Anísio Renato de Andrade
É natural que ocorram conflitos nas relações humanas. É como o atrito que existe entre as engrenagens de um motor. Porém, há uma solução bem simples para isso: basta que o motor seja desmontado e que cada peça seja cuidadosamente guardada em uma embalagem separada. O conflito estará resolvido, mas o motor já não existirá, nem as suas inúmeras utilidades. Não haverá choques, nem desgastes. Também não haverá movimento nem produção de energia. Temos então uma solução destrutiva e inadequada.
Assim também acontece no Corpo de Cristo. Já nos primeiros anos da era cristã, aconteciam desentendimentos e colisões humanas na igreja. Em Atos 15.39 temos o relato de um desacordo entre Paulo e Barnabé. Outro exemplo é o que acontecia na igreja de Corinto. Paulo disse que havia entre eles dissensões (I Cor.11.18). O mesmo apóstolo escreveu aos gálatas comparando-os aos animais, tamanha era a agressividade entre eles (Gálatas 5.15).
Mencionamos alguns exemplos que, apesar de terem em comum a questão do conflito, têm diferenças profundas e evidentes que estão relacionadas às origens do problema. Precisamos perguntar: por quê está acontecendo esse conflito? Vamos mencionar aqui quatro tipos de causa: pessoal, doutrinária, carnal e diabólica.
1 - Causa pessoal - Ocorre quando os conflitos se dão por uma questão de gosto, opinião, opção ou estilo individual. Por exemplo, se uma família vai viajar, alguns podem preferir a praia, outros, o campo. Esse tipo de conflito é natural, mas precisa ser bem conduzido e bem resolvido para não gerar problemas maiores. Enquadra-se nesse item o caso de Paulo e Barnabé, cuja questão foi em torno de uma viagem e se deveriam ou não levar consigo o jovem Marcos.
2 - Causa doutrinária - É o caso de haver dentro da igreja um grupo que defende uma interpretação bíblica sobre um assunto e outro grupo que entende diferente. Foi a situação da igreja de Corinto. Esse tipo de desentendimento não pode ser simplesmente desconsiderado nem sumariamente proibido. O próprio Paulo não proibiu nem poderia fazê-lo. Disse até que isso poderia ser necessário. Certamente, se surge uma heresia na igreja, é bom que surja o conflito para que o mal seja eliminado, esteja ele do lado que estiver. Quando existe um corpo estranho no organismo, como uma farpa de vidro ou um espinho, é natural que haja o inchaço, a dor, e talvez até a febre, como sinais que alertam contra uma anomalia. E assim continua até que o mal seja extirpado. Este tem sido o principal motivo do surgimento de tantas denominações evangélicas: conflitos doutrinários. Tais problemas devem ser resolvidos pelos líderes eclesiásticos, conforme modelo de Atos 15.7,28,29. Para tão nobre tarefa, é mister que os líderes estejam cheios do Espírito Santo, como também é biblicamente natural que estejam (At.6.3).
3 - Causa carnal - A problema dos gálatas foi a carnalidade, isto é, a condução da vida e do comportamento de acordo com as inclinações da natureza pecaminosa, a qual está diretamente ligada aos desejos físicos e egoístas. Observe que o conflito de causa pessoal ou doutrinária pode ser também carnal, bastando que um dos envolvidos esteja dominado pela carnalidade. A própria heresia, que, a princípio pode surgir de uma simples falta de entendimento bíblico, pode também ser obra da carne, conforme Gálatas 5.20. É o caso de pessoas que "forçam" a interpretação de textos bíblicos para atender aos seus próprios desejos carnais. O conflito carnal entre os gálatas tinha cunho doutrinário mas parecia envolver também a cobiça por posições de destaque ou desejo de reconhecimento (Gálatas 5.26). Daí surgiam as disputas dentro da igreja. Sobre esse tipo de discórdia, veja também Tiago 4.1-2.
4 - Causa diabólica - Muitos conflitos são, certamente, idealizados por Satanás. Ele é o maior semeador de contendas entre os irmãos, mas o que ele faz na maioria das vezes é "aproveitar a nossa lenha para fazer sua fogueira". Então, os conflitos pessoais, que podem ter até uma causa natural, ou os conflitos carnais e doutrinários, podem acabar se tornando instrumento nas mãos do inimigo. O seu maior desejo é ver o povo de Deus lutando consigo mesmo, quando deveríamos, juntos, lutar contra as forças das trevas. Veja que isso foi o que ele fez no céu, até que os anjos, que antes faziam parte do mesmo exército, começaram a lutar entre si, surgindo então o exército demoníaco.
Como foi exposto no início, alguns conflitos podem ter causas naturais e outros podem até ser necessários. Contudo, o perigo sempre existe. O conflito é como o fogo. Muitas vezes utilizamos o fogo em nossas casas. Ele é necessário, útil, embora se trate de uma força destruidora. Se perdermos o controle sobre o fogo que usamos, então tudo pode ser destruído repentinamente.
O conflito precisa ser administrado, controlado, afim de que não se desenvolva numa seqüência mortal como esta: discordância, discussão, contenda, divisão, guerra.
A discordância é normal. Somos pessoas diferentes e muitas vezes teremos pontos de vista distintos e preferências divergentes. A discordância pode fazer com que cada um parta num sentido diferente. Foi o que aconteceu com Paulo e Barnabé. Cada um viajou para um lugar diferente. Entretanto, se o problema é entre marido e mulher, não é bom que cada um saia numa direção, ou, se a questão é doutrinária e existe boa intenção nas pessoas envolvidas, então será útil e necessário que se passe à discussão, a qual não é sinônimo de briga mas de debate, exposição de idéias com o objetivo de se chegar a uma conclusão proveitosa. Discutir a questão é melhor do que o silêncio, o qual pode ocultar o problema e criar inimizades.
A contenda acontece quando uma das partes quer impor a sua idéia, ou quando a parte que deveria se submeter se nega a fazê-lo (II Tm.3.8). A bíblia diz que "ao servo do Senhor não convém contender, mas ser manso para com todos." (II Tm.2.24). Chegamos ao nosso limite. Daí em diante, o fogo começa a se alastrar.
A divisão já é uma atitude extrema. Em alguns casos ela é correta, em outros não (Salmo 1.5; I João 2.19). Contudo, mesmo que seja necessária, a divisão não deve ser estimulada por nós, cristãos, já que Deus não nos deu o poder para separar o joio do trigo (Mateus 13.30). O problema se agrava quando, depois da divisão, as partes querem continuar o conflito. Então, está declarada a guerra.
ADMINISTRANDO O CONFLITO
Antes de tudo, devemos perguntar: Vale a pena começar a questão?
Cada um deve fazer a si mesmo esta pergunta antes de levantar uma polêmica. Analise a causa do conflito antes de começá-lo. Será que vale a pena criar um problema no ônibus por causa de 1 centavo de troco? Quanto vale a nossa paz e a tranqüilidade da nossa consciência? Algumas pessoas acham que sempre devem brigar por seu direito. O apóstolo Paulo nos orienta que, algumas vezes, em determinados casos, é melhor o cristão sofrer algum dano do que criar uma disputa (I Cor.6.7 - "Na verdade, é já realmente uma falta entre vós terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?"). Afinal, não foi isso que Cristo ensinou, quando falou em "dar a outra face", "entregar a capa" e "caminhar a segunda milha"?
Dê a Deus a oportunidade de resolver o problema. Ore ao Senhor antes de agir ou falar.
Outro ponto a ser observado: Se você começar a questão, terá condições de levar até às últimas conseqüências, ou sairá envergonhado no meio da briga? (Lc.14.28 - "Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?"). Portanto, muitas vezes, o melhor é não iniciar o conflito. Muitos problemas seriam evitados se parássemos para refletir antes de começar.
No meio do caminho: Como conduzir o conflito?
Como dissemos, o conflito pode ser necessário. Nesse caso, precisamos saber administrá-lo, dirigindo bem nosso barco por entre as ondas, sem deixá-lo virar. Existe uma tênue linha que separa uma discussão sadia de uma contenda. Precisamos então ter em mente alguns limites que não ultrapassaremos. Nossas discussões deverão ser pautadas pelo respeito. Não devemos usar palavras torpes ou agressivas, pois estas têm o poder de suscitar a ira (Pv.15.1 - "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira"). Palavras mansas e sadias podem desarmar o ânimo agressivo da outra parte (Tito 2.8 - "linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós"). Um conflito mal conduzido resultará em ofensas e deixará marcas. Podemos expor nossas opiniões, por mais divergentes que sejam, sem usar de agressividade.
Se vamos discutir sobre alguma coisa, precisamos deixar o orgulho de fora da conversa. Em algum momento, poderá ser necessário admitir que o outro está certo. E, se não estiver, talvez possamos desistir do conflito a favor da outra parte. Logicamente, não devemos aceitar o pecado nem o erro, mas muitas vezes não é isso que está em jogo, e podemos muito bem abrir mão da nossa proposta em benefício do nosso próximo. Isso pode ser um sinal de maturidade. Veja o exemplo de Abraão que, podendo escolher a terra diante de si, deixou que Ló escolhesse primeiro. Será que as minhas idéias devem prevalecer sempre? A opinião dos outros está sempre errada? Quem pensa ou age desse modo está carente de humildade e tem a grande habilidade de criar confusões por onde anda.
Se a discussão parece não produzir acordo, então é bom que a mesma seja interrompida. Se uma das partes é autoridade sobre a outra, então caberá a essa pessoa decidir sobre o assunto, ou voltar à questão em outra ocasião.
Depois da tempestade: O que fazer?
Se a contenda aconteceu, será necessário um conserto. É natural que muitos ímpios sejam irreconciliáveis, incapazes de perdoar. Porém, não faz sentido um cristão guardar mágoa contra ninguém e, principalmente, contra outro irmão em Cristo. Não é um procedimento cristão um irmão ficar com raiva do outro, deixar de conversar, ficar "de mal". O Senhor nos mandou amar os nossos inimigos. Se não começarmos amando os nossos irmãos, como seremos capazes de amar os inimigos? Se você foi ofendido, perdoe. Não espere que o agressor venha pedir perdão. Perdoe. Seja qual for a ofensa. Perdoe. Mais do que isso Jesus sofreu, e mesmo assim perdoou. Se você ofendeu, peça perdão. O perdão é o remédio divino para os conflitos mal conduzidos e mal resolvidos. A falta do perdão torna-se uma chaga na alma. A mágoa guardada causa maior mal a quem a guardou. Se não perdoarmos aos nossos ofensores, também Deus não nos perdoará (Mt.18.35 Mt.6.12-15). Isso é muito sério. Se não perdoarmos aos nossos irmãos em Cristo, estaremos interrompendo o fluir da bênção de Deus através do Corpo de Cristo. Esse tipo de problema causa frieza espiritual. Cada membro depende do outro para receber a corrente sangüínea, assim como os galhos da videira dependem uns dos outros para receber a seiva. Se existirem bloqueios entre nós, a produção do fruto do Espírito ficará comprometida.
A Bíblia nos ensina a amar, suportar e sujeitar uns aos outros (Ef.4.1-6). O apostolo Paulo usou a palavra "suportar" porque já sabia que o relacionamento entre os irmãos teria muitas dificuldades. Contudo, não deixaremos de ser irmãos.
PRINCÍPIOS PREVENTIVOS
No início desse artigo, comparamos os conflitos interpessoais com o atrito entre as peças de um motor em funcionamento. O que podemos fazer para reduzir esse atrito e minimizar seus efeitos negativos? Lubrificar o motor. O óleo é um símbolo bíblico do Espírito Santo. Precisamos dessa unção em nossas vidas. Assim, quando formos atacados por alguém, teremos uma palavra mansa para aplacar-lhe o furor. Teremos o amor do Senhor em nossos corações, o qual produzirá sempre uma pré-disposição de aceitar os irmãos. Essa pré-disposição não permitirá o preconceito. Então, não haverá entre nós barreiras, muitas das quais se formam sem a menor razão. A operação do Espírito Santo será o antídoto contra as antipatias gratuitas e desmotivadas, e também o remédio para as mágoas e as inimizades. Esta unção nos torna capazes de renunciar, de negar a nós mesmos, considerando que o nosso irmão é superior (Fp.2.3 - "Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo."), é digno de todo o nosso respeito e de todo o nosso apreço.
Parece até que estamos falando de uma utopia. Contudo, esse estilo de vida é a proposta de Deus para nós, afim de que não sejamos um reino dividido, mas um corpo que, unido por juntas e medulas possa crescer na presença do Senhor (Ef.4.16).
Humildade
A palavra humildade e as suas formas (humilhado, humilhação, humildemente, humilha, etc.) é usada mais que 70 vezes pela Bíblia (Strongs). O uso numeroso desta palavra pela Bíblia nos dá uma idéia da sua importância para nós.
Pode ser que a humildade signifique qualidades diferente para pessoas diferentes. Olhando no dicionário entendemos que essa virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza (Aurélio) é uma qualidade boa na vida de qualquer pessoa. O humilde é comparado a uma pessoa respeitosa, reverente e submissa. Como uma pessoa pobre não pode se gloriar de grandes posses, uma pessoa humilde não se gloria de grandes qualidades.
O que significa essa palavra na Bíblia?
Examinando quais palavras são usadas por Deus na inspiração da Sua Bíblia para expressar essa qualidade de humildade, podemos aprender muito. Queremos examinar as palavras usadas tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento. Assim podemos tirar as nossas próprias conclusões.
Quando essa palavra está usada no Velho Testamento pode significar:
Sentir-se menos em mente, ser brando; ou em circunstancia, pobre ou piedoso.
condescendência ("humildade" - Prov. 15:33; 18:12; 22:4), que é de ceder voluntariamente. Se um homem faz isto é chamado modéstia. Se o divino faz isto é chamado clemência.
Rebaixamento voluntário ou forçado, submissão ("humilhar-te" ! Êx. 10:3; Deut 8:2,3, 16; "humilhado" ! Deut 21:14; "humilhou" ! Deut 22:24,29; Ezequiel 22:11; "humilhai-as" Juízes 19:24; "humilhava" ! Sal. 35:13; "humilharam" ! Ezequiel 22:10)
Dobrar o joelho, conquistar ("se humilhar" ! Lev 26:41; II Cron. 7:14; "se humilha" ! I Reis 21:29; "te humilhaste" ! II Reis 22:19; "se humilharam" ! II Cron.12:6; 30:11; "se humilhavam" ! II Cron. 12:7; "humilhando-se" ! II Cron. 12:12; "se humilhou" II Cron. 32:26; 33:12,23; 36:12; "se humilhasse" ! II Cron. 33:19; "se humilhara" II Cron. 33:23; "te humilhaste" ! II Cron. 34:27).
Aquele que sente-se menos em mente, ou em circunstancia ! objetivo - ("aflitos" ! Sal. 9:12; "humildes" ! Sal. 10:12; "mansos" ! Sal. 10:17; 34:2 !).
Ser rebaixado, ser degradado ! ( "se inclina"- Sal. 113:6; "ser humilde" ! Prov. 16:19; "se abate"- Isaías 2:9; "te abaterem" ! Jó 22:29; "humilhai-vos" ! Jer. 13:18).
Se rebaixar ("humilhaste"- Daniel 5:22).
Baixeza ("humilde"- Jó 22:29).
Quebrado, contristado ("se humilharam"- Jer. 44:10)
Prostrar-se, adorar ("me inclino" ! II Sam 16:4)
Ser modesto ("humildemente" ! Miquéias 6:8)
Si pisar ("humilha-te" ! Prov. 6:4)
Se diminuir ("se abate" ! Lam 3:20)
Se agachar ("abaixa-se"- Sal. 10:10)
Quando essa palavra é usada no Novo Testamento, pode significar:
As palavras em grego usadas para descrever a virtude de humildade são todas relacionadas umas com as outras. Examinaremos em detalhe somente duas destas palavras gregas. Os demais versículos das outras palavras gregas dariam sentido quase igual com essas palavras e, portanto, somente daremos um resumido espaço a elas.
Ser deprimido (abatido, enfraquecido) em circunstancias (pobreza) ou em disposição (atitude). Os seus usos pelo Novo Testamento:
Cristo é nosso exemplo primário:
Mat. 11: 29, "que sou manso e humilde de coração" (de atitude) ! Isaías 53:2,3, "Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens"; 42:3 "A cana trilhado não quebrará, nem apagará o pavio que fumega;" (Mat. 12:20)
Lucas 1 :52, "elevou os humildes" (pobres) como Maria. Apesar de sua baixa estimação pela sociedade (Luc. 1:48), Deus a usou como um maravilhoso instrumento para operar a Sua vontade para toda a humanidade que crê. Assim Deus opera ainda hoje (I Cor. 1:26-29, "não são muitos os sábios , ... poderosos, ... nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; ... as coisas fracas para confundir as fortes; ... as coisas vis e desprezíveis, e que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne glorie perante Ele.")
Humildade É O Nosso Dever
Romanos 12:16,
"Sede unânimes entre vós;" - não é o ecumenismo que está sendo ensinado neste versículo. O que está sendo ensinado é aquela atitude demonstrada por Jesus e os demais santos bíblicos. Jesus mesmo disse: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas" (Mateus 7:12). A mesma verdade aprendemos com Tiago quando disse: "Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis" (Tiago 2:8). Perante os olhos de Deus todos somos igualmente pecadores, e todos precisam se arrepender de seus pecados crendo pela fé em Cristo.
Em vista disso a Bíblia diz: "...não ambicioneis coisas altas..." Romanos 12:7. Ainda em Gálatas 6:2 Paulo diz: "Levai as cargas uns dos outros ..." Em Tiago 1:27 podemos ler: "Visitar os órfãos e as viúvas na suas tribulações ...". Aprendemos então que não devemos ter pretensões superiores sobre os nossos semelhantes.
Podemos notar registrado em Mateus as preciosas lições de humildade ensinadas por Jesus aos seus discípulos: "Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos" (Mateus 20:25-28).
"...mas acomodai-vos às humildes..." (Romanos 12:16). Também devemos gostar da companhia dos pobres e dos que são despojados de quaisquer qualificações, Tiago 2:1-5. Em Provérbios. 3:7 podemos observar o sábio conselho de Salomão: "Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal".
Humildade É A Obra de Deus
Em II Cor. 7:6 diz: "Mas Deus, que consola os abatidos..." Os cristãos que têm tribulações, pobreza e sentimentos de fraqueza, sem dúvida alguma usufrui da companhia do poderoso Consolador, o próprio Deus.
O sábio tem a sua sabedoria para lhe consolar.
O forte tem a sua força para lhe consolar.
O rico tem a sua riqueza para lhe consolar.
Porém, os fracos podem conhecer a beneficência, juízo e justiça do próprio Deus. Este é o consolo que o abatido pode gloriar-se (Jer. 9:23,24). Porém, não se glorie de sua pobreza, mas em Deus. A pobreza pode ser um fator convincente da sua necessidade de Deus, mas a glória deve ser dada a Deus.
Em Tiago 4:6 e em I Pedro 5:5 lemos: "Deus dá graça aos humildes" . Deus ampara os desamparados e os humildes. Os que se julgam auto-suficiente, não precisam de amparo. Deus dá ajuda em tempo oportuno aos humildes. Os que se julgam poderosos, não precisam de graça. A graça de Deus sempre está ao lado dos espiritualmente fracos e necessitados. Veja o que Jesus disse a respeito disso em Marcos 2:17 e também em Lucas 5:32 Aos que se julgam perfeitos não precisam de misericórdia. Jesus Cristo está pronto para salvar todos aqueles que estão conscientes de sua falência espiritual. Veja esta grande verdade em Hebreus 4:15,16. Quando o pecador chega a conclusão da sua precária condição espiritual diante de Deus, então só resta chegar ao trono da graça para obter a misericórdia divina. Reconhecer a sua necessidade espiritual é dadiva de Deus.
É aconselhável que os humildes conheçam a importância desta ajuda: não há virtude na qualidade de ser pobre e fraco. Essas condições porém revelam a necessidade da ajuda divina. Certamente que a ajuda divina vem quando o pecador em qualquer circunstância chega ao trono da graça. Diante do trono da graça os humildes e miseráveis, espiritualmente falando, devem lançar sobre Ele as suas ansiedades (I Pedro 5:7-9); aproveitar dos sábios conselhos da Palavra de Deus (Sal. 19:9-11); ser mais obediente à Palavra do Senhor com determinação e fé (Fil. 4:6-9). Essa é a ajuda que todos recebem de Deus quando O procuram.
O Exemplo de Paulo nos Ensina
Em II Cor. 10:1 encontramos o apóstolo Paulo dizendo: "...quando presente ... sou humilde". Em nenhuma ocasião Paulo se achava um bonitão ou um auto-suficiente. Depois de sua conversão a Cristo, Paulo despiu-se de todo orgulho carnal e de todas vantagens que tinha em sua vida religiosa. Antes de aceitar Cristo, Paulo usufruía de muitas vantagens e prestígios em sua vida religiosa. Veja o que ele mesmo disse: "Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé..." (Gálatas 3:7-9). Depois de convertido Paulo tinha as provações e sofrimentos que eram marcas de um discípulo sincero que fez ele sentir as suas fraquezas (II Cor. 11:23-30; Gal. 6:17).
Conforme acabamos de ver, o apóstolo Paulo poderia confiar muito na carne. Vantagens não lhe faltava. Ele era circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu de hebreus; segundo a lei, foi fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível (Fil. 3:4-6). Todavia, no seu ministério, ele não usou sublimidade de palavras ou de sabedoria, mas, sentiu-se em fraqueza, e em temor e em grande tremor. A sua palavra, e a sua pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder (I Cor. 2:1-5). Paulo se considerava crucificado com Cristo (Gal. 2:20). A sua glória era na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo estava crucificado para ele e ele para o mundo (Gal. 6:14; I Cor. 2:2, "Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado."). Paulo sentia-se humilde para consigo mesmo, mas ousado com a verdade (II Cor. 10:1, "ousado para convosco").
A atitude de Paulo para com as fraquezas, as injurias, as perseguições e as angustias, é uma lição para o Cristão. Se essas fraquezas ensinam o convertido em Cristo a se aperfeiçoar no poder de Deus mediante a fé no Senhor Jesus, então ele pode sentir prazer nelas (II Cor. 12:5-10). Também o Cristão é ensinado pelo exemplo de Paulo, que, por mais usado seja no ministério, a glória toda pertence a Deus.
Temos Um Consolo
Tiago 1:9, "glorie-se o irmão abatido" (Tiago 5:6).
Por que este deve gloriar-se? Porque quando nos humilhamos somos exaltado por Deus. Vamos examinar o que Pedro disse: "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte" (I Pedro 5:6). Quando chegamos no auge de nossa falência espiritual, sentindo a falta de prestígio social e desprezo dos homens, então deixamos de confiar plenamente na carne e voltamos a buscar as infinitas misericórdias do bondoso Deus.
Por que o humilde é exaltado? Porque ele tem a sabedoria, o amparo, a graça e a misericórdia de Deus! Esses são atributos que os orgulhosos e os auto-suficientes nunca podem conhecer.
Aprendemos então que há grandes bênçãos em nossas fraquezas e limitações. Sem dúvida alguma que há grandes vantagens ao conscientizar-nos de nossas limitações diante de Deus. O apóstolo Paulo disse: "...me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte" (II Coríntios 12:9-10). Quando os crentes sentem em si mesmos "lixos" espirituais então recorrem ao trono da graça, e o Senhor os exaltam com consolo e sabedoria que jamais a força humana poderia atingir.
Como está a sua atitude de si mesmo? Necessita do amparo divino? O que Ele oferece é um maior conhecimento de Si mesmo. Isso basta?
Uma outro palavra grega que queremos estudar é:
Baixeza de mente, modéstia - #5012, Strong?s. Os seus usos pelo Novo Testamento:
Humilde Como Paulo
Atos 20:19, "Servindo ao Senhor com toda a humildade". Exemplos de uma vida humilde na vida do apóstolo Paulo:
Atos 13:6-12 - confronto com Elimas, o mágico em Chipre
Atos 13:45-47, 50-52 - confronto com judeus invejosos - Antioquia
Atos 14:2-7 - confronto com judeus invejosos ! Icônio
Atos 14:19,20 - confronto com judeus invejosos ! Listra Paulo não se exaltou, mas teve a ousadia em obedecer a Palavra de Deus e cumprir a sua vocação fielmente. Aprendemos que "servindo ao Senhor com toda a humildade" não significa que é errado apontar e confrontar o erro. A humildade nunca deve ser confundida com a frouxidão. O servo de Deus que serve "ao Senhor com toda a humildade" pode expor o erro. Paulo corajosamente confrontou o erro e exemplificou grande ousadia em seu ministério, mas, mesmo assim testemunhou-se serviu "ao Senhor com toda a humildade
Os servos de Deus vivem nos dias de hoje com este grande dilema. Muitos confundem humildade com a falta de coragem de expor publicamente o erro da humanidade. Há até mesmo nos dias de hoje pastores light Os membros das igrejas exigem dos pregadores pregações light. Light, segundo o dicionário Aurélio, significa moderado, não radical. Porém o Senhor Jesus numa calorosa pregação, Ele repetidas vezes chamou os fariseus e os escribas de hipócritas. Veja o capítulo 23 de Mateus. Jesus não foi light em suas pregações. E ninguém pode negar que Jesus era humilde e manso de coração, Mateus 11:29.
Humildade É O Dever do Cristão
Efés. 4:1,2 ! "Andar digno da vocação ... com toda a humildade". A nossa vocação, tanto a sua chamada quanto o seu desempenho, não é pelas qualidades superiores do homem ou pelas espertezas da sabedoria humana (I Cor. 2:4,5, "A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana"; II Cor. 3:5, "a nossa capacidade vem de Deus; Efés. 3:7, "dom da graça de Deus ... segundo a operação do Seu poder"; II Cor. 4:4-6, "não nos pregamos a nós mesmos"). Devemos usar tudo que Deus nos dá para a sua glória lembrando-nos no mesmo instante que sempre temos pecado e fraquezas (Romanos 7:24; Col. 2:6).
Para andar com modéstia, não é necessário negar nossos talentos ou nossos dons. A humildade não deve negar a existência de uma capacidade nem o seu uso. Modéstia não pode transformar a timidez em uma virtude. Devemos ser obedientes de alma e de todo o coração! Todavia um dos segredos da humildade é reconhecer os talentos e dons nos outros, Fil. 2:1-8. Mesmo obedecendo a Palavra de Deus, usando as qualidades que Deus tem nos dado, não faz que somos mais do que os outros, I Pedro 3:8, "afáveis"; 5:5.
Na realidade, somente podemos ser obedientes com uma atitude correta para com as nossas capacidades e as dos outros, se somos guiados pelo Espírito Santo (Col. 3:12-13). Será observado que essas qualidades com quais devemos andar dignos da nossa vocação, com toda a humildade, são aquelas qualidades listadas em Gálatas 5:22, ou seja, o fruto do Espírito Santo.
A humildade verdadeira não é uma atitude produzida pela filosofia humana, mas pela influência do Espírito Santo na vida Cristã. Portanto não procure ter as qualidades do Espírito Santo sem ter o próprio Espírito. É necessário conhecer Cristo como seu Salvador para conhecer o Espírito Santo na sua vida. Se conhece Cristo, já tem o Espírito Santo (Romanos 8:9). Se já conhece Cristo, cresce na graça e verá que as qualidades de Cristo serão manifestas na sua vida, inclusive essa qualidade de modéstia. Se não conhece Cristo, roga a Deus que Ele seja misericordioso para salvar mais um pecador.
Existem Cuidados sobre O Assunto
Colossenses 2:8-23 ! v. 18, "pretexto de humildade". Existe uma humildade que não é verdadeira, que é usada para fins não lícitos. Essa falsa humildade é fruto das filosofias e vãs sutilezas segundo os rudimentos do mundo. Os pretextos da falsa humildade procuram melhorar o homem para que ele possa merecer a salvação ou possa melhorar a sua posição diante de Deus. A humildade falsa segue as regras do homem ou da religião e não Cristo (v. 8). A intenção dessa humildade voluntária, ou seja, aquela filosofia que tem a sua origem na vontade do homem, é de fazer aparecer os atributos de Cristo sem ter o próprio Cristo. Os pretextos de humildade têm o propósito de impressionar Deus. Os pretextos de humildade não levam ninguém a ser salvo pois podem faltar o principal: a nova natureza ou a genuína conversão em Cristo. Se tiver a nova natureza, já não é necessário melhorar a posição em Cristo, pois, para com Deus, estar em Cristo basta. Verdadeiramente, os pretextos de humildade são somente para a satisfação da própria glória do homem (v. 18, "carnal compreensão"; v. 23, "satisfação da carne").
Uns exemplos de como os pretextos são somente da carnal compreensão ou a satisfação da carne, são as vidas austeras dedicadas às privações nos mosteiros e nos conventos, a severa autoflagelação durante a páscoa nas ilhas Filipinas, as duras penitências dos católicos, as proibições de usar cores vivas na vestimenta, abstinência de eletricidade nos lares, privações de motores e máquinas na vida dos Amish, e as longas listas de várias regras e rígidas proibições do neo-pentecostalismo, etc. Nenhumas dessas atividades, por mais sinceras que sejam, jamais levam alguém a ser mais como Cristo na obediência das Escrituras.
É necessário ter Cristo para ser salvo e para agradar Deus na adoração verdadeira. Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade e não nas filosofias segundo os homem (v. 9). O pecador é salvo por Cristo, e assim, não falta nada para agradar Deus. Portanto os salvos não precisam das vãs sutilezas do homem (v. 10). É desnecessário toda e qualquer obra do homem para a salvação. A obra vicária de Cristo basta para a salvação e também para a vida cristã. Portanto, não necessitamos qualquer obra oriunda da tradição dos homens para estes fins (v. 11). O poder de Deus transforma a vida dos salvos para ser o que deve ser pública e espiritualmente sem a adição de qualquer melhora que a compreensão do homem possa sugerir (v. 12,13).
O necessário é Cristo. Foi Cristo quem riscou a cédula (nota promissória), na qual constava toda a dívida do pecador descrita pela lei de Moisés. Moisés pela lei descreveu a imensa dívida que o pecador tinha para com Deus. O homem conspurcado ou enlameado em seus pecados jamais poderia saldar esta dívida. Jesus Cristo anulou este documento que constava a dívida do homem, (v. 14). Cristo, sozinho, e somente Ele, despojou todos os principados e potestades e deles triunfou pelo Seu próprio poder, não necessitando alguma ajuda do homem para completar a vitória (v. 15). Deus fica plenamente satisfeito pelos que estão em Cristo; e as filosofias, as tradições, as cerimônias, os rituais e as privações segundo os rudimentos do mundo em nada podem melhorar o que já é perfeito.
Não é por comer ou deixar de comer; por beber ou deixar beber; por participar ou deixar de participar de uma festa especial; por cultuar ou deixar de cultuar a lua nova ou por guardar ou não o sábado que faz o cristão ter os atributos corretos (v. 16). O essencial é estar em Cristo para agradar a Deus. Quando o cristão está em Cristo o Espírito Santo o transforma à Sua imagem (Col. 3:10). Sendo assim, o crente não precisa de nenhuma regra como: não toques, não proves, não manuseias (Col. 2:21).
Se o homem depende das obras de humildade para ser salvo ou para agradar a Deus, certamente é um grande ignorante que está seguindo a sua carnal compreensão e não está ligado à Cristo. Cristo é O único cabeça pelo qual o pecador chega a Deus (Col. 2:18-19; João 14:6).
É muito mais fácil praticar pretextos de humildade, elaborar doutrinas e preceitos dos homens (v. 22), do que submeter-se a Cristo para a salvação e para servi-lo com uma adoração pública e sincera. Para ser salvo é necessário conhecer Cristo mediante o arrependimento e fé nele. Para agradar Deus na adoração correta é preciso conhecer bem as doutrinas da Palavra de Deus. É necessário ser ligado à cabeça e crescer nEle. Só assim crescerá em aumento de Deus (v. 19; Efésios 4:11-16). Sem esse crescimento, só haverá no homem as aparências de sabedoria que agradam apenas a carne.
O cristão não será julgado pelos seus pretextos de humildade, mas pela própria Palavra de Deus. O pecador deve conhecer Cristo como Salvador e Senhor para agradar Deus e assim terá a Sua salvação. Certamente Deus se agradará do pecador que entrega totalmente a sua vida a Cristo, fazendo uma renúncia completa e irrestrita de tudo o que tem. Jesus mesmo disse: "Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:33).
Você está em Cristo? A humildade é importante na vida cristã, mas de nenhuma maneira nos salva. A humildade somente manifesta as qualidades de Cristo naqueles que já estão nEle e que estão sendo transformados mais e mais à sua imagem. A humildade é o resultado de estar em Cristo e não a causa da salvação ou crescimento na santificação. Em outras palavras, quando se está em Cristo como Único e Exclusivo Salvador, então inevitalmente a humildade e santificação serão as suas marcas.
Vamos examinar brevemente as outras palavras gregas usadas para ensinar sobre o humildade no Novo Testamento.
Baixeza de condições (capacidades) e coração (atitude de si) - #5013. Os seus usos pelo Novo Testamento:
Mat. 18:4, "humilde"; 23:8-12, "humilhado" Aprendemos que as regras do reino de Deus é diferente das regras do mundo (I João 2:16) ;
Luc. 3:5, "se aplanarão". Deus pode abaixar o que se exalta (Daniel 4:37);
Luc. 14:11, "humilhado"; 18:14, "humilhado". Aprendemos que o regimento no reino de Deus é diferente do que o do mundo, I João 2:16;
II Cor. 11:7, "humilhando-me a mim mesmo". Aprendemos que trabalhar sem salário é humilhante. A igreja tem obrigação de fazer o que é digno, até em dobro, para com aquele chamado que trabalha entre ela (I Tim 5:17). O servo de Deus é pronto para humilhar-se (trabalhar sem receber), mas a posição dos que são ensinados por ele, não devem permitir que isso aconteça (Gal. 6:6);
II Cor. 12:21, "me humilhe". O fruto da obra é o gozo e a coroa do obreiro (Fil. 4:1). O obreiro se entristeça por não ter o fruto esperado;
Em Filipenses 2:8 a Bíblia diz que Jesus "humilhou-Se". Em Atos 8:33 Lucas cita o profeta Isaías 53:8 onde diz que Jesus foi tirado da terra. Isto é, Jesus foi morto pelos homens maus. Jesus se humilhou como nenhum outro ser no universo. Ele, como o Jeová Todo-Poderoso, se cansou, João 4:6; Jesus sendo o Onipotente Deus não sabia o dia de sua volta aqui na terra, Marcos 13:32; Jesus Cristo sendo o Onipresente Deus, João 3:13 não estava presente na morte de Lázaro; o Divino conheceu fome, sede, choro e morte. Se o supremo Jesus, sendo o próprio Deus Divino se fez pecado por nós, então nós devemos agüentar resignadamente as fraquezas dos irmãos (Efés 4:32)!;
Fil. 4:12, "abatido". Paulo sofreu em sua carne a mais amarga experiência do abatimento. Ele foi desprezado, Atos 14; tinha um espinho na carne, II Cor. 12:7-9; foi escandalizado, II Cor. 11:29; conheceu fome, Atos 20:34.
Tiago 4:10, "Humilhai-vos". É difícil nos humilhar, nos arrepender e ter vergonha do erro, mas essa atitude funciona; I Pedro 5:6, "Humilhai-vos".
Baixeza em posição (baixa estimação diante dos outros) ou em sentimento (meigo) ! #5014, Strong?s. Os seus usos pelo Novo Testamento:
Lucas 1:48, "na baixeza"; Atos 8:33, "humilhação" ; Fil. 3:21, "corpo abatido". Não devemos gloriar nos muito neste corpo. O pecado reside nele, Romanos 7:18,23; Tiago 1:10, "abatimento". É uma vergonha viver uma mentira e colocar prioridades no que é temporal, por isso, é uma glória para um rico em bens materiais ser feito fraco.
Depois de estudar estas palavras hebraicas e gregas que são traduzidas em humildade e as suas variadas formas, entendemos que !humildade? trata-se de uma forma ou outra de rebaixar. Esse rebaixamento pode ser forçado (como por exemplo, ser vencido por alguém ou algo mais forte; ser pobre por natureza ou por falta de capacidade), ou pode ser rebaixamento voluntário (como por exemplo, piedade, modéstia ou assumir uma atitude de humildade). Essa condição é louvável na medida que o humilde procura o trono da graça para aprender de Cristo. A modéstia não faz da timidez uma virtude, mas reconhece os talentos que Deus tem dado e procura usá-los para a glória de Deus. Essa boa condição também procura reconhecer as qualidades que Deus tem dado aos outros. Somos avisados também que não é a humildade que nos faz ser aceitos diante de Deus, mas o fato de estarmos em Cristo. Estando em Cristo, teremos as qualidades necessárias que provêm Dele, incluindo a humildade. A humildade não é fruto de filosofias do homem, mas o fruto da obra do Espírito Santo trazendo-nos a participar em Cristo. Está em Cristo?
A Importância de Humildade
Quando somos humilde tornamo-nos como Cristo Mateus. 11:29 registrou a revelação da humildade e mansidão de Cristo nas seguintes palavras: "... sou manso e humilde de coração". Também em outras partes do Novo Testamento encontramos o registro de que Jesus era manso, submisso e humilde. Mateus. 21:5; Lucas 22:27, "Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve."; "todavia não se faça a minha vontade mas a Tua.", Lucas 22:42; "...esvaziou-se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante na forma de homem;" Filipenses 2:7. Cristo, como temos estudado, mesmo sendo o Onipotente, se cansou, João 4:6; mesmo sendo o Onisciente, não sabia o dia da volta do Seu Pai, Mateus. 24:36; mesmo sendo o Onipresente, não estava presente na morte de Lázaro, João 11:15; mesmo sendo o Divino, conheceu fome, Mateus. 4:2; sede, João 19:28. Jesus chorou, João 11:35 e, Jesus, o Todo-Poderoso Deus, experimentou a morte, João 19:30. Sabendo o que Jesus, sendo o eterno Deus se fez pecado por nós, nós também devemos suportar as fraquezas dos nosso queridos irmãos, Efésios. 4:32! Devemos imitar a humildade de Cristo em nosso ministério. O apóstolo Paulo disse em II Tim 2:24: "E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor;"
Quando somos humildes tornarmo-nos como os santo homens de Deus. Em Gên. 39:19-23, José achou "graça aos olhos do carcereiro-mor" pois o Senhor "estendeu sobre ele a Sua benignidade"; Moisés, Núm. 12:3, "era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra."; Ester 4:16 humildemente disse: "... se perecer, pereci". Jó, o homem que deu o grande exemplo de paciência e sofrimento, falou: "me abomino e me arrependo no pó e na cinza.", Jó 42:6. O grande rei e profeta Davi disse: "SENHOR, Tu me sondaste, e me conheces", Sal. 139:1. Eis as estupendas palavras do profeta Isaias: "...Ai de mim! Pois estou perdido; porque eu sou um homem de lábios impuros...", Isaías 6:5. Em Jeremias 1:6 lemos: "...ainda sou menino.". Foi dito do grande homem de Deus, Daniel, que superou pela fé vários obstáculos que ele tinha "espírito excelente"; Daniel 5:12; 6:3.
Paulo, o apóstolo dos gentios humildemente disse em sua primeira carta aos Coríntios: "...quando fui ter convosco, ... não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria"; I Cor. 2:1. Em Gálatas 6:14 ele confessou: "...o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo". Ainda este mesmo Paulo falou aos Efésios o seguinte: "A mim, o mínimo de todos os santos", Efésios. 3:8. O apóstolo Pedro, dando testemunho das santa mulheres do Antigo Testamento, disse: "...um espírito manso e quieto ... assim se adornavam as santas mulheres que esperavam em Deus", I Pedro 3:4-6. Compreendendo que somos "rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta", Hebreus 12:1.
Quando sabemos da importância da humildade, livramo-nos daquelas tristezas que vêm por não conhecer as obras de Deus. Ignorância é tolice. A Bíblia diz claramente que: "...não é bom ficar a alma sem conhecimento", Provérbios. 19:2. O próprio Senhor Jesus disse: "Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus", Mateus 22:29. Tolice é resmungar por aquilo que é para nosso bem e para a glória do nosso Senhor Jesus ("Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberemos o mal?", Jó 2:10). Em Romanos 8:28 está escrito: "...todas as coisas contribuem juntamente para o bem..." Ainda em Romanos 11:36: "...para Ele são todas as coisas, glória, pois, a Ele eternamente...". Às vezes para nossa humilhação é necessário um "espinho na carne" (II Cor. 12:7-9), ou outras quaisquer aflições. Sabendo que Deus é sábio em seus planos e que Ele controla todas as coisas, então podemos nos regozijar nas tribulações (Tiago 1:2-4) ao invés de lamentar!
Quando nos tornamos humildes livramo-nos do maldito orgulho e as desastrosas conseqüências que a falta dela traz para alma. Sabemos que as conseqüências do pecado são muitas. Essas conseqüências podem ser vergonha pública, conforme podemos ver em Lucas. 14:7-14; doenças graves, II Crônicas. 26:16-21; "grande ira", II Crônicas. 32:25,26; perda de responsabilidades, Daniel 5:20-30, ou outra espécie de contenda. Não há como ter as bênçãos de Deus pela falta de humildade, pois "da soberba só provém a contenda", Provérbios. 13:10. As graves conseqüências da carne são corrupção, Gal. 6:8, e nunca podem operar a justiça de Deus, pois em Tiago lemos: "Porque a ira do homem não opera justiça de Deus" (Tiago 1:20). Quando somos humildes, poupamo-nos de muita vergonha, II Cor. 10:5).
Quando não somos humildes gabamo-nos de supostas qualidades como Nabucodonosor, Daniel 4:30; enchemo-nos de soberba como Herodes, Atos 12:22,23; exaltamo-nos como os príncipes contra Daniel, em destruir ou tirar vidas humanas, Daniel 6:4-13, 24; caímos na tentação de nos exaltar, Mateus 23:9-12; e inchamo-nos com a ciência, I Cor. 8:1, "a ciência incha". Devemos entender que quando excitamos a nossa carne, "não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito falacioso aí há perturbação e toda a obra perversa." Tiago 3:13-18. Portanto há muito proveito e vantagens espirituais quando exercitamos a humildade.
Autor: Pastor Calvin Gardner
Pode ser que a humildade signifique qualidades diferente para pessoas diferentes. Olhando no dicionário entendemos que essa virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza (Aurélio) é uma qualidade boa na vida de qualquer pessoa. O humilde é comparado a uma pessoa respeitosa, reverente e submissa. Como uma pessoa pobre não pode se gloriar de grandes posses, uma pessoa humilde não se gloria de grandes qualidades.
O que significa essa palavra na Bíblia?
Examinando quais palavras são usadas por Deus na inspiração da Sua Bíblia para expressar essa qualidade de humildade, podemos aprender muito. Queremos examinar as palavras usadas tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento. Assim podemos tirar as nossas próprias conclusões.
Quando essa palavra está usada no Velho Testamento pode significar:
Sentir-se menos em mente, ser brando; ou em circunstancia, pobre ou piedoso.
condescendência ("humildade" - Prov. 15:33; 18:12; 22:4), que é de ceder voluntariamente. Se um homem faz isto é chamado modéstia. Se o divino faz isto é chamado clemência.
Rebaixamento voluntário ou forçado, submissão ("humilhar-te" ! Êx. 10:3; Deut 8:2,3, 16; "humilhado" ! Deut 21:14; "humilhou" ! Deut 22:24,29; Ezequiel 22:11; "humilhai-as" Juízes 19:24; "humilhava" ! Sal. 35:13; "humilharam" ! Ezequiel 22:10)
Dobrar o joelho, conquistar ("se humilhar" ! Lev 26:41; II Cron. 7:14; "se humilha" ! I Reis 21:29; "te humilhaste" ! II Reis 22:19; "se humilharam" ! II Cron.12:6; 30:11; "se humilhavam" ! II Cron. 12:7; "humilhando-se" ! II Cron. 12:12; "se humilhou" II Cron. 32:26; 33:12,23; 36:12; "se humilhasse" ! II Cron. 33:19; "se humilhara" II Cron. 33:23; "te humilhaste" ! II Cron. 34:27).
Aquele que sente-se menos em mente, ou em circunstancia ! objetivo - ("aflitos" ! Sal. 9:12; "humildes" ! Sal. 10:12; "mansos" ! Sal. 10:17; 34:2 !).
Ser rebaixado, ser degradado ! ( "se inclina"- Sal. 113:6; "ser humilde" ! Prov. 16:19; "se abate"- Isaías 2:9; "te abaterem" ! Jó 22:29; "humilhai-vos" ! Jer. 13:18).
Se rebaixar ("humilhaste"- Daniel 5:22).
Baixeza ("humilde"- Jó 22:29).
Quebrado, contristado ("se humilharam"- Jer. 44:10)
Prostrar-se, adorar ("me inclino" ! II Sam 16:4)
Ser modesto ("humildemente" ! Miquéias 6:8)
Si pisar ("humilha-te" ! Prov. 6:4)
Se diminuir ("se abate" ! Lam 3:20)
Se agachar ("abaixa-se"- Sal. 10:10)
Quando essa palavra é usada no Novo Testamento, pode significar:
As palavras em grego usadas para descrever a virtude de humildade são todas relacionadas umas com as outras. Examinaremos em detalhe somente duas destas palavras gregas. Os demais versículos das outras palavras gregas dariam sentido quase igual com essas palavras e, portanto, somente daremos um resumido espaço a elas.
Ser deprimido (abatido, enfraquecido) em circunstancias (pobreza) ou em disposição (atitude). Os seus usos pelo Novo Testamento:
Cristo é nosso exemplo primário:
Mat. 11: 29, "que sou manso e humilde de coração" (de atitude) ! Isaías 53:2,3, "Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens"; 42:3 "A cana trilhado não quebrará, nem apagará o pavio que fumega;" (Mat. 12:20)
Lucas 1 :52, "elevou os humildes" (pobres) como Maria. Apesar de sua baixa estimação pela sociedade (Luc. 1:48), Deus a usou como um maravilhoso instrumento para operar a Sua vontade para toda a humanidade que crê. Assim Deus opera ainda hoje (I Cor. 1:26-29, "não são muitos os sábios , ... poderosos, ... nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; ... as coisas fracas para confundir as fortes; ... as coisas vis e desprezíveis, e que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne glorie perante Ele.")
Humildade É O Nosso Dever
Romanos 12:16,
"Sede unânimes entre vós;" - não é o ecumenismo que está sendo ensinado neste versículo. O que está sendo ensinado é aquela atitude demonstrada por Jesus e os demais santos bíblicos. Jesus mesmo disse: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas" (Mateus 7:12). A mesma verdade aprendemos com Tiago quando disse: "Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis" (Tiago 2:8). Perante os olhos de Deus todos somos igualmente pecadores, e todos precisam se arrepender de seus pecados crendo pela fé em Cristo.
Em vista disso a Bíblia diz: "...não ambicioneis coisas altas..." Romanos 12:7. Ainda em Gálatas 6:2 Paulo diz: "Levai as cargas uns dos outros ..." Em Tiago 1:27 podemos ler: "Visitar os órfãos e as viúvas na suas tribulações ...". Aprendemos então que não devemos ter pretensões superiores sobre os nossos semelhantes.
Podemos notar registrado em Mateus as preciosas lições de humildade ensinadas por Jesus aos seus discípulos: "Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos" (Mateus 20:25-28).
"...mas acomodai-vos às humildes..." (Romanos 12:16). Também devemos gostar da companhia dos pobres e dos que são despojados de quaisquer qualificações, Tiago 2:1-5. Em Provérbios. 3:7 podemos observar o sábio conselho de Salomão: "Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal".
Humildade É A Obra de Deus
Em II Cor. 7:6 diz: "Mas Deus, que consola os abatidos..." Os cristãos que têm tribulações, pobreza e sentimentos de fraqueza, sem dúvida alguma usufrui da companhia do poderoso Consolador, o próprio Deus.
O sábio tem a sua sabedoria para lhe consolar.
O forte tem a sua força para lhe consolar.
O rico tem a sua riqueza para lhe consolar.
Porém, os fracos podem conhecer a beneficência, juízo e justiça do próprio Deus. Este é o consolo que o abatido pode gloriar-se (Jer. 9:23,24). Porém, não se glorie de sua pobreza, mas em Deus. A pobreza pode ser um fator convincente da sua necessidade de Deus, mas a glória deve ser dada a Deus.
Em Tiago 4:6 e em I Pedro 5:5 lemos: "Deus dá graça aos humildes" . Deus ampara os desamparados e os humildes. Os que se julgam auto-suficiente, não precisam de amparo. Deus dá ajuda em tempo oportuno aos humildes. Os que se julgam poderosos, não precisam de graça. A graça de Deus sempre está ao lado dos espiritualmente fracos e necessitados. Veja o que Jesus disse a respeito disso em Marcos 2:17 e também em Lucas 5:32 Aos que se julgam perfeitos não precisam de misericórdia. Jesus Cristo está pronto para salvar todos aqueles que estão conscientes de sua falência espiritual. Veja esta grande verdade em Hebreus 4:15,16. Quando o pecador chega a conclusão da sua precária condição espiritual diante de Deus, então só resta chegar ao trono da graça para obter a misericórdia divina. Reconhecer a sua necessidade espiritual é dadiva de Deus.
É aconselhável que os humildes conheçam a importância desta ajuda: não há virtude na qualidade de ser pobre e fraco. Essas condições porém revelam a necessidade da ajuda divina. Certamente que a ajuda divina vem quando o pecador em qualquer circunstância chega ao trono da graça. Diante do trono da graça os humildes e miseráveis, espiritualmente falando, devem lançar sobre Ele as suas ansiedades (I Pedro 5:7-9); aproveitar dos sábios conselhos da Palavra de Deus (Sal. 19:9-11); ser mais obediente à Palavra do Senhor com determinação e fé (Fil. 4:6-9). Essa é a ajuda que todos recebem de Deus quando O procuram.
O Exemplo de Paulo nos Ensina
Em II Cor. 10:1 encontramos o apóstolo Paulo dizendo: "...quando presente ... sou humilde". Em nenhuma ocasião Paulo se achava um bonitão ou um auto-suficiente. Depois de sua conversão a Cristo, Paulo despiu-se de todo orgulho carnal e de todas vantagens que tinha em sua vida religiosa. Antes de aceitar Cristo, Paulo usufruía de muitas vantagens e prestígios em sua vida religiosa. Veja o que ele mesmo disse: "Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé..." (Gálatas 3:7-9). Depois de convertido Paulo tinha as provações e sofrimentos que eram marcas de um discípulo sincero que fez ele sentir as suas fraquezas (II Cor. 11:23-30; Gal. 6:17).
Conforme acabamos de ver, o apóstolo Paulo poderia confiar muito na carne. Vantagens não lhe faltava. Ele era circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu de hebreus; segundo a lei, foi fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível (Fil. 3:4-6). Todavia, no seu ministério, ele não usou sublimidade de palavras ou de sabedoria, mas, sentiu-se em fraqueza, e em temor e em grande tremor. A sua palavra, e a sua pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder (I Cor. 2:1-5). Paulo se considerava crucificado com Cristo (Gal. 2:20). A sua glória era na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo estava crucificado para ele e ele para o mundo (Gal. 6:14; I Cor. 2:2, "Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado."). Paulo sentia-se humilde para consigo mesmo, mas ousado com a verdade (II Cor. 10:1, "ousado para convosco").
A atitude de Paulo para com as fraquezas, as injurias, as perseguições e as angustias, é uma lição para o Cristão. Se essas fraquezas ensinam o convertido em Cristo a se aperfeiçoar no poder de Deus mediante a fé no Senhor Jesus, então ele pode sentir prazer nelas (II Cor. 12:5-10). Também o Cristão é ensinado pelo exemplo de Paulo, que, por mais usado seja no ministério, a glória toda pertence a Deus.
Temos Um Consolo
Tiago 1:9, "glorie-se o irmão abatido" (Tiago 5:6).
Por que este deve gloriar-se? Porque quando nos humilhamos somos exaltado por Deus. Vamos examinar o que Pedro disse: "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte" (I Pedro 5:6). Quando chegamos no auge de nossa falência espiritual, sentindo a falta de prestígio social e desprezo dos homens, então deixamos de confiar plenamente na carne e voltamos a buscar as infinitas misericórdias do bondoso Deus.
Por que o humilde é exaltado? Porque ele tem a sabedoria, o amparo, a graça e a misericórdia de Deus! Esses são atributos que os orgulhosos e os auto-suficientes nunca podem conhecer.
Aprendemos então que há grandes bênçãos em nossas fraquezas e limitações. Sem dúvida alguma que há grandes vantagens ao conscientizar-nos de nossas limitações diante de Deus. O apóstolo Paulo disse: "...me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte" (II Coríntios 12:9-10). Quando os crentes sentem em si mesmos "lixos" espirituais então recorrem ao trono da graça, e o Senhor os exaltam com consolo e sabedoria que jamais a força humana poderia atingir.
Como está a sua atitude de si mesmo? Necessita do amparo divino? O que Ele oferece é um maior conhecimento de Si mesmo. Isso basta?
Uma outro palavra grega que queremos estudar é:
Baixeza de mente, modéstia - #5012, Strong?s. Os seus usos pelo Novo Testamento:
Humilde Como Paulo
Atos 20:19, "Servindo ao Senhor com toda a humildade". Exemplos de uma vida humilde na vida do apóstolo Paulo:
Atos 13:6-12 - confronto com Elimas, o mágico em Chipre
Atos 13:45-47, 50-52 - confronto com judeus invejosos - Antioquia
Atos 14:2-7 - confronto com judeus invejosos ! Icônio
Atos 14:19,20 - confronto com judeus invejosos ! Listra Paulo não se exaltou, mas teve a ousadia em obedecer a Palavra de Deus e cumprir a sua vocação fielmente. Aprendemos que "servindo ao Senhor com toda a humildade" não significa que é errado apontar e confrontar o erro. A humildade nunca deve ser confundida com a frouxidão. O servo de Deus que serve "ao Senhor com toda a humildade" pode expor o erro. Paulo corajosamente confrontou o erro e exemplificou grande ousadia em seu ministério, mas, mesmo assim testemunhou-se serviu "ao Senhor com toda a humildade
Os servos de Deus vivem nos dias de hoje com este grande dilema. Muitos confundem humildade com a falta de coragem de expor publicamente o erro da humanidade. Há até mesmo nos dias de hoje pastores light Os membros das igrejas exigem dos pregadores pregações light. Light, segundo o dicionário Aurélio, significa moderado, não radical. Porém o Senhor Jesus numa calorosa pregação, Ele repetidas vezes chamou os fariseus e os escribas de hipócritas. Veja o capítulo 23 de Mateus. Jesus não foi light em suas pregações. E ninguém pode negar que Jesus era humilde e manso de coração, Mateus 11:29.
Humildade É O Dever do Cristão
Efés. 4:1,2 ! "Andar digno da vocação ... com toda a humildade". A nossa vocação, tanto a sua chamada quanto o seu desempenho, não é pelas qualidades superiores do homem ou pelas espertezas da sabedoria humana (I Cor. 2:4,5, "A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana"; II Cor. 3:5, "a nossa capacidade vem de Deus; Efés. 3:7, "dom da graça de Deus ... segundo a operação do Seu poder"; II Cor. 4:4-6, "não nos pregamos a nós mesmos"). Devemos usar tudo que Deus nos dá para a sua glória lembrando-nos no mesmo instante que sempre temos pecado e fraquezas (Romanos 7:24; Col. 2:6).
Para andar com modéstia, não é necessário negar nossos talentos ou nossos dons. A humildade não deve negar a existência de uma capacidade nem o seu uso. Modéstia não pode transformar a timidez em uma virtude. Devemos ser obedientes de alma e de todo o coração! Todavia um dos segredos da humildade é reconhecer os talentos e dons nos outros, Fil. 2:1-8. Mesmo obedecendo a Palavra de Deus, usando as qualidades que Deus tem nos dado, não faz que somos mais do que os outros, I Pedro 3:8, "afáveis"; 5:5.
Na realidade, somente podemos ser obedientes com uma atitude correta para com as nossas capacidades e as dos outros, se somos guiados pelo Espírito Santo (Col. 3:12-13). Será observado que essas qualidades com quais devemos andar dignos da nossa vocação, com toda a humildade, são aquelas qualidades listadas em Gálatas 5:22, ou seja, o fruto do Espírito Santo.
A humildade verdadeira não é uma atitude produzida pela filosofia humana, mas pela influência do Espírito Santo na vida Cristã. Portanto não procure ter as qualidades do Espírito Santo sem ter o próprio Espírito. É necessário conhecer Cristo como seu Salvador para conhecer o Espírito Santo na sua vida. Se conhece Cristo, já tem o Espírito Santo (Romanos 8:9). Se já conhece Cristo, cresce na graça e verá que as qualidades de Cristo serão manifestas na sua vida, inclusive essa qualidade de modéstia. Se não conhece Cristo, roga a Deus que Ele seja misericordioso para salvar mais um pecador.
Existem Cuidados sobre O Assunto
Colossenses 2:8-23 ! v. 18, "pretexto de humildade". Existe uma humildade que não é verdadeira, que é usada para fins não lícitos. Essa falsa humildade é fruto das filosofias e vãs sutilezas segundo os rudimentos do mundo. Os pretextos da falsa humildade procuram melhorar o homem para que ele possa merecer a salvação ou possa melhorar a sua posição diante de Deus. A humildade falsa segue as regras do homem ou da religião e não Cristo (v. 8). A intenção dessa humildade voluntária, ou seja, aquela filosofia que tem a sua origem na vontade do homem, é de fazer aparecer os atributos de Cristo sem ter o próprio Cristo. Os pretextos de humildade têm o propósito de impressionar Deus. Os pretextos de humildade não levam ninguém a ser salvo pois podem faltar o principal: a nova natureza ou a genuína conversão em Cristo. Se tiver a nova natureza, já não é necessário melhorar a posição em Cristo, pois, para com Deus, estar em Cristo basta. Verdadeiramente, os pretextos de humildade são somente para a satisfação da própria glória do homem (v. 18, "carnal compreensão"; v. 23, "satisfação da carne").
Uns exemplos de como os pretextos são somente da carnal compreensão ou a satisfação da carne, são as vidas austeras dedicadas às privações nos mosteiros e nos conventos, a severa autoflagelação durante a páscoa nas ilhas Filipinas, as duras penitências dos católicos, as proibições de usar cores vivas na vestimenta, abstinência de eletricidade nos lares, privações de motores e máquinas na vida dos Amish, e as longas listas de várias regras e rígidas proibições do neo-pentecostalismo, etc. Nenhumas dessas atividades, por mais sinceras que sejam, jamais levam alguém a ser mais como Cristo na obediência das Escrituras.
É necessário ter Cristo para ser salvo e para agradar Deus na adoração verdadeira. Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade e não nas filosofias segundo os homem (v. 9). O pecador é salvo por Cristo, e assim, não falta nada para agradar Deus. Portanto os salvos não precisam das vãs sutilezas do homem (v. 10). É desnecessário toda e qualquer obra do homem para a salvação. A obra vicária de Cristo basta para a salvação e também para a vida cristã. Portanto, não necessitamos qualquer obra oriunda da tradição dos homens para estes fins (v. 11). O poder de Deus transforma a vida dos salvos para ser o que deve ser pública e espiritualmente sem a adição de qualquer melhora que a compreensão do homem possa sugerir (v. 12,13).
O necessário é Cristo. Foi Cristo quem riscou a cédula (nota promissória), na qual constava toda a dívida do pecador descrita pela lei de Moisés. Moisés pela lei descreveu a imensa dívida que o pecador tinha para com Deus. O homem conspurcado ou enlameado em seus pecados jamais poderia saldar esta dívida. Jesus Cristo anulou este documento que constava a dívida do homem, (v. 14). Cristo, sozinho, e somente Ele, despojou todos os principados e potestades e deles triunfou pelo Seu próprio poder, não necessitando alguma ajuda do homem para completar a vitória (v. 15). Deus fica plenamente satisfeito pelos que estão em Cristo; e as filosofias, as tradições, as cerimônias, os rituais e as privações segundo os rudimentos do mundo em nada podem melhorar o que já é perfeito.
Não é por comer ou deixar de comer; por beber ou deixar beber; por participar ou deixar de participar de uma festa especial; por cultuar ou deixar de cultuar a lua nova ou por guardar ou não o sábado que faz o cristão ter os atributos corretos (v. 16). O essencial é estar em Cristo para agradar a Deus. Quando o cristão está em Cristo o Espírito Santo o transforma à Sua imagem (Col. 3:10). Sendo assim, o crente não precisa de nenhuma regra como: não toques, não proves, não manuseias (Col. 2:21).
Se o homem depende das obras de humildade para ser salvo ou para agradar a Deus, certamente é um grande ignorante que está seguindo a sua carnal compreensão e não está ligado à Cristo. Cristo é O único cabeça pelo qual o pecador chega a Deus (Col. 2:18-19; João 14:6).
É muito mais fácil praticar pretextos de humildade, elaborar doutrinas e preceitos dos homens (v. 22), do que submeter-se a Cristo para a salvação e para servi-lo com uma adoração pública e sincera. Para ser salvo é necessário conhecer Cristo mediante o arrependimento e fé nele. Para agradar Deus na adoração correta é preciso conhecer bem as doutrinas da Palavra de Deus. É necessário ser ligado à cabeça e crescer nEle. Só assim crescerá em aumento de Deus (v. 19; Efésios 4:11-16). Sem esse crescimento, só haverá no homem as aparências de sabedoria que agradam apenas a carne.
O cristão não será julgado pelos seus pretextos de humildade, mas pela própria Palavra de Deus. O pecador deve conhecer Cristo como Salvador e Senhor para agradar Deus e assim terá a Sua salvação. Certamente Deus se agradará do pecador que entrega totalmente a sua vida a Cristo, fazendo uma renúncia completa e irrestrita de tudo o que tem. Jesus mesmo disse: "Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:33).
Você está em Cristo? A humildade é importante na vida cristã, mas de nenhuma maneira nos salva. A humildade somente manifesta as qualidades de Cristo naqueles que já estão nEle e que estão sendo transformados mais e mais à sua imagem. A humildade é o resultado de estar em Cristo e não a causa da salvação ou crescimento na santificação. Em outras palavras, quando se está em Cristo como Único e Exclusivo Salvador, então inevitalmente a humildade e santificação serão as suas marcas.
Vamos examinar brevemente as outras palavras gregas usadas para ensinar sobre o humildade no Novo Testamento.
Baixeza de condições (capacidades) e coração (atitude de si) - #5013. Os seus usos pelo Novo Testamento:
Mat. 18:4, "humilde"; 23:8-12, "humilhado" Aprendemos que as regras do reino de Deus é diferente das regras do mundo (I João 2:16) ;
Luc. 3:5, "se aplanarão". Deus pode abaixar o que se exalta (Daniel 4:37);
Luc. 14:11, "humilhado"; 18:14, "humilhado". Aprendemos que o regimento no reino de Deus é diferente do que o do mundo, I João 2:16;
II Cor. 11:7, "humilhando-me a mim mesmo". Aprendemos que trabalhar sem salário é humilhante. A igreja tem obrigação de fazer o que é digno, até em dobro, para com aquele chamado que trabalha entre ela (I Tim 5:17). O servo de Deus é pronto para humilhar-se (trabalhar sem receber), mas a posição dos que são ensinados por ele, não devem permitir que isso aconteça (Gal. 6:6);
II Cor. 12:21, "me humilhe". O fruto da obra é o gozo e a coroa do obreiro (Fil. 4:1). O obreiro se entristeça por não ter o fruto esperado;
Em Filipenses 2:8 a Bíblia diz que Jesus "humilhou-Se". Em Atos 8:33 Lucas cita o profeta Isaías 53:8 onde diz que Jesus foi tirado da terra. Isto é, Jesus foi morto pelos homens maus. Jesus se humilhou como nenhum outro ser no universo. Ele, como o Jeová Todo-Poderoso, se cansou, João 4:6; Jesus sendo o Onipotente Deus não sabia o dia de sua volta aqui na terra, Marcos 13:32; Jesus Cristo sendo o Onipresente Deus, João 3:13 não estava presente na morte de Lázaro; o Divino conheceu fome, sede, choro e morte. Se o supremo Jesus, sendo o próprio Deus Divino se fez pecado por nós, então nós devemos agüentar resignadamente as fraquezas dos irmãos (Efés 4:32)!;
Fil. 4:12, "abatido". Paulo sofreu em sua carne a mais amarga experiência do abatimento. Ele foi desprezado, Atos 14; tinha um espinho na carne, II Cor. 12:7-9; foi escandalizado, II Cor. 11:29; conheceu fome, Atos 20:34.
Tiago 4:10, "Humilhai-vos". É difícil nos humilhar, nos arrepender e ter vergonha do erro, mas essa atitude funciona; I Pedro 5:6, "Humilhai-vos".
Baixeza em posição (baixa estimação diante dos outros) ou em sentimento (meigo) ! #5014, Strong?s. Os seus usos pelo Novo Testamento:
Lucas 1:48, "na baixeza"; Atos 8:33, "humilhação" ; Fil. 3:21, "corpo abatido". Não devemos gloriar nos muito neste corpo. O pecado reside nele, Romanos 7:18,23; Tiago 1:10, "abatimento". É uma vergonha viver uma mentira e colocar prioridades no que é temporal, por isso, é uma glória para um rico em bens materiais ser feito fraco.
Depois de estudar estas palavras hebraicas e gregas que são traduzidas em humildade e as suas variadas formas, entendemos que !humildade? trata-se de uma forma ou outra de rebaixar. Esse rebaixamento pode ser forçado (como por exemplo, ser vencido por alguém ou algo mais forte; ser pobre por natureza ou por falta de capacidade), ou pode ser rebaixamento voluntário (como por exemplo, piedade, modéstia ou assumir uma atitude de humildade). Essa condição é louvável na medida que o humilde procura o trono da graça para aprender de Cristo. A modéstia não faz da timidez uma virtude, mas reconhece os talentos que Deus tem dado e procura usá-los para a glória de Deus. Essa boa condição também procura reconhecer as qualidades que Deus tem dado aos outros. Somos avisados também que não é a humildade que nos faz ser aceitos diante de Deus, mas o fato de estarmos em Cristo. Estando em Cristo, teremos as qualidades necessárias que provêm Dele, incluindo a humildade. A humildade não é fruto de filosofias do homem, mas o fruto da obra do Espírito Santo trazendo-nos a participar em Cristo. Está em Cristo?
A Importância de Humildade
Quando somos humilde tornamo-nos como Cristo Mateus. 11:29 registrou a revelação da humildade e mansidão de Cristo nas seguintes palavras: "... sou manso e humilde de coração". Também em outras partes do Novo Testamento encontramos o registro de que Jesus era manso, submisso e humilde. Mateus. 21:5; Lucas 22:27, "Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve."; "todavia não se faça a minha vontade mas a Tua.", Lucas 22:42; "...esvaziou-se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante na forma de homem;" Filipenses 2:7. Cristo, como temos estudado, mesmo sendo o Onipotente, se cansou, João 4:6; mesmo sendo o Onisciente, não sabia o dia da volta do Seu Pai, Mateus. 24:36; mesmo sendo o Onipresente, não estava presente na morte de Lázaro, João 11:15; mesmo sendo o Divino, conheceu fome, Mateus. 4:2; sede, João 19:28. Jesus chorou, João 11:35 e, Jesus, o Todo-Poderoso Deus, experimentou a morte, João 19:30. Sabendo o que Jesus, sendo o eterno Deus se fez pecado por nós, nós também devemos suportar as fraquezas dos nosso queridos irmãos, Efésios. 4:32! Devemos imitar a humildade de Cristo em nosso ministério. O apóstolo Paulo disse em II Tim 2:24: "E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor;"
Quando somos humildes tornarmo-nos como os santo homens de Deus. Em Gên. 39:19-23, José achou "graça aos olhos do carcereiro-mor" pois o Senhor "estendeu sobre ele a Sua benignidade"; Moisés, Núm. 12:3, "era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra."; Ester 4:16 humildemente disse: "... se perecer, pereci". Jó, o homem que deu o grande exemplo de paciência e sofrimento, falou: "me abomino e me arrependo no pó e na cinza.", Jó 42:6. O grande rei e profeta Davi disse: "SENHOR, Tu me sondaste, e me conheces", Sal. 139:1. Eis as estupendas palavras do profeta Isaias: "...Ai de mim! Pois estou perdido; porque eu sou um homem de lábios impuros...", Isaías 6:5. Em Jeremias 1:6 lemos: "...ainda sou menino.". Foi dito do grande homem de Deus, Daniel, que superou pela fé vários obstáculos que ele tinha "espírito excelente"; Daniel 5:12; 6:3.
Paulo, o apóstolo dos gentios humildemente disse em sua primeira carta aos Coríntios: "...quando fui ter convosco, ... não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria"; I Cor. 2:1. Em Gálatas 6:14 ele confessou: "...o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo". Ainda este mesmo Paulo falou aos Efésios o seguinte: "A mim, o mínimo de todos os santos", Efésios. 3:8. O apóstolo Pedro, dando testemunho das santa mulheres do Antigo Testamento, disse: "...um espírito manso e quieto ... assim se adornavam as santas mulheres que esperavam em Deus", I Pedro 3:4-6. Compreendendo que somos "rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta", Hebreus 12:1.
Quando sabemos da importância da humildade, livramo-nos daquelas tristezas que vêm por não conhecer as obras de Deus. Ignorância é tolice. A Bíblia diz claramente que: "...não é bom ficar a alma sem conhecimento", Provérbios. 19:2. O próprio Senhor Jesus disse: "Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus", Mateus 22:29. Tolice é resmungar por aquilo que é para nosso bem e para a glória do nosso Senhor Jesus ("Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberemos o mal?", Jó 2:10). Em Romanos 8:28 está escrito: "...todas as coisas contribuem juntamente para o bem..." Ainda em Romanos 11:36: "...para Ele são todas as coisas, glória, pois, a Ele eternamente...". Às vezes para nossa humilhação é necessário um "espinho na carne" (II Cor. 12:7-9), ou outras quaisquer aflições. Sabendo que Deus é sábio em seus planos e que Ele controla todas as coisas, então podemos nos regozijar nas tribulações (Tiago 1:2-4) ao invés de lamentar!
Quando nos tornamos humildes livramo-nos do maldito orgulho e as desastrosas conseqüências que a falta dela traz para alma. Sabemos que as conseqüências do pecado são muitas. Essas conseqüências podem ser vergonha pública, conforme podemos ver em Lucas. 14:7-14; doenças graves, II Crônicas. 26:16-21; "grande ira", II Crônicas. 32:25,26; perda de responsabilidades, Daniel 5:20-30, ou outra espécie de contenda. Não há como ter as bênçãos de Deus pela falta de humildade, pois "da soberba só provém a contenda", Provérbios. 13:10. As graves conseqüências da carne são corrupção, Gal. 6:8, e nunca podem operar a justiça de Deus, pois em Tiago lemos: "Porque a ira do homem não opera justiça de Deus" (Tiago 1:20). Quando somos humildes, poupamo-nos de muita vergonha, II Cor. 10:5).
Quando não somos humildes gabamo-nos de supostas qualidades como Nabucodonosor, Daniel 4:30; enchemo-nos de soberba como Herodes, Atos 12:22,23; exaltamo-nos como os príncipes contra Daniel, em destruir ou tirar vidas humanas, Daniel 6:4-13, 24; caímos na tentação de nos exaltar, Mateus 23:9-12; e inchamo-nos com a ciência, I Cor. 8:1, "a ciência incha". Devemos entender que quando excitamos a nossa carne, "não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito falacioso aí há perturbação e toda a obra perversa." Tiago 3:13-18. Portanto há muito proveito e vantagens espirituais quando exercitamos a humildade.
Autor: Pastor Calvin Gardner
CASAMENTO, DIVÓRCIO E NOVO CASAMENTO
CASAMENTO, DIVÓRCIO E NOVO CASAMENTO
(Rev. Wadislau Martins Gomes)
Alguns anos atrás, o casamento era visto como uma união para “até que a morte os separe”. Não se esperava que um casamento pudesse chegar a um final infeliz, ainda que muitos conhecem a infelicidade e a sua terminação. Contudo, aquilo que era raro a algumas décadas atrás, vai se tornando mais e mais comum hoje em dia: é crescente o número de divorciados na nossa sociedade, e até mesmo, na igreja. Como tratar biblicamente essa realidade enquanto preservamos e pregamos a perenidade do casamento?
Nossa sociedade sofre a fragmentação moral própria de um processo de secularização no qual valores divinos são deslocados para bases humanas. Uma ética baseada nos direitos, mais do que nos deveres, frustra os relacionamentos, produzindo extremo egoísmo.Atensão entre as ênfases social e individual promove um ambiente de coesão externa e de fragmentação interna em todas as esferas de autoridade (no homem interior, na família, na igreja e no estado).
A licenciosidade moral e a liberdade autônoma dificultam o exercício da fidelidade e da lealdade, atingindo a instituição do casamento. O casamento deixa de ser um compromisso entre um homem e uma mulher diante de Deus e dos homens, para ser um acordo de interesses. Muitos casamentos chegam a uma terminação dolorosa. Muitos dos nossos irmãos já passaram pelo drama ético do divórcio e ainda não ultrapassaram os seus problemas.
A igreja precisa aprender a tratar esses casos. Nossos irmãos precisam de uma visão dos princípios bíblicos sobre o divórcio. Precisam de capacitação para tratar as diversas perspectivas e dilemas dessa situação, sendo desafiados à obediência a Deus - certo da esperança de que a fidelidade de Deus assegurará força e proverá suporte (I Co 10.13). Muitas das palavras chaves sobre o divórcio se encontram em 1 Coríntios 7.10-16.
Certamente não poderíamos tratar de divórcio sem mencionar o pacto que estaria sendo rompido: o casamento. Por isso é importante que consideremos o contexto dessa passagem.
Respondendo a uma pergunta feita por alguém da igreja de Corinto (depreende-se) à relação entre homem e mulher, Paulo diz que não é bom o contacto físico indiscriminado, mas sim, a relação monogâmica com direitos e deveres definidos (7.1-5).
O estabelecimento do casamento foi ordenado e regulado no princípio, na Criação (Gn 1.28; 2.24), corroborado pelo próprio Senhor Jesus (Mc 10.6-8) e louvado pelo apóstolo Paulo (Ef 5.22-33). No caso da pergunta levantada na epístola aos Coríntios, o apóstolo não fala do mandamento, mas dá sua opinião pessoal adequada à natureza da pergunta, de modo contextualizado (vs. 6-9, cf. v. 26).
Nos versos 10-16, Paulo se dirige a dois grupos de pessoas: “aos casados” (vs. 10) e “aos mais” (vs. 11). Na verdade, ele não trata com dois grupos diferentes, mas com dois aspectos diferentes do mesmo pensamento, isto é, o mandamento do Senhor para cônjuges crentes e a sua própria aplicação do mandamento a crentes casados com incrédulos.
Aos cônjuges crentes, ele diz que o mandamento do Senhor, tanto para a mulher quanto para o homem, é que não se divorciem (v. 11). Caso haja separação (certamente por causa da exceção citada em Mt 5.32, 19.9, gr. porneia, fornicação), que não se casem de novo a fim de possibilitar a reconciliação. Se não houver reconciliação, a parte que tiver cometido fornicação cometerá ainda adultério ao contrair novo matrimônio.
Aos que estão “sob jugo desigual”, isto é, crentes casados com pessoas não crentes, Paulo diz que o cônjuge crente não deve promover o divórcio, considerando que o cônjuge incrédulo e os filhos são, cerimonialmente, purificados para a vida em comum, e que poderá ser que o incrédulo se converta. Se o cônjuge incrédulo quiser se divorciar, o crente estará libertado do jugo.
O divórcio não é uma solução para os problemas do casamento, mas, às vezes, um remédio necessário por causa da dureza do coração humano decaído, para operação da obra redentora na vida das partes envolvidas.
A natureza do casamento
O casamento é a instituição divina, na Criação, de uma aliança terrena entre um homem e uma mulher diante de Deus, que deveria incluir uma mútua participação de carne e de coração pelo tempo de duração da vida de um dos cônjuges (1 Co 7.39; Gn. 2.24; Rm 7.2). Deus mesmo ordenou o casamento e o instituiu como a relação primária da sociedade. Ele não colocou no Éden um pai, ou uma mãe, e um filho, mas um homem e uma mulher numa união carnal, isto é, de compromisso espiritual e físico, tanto íntimo quanto familiar. Nos casamentos subseqüentes ao deAdão e Eva, os filhos deveriam “deixar” (isto é, quando estivessem maduros) a unidade familiar original para formar uma nova unidade que, igualmente, implicaria união de coração e de corpos. Quaisquer outras uniões terrenas pressupõem tipos de associação que preservam interesses individuais. No casamento, além da preservação das responsabilidades individuais, os pactuantes constituem um só carne. Isso implica a responsabilidade mútua em relação aos desejos, objetivos e estratégias de vida, segundo a vontade de Deus.
A Confissão de fé de Westminster orienta a matéria:
DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO
I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de urna mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo.
Ref. Gen. 2:24; Mat. 19:4-6; Rom. 7:3.
II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza.
Ref. Gen. 2:18, e 9:1; Mal.2:15; I Cor. 7:2,9.
III. A todos os que são capazes de dar um consentimento ajuizado, é lícito casar; mas é dever dos cristãos casar somente no Senhor; portanto, os que professam a verdadeira religião reformada não devem casar-se com infiéis, papistas ou outros idólatras; nem devem os piedosos prender-se desigualmente pelo jugo do casamento aos que são notoriamente ímpios em suas vidas ou que mantém heresias perniciosas.
Ref. Heb. 13:4; I Tim. 4:3; Gen.24:57-58; I Cor. 7:39; II Cor. 6:14.
IV. Não devem casar-se as pessoas entre as quais existem os graus de consagüinidade ou afinidade proibidos na palavra de Deus, tais casamentos incestuosos jamais poderão tornar-se lícitos pelas leis humanas ou consentimento das partes, de modo a poderem coabitar como marido e mulher.
Entretanto, a Queda legou a todos a herança maldita da rebelião contra Deus, da reversão mental para justificar a desobediência à sua palavra, e a inversão do referencial divino para a auto-referência ou egoísmo. O resultado disso, especialmente no casamento, é a expectativa do mal em vez da confiança na bondade de Deus e a mudança do foco do desejo, de Deus para o homem, e gerou uma luta de poder entre o homem e a mulher. Por causa da profundidade do pecado, a dureza do coração poderia resultar em separação (Gn 3.16b; Dt 24.1-4; Mt 19.7-8). Por causa de tal dureza de coração, a lei de Deus dada por intermédio de Moisés permitiu o repúdio, termo usado para se referir à carta de divórcio, permitido quando houvesse a constatação de “coisa indecente”, isto é, de impureza moral, sem desejo de reconciliação - por causa da impenitência do pecador ou da intransigência do ofendido em relação ao perdão.
A redenção em Cristo, contudo, trouxe nova esperança para a situação do casamento nesses tempos aflitivos de domínio do pecado (ver 1 Co 7.28), restaurando a aliança do eleito com Deus e capacitando os homens à restauração das alianças terrenas, incluindo a do casamento. Ao aplicar a redenção em Cristo ao casamento, o marido ama a mulher, demonstrando-o por meio da entrega pessoal (reflexo da graça de Deus), e a mulher ama o marido, demonstra-o por meio da recepção pessoal (exercício do dom da fé) - ações que, fundadas no amor de Cristo, não deixariam margem para o divórcio, uma vez que a reconciliação traria a sua paz à vida comum (Ef 5.21-33; 1 Co 7.15; Cl 3.15; Hb 14.14). A graça de Deus recebida em fé poria fim à rebeldia, ao auto-engano e ao egoísmo, inibindo as lutas pelo poder. Daria sentido correto às expressões “cabeça da mulher” e “submissas ao marido”. Biblicamente, tais expressões não indicam a soberania do homem sobre a mulher, pois estes são de igual valor e receberam igual poder para cultivar e guardar a terra, mas dizem respeito à condição decaída da relação pessoal e à sua redenção consumada em Cristo e aplicada na vida conjugal (cf. I Co 7.16-17; 1 Pe 3.1-2).
Propósito do casamento
O propósito principal do casamento é cumprir a finalidade principal do homem de glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. O ser humano foi criado à imagem de Deus, homem e mulher (Gn 1.26,27), e seu propósito é o de refletir o caráter de Deus, usufruindo o processo. No casamento, os cônjuges refletem a glória de Deus um para o outro e destacam a glória um do outro para que a glória de Deus seja experimentada por ambos, pela família, pela comunidade da fé e por todos os que estiverem próximos (I Co 11).A esfera da autoridade do marido compreende a liderança verdadeira e amorosa em favor da mulher, como Cristo em relação à igreja, e a esfera de autoridade da mulher compreende a recepção da verdade em amor para a produção de relacionamentos. De fato, homem e mulher são iguais diante do Senhor, mas com diferentes funções para o ensino mútuo da relação graça e fé diante de Deus e para a humanidade.
A situação à qual Paulo se atém em I Co 11 é peculiar à cultura da época e ilustrativa da condição do casamento no mundo decaído. O comportamento das mulheres (e dos homens) deveria ser pautado pela natureza e pelo propósito do casamento e não pelo legalismo do uso do véu. Tudo deveria ser feito em função da glória de Deus, e só poderá ser feito, se essa glória for refletida de maneira que demonstre a entrega de Cristo e a submissão do homem na figura singular do casamento (ver Ef 5.22-33).
Não é por acaso que a cerimônia de casamento civil e a de casamento religioso, ou o casamento religioso com efeito civil, requerem, diferencialmente, cuidados interessantes como, por exemplo, portas abertas e acesso franco ao local da cerimônia, declaração pública de assentimento dos cônjuges e promessas de fidelidade e zelo. De fato, o casamento é uma aliança entre um homem e uma mulher que, necessariamente, implica uma responsabilidade em relação à comunidade, pois envolve associação de pessoas físicas, moradia, adição de filhos, e todas as outras decorrências sociais.
Questões advindas da Queda
Casar ou não casar? Paulo disse que casar ou não casar é questão de dom e vocação, e de escolha pessoal, e que não há pecado tanto em casar quanto em não casar (I Co 7.7, 20, 28). Certamente o casamento implica acréscimo de preocupação por causa da dificuldade dos tempos, em relação à obra de Deus, e aquele que se casa deverá cuidar primeiro do cônjuge, depois das coisas de Deus (I Co 7.26, 32-34a). Contudo, em outros lugares, o próprio Paulo, como outros escritores, realçou a posição elevada ao casamento e atacou a sua proibição (Ef 5.22-33; I Tm 4.2-3; Hb 13.4).
Casar no Senhor. A expressão casar “somente no Senhor” tem, às vezes, dado ensejo à pergunta: E se meu casamento não foi feito no Senhor. Primeiro, casar no Senhor, aqui, significa casar com pessoa que pertença ao Senhor. Segundo, é a aliança de casamento que é feita no Senhor; diante dele é que as promessas são feitas, e Ele é o cobrador das promessas quebradas.
E se o amor acabar? Há quem alegue, até mesmo, que a falta de amor seja razão suficiente para separação. Para essas pessoas, há, também, duas observações. A primeira é a de que o amor jamais acaba (I Co 13.8); o que acaba é o sentimento do amor quando a fonte do amor, Deus, não é considerada (I Jo 3.18-22); o sentimento do amor não é uma causa, mas a conseqüência do ato de amor, isto é, do compromisso de amar. A segunda é a de que Deus não mandou que nos casássemos com a pessoa que amamos - o que é sempre bom! - mas que amássemos a pessoa com quem nos casamos – o que é muito bom! (Ef 5.28-31.)
Realidade do divórcio
O divórcio deveria ser visto como uma solução no sentido certo do termo, isto é, de solução de continuidade em face de uma impossibilidade, e não de resolução ou equação de um problema. A quebra de uma aliança feita diante de Deus e testemunhada pelos homens não deveria ser tomada como algo sem importância. Em Ml 2.16, Deus diz que odeia o repúdio, e o odeia porque ele é resultado do pecado e da quebra da aliança (Dt 29.18-21). Se Deus odeia o divórcio, Ele odeia mais a quebra da aliança, como se pode ver das Suas palavras a respeito do Seu próprio divórcio do povo de Israel (Is. 50.1). Também, em Jr 3.8, Ele diz que deu carta de divórcio a Israel por causa da sua prostituição. Dessa forma, o conceito de divórcio é biblicamente reconhecido e regulamentado.
Nos tempos bíblicosos, o casamento e o divórcio não eram matérias legais da alçada do estado, mas da religião, tal como ocorreu até pouco menos de cem anos em nossa Pátria. O fato de o casamento ter amparo na lei civil não o isenta da responsabilidade diante de Deus e da igreja, posto que é instituição divina.
Nem todos os divórcios são igualmente injustos. Em Mt 1.19-21, José não foi repreendido pela intenção de abandonar Maria para não infamá-la com a acusação de fornicação, mas apenas instado a não temer se casar com ela, pois o Filho havia sido gerado pelo Espírito Santo. José e Maria, eles estavam noivos, e segundo o costume judeu, vivendo sob o mesmo teto sem que coabitassem. O Talmude fala expressamente sobre o divórcio após o “noivado” judaico assim como sobre o divórcio após o casamento.
Por isso o texto de Mt 1 diz que José não queria infamá-la dando-lhe carta de divórcio.
Quando Jesus disse que Moisés havia permitido o divórcio por causa da dureza do coração (Mc 10. 5), ele não quis dizer que todos os divorciados tivessem corações endurecidos. Ele disse que, por causa do endurecimento geral que o pecado causa, há
situações, nas quais o divórcio é o procedimento “cirúrgico” adequado para separação de membros irremediavelmente lesados (Dt 24.1). O próprio Senhor Jesus disse, pouco antes de falar do divórcio, que seria melhor arrancar um membro do que lançar no inferno um corpo todo (Mt 5.29-32).
As palavras de Jesus são claras quanto à razão para o divórcio, isto é, no caso de relações sexuais ilícitas (Mt 5. 31,32). Sem anular a lei mosaica que permitia o divórcio, ele elevou a lei jurídica ao aspecto superior da ética do amor verdadeiro, a qual se refere primeiro a Deus e, depois, ao próximo, dizendo que o repúdio poderia expor o cônjuge repudiado ao adultério, cuja culpa atingiria, até mesmo, quem se casasse com ele. Isso não quer dizer que o divórcio seja requerido ou necessário nem que uma queda em pecado deva ser levada imediatamente até as conseqüências extremas do divórcio.
A expressão “relações sexuais ilícitas” cobre todos os pecados sexuais, tais como relação com mulher, homossexualismo, pedofilia, incesto etc. Mas o que dizer de outras espécies de abuso, como agressão física e psicológica, quando a vida física ou mental do cônjuge ou dos filhos estiver em jogo? O Antigo Testamento tinha leis específicas para proteger abusos no caso de poligamia (Dt 21.15-17), a qual era aceita, mas que, segundo o próprio Senhor Jesus, nunca foi o ideal original do casamento. O Novo Testamento coibiu a prática irregular corrente, como abuso, do costume poligâmico da época, não concedendo reconhecimento de capacitação para o ofício eclesiástico a homem que tivesse mais de uma mulher (I Tm 3.2,12; Tt 1.6). No caso da agressão continuada, é mais provável que devêssemos buscar guarida na proteção da igreja, a qual agiria no sentido de disciplinar o problema por meio do aconselhamento, o qual inclui, até mesmo, a excomunhão (I Co 5). Nesse caso, seria lícito o divórcio.
No entanto, a separação de um membro é sempre algo grave, e não deveria ser tomado como simples solução de problemas. Noutras palavras, as razões para um “divórcio consensual” por causa de “incompatibilidade de gênios”, “incompatibilidade de propósitos”, “término do amor” ou coisas semelhantes sequer deveriam existir entre cristãos. Também nem mesmo o adultério exige o divórcio. O divórcio autorizado pela Bíblia não admite razões levianas, mas sim razões estabelecidas pela Bíblia, como adultério em que não há arrependimento e reconciliação ou o abandono por parte do cônjuge incrédulo.
A Confissão de Fé de Westminster orienta também sobre o divórcio:
V. O adultério ou fornicação cometida depois de um contrato, sendo descoberto antes do casamento, dá à parte inocente justo motivo de dissolver o contrato; no caso de adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e depois de obter o divórcio casar com outrem, como se a parte infiel fosse morta.
Ref. Mat, 1: 18-20, e 5:31-32, e 19:9.
VI. Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular, não se devendo deixar ao arbítrio e discreção das partes o decidirem seu próprio caso.
Ref. Mat. 19:6-8; I Cor. 7:15; Deut. 24:1-4; Esdras 10:3.
Prevenção
“Disciplina” na igreja é hoje um assunto mal compreendido. Em vez de a idéia de ordem imposta ou livremente consentida, é comum pensar sobre ela como uma punição imposta. Assim, a lassidão no dever de manter a disciplina na igreja - tanto por causa do temor da vergonha e do desejo de se furtar à punição quanto por causa do incômodo que a tarefa de enfrentar a situação causa à liderança - rouba aos crentes o aspecto transformador da obediência à Palavra como a instrução, correção, repreensão e educação na justiça (II Tm 3.16, 17).
O Senhor Jesus ofereceu, em Mt 18.15-29, uma visão geral da disciplina dinâmica, a qual é extremamente útil como prevenção de conclusões infelizes nos casos de crise.
Aplicado ao divórcio, poderíamos ler assim: quando um cônjuge pecar gravemente contra o outro de modo que haja base para divórcio, a parte ofendida terá de, primeiro, argüir o ofensor, somente entre eles. Se o ofensor ouvir da maneira correta, os irmãos casados estarão reconciliados; e terão matado a raiz de um divórcio. Mesmo quando o pecado não constitui base para divórcio, essa primeira ação deverá ser exercitada.
Infelizmente, tão logo surgem os primeiros problemas, tanto o marido quanto a mulher começam a se queixar, primeiros aos filhos, e depois, aos amigos, o que constitui maledicência e só agrava a situação.
Continuando: se, porém, não houver arrependimento, o cônjuge ofendido deverá tomar duas testemunhas fiéis dentre os crentes da igreja a fim de estabelecer toda palavra. Esses crentes fiéis, presbíteros ou pessoas amadurecidas, não funcionam somente como “testemunhas de acusação” mas, principalmente, como conselheiros no estabelecimento da Palavra de Deus. Tal procedimento deveria bastar para que a situação não evoluísse para um divórcio. Na maioria das vezes, a ajuda só é pedida quando a crise já alcançou proporções emocionais que não mais possibilitam uma conversa conciliatória.
Prosseguindo: E, se o ofensor ainda não os atender, o caso terá de chegar ao conhecimento dos presbíteros da igreja. O conselho de presbíteros de uma igreja madura não age, primariamente, como administrador nem como juiz dos seus membros, mas como um colégio de pastores que cuida do rebanho, cuja missão é pregar e viver o evangelho da reconciliação (II Co 5.18-21). Se o cônjuge ofensor se recusar a ouvir também a igreja, aí então, poderá ser tratado como se fosse incrédulo, e nesse caso, haveria possibilidade (não exigência ou necessidade) de um divórcio biblicamente assegurado. A promessa do Senhor é a de que tudo o que for ligado ou desligado na terra segundo essa dinâmica, tem a sanção divina, pois Deus está no meio da igreja.
Divórcio
Ainda há esperança. Até mesmo depois de um casamento ter chegado à conclusão drástica do divórcio, ainda existirá esperança para o casal. Por isso Paulo diz que, se alguém viesse a se separar do cônjuge, não deveria se casar de novo a fim de permitir a reconciliação (1 Co 7.11). Os afetos do coração, quanto distorcidos, como já consideramos, poderão limitar a possibilidade dessa reconciliação. Contudo, poderão, também, ser expandidos para abraçar o coração do outro cônjuge (2 Co 6.12,13) por meio do arrependimento, isto é, da confissão e do perdão. Observe que essa opção é levantada por Paulo em relação a crentes; quanto ao divórcio movido por um incrédulo, a Palavra desobriga o crente do compromisso matrimonial, ainda que não o abrigue ao divórcio (1 Co 7.15).
O outro
Ainda que o casamento tenha terminado, para que haja saúde espiritual tanto para os divorciados quanto para o corpo de Cristo, continua havendo uma responsabilidade fraterna de amor a ser cumprida. Se duas pessoas caírem num buraco, ambas deverão sair dele a fim de que nenhuma delas fique presa ao passado. É claro que nem sempre será possível haver amizade, como no caso de um dos envolvidos continuar faccioso (Tt. 3.10,11), mas, quando possível, quando depender de uma pessoa, deverá haver paz entre os irmãos (Rm 12.18).
Filhos
Na maioria das vezes, os filhos já sofreram o desgaste advindo da situação e dos problemas dos pais, mas, ainda que tenham sido tomados de surpresa, a experiência do divórcio dos pais é sempre danosa. Fica neles um sentimento de ira (“de quem é a culpa?”) de inadequação (“de que lado eu fico?”), de falta de valor (“nem me consideraram...”), de culpa (“que foi que eu fiz”) e de frustração (“o que eu poderia ter feito?”). O fim do casamento não termina a responsabilidade dos pais. É preciso, ainda mais, que o amor lhes seja provado, uma vez que a prática lhes ensinou que o amor entre os pais não dependeu de Deus, mas de motivações internas e de condicionamentos externos.
Igreja
A igreja não pode considerar o divórcio como sendo coisa corriqueira nem deve considerar todo divórcio como sendo um pecado inaceitável. Se o processo de divórcio correu de forma adequada, e a igreja não cedeu seu direito divino de operar no casamento, então o divórcio terá sido declarado lícito ou ilícito. Se ocorreu uma separação não aprovada pela Palavra, certamente, a(s) parte(s) ofensora(s), estaria(m) disciplinada(s) e, possivelmente, restaurada(s) , e nesse caso, o tratamento da igreja deverá ser o de orar e trabalhar pela reabilitação do(s) crente(s). Se o divórcio estiver dentro dos padrões bíblicos, a parte ofensora, se for crente, deveria estar disciplinada e, possivelmente, restaurada, e a parte ofendida deveria estar livre para seguir sua vida sendo honrada e amada por todos. Como nem sempre a igreja está livre de ignorância e de preconceito, cabe aos seus líderes orientá-la na Palavra para que ela conheça a sua parte de responsabilidade e exerça seu ministério.
Contemplando novo casamento
Quando o apóstolo Paulo se dirige às viúvas jovens, ele defende um novo casamento para evitar a leviandade (1 Tm 5.14). Ele defenderia, também, um novo casamento de pessoa divorciada? Em I Co 7.15, ele diz que a pessoa abandonada pelo cônjuge incrédulo não está mais sujeito à servidão, mas esta livre. Para que? Certamente, para se casar, pois para todas as demais coisas lícitas e convenientes já existe essa liberdade.
Especialmente, em I Co 7.27,28, Paulo diz que se alguém ficou foi liberto do jugo matrimonial, não estaria pecando caso se casasse de novo. No texto grego, a palavra usada nas duas instâncias para tradução da expressão “estás livre”, é a mesma (luo), significando “liberto”. De outro modo, não haveria o contraste pretendido pelo escritor.
A questão é se a natureza do divórcio permite ou não um novo casamento. Segundo o que vimos, quem comete adultério da natureza do casamento, quer mediante ato sexual ilícito quer por meio do abandono quer em função de agressão contumaz, não estaria apto a um segundo casamento e estaria expondo o novo cônjuge ao adultério.
Contudo, dever-se-á levar em conta que a conversão de pessoas com um passado não recomendável é contemplada na Escritura (1 Co 5.14-19; 6.9-11; 2 Co 2.7). As combinações de diferentes aspectos do problema são muitos e só poderão ser tratados por meio de princípios gerais. Por exemplo, a prostituta convertida estaria apta a gozar de plenos privilégios na igreja? O que dizer de Raabe? E um adúltero arrependido, poderia resgatar um casamento que iniciado inadequadamente? Que dizer de Davi e Bate-Seba? Não podemos minimizar a questão do divórcio, mas não podemos, também minimizar o poder restaurador da graça de Deus. Não existe uma resposta “sim ou não”. A igreja terá de depender do Espírito de Deus, em cada caso, para iluminar o entendimento no estudo da Palavra e encontrar a satisfação da verdade e do amor de Deus nas situações humanas.
Conclusão
Esta é apenas uma visão panorâmica dos princípios bíblicos sobre o divórcio, procurando habilitar o crente a tratar as diversas perspectivas e dilemas dessa situação. O conhecimento da Palavra e a sabedoria concedida pela iluminação do Espírito deverão desafiá-lo à obediência da verdade em amor - certo da esperança de que a fidelidade de Deus assegurará força e proverá suporte (I Co 10.13).
O divórcio não é uma solução, mas, às vezes, um remédio, por causa da dureza do coração humano decaído o qual precisa de uma solução redentora para as partes envolvidas. Para isso, é preciso sempre assegurar de: (1) que as pessoas envolvidas estejam libertadas de todas as obrigações passadas; (2) que tenham buscado o perdão de Deus de todas as pessoas envolvidas no processo (Deus, cônjuge, filhos, familiares indiretos, igreja, etc.); (3) que todos os esforços tenham sido feitos para a reconciliação; (4) que todos os esforços tenham sido feitos para corrigir os erros passíveis de serem corrigidos. Além disso, as pessoas envolvidas no processo deverão sempre buscar aconselhamento com o pastor da igreja a fim de que nenhuma raiz de amargura venha a brotar e a contaminar a muitos (Hb 12.14-17).
(Rev. Wadislau Martins Gomes)
Alguns anos atrás, o casamento era visto como uma união para “até que a morte os separe”. Não se esperava que um casamento pudesse chegar a um final infeliz, ainda que muitos conhecem a infelicidade e a sua terminação. Contudo, aquilo que era raro a algumas décadas atrás, vai se tornando mais e mais comum hoje em dia: é crescente o número de divorciados na nossa sociedade, e até mesmo, na igreja. Como tratar biblicamente essa realidade enquanto preservamos e pregamos a perenidade do casamento?
Nossa sociedade sofre a fragmentação moral própria de um processo de secularização no qual valores divinos são deslocados para bases humanas. Uma ética baseada nos direitos, mais do que nos deveres, frustra os relacionamentos, produzindo extremo egoísmo.Atensão entre as ênfases social e individual promove um ambiente de coesão externa e de fragmentação interna em todas as esferas de autoridade (no homem interior, na família, na igreja e no estado).
A licenciosidade moral e a liberdade autônoma dificultam o exercício da fidelidade e da lealdade, atingindo a instituição do casamento. O casamento deixa de ser um compromisso entre um homem e uma mulher diante de Deus e dos homens, para ser um acordo de interesses. Muitos casamentos chegam a uma terminação dolorosa. Muitos dos nossos irmãos já passaram pelo drama ético do divórcio e ainda não ultrapassaram os seus problemas.
A igreja precisa aprender a tratar esses casos. Nossos irmãos precisam de uma visão dos princípios bíblicos sobre o divórcio. Precisam de capacitação para tratar as diversas perspectivas e dilemas dessa situação, sendo desafiados à obediência a Deus - certo da esperança de que a fidelidade de Deus assegurará força e proverá suporte (I Co 10.13). Muitas das palavras chaves sobre o divórcio se encontram em 1 Coríntios 7.10-16.
Certamente não poderíamos tratar de divórcio sem mencionar o pacto que estaria sendo rompido: o casamento. Por isso é importante que consideremos o contexto dessa passagem.
Respondendo a uma pergunta feita por alguém da igreja de Corinto (depreende-se) à relação entre homem e mulher, Paulo diz que não é bom o contacto físico indiscriminado, mas sim, a relação monogâmica com direitos e deveres definidos (7.1-5).
O estabelecimento do casamento foi ordenado e regulado no princípio, na Criação (Gn 1.28; 2.24), corroborado pelo próprio Senhor Jesus (Mc 10.6-8) e louvado pelo apóstolo Paulo (Ef 5.22-33). No caso da pergunta levantada na epístola aos Coríntios, o apóstolo não fala do mandamento, mas dá sua opinião pessoal adequada à natureza da pergunta, de modo contextualizado (vs. 6-9, cf. v. 26).
Nos versos 10-16, Paulo se dirige a dois grupos de pessoas: “aos casados” (vs. 10) e “aos mais” (vs. 11). Na verdade, ele não trata com dois grupos diferentes, mas com dois aspectos diferentes do mesmo pensamento, isto é, o mandamento do Senhor para cônjuges crentes e a sua própria aplicação do mandamento a crentes casados com incrédulos.
Aos cônjuges crentes, ele diz que o mandamento do Senhor, tanto para a mulher quanto para o homem, é que não se divorciem (v. 11). Caso haja separação (certamente por causa da exceção citada em Mt 5.32, 19.9, gr. porneia, fornicação), que não se casem de novo a fim de possibilitar a reconciliação. Se não houver reconciliação, a parte que tiver cometido fornicação cometerá ainda adultério ao contrair novo matrimônio.
Aos que estão “sob jugo desigual”, isto é, crentes casados com pessoas não crentes, Paulo diz que o cônjuge crente não deve promover o divórcio, considerando que o cônjuge incrédulo e os filhos são, cerimonialmente, purificados para a vida em comum, e que poderá ser que o incrédulo se converta. Se o cônjuge incrédulo quiser se divorciar, o crente estará libertado do jugo.
O divórcio não é uma solução para os problemas do casamento, mas, às vezes, um remédio necessário por causa da dureza do coração humano decaído, para operação da obra redentora na vida das partes envolvidas.
A natureza do casamento
O casamento é a instituição divina, na Criação, de uma aliança terrena entre um homem e uma mulher diante de Deus, que deveria incluir uma mútua participação de carne e de coração pelo tempo de duração da vida de um dos cônjuges (1 Co 7.39; Gn. 2.24; Rm 7.2). Deus mesmo ordenou o casamento e o instituiu como a relação primária da sociedade. Ele não colocou no Éden um pai, ou uma mãe, e um filho, mas um homem e uma mulher numa união carnal, isto é, de compromisso espiritual e físico, tanto íntimo quanto familiar. Nos casamentos subseqüentes ao deAdão e Eva, os filhos deveriam “deixar” (isto é, quando estivessem maduros) a unidade familiar original para formar uma nova unidade que, igualmente, implicaria união de coração e de corpos. Quaisquer outras uniões terrenas pressupõem tipos de associação que preservam interesses individuais. No casamento, além da preservação das responsabilidades individuais, os pactuantes constituem um só carne. Isso implica a responsabilidade mútua em relação aos desejos, objetivos e estratégias de vida, segundo a vontade de Deus.
A Confissão de fé de Westminster orienta a matéria:
DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO
I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de urna mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo.
Ref. Gen. 2:24; Mat. 19:4-6; Rom. 7:3.
II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza.
Ref. Gen. 2:18, e 9:1; Mal.2:15; I Cor. 7:2,9.
III. A todos os que são capazes de dar um consentimento ajuizado, é lícito casar; mas é dever dos cristãos casar somente no Senhor; portanto, os que professam a verdadeira religião reformada não devem casar-se com infiéis, papistas ou outros idólatras; nem devem os piedosos prender-se desigualmente pelo jugo do casamento aos que são notoriamente ímpios em suas vidas ou que mantém heresias perniciosas.
Ref. Heb. 13:4; I Tim. 4:3; Gen.24:57-58; I Cor. 7:39; II Cor. 6:14.
IV. Não devem casar-se as pessoas entre as quais existem os graus de consagüinidade ou afinidade proibidos na palavra de Deus, tais casamentos incestuosos jamais poderão tornar-se lícitos pelas leis humanas ou consentimento das partes, de modo a poderem coabitar como marido e mulher.
Entretanto, a Queda legou a todos a herança maldita da rebelião contra Deus, da reversão mental para justificar a desobediência à sua palavra, e a inversão do referencial divino para a auto-referência ou egoísmo. O resultado disso, especialmente no casamento, é a expectativa do mal em vez da confiança na bondade de Deus e a mudança do foco do desejo, de Deus para o homem, e gerou uma luta de poder entre o homem e a mulher. Por causa da profundidade do pecado, a dureza do coração poderia resultar em separação (Gn 3.16b; Dt 24.1-4; Mt 19.7-8). Por causa de tal dureza de coração, a lei de Deus dada por intermédio de Moisés permitiu o repúdio, termo usado para se referir à carta de divórcio, permitido quando houvesse a constatação de “coisa indecente”, isto é, de impureza moral, sem desejo de reconciliação - por causa da impenitência do pecador ou da intransigência do ofendido em relação ao perdão.
A redenção em Cristo, contudo, trouxe nova esperança para a situação do casamento nesses tempos aflitivos de domínio do pecado (ver 1 Co 7.28), restaurando a aliança do eleito com Deus e capacitando os homens à restauração das alianças terrenas, incluindo a do casamento. Ao aplicar a redenção em Cristo ao casamento, o marido ama a mulher, demonstrando-o por meio da entrega pessoal (reflexo da graça de Deus), e a mulher ama o marido, demonstra-o por meio da recepção pessoal (exercício do dom da fé) - ações que, fundadas no amor de Cristo, não deixariam margem para o divórcio, uma vez que a reconciliação traria a sua paz à vida comum (Ef 5.21-33; 1 Co 7.15; Cl 3.15; Hb 14.14). A graça de Deus recebida em fé poria fim à rebeldia, ao auto-engano e ao egoísmo, inibindo as lutas pelo poder. Daria sentido correto às expressões “cabeça da mulher” e “submissas ao marido”. Biblicamente, tais expressões não indicam a soberania do homem sobre a mulher, pois estes são de igual valor e receberam igual poder para cultivar e guardar a terra, mas dizem respeito à condição decaída da relação pessoal e à sua redenção consumada em Cristo e aplicada na vida conjugal (cf. I Co 7.16-17; 1 Pe 3.1-2).
Propósito do casamento
O propósito principal do casamento é cumprir a finalidade principal do homem de glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. O ser humano foi criado à imagem de Deus, homem e mulher (Gn 1.26,27), e seu propósito é o de refletir o caráter de Deus, usufruindo o processo. No casamento, os cônjuges refletem a glória de Deus um para o outro e destacam a glória um do outro para que a glória de Deus seja experimentada por ambos, pela família, pela comunidade da fé e por todos os que estiverem próximos (I Co 11).A esfera da autoridade do marido compreende a liderança verdadeira e amorosa em favor da mulher, como Cristo em relação à igreja, e a esfera de autoridade da mulher compreende a recepção da verdade em amor para a produção de relacionamentos. De fato, homem e mulher são iguais diante do Senhor, mas com diferentes funções para o ensino mútuo da relação graça e fé diante de Deus e para a humanidade.
A situação à qual Paulo se atém em I Co 11 é peculiar à cultura da época e ilustrativa da condição do casamento no mundo decaído. O comportamento das mulheres (e dos homens) deveria ser pautado pela natureza e pelo propósito do casamento e não pelo legalismo do uso do véu. Tudo deveria ser feito em função da glória de Deus, e só poderá ser feito, se essa glória for refletida de maneira que demonstre a entrega de Cristo e a submissão do homem na figura singular do casamento (ver Ef 5.22-33).
Não é por acaso que a cerimônia de casamento civil e a de casamento religioso, ou o casamento religioso com efeito civil, requerem, diferencialmente, cuidados interessantes como, por exemplo, portas abertas e acesso franco ao local da cerimônia, declaração pública de assentimento dos cônjuges e promessas de fidelidade e zelo. De fato, o casamento é uma aliança entre um homem e uma mulher que, necessariamente, implica uma responsabilidade em relação à comunidade, pois envolve associação de pessoas físicas, moradia, adição de filhos, e todas as outras decorrências sociais.
Questões advindas da Queda
Casar ou não casar? Paulo disse que casar ou não casar é questão de dom e vocação, e de escolha pessoal, e que não há pecado tanto em casar quanto em não casar (I Co 7.7, 20, 28). Certamente o casamento implica acréscimo de preocupação por causa da dificuldade dos tempos, em relação à obra de Deus, e aquele que se casa deverá cuidar primeiro do cônjuge, depois das coisas de Deus (I Co 7.26, 32-34a). Contudo, em outros lugares, o próprio Paulo, como outros escritores, realçou a posição elevada ao casamento e atacou a sua proibição (Ef 5.22-33; I Tm 4.2-3; Hb 13.4).
Casar no Senhor. A expressão casar “somente no Senhor” tem, às vezes, dado ensejo à pergunta: E se meu casamento não foi feito no Senhor. Primeiro, casar no Senhor, aqui, significa casar com pessoa que pertença ao Senhor. Segundo, é a aliança de casamento que é feita no Senhor; diante dele é que as promessas são feitas, e Ele é o cobrador das promessas quebradas.
E se o amor acabar? Há quem alegue, até mesmo, que a falta de amor seja razão suficiente para separação. Para essas pessoas, há, também, duas observações. A primeira é a de que o amor jamais acaba (I Co 13.8); o que acaba é o sentimento do amor quando a fonte do amor, Deus, não é considerada (I Jo 3.18-22); o sentimento do amor não é uma causa, mas a conseqüência do ato de amor, isto é, do compromisso de amar. A segunda é a de que Deus não mandou que nos casássemos com a pessoa que amamos - o que é sempre bom! - mas que amássemos a pessoa com quem nos casamos – o que é muito bom! (Ef 5.28-31.)
Realidade do divórcio
O divórcio deveria ser visto como uma solução no sentido certo do termo, isto é, de solução de continuidade em face de uma impossibilidade, e não de resolução ou equação de um problema. A quebra de uma aliança feita diante de Deus e testemunhada pelos homens não deveria ser tomada como algo sem importância. Em Ml 2.16, Deus diz que odeia o repúdio, e o odeia porque ele é resultado do pecado e da quebra da aliança (Dt 29.18-21). Se Deus odeia o divórcio, Ele odeia mais a quebra da aliança, como se pode ver das Suas palavras a respeito do Seu próprio divórcio do povo de Israel (Is. 50.1). Também, em Jr 3.8, Ele diz que deu carta de divórcio a Israel por causa da sua prostituição. Dessa forma, o conceito de divórcio é biblicamente reconhecido e regulamentado.
Nos tempos bíblicosos, o casamento e o divórcio não eram matérias legais da alçada do estado, mas da religião, tal como ocorreu até pouco menos de cem anos em nossa Pátria. O fato de o casamento ter amparo na lei civil não o isenta da responsabilidade diante de Deus e da igreja, posto que é instituição divina.
Nem todos os divórcios são igualmente injustos. Em Mt 1.19-21, José não foi repreendido pela intenção de abandonar Maria para não infamá-la com a acusação de fornicação, mas apenas instado a não temer se casar com ela, pois o Filho havia sido gerado pelo Espírito Santo. José e Maria, eles estavam noivos, e segundo o costume judeu, vivendo sob o mesmo teto sem que coabitassem. O Talmude fala expressamente sobre o divórcio após o “noivado” judaico assim como sobre o divórcio após o casamento.
Por isso o texto de Mt 1 diz que José não queria infamá-la dando-lhe carta de divórcio.
Quando Jesus disse que Moisés havia permitido o divórcio por causa da dureza do coração (Mc 10. 5), ele não quis dizer que todos os divorciados tivessem corações endurecidos. Ele disse que, por causa do endurecimento geral que o pecado causa, há
situações, nas quais o divórcio é o procedimento “cirúrgico” adequado para separação de membros irremediavelmente lesados (Dt 24.1). O próprio Senhor Jesus disse, pouco antes de falar do divórcio, que seria melhor arrancar um membro do que lançar no inferno um corpo todo (Mt 5.29-32).
As palavras de Jesus são claras quanto à razão para o divórcio, isto é, no caso de relações sexuais ilícitas (Mt 5. 31,32). Sem anular a lei mosaica que permitia o divórcio, ele elevou a lei jurídica ao aspecto superior da ética do amor verdadeiro, a qual se refere primeiro a Deus e, depois, ao próximo, dizendo que o repúdio poderia expor o cônjuge repudiado ao adultério, cuja culpa atingiria, até mesmo, quem se casasse com ele. Isso não quer dizer que o divórcio seja requerido ou necessário nem que uma queda em pecado deva ser levada imediatamente até as conseqüências extremas do divórcio.
A expressão “relações sexuais ilícitas” cobre todos os pecados sexuais, tais como relação com mulher, homossexualismo, pedofilia, incesto etc. Mas o que dizer de outras espécies de abuso, como agressão física e psicológica, quando a vida física ou mental do cônjuge ou dos filhos estiver em jogo? O Antigo Testamento tinha leis específicas para proteger abusos no caso de poligamia (Dt 21.15-17), a qual era aceita, mas que, segundo o próprio Senhor Jesus, nunca foi o ideal original do casamento. O Novo Testamento coibiu a prática irregular corrente, como abuso, do costume poligâmico da época, não concedendo reconhecimento de capacitação para o ofício eclesiástico a homem que tivesse mais de uma mulher (I Tm 3.2,12; Tt 1.6). No caso da agressão continuada, é mais provável que devêssemos buscar guarida na proteção da igreja, a qual agiria no sentido de disciplinar o problema por meio do aconselhamento, o qual inclui, até mesmo, a excomunhão (I Co 5). Nesse caso, seria lícito o divórcio.
No entanto, a separação de um membro é sempre algo grave, e não deveria ser tomado como simples solução de problemas. Noutras palavras, as razões para um “divórcio consensual” por causa de “incompatibilidade de gênios”, “incompatibilidade de propósitos”, “término do amor” ou coisas semelhantes sequer deveriam existir entre cristãos. Também nem mesmo o adultério exige o divórcio. O divórcio autorizado pela Bíblia não admite razões levianas, mas sim razões estabelecidas pela Bíblia, como adultério em que não há arrependimento e reconciliação ou o abandono por parte do cônjuge incrédulo.
A Confissão de Fé de Westminster orienta também sobre o divórcio:
V. O adultério ou fornicação cometida depois de um contrato, sendo descoberto antes do casamento, dá à parte inocente justo motivo de dissolver o contrato; no caso de adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e depois de obter o divórcio casar com outrem, como se a parte infiel fosse morta.
Ref. Mat, 1: 18-20, e 5:31-32, e 19:9.
VI. Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular, não se devendo deixar ao arbítrio e discreção das partes o decidirem seu próprio caso.
Ref. Mat. 19:6-8; I Cor. 7:15; Deut. 24:1-4; Esdras 10:3.
Prevenção
“Disciplina” na igreja é hoje um assunto mal compreendido. Em vez de a idéia de ordem imposta ou livremente consentida, é comum pensar sobre ela como uma punição imposta. Assim, a lassidão no dever de manter a disciplina na igreja - tanto por causa do temor da vergonha e do desejo de se furtar à punição quanto por causa do incômodo que a tarefa de enfrentar a situação causa à liderança - rouba aos crentes o aspecto transformador da obediência à Palavra como a instrução, correção, repreensão e educação na justiça (II Tm 3.16, 17).
O Senhor Jesus ofereceu, em Mt 18.15-29, uma visão geral da disciplina dinâmica, a qual é extremamente útil como prevenção de conclusões infelizes nos casos de crise.
Aplicado ao divórcio, poderíamos ler assim: quando um cônjuge pecar gravemente contra o outro de modo que haja base para divórcio, a parte ofendida terá de, primeiro, argüir o ofensor, somente entre eles. Se o ofensor ouvir da maneira correta, os irmãos casados estarão reconciliados; e terão matado a raiz de um divórcio. Mesmo quando o pecado não constitui base para divórcio, essa primeira ação deverá ser exercitada.
Infelizmente, tão logo surgem os primeiros problemas, tanto o marido quanto a mulher começam a se queixar, primeiros aos filhos, e depois, aos amigos, o que constitui maledicência e só agrava a situação.
Continuando: se, porém, não houver arrependimento, o cônjuge ofendido deverá tomar duas testemunhas fiéis dentre os crentes da igreja a fim de estabelecer toda palavra. Esses crentes fiéis, presbíteros ou pessoas amadurecidas, não funcionam somente como “testemunhas de acusação” mas, principalmente, como conselheiros no estabelecimento da Palavra de Deus. Tal procedimento deveria bastar para que a situação não evoluísse para um divórcio. Na maioria das vezes, a ajuda só é pedida quando a crise já alcançou proporções emocionais que não mais possibilitam uma conversa conciliatória.
Prosseguindo: E, se o ofensor ainda não os atender, o caso terá de chegar ao conhecimento dos presbíteros da igreja. O conselho de presbíteros de uma igreja madura não age, primariamente, como administrador nem como juiz dos seus membros, mas como um colégio de pastores que cuida do rebanho, cuja missão é pregar e viver o evangelho da reconciliação (II Co 5.18-21). Se o cônjuge ofensor se recusar a ouvir também a igreja, aí então, poderá ser tratado como se fosse incrédulo, e nesse caso, haveria possibilidade (não exigência ou necessidade) de um divórcio biblicamente assegurado. A promessa do Senhor é a de que tudo o que for ligado ou desligado na terra segundo essa dinâmica, tem a sanção divina, pois Deus está no meio da igreja.
Divórcio
Ainda há esperança. Até mesmo depois de um casamento ter chegado à conclusão drástica do divórcio, ainda existirá esperança para o casal. Por isso Paulo diz que, se alguém viesse a se separar do cônjuge, não deveria se casar de novo a fim de permitir a reconciliação (1 Co 7.11). Os afetos do coração, quanto distorcidos, como já consideramos, poderão limitar a possibilidade dessa reconciliação. Contudo, poderão, também, ser expandidos para abraçar o coração do outro cônjuge (2 Co 6.12,13) por meio do arrependimento, isto é, da confissão e do perdão. Observe que essa opção é levantada por Paulo em relação a crentes; quanto ao divórcio movido por um incrédulo, a Palavra desobriga o crente do compromisso matrimonial, ainda que não o abrigue ao divórcio (1 Co 7.15).
O outro
Ainda que o casamento tenha terminado, para que haja saúde espiritual tanto para os divorciados quanto para o corpo de Cristo, continua havendo uma responsabilidade fraterna de amor a ser cumprida. Se duas pessoas caírem num buraco, ambas deverão sair dele a fim de que nenhuma delas fique presa ao passado. É claro que nem sempre será possível haver amizade, como no caso de um dos envolvidos continuar faccioso (Tt. 3.10,11), mas, quando possível, quando depender de uma pessoa, deverá haver paz entre os irmãos (Rm 12.18).
Filhos
Na maioria das vezes, os filhos já sofreram o desgaste advindo da situação e dos problemas dos pais, mas, ainda que tenham sido tomados de surpresa, a experiência do divórcio dos pais é sempre danosa. Fica neles um sentimento de ira (“de quem é a culpa?”) de inadequação (“de que lado eu fico?”), de falta de valor (“nem me consideraram...”), de culpa (“que foi que eu fiz”) e de frustração (“o que eu poderia ter feito?”). O fim do casamento não termina a responsabilidade dos pais. É preciso, ainda mais, que o amor lhes seja provado, uma vez que a prática lhes ensinou que o amor entre os pais não dependeu de Deus, mas de motivações internas e de condicionamentos externos.
Igreja
A igreja não pode considerar o divórcio como sendo coisa corriqueira nem deve considerar todo divórcio como sendo um pecado inaceitável. Se o processo de divórcio correu de forma adequada, e a igreja não cedeu seu direito divino de operar no casamento, então o divórcio terá sido declarado lícito ou ilícito. Se ocorreu uma separação não aprovada pela Palavra, certamente, a(s) parte(s) ofensora(s), estaria(m) disciplinada(s) e, possivelmente, restaurada(s) , e nesse caso, o tratamento da igreja deverá ser o de orar e trabalhar pela reabilitação do(s) crente(s). Se o divórcio estiver dentro dos padrões bíblicos, a parte ofensora, se for crente, deveria estar disciplinada e, possivelmente, restaurada, e a parte ofendida deveria estar livre para seguir sua vida sendo honrada e amada por todos. Como nem sempre a igreja está livre de ignorância e de preconceito, cabe aos seus líderes orientá-la na Palavra para que ela conheça a sua parte de responsabilidade e exerça seu ministério.
Contemplando novo casamento
Quando o apóstolo Paulo se dirige às viúvas jovens, ele defende um novo casamento para evitar a leviandade (1 Tm 5.14). Ele defenderia, também, um novo casamento de pessoa divorciada? Em I Co 7.15, ele diz que a pessoa abandonada pelo cônjuge incrédulo não está mais sujeito à servidão, mas esta livre. Para que? Certamente, para se casar, pois para todas as demais coisas lícitas e convenientes já existe essa liberdade.
Especialmente, em I Co 7.27,28, Paulo diz que se alguém ficou foi liberto do jugo matrimonial, não estaria pecando caso se casasse de novo. No texto grego, a palavra usada nas duas instâncias para tradução da expressão “estás livre”, é a mesma (luo), significando “liberto”. De outro modo, não haveria o contraste pretendido pelo escritor.
A questão é se a natureza do divórcio permite ou não um novo casamento. Segundo o que vimos, quem comete adultério da natureza do casamento, quer mediante ato sexual ilícito quer por meio do abandono quer em função de agressão contumaz, não estaria apto a um segundo casamento e estaria expondo o novo cônjuge ao adultério.
Contudo, dever-se-á levar em conta que a conversão de pessoas com um passado não recomendável é contemplada na Escritura (1 Co 5.14-19; 6.9-11; 2 Co 2.7). As combinações de diferentes aspectos do problema são muitos e só poderão ser tratados por meio de princípios gerais. Por exemplo, a prostituta convertida estaria apta a gozar de plenos privilégios na igreja? O que dizer de Raabe? E um adúltero arrependido, poderia resgatar um casamento que iniciado inadequadamente? Que dizer de Davi e Bate-Seba? Não podemos minimizar a questão do divórcio, mas não podemos, também minimizar o poder restaurador da graça de Deus. Não existe uma resposta “sim ou não”. A igreja terá de depender do Espírito de Deus, em cada caso, para iluminar o entendimento no estudo da Palavra e encontrar a satisfação da verdade e do amor de Deus nas situações humanas.
Conclusão
Esta é apenas uma visão panorâmica dos princípios bíblicos sobre o divórcio, procurando habilitar o crente a tratar as diversas perspectivas e dilemas dessa situação. O conhecimento da Palavra e a sabedoria concedida pela iluminação do Espírito deverão desafiá-lo à obediência da verdade em amor - certo da esperança de que a fidelidade de Deus assegurará força e proverá suporte (I Co 10.13).
O divórcio não é uma solução, mas, às vezes, um remédio, por causa da dureza do coração humano decaído o qual precisa de uma solução redentora para as partes envolvidas. Para isso, é preciso sempre assegurar de: (1) que as pessoas envolvidas estejam libertadas de todas as obrigações passadas; (2) que tenham buscado o perdão de Deus de todas as pessoas envolvidas no processo (Deus, cônjuge, filhos, familiares indiretos, igreja, etc.); (3) que todos os esforços tenham sido feitos para a reconciliação; (4) que todos os esforços tenham sido feitos para corrigir os erros passíveis de serem corrigidos. Além disso, as pessoas envolvidas no processo deverão sempre buscar aconselhamento com o pastor da igreja a fim de que nenhuma raiz de amargura venha a brotar e a contaminar a muitos (Hb 12.14-17).