:: A PREDESTINAÇÃO BÍBLICA ::Texto: Pr. Pedro Apolinário
COMO HARMONIZAR A LIBERDADE HUMANA COM A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO?
Antes do estudo do tema da Predestinação é necessário e muito útil o conhecimento de algumas idéias calvinistas e da contestação que Armínio e seus seguidores lhes fizeram.
Vamos transcrevê-las do livro - Questions on Doctrine, pág. 402 e seguintes.
Cinco pontos da Predestinação Calvinista
Em 1537, na obra Instruction in Faith (Paulo T. Fuhrmann, 1949, pág. 36), João Calvino declarou:
"Ora, a semente da Palavra de Deus só se enraíza e produz frutos nas pessoas que o Senhor, por Sua eleição eterna, predestinou para serem filhos e herdeiros do reino celestial. Para todos os outros (que pelo mesmo conselho de Deus foram rejeitados antes da fundação do mundo) a clara e evidente pregação da verdade só pode ser um cheiro de morte para morte."
Em 1610 foram apresentados aos Estados Gerais da Holanda os famosos cinco pontos essenciais na teologia calvinista, expostos da seguinte maneira:
Que Deus (como alguns asseveraram), por um decreto eterno e irrevogável, ordenou alguns dentre os homens (a quem Ele não considerava criados; muito menos caídos) para a vida eterna; e alguns (que eram por grande diferença a maior parte) para a perdição eterna, sem qualquer consideração a sua obediência ou desobediência, a fim de manifestar tanto a Sua justiça como a Sua misericórdia; de tal modo que as pessoas por Ele destinadas à salvação devem forçosa e inevitavelmente ser salvas, e as demais devem forçosa e inevitavelmente ser condenadas.
Que Deus (como outros ensinaram) considerou a humanidade não só como criada, mas também como caída em Adão, e, conseqüentemente, sujeita à maldição; tendo Ele determinado livrar alguns dessa queda e destruição e salvá-los como exemplos de Sua misericórdia; e deixar outros, até mesmo filhos do concerto, sob a maldição, como exemplos de Sua justiça, sem qualquer consideração a crença ou descrença. Com essa finalidade, Deus usou também certos meios pelos quais os eleitos fossem necessariamente salvos e os réprobos fossem necessariamente condenados.
Que, por conseguinte, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, não morreu por todos os homens, mas somente pelos que foram eleitos de acordo com a primeira ou a segunda forma.
Que, portanto, o Espírito de Deus e Cristo atuaram nos eleitos com força irresistível a fim de compeli-los à crença e à salvação, mas que aos réprobos não foi dada necessária e suficiente graça.
"Que aqueles que uma vez obtiveram verdadeira fé jamais poderiam perdê-la por completo ou terminantemente". A. W. Harrison, The Beginnings of Arminianism (1926), págs. 149 e 150.
Esse ponto de vista, porém, não se originou com Calvino. Mil anos antes, de acordo com G. F. Wiggers, Agostinho expressou a mesma idéia:
"Agostinho introduziu no sistema eclesiástico diversas idéias inteiramente novas. . . . Entre elas encontravam-se a graça irresistível, absoluta predestinação e a limitação aos eleitos da redenção por meio de Cristo". – An Historical Presentation of Augustinism and Pelagianism, pág. 368.
Refutação Elaborada Pelo Arminianismo
Em oposição e esses pontos de vista, Armínio e seus colaboradores elaboraram uma refutação que apresenta cinco argumentos contrários. Mais tarde eles se tornaram a síntese do que se conhecia por arminianismo. Eram os seguintes:
Que Deus, por meio de um decreto eterno e imutável em Cristo, antes de existir o mundo, determinou eleger para a vida eterna dentre a caída e pecaminosa raça humana os que por intermédio de Sua graça crêem em Jesus Cristo e perseveram na fé e na obediência; e, pelo contrário, resolveu rejeitar os impenitentes e descrentes, para condenação eterna (S. João 3:36).
Que, em conseqüência disto, Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos os homens, de modo que obteve, pela morte na cruz, reconciliação e perdão do pecado para todos os homens; de tal forma, porém, que só os fiéis a desfrutaram em realidade (S. João 3:16;1 S. João 2:2).
Que o homem não podia obter fé salvadora por si mesmo ou em virtude de seu próprio livre arbítrio, mas precisava da graça de Deus por meio de Cristo para renovar-se em pensamento e vontade (S. João 15:5).
Que essa graça constitui a causa do início, do desenvolvimento e da conclusão da salvação do homem; de maneira que ninguém poderia crer ou perseverar na fé sem essa graça cooperante, e, conseqüentemente, que todas as boas obras devem ser atribuídas à graça de Deus em Cristo, Todavia, quanto à sua maneira de operar, essa graça não é irresistível (Atos 7:51).
Que os verdadeiros crentes possuíam suficiente poder, mediante a graça divina, para batalhar contra Satanás, o pecado, o mundo, sua própria carne, e alcançar a vitória sobre eles; mas, para que pela negligência não apostatassem da verdadeira fé, perdessem a felicidade de uma boa consciência e fossem privados dessa graça, deveriam investigá-la mais cabalmente em conformidade com a Escritura Sagrada, antes de começar a ensiná-la." – Harrison, op. cit., págs. 150 e 151.
Essa controvérsia, que foi ativada por Armínio em 1603, atingiu o ponto culminante no Sínodo de Dort, em 1618 e 1619, e teve amplas conseqüências. Os seus efeitos se fizeram sentir não somente na igreja holandesa, mas as divisões alemã, suíça, escocesa, inglesa e francesa, da igreja cristã, também participaram dessa controvérsia ou se dividiram por sua causa. Desde então, o arminianismo se tornou o termo usado para exprimir conceitos teológicos contrários ao calvinismo. Entretanto, os seguidores de Armínio foram mais além em suas declarações do que o seu próprio mestre. Com efeito, ele ficaria surpreso e até indignado se pudesse ler as interpretações teológicas de alguns que têm sido classificados como arminianos. E o mesmo se pode dizer no tocante aos adeptos de Calvino. Parece até que o calvinismo atual sofreu maiores modificações que o arminianismo.
A Igreja Adventista do Sétimo Dia não é calvinista nem totalmente arminiana em sua teologia. Reconhecendo os méritos de ambos esses sistemas, procuramos assimilar o que nos parece ser o claro ensino da Palavra de Deus. Embora creiamos que João Calvino foi um dos maiores reformadores protestantes, não adotamos a idéia de que algumas pessoas "são predestinadas para a morte eterna sem qualquer demérito de sua parte, simplesmente por causa da soberana vontade de Deus" (Calvino, Institutes, Livro 3, cap. 23, § 21). Ou que os homens "não são todos criados com o mesmo destino; mas a vida eterna é preordenada para alguns, e, para outros, a condenação eterna" (Idem, Livro 3, cap. 21, § 5).
Pelo contrário, cremos que a salvação é acessível a todo e qualquer membro da raça humana, pois "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (S. João 3: 16). Exultamos com o apóstolo Paulo porque "antes da fundação do mundo" (Efés. 1:4) Deus resolveu suprir a necessidade do homem, se ele pecasse. Esse "eterno propósito" abrangia a encarnação de Deus em Cristo, a vida sem pecado e a morte expiatória de Cristo, Sua ressurreição dentre os mortos e o Seu ministério sacerdotal no Céu, o qual culminará nos grandiosos aspectos do julgamento.
Cremos que nosso ensino a respeito do assumo do julgamento está inteiramente de acordo com a Bíblia e é a conclusão lógica e inevitável de nosso conceito acerca do livre arbítrio. Temos a convicção de que, como indivíduos, cada um de nós é responsável perante Deus. Declara o apóstolo Paulo: "Todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Como está escrito: Por Minha vida, diz o Senhor, diante de Mim se dobrará toco joelho, e toca língua dará louvores a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus." Rom. 14:10-12.
Livre Arbítrio e Predestinação
Afirma a Bíblia que há livre arbítrio, liberdade de escolha e ao mesmo tempo predestinação?
Que a palavra de Deus declara que o homem é livre para escolher ninguém duvida, mas se ela também fala em predestinação, é necessário saber a que predestinação se refere.
A Bíblia não se contradiz, não pode apresentar doutrinas antagônicas, portanto não pode ensinar o livre arbítrio e a predestinação calvinista.
Que é livre arbítrio?
Livre arbítrio é um princípio escriturístico que declara que o homem é livre para tomar decisões, para decidir a questão do seu destino.
Que é predestinação?
Predestinação pode ser definida no sentido geral e no sentido bíblico.
No consenso do povo é crer que Deus traçou um plano para a nossa vida e devemos segui-lo sem o direito da escolha. Em outras palavras – somos autômatos, desempenhando um papel previamente estabelecido por Deus.
Calvino, ampliando idéias já antes defendidas por Santo Agostinho, afirmou que desde a antigüidade Deus estabeleceu dois decretos: Um selecionando um grupo para a salvação ou vida eterna e um outro decreto selecionando aqueles que serão destruídos. O próprio Calvino qualificou-o como terrível decreto de Deus.
Estaria este ensino em harmonia com as doutrinas bíblicas? De modo nenhum. Porque a dupla predestinação ensina que se não fomos arbitrariamente escolhidos para a salvação, não há esperança, mesmo que almejemos ardentemente esta graça. A Bíblia não diz isto.
Predestinação bíblica, é o decreto de Deus que possibilita a salvação a todos os que aceitarem a Cristo.
É importante compreender melhor e expor com clareza esta doutrina aos outros, embora reconhecendo, que ele é complexo, e em alguns aspectos transcende a nossa limitada compreensão.
Disse Russel Norman Champlin em O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo: "As questões relativas à predestinação e à eleição não podem ser explicadas por raciocínio humanos."
Concordamos – Elas são explicadas pelo raciocínio divino, isto é, pela Palavra de Deus.
"A doutrina da predestinação de uns para o bem e a felicidade e de outros para a mal e a infelicidade, parece ter nascido da necessidade de alguns teólogos de conciliarem a misericórdia com a Justiça Divina. Deus é justo com os que predestina ao mal e misericordioso com os que predestina para a salvação. As passagens de Isaías 1:27 e Rom. 3:25 negam que a misericórdia e a justiça sejam atributos divinos distintos; Deus não é metade misericórdia e metade justiça, mas inteiramente misericórdia e inteiramente justiça." – Hans K. LaRondelle, Apostila Predestinação Bíblica.
Em que passagens e fatos bíblicos se baseiam os defensores da predestinação divina para a perdição?
As passagens mais enfáticas para eles são:
Prov. 16:4; Rom. 9:18; 8:29 e 30; Efés. 1:5,11. Leitores apressados da Bíblia, deslocando, às vezes, estas passagens do seu contexto, concluíram, que Deus arbitrariamente predestinou algumas pessoas para serem salvas e outras para se perderem.
Dentre os fatos mais citados estes se destacam:
a) O endurecimento do coração de Faraó.
b) Judas predestinado para trair a Jesus.
c) A declaração de Rom. 9:13: "Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú.
A palavra predestinação não aparece na Bíblia, mas o verbo predestinar, em grego prooridzo, é empregado quatro vezes, isto é, em Rom. 8:29 e 30; Efés 1:5 e 11. (Alguns manuscritos o trazem também em Atos 4:28 e 1 Cor. 2:7). A palavra é formada de p r o (pró), antes e o verbo dorizw (horidzo) – definir, limitar. Este verbo é usado em português na palavra horizonte, como círculo limitante do campo da nossa observação. Prooridzo pode ser traduzido por demarcar de antemão, ser determinado anteriormente.
A Hermenêutica e a Predestinação
Três úteis princípios hermenêuticos ou interpretativos nos ajudarão a compreender o problema da predestinação.
1º) É a regra áurea da interpretação, chamada por Orígenes de "Analogia da Fé". O texto deve ser interpretado através do conjunto das Escrituras e nunca através de passagens isoladas. Não podemos basear uma doutrina numa só passagem.
2º) Para compreender bem uma passagem é precisa consultar as passagens paralelas. São aquelas que tratam do mesmo assunto.
3º) Observar bem o contexto. Ver o que vem antes e depois para saber de que autor está tratando.
Ilustremos com exemplos bíblicos estes princípios, visando elucidar o assunto que estamos apresentando.
1º) Prov. 16:4 – "O Senhor fez todas as coisas para determinados fins, e até o perverso para o dia da calamidade."
Ecles. 7:29 – "Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias."
Deus de modo algum é o originador do mal, mas os que se tornam malvados por sua livre vontade, Deus os destruirá.
2º) O segundo princípio pode ser ilustrado com Rom. 9:18 que declara: "Logo, tem ele misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz."
Colocando ao lado as passagens paralelas de Sal.18:25 e 26 e Isa. 55:7 sabemos com quem Deus quer ser misericordioso e com quem age com dureza. Estas passagens nos afiançam que com os benignos Ele é benigno, mas destruirá os perversos e impenitentes.
Êxodo 4:21 e 7:3 afirmam que Deus endureceu o coração de Faraó. Estas passagens são citadas pelos defensores da predestinação. Temos aqui um idiomatismo hebraico, ou seja o verbo usado não para expressar a execução de algo, mas a permissão para fazer isso. Confira Êxo. 5:22 – "Ó Senhor, por que afligiste a este povo?" (isto é, toleraste que fosse afligido).
Ademais as passagens paralelas de Êxodo 7:13, 22 e 8:32 nos mostram que foi Faraó que endureceu o seu próprio coração.
3º) O contexto das passagens de Romanos e Efésios que falam da predestinação é claro em nos mostrar que todos fomos predestinados para a salvação. Paulo nos diz que Deus através de Cristo nos predestinou para que fôssemos seus filhos por adoção.
Os gentios ficaram admirados por serem atingidos pelo evangelho. Eles perguntavam: Por que só agora lhes fora revelado este privilégio? Paulo lhes diz claramente que eles já tinham sido destinados ou predestinados para serem participantes do evangelho.
Deus tem um propósito para este mundo e para cada pessoa individualmente. Este propósito é que todos cheguem ao conhecimento da verdade e se salvem.
"Deus não deseja que alguém se perca" II Ped. 3: 9.
Alguns afirmam: estava predestinado que Judas trairia a Cristo, por isso ele não era livre para escolher.
A Bíblia não diz que estava predestinado que Judas o trairia. Embora a morte de Cristo fosse pré-ordenada, Pilatos e Judas não precisariam ter sido instrumentos dessa morte, eles eram livres para aceitá-lo ou colaborarem na sua condenação,
O Espírito de Profecia declara:
"O Salvador lia o coração de Judas; sabia as profundezas de iniqüidade a que, se o não livrasse a graça de Deus, havia ele de imergir. ... Abrisse ele o coração a Cristo, e a graça divina baniria o demônio do egoísmo, e mesmo Judas se poderia tornar um súdito do reino de Deus." – O Desejado de Todas as Nações, pág, 294.
Outra passagem muito citada pelos calvinistas para a dupla predestinação é Rom. 9:13 – "Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú." Afirmam: Antes do nascimento, um é predestinado para a Salvação e outro para a condenação. Esta é uma conclusão simplista e antibíblica.
Devemos atentar para estes dois pontos:
1º) Esta citação de Paulo foi tirada de Malaquias 1: 2-3, escrita mais ou menos 1.000 anos depois que eles viveram, portanto não é uma profecia, mas sim fato histórico.
2º) Malaquias não está falando de Esaú e Jacó como duas pessoas, mas de dois povos distintos: israelitas e edomitas. Jacó está representando o povo do concerto e Esaú os incrédulos e inimigos de Deus. O aborrecimento de Deus por Esaú – ou melhor pelos seus descendentes – foi após um milênio de paciência.
Paulo declara que Jacó foi escolhido para uma função, para representar um papel de destaque na história do povo de Deus. Rom. 9:11-12.
Os versos 34 e 41 de Mat. 25 contradizem frontalmente a dupla predestinação de Calvino.
Verso 34 – "Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." Isto sugere predestinação para a Salvação.
Verso 41 - ". . . Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." Se houvesse a dupla predestinação a afirmativa de Cristo seria – preparado para vós desde a fundação do mundo. O fogo foi preparado para o diabo e seus anjos, não para o homem.
Outra declaração importante de Paulo, que precisa ser bem compreendida é a de Rom. 9:22 e 23.
O verso 22 fala dos vasos de ira preparados para a perdição, mas que Deus os suportou com muita longanimidade.
No verso 23 há o relato dos vasos da glória preparados previamente, O comentário do Púlpito em inglês chama-nos a atenção para uma palavra muito importante ao interpretar estes versos, isto é, previamente.
A Bíblia nos prova de maneira inequívoca que os vasos da ira não foram feitos por Deus para a destruição. Basta ler as passagens paralelas de Romanos 2:4 e 5 onde Paulo nos fala que Deus trabalha para a Salvação do homem, mas o próprio homem endurece o seu coração para o dia da ira.
Em Adão todos são predestinados para a perdição. I Cor. 15:22.
Em Cristo todos são predestinados para a salvação. S. João 1:12.
Provas Bíblicas Contra a Predestinação Calvinista
Dentre as múltiplas citações escriturísticas, que contradizem o ensino satânico de Deus haver predestinado pessoas para a perdição, as 10 seguintes devem ser destacadas, por sua objetividade e clareza ímpar:
1ª) 1 Tim. 2:4 – "O qual deseja que TODOS os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." O relato de Paulo aqui não admite divagações. Sua declaração nos leva a afirmar: ninguém foi designado para a perdição.
2º) II Ped. 3:9 – ". . . não querendo que nenhum pereça, senão que TODOS cheguem ao arrependimento."
É impossível, harmonizar – Deus não deseja que alguém se perca, com a idéia de Ele escolher pessoas para serem destruídas.
3ª) Apoc. 22:17 – ". . . QUEM QUISER receba de graça a água da vida."
Todos têm a oportunidade, graças a Deus. Aqui entra em cena a vontade pessoal. Querer é um verbo que indica vontade, portanto a pessoa escolhe; não aparece a imposição.
Maravilhoso é o livre arbítrio concedido por Deus.
4ª) São João 3:16 – ". . . TODO aquele que nele crê. . ." Deus decretou que todos os que aceitarem a Cristo se salvem. Não decretou que todos devem aceitar a Salvação que Ele oferece. Deus não força a vontade de ninguém.
5ª) Ezeq. 18:32 – "Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus, Portanto convertei-vos e vivei."
Deus tem prazer na salvação, nunca na perdição.
6ª) Mat. 7:21 - "Nem TODO o que me diz : Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus."
Muitos não serão salvos, porque não aceitam as condições da salvação.
7ª) Jer. 21:8 – ". . . Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte."
Para que dois caminhos se a sorte de cada um já está traçada antes?
8ª) Apoc. 2:10 – ". . . Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida."
Vejam que a salvação também depende de nós. Depende da nossa perseverança. Heb. 3:14.
9ª) Atos 17:30 – ". . . agora, porém notifica aos homens que TODOS em toda parte se arrependam."
O convite a todos para que se arrependam seria um escárnio ao nome de Deus se os homens não se pudessem arrepender. Paulo declara em Tito 2:11 que "a graça de Deus se manifestou salvadora a TODOS os homens."
10ª) I Tes. 5:9 – "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo."
Esta declaração é muito significativa e seria suficiente para desmoronar o frágil edifício dos calvinistas.
Após a leitura destas passagens a nossa conclusão só pode ser esta: Deus não predestinou que pessoa alguma se perca.
Eleição e Vocação
Intimamente relacionadas com a predestinação se encontram a eleição e a vocação.
· Vocação é o chamado.
· Eleição é a escolha.
A Bíblia está repleta de exemplos, de que a eleição, tanto de um povo, com a de indivíduos é para o serviço, para o desempenho de um papel no plano da salvação, para ser uma bênção aos outros e não simplesmente como um privilégio. Veja Gên. 12:2.
Israel foi eleito como um povo para um especial serviço. Deut. 4: 37; 7:6-8.
Exemplos bíblicos de pessoas eleitas para a execução de um trabalho especial:
a) Moisés – Êxodo 3.
b) Os Sacerdotes – Deut. 18:5.
c) Os reis –I Sam. 10:24.
d) Os profetas – Jer. 1:5.
e) Os apóstolos – S. João 6:70
Três verdades não podem ser ESQUECIDAS quanto à eleição:
1ª) A eleição de Deus inclui TODO o mundo. I Tim. 2: 4, 6; II Cor. 5:14-15; PP 207, 208; DTN 615.
Deus não elegeu ou predestinou apenas aqueles que eram dignos de Sua graça. Mas elegeu o indigno, Ele elegeu o iníquo, Ele elegeu os seus inimigos. Rom. 5: 6.
2ª) Deus nos escolhe para o serviço na base do caráter e não em bases pessoais. Nós nos elegemos, quando pelo poder de Cristo atingimos o padrão que ele estabelece. PP 208; SDABC, Vol. VI1, pág. 944.
3ª) A escolha de uma pessoa, não significa a rejeição de outras. A escolha de Israel não significou a rejeição dos gentios. Ao escolher Israel Deus desejava que por seu intermédio outras nações pudessem ser participantes de sua graça.
Berkouwer, em seu notável livro, Divine Election, escrito com a finalidade principal de combater a dupla predestinação calvinista, nos informa que aprendeu nas Escrituras que o termo bíblico para eleição não implica necessariamente na rejeição de outros.
Há um duplo propósito na eleição:
a) Para a salvação dos eleitos – Rom. 11:7-11; II Tes. 2:13.
b) Para a glória de Deus – Efés. 1:6, 12, 14,
Ilustração
A historieta de um velho preto, membro leigo, de parcos conhecimentos teológicos, nos informa da nossa parte no problema da salvação: "Bem, há uma eleição onde Deus está votando a nosso favor e o diabo votando para a nossa perdição, do lado em que pusermos o nosso voto esse ganhará a eleição."
Comentando esta declaração o famoso evangelista Wilbur Chapman declarou: "Tenho feito um curso de teologia, sou graduado num seminário teológico, mas nunca ouvi uma explicação tão boa como esta".
Por que NÃO CONCORDAMOS com a Predestinação Calvinista?
Além das provas bíblicas já apresentadas podem ainda ser adicionadas:
a) A debilidade da doutrina da predestinação consiste em que ela destrói o livre arbítrio, que é uma doutrina fundamental ensinada na Bíblia.
b) Atos 10:34 e 35 – afirma que Deus não faz acepção de pessoas. Se predestinasse alguns para se salvarem e outros para se perderem estaria fazendo acepção de pessoas.
c) Se em Cristo há plena possibilidade de salvação para todos, cai por terra a doutrina gnóstica e calvinista da redenção limitada.
d) Ellen G. White faz bem claro em Conflito dos Séculos pág, 279 - Que a doutrina calvinista do duplo decreto divino havia conduzido muitos à rejeição virtual da lei de Deus.
e) Na conhecida Conferência Geral de Mineápolis, em 1888 este assunto foi discutido e por orientação divina chegou-se à conclusão seguinte: a predestinação calvinista não é defensável pela Bíblia, deve ser rejeitada, desde que o homem é livre para escolher.
f) Deus decretou que todos os que aceitarem a Cristo se salvem. Não decretou que todos devem aceitar a salvação que ele oferece.
g) Podemos fazer a escolha Segundo a nossa vontade. I Ped.1:2
"Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito para a obediência. . ."
h) A salvação é nossa em Cristo. É preciso aceitar a Jesus Cristo para receber a salvação. I João 5:11.
Os que estão com Ele são chamados os escolhidos, os fiéis. Apoc. 17: 14.
Conclusão
Os adventistas com base na Bíblia, cremos:
"Que o homem é livre para escolher ou rejeitar o oferecimento da salvação por meio de Cristo; não cremos que Deus tenha predestinado que alguns homens sejam salvos e outros perdidos" – Questions on Doctrine, pág. 23.
Compreendida em seu sentido positivo e bíblico a predestinação é algo sublime, é confortadora para cada cristão, mas em seu sentido negativo, antibíblico, calvinista pode levar ao fracasso na carreira cristã.
Passagens bíblicas que falam de predestinação nos afirmam que fomos predestinados para a Salvação, por meio de Jesus Cristo. Rendamos sempre louvores a Ele por este sublime privilégio, que nos é oferecido graciosamente.
Nota
Dentre as fontes consultadas a mais valiosa foi a Apostila “Herança Teológica Protestante, Predestinação Bíblica” do Prof. LaRondelle
Batismo
Francis A. Schaeffer
1. Não cremos na regeneração batismal. Permita-me lembrar que nessa questão dos sacramentos, Calvino e Lutero divergiam entre si ainda durante a época da Reforma. Para Calvino, e os seus seguidores, o importante era a ida de cada individuo a Cristo para a salvação. Estamos interessados primeiramente não no batismo de água, mas no batismo do Espírito Santo, que tem lugar quando da aceitação individual de Cristo como salvador pessoal.
"Ainda que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo, a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, sem a qual ninguém possa ser regenerado e salvo, ou, que sejam, indubitavelmente, regenerados todos os que são batizados".
Reiteramos, e de uma vez por todas, não cremos na regeneração batismal.
2. Segue-se que, antes de tudo, devemos nos lembrar que ninguém deve aceitar a nossa visão de batismo para vir para as nossas igrejas. A porta da membrezia da igreja visível local continua sendo a confiável profissão de fé, individual, no Senhor Jesus como Salvador pessoal.
3. Historicamente, os presbiterianos nâo têm enfatizado tanto o batismo. Entretanto, se nunca for ensinado ou pregado sobre isso, as pessoas esquecem os fatos biblicos acerca da nossa visão do batismo. Não devemos seguir com a nossa visão de batismo como se fosse um simples passatempo como poderiam ser vistos alguns outros ensinos periféricos. Ainda que, de fato, não seja o centro de nossa teologia, não devemos nos omitir de ensiná-la colocando-a no seu devido lugar.
4. De vez em quando há quem diga crê na nossa concepção de batismo mas não a pratica por causa dos abusos da Igreja Católica Romana. Se isso fosse razóaval, então deveriamos desistir totalmente da prática da Ceia do Senhor, porque o âmago do erro do catolicismo romano clássico foi o seu ensino acerca da Missa.
Além disso, vale lembrar que os campbelitas , "igreja cristã" que pratica a imersão e o batismo de adutos, têm entre seus erros a regeneração batismal tal como a Igreja Católica Romana mantém. Por conseguinte, sob essa ótica, os batistas deveriam deixar a imersão e o batisnmo de adulto.
Além disso, há também muitos notórios modernistas que são batistas. Deste modo o abuso do batismo pelos vários segmentos não quer dizer nada.
5. Finalmente, nessa introdução, vale lembrar que temos boa comunhão com nossos irmãos batistas. Todos percebemos que a nossa posição a respeito do batismo não deve ser o fator determinante para a nossa comunhão. Ainda mais que os batistas são convidados a tomar assento à mesa da Santa Ceia em nossas igrejas, e louvo a Deus por que somos bem vindos à Mesa da Comunhão em muitas (não todas!) igrejas de irmãos batistas, como deveria ser. Todavia, isso não deve significar que somos indiferentes quando à nossa posição acerca do batismo. Cremos que nossa visão é biblica, e que a posição de aceitar apenas o batismo por imersão, ou de somente adulto, é um equivoco.
IMERSÃO
Primeiramente, com respeito à imersão, deixe-me dizer que, pessoalmente, não teria problema em imergir quem quer que deseje esse modo de batismo Em segundo lugar, é bom lembrar que a Igreja Católica Ortodoxa Grega (e outros grupos cristãos) adota a imersão tanto de bebês como de adultos, logo, não há nenhuma ligação necessária entre a forma do batismo utilizada e a questão do batismo infantil. Eu nunca imergi um infante, mas eu não o recusaria.
De fato, conforme evidência das catacumbas anteriores ao ano 200, parece que a efusão, o derramamento, enfim, o banho, poderia ter sido a forma mais comum de batismo na igreja primitiva. Isso quer dizer que as pessoas se colocavam o mais próximo d'água, "dentro da água", e então tinham também a água derramada sobre as suas cabeças. Razão por que também a nossa posição a respeito da forma batismo é de que a imersão não é a única a ser adotada.
As palavras baptizo e bapto, no grego clássico, são usadas com grande amplitude. Nenhuma destas palavras podem ser ditas como sempre significando imersão. Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, a palavra "baptizo" é usada de tal maneira que não podia de modo coerente significar sempre imersão. Por exemplo, em Daniel 4:23, na Septuaginta, diz-se que Nabucodonozor foi - literalmente, "batizado com orvalho". Certamente ninguém diria que foi imerso no orvalho.
No uso da palavra no Novo Testamento, é igualmente verdadeiro que a palavra "baptizo" não pode sempre significar a imersão. Por exemplo, em Hebreus 9:10, lemos: "sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma". A Versão King James usa "lavagens" em vez de "batismos", mas o grego diz "batismos". A tradução portuguesa de Ferreira usa "abluções". Esta passagem refere-se às limpezas cerimoniais do Antigo Testamento, tais como a novilha vermelha e ao Dia da Expiação. Essas limpezas do Antigo Testamento jamais eram feitas por imersão mas sempre por uma espécie de efusão (aspersão). Observe como o mesmo capitulo 9 de Hebreus 9, versículos 19 e 21, enfatizam o fato dessas limpezas cerimoniais do Antigo Testamento serem por efusão.
I Coríntios 10:1,2 é outra passagem semelhante: "pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés". Neste caso os judeus certamente não foram imersos.
A passagem de Marcos 7:4 é bem clara: "e quando voltam da praça, não comem, sem se aspergirem; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas]". De novo na Versão King James aparece a palavra "lavagem". Na tradução de Almeida, edição revista e atualizada, aparece "aspergir". No entanto, no grego outra vez a palavra "baptismos" sugere "batismo". Se baptizo sempre significa imersão, equivale dizer que os judeus, cada vez que vinham da praça, tinham que encher uma banheira e se mergulharem nela, de corpo inteiro. Isto é impossível, porque a maioria deles não tinha tal acomodação em seus lares. Adiante, esta passagem diria também que eles, segundo a Versão King James, imergiriam constantemente suas mesas (vasos de metal?). Isso de novo obviamente seria impossível. Muitas das versões antigas adicionam até "camas" a esta passagem. Seria ridículo dizer que imergiam regularmente suas camas, mesmo que fossem usadas apenas esteiras.
Pelo menos em três dos batismos mencionados no Novo Testamento é difícil imaginar que foram praticados por imersão. O eunuco batizado ao longo de uma estrada no deserto . O carcereiro batizado no meio da noite . Três mil batizados no dia de Pentecostes . É fácil ver como estes ocorreram se pensarmos em termos de borrifamento ou de efusão, no entanto, é difícil caso a imersão fosse considerada como a única forma.
Argumentos Batistas
O argumento batista de que "Jesus entrou na água e saiu da água" não significa nada. No ano em que passamos férias no litoral, todos os dias uma das minhas filhas, a caçula, entrava e saia d'água, mas não punha a sua cabeça sob a água por mais que instávamos a faze-lo. É simples admitir que o significado desta passagem seja completamente cumprido se Jesus fosse para dentro do curso da água até que seus pés estiveram sob a água do Jordão.
A respeito de Romanos 6:3,4b: "porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na sua morte..." Esta passagem não pode ser usada para provar a imersão. Em primeiro lugar, se aqui significa batismo com água, muitos de nós cremos que provaria demais, teríamos então que logicamente admitir a regeneração batismal. Certamente, não é o batismo da água que nos batiza na morte de Cristo, mas o batismo do Espírito Santo. Em segundo lugar, entretanto, se isso significa o batismo de água, esta passagem significa mais do que o retrato totalmente inadequado de "sepultamento" em água pode dar. Estes versos ensinam a grande e maravilhosa realidade de que quando aceitamos a Cristo como nosso salvador nós realmente morremos com ele.
Isso que apresentamos é suficiente para mostrar que a Palavra de Deus não ensina que o batismo deve ser por imersão somente.
Por fim, a respeito deste tema da imersão somente nos lembramos que se a imersão é a única forma admissível a catolicidade dos sacramentos fica destruída. A Ceia do Senhor obviamente pode se dar em qualquer lugar. A aspersão pode ser praticada em qualquer lugar, mas se o batismo for por imersão somente, em muitas partes do mundo seria negados aos cristãos este sacramento. Aos que habitam o deserto, aos que residem em países de frio intenso, e aos que se encontram doentes de cama não poderão ser batizados por imersão, mesmo se o quisesse.
O fato é que a posição de que o batismo é apenar por imersão não é sustentável.
BATISMO INFANTIL
Não cremos que os batistas tenham qualquer base bíblica para ensinar o batismo somente de adultos, do mesmo modo que não têm em relação à imersão somente.
Ao inicio da nossa abordagem, permita-nos colocar na posição de um judeu que tenha sido salvo na era cristã primitiva. É um judeu e tem posto agora sua fé no Senhor Jesus Cristo. Sua mente não mudou de um dia para o outro, e determinadas grandes verdades que seu povo sabia e cria por dois mil anos continuam indeléveis em sua mente.
Salvação Somente pela Fé
Antes de tudo, esse judeu crente durante a era cristã primitiva podia entender que poderia ser justificado pela fé somente, Abraão foi justificado dessa maneira, também pela fé somente, dois mil anos antes. Romanos 4:1-3 indica isso de forma bastante clara: "Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça." Gálatas 3:6 é justo e definitivo: "assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça".
O fato é que a Bíblia claramente enfatiza que Abraão foi justificado somente pela fé. É um sério erro crer que qualquer pessoa de qualquer dispensação foi, ou pôde ser, salva de qualquer outra maneira senão pela fé e nada além da fé. A obediência religiosa ou a prática moral não têm nenhum lugar para a salvação pessoal em todas as dispensações. Observe que é isso o que os escritos de Paulo claramente enfatizam.
A Aliança é imutável ou a Unidade da Aliança
Em segundo lugar, o judeu crente nos dias do cristianismo primitivo podia entender que a Aliança feita com Abraão é imutável, isto é, inquebrantável. Hebreus 6:13-18: "Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha outro maior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente te abençoarei, e grandemente te multiplicarei. E assim, tendo Abraão esperado com paciência, alcançou a promessa. Pois os homens juram por quem é maior do que eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda contenda. assim que, querendo Deus mostrar mais abundantemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu conselho, se interpôs com juramento; para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta".
Esta passagem é muito determinativa. Primeiro, a aliança feita com Abraão é imutável, e, segundo, inclui-nos os que são salvos nesta dispensação.
A Aliança é Primordialmente Espiritual
O crente judeu a que estamos aludindo se lembraria também que a Aliança feita com Abraão era primeiramente espiritual. Para os que como nós somos gentios, salvos nesta era, as promessas nacionais feitas aos judeus não se aplicam, mas permanecem as promessas espirituais. O texto de Romanos 4:16 é claro a respeito disso. Antes o versículo 13 nos diz que definitivamente Deus está falando aqui da promessa a Abraão, no entanto, o verso 16 é igualmente claro em declarar que nós os gentios, salvos nesta era atual, somos o cumprimento dessa promessa. "Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós". Conseqüentemente, a promessa não podia ser primeiramente nacional, mas espiritual. Gálatas 3:7,8,13,14 e 25 diz-nos exatamente isso. Nós, cristãos gentios, somos o cumprimento da promessa feita a Abraão; conseqüentemente, (embora há naturalmente uma parte nacional da aliança abraâmica) a promessa é não primeiramente nacional mas espiritual. Estas passagens mostram também que há uma unidade espiritual em todas os dispensações.
Gálatas 3:17 é suficientemente claro que a promessa espiritual feita a Abraão não foi desconsiderada quando da outorga da Lei Mosaica, quatrocentos e trinta anos depois. A unidade espiritual não foi quebrada na entrega da Lei no Sinai.
O crente judeu, conseqüentemente, teria em sua mente que Abraão foi salvo da mesma maneira que nós somos salvos; e que a promessa feita a Abraão é imutável e primeiramente espiritual; além disso, nós que somos salvos nesta dispensação estamos incluídos nessa promessa. Teria na mente a unidade da aliança.
O Sinal Externo
O cristão judeu poderia lembrar também que a promessa espiritual nos dias do Antigo Testamento era selada com um sinal físico. Romanos 4:10, 1la: "como, pois, lhe foi imputada? Estando na circuncisão, ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas sim na incircuncisão. E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé que teve quando ainda não era circuncidado". Esta passagem diz que Abraão foi justificado pela fé, e depois que foi justificado, a circuncisão foi dada enquanto um selo da justiça da sua fé que teve antes de circuncidado.
Tanto o Antigo Testamento como o Novo nos fazem lembrar que a circuncisão da carne devia ser um sinal externo da verdadeira circuncisão do coração. Ou seja, a verdadeira circuncisão era algo espiritual. Deuteronômio 10:16 consta: "Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz". Romanos 2:28, 29 diz a mesma coisa: "porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus". A circuncisão era conseqüentemente antes de tudo espiritual.
Ademais, não devemos nunca nos esquecer que a circuncisão não foi apenas para os tempos da fé de Abraão, mas é um sinal da fé pessoal do pai. O exemplo do prosélito e de seus filhos prova isso. Êxodo 12;48; "Quando, porém, algum estrangeiro peregrinar entre vós e quiser celebrar a páscoa ao Senhor, circuncidem-se todos os seus varões; então se chegará e a celebrará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela". Ou seja, quando um gentio se transformou em um crente verdadeiro no Deus vivo e quisesse fazer parte nas observâncias religiosas da Páscoa, antes de qualquer coisa devia ser circuncidado, mas todos seus filhos tinham que ser circuncidados também. Assim, a circuncisão era o sinal da fé pessoal e não apenas da fé de Abraão.
Conseqüentemente, o judeu converso, alcançado pela salvação na era cristã primitiva, lembrar-se-ia que a promessa não feita somente a Abrão que era primeiramente espiritual, mas o selo externo, que foi dado para mostrar a fé do indivíduo, também devia primeiramente ter um significado espiritual.
Isso, evidentemente, é o que é o batismo Novo Testamento; e, conseqüentemente, a circuncisão no Antigo Testamento era o que nessa dispensação é o batismo, Colossenses 2:11, 12 é a prova bíblica cabal disso, quando temos: "no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com ele no batismo". E assim que a Bíblia declara que a circuncisão no Antigo Testamento era o que o batismo é no Novo Testamento.
Sinal Aplicado aos Infantes
Agora, no entanto, levando em considerando que o batismo no Novo era o que a circuncisão era no Antigo, o judeu de quem falamos, salvo nos primeiros dias da era cristã, saberia também que, no Antigo Testamento, a circuncisão como um sinal da fé pessoal era aplicado não somente ao crente individual, mas também a todos os infantes do sexo masculino da casa.
Aplicando este sinal aos infantes do sexo masculino ano Antigo Testamento, a circuncisão era primeiramente espiritual e não apenas nacional. O sinal não foi aplicado somente em Isaac que era o único representante da benção racial, mas a Ismael também. Deuteronômio 30:6 é claro quando afirma que circuncisão da criança era primeiramente espiritual tanto quando a circuncisão do adulto: "Também o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, a fim de que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, para que vivas."
O judeu vivendo nos dias primitivos do Novo Testamento saberia ainda algo mais. Saberia que no Antigo Testamento havia duas grandes ordenanças a Páscoa e a Circuncisão. I Coríntios 5:7,8, do mesmo modo afirma o fato de que Cristo instituiu a Ceia do Senhor na mesma medida da Páscoa, esclarecendo que a Ceia do Senhor tomou o lugar da Páscoa. Em Colossenses 2:11, 12 e outros fatos nos mostram evidentemente que o batismo tomou o lugar da circuncisão.
Sendo assim todas essas coisas seria impossível para o judeu crente não esperar que no Antigo Testamento o sinal da aliança era aplicado aos filhos dos crentes. O sinal de sua fé, o batismo, deve do mesmo modo ser aplicado ao seu filho. Por que deveria esperar menos nesta dispensação de cumprimento do que possuía no tempo do Antigo Testamento?
A Prática do Novo Testamento
Essas questões podem ficar mais graves tendo em vista aquilo que este judeu crente por si próprio pode ter ouvido ensinar-se no tempo do Novo Testamento. Por exemplo, pode ter ouvido Pedro em seu sermão no dia de Pentecostes, Atos 2: 38, 39: "Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a quantos o Senhor nosso Deus chamar". Lembre-se, Pedro disse isso aos judeus, os judeus que costumavam ter o sinal externo de sua fé aplicado aos seus filhos.
Com todas essas coisas em mente, esperaria que seu filho fosse batizado. Se isso fosse refutado, o que você faria no lugar dele? Você pediria aos Apóstolos a razão por que disso. Assim como os milhares de judeus cristãos nesse dia. A pergunta seria feita em centenas de reuniões; e Pedro, João Paulo e outros deveriam assentar-se e escrever em suas epistolas para esclarecer o assunto, assim como responderam em relação a outras perguntas que se levantaram. O Novo Testamento conteria a resposta clara acerca do porquê no Antig0o Testamento o sinal da Aliança era aplicado aos filhos dos crentes, mas no Novo Testamento isso deveria ser-lhes retido.
A única razão possível para o Novo Testamento não contemplar este problema é que este problema não existiu. A única razão possível que não havia nenhum problema nas mentes dos judeus era que os judeus criam que aplicavam o sinal da aliança aos seus filhos. Batizavam os seus filhos recém-nascidos assim os circuncidavam na dispensação do Antigo Testamento.
À luz do ensino da Bíblia toda, deveria ter um claro mandamento na Escritura para não faze-lo como razão por que não se batizarem os bebês. Em vez disso, a ênfase é toda para outro caminho. Dos sete exemplos de batismo de água mencionados no Novo Testamento, três eram de famílias. Alguém pode dizer, "mas não se diz que infantes estavam envolvidos". Posso pontuar que à luz da expectativa natural do judeu crentes, se os bebês não fossem batizados, a Escritura teria deixado isso claro se tivesse sido o caso. Deus trata com famílias no A.T. e no N. T. também. A promessa feita ao carcereiro de Filipos em Atos 16:31b, "e serás salvo, tu e tua casa", mostra adequadamente isso. Não importa a interpretação que individualmente adotamos acerca dessa passagem, temos certamente que Deus aqui demonstra que trata com famílias não somente no Antigo Testamento mas também no Novo Testamento.
Nunca nos esqueçamos, o uso por Deus de símbolos é encontrado em todas as épocas. Deus deu a Noé o arco-íris, deu a circuncisão e páscoa aos judeus no Antigo Testamento. Deu à igreja visível nessa dispensação os sacramentos do batismo e da ceia do Senhor.
A mudança dispensacional da circuncisão para o batismo não é mais do que equivalente àquela da mudança do sétimo dia para o primeiro como o dia da adoração.
História da Igreja
A história da igreja* continua com a mesma lição a respeito do batismo infantil. Orígenes nasceu em cerca de 180 A.D. e se batizou como um infante, lembre-se, oito anos ou menos após a morte do Apóstolo João. Há ainda umas referências mais antigas que parecem falar do batismo infantil, mas não há nenhuma dúvida quando ao exemplo de Orígenes. Uns primeiros deles eram contrários ao batismo infantil, Tertuliano por exemplo, não porqwue se tratava de prática nova que estava sendo trazida para dentro da Igreja, mas porque esposavam posição não-bíblica de que se deveria esperar até imediatamente antes da morte para se batizar. Seus argumentos são conseqüentemente uma prova incidental de que a igreja batizava os infantes desde o seu inicio. Se fosse uma inovação, estes homens que eram contra ela por causa de seus pontos de vistas não-bíblicos se deleitariam em ter indicado que o batismo infantil não era uma prática apostólica. Santo Agostinho, escrevendo a respeito do batismo infantil, disse, "esta doutrina é sustentada pela igreja inteira, não foi instituída por concílios, mas foi desde sempre retida". Quem ensina que a prática da igreja primitiva não era o batismo infantil precisa mostrar na história da igreja quando ela começou. Não há nenhuma quebra de continuidade registrada.
À luz disso, a reivindicação de que o batismo infantil é um produto da igreja católica romana é totalmente equivocada.
Conseqüentemente, agora, quase quatro mil anos desde os dias de Abraão, os que foram salvos pela fé eram marcados conforme o mandamento de Deus por um sinal externo, e neste sinal externo, sem uma pausa, eram aplicados não somente a eles mas aos seus filhos menores.
Cremos no batismo infantil por causa da unidade das promessas espirituais em todos as dispensações. As promessas nacionais são para os judeus apenas, mas há uma unidade das promessas espirituais por toda a Palavra de Deus. A base desta unidade é o grande fato central da Escritura de que todos os homens de todas as eras eram salvos com base na obra consumada de Cristo mediante a fé n'Ele, mais nada, ou não são salvos em tudo. Esta unidade espiritual não prejudica o fato das diferenças entre as eras diferentes, nem prejudica os nossos privilégios peculiares como os que são salvos e vivem nesta era.
Argumentos Batistas
Deixe-nos passar em revista os mais usuais argumentos batistas contrários ao batismo infantil.
a) "Crer e ser batizado". Observe que a mesma coisa com efeito foi dita de fato a Abraão com respeito à circuncisão, "creia e depois seja circuncidado", mas é bastante claro que o sinal de sua fé pessoal devia ser aplicado também ao seu filho.
Ademais, no exemplo dos primeiros dias da era cristã, todos os que criam eram os que tinham necessidade de se batizarem em adulto, porque, o Novo Testamento ensina que sendo recente, ninguém poderia ter sido batizado antes como infante. A mesma coisa é verdadeira em todo o novo campo missionário. Não há nenhum infante batizado até que haja alguns pais cristãos.
b) Freqüentemente os batistas perguntam porque batizamos meninos e meninas, quando somente os machos eram circuncidados no Antigo Testamento. Gálatas 3:28 dá a resposta: "Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus". Nesta era, diante do Senhor em adoração, não há nenhuma diferença entre o homem e a mulher.
c) Por vezes, é feita a pergunta, "se o batismo tomou o lugar da circuncisão, porque o batismo e a circuncisão existiram, lado a lado, por um tempo, entre os cristãos judeus?" Muitos crentes judeus na igreja cristã primitiva mantiveram várias práticas do Antigo Testamento ao menos até à época da destruição de Jerusalém. Em todo esse tempo eles não pensavam em como adicionar algo à obra consumada de Cristo para a salvação pessoal. Observe a circuncisão de Paulo em consideração a Timóteo, Atos 16:3, e também de sua participação no serviço do templo, Atos 21:20, 26. A Bíblia diz que Paulo fez estas coisas por causa dos judeus crendo que mantinham ainda estas práticas. A resposta, conseqüentemente, a respeito de porque o batismo e a circuncisão existiram juntas por um momento é que esta era parte do esclarecimento gradual das mudanças dispensacionais.
d) Talvez o argumento mais usado pelos batistas é que não há nenhum mandamento definitivo na Escritura para batizar crianças. Não há também nenhum mandamento na Escritura para mudar o dia da adoração do sétimo dia para o primeiro. Em determinadas partes dos Estados Unidos, há um conhecido grupo pequeno de batistas do sétimo-dia. Sinto que estão equivocados em ambas alegações, mas ao menos têm o mérito da consistência. Para ser consistentes todos que os batistas devem adorar no sétimo dia.
CONCLUSÃO
Em conclusão, já que batizamos os nossos filhos recém-nascidos, compreendam que não é por uma questão de mágica. Como pais, devemos entrar em aliança com Deus prometendo ser fiéis a Ele diante da criança. É papel dos pais educar a criança. É privilégio dos pais em muitos casos conduzir a criança a Cristo. Os pais cristãos não devem depender dos esforços evangelísticos da igreja direcionados à criança quando se transforma num adolescente, ou mesmo em um adulto pleno, para conduzir-la a Cristo. A criança pequena deve aprender de Jesus Cristo de seus pais desde a mais tenra infância, e em muitos casos, contudo, uma criança deve ser conduzida a uma aceitação pessoal do Senhor Jesus Cristo como seu salvador por seu pai ou por sua mãe.
Aproveite o privilégio que Deus nos dá do batismo infantil. Os corações dos pais crentes, movidos e guiados pela habitação do Espírito Santo, têm o impulso natural de levar seus filhos a Deus. Isto é tão forte que mesmo os que são batistas vão ao lugar de dedicação de suas crianças. Não há nenhum mandamento para a dedicação das crianças no novo Testamento, mas o pai crente sente tal impulso e na maioria das igrejas batistas há a necessidade destes serviços de dedicação das crianças. Não estão errados nisso - seu único erro é que não vão suficientemente longe.
Não encerraremos sem dizer o que Deus pretende conosco como pais cristãos. Se você for um cristão, seu filho é um filho da aliança, Deus pretende que tenhamos o seu sinal de compromisso da aliança. Como pai nascido de novo, é seu privilégio aplicá-lo.
No Antigo Testamento, Deus disciplinava quem que não circuncidava os seus filhos. Para o desgosto deles esse foi o caso de Moisés e Zípora. Deus não trata desta maneira o seu povo nesta época. Nós não somos consumidos quando colhemos espigas no Dia do Senhor, mas no entanto guardamos o Dia do Senhor porque amamos o nosso Senhor. Não somos mortos nesta era por não batizarmos nossos filhos, não obstante devemos fazê-lo porque Deus quer façamos. O batismo de seus filhos é parte de seu privilégio como cristão. Faça isso com ações de graça junto com as outras coisas boas que Deus lhe dá.
Perguntas que devem ser publicamente respondidas pelos pais antes do batismo dos seus filhos.
1. Vocês por si próprios são salvos pela fé em Cristo, não por causa de qualquer coisa tenha feito ou fará, mas simplesmente pela na obra consumada por Cristo na Cruz do Calvário - e por isso que morreu no espaço e tempo, na história?
2. Você compreende que esta não é uma ordenança salvífica e que esta criança terá que aceitar Cristo como seu próprio salvador quando chegar à idade da responsabilidade?
3. Você tem se comprometido com Deus em dar a Ele de volta essa criança, do modo que, se Deus aprouver chamá-la para Si, sem queixar-se d'Ele caso isso aconteça, ou se essa criança crescer e chegar a fase adulta for chamada de alguma forma para o serviço cristão especial, você não o embaraçará mas antes o incentivará a seguir a sua missão?
4. Você entende que este sacramento não é uma questão de mágica, mas isso nele você se compromete com Deus no sentido de educar a criança no temor e admoestação do Senhor, orar por ela e com ela, mantê-la na casa de Deus e com o povo de Deus, para ser fiel em sua vida familiar com Cristo enquanto você vive junto com ela, e fazer o máximo que puder para pessoalmente conduzir-lhe a um conhecimento salvífico de Cristo em uma idade mais adiantada?
Bibliografia: *Baptism of Infants, Philip Schaff, Vol. 1, p. 209. Schaff-Herzog Encyclopedia.
1. Não cremos na regeneração batismal. Permita-me lembrar que nessa questão dos sacramentos, Calvino e Lutero divergiam entre si ainda durante a época da Reforma. Para Calvino, e os seus seguidores, o importante era a ida de cada individuo a Cristo para a salvação. Estamos interessados primeiramente não no batismo de água, mas no batismo do Espírito Santo, que tem lugar quando da aceitação individual de Cristo como salvador pessoal.
"Ainda que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo, a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, sem a qual ninguém possa ser regenerado e salvo, ou, que sejam, indubitavelmente, regenerados todos os que são batizados".
Reiteramos, e de uma vez por todas, não cremos na regeneração batismal.
2. Segue-se que, antes de tudo, devemos nos lembrar que ninguém deve aceitar a nossa visão de batismo para vir para as nossas igrejas. A porta da membrezia da igreja visível local continua sendo a confiável profissão de fé, individual, no Senhor Jesus como Salvador pessoal.
3. Historicamente, os presbiterianos nâo têm enfatizado tanto o batismo. Entretanto, se nunca for ensinado ou pregado sobre isso, as pessoas esquecem os fatos biblicos acerca da nossa visão do batismo. Não devemos seguir com a nossa visão de batismo como se fosse um simples passatempo como poderiam ser vistos alguns outros ensinos periféricos. Ainda que, de fato, não seja o centro de nossa teologia, não devemos nos omitir de ensiná-la colocando-a no seu devido lugar.
4. De vez em quando há quem diga crê na nossa concepção de batismo mas não a pratica por causa dos abusos da Igreja Católica Romana. Se isso fosse razóaval, então deveriamos desistir totalmente da prática da Ceia do Senhor, porque o âmago do erro do catolicismo romano clássico foi o seu ensino acerca da Missa.
Além disso, vale lembrar que os campbelitas , "igreja cristã" que pratica a imersão e o batismo de adutos, têm entre seus erros a regeneração batismal tal como a Igreja Católica Romana mantém. Por conseguinte, sob essa ótica, os batistas deveriam deixar a imersão e o batisnmo de adulto.
Além disso, há também muitos notórios modernistas que são batistas. Deste modo o abuso do batismo pelos vários segmentos não quer dizer nada.
5. Finalmente, nessa introdução, vale lembrar que temos boa comunhão com nossos irmãos batistas. Todos percebemos que a nossa posição a respeito do batismo não deve ser o fator determinante para a nossa comunhão. Ainda mais que os batistas são convidados a tomar assento à mesa da Santa Ceia em nossas igrejas, e louvo a Deus por que somos bem vindos à Mesa da Comunhão em muitas (não todas!) igrejas de irmãos batistas, como deveria ser. Todavia, isso não deve significar que somos indiferentes quando à nossa posição acerca do batismo. Cremos que nossa visão é biblica, e que a posição de aceitar apenas o batismo por imersão, ou de somente adulto, é um equivoco.
IMERSÃO
Primeiramente, com respeito à imersão, deixe-me dizer que, pessoalmente, não teria problema em imergir quem quer que deseje esse modo de batismo Em segundo lugar, é bom lembrar que a Igreja Católica Ortodoxa Grega (e outros grupos cristãos) adota a imersão tanto de bebês como de adultos, logo, não há nenhuma ligação necessária entre a forma do batismo utilizada e a questão do batismo infantil. Eu nunca imergi um infante, mas eu não o recusaria.
De fato, conforme evidência das catacumbas anteriores ao ano 200, parece que a efusão, o derramamento, enfim, o banho, poderia ter sido a forma mais comum de batismo na igreja primitiva. Isso quer dizer que as pessoas se colocavam o mais próximo d'água, "dentro da água", e então tinham também a água derramada sobre as suas cabeças. Razão por que também a nossa posição a respeito da forma batismo é de que a imersão não é a única a ser adotada.
As palavras baptizo e bapto, no grego clássico, são usadas com grande amplitude. Nenhuma destas palavras podem ser ditas como sempre significando imersão. Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, a palavra "baptizo" é usada de tal maneira que não podia de modo coerente significar sempre imersão. Por exemplo, em Daniel 4:23, na Septuaginta, diz-se que Nabucodonozor foi - literalmente, "batizado com orvalho". Certamente ninguém diria que foi imerso no orvalho.
No uso da palavra no Novo Testamento, é igualmente verdadeiro que a palavra "baptizo" não pode sempre significar a imersão. Por exemplo, em Hebreus 9:10, lemos: "sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma". A Versão King James usa "lavagens" em vez de "batismos", mas o grego diz "batismos". A tradução portuguesa de Ferreira usa "abluções". Esta passagem refere-se às limpezas cerimoniais do Antigo Testamento, tais como a novilha vermelha e ao Dia da Expiação. Essas limpezas do Antigo Testamento jamais eram feitas por imersão mas sempre por uma espécie de efusão (aspersão). Observe como o mesmo capitulo 9 de Hebreus 9, versículos 19 e 21, enfatizam o fato dessas limpezas cerimoniais do Antigo Testamento serem por efusão.
I Coríntios 10:1,2 é outra passagem semelhante: "pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés". Neste caso os judeus certamente não foram imersos.
A passagem de Marcos 7:4 é bem clara: "e quando voltam da praça, não comem, sem se aspergirem; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas]". De novo na Versão King James aparece a palavra "lavagem". Na tradução de Almeida, edição revista e atualizada, aparece "aspergir". No entanto, no grego outra vez a palavra "baptismos" sugere "batismo". Se baptizo sempre significa imersão, equivale dizer que os judeus, cada vez que vinham da praça, tinham que encher uma banheira e se mergulharem nela, de corpo inteiro. Isto é impossível, porque a maioria deles não tinha tal acomodação em seus lares. Adiante, esta passagem diria também que eles, segundo a Versão King James, imergiriam constantemente suas mesas (vasos de metal?). Isso de novo obviamente seria impossível. Muitas das versões antigas adicionam até "camas" a esta passagem. Seria ridículo dizer que imergiam regularmente suas camas, mesmo que fossem usadas apenas esteiras.
Pelo menos em três dos batismos mencionados no Novo Testamento é difícil imaginar que foram praticados por imersão. O eunuco batizado ao longo de uma estrada no deserto . O carcereiro batizado no meio da noite . Três mil batizados no dia de Pentecostes . É fácil ver como estes ocorreram se pensarmos em termos de borrifamento ou de efusão, no entanto, é difícil caso a imersão fosse considerada como a única forma.
Argumentos Batistas
O argumento batista de que "Jesus entrou na água e saiu da água" não significa nada. No ano em que passamos férias no litoral, todos os dias uma das minhas filhas, a caçula, entrava e saia d'água, mas não punha a sua cabeça sob a água por mais que instávamos a faze-lo. É simples admitir que o significado desta passagem seja completamente cumprido se Jesus fosse para dentro do curso da água até que seus pés estiveram sob a água do Jordão.
A respeito de Romanos 6:3,4b: "porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na sua morte..." Esta passagem não pode ser usada para provar a imersão. Em primeiro lugar, se aqui significa batismo com água, muitos de nós cremos que provaria demais, teríamos então que logicamente admitir a regeneração batismal. Certamente, não é o batismo da água que nos batiza na morte de Cristo, mas o batismo do Espírito Santo. Em segundo lugar, entretanto, se isso significa o batismo de água, esta passagem significa mais do que o retrato totalmente inadequado de "sepultamento" em água pode dar. Estes versos ensinam a grande e maravilhosa realidade de que quando aceitamos a Cristo como nosso salvador nós realmente morremos com ele.
Isso que apresentamos é suficiente para mostrar que a Palavra de Deus não ensina que o batismo deve ser por imersão somente.
Por fim, a respeito deste tema da imersão somente nos lembramos que se a imersão é a única forma admissível a catolicidade dos sacramentos fica destruída. A Ceia do Senhor obviamente pode se dar em qualquer lugar. A aspersão pode ser praticada em qualquer lugar, mas se o batismo for por imersão somente, em muitas partes do mundo seria negados aos cristãos este sacramento. Aos que habitam o deserto, aos que residem em países de frio intenso, e aos que se encontram doentes de cama não poderão ser batizados por imersão, mesmo se o quisesse.
O fato é que a posição de que o batismo é apenar por imersão não é sustentável.
BATISMO INFANTIL
Não cremos que os batistas tenham qualquer base bíblica para ensinar o batismo somente de adultos, do mesmo modo que não têm em relação à imersão somente.
Ao inicio da nossa abordagem, permita-nos colocar na posição de um judeu que tenha sido salvo na era cristã primitiva. É um judeu e tem posto agora sua fé no Senhor Jesus Cristo. Sua mente não mudou de um dia para o outro, e determinadas grandes verdades que seu povo sabia e cria por dois mil anos continuam indeléveis em sua mente.
Salvação Somente pela Fé
Antes de tudo, esse judeu crente durante a era cristã primitiva podia entender que poderia ser justificado pela fé somente, Abraão foi justificado dessa maneira, também pela fé somente, dois mil anos antes. Romanos 4:1-3 indica isso de forma bastante clara: "Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça." Gálatas 3:6 é justo e definitivo: "assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça".
O fato é que a Bíblia claramente enfatiza que Abraão foi justificado somente pela fé. É um sério erro crer que qualquer pessoa de qualquer dispensação foi, ou pôde ser, salva de qualquer outra maneira senão pela fé e nada além da fé. A obediência religiosa ou a prática moral não têm nenhum lugar para a salvação pessoal em todas as dispensações. Observe que é isso o que os escritos de Paulo claramente enfatizam.
A Aliança é imutável ou a Unidade da Aliança
Em segundo lugar, o judeu crente nos dias do cristianismo primitivo podia entender que a Aliança feita com Abraão é imutável, isto é, inquebrantável. Hebreus 6:13-18: "Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha outro maior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente te abençoarei, e grandemente te multiplicarei. E assim, tendo Abraão esperado com paciência, alcançou a promessa. Pois os homens juram por quem é maior do que eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda contenda. assim que, querendo Deus mostrar mais abundantemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu conselho, se interpôs com juramento; para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta".
Esta passagem é muito determinativa. Primeiro, a aliança feita com Abraão é imutável, e, segundo, inclui-nos os que são salvos nesta dispensação.
A Aliança é Primordialmente Espiritual
O crente judeu a que estamos aludindo se lembraria também que a Aliança feita com Abraão era primeiramente espiritual. Para os que como nós somos gentios, salvos nesta era, as promessas nacionais feitas aos judeus não se aplicam, mas permanecem as promessas espirituais. O texto de Romanos 4:16 é claro a respeito disso. Antes o versículo 13 nos diz que definitivamente Deus está falando aqui da promessa a Abraão, no entanto, o verso 16 é igualmente claro em declarar que nós os gentios, salvos nesta era atual, somos o cumprimento dessa promessa. "Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós". Conseqüentemente, a promessa não podia ser primeiramente nacional, mas espiritual. Gálatas 3:7,8,13,14 e 25 diz-nos exatamente isso. Nós, cristãos gentios, somos o cumprimento da promessa feita a Abraão; conseqüentemente, (embora há naturalmente uma parte nacional da aliança abraâmica) a promessa é não primeiramente nacional mas espiritual. Estas passagens mostram também que há uma unidade espiritual em todas os dispensações.
Gálatas 3:17 é suficientemente claro que a promessa espiritual feita a Abraão não foi desconsiderada quando da outorga da Lei Mosaica, quatrocentos e trinta anos depois. A unidade espiritual não foi quebrada na entrega da Lei no Sinai.
O crente judeu, conseqüentemente, teria em sua mente que Abraão foi salvo da mesma maneira que nós somos salvos; e que a promessa feita a Abraão é imutável e primeiramente espiritual; além disso, nós que somos salvos nesta dispensação estamos incluídos nessa promessa. Teria na mente a unidade da aliança.
O Sinal Externo
O cristão judeu poderia lembrar também que a promessa espiritual nos dias do Antigo Testamento era selada com um sinal físico. Romanos 4:10, 1la: "como, pois, lhe foi imputada? Estando na circuncisão, ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas sim na incircuncisão. E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé que teve quando ainda não era circuncidado". Esta passagem diz que Abraão foi justificado pela fé, e depois que foi justificado, a circuncisão foi dada enquanto um selo da justiça da sua fé que teve antes de circuncidado.
Tanto o Antigo Testamento como o Novo nos fazem lembrar que a circuncisão da carne devia ser um sinal externo da verdadeira circuncisão do coração. Ou seja, a verdadeira circuncisão era algo espiritual. Deuteronômio 10:16 consta: "Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz". Romanos 2:28, 29 diz a mesma coisa: "porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus". A circuncisão era conseqüentemente antes de tudo espiritual.
Ademais, não devemos nunca nos esquecer que a circuncisão não foi apenas para os tempos da fé de Abraão, mas é um sinal da fé pessoal do pai. O exemplo do prosélito e de seus filhos prova isso. Êxodo 12;48; "Quando, porém, algum estrangeiro peregrinar entre vós e quiser celebrar a páscoa ao Senhor, circuncidem-se todos os seus varões; então se chegará e a celebrará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela". Ou seja, quando um gentio se transformou em um crente verdadeiro no Deus vivo e quisesse fazer parte nas observâncias religiosas da Páscoa, antes de qualquer coisa devia ser circuncidado, mas todos seus filhos tinham que ser circuncidados também. Assim, a circuncisão era o sinal da fé pessoal e não apenas da fé de Abraão.
Conseqüentemente, o judeu converso, alcançado pela salvação na era cristã primitiva, lembrar-se-ia que a promessa não feita somente a Abrão que era primeiramente espiritual, mas o selo externo, que foi dado para mostrar a fé do indivíduo, também devia primeiramente ter um significado espiritual.
Isso, evidentemente, é o que é o batismo Novo Testamento; e, conseqüentemente, a circuncisão no Antigo Testamento era o que nessa dispensação é o batismo, Colossenses 2:11, 12 é a prova bíblica cabal disso, quando temos: "no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com ele no batismo". E assim que a Bíblia declara que a circuncisão no Antigo Testamento era o que o batismo é no Novo Testamento.
Sinal Aplicado aos Infantes
Agora, no entanto, levando em considerando que o batismo no Novo era o que a circuncisão era no Antigo, o judeu de quem falamos, salvo nos primeiros dias da era cristã, saberia também que, no Antigo Testamento, a circuncisão como um sinal da fé pessoal era aplicado não somente ao crente individual, mas também a todos os infantes do sexo masculino da casa.
Aplicando este sinal aos infantes do sexo masculino ano Antigo Testamento, a circuncisão era primeiramente espiritual e não apenas nacional. O sinal não foi aplicado somente em Isaac que era o único representante da benção racial, mas a Ismael também. Deuteronômio 30:6 é claro quando afirma que circuncisão da criança era primeiramente espiritual tanto quando a circuncisão do adulto: "Também o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, a fim de que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, para que vivas."
O judeu vivendo nos dias primitivos do Novo Testamento saberia ainda algo mais. Saberia que no Antigo Testamento havia duas grandes ordenanças a Páscoa e a Circuncisão. I Coríntios 5:7,8, do mesmo modo afirma o fato de que Cristo instituiu a Ceia do Senhor na mesma medida da Páscoa, esclarecendo que a Ceia do Senhor tomou o lugar da Páscoa. Em Colossenses 2:11, 12 e outros fatos nos mostram evidentemente que o batismo tomou o lugar da circuncisão.
Sendo assim todas essas coisas seria impossível para o judeu crente não esperar que no Antigo Testamento o sinal da aliança era aplicado aos filhos dos crentes. O sinal de sua fé, o batismo, deve do mesmo modo ser aplicado ao seu filho. Por que deveria esperar menos nesta dispensação de cumprimento do que possuía no tempo do Antigo Testamento?
A Prática do Novo Testamento
Essas questões podem ficar mais graves tendo em vista aquilo que este judeu crente por si próprio pode ter ouvido ensinar-se no tempo do Novo Testamento. Por exemplo, pode ter ouvido Pedro em seu sermão no dia de Pentecostes, Atos 2: 38, 39: "Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a quantos o Senhor nosso Deus chamar". Lembre-se, Pedro disse isso aos judeus, os judeus que costumavam ter o sinal externo de sua fé aplicado aos seus filhos.
Com todas essas coisas em mente, esperaria que seu filho fosse batizado. Se isso fosse refutado, o que você faria no lugar dele? Você pediria aos Apóstolos a razão por que disso. Assim como os milhares de judeus cristãos nesse dia. A pergunta seria feita em centenas de reuniões; e Pedro, João Paulo e outros deveriam assentar-se e escrever em suas epistolas para esclarecer o assunto, assim como responderam em relação a outras perguntas que se levantaram. O Novo Testamento conteria a resposta clara acerca do porquê no Antig0o Testamento o sinal da Aliança era aplicado aos filhos dos crentes, mas no Novo Testamento isso deveria ser-lhes retido.
A única razão possível para o Novo Testamento não contemplar este problema é que este problema não existiu. A única razão possível que não havia nenhum problema nas mentes dos judeus era que os judeus criam que aplicavam o sinal da aliança aos seus filhos. Batizavam os seus filhos recém-nascidos assim os circuncidavam na dispensação do Antigo Testamento.
À luz do ensino da Bíblia toda, deveria ter um claro mandamento na Escritura para não faze-lo como razão por que não se batizarem os bebês. Em vez disso, a ênfase é toda para outro caminho. Dos sete exemplos de batismo de água mencionados no Novo Testamento, três eram de famílias. Alguém pode dizer, "mas não se diz que infantes estavam envolvidos". Posso pontuar que à luz da expectativa natural do judeu crentes, se os bebês não fossem batizados, a Escritura teria deixado isso claro se tivesse sido o caso. Deus trata com famílias no A.T. e no N. T. também. A promessa feita ao carcereiro de Filipos em Atos 16:31b, "e serás salvo, tu e tua casa", mostra adequadamente isso. Não importa a interpretação que individualmente adotamos acerca dessa passagem, temos certamente que Deus aqui demonstra que trata com famílias não somente no Antigo Testamento mas também no Novo Testamento.
Nunca nos esqueçamos, o uso por Deus de símbolos é encontrado em todas as épocas. Deus deu a Noé o arco-íris, deu a circuncisão e páscoa aos judeus no Antigo Testamento. Deu à igreja visível nessa dispensação os sacramentos do batismo e da ceia do Senhor.
A mudança dispensacional da circuncisão para o batismo não é mais do que equivalente àquela da mudança do sétimo dia para o primeiro como o dia da adoração.
História da Igreja
A história da igreja* continua com a mesma lição a respeito do batismo infantil. Orígenes nasceu em cerca de 180 A.D. e se batizou como um infante, lembre-se, oito anos ou menos após a morte do Apóstolo João. Há ainda umas referências mais antigas que parecem falar do batismo infantil, mas não há nenhuma dúvida quando ao exemplo de Orígenes. Uns primeiros deles eram contrários ao batismo infantil, Tertuliano por exemplo, não porqwue se tratava de prática nova que estava sendo trazida para dentro da Igreja, mas porque esposavam posição não-bíblica de que se deveria esperar até imediatamente antes da morte para se batizar. Seus argumentos são conseqüentemente uma prova incidental de que a igreja batizava os infantes desde o seu inicio. Se fosse uma inovação, estes homens que eram contra ela por causa de seus pontos de vistas não-bíblicos se deleitariam em ter indicado que o batismo infantil não era uma prática apostólica. Santo Agostinho, escrevendo a respeito do batismo infantil, disse, "esta doutrina é sustentada pela igreja inteira, não foi instituída por concílios, mas foi desde sempre retida". Quem ensina que a prática da igreja primitiva não era o batismo infantil precisa mostrar na história da igreja quando ela começou. Não há nenhuma quebra de continuidade registrada.
À luz disso, a reivindicação de que o batismo infantil é um produto da igreja católica romana é totalmente equivocada.
Conseqüentemente, agora, quase quatro mil anos desde os dias de Abraão, os que foram salvos pela fé eram marcados conforme o mandamento de Deus por um sinal externo, e neste sinal externo, sem uma pausa, eram aplicados não somente a eles mas aos seus filhos menores.
Cremos no batismo infantil por causa da unidade das promessas espirituais em todos as dispensações. As promessas nacionais são para os judeus apenas, mas há uma unidade das promessas espirituais por toda a Palavra de Deus. A base desta unidade é o grande fato central da Escritura de que todos os homens de todas as eras eram salvos com base na obra consumada de Cristo mediante a fé n'Ele, mais nada, ou não são salvos em tudo. Esta unidade espiritual não prejudica o fato das diferenças entre as eras diferentes, nem prejudica os nossos privilégios peculiares como os que são salvos e vivem nesta era.
Argumentos Batistas
Deixe-nos passar em revista os mais usuais argumentos batistas contrários ao batismo infantil.
a) "Crer e ser batizado". Observe que a mesma coisa com efeito foi dita de fato a Abraão com respeito à circuncisão, "creia e depois seja circuncidado", mas é bastante claro que o sinal de sua fé pessoal devia ser aplicado também ao seu filho.
Ademais, no exemplo dos primeiros dias da era cristã, todos os que criam eram os que tinham necessidade de se batizarem em adulto, porque, o Novo Testamento ensina que sendo recente, ninguém poderia ter sido batizado antes como infante. A mesma coisa é verdadeira em todo o novo campo missionário. Não há nenhum infante batizado até que haja alguns pais cristãos.
b) Freqüentemente os batistas perguntam porque batizamos meninos e meninas, quando somente os machos eram circuncidados no Antigo Testamento. Gálatas 3:28 dá a resposta: "Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus". Nesta era, diante do Senhor em adoração, não há nenhuma diferença entre o homem e a mulher.
c) Por vezes, é feita a pergunta, "se o batismo tomou o lugar da circuncisão, porque o batismo e a circuncisão existiram, lado a lado, por um tempo, entre os cristãos judeus?" Muitos crentes judeus na igreja cristã primitiva mantiveram várias práticas do Antigo Testamento ao menos até à época da destruição de Jerusalém. Em todo esse tempo eles não pensavam em como adicionar algo à obra consumada de Cristo para a salvação pessoal. Observe a circuncisão de Paulo em consideração a Timóteo, Atos 16:3, e também de sua participação no serviço do templo, Atos 21:20, 26. A Bíblia diz que Paulo fez estas coisas por causa dos judeus crendo que mantinham ainda estas práticas. A resposta, conseqüentemente, a respeito de porque o batismo e a circuncisão existiram juntas por um momento é que esta era parte do esclarecimento gradual das mudanças dispensacionais.
d) Talvez o argumento mais usado pelos batistas é que não há nenhum mandamento definitivo na Escritura para batizar crianças. Não há também nenhum mandamento na Escritura para mudar o dia da adoração do sétimo dia para o primeiro. Em determinadas partes dos Estados Unidos, há um conhecido grupo pequeno de batistas do sétimo-dia. Sinto que estão equivocados em ambas alegações, mas ao menos têm o mérito da consistência. Para ser consistentes todos que os batistas devem adorar no sétimo dia.
CONCLUSÃO
Em conclusão, já que batizamos os nossos filhos recém-nascidos, compreendam que não é por uma questão de mágica. Como pais, devemos entrar em aliança com Deus prometendo ser fiéis a Ele diante da criança. É papel dos pais educar a criança. É privilégio dos pais em muitos casos conduzir a criança a Cristo. Os pais cristãos não devem depender dos esforços evangelísticos da igreja direcionados à criança quando se transforma num adolescente, ou mesmo em um adulto pleno, para conduzir-la a Cristo. A criança pequena deve aprender de Jesus Cristo de seus pais desde a mais tenra infância, e em muitos casos, contudo, uma criança deve ser conduzida a uma aceitação pessoal do Senhor Jesus Cristo como seu salvador por seu pai ou por sua mãe.
Aproveite o privilégio que Deus nos dá do batismo infantil. Os corações dos pais crentes, movidos e guiados pela habitação do Espírito Santo, têm o impulso natural de levar seus filhos a Deus. Isto é tão forte que mesmo os que são batistas vão ao lugar de dedicação de suas crianças. Não há nenhum mandamento para a dedicação das crianças no novo Testamento, mas o pai crente sente tal impulso e na maioria das igrejas batistas há a necessidade destes serviços de dedicação das crianças. Não estão errados nisso - seu único erro é que não vão suficientemente longe.
Não encerraremos sem dizer o que Deus pretende conosco como pais cristãos. Se você for um cristão, seu filho é um filho da aliança, Deus pretende que tenhamos o seu sinal de compromisso da aliança. Como pai nascido de novo, é seu privilégio aplicá-lo.
No Antigo Testamento, Deus disciplinava quem que não circuncidava os seus filhos. Para o desgosto deles esse foi o caso de Moisés e Zípora. Deus não trata desta maneira o seu povo nesta época. Nós não somos consumidos quando colhemos espigas no Dia do Senhor, mas no entanto guardamos o Dia do Senhor porque amamos o nosso Senhor. Não somos mortos nesta era por não batizarmos nossos filhos, não obstante devemos fazê-lo porque Deus quer façamos. O batismo de seus filhos é parte de seu privilégio como cristão. Faça isso com ações de graça junto com as outras coisas boas que Deus lhe dá.
Perguntas que devem ser publicamente respondidas pelos pais antes do batismo dos seus filhos.
1. Vocês por si próprios são salvos pela fé em Cristo, não por causa de qualquer coisa tenha feito ou fará, mas simplesmente pela na obra consumada por Cristo na Cruz do Calvário - e por isso que morreu no espaço e tempo, na história?
2. Você compreende que esta não é uma ordenança salvífica e que esta criança terá que aceitar Cristo como seu próprio salvador quando chegar à idade da responsabilidade?
3. Você tem se comprometido com Deus em dar a Ele de volta essa criança, do modo que, se Deus aprouver chamá-la para Si, sem queixar-se d'Ele caso isso aconteça, ou se essa criança crescer e chegar a fase adulta for chamada de alguma forma para o serviço cristão especial, você não o embaraçará mas antes o incentivará a seguir a sua missão?
4. Você entende que este sacramento não é uma questão de mágica, mas isso nele você se compromete com Deus no sentido de educar a criança no temor e admoestação do Senhor, orar por ela e com ela, mantê-la na casa de Deus e com o povo de Deus, para ser fiel em sua vida familiar com Cristo enquanto você vive junto com ela, e fazer o máximo que puder para pessoalmente conduzir-lhe a um conhecimento salvífico de Cristo em uma idade mais adiantada?
Bibliografia: *Baptism of Infants, Philip Schaff, Vol. 1, p. 209. Schaff-Herzog Encyclopedia.
Batismo - Introdução
Batismopor
Bíblia de Estudo de Genebra
Romanos 6:3: “Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?”.
O batismo cristão, que tem a forma de uma lavagem cerimonial (como o batismo pré-cristão de João Batista), é um sinal de Deus para significar purificação interior e remissão de pecado (At 22.16; 1Co 6.11; Ef 5.25-27), regeneração operada pelo Espírito e uma nova vida (Tt 3.5) e a permanente presença do Espírito Santo, como selo de Deus testificando e garantindo que aquele que o recebe está seguro em Cristo para sempre (1Co 12.13; Ef 1.13-14). Fundamentalmente, o batismo significa união com Cristo na sua morte, sepultamento e ressurreição (Rm 6.3-7; Cl 2.11-12), e essa união com Cristo é a fonte de cada elemento de nossa salvação (1Jo 5.11-12). Receber o sinal do batismo com fé assegura aos batizados que o dom divino da nova vida em Cristo lhes é dado gratuitamente. Ao mesmo tempo, os incumbe de viver de modo novo, como discípulos de Jesus.
Cristo ordenou aos seus discípulos que batizassem em nome do Pai , do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19). Essa fórmula significa que o relacionamento de aliança que o batismo formalmente confere é com as três Pessoas da Divindade. Quando Paulo diz que os israelitas foram batizados “com respeito a Moisés” (1Co 10.2), ele quer dizer que os israelitas foram colocados sob o controle e direção de Moisés. O batismo em nome do Deus trino significa ficar sob o controle e direção de Deus.
Os sinais exteriores não conferem automática ou magicamente as bênçãos interiores que eles representam. No Novo Testamento não há nenhuma prescrição de um modo específico de batizar. A determinação de batizar pode ser cumprida por imersão, afusão os aspersão. Todos esses três modos satisfazem o sentido do verbo grego baptizo e a exigência simbólica de passar sob a água purificadora e emergir dela.
Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 126
Bíblia de Estudo de Genebra
Romanos 6:3: “Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?”.
O batismo cristão, que tem a forma de uma lavagem cerimonial (como o batismo pré-cristão de João Batista), é um sinal de Deus para significar purificação interior e remissão de pecado (At 22.16; 1Co 6.11; Ef 5.25-27), regeneração operada pelo Espírito e uma nova vida (Tt 3.5) e a permanente presença do Espírito Santo, como selo de Deus testificando e garantindo que aquele que o recebe está seguro em Cristo para sempre (1Co 12.13; Ef 1.13-14). Fundamentalmente, o batismo significa união com Cristo na sua morte, sepultamento e ressurreição (Rm 6.3-7; Cl 2.11-12), e essa união com Cristo é a fonte de cada elemento de nossa salvação (1Jo 5.11-12). Receber o sinal do batismo com fé assegura aos batizados que o dom divino da nova vida em Cristo lhes é dado gratuitamente. Ao mesmo tempo, os incumbe de viver de modo novo, como discípulos de Jesus.
Cristo ordenou aos seus discípulos que batizassem em nome do Pai , do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19). Essa fórmula significa que o relacionamento de aliança que o batismo formalmente confere é com as três Pessoas da Divindade. Quando Paulo diz que os israelitas foram batizados “com respeito a Moisés” (1Co 10.2), ele quer dizer que os israelitas foram colocados sob o controle e direção de Moisés. O batismo em nome do Deus trino significa ficar sob o controle e direção de Deus.
Os sinais exteriores não conferem automática ou magicamente as bênçãos interiores que eles representam. No Novo Testamento não há nenhuma prescrição de um modo específico de batizar. A determinação de batizar pode ser cumprida por imersão, afusão os aspersão. Todos esses três modos satisfazem o sentido do verbo grego baptizo e a exigência simbólica de passar sob a água purificadora e emergir dela.
Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 126