Maligno, como se lê em 1João 5.19).
Assim vemos que os termos hebraico e grego apontam para algo superior, incomum, acima do homem. Diferente dele, mas que pode vir até ele.
AINDA SOBRE A SANTIDADE DE DEUS
Andemos mais um pouco na questão da santidade vendo o caráter de Deus. É que o caráter de Deus é a base para toda a discussão sobre santidade.
(1) Ele é incomparável em sua santidade: Êxodo 15.11 e 1Samuel 2.2
(2) Ela é tão grande nele, que faz parte de seu caráter: Salmo 22.3, Isaías 57.15 e João 17.11
(3) Ela se mostra em suas palavras: Salmo 12.6
(4) Ela é reconhecida por quem entra em comunhão com ele: Isaías 6.3-5
Mas pode se perguntar: se estamos estudando santificação, por que estamos usando tempo para falar sobre a santidade de Deus? Porque a santidade de Deus é a base para a santificação dos fiéis: Levítico 11.44-45, 19.2 e 20.26. Estas passagens em Levítico são importantes. Elas mostram o início do relacionamento de Deus com Israel, depois que o tomou como seu povo. Aqui Iahweh mostra como seu povo deve ser. Mas isto não se restringiu a Israel e à época do Antigo Testamento, porque a mesma exigência é feita à Igreja: 1Pedro 1.16. Porque a Igreja substituiu Israel e recebe, no Novo Testamento, os títulos que eram de Israel, inclusive o de ser a nação santa: 1Pedro 2.9. Por isto tem a responsabilidade também de ser santa.
Vemos, então, que a santidade de Deus é a base para a santidade dos fiéis, particularmente da Igreja. O povo de Deus deve ter o mesmo caráter moral de Deus.
COMO ACONTECE A SANTIFICAÇÃO?
O Novo Testamento descreve a santificação, primeiro, por um ângulo negativo, ou seja, romper com o erro, fugindo do mal: 2Coríntios 6.14 a 7.1 e 1Tessalonicenses 4.3-7. Isto não quer dizer que ser santo seja ser do contra. Muitas pessoas confundem ser santo com ser emburrado ou ser uma pessoa sempre sisuda. Significa que certas atitudes e determinados comportamentos não são compatíveis com o caráter cristão. É que a conversão nos transporta de um nível de vida para outro, mudando nosso interior e, consequentemente, nossas atitudes. Veja-se isto em Efésios 2.1-3. A santificação é o progresso na vida cristã. É seguir na caminhada com Cristo.
Após o rompimento com o erro e com o pecado, o fiel deve entender e buscar a santificação pelo seu ângulo positivo. Deve ele nutrir a compreensão de que ela é a vontade de Deus para sua vida (1Ts 4.3). Não é uma opção, mas é o propósito divino para cada um de nós. Ser cristão é estar em Cristo e estar em Cristo é ter uma qualidade de vida diferente (2Co 5.17). Depois do aspecto negativo, vem o positivo. Em Efésios 5.1-18 temos uma boa descrição disto que está sendo dito. Ser santo é buscar o caráter de Deus, é procurar ser como ele (v. 1), é não ter mais em sua vida os resquícios do passado (vv. 3-8). O fiel, agora, anda na luz, e deve produzir o fruto da luz: bondade, justiça e verdade (v. 9). Deve encher –se do Espírito e não de vinho (v. 18). Esta palavra de Paulo é bem significativa e deve ser entendida no contexto cultural da época. A embriaguez era uma constante nos tempos antigos (ainda é comum hoje). Estar embriagado significa que a pessoa está controlada pelo álcool. Mas quem deve controlar o fiel que busca santidade é o Espírito Santo e não o álcool. A frase final do versículo 18 é o clímax da argumentação: ser santo é ser controlado pelo Espírito.
É óbvio que esta busca de santificação não deixará de trazer muitas lutas para o fiel. Se o Maligno não conseguiu impedir sua conversão, tentará impedir sua santificação. Um membro de Igreja que tenha uma vida mundanizada é uma vitória do Maligno. E uma derrota para o reino de Deus. A maior parte do tempo de um pastor é gasta com crentes mundanos, com problemas de mundanismo na Igreja, mais do que com busca de alimentação espiritual ao rebanho. Crentes mundanos ocupam a maior parte dos esforços da Igreja. Além de requererem visitação, aconselhamento e trato com luvas de pelica (como são melindrosos os crentes mundanos!), dão mau testemunho e contaminam os demais. São uma lástima!
Como superar esta luta e estas dificuldades? Mais uma vez vamos a Efésios. Em 6.10-18 temos uma excelente exortação. Para esta batalha espiritual, precisamos nos armar. Não com espada ou com um fuzil AR-15. A verdade e a justiça protegem o peito (v. 14), os pés têm no evangelho um excelente par de botas (v. 15), a fé protege das armas do Maligno (v. 16), a certeza da salvação e de que somos filhos de Deus protege nossa cabeça, que simboliza a nossa mente (v. 17a) e para atacar, temos a Palavra de Deus que deve ser internalizada na vida (v. 17b). Lembremos que foi a Palavra de Deus que Jesus utilizou para resistir a Satanás e fazê-lo retirar-se dele (Mt 4.4, 7 e 10). É a Palavra de Deus internalizada na vida, assumida como fonte de vida, que nos ajuda a vencer Satanás e caminhar na direção da vontade de Deus, que é nossa santificação. Veja os textos de 1Samuel 15.22, Salmo 119.9, 11 e João 17.17. É a exposição da Palavra de Deus que dá entendimento: Salmo 119.130. Este entendimento é espiritual, não acúmulo de informações ou de experiências. Ele nos ajuda na luta contra Satanás: 1Pedro 5.8-9 e Tiago 4.7. Observe neste último texto que há duas orientações para nós. A primeira é submeter-se a Deus, e a segunda é resistir ao Diabo. Toda luta espiritual sem uma submissão a Deus será frustrada. Seremos derrotados. Santificação é, também, luta contra o pecado, que só pode ser bem sucedida se antecedida por uma submissão a Deus.
MAS, O QUE FAZER COM A SANTIFICAÇÃO?
Não conseguindo impedir a conversão da pessoa, Satanás tenta impedir sua santificação. Não conseguindo impedir sua santificação, tenta impedir sua utilização prática. Impressiona ver algumas pessoas que alegam ter passado por uma experiência com Deus e se tornam insuportáveis no relacionamento com os demais. As pessoas mais difíceis de se lidar, numa Igreja, não são os mundanos. São os santos aos seus próprios olhos, aqueles que se vêem como superiores aos demais, do ponto de vista espiritual, e se tornam críticas da vida alheia, e não raro, fofoqueiros de plantão. Santidade não deve ser confundida com soberba espiritual.
Se o conceito de qodesh é ser cortado para ter alguma utilidade, qual é a utilidade da santidade, em termos práticos, na vida do crente e de sua Igreja? Cortava-se um bloco para construir alguma coisa. Uma casa, um palácio, um templo. O santo, o qadosh, é alguém separado para construir, e não para destruir. Sua vida deve ser positiva, no relacionamento com os demais. A santificação leva o crente a ser um instrumento para o serviço do Senhor (2Tm 2.21). Ela nunca é uma finalidade para o crente, mas um meio de se preparar para o serviço de Deus. No Antigo Testamento, todos os objetos do culto eram santificados ao Senhor para poderem ser usados. A santificação é para se ser usado por Deus. É triste ver alguém fazendo a obra de Deus no poder da carne. O resultado sempre é frustrante. A derrota é inevitável. A santidade é necessária para o desempenho do serviço cristão.
Quando Paulo diz que Cristo vive nele (Gl 2.20) está nos dando o maior exemplo do que é santificação. Santificação é cada vez mais Cristo em nós e cada vez menos nós em nós mesmos. Quanto mais de Deus houver na nossa vida, quanto mais de Cristo, mais santos seremos. Por isso, a santificação pode ser definida como “cristificação”. Veja como Paulo definiu bem isto em 1Coríntios 11.1.
O PAPEL DE DEUS E O NOSSO PAPEL NA SANTIFICAÇÃO
A Bíblia ensina que é Deus quem nos santifica (1Ts 5.23). Para isto, ele se vale do processo de nos educar como filhos (Hb 12.5-11). Desejar a santificação e tê-la em nossa vida é obra de Deus (Fp 2.13). Assim ele nos aperfeiçoa cada dia, para fazermos sua vontade e lhe sermos agradáveis (Hb 13.20-21). Esta é a vontade e a obra do Pai.
O Filho conquistou a santificação para nós. É isto que Paulo diz em 1Coríntios 1.30. No processo de santificação, ele é o alvo para o qual devemos caminhar (Hb 12.2). Aqui temos, novamente, o conceito de cristificação. Ser santo significa caminhar sempre na direção de Cristo. Ele é nosso modelo (1Pe 2.21). Ser santo é procurar viver como ele viveu: 1João 2.6.
O Espírito atua em nós para nos transformar e modificar, cada dia. A santificação é obra do Espírito Santo em nós (1Pe 1.12, 2Ts 2.13). É o Espírito quem produz em nós o seu fruto (Gl 5.22), que melhor evidencia nossa santificação. Ser santificado é deixar-se guiar pelo Espírito e andar nele (Gl 5.16-18 e Rm 8.14).
Mas nós temos parte na santificação. Não somos passivos. Nossa parte começa com o fato de que devemos oferecer-nos a Deus para que ela aconteça (Rm 6.13 e 19). O texto de Romanos 12.1-2 vem corroborar isto, lembrando que “corpos” é o grego sôma, que é mais que o corpo físico, designando toda a personalidade da pessoa. A santificação significa dar toda a nossa personalidade a Deus: pensamentos, bens, talentos, jeito de ser, a vida, enfim. Quando deixamos o Espírito agir em nossa vida e mortificamos as obras do corpo, então temos a vida abundante (Rm 8.13). Neste sentido, a santificação é a parte da salvação que nós desenvolvemos (Fp 2.12-13).
COMO ALCANÇAR A SANTIFICAÇÃO?
Se falhou em impedir a conversão do fiel, se falhou em impedir sua santificação, Satanás tentará impedi-lo de seguir o caminho certo e lhe mostrará atalhos pelos quais enveredar. Há hoje uma oferta incrível de atalhos: liturgia barulhenta, novos modelos de igreja, doutrinas novas, etc. Mas há algo que deve ser dito: não há atalhos para a santificação. O caminho correto passa pelas seguintes atitudes:
(1) A vontade, colocada pelo Espírito Santo, na medida em que nos entregamos mais e mais a Deus, como já se comentou anteriormente. É preciso querer. Ninguém é salvo contra sua vontade. Da mesma forma, ninguém é santificado contra sua vontade.
(2) A leitura da Bíblia e a meditação em seu ensino, não a mera leitura, como quem lê um romance. Não se preocupe em ler a Bíblia toda em um ano. Preocupe-se em ler todos os dias, e aplicar cada dia o que leu. Você não pode comer por um ano e parar. Precisa comer cada dia. Alimente-se espiritualmente da Palavra, todos os dias, medite nela todos os dias, aproprie-se dela todos os dias. Veja os textos de Salmo 1.2, Mateus 4.4 e João 17.17. A Bíblia é a Palavra de Deus e ninguém pode descobrir a vontade de Deus sem lê-la com fome, e aplicá-la na sua vida.
(3) A oração é indispensável ao crescimento espiritual e à santificação. Veja Efésios 6.18 e Filipenses 4.6-7. Na leitura da Bíblia, Deus fala conosco e através da oração podemos abrir o coração com Deus e falar com ele. A oração é a janela da nossa alma que se abre para Deus.
(4) A adoração a Deus, no culto público, é indispensável. Veja e reflita bem sobre Efésios 5.18-21. A atitude de adoração ali prescrita implica em relacionamento com os demais. Participar dos cultos é um elemento poderoso na santificação. É como a história do carvão e da brasa. Tire uma brasa da fogueira e ela se apagará, virará um carvão. Ponha um carvão junto às brasas e ele se acenderá. Um dos primeiros sintomas de frieza espiritual e de queda no relacionamento com Deus é a fuga dos cultos. Poucas desculpas são mais descoradas do que aquela de “estou sem ir à Igreja, mas mantenho minha relação com Deus no mesmo nível”. Só se for no nível baixo de sempre. A Bíblia nos exorta a não deixarmos de participar dos cultos: Hebreus 10.19-25. Preste atenção que entrar na presença de Deus leva a pessoa a considerar os irmãos e dar e receber admoestação deles, sem deixar as reuniões de culto.
(5) O testemunho nos ajuda a fortalecer a fé. Quando Jesus nos exortou a testemunharmos (Mt 28.19-20) não foi apenas para que as pessoas se convertessem. Testemunhar é o exercício da fé. Se a Palavra, a oração e o culto nos alimentam, o testemunho nos faz exercitar-nos. Evita a má saúde. Quem só come e não se exercita pode ter problemas.
(6) A autodisciplina ou o domínio de si mesmo é algo indispensável na busca da santidade. É mortificar-se cada vez mais e procurar ser como Cristo. Leiamos Gálatas 5.23-24 e Tito 1.8 (na palavra “temperante”). Este último versículo alude às virtudes do bispo, mas deve-se notar que, no Novo Testamento, o que se pede da liderança é o que se pede de todos os crentes, pois não há um clero e um laicato. Todos somos iguais diante de Deus, no Novo Testamento.
(7) O companheirismo cristão é um outro elemento muito forte. Veja 1Tessalonicenses 5.12-23. Alguém disse que “a Igreja é o único exército que atira em seus próprios soldados”. É verdade! Como os crentes falam mal uns dos outros! Como se criticam! A mutualidade é um elemento muito forte no processo de santificação. Faz com que aprendamos de nossos irmãos e faz com que nos exercitemos. Somos fortalecidos na fé pelo companheirismo. Veja o porquê do desejo de Paulo em conhecer os crentes de Roma: Romanos 1.11-12.
CONCLUSÃO
Santificação não é exotismo, nem barulho, nem ser contra tudo e contra todos. É antes uma atitude espiritual positiva. É um desejo inabalável de querer ser do Senhor e agradá-lo em tudo, na vida. Para isto é preciso deixar certas atitudes, incompatíveis com a natureza de um filho de Deus, e assumir outras, que evidenciam nossa filiação espiritual. Isto requer, da parte do crente, vontade e submissão a Deus. Da parte de Deus, esta é sua vontade para nós, e ele age em nós, na medida em que permitimos que isso aconteça. Não é algo sacrificial, no sentido de nos tornar infelizes. Se for custoso e duro, será por termos que deixar atitudes às quais nos acostumamos, mas das quais podemos nos livrar. Santificando-nos, estaremos no centro da vontade de Deus para nossa vida. Estando no centro da vontade de Deus, nunca estaremos infelizes ou frustrados.
Terminemos nosso estudo com 1Tessalonicenses 4.3-7: “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade”.
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Igreja Batista do Cambuí – Campinas/SP
BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
LUIZ ANTONIO FERRAZ - 1ª Igreja Batista do Jardim Primavera
Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito. (I Coríntios 12:13).
Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos. (Efésios 4: 4-6).
INTRODUÇÃO
Por meio do Batismo com o Espirito Santo as mais ricas bênçãos são concedidas aos crentes. Por esta razão Satanás tem feito todo o possível para perverter este ministério específico do Espirito Santo.
A mais importante de todas as bênçãos, recebidas pelo Batismo do Espirito Santo, é a unidade de Igreja. Não são os dons extraordinários, pois estes têm o papel fundamental de promover o crescimento e, consequentemente, também a unidade (Ef.4:7-16). É por isso que Satanás procura perverter este ministério, pois trazendo confusão ele consegue promover a discórdia entre o povo de Deus.
Quando um grupo se levanta no seio da igreja local alegando autoridade ou espiritualidade, porque, por meio deles Deus tem feito maravilhas extraordinárias, ou tem se manifestado à eles de maneira exclusiva, certamente este grupo não fala em nome de Deus, pois a discórdia e a divisão é prova de que o Espirito Santo não atua neles. Jamais o Espirito Santo operaria um ministério que trouxesse divisão entre o seu povo.
O objetivo deste trabalho é esclarecer questões relacionadas a esta doutrina, almejando o fim de toda discórdia, para promover o reino de Deus.
I. BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
Encontramos três correntes teológicas entre os evangélicos: 1) Históricos: aqueles que negam a ocorrência do Batismo com o Espirito Santo nos dias atuais. Neste grupo encontram-se os ultra-tradicionais. 2) Renovados e Pentecostais: aqueles que afirmam a ocorrência do Batismo com o Espirito Santo, nos dias atuais, como sendo uma segunda benção, subseqüente à benção da salvação. Neste grupo encontram-se os evangélicos de denominações históricas renovadas e os pentecostais. 3) Ortodoxos: aqueles que afirmam a ocorrência do Batismo com o Espirito Santo, nos dias atuais, como sendo uma única benção, recebida simultaneamente no momento da salvação. A seguir examinaremos cada uma delas.
1. A POSIÇÃO HISTÓRICA:
Os que defendem esta posição advogam que o Pentecostes é um fato histórico irrepetível, e sua ocorrência inclui somente os apóstolos, embora admitam que seus efeitos perdurem até os dias atuais: "Somente sobre os apóstolos se cumpriu a promessa porque à eles apenas fôra garantida por Jesus... Tanto mais que, passando os fatos, Pedro pôs-se em pé com os ONZE e falou à multidão (At.2:14). Se naquela multidão dos cento e vinte, incluindo-se Maria mãe de Jesus e os irmãos dele, houvesse participado do evento do Pentecoste recebendo o Batismo no Espirito Santo, o registro sacro tê-lo-ia mencionado e não apenas sublinhado o pormenor de somente os apóstolos terem se posto em pé." [1]
Para fundamentar esta corrente, seus defensores consideram as passagens que fazem menção ao batismo, como se referindo exclusivamente ao batismo da águas:
Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida (Rm.6:3,4).
Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito (I Co.12:13).
Tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos (Cl.2:12).
Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl.3:27).
Que também agora, por uma verdadeira figura do batismo, vos salva, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo (I Pe.3:21).
Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos (Ef.4:5).
Comentando sobre a passagem de Efésios 4:5 o Dr. I. M. Haldeman afirma tratar-se do batismo com água: "Se fosse o Batismo do Espirito Santo, o batismo com água seria excluído. Não há autoridade nem lugar para ele. Nenhum ministro teria direito de efetuá-lo, e submeter-se a ele seria não só sem autoridade como também inútil, totalmente sem sentido. Se é o batismo com água, o Batismo do Espirito Santo não é efetivo por mais tempo. O batismo tem que ser um ou outro, o do Espirito Santo ou o da água." [2]
Refutamos esta posição, ainda que seja ela sustentada por homens de erudição. No entanto não estamos sozinhos quando defendemos posição diferente desta. O Dr. Lewis Sperry Chafer também a refuta: "Aqui o Dr. Haldemam admite a perplexidade que surge quando se supõe que há dois batismos independentes e não relacionados na igreja - o da água, relacionado com a morte de Cristo, e o outro relacionado com o Espirito Santo. Aparentemente o Dr. Haldeman sustenta junto com outros de sua escola exegética, que o batismo foi efetuado para todos, e uma vez por todas no Pentecostes, que antecipou a companhia elegida que seria salva, e que, sendo executado no princípio da história da igreja, não entra em conflito com o batismo ritual. Mas seguramente a mera questão de tempo, para determinar quando foi operado o batismo do Espirito Santo, não muda o fato daquele batismo particular, que bem pode ser, ainda que se operasse no dia de Pentecostes, o batismo de Efésios 4:5." [3]
Obviamente um fato histórico não se repete. Um fato semelhante pode repetir-se, mas terá sido outro e não o mesmo fato. Sendo assim, o Pentecostes, quando considerado historicamente, não se repete na igreja de Cristo, mas como evento e manifestação do Espirito Santo vem se repetindo ao longo do tempo, na vida de cada cristão que recebe a Cristo como seu Salvador. Então é claro que as passagens que falam do batismo tratam de uma operação divina e não meramente do batismo das águas. Para corroborar nossa posição citamos as palavras do Dr. Unger que também combate esta corrente: "O apóstolo Paulo falando de um batismo em Efésios 4:5, seguramente está falando do Batismo do Espirito, o qual é semelhante ao caso de Romanos 6:3, Colossenses 2:12 e Gálatas 3:27. Quando ele descreve esta transcendental operação como um batismo, e como uma das sete unidades essenciais que há de se reconhecer e guardar para manter a unidade cristã e a concórdia, quer dizer necessariamente, que não há de administrar-se mais o batismo da água? Não quer dizer meramente, há um só batismo (espiritual)? Seu tema em Romanos 6:3,4, Colossenses 2:12 e Gálatas 3:27 não é o batismo da água como não é em Efésios 4:5. Nestas passagens o santo apóstolo para nada está considerando o batismo ritual. A sublimidade de pensamento, o contexto do argumento, a exaltada natureza das realidades ensinadas concorrem fortemente em apoio desta posição. Ele está falando de algo infinitamente mais alto, não de uma mera ordenança simbólica que não tem poder para operar uma mudança interior, senão de uma operação divina que nos coloca eternamente em Cristo, e em suas experiências de crucificação, morte, sepultura e ressurreição." [4]
2. A POSIÇÃO PENTECOSTAL:
Para os adeptos da posição pentecostal o Batismo com o Espirito Santo é uma operação separada da obra da regeneração: "O Batismo com o Espirito Santo é uma operação do Espirito Santo, Separada e distinta de sua obra regeneradora. Ser regenerado pelo Espirito Santo é uma coisa, e ser batizado com o Espirito Santo é algo totalmente diferente, é uma outra coisa. Isso está claro em Atos 1:5a, onde Jesus disse: sereis batizados com o Espirito Santo, não muito depois destes dias. Até então ainda não haviam sido batizados com o Espirito Santo, mas já eram homens regenerados. O próprio Senhor Jesus já havia afirmado isso. Em João 15:3 ele dissera aos mesmos homens: Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado." [5]
Para Torrey o Batismo com o Espirito Santo é uma segunda benção, subseqüente à benção da salvação. Para ele é uma experiência recebida depois da regeneração, e não no momento dela. Ele faz da experiência dos apóstolos, norma para nossos dias. Segundo Torrey, a regra aplicada aos apóstolos, que receberam um batismo subseqüente, é também aplicável à todos os crentes depois do Pentecoste. Para ele o Batismo com o Espirito Santo não é uma benção com a finalidade de salvar o pecador, mas uma segunda benção que tem a finalidade de outorgar poder para servir: "O Batismo com o Espirito Santo outorga poder, poder para servir." [6]
Outro defensor desta corrente advoga que o Batismo com o Espirito Santo não é um fato histórico, não é a obra de regeneração e tampouco a união do crente ao corpo de Cristo: "Na mente de muitos intérpretes da Bíblia, Batismo do Espirito Santo se confunde com o Espirito Santo que desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes em Jerusalém... Para estes, nada mais é do que um evento histórico já cumprido. Para outros, entretanto, é o momento quando o pecador recebe a Cristo. Vale dizer que ser batizado no Espirito Santo, é crer e receber a Cristo como Salvador. Confunde-se batismo no Espirito Santo com regeneração. Outros advogam que o batismo no Espirito Santo é o momento quando o Espirito de Deus une o crente ao corpo místico de Cristo, isto é, à sua igreja." [7]
Vejamos ainda o que pensa Vasconcélos, outro autor que defende esta posição. Ele comenta sobre João 14:17: "Observemos os tempos destes dois verbos: primeiro vejamos o que diz habita convosco. O verbo no presente indicando ato consumado, e a preposição com ligada à variação pronominal vosco indicando coabitação em nossa companhia. O segundo diz: estará em vós. Aqui vemos o verbo no futuro deixando transparecer a condição de sua vinda, e a preposição indicando posição, isto é, sua estada em nós, dentro de nós. Aquela posição, convosco, é a que o Espirito Santo exerce em relação à igreja e aos crentes de modo geral, enquanto esta, em vós, demonstra a posição que o Espirito Santo ocupa no crente que lhe dá lugar em sua vida, isto é, que recebe o Batismo com o Espirito Santo..." [8]
A referência bíblica usada por Vasconcélos não tem nenhuma relação com o Batismo do Espirito Santo, mas sim com o seu ministério permanente e mais abrangente na presente dispensação da igreja. Para refutá-lo citamos o próprio Enéas Tognini: "O verbo habitar está no presente e indica ação continuada, e pode ser traduzido assim: habita em vós, continua habitando e não pode deixar de habitar em vós." [9]
Concordamos com Torrey e Tognini quando asseveram que o Batismo com o Espirito Santo não é a mesma coisa que a obra da regeneração. Concordamos também quando afirmam, de forma explícita ou implícita, que o Batismo com o Espirito Santo não é meramente um fato histórico irrepetível. Porém discordamos em um aspecto. O Batismo com o Espirito Santo não é uma segunda benção subseqüente à benção da regeneração, mas está incluída em todas as bênçãos recebidas pelo cristão no momento em que a sua regeneração ocorre (Ef.1:3).
Para sustentar a tese da segunda bênção, seus adeptos necessitam elaborar uma doutrina que advogue a existência de dois batismos, e ao fazerem isto insurgem-se contra as palavras de Paulo em Efésios 4:5 onde lemos que há um só batismo. Para adaptar suas crenças, forçam esta passagem afirmando que era o batismo das águas o que Paulo tinha em mente, quando escreveu essas palavras.
Os dois batismos, defendido pela corrente pentecostal são: (1) O Batismo do Espirito Santo. (2) O Batismo com o Espirito Santo.
(1) O Batismo do Espirito Santo: Este batismo é a primeira benção recebida pelo crente. Ela ocorre quando ele recebe Cristo em seu coração; o Espirito é o agente que opera a regeneração e o batiza no corpo de Cristo.
(2) O Batismo com o Espirito Santo: Este batismo é a segunda bênção recebida pelo crente, depois de sua regeneração. Esta operação ocorre quando Cristo batiza o crente com o Espirito Santo. Neste caso Cristo é o agente batizador e o Espirito é o elemento no qual o crente é batizado.
Segundo esta corrente há dois agentes e dois elementos distintos um do outro, e dois momentos separados pelo tempo. Assim sendo a preposição do indica o agente que executa o batismo, enquanto com indica o instrumento pelo qual o cristão é batizado, e no indica o elemento ou o alvo do batismo. Por causa disto os pentecostais fazem questão de diferenciar o Batismo do (ou pelo) Espirito Santo, do Batismo com (ou no) o Espirito Santo.
3. A POSIÇÃO ORTODOXA:
Esta é a posição que defendemos. Para entendê-la devemos primeiramente definir o que é o Batismo do Espirito Santo. Segundo cremos, o Batismo do ou com[10] o Espirito Santo é a operação sobrenatural do Espirito Santo através da qual o pecador, convertido e regenerado, é separado do mundo e unido à Cristo, em seu corpo que é a igreja (I Co.12:13; I Pe.2:9).
Segundo esta definição há um só batismo espiritual (Ef.4:5), e não dois batismos como querem os irmãos pentecostais.
Antes de prosseguirmos devemos esclarecer alguns pontos. Fazemos distinção entre derramamento do Espirito ou unção do Espirito e batismo do Espirito Santo. Fazemos distinção entre batismo e regeneração, entre batismo e plenitude do Espirito. Se esta regra fosse aplicada adequadamente muita confusão seria evitada.
O pastor Enéas Tognini, por exemplo, que defende a posição pentecostal, acertadamente assevera que o Batismo com o Espirito Santo não é a regeneração, mas acaba por confundir batismo com plenitude do Espirito. O Dr. Haldeman que defende a posição histórica, confunde o derramamento do Espirito com o Batismo com o Espirito Santo, como fato histórico irrepetível.
Vejamos então as diferenças existentes nestas diversas operações divinas.
(1) O Derramamento do Espirito:
O derramamento do Espirito Santo era uma promessa, feita por intermédio dos profetas (Provérbios 1:23; Isaías 44:3; Joel 2:28,29), que deveria cumprir-se nos últimos dias. Historicamente, esta promessa cumpriu-se no dia de Pentecoste (At.2:17,18,33; Tt.3:6). Ela é única e irrepetível. Ocorreu uma única vez sobre os gentios, sobre toda a carne, e ocorrerá, no futuro, uma única vez sobre a casa de Israel.
"E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne..."(Ml.4:18).
"E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne..." (At.2:17).
"Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas..." (Zc.12:10).
E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne..." (Ap.22:17).
O derramamento do Espirito como um fato histórico prometido é irrepetível, pois até o momento do Pentecoste o Espirito era derramado, não sobre toda a carne, mas sobre alguns crentes, com propósitos específicos.
Havia, por exemplo, a unção de rei (Jz.9:8,15; I Sm.9:16; 10:1,17; 16:3,12,13) que tinha por finalidade transmitir autoridade divina para governar (Sl.45:7). Havia a unção de sacerdote (Ex.29:7) cuja finalidade era consagrar o sacerdote para o ministério. Havia a unção de profeta (Is.61:1; Ez.16:9), que transmitia o cargo profético àquele que era ungido (Lc.4:18).
Por semelhança Jesus Cristo recebeu a unção real e sacerdotal (Lc.4:18; At.4:27). Ele também recebeu a unção de alegria, isto é, de exaltação (Hb.1:9).
Antes do Pentecoste, os apóstolos receberam a unção do conhecimento (Jo.20:22; Lc.24:45; Pv.32:8).
"E havendo dito isso, assoprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo" (Jo.20:22).
"Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras" (Lc.24:45).
"Há, porém, um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz entendido" (Pv.32:8).
No Pentecoste Deus enviou a unção do Espirito sobre toda a carne para a formação do seu corpo, a igreja, composta de judeus e gentios (II Co.1:21,22).
"Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e nos deu como penhor o Espírito em nossos corações" (II Co.1:21,22).
"...o amor de Deus está[11] derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm.5:5).
A partir do Pentecoste o Espirito não é mais derramado individualmente sobre o crente, mas o crente é que é batizado (derramado) no corpo de Cristo, sobre o qual o Espirito já foi derramado, e uma vez introduzido no corpo de Cristo, beneficia-se desta unção. Antes do Pentecoste o Espirito era derramado muitas vezes. Lemos no Antigo Testamento que o Espirito Santo vinha sobre os homens muitas vezes porque não permanecia permanentemente com eles (Nm.24:2; Jz.15:14; I Sm.10:10; 11:6; II Sm.19:20,23; I Cr.12:18; II Cr.15:1; II Cr.20:14; II Cr.24:20). Mas depois do derramamento do Espirito Santo no Pentecoste já não há necessidade deste derramamento repetir-se, porque o Espirito foi derramado permanentemente sobre o corpo de Cristo.
No Antigo Testamento encontramos três exemplos que ilustram a permanência temporária do Espirito Santo com os homens. Diz a Bíblia que o Espirito Santo, que fôra derramado sobre o rei Saul, havia se retirado dele (I Sm.18:12). O mesmo ocorreu com Sansão [12] (Jz.16:20). O mesmo fato quase se efetuou com o rei Davi. Entretanto como ele se arrependeu, o Espirito Santo continuou presente em sua vida (Sl.51:11). Quase tudo na dispensação da lei era provisório, porque apontava para o ministério do Espirito que viria e que é permanente (II Co.3:10,11). Quando alguém pecava, o Espirito Santo se afastava. Hoje, no entanto, quando um cristão comete pecado, o Espirito não se retira dele. O Espirito pode entristecer-se ou ter sua obra sufocada (Ef.4:30; I Ts.5:19), mas Ele jamais se afasta do crente (Mt.28:20; Jo.14:16,17; I Jo.2:27).
Se não estávamos presentes no dia de Pentecoste, como podemos afirmar que fomos ungidos, conforme afirma Paulo em sua Segunda carta aos Coríntios, em 1:21,22 e em Tito 3:5,6?
Ora, o corpo de Cristo, que é a sua igreja, é muitas vezes designado de corpo místico. Esta expressão refere-se ao fato dela compor-se de cristãos de todas as épocas. Ele compõe-se de crentes que já morreram, dos crentes que vivem atualmente e daqueles que virão a crer. Este corpo é a igreja universal de Deus, mencionada em Hebreus 12:22,23. É sobre esta igreja que Deus derramou seu Espirito, e da mesma forma que Levi pagou dízimos porque estava nos lombos de seu pai (Hb.7:10), nós fomos ungidos, porquanto estávamos presente "nos lombos" da igreja universal de Deus, nascida no dia de Pentecoste.
Nesse sentido a unção que recebemos são os efeitos do derramamento do Espirito no dia de Pentecoste, um fato histórico único e irrepetível. Entretanto, cada crente, no seu tempo devido é batizado no Espirito Santo. Esta experiência é distinta e individual. O Batismo com o Espirito Santo é resultado do derramamento do Espirito. Se não houvesse derramamento, o Batismo do Espirito não existiria. Fomos ungidos, como corpo de Cristo, no Pentecoste, mas como indivíduos fomos batizados cada um no seu próprio tempo.
Antes de prosseguirmos com o estudo do batismo com o Espirito Santo convém estudarmos a diferença entre batismo e regeneração.
Um exame da oração sacerdotal de Cristo, em João 17, nos trará alguns esclarecimentos.
Cristo fez duas vezes a mesma declaração em sua oração sacerdotal. Duas vezes disse ele: "eles não são deste mundo assim como eu não sou deste mundo" (Jo.17:14,16). Por que esta repetição, senão para dar ênfase à verdade da separação do crente deste mundo?
Cristo fez quatro petições similares em sua oração:
(1) "...que sejam um assim como nós"(Jo.17:11);
(2) "...que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós"(Jo.17:21);
(3) "...que sejam um, como nós somos um"(Jo.17:22);
(4) "...que sejam perfeitos em unidade"(Jo.17:23).
Há três grandes unidades demonstrada nesta oração:
(1) A unidade entre as pessoas da divindade;
(2) A unidade entre as pessoas da divindade e o crente;
(3) A unidade entre os próprios crentes.
Obviamente trata-se de uma obra de caráter sobrenatual. Quão trágico e deplorável é o conceito de se conceber esta unidade em torno de mera membresia ou organização eclesiástica.
Esta quádruple petição de Cristo foi primariamente consumada no dia de Pentecoste, quando todos os crentes ali existentes foram batizados em um corpo pelo Espirito Santo, formando assim o corpo de Cristo, e todos beberam de um mesmo Espirito, a fim de que pudesse existir uma unidade entre as pessoas da divindade e os crentes. Àqueles cristãos originais (os 120), e através da mesma operação do Espirito Santo hoje (batismo), todos os que vão sendo salvos, desde aquele dia até hoje, vão sendo unidos à Cristo, no momento em que crêem.
Duas ilustrações divinas desta união produzida entre Cristo e o crente são encontradas nas Escrituras:
(1) A figura da videira (Jo.15:1-7);
(2) A figura da oliveira (Rm.11:17).
Esta união é claramente expressa nas palavras de Jesus: "...vós em mim, e eu em vós..." (Jo. 14:20). Nessas palavras se reconhece dois ministérios do Espirito:
(1) Regeneração: formar Cristo no crente (Gl.4:19), ou seja, a obra da regeneração ("eu em vós");
(2) Batismo: colocar o crente em Cristo, ou seja a obra do batismo que ele realiza ("vós em mim").
(2) O Batismo com o Espirito Santo:
Agora que já examinamos a diferença entre unção e batismo, batismo e regeneração, prosseguiremos no estudo do Batismo do Espirito Santo.
Convém relembrarmos a definição de batismo: o Batismo do ou com o Espirito Santo é a operação sobrenatural do Espirito Santo através da qual o pecador, convertido e regenerado, é separado do mundo e unido à Cristo, em seu corpo que é a igreja (I Co.12:13; I Pe.2:9).
Esta definição é baseada na passagem de ICo.12:13: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo", e seu sentido indica que o crente é simultaneamente (1) batizado pelo Espirito Santo em Cristo e no seu corpo, na sua morte (Rm.6:3-5; Gl.3:27) e (2) batizado por Jesus Cristo com o Espirito Santo (Mc.1:8; At.1:5).
A preposição grega en (en) usada na expressão "em um só Espirito" é dativo[13] e indica O objeto indireto da frase, podendo indicar tanto um local como um instrumento[14]. Esta expressão, portanto significa que fomos batizado no (em + o) Espirito (local) e pelo (através de ) Espirito (instrumento). Vemos então que Cristo é o agente batizador e não o Espirito. O Espirito Santo é o elemento no qual Cristo nos batiza; é o instrumento usado por Cristo para realizar em nós este ministério. Concluímos portanto que todos aqueles que fazem parte do corpo de Cristo foram por ele batizados no (local) Espirito Santo, pelo (instrumento) Espirito Santo e com o (elemento) Espirito Santo (Rm.8:9).
Já a Segunda preposição eis (eiV) usada na expressão "...em um corpo" é acusativo e indica causa, propósito. Portanto o sentido da passagem é que "através de um só Espirito todos nós fomos batizados (por Cristo) com o propósito de formar um corpo".
O Espirito Santo não é o agente, mas sempre o elemento ou instrumento usado por Cristo no ato do batismo. Este sentido é encontrado também em Gálatas: "Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo" (Gl.3:27). Não há nenhuma indicação nesta passagem de ser o Espirito Santo o agente batizador no corpo de Cristo.
Por fim é lícito observar que esta obra de Cristo, realizada através do seu Espirito, ocorre no momento da regeneração, e não separada dela, embora não seja a mesma coisa.
A passagem usada pelos irmãos pentecostais para defenderem um segundo batismo encontra-se em Atos 19:1-6:
"1 E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo tendo atravessado as regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, 2 perguntou-lhes: Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes? Responderam-lhe eles: Não, nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo. 3 Tornou-lhes ele: Em que fostes batizados então? E eles disseram: No batismo de João. 4 Mas Paulo respondeu: João administrou o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que após ele havia de vir, isto é, em Jesus. 5 Quando ouviram isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. 6 Havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo..." (Atos 19:1-6).
Devemos notar que Paulo vinculou o recebimento do batismo do Espirito Santo ao momento da conversão: "...quando crestes?"
O texto também nos informa que foram batizados nas águas em nome do Senhor Jesus e em seguida receberam o batismo do Espirito Santo. Este fato demonstra a ligação entre o batismo de arrependimento, simbolizado pelo batismo ritual, realizado nas águas, e o batismo espiritual do Espirito Santo, realizado por Cristo (em nome do Senhor Jesus) através do seu Espirito.
"Seja Deus verdadeiro e mentiroso todo o homem, segundo está escrito..."(Rm.3:4), pois "Há somente um corpo e um só Espirito, como também fostes chamados... há um só Senhor, uma só fé, um só batismo..."(Ef.4:4,5). Se houvessem dois batismos haveriam dois corpos de Cristo, dois Espiritos, dois Senhores, mas o crente é batizado uma única vez no único corpo de Cristo, de uma vez para sempre. Amém!
Devemos considerar o fato de que a mesma palavra baptízo (baptizo) se usa no Novo Testamento tanto para seu significado real como para batismo ritual, estabelecendo assim uma relação entre esses dois aspectos do batismo.
A palavra básica desta raiz, bápto (bapto), em seu sentido primário conota uma submersão e ocorre somente três vezes no Novo Testamento (Lc.16:24; Jo.13:26 e Ap.19:13). Em seu sentido secundário, que é morrer ou tingir[15], tem o sentido de imersão, mas nem sempre tem esse sentido, pois ela aparece na LXX em Is.63:1-6, onde o Messias é apresentado com suas vestes tingidas de sangue, e aparece em Ap.19:13 com o mesmo sentido. Obviamente as roupas do Messias não foram submergidas numa bacia de sangue, mas foram salpicadas com sangue.
A palavra baptízo também tem dois significados. O sentido primário indica uma submersão, um envolvimento físico (dentro de) em um elemento, o qual tem poder para influenciar ou modificar aquilo que é envolvido. Em seu significado secundário, se afasta do seu aspecto físico original e se refere à uma coisa sob a qual é colocado o objeto. Seu significado secundário se deriva do significado primário, já que representa um objeto que está sendo posto debaixo da influência de outro, completamente distinto de qualquer envolvimento físico ou inclusão.
A mesma distinção é percebida nas palavras gregas bápto e baptízo em seus equivalentes na língua portuguesa que são submersão e imersão. Uma submersão é um contato momentâneo que envolve duas ações: (1) meter em e (2) sacar de. No estrito uso do termo, o batismo ritual não é uma imersão, isto resultaria em morte por afogamento. O que comumente se designa como imersão, melhor se descreve pela palavra bápto em seu significado primário.
Certamente não se vislumbra nenhuma sepultura física quando a Escritura fala de batismo de arrependimento (Mt.3:11), batismo para remissão de pecados (Mc.1:4), batismo em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo (Mt.28:19), quando Cristo foi batizado ao tomar o cálice de sofrimento (Mt.20:23; Lc.12:50), do batismo de Israel em Moisés (ICo.10:2).
Estes batismos não representam nenhuma sepultura física, e devem classificar-se entre os que pertencem ao uso secundário de baptízo.
Nenhum destes batismos poderia ser classificado como bápto em seu sentido primário ou secundário. Não poderiam ser meramente uma submersão dentro de um elemento, porque eles são apresentados como em estado permanente. Quando um crente é batizado em Cristo pelo Espirito Santo, ele não será separado nunca mais. Ser batizado para arrependimento é colocar-se debaixo da influência do arrependimento, não apenas por um momento, mas para sempre. Ser batizado para remissão dos pecados é ser colocado debaixo do poder e valor da remissão de pecados, não apenas por um momento, mas para sempre. Ser batizado em nome do Deus Triúno é ser conduzido sob a influência de Deus, não por um momento, mas para sempre. Ser batizado em Moisés como foi Israel através da nuvem e do mar, é ser colocado debaixo da direção de Moisés, não momentaneamente, mas para sempre. Ser batizado na morte e ressurreição de Cristo é ser identificado com ele nessa morte e ressurreição, para que todos os seus valores sejam assegurados, não apenas por um momento, mas para toda a eternidade. Ser batizado no corpo de Cristo é ser colocado debaixo do poder e supremacia de Cristo, é estar unido ao Senhor, ser identificado com ele, participar do que ele é e do que ele fez, não por um certo tempo, mas para todo o sempre.
II. A PLENITUDE DO ESPIRITO SANTO:
Plenitude do Espirito Santo é uma relação íntima do crente com Deus, através do Espirito Santo, que resulta em submissão e obediência.
A palavra plenitude está relacionada ao enchimento do Espirito Santo. Plenitude é tradução da palavra grega pléroma (plhroma). A plenitude em seu sentido absoluto é aplicada somente a Cristo, pois "...nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade..." (Cl.2:9). Ao cristão, porém, plenitude é aplicável em sentido restrito, porque recebemos de Cristo parte de sua plenitude (Jo.1:16).
Freqüentemente o batismo do Espirito Santo é confundido com a plenitude do Espirito. Um contraste entre o batismo e plenite trará esclarecimentos no sentido de demonstrar a difereneça entre ambos. Vejamos:
(1) De maneira permanente o batismo em Cristo pelo Espirito é efetuado uma única vez, quando o crente é salvo, e permanece como uma realidade imutável para o tempo e para a eternidade, enquanto que a plenitude do Espirito pode ser simultânea ou subseqüente à salvação, podendo repetir-se variadas vezes.
(2) Não há experiência ou plenitude relacionada com o batismo do crente, pois todas as manifestações de bênçãos e de poder estão relacionadas diretamente com a plenitude do Espirito.
(3) Nunca se ordena aos cristãos que sejam batizados em Cristo pelo Espirito, mas cada filho de Deus é exortado a ser pleno constantemente do Espirito.
(4) Todo o crente é batizado em Cristo pelo Espirito, mas nem todo o crente necessariamente é pleno do Espirito.
(5) O batismo em Cristo pelo Espirito resulta no fato de que o crente está unido vitalmente com Cristo por toda a eternidade, enquanto que a plenitude do Espirito produz manifestações externas de bênçãos para o tempo presente. O batismo é um aspecto da salvação, enquanto a plenitude se relaciona com serviço e galardão.
(6) O batismo em Cristo pelo Espirito se efetua quando se cumpre a ordem da salvação, enquanto que a obra da plenitude é tal que coloca o cristão, dia após dia, em relação correta com o Salvador.
CONCLUSÃO
O Batismo com o Espirito Santo não é um fato histórico irrepetível. Ele se repete na história, na vida de cada cristão que recebe a Cristo como seu Salvador. Quando o pecador se arrepende ele é batizado no Espirito Santo e é introduzido no corpo de Cristo.
O Batismo com o Espirito Santo não é exclusividade dos apóstolos, pois Paulo assevera que todos nós fomos batizados em um Espirito formando um corpo (I Co.12:13).
O Batismo com o Espirito Santo não é regeneração, embora seja simultâneo com ela. A regeneração pode ser descrita como Cristo em nós (Cl.1:27). O batismo pode ser descrito como nós em Cristo (Gl.3:27).
O Batismo com o Espirito Santo não é uma Segunda benção, pois não é subseqüente à obra da regeneração. O Batismo com o Espirito Santo é uma benção espiritual, e Deus já nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo (Ef.1:3).
O Batismo com o Espirito Santo não é unção ou derramamento do Espirito Santo. O derramamento do Espirito ocorreu no dia de Pentecostes sobre os 120 para formação da igreja, e deste derramamento nos beneficiamos hoje, uma vez que somos parte do corpo místico de Cristo.
O Batismo com o Espirito Santo não se repete diversas vezes na vida do crente. Ele é batizado uma única vez e para todo o sempre. O batismo não pode perder-se ou repetir-se, pois permanece para sempre.
O Batismo com o Espirito Santo não é a plenitude do Espirito Santo, pois a plenitude pode perder-se tantas vezes quanto pode ser recuperada e repetida.
Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito. (I Coríntios 12:13).
Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos. (Efésios 4: 4-6).
INTRODUÇÃO
Por meio do Batismo com o Espirito Santo as mais ricas bênçãos são concedidas aos crentes. Por esta razão Satanás tem feito todo o possível para perverter este ministério específico do Espirito Santo.
A mais importante de todas as bênçãos, recebidas pelo Batismo do Espirito Santo, é a unidade de Igreja. Não são os dons extraordinários, pois estes têm o papel fundamental de promover o crescimento e, consequentemente, também a unidade (Ef.4:7-16). É por isso que Satanás procura perverter este ministério, pois trazendo confusão ele consegue promover a discórdia entre o povo de Deus.
Quando um grupo se levanta no seio da igreja local alegando autoridade ou espiritualidade, porque, por meio deles Deus tem feito maravilhas extraordinárias, ou tem se manifestado à eles de maneira exclusiva, certamente este grupo não fala em nome de Deus, pois a discórdia e a divisão é prova de que o Espirito Santo não atua neles. Jamais o Espirito Santo operaria um ministério que trouxesse divisão entre o seu povo.
O objetivo deste trabalho é esclarecer questões relacionadas a esta doutrina, almejando o fim de toda discórdia, para promover o reino de Deus.
I. BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
Encontramos três correntes teológicas entre os evangélicos: 1) Históricos: aqueles que negam a ocorrência do Batismo com o Espirito Santo nos dias atuais. Neste grupo encontram-se os ultra-tradicionais. 2) Renovados e Pentecostais: aqueles que afirmam a ocorrência do Batismo com o Espirito Santo, nos dias atuais, como sendo uma segunda benção, subseqüente à benção da salvação. Neste grupo encontram-se os evangélicos de denominações históricas renovadas e os pentecostais. 3) Ortodoxos: aqueles que afirmam a ocorrência do Batismo com o Espirito Santo, nos dias atuais, como sendo uma única benção, recebida simultaneamente no momento da salvação. A seguir examinaremos cada uma delas.
1. A POSIÇÃO HISTÓRICA:
Os que defendem esta posição advogam que o Pentecostes é um fato histórico irrepetível, e sua ocorrência inclui somente os apóstolos, embora admitam que seus efeitos perdurem até os dias atuais: "Somente sobre os apóstolos se cumpriu a promessa porque à eles apenas fôra garantida por Jesus... Tanto mais que, passando os fatos, Pedro pôs-se em pé com os ONZE e falou à multidão (At.2:14). Se naquela multidão dos cento e vinte, incluindo-se Maria mãe de Jesus e os irmãos dele, houvesse participado do evento do Pentecoste recebendo o Batismo no Espirito Santo, o registro sacro tê-lo-ia mencionado e não apenas sublinhado o pormenor de somente os apóstolos terem se posto em pé." [1]
Para fundamentar esta corrente, seus defensores consideram as passagens que fazem menção ao batismo, como se referindo exclusivamente ao batismo da águas:
Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida (Rm.6:3,4).
Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito (I Co.12:13).
Tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos (Cl.2:12).
Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl.3:27).
Que também agora, por uma verdadeira figura do batismo, vos salva, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo (I Pe.3:21).
Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos (Ef.4:5).
Comentando sobre a passagem de Efésios 4:5 o Dr. I. M. Haldeman afirma tratar-se do batismo com água: "Se fosse o Batismo do Espirito Santo, o batismo com água seria excluído. Não há autoridade nem lugar para ele. Nenhum ministro teria direito de efetuá-lo, e submeter-se a ele seria não só sem autoridade como também inútil, totalmente sem sentido. Se é o batismo com água, o Batismo do Espirito Santo não é efetivo por mais tempo. O batismo tem que ser um ou outro, o do Espirito Santo ou o da água." [2]
Refutamos esta posição, ainda que seja ela sustentada por homens de erudição. No entanto não estamos sozinhos quando defendemos posição diferente desta. O Dr. Lewis Sperry Chafer também a refuta: "Aqui o Dr. Haldemam admite a perplexidade que surge quando se supõe que há dois batismos independentes e não relacionados na igreja - o da água, relacionado com a morte de Cristo, e o outro relacionado com o Espirito Santo. Aparentemente o Dr. Haldeman sustenta junto com outros de sua escola exegética, que o batismo foi efetuado para todos, e uma vez por todas no Pentecostes, que antecipou a companhia elegida que seria salva, e que, sendo executado no princípio da história da igreja, não entra em conflito com o batismo ritual. Mas seguramente a mera questão de tempo, para determinar quando foi operado o batismo do Espirito Santo, não muda o fato daquele batismo particular, que bem pode ser, ainda que se operasse no dia de Pentecostes, o batismo de Efésios 4:5." [3]
Obviamente um fato histórico não se repete. Um fato semelhante pode repetir-se, mas terá sido outro e não o mesmo fato. Sendo assim, o Pentecostes, quando considerado historicamente, não se repete na igreja de Cristo, mas como evento e manifestação do Espirito Santo vem se repetindo ao longo do tempo, na vida de cada cristão que recebe a Cristo como seu Salvador. Então é claro que as passagens que falam do batismo tratam de uma operação divina e não meramente do batismo das águas. Para corroborar nossa posição citamos as palavras do Dr. Unger que também combate esta corrente: "O apóstolo Paulo falando de um batismo em Efésios 4:5, seguramente está falando do Batismo do Espirito, o qual é semelhante ao caso de Romanos 6:3, Colossenses 2:12 e Gálatas 3:27. Quando ele descreve esta transcendental operação como um batismo, e como uma das sete unidades essenciais que há de se reconhecer e guardar para manter a unidade cristã e a concórdia, quer dizer necessariamente, que não há de administrar-se mais o batismo da água? Não quer dizer meramente, há um só batismo (espiritual)? Seu tema em Romanos 6:3,4, Colossenses 2:12 e Gálatas 3:27 não é o batismo da água como não é em Efésios 4:5. Nestas passagens o santo apóstolo para nada está considerando o batismo ritual. A sublimidade de pensamento, o contexto do argumento, a exaltada natureza das realidades ensinadas concorrem fortemente em apoio desta posição. Ele está falando de algo infinitamente mais alto, não de uma mera ordenança simbólica que não tem poder para operar uma mudança interior, senão de uma operação divina que nos coloca eternamente em Cristo, e em suas experiências de crucificação, morte, sepultura e ressurreição." [4]
2. A POSIÇÃO PENTECOSTAL:
Para os adeptos da posição pentecostal o Batismo com o Espirito Santo é uma operação separada da obra da regeneração: "O Batismo com o Espirito Santo é uma operação do Espirito Santo, Separada e distinta de sua obra regeneradora. Ser regenerado pelo Espirito Santo é uma coisa, e ser batizado com o Espirito Santo é algo totalmente diferente, é uma outra coisa. Isso está claro em Atos 1:5a, onde Jesus disse: sereis batizados com o Espirito Santo, não muito depois destes dias. Até então ainda não haviam sido batizados com o Espirito Santo, mas já eram homens regenerados. O próprio Senhor Jesus já havia afirmado isso. Em João 15:3 ele dissera aos mesmos homens: Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado." [5]
Para Torrey o Batismo com o Espirito Santo é uma segunda benção, subseqüente à benção da salvação. Para ele é uma experiência recebida depois da regeneração, e não no momento dela. Ele faz da experiência dos apóstolos, norma para nossos dias. Segundo Torrey, a regra aplicada aos apóstolos, que receberam um batismo subseqüente, é também aplicável à todos os crentes depois do Pentecoste. Para ele o Batismo com o Espirito Santo não é uma benção com a finalidade de salvar o pecador, mas uma segunda benção que tem a finalidade de outorgar poder para servir: "O Batismo com o Espirito Santo outorga poder, poder para servir." [6]
Outro defensor desta corrente advoga que o Batismo com o Espirito Santo não é um fato histórico, não é a obra de regeneração e tampouco a união do crente ao corpo de Cristo: "Na mente de muitos intérpretes da Bíblia, Batismo do Espirito Santo se confunde com o Espirito Santo que desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes em Jerusalém... Para estes, nada mais é do que um evento histórico já cumprido. Para outros, entretanto, é o momento quando o pecador recebe a Cristo. Vale dizer que ser batizado no Espirito Santo, é crer e receber a Cristo como Salvador. Confunde-se batismo no Espirito Santo com regeneração. Outros advogam que o batismo no Espirito Santo é o momento quando o Espirito de Deus une o crente ao corpo místico de Cristo, isto é, à sua igreja." [7]
Vejamos ainda o que pensa Vasconcélos, outro autor que defende esta posição. Ele comenta sobre João 14:17: "Observemos os tempos destes dois verbos: primeiro vejamos o que diz habita convosco. O verbo no presente indicando ato consumado, e a preposição com ligada à variação pronominal vosco indicando coabitação em nossa companhia. O segundo diz: estará em vós. Aqui vemos o verbo no futuro deixando transparecer a condição de sua vinda, e a preposição indicando posição, isto é, sua estada em nós, dentro de nós. Aquela posição, convosco, é a que o Espirito Santo exerce em relação à igreja e aos crentes de modo geral, enquanto esta, em vós, demonstra a posição que o Espirito Santo ocupa no crente que lhe dá lugar em sua vida, isto é, que recebe o Batismo com o Espirito Santo..." [8]
A referência bíblica usada por Vasconcélos não tem nenhuma relação com o Batismo do Espirito Santo, mas sim com o seu ministério permanente e mais abrangente na presente dispensação da igreja. Para refutá-lo citamos o próprio Enéas Tognini: "O verbo habitar está no presente e indica ação continuada, e pode ser traduzido assim: habita em vós, continua habitando e não pode deixar de habitar em vós." [9]
Concordamos com Torrey e Tognini quando asseveram que o Batismo com o Espirito Santo não é a mesma coisa que a obra da regeneração. Concordamos também quando afirmam, de forma explícita ou implícita, que o Batismo com o Espirito Santo não é meramente um fato histórico irrepetível. Porém discordamos em um aspecto. O Batismo com o Espirito Santo não é uma segunda benção subseqüente à benção da regeneração, mas está incluída em todas as bênçãos recebidas pelo cristão no momento em que a sua regeneração ocorre (Ef.1:3).
Para sustentar a tese da segunda bênção, seus adeptos necessitam elaborar uma doutrina que advogue a existência de dois batismos, e ao fazerem isto insurgem-se contra as palavras de Paulo em Efésios 4:5 onde lemos que há um só batismo. Para adaptar suas crenças, forçam esta passagem afirmando que era o batismo das águas o que Paulo tinha em mente, quando escreveu essas palavras.
Os dois batismos, defendido pela corrente pentecostal são: (1) O Batismo do Espirito Santo. (2) O Batismo com o Espirito Santo.
(1) O Batismo do Espirito Santo: Este batismo é a primeira benção recebida pelo crente. Ela ocorre quando ele recebe Cristo em seu coração; o Espirito é o agente que opera a regeneração e o batiza no corpo de Cristo.
(2) O Batismo com o Espirito Santo: Este batismo é a segunda bênção recebida pelo crente, depois de sua regeneração. Esta operação ocorre quando Cristo batiza o crente com o Espirito Santo. Neste caso Cristo é o agente batizador e o Espirito é o elemento no qual o crente é batizado.
Segundo esta corrente há dois agentes e dois elementos distintos um do outro, e dois momentos separados pelo tempo. Assim sendo a preposição do indica o agente que executa o batismo, enquanto com indica o instrumento pelo qual o cristão é batizado, e no indica o elemento ou o alvo do batismo. Por causa disto os pentecostais fazem questão de diferenciar o Batismo do (ou pelo) Espirito Santo, do Batismo com (ou no) o Espirito Santo.
3. A POSIÇÃO ORTODOXA:
Esta é a posição que defendemos. Para entendê-la devemos primeiramente definir o que é o Batismo do Espirito Santo. Segundo cremos, o Batismo do ou com[10] o Espirito Santo é a operação sobrenatural do Espirito Santo através da qual o pecador, convertido e regenerado, é separado do mundo e unido à Cristo, em seu corpo que é a igreja (I Co.12:13; I Pe.2:9).
Segundo esta definição há um só batismo espiritual (Ef.4:5), e não dois batismos como querem os irmãos pentecostais.
Antes de prosseguirmos devemos esclarecer alguns pontos. Fazemos distinção entre derramamento do Espirito ou unção do Espirito e batismo do Espirito Santo. Fazemos distinção entre batismo e regeneração, entre batismo e plenitude do Espirito. Se esta regra fosse aplicada adequadamente muita confusão seria evitada.
O pastor Enéas Tognini, por exemplo, que defende a posição pentecostal, acertadamente assevera que o Batismo com o Espirito Santo não é a regeneração, mas acaba por confundir batismo com plenitude do Espirito. O Dr. Haldeman que defende a posição histórica, confunde o derramamento do Espirito com o Batismo com o Espirito Santo, como fato histórico irrepetível.
Vejamos então as diferenças existentes nestas diversas operações divinas.
(1) O Derramamento do Espirito:
O derramamento do Espirito Santo era uma promessa, feita por intermédio dos profetas (Provérbios 1:23; Isaías 44:3; Joel 2:28,29), que deveria cumprir-se nos últimos dias. Historicamente, esta promessa cumpriu-se no dia de Pentecoste (At.2:17,18,33; Tt.3:6). Ela é única e irrepetível. Ocorreu uma única vez sobre os gentios, sobre toda a carne, e ocorrerá, no futuro, uma única vez sobre a casa de Israel.
"E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne..."(Ml.4:18).
"E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne..." (At.2:17).
"Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas..." (Zc.12:10).
E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne..." (Ap.22:17).
O derramamento do Espirito como um fato histórico prometido é irrepetível, pois até o momento do Pentecoste o Espirito era derramado, não sobre toda a carne, mas sobre alguns crentes, com propósitos específicos.
Havia, por exemplo, a unção de rei (Jz.9:8,15; I Sm.9:16; 10:1,17; 16:3,12,13) que tinha por finalidade transmitir autoridade divina para governar (Sl.45:7). Havia a unção de sacerdote (Ex.29:7) cuja finalidade era consagrar o sacerdote para o ministério. Havia a unção de profeta (Is.61:1; Ez.16:9), que transmitia o cargo profético àquele que era ungido (Lc.4:18).
Por semelhança Jesus Cristo recebeu a unção real e sacerdotal (Lc.4:18; At.4:27). Ele também recebeu a unção de alegria, isto é, de exaltação (Hb.1:9).
Antes do Pentecoste, os apóstolos receberam a unção do conhecimento (Jo.20:22; Lc.24:45; Pv.32:8).
"E havendo dito isso, assoprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo" (Jo.20:22).
"Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras" (Lc.24:45).
"Há, porém, um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz entendido" (Pv.32:8).
No Pentecoste Deus enviou a unção do Espirito sobre toda a carne para a formação do seu corpo, a igreja, composta de judeus e gentios (II Co.1:21,22).
"Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e nos deu como penhor o Espírito em nossos corações" (II Co.1:21,22).
"...o amor de Deus está[11] derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm.5:5).
A partir do Pentecoste o Espirito não é mais derramado individualmente sobre o crente, mas o crente é que é batizado (derramado) no corpo de Cristo, sobre o qual o Espirito já foi derramado, e uma vez introduzido no corpo de Cristo, beneficia-se desta unção. Antes do Pentecoste o Espirito era derramado muitas vezes. Lemos no Antigo Testamento que o Espirito Santo vinha sobre os homens muitas vezes porque não permanecia permanentemente com eles (Nm.24:2; Jz.15:14; I Sm.10:10; 11:6; II Sm.19:20,23; I Cr.12:18; II Cr.15:1; II Cr.20:14; II Cr.24:20). Mas depois do derramamento do Espirito Santo no Pentecoste já não há necessidade deste derramamento repetir-se, porque o Espirito foi derramado permanentemente sobre o corpo de Cristo.
No Antigo Testamento encontramos três exemplos que ilustram a permanência temporária do Espirito Santo com os homens. Diz a Bíblia que o Espirito Santo, que fôra derramado sobre o rei Saul, havia se retirado dele (I Sm.18:12). O mesmo ocorreu com Sansão [12] (Jz.16:20). O mesmo fato quase se efetuou com o rei Davi. Entretanto como ele se arrependeu, o Espirito Santo continuou presente em sua vida (Sl.51:11). Quase tudo na dispensação da lei era provisório, porque apontava para o ministério do Espirito que viria e que é permanente (II Co.3:10,11). Quando alguém pecava, o Espirito Santo se afastava. Hoje, no entanto, quando um cristão comete pecado, o Espirito não se retira dele. O Espirito pode entristecer-se ou ter sua obra sufocada (Ef.4:30; I Ts.5:19), mas Ele jamais se afasta do crente (Mt.28:20; Jo.14:16,17; I Jo.2:27).
Se não estávamos presentes no dia de Pentecoste, como podemos afirmar que fomos ungidos, conforme afirma Paulo em sua Segunda carta aos Coríntios, em 1:21,22 e em Tito 3:5,6?
Ora, o corpo de Cristo, que é a sua igreja, é muitas vezes designado de corpo místico. Esta expressão refere-se ao fato dela compor-se de cristãos de todas as épocas. Ele compõe-se de crentes que já morreram, dos crentes que vivem atualmente e daqueles que virão a crer. Este corpo é a igreja universal de Deus, mencionada em Hebreus 12:22,23. É sobre esta igreja que Deus derramou seu Espirito, e da mesma forma que Levi pagou dízimos porque estava nos lombos de seu pai (Hb.7:10), nós fomos ungidos, porquanto estávamos presente "nos lombos" da igreja universal de Deus, nascida no dia de Pentecoste.
Nesse sentido a unção que recebemos são os efeitos do derramamento do Espirito no dia de Pentecoste, um fato histórico único e irrepetível. Entretanto, cada crente, no seu tempo devido é batizado no Espirito Santo. Esta experiência é distinta e individual. O Batismo com o Espirito Santo é resultado do derramamento do Espirito. Se não houvesse derramamento, o Batismo do Espirito não existiria. Fomos ungidos, como corpo de Cristo, no Pentecoste, mas como indivíduos fomos batizados cada um no seu próprio tempo.
Antes de prosseguirmos com o estudo do batismo com o Espirito Santo convém estudarmos a diferença entre batismo e regeneração.
Um exame da oração sacerdotal de Cristo, em João 17, nos trará alguns esclarecimentos.
Cristo fez duas vezes a mesma declaração em sua oração sacerdotal. Duas vezes disse ele: "eles não são deste mundo assim como eu não sou deste mundo" (Jo.17:14,16). Por que esta repetição, senão para dar ênfase à verdade da separação do crente deste mundo?
Cristo fez quatro petições similares em sua oração:
(1) "...que sejam um assim como nós"(Jo.17:11);
(2) "...que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós"(Jo.17:21);
(3) "...que sejam um, como nós somos um"(Jo.17:22);
(4) "...que sejam perfeitos em unidade"(Jo.17:23).
Há três grandes unidades demonstrada nesta oração:
(1) A unidade entre as pessoas da divindade;
(2) A unidade entre as pessoas da divindade e o crente;
(3) A unidade entre os próprios crentes.
Obviamente trata-se de uma obra de caráter sobrenatual. Quão trágico e deplorável é o conceito de se conceber esta unidade em torno de mera membresia ou organização eclesiástica.
Esta quádruple petição de Cristo foi primariamente consumada no dia de Pentecoste, quando todos os crentes ali existentes foram batizados em um corpo pelo Espirito Santo, formando assim o corpo de Cristo, e todos beberam de um mesmo Espirito, a fim de que pudesse existir uma unidade entre as pessoas da divindade e os crentes. Àqueles cristãos originais (os 120), e através da mesma operação do Espirito Santo hoje (batismo), todos os que vão sendo salvos, desde aquele dia até hoje, vão sendo unidos à Cristo, no momento em que crêem.
Duas ilustrações divinas desta união produzida entre Cristo e o crente são encontradas nas Escrituras:
(1) A figura da videira (Jo.15:1-7);
(2) A figura da oliveira (Rm.11:17).
Esta união é claramente expressa nas palavras de Jesus: "...vós em mim, e eu em vós..." (Jo. 14:20). Nessas palavras se reconhece dois ministérios do Espirito:
(1) Regeneração: formar Cristo no crente (Gl.4:19), ou seja, a obra da regeneração ("eu em vós");
(2) Batismo: colocar o crente em Cristo, ou seja a obra do batismo que ele realiza ("vós em mim").
(2) O Batismo com o Espirito Santo:
Agora que já examinamos a diferença entre unção e batismo, batismo e regeneração, prosseguiremos no estudo do Batismo do Espirito Santo.
Convém relembrarmos a definição de batismo: o Batismo do ou com o Espirito Santo é a operação sobrenatural do Espirito Santo através da qual o pecador, convertido e regenerado, é separado do mundo e unido à Cristo, em seu corpo que é a igreja (I Co.12:13; I Pe.2:9).
Esta definição é baseada na passagem de ICo.12:13: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo", e seu sentido indica que o crente é simultaneamente (1) batizado pelo Espirito Santo em Cristo e no seu corpo, na sua morte (Rm.6:3-5; Gl.3:27) e (2) batizado por Jesus Cristo com o Espirito Santo (Mc.1:8; At.1:5).
A preposição grega en (en) usada na expressão "em um só Espirito" é dativo[13] e indica O objeto indireto da frase, podendo indicar tanto um local como um instrumento[14]. Esta expressão, portanto significa que fomos batizado no (em + o) Espirito (local) e pelo (através de ) Espirito (instrumento). Vemos então que Cristo é o agente batizador e não o Espirito. O Espirito Santo é o elemento no qual Cristo nos batiza; é o instrumento usado por Cristo para realizar em nós este ministério. Concluímos portanto que todos aqueles que fazem parte do corpo de Cristo foram por ele batizados no (local) Espirito Santo, pelo (instrumento) Espirito Santo e com o (elemento) Espirito Santo (Rm.8:9).
Já a Segunda preposição eis (eiV) usada na expressão "...em um corpo" é acusativo e indica causa, propósito. Portanto o sentido da passagem é que "através de um só Espirito todos nós fomos batizados (por Cristo) com o propósito de formar um corpo".
O Espirito Santo não é o agente, mas sempre o elemento ou instrumento usado por Cristo no ato do batismo. Este sentido é encontrado também em Gálatas: "Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo" (Gl.3:27). Não há nenhuma indicação nesta passagem de ser o Espirito Santo o agente batizador no corpo de Cristo.
Por fim é lícito observar que esta obra de Cristo, realizada através do seu Espirito, ocorre no momento da regeneração, e não separada dela, embora não seja a mesma coisa.
A passagem usada pelos irmãos pentecostais para defenderem um segundo batismo encontra-se em Atos 19:1-6:
"1 E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo tendo atravessado as regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, 2 perguntou-lhes: Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes? Responderam-lhe eles: Não, nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo. 3 Tornou-lhes ele: Em que fostes batizados então? E eles disseram: No batismo de João. 4 Mas Paulo respondeu: João administrou o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que após ele havia de vir, isto é, em Jesus. 5 Quando ouviram isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. 6 Havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo..." (Atos 19:1-6).
Devemos notar que Paulo vinculou o recebimento do batismo do Espirito Santo ao momento da conversão: "...quando crestes?"
O texto também nos informa que foram batizados nas águas em nome do Senhor Jesus e em seguida receberam o batismo do Espirito Santo. Este fato demonstra a ligação entre o batismo de arrependimento, simbolizado pelo batismo ritual, realizado nas águas, e o batismo espiritual do Espirito Santo, realizado por Cristo (em nome do Senhor Jesus) através do seu Espirito.
"Seja Deus verdadeiro e mentiroso todo o homem, segundo está escrito..."(Rm.3:4), pois "Há somente um corpo e um só Espirito, como também fostes chamados... há um só Senhor, uma só fé, um só batismo..."(Ef.4:4,5). Se houvessem dois batismos haveriam dois corpos de Cristo, dois Espiritos, dois Senhores, mas o crente é batizado uma única vez no único corpo de Cristo, de uma vez para sempre. Amém!
Devemos considerar o fato de que a mesma palavra baptízo (baptizo) se usa no Novo Testamento tanto para seu significado real como para batismo ritual, estabelecendo assim uma relação entre esses dois aspectos do batismo.
A palavra básica desta raiz, bápto (bapto), em seu sentido primário conota uma submersão e ocorre somente três vezes no Novo Testamento (Lc.16:24; Jo.13:26 e Ap.19:13). Em seu sentido secundário, que é morrer ou tingir[15], tem o sentido de imersão, mas nem sempre tem esse sentido, pois ela aparece na LXX em Is.63:1-6, onde o Messias é apresentado com suas vestes tingidas de sangue, e aparece em Ap.19:13 com o mesmo sentido. Obviamente as roupas do Messias não foram submergidas numa bacia de sangue, mas foram salpicadas com sangue.
A palavra baptízo também tem dois significados. O sentido primário indica uma submersão, um envolvimento físico (dentro de) em um elemento, o qual tem poder para influenciar ou modificar aquilo que é envolvido. Em seu significado secundário, se afasta do seu aspecto físico original e se refere à uma coisa sob a qual é colocado o objeto. Seu significado secundário se deriva do significado primário, já que representa um objeto que está sendo posto debaixo da influência de outro, completamente distinto de qualquer envolvimento físico ou inclusão.
A mesma distinção é percebida nas palavras gregas bápto e baptízo em seus equivalentes na língua portuguesa que são submersão e imersão. Uma submersão é um contato momentâneo que envolve duas ações: (1) meter em e (2) sacar de. No estrito uso do termo, o batismo ritual não é uma imersão, isto resultaria em morte por afogamento. O que comumente se designa como imersão, melhor se descreve pela palavra bápto em seu significado primário.
Certamente não se vislumbra nenhuma sepultura física quando a Escritura fala de batismo de arrependimento (Mt.3:11), batismo para remissão de pecados (Mc.1:4), batismo em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo (Mt.28:19), quando Cristo foi batizado ao tomar o cálice de sofrimento (Mt.20:23; Lc.12:50), do batismo de Israel em Moisés (ICo.10:2).
Estes batismos não representam nenhuma sepultura física, e devem classificar-se entre os que pertencem ao uso secundário de baptízo.
Nenhum destes batismos poderia ser classificado como bápto em seu sentido primário ou secundário. Não poderiam ser meramente uma submersão dentro de um elemento, porque eles são apresentados como em estado permanente. Quando um crente é batizado em Cristo pelo Espirito Santo, ele não será separado nunca mais. Ser batizado para arrependimento é colocar-se debaixo da influência do arrependimento, não apenas por um momento, mas para sempre. Ser batizado para remissão dos pecados é ser colocado debaixo do poder e valor da remissão de pecados, não apenas por um momento, mas para sempre. Ser batizado em nome do Deus Triúno é ser conduzido sob a influência de Deus, não por um momento, mas para sempre. Ser batizado em Moisés como foi Israel através da nuvem e do mar, é ser colocado debaixo da direção de Moisés, não momentaneamente, mas para sempre. Ser batizado na morte e ressurreição de Cristo é ser identificado com ele nessa morte e ressurreição, para que todos os seus valores sejam assegurados, não apenas por um momento, mas para toda a eternidade. Ser batizado no corpo de Cristo é ser colocado debaixo do poder e supremacia de Cristo, é estar unido ao Senhor, ser identificado com ele, participar do que ele é e do que ele fez, não por um certo tempo, mas para todo o sempre.
II. A PLENITUDE DO ESPIRITO SANTO:
Plenitude do Espirito Santo é uma relação íntima do crente com Deus, através do Espirito Santo, que resulta em submissão e obediência.
A palavra plenitude está relacionada ao enchimento do Espirito Santo. Plenitude é tradução da palavra grega pléroma (plhroma). A plenitude em seu sentido absoluto é aplicada somente a Cristo, pois "...nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade..." (Cl.2:9). Ao cristão, porém, plenitude é aplicável em sentido restrito, porque recebemos de Cristo parte de sua plenitude (Jo.1:16).
Freqüentemente o batismo do Espirito Santo é confundido com a plenitude do Espirito. Um contraste entre o batismo e plenite trará esclarecimentos no sentido de demonstrar a difereneça entre ambos. Vejamos:
(1) De maneira permanente o batismo em Cristo pelo Espirito é efetuado uma única vez, quando o crente é salvo, e permanece como uma realidade imutável para o tempo e para a eternidade, enquanto que a plenitude do Espirito pode ser simultânea ou subseqüente à salvação, podendo repetir-se variadas vezes.
(2) Não há experiência ou plenitude relacionada com o batismo do crente, pois todas as manifestações de bênçãos e de poder estão relacionadas diretamente com a plenitude do Espirito.
(3) Nunca se ordena aos cristãos que sejam batizados em Cristo pelo Espirito, mas cada filho de Deus é exortado a ser pleno constantemente do Espirito.
(4) Todo o crente é batizado em Cristo pelo Espirito, mas nem todo o crente necessariamente é pleno do Espirito.
(5) O batismo em Cristo pelo Espirito resulta no fato de que o crente está unido vitalmente com Cristo por toda a eternidade, enquanto que a plenitude do Espirito produz manifestações externas de bênçãos para o tempo presente. O batismo é um aspecto da salvação, enquanto a plenitude se relaciona com serviço e galardão.
(6) O batismo em Cristo pelo Espirito se efetua quando se cumpre a ordem da salvação, enquanto que a obra da plenitude é tal que coloca o cristão, dia após dia, em relação correta com o Salvador.
CONCLUSÃO
O Batismo com o Espirito Santo não é um fato histórico irrepetível. Ele se repete na história, na vida de cada cristão que recebe a Cristo como seu Salvador. Quando o pecador se arrepende ele é batizado no Espirito Santo e é introduzido no corpo de Cristo.
O Batismo com o Espirito Santo não é exclusividade dos apóstolos, pois Paulo assevera que todos nós fomos batizados em um Espirito formando um corpo (I Co.12:13).
O Batismo com o Espirito Santo não é regeneração, embora seja simultâneo com ela. A regeneração pode ser descrita como Cristo em nós (Cl.1:27). O batismo pode ser descrito como nós em Cristo (Gl.3:27).
O Batismo com o Espirito Santo não é uma Segunda benção, pois não é subseqüente à obra da regeneração. O Batismo com o Espirito Santo é uma benção espiritual, e Deus já nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo (Ef.1:3).
O Batismo com o Espirito Santo não é unção ou derramamento do Espirito Santo. O derramamento do Espirito ocorreu no dia de Pentecostes sobre os 120 para formação da igreja, e deste derramamento nos beneficiamos hoje, uma vez que somos parte do corpo místico de Cristo.
O Batismo com o Espirito Santo não se repete diversas vezes na vida do crente. Ele é batizado uma única vez e para todo o sempre. O batismo não pode perder-se ou repetir-se, pois permanece para sempre.
O Batismo com o Espirito Santo não é a plenitude do Espirito Santo, pois a plenitude pode perder-se tantas vezes quanto pode ser recuperada e repetida.
Política
A IGREJA
A igreja de Cristo é a agência do Reino de Deus na terra. O apóstolo Pedro em sua primeira epístola nos dá o perfil da igreja de Cristo em sua essência quando se referindo a ela afirmou que a igreja é a “...geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; Vós que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (I Pe. 2.9-10). Deus elegeu Israel para ser o seu povo, mas Israel não correspondeu ao amor de Deus. Deus elegeu então a igreja em Cristo Jesus para tornar-se eternamente o seu povo. “Fui buscado dos que não perguntavam por mim; fui achado daqueles que me não buscavam. A um povo que se não chamava do meu nome eu disse. Eis-me aqui” (Isaias 65:1). É glorioso sabermos que somos um povo do qual Deus inspirou escatologicamente ao profeta para expressar que este povo estranho o buscaria de tal modo, que Deus se faria presente. Em Cristo se cumpriu a profecia de Isaias e Jesus orando por seus discípulos deixou bastante claro quando se expressou dizendo: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me hás amado antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci; e estes conheceram que tu me enviaste a mim. E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles e eu neles esteja” (João 17: 24-26).
A igreja é a grande eleita na eleição de Deus. Voltando ao texto de Pedro verificamos que o apóstolo deixou bem claro e definido critérios para serem observados pela igreja de Cristo como geração eleita de Deus. “Sujeitai-vos pois a toda a ordenação humana por amor do Senhor: quer ao rei, como superior; quer a governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus”. E Pedro conclui dizendo: “Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao Rei. (I Pe 2:13-17). A luz deste texto entendemos que é a vontade de Deus que Sua igreja, respeite os poderes constituídos. O testemunho da igreja deve está de tal modo evidenciado, que possamos tapar a boca dos homens ímpios. O sacerdócio real está sobre a igreja e como sacerdotes e profetas de Deus que somos, devemos ser instrumentos de transformação do mundo pelo amor. Devemos colocar as autoridades diante de Deus, conforme o Apóstolo Paulo chamou à atenção de Timóteo, dizendo: “Admoesto-te pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações intercessões, e ações de graças por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador.” (I Tim. 2:1-3). Aí está o grande ensino do Novo Testamento para o comportamento da igreja como povo de Deus. Escrevendo a Tito, o apóstolo Paulo reportou-se ao mesmo assunto, dizendo: “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra; que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens”. (Tito 3:1-2). Diante destes textos concluímos que Deus abomina a desobediência às autoridades que por Ele mesmo foram constituídas sobre as nações e Reinos. “...afim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens, e os dá a quem quer, e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles” (Dan. 4:17).
O CRISTÃO
Não deve haver dicotomia entre o comportamento pessoal do cristão diante dos poderes constituídos e o comportamento da igreja de Cristo como todo. Isto significa que a orientação da igreja segue a revelação de Deus sobre o assunto, e como tal deve ser obedecido por todos os membros do corpo de Cristo. Imaginemos uma mão intencionando fazer uma coisa e a outra mão intencionando fazer outra coisa. Ambas não realizariam nada porque não poderiam atuar em projetos diferentes. Ou, se a cabeça ordenasse a mão que se posicionasse numa determinada direção e a mão se dirigisse em outro sentido. Nada se realizaria. Igualmente o corpo de Cristo que é a igreja não poderá se dissociar dos ensinos da Palavra revelada. Deve haver coerência, metas e objetivos a serem alcançados. Assim, os mesmos princípios aplicados a igreja devem ser aplicados a todos os crentes isoladamente.
A participação do crente na política tem sido muito questionado em nossos dias. O que mais chama à atenção da comunidade cristã no exercício dos cargos eletivos, é que os testemunhos daqueles que tem alcançados os cargos públicos. Tanto na área do legislativo como do executivo, e até mesmos em cargos de confiança dos governos, tanto a nível federal como estadual, tem deixado muito a desejar, pelo menos é o que temos observado entre muitos dos que tem sido eleitos.
Após a abertura democrática no país, verificamos uma crescente ascendência de evangélicos ingressando na carreira política. Ao mesmo tempo temos visto que muitos destes irmãos não conseguiram sua reeleição, em eleições posteriores, pelo simples fato de terem fracassado como políticos. Muitos escandalizaram o evangelho de tal modo que tornaram-se opróbrio no meio do povo de Deus. Decepção e escândalo para o evangelho e para a Igreja de Cristo. Não estavam aptos para exercerem os cargos eletivos à luz da palavra e testemunho do evangelho como sal da terra e luz do mundo. O seu sal tornou-se insosso para a terra e a luz apagou-se no meio das trevas.
O crente pode e deve encarar a carreira política como algo natural, como se fosse uma outra carreira qualquer, dentro da nossa sociedade. Os cargos eletivos e de confiança nos diversos escalões do governo estão tanto para o ímpio como para o cristão. E, a Bíblia em nenhum momento menciona a desaprovação de Deus quanto a fazer acepção de pessoas, para o exercício do poder. Na história do povo hebreu vimos que José foi vendido por seus irmãos. No Egito ele não se corrompeu diante das tentações da mulher do Ministro Potifar e pagou caro pela sua fidelidade ao seu Deus. Foi preso e castigado, mas levantou-se quando o Rei precisou de quem interpretasse o seu sonho. José interpretou o sonho e em seguida foi nomeado Governador, tornando-se uma benção para o Egito e mais tarde para o povo hebreu. (Gen. 41:38-40).
No cativeiro babilônico Daniel preferiu não se alimentar dos manjares do rei. Tornou-se tão belo e forte quanto os demais cativos do reino destinados a serem instruídos nas letras e língua dos caldeus. (Dan. 1:4). Daniel foi ricamente abençoado por Deus no meio de um povo estranho tornando-se príncipe no meio deste povo estranho (Dan. 6:2). Foi condenado a cova dos leões, mas não se prostrou, nem prestou adoração ao rei Dario, antes manteve-se fiel a Deus. Passada a noite Daniel manteve-se vivo pela proteção de Deus que fechou a boca dos leões. Daniel saiu amparado pelo Rei Dario que já havia se arrependido de seu edito. Agora fez um novo decreto publicado e divulgado para cumprimento em todo o domínio do império para que todos os homens temessem e tremessem diante do Deus de Daniel. “...porque ele é o Deus vivo e para sempre permanente, e o seu reino não se pode destruir; o seu domínio é até o fim. Ele livra e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele livrou Daniel do poder dos leões” (Dan. 6:26-27). Deus foi glorificado na vida de seu servo Daniel. O cristão glorifica a Deus e é uma benção para os homens e para as nações quando se mantém fiel ao Senhor.
A POLÍTICA
A política é um instrumento da democracia. A pluralidade de partidos pressupõe que existe livre-arbítrio, a ser exercido pelo povo que deve conscientemente escolher seus mandatários em escrutínio livre e secreto. Nos regimes totalitários de qualquer ideologia, não existe a liberdade democrática. Os governos são impostos pela força ou são transferidos por hierarquia. A democracia está coerente com a Palavra de Deus, porque Deus fez o homem livre. Deus abomina a escravidão, a servidão, o cativeiro, e a opressão tanto físico material, como espiritual. “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Segundo, o autor Justo Gonzalez em sua coleção “Uma História Ilustrada do Cristianismo”, os imperadores romanos acusaram os cristãos de haverem desestabilizado o Império Romano, com o que tenho concordado plenamente. O cristianismo tem transformado o homem e tem mudado a história do mundo. A oração do justo pode muito em seus efeitos. O clamor da igreja derruba impérios, muros e regimes totalitários. A igreja pode mudar a história política na medida que ela coloca os povos diante do trono de Deus. Cometemos um erro grave quando imaginamos que teremos reinos de paz, justiça, tranqüilidade ou de equilíbrio econômico-social. As promessas de Deus são para a igreja de Cristo. Novos céus e nova terra (Apoc. 21:1-7).
A política é a manifestação do pensamento do homem. Ela é necessária nos regimes democráticos porque politicamente o homem pode expressar a sua vontade, aliada a vontade do grupo. A maioria partidária leva ao poder. Ainda que não seja o método mais apropriado não conhecemos outro e deste modo ele é justo.
Samuel e Deus discordaram do desejo do povo de Israel quando pediram um rei, pelo simples fato de todos os demais povos terem seus reis. Deus era o Rei de Israel. Deus estava à frente de seu povo e pelejava por ele. Não havia justificativa para exigir-se um rei. Deus acabou atendendo ao clamor de Israel e o reinado foi um fracasso (Sam. 8:5). A política como instrumento democrático deveria ser utilizada para ser uma benção para todos os povos, no entanto tem sido mais um instrumento de corrupção e de ambição. Os políticos tem legislado mais em benefício próprio do que em benefício do povo. Enquanto o povo não souber escolher bem seus representantes não terão dias melhores. O povo tem o governo que merece, diz um adágio popular, porque uma vez escolhido os governantes de modo errado, só resta democraticamente suportá-los, até nova oportunidade de mudá-los. Em qualquer situação os governos humanos serão apenas um paliativo para o problema do homem. Somente Deus através de Jesus tem a solução definitiva para o problema homem.
Augusto Bello de Souza Filho
A igreja de Cristo é a agência do Reino de Deus na terra. O apóstolo Pedro em sua primeira epístola nos dá o perfil da igreja de Cristo em sua essência quando se referindo a ela afirmou que a igreja é a “...geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; Vós que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (I Pe. 2.9-10). Deus elegeu Israel para ser o seu povo, mas Israel não correspondeu ao amor de Deus. Deus elegeu então a igreja em Cristo Jesus para tornar-se eternamente o seu povo. “Fui buscado dos que não perguntavam por mim; fui achado daqueles que me não buscavam. A um povo que se não chamava do meu nome eu disse. Eis-me aqui” (Isaias 65:1). É glorioso sabermos que somos um povo do qual Deus inspirou escatologicamente ao profeta para expressar que este povo estranho o buscaria de tal modo, que Deus se faria presente. Em Cristo se cumpriu a profecia de Isaias e Jesus orando por seus discípulos deixou bastante claro quando se expressou dizendo: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me hás amado antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci; e estes conheceram que tu me enviaste a mim. E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles e eu neles esteja” (João 17: 24-26).
A igreja é a grande eleita na eleição de Deus. Voltando ao texto de Pedro verificamos que o apóstolo deixou bem claro e definido critérios para serem observados pela igreja de Cristo como geração eleita de Deus. “Sujeitai-vos pois a toda a ordenação humana por amor do Senhor: quer ao rei, como superior; quer a governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus”. E Pedro conclui dizendo: “Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao Rei. (I Pe 2:13-17). A luz deste texto entendemos que é a vontade de Deus que Sua igreja, respeite os poderes constituídos. O testemunho da igreja deve está de tal modo evidenciado, que possamos tapar a boca dos homens ímpios. O sacerdócio real está sobre a igreja e como sacerdotes e profetas de Deus que somos, devemos ser instrumentos de transformação do mundo pelo amor. Devemos colocar as autoridades diante de Deus, conforme o Apóstolo Paulo chamou à atenção de Timóteo, dizendo: “Admoesto-te pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações intercessões, e ações de graças por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador.” (I Tim. 2:1-3). Aí está o grande ensino do Novo Testamento para o comportamento da igreja como povo de Deus. Escrevendo a Tito, o apóstolo Paulo reportou-se ao mesmo assunto, dizendo: “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra; que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens”. (Tito 3:1-2). Diante destes textos concluímos que Deus abomina a desobediência às autoridades que por Ele mesmo foram constituídas sobre as nações e Reinos. “...afim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens, e os dá a quem quer, e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles” (Dan. 4:17).
O CRISTÃO
Não deve haver dicotomia entre o comportamento pessoal do cristão diante dos poderes constituídos e o comportamento da igreja de Cristo como todo. Isto significa que a orientação da igreja segue a revelação de Deus sobre o assunto, e como tal deve ser obedecido por todos os membros do corpo de Cristo. Imaginemos uma mão intencionando fazer uma coisa e a outra mão intencionando fazer outra coisa. Ambas não realizariam nada porque não poderiam atuar em projetos diferentes. Ou, se a cabeça ordenasse a mão que se posicionasse numa determinada direção e a mão se dirigisse em outro sentido. Nada se realizaria. Igualmente o corpo de Cristo que é a igreja não poderá se dissociar dos ensinos da Palavra revelada. Deve haver coerência, metas e objetivos a serem alcançados. Assim, os mesmos princípios aplicados a igreja devem ser aplicados a todos os crentes isoladamente.
A participação do crente na política tem sido muito questionado em nossos dias. O que mais chama à atenção da comunidade cristã no exercício dos cargos eletivos, é que os testemunhos daqueles que tem alcançados os cargos públicos. Tanto na área do legislativo como do executivo, e até mesmos em cargos de confiança dos governos, tanto a nível federal como estadual, tem deixado muito a desejar, pelo menos é o que temos observado entre muitos dos que tem sido eleitos.
Após a abertura democrática no país, verificamos uma crescente ascendência de evangélicos ingressando na carreira política. Ao mesmo tempo temos visto que muitos destes irmãos não conseguiram sua reeleição, em eleições posteriores, pelo simples fato de terem fracassado como políticos. Muitos escandalizaram o evangelho de tal modo que tornaram-se opróbrio no meio do povo de Deus. Decepção e escândalo para o evangelho e para a Igreja de Cristo. Não estavam aptos para exercerem os cargos eletivos à luz da palavra e testemunho do evangelho como sal da terra e luz do mundo. O seu sal tornou-se insosso para a terra e a luz apagou-se no meio das trevas.
O crente pode e deve encarar a carreira política como algo natural, como se fosse uma outra carreira qualquer, dentro da nossa sociedade. Os cargos eletivos e de confiança nos diversos escalões do governo estão tanto para o ímpio como para o cristão. E, a Bíblia em nenhum momento menciona a desaprovação de Deus quanto a fazer acepção de pessoas, para o exercício do poder. Na história do povo hebreu vimos que José foi vendido por seus irmãos. No Egito ele não se corrompeu diante das tentações da mulher do Ministro Potifar e pagou caro pela sua fidelidade ao seu Deus. Foi preso e castigado, mas levantou-se quando o Rei precisou de quem interpretasse o seu sonho. José interpretou o sonho e em seguida foi nomeado Governador, tornando-se uma benção para o Egito e mais tarde para o povo hebreu. (Gen. 41:38-40).
No cativeiro babilônico Daniel preferiu não se alimentar dos manjares do rei. Tornou-se tão belo e forte quanto os demais cativos do reino destinados a serem instruídos nas letras e língua dos caldeus. (Dan. 1:4). Daniel foi ricamente abençoado por Deus no meio de um povo estranho tornando-se príncipe no meio deste povo estranho (Dan. 6:2). Foi condenado a cova dos leões, mas não se prostrou, nem prestou adoração ao rei Dario, antes manteve-se fiel a Deus. Passada a noite Daniel manteve-se vivo pela proteção de Deus que fechou a boca dos leões. Daniel saiu amparado pelo Rei Dario que já havia se arrependido de seu edito. Agora fez um novo decreto publicado e divulgado para cumprimento em todo o domínio do império para que todos os homens temessem e tremessem diante do Deus de Daniel. “...porque ele é o Deus vivo e para sempre permanente, e o seu reino não se pode destruir; o seu domínio é até o fim. Ele livra e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele livrou Daniel do poder dos leões” (Dan. 6:26-27). Deus foi glorificado na vida de seu servo Daniel. O cristão glorifica a Deus e é uma benção para os homens e para as nações quando se mantém fiel ao Senhor.
A POLÍTICA
A política é um instrumento da democracia. A pluralidade de partidos pressupõe que existe livre-arbítrio, a ser exercido pelo povo que deve conscientemente escolher seus mandatários em escrutínio livre e secreto. Nos regimes totalitários de qualquer ideologia, não existe a liberdade democrática. Os governos são impostos pela força ou são transferidos por hierarquia. A democracia está coerente com a Palavra de Deus, porque Deus fez o homem livre. Deus abomina a escravidão, a servidão, o cativeiro, e a opressão tanto físico material, como espiritual. “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Segundo, o autor Justo Gonzalez em sua coleção “Uma História Ilustrada do Cristianismo”, os imperadores romanos acusaram os cristãos de haverem desestabilizado o Império Romano, com o que tenho concordado plenamente. O cristianismo tem transformado o homem e tem mudado a história do mundo. A oração do justo pode muito em seus efeitos. O clamor da igreja derruba impérios, muros e regimes totalitários. A igreja pode mudar a história política na medida que ela coloca os povos diante do trono de Deus. Cometemos um erro grave quando imaginamos que teremos reinos de paz, justiça, tranqüilidade ou de equilíbrio econômico-social. As promessas de Deus são para a igreja de Cristo. Novos céus e nova terra (Apoc. 21:1-7).
A política é a manifestação do pensamento do homem. Ela é necessária nos regimes democráticos porque politicamente o homem pode expressar a sua vontade, aliada a vontade do grupo. A maioria partidária leva ao poder. Ainda que não seja o método mais apropriado não conhecemos outro e deste modo ele é justo.
Samuel e Deus discordaram do desejo do povo de Israel quando pediram um rei, pelo simples fato de todos os demais povos terem seus reis. Deus era o Rei de Israel. Deus estava à frente de seu povo e pelejava por ele. Não havia justificativa para exigir-se um rei. Deus acabou atendendo ao clamor de Israel e o reinado foi um fracasso (Sam. 8:5). A política como instrumento democrático deveria ser utilizada para ser uma benção para todos os povos, no entanto tem sido mais um instrumento de corrupção e de ambição. Os políticos tem legislado mais em benefício próprio do que em benefício do povo. Enquanto o povo não souber escolher bem seus representantes não terão dias melhores. O povo tem o governo que merece, diz um adágio popular, porque uma vez escolhido os governantes de modo errado, só resta democraticamente suportá-los, até nova oportunidade de mudá-los. Em qualquer situação os governos humanos serão apenas um paliativo para o problema do homem. Somente Deus através de Jesus tem a solução definitiva para o problema homem.
Augusto Bello de Souza Filho
Casamento
"Venerado seja entre todos o matrimonio e o leito sem mácula; porem aos que se dão ã prostituição e aos adúlteros Deus os julgará." Heb. 13:4
Hoje, há falta de respeito para as coisas que Deus criou. O plano de satanás é destruir tudo, item por item, que Deus fez.
Deus criou a terra, mas o homem procura a destruí-la. No fim do mundo Jesus vai destruir os que destruem a terra. Apoc. 11:18.
Deus criou as nações; satanás as engana. Apoc. 12:9; 20:8.
Deus criou a igreja; satanás procura destruí-la.
Deus criou a família também. Satanás procura destruí-la. Ele despreza e ataca o casamento. Faz o mundo pensar que o casamento é desnecessário; uma coisa do passado. A Bíblia declara que o matrimonio deve ser venerado. Se a família for destruída, a sociedade inteira e as igrejas serão seriamente afetadas. A base da sociedade é a família. E a família começa com o matrimonio. Sempre foi assim.
As instituições que Deus criou
Há três instituições na terra que DEUS criou: a família, a nação, e a igreja. Devemos servir a Deus como membros da igreja, que é o corpo de Cristo. Devemos obedecer as leis da nação. Romanos 13 ensina que as autoridades civis são "ministros" de Deus. As nações pertencem a Deus, Dan. 4:17. Devemos manter a família de acordo com os princípios da Bíblia. A família é a instituição mais antiga na terra, e foi Deus quem a instituiu.
Jesus disse que o matrimonio é de Deus
Jesus reconheceu este fato quando disse que "desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher. E serão os dois uma só carne: e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem." Marcos 10:6-9. Jesus defendeu e aprovou o caso de Adão e Eva, como um casamento que veio de DEUS. Foi o único exemplo que Jesus citou sobre o casamento. É um casamento "feito no céu" ou aprovado, sim, por Deus. Não existia nenhuma igreja, nenhuma nação. Claro que não existia um cartório.
Mas existia uma autoridade que não só estava de acordo com a existência da família, mas também era "responsável" pelo próprio casamento. Todo o casamento na Bíblia foi feito na presença da autoridade existente na época e/ou com a aprovação das famílias envolvidas.
Jesus mostrou sua aprovação desta maneira de casar-se quando ele assistiu as "bodas em Caná da Galiléia" com a sua mãe e seus discípulos. João 2:1-2. É claro que não se realizou no templo, (como o batismo também não foi feito no templo), mas foi feito com Jesus e seus discípulos presentes. As igrejas batistas não fazem casamento. Ninguém em nosso meio acredita que a igreja faz casamento. O casamento é feito na presença das autoridades da nação com a aprovação das famílias envolvidas, como no tempo da Bíblia, e a igreja pode ser uma testemunha do fato. Ela pode pedir as bênçãos de Deus sobre a formação de uma nova família, e naturalmente antes da união corporal. Se for um caso de sexo antes do casamento, a igreja não pode aprovar. Se não for feito no cartório, a igreja não pode aprovar. Como Jesus aprovou o casamento, também a igreja o aprova.
A poligamia condenada
Deus não instituiu nem aprovou a poligamia pois criou uma só mulher para o homem. Se aprovasse a poligamia, teria criado duas ou mais mulheres para Adão, o que não fez. O primeiro casamento é o único caso que Jesus cita para ensinar o matrimonio e o divórcio. Isto é, o matrimonio deve se manter intato. Ninguém deve separar os dois. Por que? Porque foi DEUS quem fez o matrimonio. Os dois, (não três), são uma só carne. A presença de um terceiro seria uma separação dos dois, a dissolução da família original!
Deus permitiu mas não aprovou certas coisas nos dias em que a Bíblia não era completa. Atos 17:30 disse que Deus não teve em conta os tempos da ignorância. Passou por cima de certas coisas erradas até os dias de Cristo. Permitiu-as, mas não as aprovou! Quem quer provar que a poligamia é certa sempre cita estes casos no velho testamento. Em vez de citar estes, por que não cita Deuteronômio 17:17? Deus mandou Israel e seu futuro rei não multiplicar nem cavalos, nem mulheres! Foi justamente "nisto" que "pecou Salomão", Neemias 13:26. Suas mulheres eram estrangeiras. Isto também era pecado. Deus não aprovou a poligamia de Salomão. Quando os judeus voltaram do cativeiro, no tempo de Esdras e Neemias, por que Deus mandou os israelitas mandar embora suas mulheres estranhas? Esdras capitulo 10. Era pecado possuí-las. Em versículo 6, Esdras "estava anojado pela transgressão dos do cativeiro." Israel, para provar que estava arrependido, cerrou estas relações que eram contra a lei de Deus. Quando alguém se arrepende de fornicação, não continua nela. Deus usou a santidade do matrimonio para expressar a união de Cristo e a sua igreja. Efésios 5:22-33. Grande ênfase é colocada na relação do marido e sua esposa. A poligamia destruiria o ensino que Cristo tem uma só esposa. As igrejas que são infiéis a Cristo são prostitutas espirituais.
Seria um passo atrás se a igreja aprovasse a poligamia. Em todas as terras e culturas onde o evangelho tem entrado, tem mudado o sistema dos pagãos de poligamia para monogamia. Não somos muçulmanos, mas cristãos!
União sexual não é casamento
Bom é lembrar que Eva já era a mulher de Adão antes da união sexual. Gênesis 2:28 mostra que "Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra." Gênesis 2:24 ensina que Adão uniu-se com sua mulher. Já era a sua mulher, antes da união! O casamento foi feito quando Deus fez Eva e deu-a a Adão. Deus os abençoou. O ato sexual veio depois. É uma expressão do casamento, mas não é casamento. O casamento foi feito antes. Casamento não é acasalamento.
Em Gênesis 29 temos um caso importante. Jacó e seu tio, Labão, fizeram um contrato de casamento para Jacó e a filha de Labão, Raquel. Jacó serviu "sete anos por Raquel; e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava. E disse Jacó a Labão: Dá-me minha mulher." Gên. 29:20-21. Labão enganou Jacó e deu-lhe Léia no lugar de Raquel. Depois de trabalhar mais sete anos, recebeu Raquel "por mulher," ver. 28. No tempo dos patriarcas, o casamento foi combinado pelos pais do casal. Em todos os casos de casamento no velho testamento, havia aprovação dos pais e/ou da sociedade. Havia um período de tempo do noivado. Se os dois se ajuntassem antes da aprovação dos pais e da sociedade, ou mesmo durante o noivado, o ato seria chamado fornicação, ou sexo antes do casamento! Foi chamado "doidice" e "loucura." Gên. 34:7; Deut. 22:20-21. Ora, se o ato sexual em si fosse o casamento, não seria mais doidice ou loucura. Não seria possível existir sexo antes do casamento. Paulo disse em I Cor. 7 que o homem deve casar para evitar fornicação. Logo não seria mais fornicação a prática de sexo antes do casamento, se a união corporal fosse casamento.
E o caso de José e Maria? Quando se casaram? "Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem achou-se ter concebido do Espirito Santo. Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente." Mat. 1:17-18. Ser desposada não quer dizer, necessariamente, casada. Eram noivos. Iam casar-se. José casou com Maria antes ou depois do nascimento de Jesus? Deus mandou que tomasse sua desposada mulher antes. "E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus." Mat. 1:24-25. Era casamento ou não?
O que diz a Bíblia?
Sexo sem obrigações sociais e morais não é legítimo. Ajuntar-se com uma prostituta não é casamento, mas é prostituição. Se fosse casamento não seria mais prostituição. Esta seria eliminada; não existiria mais. Seria casamento, simplesmente. Se um homem tiver relações sexuais com uma mulher antes do casamento, ele comete fornicação ou prostituição com ela. Isto é pecado; é chamado loucura e doidice na Bíblia. Se um filho nascer desta união, é ou não é bastardo? Por isso Deus tinha que dizer a José que o caso de Maria não foi prostituição ou adultério. Se o pai de Jesus fosse um outro homem qualquer, Maria seria adúltera. O filho seria um bastardo. Mas, vamos ver outras passagens da Bíblia:
1). I Cor. 7:1-2 - "Bom seria que o homem não tocasse em mulher; Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido." Portanto prostituição é uma coisa; casamento é outra. O ato sexual é o mesmo. Deus não aprova prostituição nem adultério. Aprova o casamento. O ato sexual não é o casamento.
2). Hebreus 13:4 - "Venerado (reverenciado, respeitado) seja entre todos o matrimonio (casamento) e o leito (do casal) sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará." Logo o casamento é diferente de prostituição e de adultério. O casamento é "sem mácula." A prostituição e o adultério merecem o julgamento de Deus! Ajuntar-se com uma prostituta é prostituição e NÃO casamento. Repito: o ato sexual no casamento é o mesmo praticado na prostituição. Deus APROVA um e condena o outro! Logo entendemos que o ato sexual não é casamento.
3). I Cor. 6:15-18 - "Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e fa-los-ei membros de uma meretriz? (É certo um crente ter relações com uma meretriz? Não, por certo. (Por que não? Porque seria prostituição.) Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? (Isto é, fica cometendo o mesmo pecado que ela comete). Porque serão, disse, dois numa só carne. (Quer dizer, que ficam iguais. São igualmente prostitutos. Ele participa do mesmo pecado que ela vem praticando). Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espirito. FUGI DA PROSTITUIÇÃO. (Aqui é a razão desta passagem; evitar e não participar de relações ilícitas mas fugir delas). Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo (não envolve o corpo); mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo." Seu próprio corpo pertence a sua esposa, como Paulo explica logo em seguida em I Cor. 7:4. Se ajuntar-se com a prostituta, está dividindo "os dois." Está pecando contra a sua esposa. É como o caso de adultério: "Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela," Marcos 10:11. Aqui é o homem que está pecando. Quem ajunta-se com uma meretriz participa com ela o seu pecado de prostituição. Neste sentido os dois estão juntos; igualmente errados mas não casados.
A mesma regra aplica-se a esposa que é infiel ao seu marido. Ela peca contra seu próprio corpo. Ela peca contra seu marido, seu casamento. É adúltera. "Se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera," Marcos 10:12. Seria executada no tempo da lei, Ezeq. 16:38.
Paul explica em I Cor. 7:1-2 que o homem não deve praticar uma relação sexual ilícita (prostituição), mas deve ter "a sua própria mulher," isto é, casar se. Se o ato sexual fosse o próprio casamento, este versículo não teria sentido nenhum.
4). I Cor 7:9 - "Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se." Paulo está mandando os solteiros praticarem sexo antes do casamento? Não. Ele está reforçando a idéia no versículo 2, que o solteiro deve evitar fornicação através do próprio casamento! Deve casar-se e assumir a responsabilidade que vem com a família. Se o ato sexual fosse casamento, este versículo não teria sentido nenhum.
5). Gênesis 38 - Aqui é o caso de Judá que teve relações sexuais com sua nora, Tamar, que se fingiu de prostituta. Ficou grávida. Quando foi descoberto o caso, "deram aviso a Judá, dizendo: Tamar, tua nora, adulterou, e eis que está pejada do adultério." Judá ficou bravo. Quis executá-la. Mas caiu em si quando ficou sabendo que ele era o pai! Judá não se casou com Tamar. "E nunca mais a conheceu," versículo 26. Foi adultério; não casamento. No tempo da lei os dois seriam mortos. Lev. 20:12.
6). Deut. 22:23-27 - Leia cuidadosamente sobre dois casos de estupro. Inclui-se aqui o consentimento da mulher. Se ela não consentir, não tem culpa; não é executada. O estupro não estabelece uma relação permanente; não é casamento com o estuprador. Se nascer criança, a mãe cuida dela pois o estuprador é executado. Se ela consentir ou não pedir socorro, os dois são executados. Não há casamento.
7). Deut. 22:28-29 - No caso do homem que se deita com uma moça virgem não desposada, quando "forem apanhados, "dará dinheiro (o dote) ao pai dela "porquanto a humilhou," e ela "lhe será por mulher." Casam-se. Se o ato sexual fosse o próprio casamento, ela não precisaria casar com ele. Já seria casada. Aqui é um caso de sexo antes do casamento, que é uma vergonha, uma doidice, e o resultado deve ser casamento. O ato sexual não é o próprio casamento.
8). Êxodo 22:16-17 - Aqui é um caso de sexo antes do casamento. "Se alguém enganar alguma virgem, que não for desposada, (não tem ficado noiva) e se deitar com ela, certamente a dotará por sua mulher. (Tem que casar com ela; o sexo não os fez casados). "Se seu pai inteiramente recusar dar-lha (em casamento, pois não são ainda casados!), dará dinheiro conforme ao dote das virgens."
- Logo podemos concluir que o sexo não é o casamento.
- O sexo não estabeleceu uma relação permanente.
- Sexo antes do casamento é errado.
9). Gênesis 34 - Leia o capitulo. É o caso de Diná, filha de Jacó.
É um caso de sexo antes do casamento. Ver. 2.
A moça foi contaminada. Ver. 5, 13, e 27.
O príncipe Siquem amou a moça depois do ato. Namorou-a.
Pediu ao pai dele para arranjar o casamento. Ver. 4.
Fazer sexo antes do casamento é doidice. Ver. 7.
"Não se devia fazer assim." Ver. 7.
O pai do moço pediu o casamento. Ver. 8.
O moço também pediu. Ver. 11.
Ver. 12 é claro que quis casar-se com Diná.
O contrato foi feito: os heveus iam casar com os israelitas. Praticariam a
circuncisão. Ver. 14-24. E fizeram.
Fazer sexo antes do casamento não é casamento!
O casamento cria uma nova família
Gênesis 2:24 e Mat. 19:5 ensinam que o homem deixa sua família e "apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne," ou uma nova entidade, uma nova família. Não é certo o homem levar a sua esposa para a casa dos seus pais. Há exceções, mas a regra geral é esta. Ele agora é chefe de uma nova família. "Ambos serão uma carne" mostra que são "co-herdeiros da graça da vida," I Pedro 3:7.
I Pedro 3:1, I Cor. 11:2 e Efés. 5:22-23 mostram que a mulher é sujeita ao próprio marido. Ela é sujeita só ao seu próprio marido e não ao sogro ou seu pai ou outro homem. Faz parte da formação de uma nova família.
I Pedro 3:7 e Efés. 5:25,28-31 ensinam que o homem deve amar sua mulher como seu próprio corpo; como Jesus ama a igreja. Deve viver com sua mulher com "entendimento, dando honra à mulher." O corpo dela é dele; o corpo dele é dela. Os dois são um só. "Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher (Porque casou-se com ela!) e serão dois numa carne. Assim também vós cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido," Efés. 5:31. Eles são uma nova família.
Casamento é permanente e exige fidelidade
Em todas as passagens bíblicas que tratam de casamento, a ênfase é da sua permanência. Na criação da família em Gênesis 2:23-24, Deus disse que "serão ambos uma carne." Jesus citou este caso em Mat. 19:3-9, Marcos 10:2-12 e disse: "Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem." Ninguém deve ser culpado de destruir a família, de separar um marido da sua esposa. O matrimonio deve ser mantido a todo custo. Casamento dura até a morte de um dos cônjuges. Romanos 7:1-4 ensina que a pessoa pode casar-se de novo se o outro morrer. Se ajuntar com o outro durante a vida do seu cônjuge, comete adultério. Estaria casado com dois duma vez (o que é errado), e destruiria a família. Também destruiria o argumento de Paulo sobre nossa morte para a lei pelo corpo de Cristo! Não estamos casados com a lei mas com Cristo. Cristo pôs fim à lei. Cravou-a na cruz. Não estamos debaixo dela. Ela morreu. Ficamos livres dela. Se a mulher casar-se com um outro homem enquanto seu marido está vivo, é adúltera. Destruiu o casamento. E "qualquer que casar com a repudiada comete adultério." Mateus 5:32. Por que? Porque ela é do primeiro. Igualmente, se o homem casar-se com uma outra mulher enquanto sua esposa vive, é um adúltero. "Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera." Marcos 10:11-12. É fácil ver aqui que o que vale para um vale para o outro! De qualquer maneira a família seria desmanchada, desfeita, destruída.
Por esta razão, Jesus ensinou que a única razão de repudiar o outro cônjuge é fornicação. Se o homem repudiar a sua mulher por qualquer outra razão "a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério," se ela casar com outro, e "qualquer que casar com a repudiada comete adultério." Mat. 5:32. Por que? Porque ela ainda pertence ao seu marido.
Paulo tratou deste assunto em I Cor. 7. Quando fala dos solteiros e viúvos, faz "por permissão e não por mandamento," ver. 6. Ele fala segundo o seu "parecer," tendo o Espírito Santo. "Quanto às virgens, não tenho mandamento do Senhor," ver. 25. Mas quando fala dos casados, diz, "mando, não eu mas o Senhor," ver. 10. Disse que "A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas se falecer o seu marido. fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor," ver. 39. Não há razão nenhuma para limitar este princípio à mulher. O homem está ligado a sua esposa todo o tempo que ela vive. Se ela morrer, ele está livre para casar-se de novo. Mas se casar-se durante a vida dela, está cometendo adultério. Tanto o marido como a esposa são "co-herdeiros da graça da vida."
Todas estas passagens ensinam a permanência do matrimonio, e que a única coisa que desfaz o casamento é a morte. No caso de um que se aparta do outro, Deus manda "que a mulher se não aparte do marido," ver. 10. E "se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido," ver. 11. Acha que este principio é somente para a mulher? Não, porque Paulo continua
dizendo, "e que o marido não deixe (não abandone) a mulher." Marcos 10:11-12 menciona tanto o marido como a esposa! Lucas 16:18 também ensina que "Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também." O homem deixa a sua mulher. Ela fica abandonada, sem sustento, sem abrigo, sem marido. Ele se casa com a outra. Comete adultério. A esposa dele casa-se de novo. O segundo homem dela comete adultério. Por que? Porque o marido dela está vivo. Perante Deus ela pertence ao primeiro marido. É claro que ela também comete adultério, se ajuntar ao outro, mas esta passagem fala do homem que se ajuntar com ela. Jesus disse que "aquele que casa com a repudiada" comete adultério. Esta é a mesma idéia que achamos em Mat. 5:32.
Se o homem repudiar a sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério." Se fosse por prostituição, ela já seria culpada de adultério! Mas se ele a repudiar por outra causa qualquer, ela acaba ajuntando-se com um outro. Isto é adultério. Assim o homem faz a sua mulher cometer adultério. E neste caso, o homem que ajuntar-se com ela (a repudiada) também comete adultério porque ela é casada.
Deus quer que a família continue unida. Ele detesta divórcio. Mal. 2:14-16. Não quer que ninguém fique "desleal para com a mulher da sua mocidade."
Deus manda que ninguém se aparte do seu "co-herdeiro da graça da vida," I Cor. 7:10-11. Se um abandonar o outro, como é que faz? "Fique sem casar, ou que se reconcilie.." Reconciliação é possível? Sim. Deus manda que seja feita! Leia cuidadosamente o capítulo inteiro de Ezequiel 16. Deus e Israel eram casados. Israel se tornou infiel, como uma meretriz pior que Samaria ou Sodoma. Foi abandonada por Deus, mas não permanentemente. Um dia Deus vai recebê-la de volta, arrependida. O mesmo Deus que escreveu Deut. 24 também tem graça e misericórdia maior que a LEI. (Cuidado com a lei! Vamos usar Deuteronômio hoje para todo o nosso comportamento? Se aceitamos uma parte e não tudo somos incoerentes, errados).
Vamos apedrejar o estuprador, ou o adúltero?
O errado será perdoado somente se arrepender se. A mulher adúltera em João 8:1-11 estava errada. Merecia morrer. Jesus era inocente do pecado; podia acusá-la. Ele não pediu a sua morte. "Nem eu também te condeno: vai-te, e não peques mais." Quando o errado, o infiel se arrepende e pede perdão, vamos aplicar a lei ou a graça? Vamos perdoar? E a pessoa errada: vai continuar no pecado? Não. Vai ser como o caso em I Cor. 5 e II Cor. 2. O homem cometeu fornicação. Como? Estava vivendo com a mulher de seu pai.
Paulo manda que aquele "que tal ato praticou" seja excluído, tirado da igreja. Não podemos aprovar fornicação. Ver. 10 disse que não nos devemos associar com um irmão "devasso," isto é, fornicário. A igreja excluiu o homem pela votação da maioria (não é necessária a unanimidade), e depois ele se arrependeu. Voltou à igreja arrependido, e Paulo manda que seja recebido, consolado, confirmado! Por que? Deixou a relação ilícita. Parou de morar com a mulher do seu pai. Temos que deixar bem claro que amamos o pecador mas aborrecemos o pecado. Através de arrependimento a reconciliação pode ser feita. "Para que te lembres, e te envergonhes, e nunca mais abras a tua boca, por causa da tua vergonha, quando me reconciliar contigo de tudo quanto fizeste, diz o Senhor JEOVÁ." Ezequiel 16:63.
Pr. Steve H. Montgomery
Hoje, há falta de respeito para as coisas que Deus criou. O plano de satanás é destruir tudo, item por item, que Deus fez.
Deus criou a terra, mas o homem procura a destruí-la. No fim do mundo Jesus vai destruir os que destruem a terra. Apoc. 11:18.
Deus criou as nações; satanás as engana. Apoc. 12:9; 20:8.
Deus criou a igreja; satanás procura destruí-la.
Deus criou a família também. Satanás procura destruí-la. Ele despreza e ataca o casamento. Faz o mundo pensar que o casamento é desnecessário; uma coisa do passado. A Bíblia declara que o matrimonio deve ser venerado. Se a família for destruída, a sociedade inteira e as igrejas serão seriamente afetadas. A base da sociedade é a família. E a família começa com o matrimonio. Sempre foi assim.
As instituições que Deus criou
Há três instituições na terra que DEUS criou: a família, a nação, e a igreja. Devemos servir a Deus como membros da igreja, que é o corpo de Cristo. Devemos obedecer as leis da nação. Romanos 13 ensina que as autoridades civis são "ministros" de Deus. As nações pertencem a Deus, Dan. 4:17. Devemos manter a família de acordo com os princípios da Bíblia. A família é a instituição mais antiga na terra, e foi Deus quem a instituiu.
Jesus disse que o matrimonio é de Deus
Jesus reconheceu este fato quando disse que "desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher. E serão os dois uma só carne: e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem." Marcos 10:6-9. Jesus defendeu e aprovou o caso de Adão e Eva, como um casamento que veio de DEUS. Foi o único exemplo que Jesus citou sobre o casamento. É um casamento "feito no céu" ou aprovado, sim, por Deus. Não existia nenhuma igreja, nenhuma nação. Claro que não existia um cartório.
Mas existia uma autoridade que não só estava de acordo com a existência da família, mas também era "responsável" pelo próprio casamento. Todo o casamento na Bíblia foi feito na presença da autoridade existente na época e/ou com a aprovação das famílias envolvidas.
Jesus mostrou sua aprovação desta maneira de casar-se quando ele assistiu as "bodas em Caná da Galiléia" com a sua mãe e seus discípulos. João 2:1-2. É claro que não se realizou no templo, (como o batismo também não foi feito no templo), mas foi feito com Jesus e seus discípulos presentes. As igrejas batistas não fazem casamento. Ninguém em nosso meio acredita que a igreja faz casamento. O casamento é feito na presença das autoridades da nação com a aprovação das famílias envolvidas, como no tempo da Bíblia, e a igreja pode ser uma testemunha do fato. Ela pode pedir as bênçãos de Deus sobre a formação de uma nova família, e naturalmente antes da união corporal. Se for um caso de sexo antes do casamento, a igreja não pode aprovar. Se não for feito no cartório, a igreja não pode aprovar. Como Jesus aprovou o casamento, também a igreja o aprova.
A poligamia condenada
Deus não instituiu nem aprovou a poligamia pois criou uma só mulher para o homem. Se aprovasse a poligamia, teria criado duas ou mais mulheres para Adão, o que não fez. O primeiro casamento é o único caso que Jesus cita para ensinar o matrimonio e o divórcio. Isto é, o matrimonio deve se manter intato. Ninguém deve separar os dois. Por que? Porque foi DEUS quem fez o matrimonio. Os dois, (não três), são uma só carne. A presença de um terceiro seria uma separação dos dois, a dissolução da família original!
Deus permitiu mas não aprovou certas coisas nos dias em que a Bíblia não era completa. Atos 17:30 disse que Deus não teve em conta os tempos da ignorância. Passou por cima de certas coisas erradas até os dias de Cristo. Permitiu-as, mas não as aprovou! Quem quer provar que a poligamia é certa sempre cita estes casos no velho testamento. Em vez de citar estes, por que não cita Deuteronômio 17:17? Deus mandou Israel e seu futuro rei não multiplicar nem cavalos, nem mulheres! Foi justamente "nisto" que "pecou Salomão", Neemias 13:26. Suas mulheres eram estrangeiras. Isto também era pecado. Deus não aprovou a poligamia de Salomão. Quando os judeus voltaram do cativeiro, no tempo de Esdras e Neemias, por que Deus mandou os israelitas mandar embora suas mulheres estranhas? Esdras capitulo 10. Era pecado possuí-las. Em versículo 6, Esdras "estava anojado pela transgressão dos do cativeiro." Israel, para provar que estava arrependido, cerrou estas relações que eram contra a lei de Deus. Quando alguém se arrepende de fornicação, não continua nela. Deus usou a santidade do matrimonio para expressar a união de Cristo e a sua igreja. Efésios 5:22-33. Grande ênfase é colocada na relação do marido e sua esposa. A poligamia destruiria o ensino que Cristo tem uma só esposa. As igrejas que são infiéis a Cristo são prostitutas espirituais.
Seria um passo atrás se a igreja aprovasse a poligamia. Em todas as terras e culturas onde o evangelho tem entrado, tem mudado o sistema dos pagãos de poligamia para monogamia. Não somos muçulmanos, mas cristãos!
União sexual não é casamento
Bom é lembrar que Eva já era a mulher de Adão antes da união sexual. Gênesis 2:28 mostra que "Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra." Gênesis 2:24 ensina que Adão uniu-se com sua mulher. Já era a sua mulher, antes da união! O casamento foi feito quando Deus fez Eva e deu-a a Adão. Deus os abençoou. O ato sexual veio depois. É uma expressão do casamento, mas não é casamento. O casamento foi feito antes. Casamento não é acasalamento.
Em Gênesis 29 temos um caso importante. Jacó e seu tio, Labão, fizeram um contrato de casamento para Jacó e a filha de Labão, Raquel. Jacó serviu "sete anos por Raquel; e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava. E disse Jacó a Labão: Dá-me minha mulher." Gên. 29:20-21. Labão enganou Jacó e deu-lhe Léia no lugar de Raquel. Depois de trabalhar mais sete anos, recebeu Raquel "por mulher," ver. 28. No tempo dos patriarcas, o casamento foi combinado pelos pais do casal. Em todos os casos de casamento no velho testamento, havia aprovação dos pais e/ou da sociedade. Havia um período de tempo do noivado. Se os dois se ajuntassem antes da aprovação dos pais e da sociedade, ou mesmo durante o noivado, o ato seria chamado fornicação, ou sexo antes do casamento! Foi chamado "doidice" e "loucura." Gên. 34:7; Deut. 22:20-21. Ora, se o ato sexual em si fosse o casamento, não seria mais doidice ou loucura. Não seria possível existir sexo antes do casamento. Paulo disse em I Cor. 7 que o homem deve casar para evitar fornicação. Logo não seria mais fornicação a prática de sexo antes do casamento, se a união corporal fosse casamento.
E o caso de José e Maria? Quando se casaram? "Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem achou-se ter concebido do Espirito Santo. Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente." Mat. 1:17-18. Ser desposada não quer dizer, necessariamente, casada. Eram noivos. Iam casar-se. José casou com Maria antes ou depois do nascimento de Jesus? Deus mandou que tomasse sua desposada mulher antes. "E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus." Mat. 1:24-25. Era casamento ou não?
O que diz a Bíblia?
Sexo sem obrigações sociais e morais não é legítimo. Ajuntar-se com uma prostituta não é casamento, mas é prostituição. Se fosse casamento não seria mais prostituição. Esta seria eliminada; não existiria mais. Seria casamento, simplesmente. Se um homem tiver relações sexuais com uma mulher antes do casamento, ele comete fornicação ou prostituição com ela. Isto é pecado; é chamado loucura e doidice na Bíblia. Se um filho nascer desta união, é ou não é bastardo? Por isso Deus tinha que dizer a José que o caso de Maria não foi prostituição ou adultério. Se o pai de Jesus fosse um outro homem qualquer, Maria seria adúltera. O filho seria um bastardo. Mas, vamos ver outras passagens da Bíblia:
1). I Cor. 7:1-2 - "Bom seria que o homem não tocasse em mulher; Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido." Portanto prostituição é uma coisa; casamento é outra. O ato sexual é o mesmo. Deus não aprova prostituição nem adultério. Aprova o casamento. O ato sexual não é o casamento.
2). Hebreus 13:4 - "Venerado (reverenciado, respeitado) seja entre todos o matrimonio (casamento) e o leito (do casal) sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará." Logo o casamento é diferente de prostituição e de adultério. O casamento é "sem mácula." A prostituição e o adultério merecem o julgamento de Deus! Ajuntar-se com uma prostituta é prostituição e NÃO casamento. Repito: o ato sexual no casamento é o mesmo praticado na prostituição. Deus APROVA um e condena o outro! Logo entendemos que o ato sexual não é casamento.
3). I Cor. 6:15-18 - "Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e fa-los-ei membros de uma meretriz? (É certo um crente ter relações com uma meretriz? Não, por certo. (Por que não? Porque seria prostituição.) Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? (Isto é, fica cometendo o mesmo pecado que ela comete). Porque serão, disse, dois numa só carne. (Quer dizer, que ficam iguais. São igualmente prostitutos. Ele participa do mesmo pecado que ela vem praticando). Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espirito. FUGI DA PROSTITUIÇÃO. (Aqui é a razão desta passagem; evitar e não participar de relações ilícitas mas fugir delas). Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo (não envolve o corpo); mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo." Seu próprio corpo pertence a sua esposa, como Paulo explica logo em seguida em I Cor. 7:4. Se ajuntar-se com a prostituta, está dividindo "os dois." Está pecando contra a sua esposa. É como o caso de adultério: "Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela," Marcos 10:11. Aqui é o homem que está pecando. Quem ajunta-se com uma meretriz participa com ela o seu pecado de prostituição. Neste sentido os dois estão juntos; igualmente errados mas não casados.
A mesma regra aplica-se a esposa que é infiel ao seu marido. Ela peca contra seu próprio corpo. Ela peca contra seu marido, seu casamento. É adúltera. "Se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera," Marcos 10:12. Seria executada no tempo da lei, Ezeq. 16:38.
Paul explica em I Cor. 7:1-2 que o homem não deve praticar uma relação sexual ilícita (prostituição), mas deve ter "a sua própria mulher," isto é, casar se. Se o ato sexual fosse o próprio casamento, este versículo não teria sentido nenhum.
4). I Cor 7:9 - "Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se." Paulo está mandando os solteiros praticarem sexo antes do casamento? Não. Ele está reforçando a idéia no versículo 2, que o solteiro deve evitar fornicação através do próprio casamento! Deve casar-se e assumir a responsabilidade que vem com a família. Se o ato sexual fosse casamento, este versículo não teria sentido nenhum.
5). Gênesis 38 - Aqui é o caso de Judá que teve relações sexuais com sua nora, Tamar, que se fingiu de prostituta. Ficou grávida. Quando foi descoberto o caso, "deram aviso a Judá, dizendo: Tamar, tua nora, adulterou, e eis que está pejada do adultério." Judá ficou bravo. Quis executá-la. Mas caiu em si quando ficou sabendo que ele era o pai! Judá não se casou com Tamar. "E nunca mais a conheceu," versículo 26. Foi adultério; não casamento. No tempo da lei os dois seriam mortos. Lev. 20:12.
6). Deut. 22:23-27 - Leia cuidadosamente sobre dois casos de estupro. Inclui-se aqui o consentimento da mulher. Se ela não consentir, não tem culpa; não é executada. O estupro não estabelece uma relação permanente; não é casamento com o estuprador. Se nascer criança, a mãe cuida dela pois o estuprador é executado. Se ela consentir ou não pedir socorro, os dois são executados. Não há casamento.
7). Deut. 22:28-29 - No caso do homem que se deita com uma moça virgem não desposada, quando "forem apanhados, "dará dinheiro (o dote) ao pai dela "porquanto a humilhou," e ela "lhe será por mulher." Casam-se. Se o ato sexual fosse o próprio casamento, ela não precisaria casar com ele. Já seria casada. Aqui é um caso de sexo antes do casamento, que é uma vergonha, uma doidice, e o resultado deve ser casamento. O ato sexual não é o próprio casamento.
8). Êxodo 22:16-17 - Aqui é um caso de sexo antes do casamento. "Se alguém enganar alguma virgem, que não for desposada, (não tem ficado noiva) e se deitar com ela, certamente a dotará por sua mulher. (Tem que casar com ela; o sexo não os fez casados). "Se seu pai inteiramente recusar dar-lha (em casamento, pois não são ainda casados!), dará dinheiro conforme ao dote das virgens."
- Logo podemos concluir que o sexo não é o casamento.
- O sexo não estabeleceu uma relação permanente.
- Sexo antes do casamento é errado.
9). Gênesis 34 - Leia o capitulo. É o caso de Diná, filha de Jacó.
É um caso de sexo antes do casamento. Ver. 2.
A moça foi contaminada. Ver. 5, 13, e 27.
O príncipe Siquem amou a moça depois do ato. Namorou-a.
Pediu ao pai dele para arranjar o casamento. Ver. 4.
Fazer sexo antes do casamento é doidice. Ver. 7.
"Não se devia fazer assim." Ver. 7.
O pai do moço pediu o casamento. Ver. 8.
O moço também pediu. Ver. 11.
Ver. 12 é claro que quis casar-se com Diná.
O contrato foi feito: os heveus iam casar com os israelitas. Praticariam a
circuncisão. Ver. 14-24. E fizeram.
Fazer sexo antes do casamento não é casamento!
O casamento cria uma nova família
Gênesis 2:24 e Mat. 19:5 ensinam que o homem deixa sua família e "apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne," ou uma nova entidade, uma nova família. Não é certo o homem levar a sua esposa para a casa dos seus pais. Há exceções, mas a regra geral é esta. Ele agora é chefe de uma nova família. "Ambos serão uma carne" mostra que são "co-herdeiros da graça da vida," I Pedro 3:7.
I Pedro 3:1, I Cor. 11:2 e Efés. 5:22-23 mostram que a mulher é sujeita ao próprio marido. Ela é sujeita só ao seu próprio marido e não ao sogro ou seu pai ou outro homem. Faz parte da formação de uma nova família.
I Pedro 3:7 e Efés. 5:25,28-31 ensinam que o homem deve amar sua mulher como seu próprio corpo; como Jesus ama a igreja. Deve viver com sua mulher com "entendimento, dando honra à mulher." O corpo dela é dele; o corpo dele é dela. Os dois são um só. "Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher (Porque casou-se com ela!) e serão dois numa carne. Assim também vós cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido," Efés. 5:31. Eles são uma nova família.
Casamento é permanente e exige fidelidade
Em todas as passagens bíblicas que tratam de casamento, a ênfase é da sua permanência. Na criação da família em Gênesis 2:23-24, Deus disse que "serão ambos uma carne." Jesus citou este caso em Mat. 19:3-9, Marcos 10:2-12 e disse: "Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem." Ninguém deve ser culpado de destruir a família, de separar um marido da sua esposa. O matrimonio deve ser mantido a todo custo. Casamento dura até a morte de um dos cônjuges. Romanos 7:1-4 ensina que a pessoa pode casar-se de novo se o outro morrer. Se ajuntar com o outro durante a vida do seu cônjuge, comete adultério. Estaria casado com dois duma vez (o que é errado), e destruiria a família. Também destruiria o argumento de Paulo sobre nossa morte para a lei pelo corpo de Cristo! Não estamos casados com a lei mas com Cristo. Cristo pôs fim à lei. Cravou-a na cruz. Não estamos debaixo dela. Ela morreu. Ficamos livres dela. Se a mulher casar-se com um outro homem enquanto seu marido está vivo, é adúltera. Destruiu o casamento. E "qualquer que casar com a repudiada comete adultério." Mateus 5:32. Por que? Porque ela é do primeiro. Igualmente, se o homem casar-se com uma outra mulher enquanto sua esposa vive, é um adúltero. "Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera." Marcos 10:11-12. É fácil ver aqui que o que vale para um vale para o outro! De qualquer maneira a família seria desmanchada, desfeita, destruída.
Por esta razão, Jesus ensinou que a única razão de repudiar o outro cônjuge é fornicação. Se o homem repudiar a sua mulher por qualquer outra razão "a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério," se ela casar com outro, e "qualquer que casar com a repudiada comete adultério." Mat. 5:32. Por que? Porque ela ainda pertence ao seu marido.
Paulo tratou deste assunto em I Cor. 7. Quando fala dos solteiros e viúvos, faz "por permissão e não por mandamento," ver. 6. Ele fala segundo o seu "parecer," tendo o Espírito Santo. "Quanto às virgens, não tenho mandamento do Senhor," ver. 25. Mas quando fala dos casados, diz, "mando, não eu mas o Senhor," ver. 10. Disse que "A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas se falecer o seu marido. fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor," ver. 39. Não há razão nenhuma para limitar este princípio à mulher. O homem está ligado a sua esposa todo o tempo que ela vive. Se ela morrer, ele está livre para casar-se de novo. Mas se casar-se durante a vida dela, está cometendo adultério. Tanto o marido como a esposa são "co-herdeiros da graça da vida."
Todas estas passagens ensinam a permanência do matrimonio, e que a única coisa que desfaz o casamento é a morte. No caso de um que se aparta do outro, Deus manda "que a mulher se não aparte do marido," ver. 10. E "se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido," ver. 11. Acha que este principio é somente para a mulher? Não, porque Paulo continua
dizendo, "e que o marido não deixe (não abandone) a mulher." Marcos 10:11-12 menciona tanto o marido como a esposa! Lucas 16:18 também ensina que "Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também." O homem deixa a sua mulher. Ela fica abandonada, sem sustento, sem abrigo, sem marido. Ele se casa com a outra. Comete adultério. A esposa dele casa-se de novo. O segundo homem dela comete adultério. Por que? Porque o marido dela está vivo. Perante Deus ela pertence ao primeiro marido. É claro que ela também comete adultério, se ajuntar ao outro, mas esta passagem fala do homem que se ajuntar com ela. Jesus disse que "aquele que casa com a repudiada" comete adultério. Esta é a mesma idéia que achamos em Mat. 5:32.
Se o homem repudiar a sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério." Se fosse por prostituição, ela já seria culpada de adultério! Mas se ele a repudiar por outra causa qualquer, ela acaba ajuntando-se com um outro. Isto é adultério. Assim o homem faz a sua mulher cometer adultério. E neste caso, o homem que ajuntar-se com ela (a repudiada) também comete adultério porque ela é casada.
Deus quer que a família continue unida. Ele detesta divórcio. Mal. 2:14-16. Não quer que ninguém fique "desleal para com a mulher da sua mocidade."
Deus manda que ninguém se aparte do seu "co-herdeiro da graça da vida," I Cor. 7:10-11. Se um abandonar o outro, como é que faz? "Fique sem casar, ou que se reconcilie.." Reconciliação é possível? Sim. Deus manda que seja feita! Leia cuidadosamente o capítulo inteiro de Ezequiel 16. Deus e Israel eram casados. Israel se tornou infiel, como uma meretriz pior que Samaria ou Sodoma. Foi abandonada por Deus, mas não permanentemente. Um dia Deus vai recebê-la de volta, arrependida. O mesmo Deus que escreveu Deut. 24 também tem graça e misericórdia maior que a LEI. (Cuidado com a lei! Vamos usar Deuteronômio hoje para todo o nosso comportamento? Se aceitamos uma parte e não tudo somos incoerentes, errados).
Vamos apedrejar o estuprador, ou o adúltero?
O errado será perdoado somente se arrepender se. A mulher adúltera em João 8:1-11 estava errada. Merecia morrer. Jesus era inocente do pecado; podia acusá-la. Ele não pediu a sua morte. "Nem eu também te condeno: vai-te, e não peques mais." Quando o errado, o infiel se arrepende e pede perdão, vamos aplicar a lei ou a graça? Vamos perdoar? E a pessoa errada: vai continuar no pecado? Não. Vai ser como o caso em I Cor. 5 e II Cor. 2. O homem cometeu fornicação. Como? Estava vivendo com a mulher de seu pai.
Paulo manda que aquele "que tal ato praticou" seja excluído, tirado da igreja. Não podemos aprovar fornicação. Ver. 10 disse que não nos devemos associar com um irmão "devasso," isto é, fornicário. A igreja excluiu o homem pela votação da maioria (não é necessária a unanimidade), e depois ele se arrependeu. Voltou à igreja arrependido, e Paulo manda que seja recebido, consolado, confirmado! Por que? Deixou a relação ilícita. Parou de morar com a mulher do seu pai. Temos que deixar bem claro que amamos o pecador mas aborrecemos o pecado. Através de arrependimento a reconciliação pode ser feita. "Para que te lembres, e te envergonhes, e nunca mais abras a tua boca, por causa da tua vergonha, quando me reconciliar contigo de tudo quanto fizeste, diz o Senhor JEOVÁ." Ezequiel 16:63.
Pr. Steve H. Montgomery
Luto
GRUPO CRISTÃO DE APOIO A PESSOAS ENLUTADAS
A) O Que é o Luto?
1. Uma onda de dor e sofrimento, mágoa e medo, ira e culpa, solidão e desespero que cobre uma pessoa quando sofre uma perda.
2. Uma variedade de reações e emoções ( normalmente incluindo ansiedade, ira, depressão, culpa e medo) em resposta a uma perda.
3. As reações psicológicas e fisiológicas em resposta a uma perda.
AS NECESSIDADES PRINCIPAIS depois de uma perda são:
Lugares Seguros
Pessoas Seguras
Situações Seguras.
Quais as perdas normais da vida ?
Todos passam pelo processo de luto quando sofrem uma perda. A duração e intensidade deste processo depende do tipo de perda. Quando for a morte, as reações variam de acordo com o temperamento da pessoa , suas experiências, o apoio recebido , suas crenças , as circunstâncias da morte e o relacionamento com o falecido . Estudos mostram que é mais difícil se lidar com uma morte inesperada . É mais difícil aceitar a morte de um filho , cônjuge ou pais . O nível de dependência do falecido também afeta a aceitação da morte.
Estudos também mostram que pessoas que buscam a Deus reagem melhor.
A personalidade da pessoa e a sua bagagem afetam também as suas reações.
É mais difícil enfrentar a morte quando a pessoa é insegura , dependente e deprimida . Uma pessoa que já está vivendo com stress ou uma pessoa sem a capacidade de controlar ou expressar suas emoções terá mais dificuldade . O comportamento considerado apropriado pela cultura , sociedade ou igreja pode ajudar ou interferir com o processo de recuperação .
Anote os tipos de morte que, para você, seriam mais difíceis de aceitar:
Como a formação psicológica de uma pessoa afetaria a sua reação a qualquer tipo de perda ?
B) Os Efeitos do Luto
EFEITOS FÍSICOS: Nos primeiros seis meses, o luto interfere no sistema imunológico que combate doenças e infecções normais. O índice de morte aumenta durante os primeiros anos depois da morte de um ente querido. Aumentam os problemas cardíacos, a pressão alta, câncer e derrames. O stress também causa cansaço, fraqueza, dor de cabeça, falta de ar, falta de apetite, insônia e problemas de digestão.
Um estudo feito na Europa mostrou os seguintes fatos:
1) O índice de morte nos primeiros 5 anos é de 6,5% mais alto do que o normal;
2) O índice de suicídios é 242% mais alto;
3) O índice de morte por acidente de trânsito é 153% mais alto.
Estudos feitos nos Estados Unidos mostram que o segundo e terceiro anos depois da morte de um ente querido são os mais difíceis. Além disso, 75% dos pais que perdem um filho se divorciam dentro de 5 anos.
EFEITOS EMOCIONAIS: Os sentimentos mais comuns são os seguintes: depressão, ansiedade, medo, culpa, um vazio interior, irritabilidade, isolamento, raiva, esquecimento, falta de concentração e interesse nas atividades normais. A pessoa geralmente vai ter sonhos e pesadelos sobre o falecido , tomará decisões erradas, sentirá solidão e falta de energia, e se sentirá menos capaz de lidar com o stress normal do dia a dia. Ela assume as características, tenta realizar todos os sonhos, tenta terminar coisas que o falecido deixou e, às vezes, se veste com a roupa do falecido. Estes sentimentos vêm em ondas que diminuem com o tempo. Os dias especiais como o Natal, aniversários ou outro dia significativo para o falecido, são os dias mais difíceis por MUITOS anos.
EFEITOS SOCIAIS: O enlutado tem que enfrentar uma nova identidade dentro do seu grupo - solteiro de novo, casal sem filho, etc... Querem evitar os amigos, lugares ou situações que podem lembrar o falecido.
EFEITOS PATOLÓGICOS: Estes aparecem quando o luto é negado ou escondido, incluem medo intenso, culpa intensa e isolamento. A pessoa se sente desamparada e indefesa. Esta reação é mais comum quando: a morte é inesperada (súbita), o enlutado era completamente dependente do falecido, houve um relacionamento ambivalente (amor junto com ódio) entre os dois, houve algo não terminado entre os dois (conflito não resolvido, confissões não feitas, amor não expressado), a causa da morte foi violenta, acidental ou suicídio, e/ou a morte deixou o enlutado com novos e difíceis desafios tais como, cuidando de filhos pequenos ou dos negócios do outro. Sintomas: não pode falar do falecido; fala dele no tempo presente; ameaças de destruição própria; depressão contínua e profunda junto com culpa e pouco amor próprio; comportamento anti-social; hostilidade; culpa ou tristeza excessiva; abuso de álcool ou drogas; isolamento dos outros; impulsividade; doenças psicossomáticas; recusa em mudar o quarto do falecido ou de se livrar das roupas e possessões do falecido; recusa a ajuda dos outros; veneração de objetos que trazem lembranças do falecido; recusa em expressar os sentimentos; uma atitude alegre e eufórica - regozijando-se no Senhor; hiper-atividade.
C) As Fases do Processo do Luto.
1. Estado de choque e choro - A pessoa recusa crer / aceitar a morte / a perda . Este mecanismo dá ao enlutado tempo / espaço para enfrentar a realidade . O choque é um dispositivo natural que todos têm para enfrentar a dor.
2. Expressão Emocional - Choro é a reação normal . Soltar as emoções é saudável e apropriado .
3. Depressão e Solidão - Depressão é o sentimento universal do luto. O enlutado se sente isolado e sem esperança . Pode se sentir abandonado por todos - até por Deus .
4. Sintomas Físicos - Doenças que não respondem ao medicamento são comuns e acontecem especialmente quando a pessoa está guardando os sentimentos de culpa , frustração , mágoa , etc .
5. Medo do futuro / Pânico - A pessoa não pode se concentrar . Pensa continuamente sobre a perda . Pode até pensar que está ficando louca - perdendo controle . ( Ajudando-a a aceitar estes sentimentos como normais pode aliviar seus medos . )
6. Culpa - O enlutado fica analisando todas as oportunidades perdidas para ajudar o falecido . Então sente remorso e se sente um fracasso . Há dois tipos de culpa : A normal, é resultado de falhas cometidas e a culpa neurótica, baseada numa expectativa irreal, onde a pessoa se responsabiliza por algo de que não tinha controle .
7. Hostilidade e Ressentimento - Acha que tudo que aconteceu é injusto. Começa culpar o médico , um amigo , parente , o falecido , ou Deus . A pergunta comum é Por que aconteceu comigo ? Depois de tantos anos servindo a Deus , Ele fez isso comigo .
8. Incapacidade de Voltar às Atividades Normais - Experiências , lugares ou eventos podem trazer lembranças do falecido e então o enlutado evita sua rotina normal .
9. A Volta da Esperança - A depressão , etc... diminui . As ondas vêm com menos freqüência .
10.Ajustamento à realidade.
OBS: Para os adultos , o período de luto geralmente leva de 18 a 24 meses antes que comecem a aparecer os sinais de recuperação . É mais rápido quando a pessoa trabalha com o que está sentindo .
D) As Reações Psicológicas do Luto.
1. Choque - A negação é mais forte nesta fase. Nosso ser procura se proteger da realidade dolorosa e assustadora
2. Entorpecimento - O anestésico natural . A pessoa se sente paralisada emocional e fisicamente . Durante esta fase , pensamentos , sentimentos e movimentos parecem estar em marcha lenta . A pessoa parece ter pouca reação à situação . Podemos até pensar que a pessoa está sendo forte , confiante em Deus , etc. e ficamos surpresos quando mais tarde começam as reações emocionais .
3. Fantasia versus Realidade - A pessoa sente a presença da outra . Acha que a viu na rua ; escuta a voz dela ; esquece que a pessoa não está mais aqui - coloca o prato na mesa , pensa quando ela chegar , tenho que contar isso a ela .
4. Ruptura no Estado de Luto - A invasão de emoções . Durante semanas e meses seguidos , a realidade entra no entorpecimento e solta uma corrente forte de mágoa , geralmente expressada através do choro . O choro é forte , incontrolável - uma enchente.
5. Memórias Selecionadas e Punhaladas- Período de dores intensas . Com tempo , as fantasias diminuem , as memórias são menos intensas e começam a dominar as associações . Uma canção , lugar , pessoa ou objeto reacende a dor . Também com o tempo , diminui a dor - mas traz choro intenso . Estas memórias são mais relacionadas com as realidades do passado do que com as irrealidades do presente e geralmente não são tão assustadoras . Neste período a pessoa morta é ressurreta .
Aceitação e Reafirmação - A fase final . Pode começar dentro de alguns dias, ou só depois de alguns meses.
E) Reações Destrutivas
1- Emoções contidas
2- Indecisão
3- Comportamento prejudicial a si mesmo ( venda de possessões / dando ou jogando fora os pertences do falecido )
4- Auto-castigo - por causa dos sentimentos de culpa
5- Insensibilidade à perda
6- Hiper-atividade
7- Evitando pensamentos sobre o ente querido
8- Mudança nos seus relacionamentos
F) Atitudes Normais
1- Choro e choque
2- Culpa
3- Hostilidade
4- Atividade frenética
5- Atividades normais perdem a sua importância
6- Identificação com o morto
G) O Trabalho do Luto
No período de luto , a pessoa precisa agir , trabalhar , para realizar os seguintes propósitos :
1- Atenuar a dor da perda.
2- Ajustar-se a uma nova vida
3- Fazer novas amizades e refazer os velhos relacionamentos
H) Os Sinais de Recuperação
1- Não pensa tanto no falecido
2- Começa fazer planos para o futuro
3- Volta à energia e a capacidade de cuidar das coisas cotidianas
4- Não faz tantas decisões emocionais e radicais como antes
5- Começa a se alimentar como antes e dorme melhor
6- Começa a tomar as próprias decisões
7- Não fala tanto nos se... e não se preocupa com aquilo que não vai acontecer ou pode não acontecer
8- Começa a se sentir como pessoa e não como um robô
9- Sente-se livre para rir e se divertir
I) Meios de Ajudar
1- Admitir que esta experiência é dolorosa , difícil e demorada . Palavras lisonjeiras ou frases chavões têm pouco valor . Os crentes têm a tendência de enfatizar tanto a esperança que temos em Deus que a pessoa se sente culpada pela dor e sofrimento que está sentindo e começa a duvidar de sua salvação .
2- Permitir que a pessoa enfrente a realidade da perda , deixando-a falar da morte, não tentando mudar de assunto .
3- Ajudar a pessoa a falar do falecido . Perguntas que pode usar são :
O que aconteceu? Pode falar da morte dele?
O que tem acontecido desde a morte dele?
Como estão as coisas com você , sua família , seus amigos , seu emprego?
Já passou uma experiência dessas antes?
Qual a sua lembrança predileta dele?
Fale dele . Que tipo de pessoa era? Como veio a conhecê-la?
4- Apoiar a pessoa durante o processo TOTAL de luto . O trabalho de luto será doloroso e demorado. Este trabalho envolve não somente a lamentação pelo falecido, mas também pelas esperanças, sonhos, planos, fantasias e expectativas que o enlutado também perdeu . A função do conselheiro é ficar perto e apoiar a pessoa enquanto ela passa por esta experiência . Passagens que pode usar : Salmo 23; I Cor. 15:55-57; João 14: 1-4, Fil 1:21 . Leia estas passagens e pense como poderia usá-las com o enlutado . Anote outras passagens que vêm à mente .
5- Ajudar a pessoa lidar com o sentimento de culpa. É prejudicial quando a pessoa racionaliza / raciocina / rejeita a culpa , etc.
6- Ajudar a pessoa a estabelecer novos relacionamentos . A igreja pode ter tantas lembranças do falecido que a pessoa não queira voltar lá .
7- Encorajar a pessoa a :
-Conversar
-Orar ( Romanos 8:26 )
-Aceitar a realidade ( I Cor.15:26 )
- Aceitar e expressar os sentimentos
- Reconciliar-se com emoções negativas
- Quebrar os laços
- Falar sobre o falecido
- Estabelecer novos relacionamentos
- Restabelecer atitudes positivas sobre si mesmo
- Redescobrir o significado de vida
8 - Regras gerais para ajudar à pessoa enlutada :
- Começar onde ela está
- Identificar os sentimentos
- Empatizar-se com ela
- Ser sensível ; usar poucas palavras
- Evitar o uso de frases chavões
9- Sugestões para organizar um Grupo de Apoio
Componentes
Grupo de no máximo 12 pessoas Pessoas que tenham passado por uma experiência de perda
Moderador
Deverá ter uma pessoa que esteja já no processo de recuperação, ou seja, recuperada e/ou uma pessoa que não tenha passada pela experiência, mas que seja sensível, saiba ouvir e empreender o enlutado.
Sua função será de avisar/lembrar os componentes do grupo as reuniões, datas importantes e qualquer evento.
Dar abertura as reuniões, apresentar alguém novo ao grupo, observar se alguém está calado demais.
Encerrar as reuniões, observando o horário.
Características do Grupo de Apoio:
Não abrir mão de ler a Bíblia no inicio ou final da reunião.
Poderá haver reflexão com cópia para o grupo sobre o assunto por algum componente.
O grupo decidirá onde e quantas reuniões
Um lanche simples é muito agradável, poderá ser a primeira alimentação de alguém naquele dia.
A espontaneidade deverá predominar no grupo. Ninguém é obrigada a falar. Ter um versículo e/ou tema para um grupo falar em todas as reuniões.
ATENÇÃO : Quem fala demais e quem não fala.
Pessoa muito eufórica, pode ser sinal de que precisa de um profissional.
REFLEXÃO
A perda é uma saudade longa,
Uma dor intensa.
Deus coloca Sua mão sobre o
Coração da gente.
Não tira a dor, mas
Dá a força que precisamos
Para sorrir de novo.
A) O Que é o Luto?
1. Uma onda de dor e sofrimento, mágoa e medo, ira e culpa, solidão e desespero que cobre uma pessoa quando sofre uma perda.
2. Uma variedade de reações e emoções ( normalmente incluindo ansiedade, ira, depressão, culpa e medo) em resposta a uma perda.
3. As reações psicológicas e fisiológicas em resposta a uma perda.
AS NECESSIDADES PRINCIPAIS depois de uma perda são:
Lugares Seguros
Pessoas Seguras
Situações Seguras.
Quais as perdas normais da vida ?
Todos passam pelo processo de luto quando sofrem uma perda. A duração e intensidade deste processo depende do tipo de perda. Quando for a morte, as reações variam de acordo com o temperamento da pessoa , suas experiências, o apoio recebido , suas crenças , as circunstâncias da morte e o relacionamento com o falecido . Estudos mostram que é mais difícil se lidar com uma morte inesperada . É mais difícil aceitar a morte de um filho , cônjuge ou pais . O nível de dependência do falecido também afeta a aceitação da morte.
Estudos também mostram que pessoas que buscam a Deus reagem melhor.
A personalidade da pessoa e a sua bagagem afetam também as suas reações.
É mais difícil enfrentar a morte quando a pessoa é insegura , dependente e deprimida . Uma pessoa que já está vivendo com stress ou uma pessoa sem a capacidade de controlar ou expressar suas emoções terá mais dificuldade . O comportamento considerado apropriado pela cultura , sociedade ou igreja pode ajudar ou interferir com o processo de recuperação .
Anote os tipos de morte que, para você, seriam mais difíceis de aceitar:
Como a formação psicológica de uma pessoa afetaria a sua reação a qualquer tipo de perda ?
B) Os Efeitos do Luto
EFEITOS FÍSICOS: Nos primeiros seis meses, o luto interfere no sistema imunológico que combate doenças e infecções normais. O índice de morte aumenta durante os primeiros anos depois da morte de um ente querido. Aumentam os problemas cardíacos, a pressão alta, câncer e derrames. O stress também causa cansaço, fraqueza, dor de cabeça, falta de ar, falta de apetite, insônia e problemas de digestão.
Um estudo feito na Europa mostrou os seguintes fatos:
1) O índice de morte nos primeiros 5 anos é de 6,5% mais alto do que o normal;
2) O índice de suicídios é 242% mais alto;
3) O índice de morte por acidente de trânsito é 153% mais alto.
Estudos feitos nos Estados Unidos mostram que o segundo e terceiro anos depois da morte de um ente querido são os mais difíceis. Além disso, 75% dos pais que perdem um filho se divorciam dentro de 5 anos.
EFEITOS EMOCIONAIS: Os sentimentos mais comuns são os seguintes: depressão, ansiedade, medo, culpa, um vazio interior, irritabilidade, isolamento, raiva, esquecimento, falta de concentração e interesse nas atividades normais. A pessoa geralmente vai ter sonhos e pesadelos sobre o falecido , tomará decisões erradas, sentirá solidão e falta de energia, e se sentirá menos capaz de lidar com o stress normal do dia a dia. Ela assume as características, tenta realizar todos os sonhos, tenta terminar coisas que o falecido deixou e, às vezes, se veste com a roupa do falecido. Estes sentimentos vêm em ondas que diminuem com o tempo. Os dias especiais como o Natal, aniversários ou outro dia significativo para o falecido, são os dias mais difíceis por MUITOS anos.
EFEITOS SOCIAIS: O enlutado tem que enfrentar uma nova identidade dentro do seu grupo - solteiro de novo, casal sem filho, etc... Querem evitar os amigos, lugares ou situações que podem lembrar o falecido.
EFEITOS PATOLÓGICOS: Estes aparecem quando o luto é negado ou escondido, incluem medo intenso, culpa intensa e isolamento. A pessoa se sente desamparada e indefesa. Esta reação é mais comum quando: a morte é inesperada (súbita), o enlutado era completamente dependente do falecido, houve um relacionamento ambivalente (amor junto com ódio) entre os dois, houve algo não terminado entre os dois (conflito não resolvido, confissões não feitas, amor não expressado), a causa da morte foi violenta, acidental ou suicídio, e/ou a morte deixou o enlutado com novos e difíceis desafios tais como, cuidando de filhos pequenos ou dos negócios do outro. Sintomas: não pode falar do falecido; fala dele no tempo presente; ameaças de destruição própria; depressão contínua e profunda junto com culpa e pouco amor próprio; comportamento anti-social; hostilidade; culpa ou tristeza excessiva; abuso de álcool ou drogas; isolamento dos outros; impulsividade; doenças psicossomáticas; recusa em mudar o quarto do falecido ou de se livrar das roupas e possessões do falecido; recusa a ajuda dos outros; veneração de objetos que trazem lembranças do falecido; recusa em expressar os sentimentos; uma atitude alegre e eufórica - regozijando-se no Senhor; hiper-atividade.
C) As Fases do Processo do Luto.
1. Estado de choque e choro - A pessoa recusa crer / aceitar a morte / a perda . Este mecanismo dá ao enlutado tempo / espaço para enfrentar a realidade . O choque é um dispositivo natural que todos têm para enfrentar a dor.
2. Expressão Emocional - Choro é a reação normal . Soltar as emoções é saudável e apropriado .
3. Depressão e Solidão - Depressão é o sentimento universal do luto. O enlutado se sente isolado e sem esperança . Pode se sentir abandonado por todos - até por Deus .
4. Sintomas Físicos - Doenças que não respondem ao medicamento são comuns e acontecem especialmente quando a pessoa está guardando os sentimentos de culpa , frustração , mágoa , etc .
5. Medo do futuro / Pânico - A pessoa não pode se concentrar . Pensa continuamente sobre a perda . Pode até pensar que está ficando louca - perdendo controle . ( Ajudando-a a aceitar estes sentimentos como normais pode aliviar seus medos . )
6. Culpa - O enlutado fica analisando todas as oportunidades perdidas para ajudar o falecido . Então sente remorso e se sente um fracasso . Há dois tipos de culpa : A normal, é resultado de falhas cometidas e a culpa neurótica, baseada numa expectativa irreal, onde a pessoa se responsabiliza por algo de que não tinha controle .
7. Hostilidade e Ressentimento - Acha que tudo que aconteceu é injusto. Começa culpar o médico , um amigo , parente , o falecido , ou Deus . A pergunta comum é Por que aconteceu comigo ? Depois de tantos anos servindo a Deus , Ele fez isso comigo .
8. Incapacidade de Voltar às Atividades Normais - Experiências , lugares ou eventos podem trazer lembranças do falecido e então o enlutado evita sua rotina normal .
9. A Volta da Esperança - A depressão , etc... diminui . As ondas vêm com menos freqüência .
10.Ajustamento à realidade.
OBS: Para os adultos , o período de luto geralmente leva de 18 a 24 meses antes que comecem a aparecer os sinais de recuperação . É mais rápido quando a pessoa trabalha com o que está sentindo .
D) As Reações Psicológicas do Luto.
1. Choque - A negação é mais forte nesta fase. Nosso ser procura se proteger da realidade dolorosa e assustadora
2. Entorpecimento - O anestésico natural . A pessoa se sente paralisada emocional e fisicamente . Durante esta fase , pensamentos , sentimentos e movimentos parecem estar em marcha lenta . A pessoa parece ter pouca reação à situação . Podemos até pensar que a pessoa está sendo forte , confiante em Deus , etc. e ficamos surpresos quando mais tarde começam as reações emocionais .
3. Fantasia versus Realidade - A pessoa sente a presença da outra . Acha que a viu na rua ; escuta a voz dela ; esquece que a pessoa não está mais aqui - coloca o prato na mesa , pensa quando ela chegar , tenho que contar isso a ela .
4. Ruptura no Estado de Luto - A invasão de emoções . Durante semanas e meses seguidos , a realidade entra no entorpecimento e solta uma corrente forte de mágoa , geralmente expressada através do choro . O choro é forte , incontrolável - uma enchente.
5. Memórias Selecionadas e Punhaladas- Período de dores intensas . Com tempo , as fantasias diminuem , as memórias são menos intensas e começam a dominar as associações . Uma canção , lugar , pessoa ou objeto reacende a dor . Também com o tempo , diminui a dor - mas traz choro intenso . Estas memórias são mais relacionadas com as realidades do passado do que com as irrealidades do presente e geralmente não são tão assustadoras . Neste período a pessoa morta é ressurreta .
Aceitação e Reafirmação - A fase final . Pode começar dentro de alguns dias, ou só depois de alguns meses.
E) Reações Destrutivas
1- Emoções contidas
2- Indecisão
3- Comportamento prejudicial a si mesmo ( venda de possessões / dando ou jogando fora os pertences do falecido )
4- Auto-castigo - por causa dos sentimentos de culpa
5- Insensibilidade à perda
6- Hiper-atividade
7- Evitando pensamentos sobre o ente querido
8- Mudança nos seus relacionamentos
F) Atitudes Normais
1- Choro e choque
2- Culpa
3- Hostilidade
4- Atividade frenética
5- Atividades normais perdem a sua importância
6- Identificação com o morto
G) O Trabalho do Luto
No período de luto , a pessoa precisa agir , trabalhar , para realizar os seguintes propósitos :
1- Atenuar a dor da perda.
2- Ajustar-se a uma nova vida
3- Fazer novas amizades e refazer os velhos relacionamentos
H) Os Sinais de Recuperação
1- Não pensa tanto no falecido
2- Começa fazer planos para o futuro
3- Volta à energia e a capacidade de cuidar das coisas cotidianas
4- Não faz tantas decisões emocionais e radicais como antes
5- Começa a se alimentar como antes e dorme melhor
6- Começa a tomar as próprias decisões
7- Não fala tanto nos se... e não se preocupa com aquilo que não vai acontecer ou pode não acontecer
8- Começa a se sentir como pessoa e não como um robô
9- Sente-se livre para rir e se divertir
I) Meios de Ajudar
1- Admitir que esta experiência é dolorosa , difícil e demorada . Palavras lisonjeiras ou frases chavões têm pouco valor . Os crentes têm a tendência de enfatizar tanto a esperança que temos em Deus que a pessoa se sente culpada pela dor e sofrimento que está sentindo e começa a duvidar de sua salvação .
2- Permitir que a pessoa enfrente a realidade da perda , deixando-a falar da morte, não tentando mudar de assunto .
3- Ajudar a pessoa a falar do falecido . Perguntas que pode usar são :
O que aconteceu? Pode falar da morte dele?
O que tem acontecido desde a morte dele?
Como estão as coisas com você , sua família , seus amigos , seu emprego?
Já passou uma experiência dessas antes?
Qual a sua lembrança predileta dele?
Fale dele . Que tipo de pessoa era? Como veio a conhecê-la?
4- Apoiar a pessoa durante o processo TOTAL de luto . O trabalho de luto será doloroso e demorado. Este trabalho envolve não somente a lamentação pelo falecido, mas também pelas esperanças, sonhos, planos, fantasias e expectativas que o enlutado também perdeu . A função do conselheiro é ficar perto e apoiar a pessoa enquanto ela passa por esta experiência . Passagens que pode usar : Salmo 23; I Cor. 15:55-57; João 14: 1-4, Fil 1:21 . Leia estas passagens e pense como poderia usá-las com o enlutado . Anote outras passagens que vêm à mente .
5- Ajudar a pessoa lidar com o sentimento de culpa. É prejudicial quando a pessoa racionaliza / raciocina / rejeita a culpa , etc.
6- Ajudar a pessoa a estabelecer novos relacionamentos . A igreja pode ter tantas lembranças do falecido que a pessoa não queira voltar lá .
7- Encorajar a pessoa a :
-Conversar
-Orar ( Romanos 8:26 )
-Aceitar a realidade ( I Cor.15:26 )
- Aceitar e expressar os sentimentos
- Reconciliar-se com emoções negativas
- Quebrar os laços
- Falar sobre o falecido
- Estabelecer novos relacionamentos
- Restabelecer atitudes positivas sobre si mesmo
- Redescobrir o significado de vida
8 - Regras gerais para ajudar à pessoa enlutada :
- Começar onde ela está
- Identificar os sentimentos
- Empatizar-se com ela
- Ser sensível ; usar poucas palavras
- Evitar o uso de frases chavões
9- Sugestões para organizar um Grupo de Apoio
Componentes
Grupo de no máximo 12 pessoas Pessoas que tenham passado por uma experiência de perda
Moderador
Deverá ter uma pessoa que esteja já no processo de recuperação, ou seja, recuperada e/ou uma pessoa que não tenha passada pela experiência, mas que seja sensível, saiba ouvir e empreender o enlutado.
Sua função será de avisar/lembrar os componentes do grupo as reuniões, datas importantes e qualquer evento.
Dar abertura as reuniões, apresentar alguém novo ao grupo, observar se alguém está calado demais.
Encerrar as reuniões, observando o horário.
Características do Grupo de Apoio:
Não abrir mão de ler a Bíblia no inicio ou final da reunião.
Poderá haver reflexão com cópia para o grupo sobre o assunto por algum componente.
O grupo decidirá onde e quantas reuniões
Um lanche simples é muito agradável, poderá ser a primeira alimentação de alguém naquele dia.
A espontaneidade deverá predominar no grupo. Ninguém é obrigada a falar. Ter um versículo e/ou tema para um grupo falar em todas as reuniões.
ATENÇÃO : Quem fala demais e quem não fala.
Pessoa muito eufórica, pode ser sinal de que precisa de um profissional.
REFLEXÃO
A perda é uma saudade longa,
Uma dor intensa.
Deus coloca Sua mão sobre o
Coração da gente.
Não tira a dor, mas
Dá a força que precisamos
Para sorrir de novo.